Disclaimer: Nada disso é meu. É apenas uma desculpa para não estudar.
Sim, estou viva e eu estou aqui. Ainda que não apareça há meses: P Eu sinto muito pelo atraso, vocês não imaginam o quão ocupada tenho estado. Acredito que não é por causa das provas de setembro, mas sim porque ainda não havia entrado em mim a inspiração divina para escrever este capítulo xD. Bem, como sempre, espero que gostem e muito obrigada por todas as opiniões e comentários. São vocês que realmente me animam a continuar com esta história.
Vamos a leitura!^^
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- Isto não é um jogo, Harry, ou um exercício prático! Isto é a vida real, e Dumbledore deixou-lhe instruções específicas: encontrar e destruir as Horcruxes! Esse símbolo não significa nada, esqueça as Relíquias da Morte, não podemos dar-nos ao luxo de desviar da nossa meta ...
Sou consciente de que Harry mal me escuta, mas ainda não posso parar de gritar. Talvez o faça para liberar toda a tensão acumulada nas últimas horas. Talvez seja apenas para me vingar de alguém por tudo o que está acontecendo. Sufocando um bufo, saio da barraca para fazer o primeiro plantão. Vejo pelo canto do olho, quando Rony dá a entender que vai me seguir. Finalmente, o ruivo fica no seu lugar, em silêncio, observando meus movimentos.
"Oh não, Rony Weasley, não vai ser tão fácil."
Talvez já não esteja tão brava com ele como antes. Mas eu ainda estou guardando rancor por ter nos deixado. Eu ainda o evito, porque inconscientemente ainda não quero ter aquela conversa com ele.
Sento-me na entrada da barraca, e abro um livro com decisão. Meus olhos apenas passam pelas páginas porque não quero ler no momento, apenas fingir que faço. Olho para Rony furtivamente, e vejo que está preparando chá para todos. Esboço um sorriso e volto a olhar para frente. Está mudado, muito mudado. É como se ele tivesse amadurecido de uma vez. Não é o mesmo de antes. Mas claro, eu também não sou a mesma. Eu pensei que o retorno de Rony tinha reavivado minha cabeça, e que finalmente meu cérebro tinha concebido um bom plano. Pensei que o fato de o ruivo ter voltado bastaria para remover todos aqueles pensamentos obscuros da minha cabeça e centrar-me de uma vez na busca pelas Horcruxes. Mas a idéia de visitar a Xenophilius Lovegood provou ser pior do que ir para Godric's Holow.
Quem poderia ter adivinhado? Na minha cabeça ainda defendo aquele pobre homem. Que tinham levado sua filha. Tinham levado Luna ... mas eu tinha certeza de que a corvinal não apoiaria em momento algum a atitude de seu pai. Sabia que ela era muito mais corajosa do que ele.
Por outro lado tinha todo o negócio das "Relíquias da Morte", afogo um bufo e paso bruscamente a página do livro. Rony me olha disfarçando mal , mas eu não me comovo. As Relíquias da Morte ... santa estupidez, e eu pensei que poderiam nos levar a algum lugar, e provaram ser apenas uma história para crianças. Sim Hermione, você se iludiu. E agora teria que dissuadir Harry para que compreendesse que as relíquias não eram nada mais que um bando de bobagens.
Deixo escapar um suspiro, e acho com ceticismo que isso não é tão fácil. A teimosia de Harry é algo que o moreno tem apresentado desde a primeira série. Lembro-me que no ano passado me vi na mesma situação quando ele estava determinado a seguir Malfoy, em vez de conseguir aquela memória de Slughorn, tão importante para Dumbledore...
- Aí você não vai encontrar nada.
- Não comece a Hermione. Se não fosse pelo príncipe, Rony agora não estaria sentado aqui.
- Estaria sentado aqui se tivesse escutado Snape primeiro.
Constato com desdém como Harry me ignoracompletamente e continua a se concentrar nesse livro horrível. Rony, sentado ao meu lado, espera pacientemente pelo retorno da sua redação, já corrigida e completada por mim. Eu suspiro e faço a última revisão antes entregá-la com um bocejo retumbante.
- Você está bem Hermione? - Rony olha para mim com alguma preocupação - Não está com uma cara boa.
- Não é nada – respondo pegado as minhas coisas, não quero que Rony me veja enrubescer - Ultimamente não tenho dormido muito bem, eu vou para a cama. E Harry, você não deveria contrariar Snape na redação sobre os dementadores. Ele ficará com raiva.
