Nome:

Salvação.


O clima estava pesado como se um dementador estivesse por perto. Narcisa chorava desesperada em um canto da sala escura da mansão Malfoy enquanto Lucius a abraçava tentando acalmá-la inutilmente. Pansy estava usando o vestido que seria usado em seu casamento da forma mais dramática possível. Ela o havia mandado tingir de preto para fazer jus ao momento. Olhava petrificada para o rosto de Draco que sorria em uma foto acima do caixão. Nela, ele aparecia exibindo seu mais belo sorriso de escárnio, como se zombasse de todos ali presentes por estar em um lugar bem melhor. Talvez ele estivesse mesmo.
As mãos de Pansy tremiam e a aliança de noivado em seu dedo escorregou até cair no chão. A mulher deu um gritinho como se sentisse a mais profunda das dores quando o anel saiu de seu dedo, mas não parou de observar a imagem de Draco.
Um homem se abaixou ao seu lado e pegou a aliança, mas Pansy não pareceu notar. A aliança de noivado percorreu vagarosamente o dedo fino, mas Parkinson puxou a mão com raiva e deferiu um tapa no rosto do homem. Seus olhos vermelhos de tanto chorar estavam cheios da mais pura ira.
Era Harry, ela sabia, não precisava nem ver a cicatriz para saber. Ninguém mais tentaria ajudá-la naquele momento, pois todos os presentes estavam presos em sua própria dor. Todos menos Harry.
"Lamento sua perda, Parkinson." Ele disse sem olhá-la nos olhos, estava ocupado demais observando o rosto de Malfoy sorrindo daquele jeito que Harry sempre odiara, como se ele fosse melhor que qualquer um.
"Não, você não lamenta. Você nunca gostou dele, então não tente parecer o bom menino vindo aqui prestar condolências."
A voz de Pansy era ácida e ele não pareceu se incomodar com isso, já estava acostumado.
As lágrimas corriam livremente pelo rosto da mulher, deixando rastros pretos da maquiagem borrada em sua pele branca.
"Eu não queria que ele tivesse morrido" ela sussurrou mais para si mesma que para qualquer outra pessoa ali.
"Eu sei" Harry a abraçou, ela pareceu hesitante por alguns segundos, mas acabou se deixando abraçar. Estava fraca demais para fingir seu orgulho Sonserino. Tudo o que ela queria agora era ser amada e consolada.
O abraço de Harry era forte e Pansy se sentiu segura para chorar livremente.
Harry podia não lamentar a perda de Draco, mas ele nunca deixaria de ser um herói e enquanto tivesse alguém sofrendo ele faria de tudo para ajudar.
Pansy estava sofrendo. Hoje ela deixaria ele ser seu herói, mas amanhã... amanhã era outro dia.