O moreno dá de ombros e continua imerso na leitura de seu livro. Eu sorrio para mim mesma, sabendo que nada que do que eu diga vai fazê-lo mudar de idéia. Digo adeus aos dois e eu me encaminho para o dormitório das meninas.
Assim que chego me jogo sobre a cama sem nem mesmo vestir o pijama. Não disse a Rony nenhuma mentira, nas últimas semanas eu mal preguei os olhos. E a razão estava muito clara.
Involuntariamente levo minha mão aos lábios, e roço-os levemente com os dedos. Eu ainda posso sentir o seu sabor na minha pele, seu calor. Nunca teria imaginado ... Sufocando um gemido de desespero me viro e escondo meu rosto no travesseiro. Sei que não posso continuar assim, os exames se aproximam, e minha cabeça está totalmente em outro lugar. Mas agora não posso refugiar-me na desculpa do álcool. Agora não posso fingir que não me lembro de nada, e olhar para outro lado ignorando as coisas. Eu estava lá, plenamente consciente do que estava acontecendo. Eu o queria, o queria. E se meus sentidos não me enganam. Ele queria também.
Eu aperto as mãos contra a minha cabeça, como se a pressão podesse acabar com as memórias. Queria esquecer toda essa tolice e continuar com minha vida ... mas não sou capaz. E mesmo que eu pudesse, uma parte de mim recusa-se terminantemente a fazê-lo. Essa Hermione consciente e consistente das suas ações não vai me deixar seguir em frente. Maldigo esa parte de mim enquanto penso que isso é demais. Como devo lidar com ele? Devo agir como se nada tivesse acontecido? Isso é o que ele está fazendo, isso é o que espera de mim. Mas eu nunca tive esse dom de ignorar totalmente os sentimentos tanto os próprios quanto os dos outros. E eu não terei nunca ...
Fecho meus olhos com força, esperando que a solução para os meus problemas e meu estado de confusão mental, chegue voando pela janela. Mas obviamente isso não acontece, tento limpar a minha mente e me preparo para mais uma noite cruel sem pregar o olho...
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- Hermione? Hermione! – pulo e olho em volta um pouco atordoada. O professor da aparatacão, Twycross, olha-me um pouco confuso. E Rony, cutuca-me para que eu volte com eles para o mundo real. Esboço um sorriso nervoso e o homem parece se dar por satisfeito, porque ele toma um gole, de seu copo, de vinho de elfo, e olha para trás para continuar conversando com a multidão de estudantes que o rodeiam.
- Dizia que executa com perfeição os três Ds - sussurra Rony em meu ouvido. Concordo e olho para longe. Tenho a cabeça completamente em outro lugar. Rony olha para mim como se eu fosse um bicho raro, e logo começa a observar disfarçadamente todos os movimentos da garçonete do Três Vassouras, a bonita Rosmerta. Surpreendo-me por não sentir a habitual pontada de ciúmes sempre que Rony se fixava nela. Abaixo a cabeça um pouco triste, agora tenho muito o que pensar.
Peço desculpas a Rony, dizendo que preciso tomar um pouco de ar fresco, e rejeito a sua proposta para me acompanhar. Só preciso ficar sozinha por um tempo. Vejo os olhos do ruivo em mim durante o meu trajeto para a porta. Gostaria de poder explicar tudo o que acontece comigo, gostaria de poder dizer a alguém. Mas sei que é impossível. Eu saio e fecho os olhos, deixando que os suaves raios do sol acariciem o meu rosto. Faz uma bela manhã de primavera. Harry foi um completo idiota ao querer ficar no castelo, determinado a seguir Malfoy em todos os lugares com a sua capa de invisibilidade. Enrugo o cenho em desgosto, como havia ficado, pelo menos, poderia ter passado a manhã de outra forma, como por exemplo, tentando arrancar aquele pensamento de Slughorn...
Mas os dias passavam e Harry não conseguia. E o que era pior, nem Rony nem eu, nos esforçávamos para ajudar. O ruivo, parecia esmagado pela enorme quantidade de trabalhos, deveres e redações para fazer, tinha um problema adicional, e era a presença de Lavender, que o seguia por toda parte, e não conseguia se livrar dela nem para ir ao banheiro. Tudo aquilo já me provocava risos. E eu, além de repreender Harry sempre que podia para que não deixasse de se dedicar, não fiz muito mais para ajudar. Faltava menos de uma semana para março terminar. Os trabalhos se acumulavam, e mal tinha começado a organizar-me para os exames de junho. Não sabia se foi o estresse ou não saber como agir, mas algo tão simples como ir às aulas e se concentrar, se fazia tão difícil como voar em uma vassoura. Especialmente se fosse SUA aula. Fecho a cara e aperto o passo, afastando-me involuntariamente do povoado mágico.
Como alguém poderia ser tão imperturbável? Se foi ele quem me beijou! Ou tinha sido eu? A verdade é que isso não importava. Os dois estavam lá, não importa quem havia iniciado o movimento. A questão era que eu tinha beijado o meu professor de defesa contra as Artes das Trevas. E o mais terrível de todos, e o que mais me assustava, era que eu estava me dando conta que sentia algo além de ódio por Severus Snape.
Olho em volta com medo, como se alguém pudesse entrar em minha cabeça a qualquer momento, e adivinhar meus pensamentos sórdidos. Sem pensar duas vezes, me afasto da estrada, e entro para a pequena floresta em torno de Hogsmeade, um riacho acolhedor a atravessa do início ao fim. E é para ali que me dirijo.
Eu nunca pensei que ele estaria em um lugarassim.
Nunca teria sequer pensado , mas sua figura negra é inconfundível e se destaca do mato verde. Está na clareira, observando as ondas suaves que formam na água ao ser arrastada pela correnteza. Paro de pronto a dois metros dele. Com o coração batendo a mil por hora. Mas é tarde demais para voltar. E eu realmente não quero ir. O observo em silêncio aproveitando que ele não tinha me visto ainda. Sua obscura presença não destoa da paisagem circundante, pois apesar de hoje fazer uma iluminada manhã, os raios de sol mal passam pelos galhos grossos. Contempla o bosque com um olhar profundo, penetrante. Daqueles que me fazem estremecer. Se não fosse Snape, diria que está lá com a única intenção de limpar a mente, como eu pretendia fazer.
Eu contenho um tremularquando ele vira a cabeça e olha para mim com um olhar totalmente em branco. Sinto o pêlo da minha pele arrepiar, mas desta vez não fujo. Engulo em seco, e me obrigo a ficar no meu lugar, a não fugir. Não há do que fugir.
Com um passo mais firme do que eu realmente sou, recomeço a marcha, acabando com a curta distância que nos separa. Sem me deixar abater pelos olhos escuros do meu professor que nesse momento não se afastam de mim, passo ao seu lado, e sento na beira do rio.
"O maldito bosque não é seu"penso enquanto tento controlar a minha respiração. Aquilo não estava nada bem e eu sabia disso. Mas eu já estava farta. Estava cansada de correr, fugir e esconder-me. Eu era Hermione Granger, e não era um problema que poderia desaparecer conforme a vontade dele. Eu ia ficar ali, ele gostando ou não.
Eu tiro o par de tênis e afundo meus pés na água, imediatamente depois, me livro do casaco e o ponho de lado, deixando o ar fresco acariciar minha pele. Ouço o som de pés arrastando-se sobre folhas secas, e fecho os olhos, pensando, inquieta que ele vai embora, que vai continuar fingindo que não sou nada, que não sou ninguém. Abro os olhos ao dar conta de que os passos se aproximam no lugar de afastarem-se, e de que meu professor se encontra nesse momento atrás de mim, a parcos centímetros de mim.
Nesse instante minha respiração já está fora de controle, e agradeço a Deus por eu ter sentado, porque os nervos tomaram conta de mim. Ele não diz nada, e eu decidi aproveitar esta oportunidade de uma vez por todas. Estou com muito medo, mas já é a hora de eu decidir falar, é a hora de parar de se esconder atrás de uma carapaça.
- Não pode continuar me ignorando, professor - tento controlar o tremor em minha voz, e acho que as duras penas consigo – Pode tentar mas eu ... eu não vou ir a lugar nenhum ...
- Não pretendo que vá a lugar algum Granger. Não seja estúpida.
Sua voz, profunda e séria, penetra a minha pele, fazendo-me tremer. Ele tem o dom terrível de me fazer sentir estúpida, a qualquer momento, em qualquer lugar. E agora eu não sei nem o que queria dizer. Só sei que talvez não voltarei a ter oportunidade de ficar sozinha com ele, e devo aproveitar ao máximo. Puxo o ar e de uma só vez.
- Nós nos beijamos ... - minha voz é apenas um sussurro fraco.
- Eu sei - diz em um tom irônico, enfatizando uma evidência. Mas eu continuei sem mais.
- Nós nos beijamos e eu ... eu não sei ... - merda. Por que tinha que ser tão condenadamente difícil. Sem dúvida, ele não ajudava em nada.
- É algo que nunca deveria ter acontecido - diz ele quase num rosnado raivoso - Esqueça, Granger.
Tiro os pés da água e levanto-me lentamente do chão. Que eu esqueça? Isso tem muita graça. Viro-me de forma decisiva, a minha postura tenta ser firme e meus punhos estão fortemente apertados. Tento demonstrar com gestos um valor que claro eu não tenho.
- Eu não posso esquecer – afogo um suspiro de alívio ao ver que ele tem a testa franzida, mas não está me olhando com aquele ódio do qual já estava acostumada - Não pode me pedir isso.
- O quão esperta que é para certas coisas, Granger. Demonstra uma estupidez insuperável para outras - dá uma bronca em mim, mas eu não tenho mais medo. E vejo uma sombra de preocupação cruzando brevemente seus olhos escuros. Bom. Ao fim de tudo, prova que não é de pedra - Fora daqui antes que ...
- Antes de que ...? - Eu me aproximo dele mostrando um sorriso triste. Não posso me controlar. Vejo-me aproximando-me de Snape até quase tocá-lo. Vejo como ele se contém para não dar um passo atrás. Vejo como permance firme e estático em seu lugar, observando como me aproximo com uma expressão totalmente solene – Tire-me os pontos, castigue-me se quiser, pode... – engulo a saliva – Pode até me expulsar. Mas eu não vou deixá-lo ir.
Estou bem embaixo do queixo dele. Ele é tão alto que me obriga a esticar o pescoço para olhá-lo diretamente nos olhos. Eu mantenho os olhos tentando não desaparecer ali mesmo. Os três Ds de Twycross me parecem muito atraentes neste momento. Mas não devo ir, não sei como fui deixar isso acontecer, mas se eu for agora ... Deus, gostaria tanto de saber que diabos está pensando ...
- Você não tem idéia, Granger ... - surpreende-me o tom suave que tem as suas palavras. Sem amargura, sem ódio nelas. São quase melancólicas - Há coisas que você jamais poderá sequer imaginar. Que nem mostrando poderias entender...
- Eu não me importo - digo quase entre os dentes, imprimindo toda a segurança de que sou capaz. Ele tem que entender, que para mim tudo isso já não me importa. Não sei exatamente em que momento deixou de importar-me. Mas a Hermione racional e boa, tinha ido embora a um bom tempo.
- Você não se importa? - Ele levanta uma sobrancelha com considerável ceticismo. Eu me aproximo um pouco mais, e quase posso sentir seu calor através do casaca negra. Mas ele não se move um centímetro. Talvez seus músculos estejam um pouco tesos e sua postura seja mais rígida do que o habitual. Mas ele não faz nada para indicar que a minha presença o altera de forma alguma – Que idiota és Grange.
- Sim ... - Eu ando um pouco mais, e num gesto súbito, apoio minhas mãos sobre o peito - Eu sou uma idiota.
Ele agarra meus pulsos e puxa minha mão para trás. Seu gesto fica furioso, mas já não me assusta.
- O que você acha que está fazendo?
- O que o senhornão se atreve a fazer.
Eu sou da Grifinória, está no meu sangue. Eu não posso deixá-lo ir, não posso esquecer.Não consigo desviar o olhar ou fingir que isso não estava acontecendo. Estou com medo. Por Merlin, estou com um medo danado de tudo que estou sentindo, e não deveria sentir. Mas não há como voltar atrás. Então, sem dar-lhe tempo para responder, ponho-me na ponta dos pé e o beijo. Como eu nunca tinha beijado ninguém.
Ele sufoca um gemido ou grunhido, quando sente meus lábios nos seus. Estou ciente de que tenta resistir e que poderia afastar-me num único impulso sem muito esforço, mas isso não acontece. Eu sorrio para mim mema. Sei que não vai fazer.
Eu me sinto diferente, nova, mais corajosa. A Hermione de antes nunca teria prendido seu professor daquela maneira. A Hermione de antes nunca o teria procurado assim, provocando, encorajando-o a seguir. Mas por dentro eu sentia, e sabia, que se tinha chegado até aqui, agora era capaz de tudo.
Viro a cabeça e volto a beijá-lo. Inconscientemente, suas mãos deixam de presionar meus pulsos, e eu as levo para atrás de sua cabeça, enlaço-as atrás do seu pescoço. Cautelosamente, abro minha boca e deixo que ele invada com sua língua. Uma de suas mãos está em minha nuca, e com ela aprofunda o beijo. Eu contenho um gemido. É como se centenas de borboletas estivessem no meu estômago. E sei que se ele não estivesse rodeando minhas costas com seu braço, eu teria caído no chão de imediato.
Aquilo não deveria estar acontecendo de uma forma tão boa, não deveria produzir em mim essa sensação de bem-estar. Tenho os olhos fechados e me sinto quase flutuar. É errado e eu sei, sei que não deveria gostar de beijar Severus Snape.
O beijo é subitamente interrompido e ele se afasta de mim, impondo uma distância segura. Eu nem sequer ouso olhar para ele. "Não, outra vez não." Não suportaria voltar a encontrar-me com esses olhos preenchidos de ódio. Não suportaria outra rejeição da sua parte.
Eu ouço um som familiar, e quando levanto minha cabeça, descubro com surpresa que o meu professor tinha simplesmente desaparecido. Abro a boca, formando algo que com certeza é muito cômico. "Ele se foi." Eu não posso acreditar. Maldito sonserino arrogante incapaz de enfrentar seus próprios sentimentos. Era incrível que tinha saído correndo. Sinto que a tristeza começa a ser substituída por outro sentimento, mais familiar em mim. A raiva.
Ponho os tênis e o casaco com grosseria. É certo que Rony já deve estar há um bom tempo procurando-me. Deixo a floresta em passos largos, lutando para conter a minha indignação para que Rony não perceba que algo acontece.
"Isso não vai ficar assim!" "Por Merlin que não!"
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A semana passa penosamente. Rony esteve histérico durante dias, e por fim pagou as consquências de seus atos. O pobre foi reprovado no exame de aparatação, tento consolá-lo como posso, mas tenho minhas próprias preocupações. Harry continua obcecado com Malfoy, e falha em sua tentativa de tirar a memória de Slughorn. Porém parece que hoje as coisas tomaram um rumo inesperado. Uma carta de Hagrid, comunicando-nos que Aragogue morreu, nos deu uma ideia. A poção Felix Felicis vai ajudar.
Eu deslizo como posso através do retrato da abertura da sala comunal da Grifinória. Lavender está gritando com Rony, novamente. Ficou furiosa quando nos viu, juntos, descer do dormitório dos meninos. Eu sorrio ironicamente enquanto me dirijo para o Salão Principal. "Se ela soubesse ..."
Sento ao lado de Gina. Ela também está discutindo com Dean. Fecho os olhos e massageio as têmporas. Todo mundo tem que discutir hoje? Eu quase não durmo há dias, e dói horrivelmente a minha a cabeça. Involuntariamente, olho furtivamente a mesa dos professores. É um pequeno ritual que faço todos os dias. Ele não está, claro ... como todos os dias. Suspiro e furiosamente espeto um pedaço de peru. Gina interrompe o choro dela e me olha com preocupação.
- Algo errado Hermione? - A ruiva vira as costas para Dean, que parece dividido entre a raiva e a confusão – Está com uma cara péssima.
- Está tudo bem, Gina - tenho que negar tudo. Como sempre. Acho que isso é o que vai deixar-me louca, ter que fingir para todos que nada que acontece. Que estou bem.
Mas não estou bem. Não mesmo. De repente, eu deixo os talheres no prato e levanto da mesa - Eu tenho que ir fazer uma coisa. Tchau.
- Hermione, espera ...
Já não a escuto. Toda a ira, toda a raiva que eu estive acumulando por dias, se veem agora condensadas em uma determinação furiosa. É hora de colocar as cartas na mesa. Não paro nem olho para trás. Nem sequer quando atravesso a toda velocidade o saguão da escola, nem mesmo quando entro nas profundas e frias masmorras. Eu não tenho certeza do que faço, mas sei que tenho que fazer alguma coisa, ou vou enlouquecer. Em poucos minutos chegou à porta de seu escritório. Paro por um segundo. Seria sensato chamar, não quero que ele se irrite antes que eu tenha a chance de falar tudo o que tenho a dizer. Bato porta. Nada. Talvez não esteja ali.
Abro a porta e entrotimidamente. Percorro todo escritório com os olhos. Está quase um breu. Olho para baixo e aponto a varinha para a lareira ...
- Incendio.
Agora está muito melhor. Entro e fecho a porta atrás de mim. Suas coisas ainda estão sobre a mesa, e isso significa que voltará. Lembro que sempre recolhe tudo antes de sair. Olho com saudade ao meu redor. Devo ser a única aluna de Hogwarts para qual esse escritório traz boas lembranças. Ali tudo começou. Só que eu ainda não sabia.
Estremeço quando as chamas do fogo ficam verdes, e uma figura cambaleante surge delas, Severus Snape sai do pó de flu envolto em uma grossa capa de viagem. Posso ver com perfeição, como seu rosto está muito pálido, quase desfigurado, e como agarra o braço direito com força. Ergue a cabeça e olha para mim com um olhar de espanto no rosto.
Eu olho assustada, sem saber o que dizer. Às vezes eu amaldiçoo a minha perspicácia, porque eu sou inteligente demais para não saber de onde vem. E ele me conhece muito bem para supor que eu já devo ter adivinhado. Depois, recompõe sua expressão, e me olha com um sorriso de desprezo, enquanto se incorporar e remove a capa de viagem.
- Aque devo o prazer Granger?
- Eu queria ... - não posso deixar de observar seu rosto, que parece ter perdido toda a cor. Intuio com medo de que deve ter sido uma reunião muito agradável - Eu queria falar como senhor.
- Como você percebeu, esta não é a hora, nem lugar certo, então ...
- Ele também não era apropriado quando nos beijamos aqui há apenas um mês. Ou no outro dia na floresta - a cor desapareceu completamente do seu rosto. E eu sei que deve estar muito fraco porque responde com a sua voz rouca de fadiga.
- Saia do meu escritório imediatamente.
Eu dou um passo adiante. Não penso em ir embora, estou no meu pleno direito de estar ali. Se quiser fazer, terá que fazê-lo pela força. Eu vejo em seus olhos que ele estava ciente das minhas intenções. E sufoca um grunhido de dor, movendo-se lentamente em direção a mim.
- Não penso em repetir, Granger.
- Você não tem nenhum tipo de sentimento? – dói em mim, não quero que ele perceba, mas sua indiferença me machuca. Meu queixo treme um pouco e eu me esforço para conter-me –Não é capaz de sentir coisa alguma?
- Sim, Granger. Agora eu estou sentindo aborrecimento e raiva. Então, se você não quer que eu perca o pouco de paciência que me resta, saia daqui imediatamente.
- Eu não vou - agora era a minha vez de ser intransigente. Eu cruzo meus braços e eu estou em pé no meio da sala. Eu sei que é uma atitude tola, mas ele olha para mim com surpresa indisfarçável.
- Oh, eu lhe garanto que você irá - parece engraçado, algo que me surpreende. Ameaça ir para a porta, mas eu me ponho no seu caminho, algo bastante ridículo já que é bem mais alto do que eu - Vamos, Granger, não faça mais besteiras. Beijou... - destaca cada palavra percebendo o rubor que começa a corar minhas bochechas - seu professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, professor desta escola, bem mais velho que você, e ex – Comensal pelo que sabe.
- O senhor também me beijou - não é um argumento muito bom. Mas era a verdade depois de tudo. A terrível e esmagadora verdade. E eu não iria deixá-lo esquecer. Por pior que estivesse.
- Obrigado, Granger. Eu já tinha me dado conta sem o seu esclarecimento.
Ficamos em silêncio. Observando um ao outro sem fazer ou dizer qualquer coisa. Acho que por sua testa franzida posso acreditar que minha atitude o confude, ainda que não demonstre explicitamente.
- É tão difícil de aceitar?
- Que a senhorita pode estar sentindo algo por mim? Sim. Não disse pretendendo inspirar piedade ou tristeza. É no que você acredita na realidade, ou o que qualquer um acreditaria. Eu sei. Eu nunca procurei isso, apenas deixei acontecer. Como eu ...
- Bem ... eu sinto muito - as minhas pernas começam a tremer e minha voz se perde no ar. Sinto-me terrivelmente cansada, e a tensão dos últimos dias se acumula de repente sobre mim - E eu sinto muito ... se o senhor quer que eu vá eu vou. Mas só queria que soubesse ...
Viro minha cabeça e pisco furiosamente. Não quero chorar na frente dele. Não quero que ria mais de mim. Sinto-me tão estúpida ... tão infantil.
- Eu não quero que saia, Granger – ele diz, relutantemente, como se isso lhe custasse muito. Não sei em que momento se aproximou de mim. Mas agora o tenho a apenas alguns palmos. Eu o vejo com os dentes cerrados, encarando-me com os olhos furiosos - Mas isso é absurdo, e não pode ser.
Não o ouvi terminar a frase. Fiquei apenas com as suas primeiras palavras, que se repetiam em minha mente uma e outra vez, acompanhadas por um sentimento de alegria indescritível. "Não quero que vá", "Não quero saia, Granger".
Ele parece surpreso ao ver meu pequeno sorriso. E levanta as sobrancelhas em exasperação.
- Não ouviu o que eu...? – interrompe de repente e agarra de novo seu braço direito. Desta vez, não pode conter a expressão de dor. Eu avanço um passo em direção a ele, mas não ouso tocá-lo.
- Ok, professor ...? - fico com medo quando não responde. Não estou acostumada a vê-lo assim. Snape é sempre ... Snape. Destemido, invulnerável. Nada o afeta, nada o faz mal. Mas agora parece muito fraco e eu não sei o que fazer – Posso fazer alguma coisa?
Apoia uma mão no meu ombro, com a intenção de afastar-me. Mas a mão fica ali, quieta, fraca demais para sequer tentar. Ele percebe e a afasta, como se tivesse tomado um choque elétrico. Eu oscilo no meu lugar e olho para ele. Também estou muito cansada, cansada demais para lutar contra ele. Agarro sua mão, que ainda está ainda no ar, e sentando-me no chão, puxo-o para baixo.
- Que diabos você está ...?
- O que o senhor deveria fazer. Sentar e descansar - digo isto com confiança, ainda que por dentro esteja uma pilha de nervos. Minha mão agarra firmemente a dele, está fria, e eu a acaricio com meus dedos tentando infundir um pouco de calor. Ele olha para mim com a sua expressão usual, grave e estática. Mas lentamente, inclinando-se e senta ao meu lado.
O observo pelo canto dos olhos, bem consciente de que minha mão ainda agarra firmemente a sua. Agora, ambas estão apoiadas no chão, uma sobre a outra. Olho para o fogo tentando adotar a postura de indiferença. Mas não consigo. Meu coração bate com tanta força que tenho medo que possa ouvi-lo.
- Surpreende-me, Granger - disse sem olhar para mim, como se estivesse tento uma revelação. Eu sorrio para mim mesma.
- Eu sei - até mesmo eu fiquei espantada com o que posso fazer ou dizer ultimamente. Quem ia me dizer, que acabaria sentada no escritório do meu professor, contemplando junto com ele a dança das chamas. Se alguém tivesse me assegurado que eu iria me sentir tão indescritivelmente bem, não teria acreditado - O outro dia ... na floresta ... - tenho vergonha de perguntar, mas eu tenho que fazer... – Foi embora por ...?
Meus olhos caem sobre o seu braço direito, ao que quase posso sentir palpitar sob o tecido. Ele anui sem olhar-me. E eu agacho minha cabeça, culpada por sentir-me tão aliviada e feliz ao saber que ao final, ele não fugia de mim.
Fecho meus olhos e deixo o calor das chamas acarinhar minha pele. Aos poucos sinto que o cansaço me invade e sono perdido volta com força. Maldigo a mim mesma porque não quero dormir. Quero desfrutar esse momento. Um momento que, sou consciente, talvez não volte a acontecer nunca. Começo a cochilar sem perceber.
- Você deve descansar, Granger - ele não está me olhando. Mas eu sei que está inclinado para mim. Balanço a cabeça como uma criança teimosa.
- Eu não quero ... quero estar aqui – noto como os lábios do meu professor tremem suspeitosamente , e sorrio por dentro, pensando em como parece custar expressar seus sentimentos.
- Não pense que amanhã não tirarei pontos se você cair no sono na minha aula - diz muito sério, e eu sei. Ele sabe qual é o meu ponto fraco. Reprimindo um bocejo, chego para trás e eu deito no chão. Desta vez ele me olha, sem conter sua surpresa. Fecho os olhos e contenho o sorriso que luta para sair.
Gradualmente, a fadiga e sono me invadem, e embora eu não queira, minha mente começa a vagar e as pálpebras pesam com força. Isso, somado a terrível sensação de bem-estar, fazem que em pouco menos de um minuto, adormeça como há semanas não fazia.
A última coisa que sinto antes de dormir, é a mão do meu professor ainda sobre a minha, uma breve sensação de frio ao afastar-me do calor chamas, e calor intenso, quando alguém se deita ao meu lado sem me tocar, e me rodeia com um braço, infundindo-me com um calor que nem ele acreditou ser capaz...
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Suspiro e fecho o livro, que está em minhas mãos por alguns minutos. Penso no que deveria me agradar tanto. É mais, nem sequer deveria pensar nisso. Lembro-me como no dia seguinte acordei na minha cama, lembro-me de desfrutar devagar as recordações do que aconteceu na noite anterior. Lembro-me da estranheza de Harry, Rony e, da minha expressão invulgarmente feliz. Lembro–me de como Rony tinha ido me dizer que terminara com Lilá, e como eu o tinha ignorado completamente. Lembro-me de seu rosto triste ...
Seu rosto ... Rony. Rony está olhando para mim agora. Toma uma xícara de chá e vem até mim com um sorriso. Eu tento devolver, mas o máximo que sai é um sorriso irônico. Ele se senta ao meu lado, e eu o olho, satisfeita apesar de tudo de tê-lo de volta ao meu lado.
- Não se preocupe com Harry, você sabe como é quando ele cisma com alguma coisa ...
- Eu sei - pego a xícara fumegante que ele me dá, e dou um gole breve. Está muito quente, mas está gostoso – Desde quando sabe fazer chá?
Bem – o ruivo enrubesce levemente, e me recordo o quanto gostava da expressão que costumava fazer quando envergonhava-se por algo - Fleur me deu uma de aula de culinária avançada. Você sabe, se ela ...
- Isso é ótimo ... - Mumuro dando mais um gole no chá de ervas delicioso. O chá aquece-me por dentro e me sinto muito bem.
- Hermione ... - prego meus olhos à frente enquanto o meu coração começa a bater com força. Conheço esse tom de voz, conheço bem - Hermione, eu queria falar com você.
Não digo nada. Realmente não sei o que dizer. É o momento que eu mais temia desde que começamos os três esta jornada. E o momento havia chegado. Vendo que eu não respondia Rony decidiu continuar.
- Quando estava na casa de Billy e Fleur eu ... Eu estava pensando muito... E eu sinto muito Hermione, você não sabe o quanto. Eu não precisava ter ido embora, fui estúpido ...
-Tudo bem Rony, não tem que ...
- Sim, eu tenho que fazer Hermione - a voz de Rony soa forte, muito mais forte do que a minha na verdade - Eu me comportei como um tolo. Eu pensei que você e Harry ... que absurdo. Hermione, eu queria te dizer que eu ... Eu tenho notado que ... Hermione ... eu te...
- Rony - minhas mãos agarram firmemente a xícara. Eu estou queimando, mas apenas sinto muito. Formou-se um nó em minha garganta que me esforço para dissipar. Não é hora para lágrimas - Rony eu ... eu não sou a mesma.
Fito-o com olhos cheios de lágrimas, e vejo com espanto como meu amigo sorri com tristeza. Em sua expressão percebo que isso era algo que já sabia. Não posso deixar de me surpreender.
- Eu sei Hermione. O que achou? É algo que eu já sabia desde o ano passado. Eu era um idiota e te perdi. Mas eu pensei que agora talvez... Não se preocupe.
Não consigo parar de olhá-lo com admiração. Isso não é o Rony, mudou. Ele está mostrando uma maturidade e discernimento que nunca acreditei que fosse capaz. Isso me faz sentir ainda mais triste por magoá-lo dessa forma. O observo sem saber o que o que mais posso dizer.
- Vá dormir – diz ainda sorrindo, e eu me sinto por dentro cada vez mais miserável - Eu vou fazer a guarda.
Concordo e levanto-me do chão. Devolvo a xícara de chá com um fraco sorriso, e estou prestes a entrar na barraca.
- Hermione .
- Sim?
- Posso saber quem ...?
Sinto como se estivesse sem ar, e tenho certeza que meu rosto ficou pálido como a própria lua que agora nos olha do céu. Eu me viro, de modo que Rony não possa ver a minha expressão de medo e confusão.
- Não Rony. É melhor assim ...
Entro rapidamente na barraca e vou para minha cama tentando não olhar para Harry, que sonda o meu livro "Os Contos de Beddle o Bardo" com uma carranca. "É melhor assim .." Melhor para quem?
"Desculpe, Rony. Sinto muito"
Eu escondo o meu rosto no travesseiro, e começo a chorar em silêncio. Algo que, ultimamente, faço com perfeição ..
- Desculpe ...
oooOOoooOOooo
Bem, o que vocêm acham ?, Parece que a coisa caminha para o fim. Eu sei que custa a vocês, mas pode pedir mais aos pobres xD. Sério, espero todos os seus comentários e qualquer sugestão, reclamação, protesto ou crítica será lida com gosto: P
Uma saudação e muito obrigada por perturbarem para leiam!
E lembre-se ...
Um review faz uma escritora feliz
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Princesselve
N/T: ! *O* Essa fic me deixa literalmente maluca! O que é isso hein? Dá trabalho para traduzir, mas compensa. Tenho um ótEma notícia para vocês. A autora já teminou a fic, então para quem estava achando que não chegaria ao fim, chegou! Eu continuarei traduzindo-a, lentamente é claro, mas trarei o final para vocês.
Bjusssssss para Camila ^^ [sempre aí né flor? Brigadinha], Pathy Potter, Aline W.C, Elilyan A, Mariane e Tarah*-* [ fala Nat!]. Sorry pelos erros e até mais!^-^
