Capitulo 6
"A Feiticeira"
Quando acordei o Comandante já estava vestido, calçando os sapatos. O quarto permanecia escuro e me perguntava se ainda não estava de madrugada. O ambiente do quarto me era muito estranho, confesso que senti falta do luxo e luminosidade do meu quarto. Sem contar da eletricidade, aquele povoado parecia ter parado no tempo.
- Precisamos partir, o sol já está raiando lá fora. Vamos comer e seguir viagem sem delongas. – O Comandante falou enquanto terminava de se arrumar sem me olhar.
- Eu quero tomar um banho, posso?
- Estou esperando lá em baixo. Vou pedir que tragam água quente, seja rápida.
Perguntei-me se ele havia tomado banho. O cheiro do perfume emadeirado estava no ambiente e os cabelos dele estavam molhados e alinhados. Havia uma toalha úmida no chão, conclui que sim. A jovem gorducha que cuidara dos cavalos no dia anterior trouxe água quente e me ajudou a tomar banho. O que me deixou muito grata, eu nunca havia tomado banho sozinha.
- Muito obrigada, senhorita. Qual é o seu nome? – Perguntei a garota enquanto ela penteava meus cabelos.
- Me chamo Mabelina. Mas pode me chamar de Mabel.
- É um nome muito bonito, Mabel. Diferente e bonito.
- Obrigada. Tem os cabelos muito belos, senhorita. – ela falou ainda penteando-os. – O que faz por aqui? É visível que não é daqui.
Encolhi-me com a pergunta, mas tentei disfarçar minha reação.
- Estou viajando, não conheço nada por aqui, e meu marido, o Comandante, ele quem sabe para onde estamos indo. É uma surpresa pra mim.
Ela não pareceu acreditar muito no que eu dissera. Agora estava sentada a minha frente na cama, a luz das velas iluminando o rosto gorducho e pálido, os olhos fixos nos meus.
-Não precisa mentir para mim, mas também não vou lhe obrigar a falar a verdade. Não sei quem vocês são, nem de onde vieram. Tudo que eu sei é que ontem, tarde da noite, um homem loiro mal encarado acompanhado de outros três estiveram aqui e perguntaram por vocês. Deram a descrição exata dos dois e queriam saber se estavam aqui.
Meu coração acelerou no mesmo instante. O homem loiro só poderia ser o pai do Comandante Malfoy. Ele queria me matar e provavelmente nos encontrara. Minha cabeça estava pesada, senti o quarto girar.
- Calma senhorita, está pálida! Mamãe não disse nada. Quando ouviu a descrição negou tê-los visto e me mandou fazer o mesmo. Mamãe nunca dá informação de seus hóspedes a ninguém, principalmente a pessoas tão mal encaradas.
Senti um alívio momentâneo. Levantei-me de um salto calcei meus sapatos, peguei as minhas coisas e me dirigi à porta.
- Obrigada por não falar nada, Mabel. Agora preciso ir.
Desci as escadas correndo e deixei Mabel arrumando o quarto. Tinha que contar ao Comandante, eles não deviam estar muito longe era arriscado demais seguir viagem. Quando desci ele estava sentado no balcão. O lugar estava cheio de pessoas comendo e bebendo. Dirigi-me a ele, desesperada.
- Preciso falar com você! É urgente.
- Sente-se e tome o seu café da manhã, mocinha. – falou a mulher gorda atrás do balcão, a mãe de Mabel. – Aqui, torradas e café.
- Obrigada, mas não estou com fome. – respondi prontamente.
- Vamos, coma. Eu já sei o que veio me contar. Margaret me contou tudo. É melhor você comer, temos um longo caminho pela frente e não sei se teremos tempo de parar – o comandante disse sem tirar os olhos da sua imensa caneca de café. Ele nem parecia preocupado e isso me deixou muito irritada.
Peguei uma torrada e comecei a comer. Estava realmente bom. Percebi que estava sim, com fome. O café também estava uma delícia, não tanto quanto o dos duendes no castelo, mas estava bem gostoso.
- O que vamos fazer agora? Quer dizer, eu nem sei pra onde está me levando e eles podiam nos ter pego. – falei enquanto dava uma golada no meu café.
- Não sabe para onde vamos porque é uma linguaruda. Preocupe-se em se manter viva e deixe que eu cuide do resto. – ele falou enquanto erguia o braço pra dona Margaret que estava na outra ponta do balcão.
A mulher gorda se aproximou.
- Aqui está, Margaret. Acredito que seja o bastante. E obrigado por nos encobrir. – disse enquanto dava a última golada no café colocando algumas moedas de ouro sobre o balcão.
- É sim, rapaz. Espero que tenha uma boa viagem e que consigam se casar em paz.
O que a dona Margaret falou não fez sentido algum pra mim. Dei também meu último gole no café levantei-me e segui atrás do comandante que já se retirava.
- Casamento? Que casamento?
- Ontem no meio da noite enquanto você dormia me ocorreu que podiam nos procurar. Foi quando resolvi ir atrás da garota gorducha e inventei que estávamos fugindo pra casar e que podiam vir atrás de nós. Eu sabia que ela iria contar para mãe e que ambas iriam nos encobrir. Está na cara que Margaret foi deixada pelo marido, com certeza apoiaria um casal jovem e apaixonado.
- Você inventou essa maluquice toda só pra elas nos ajudarem?
Agora já estávamos do lado de fora. A claridade quase feriu meus olhos, o sol estava raiando e eu estava acostumada a pouca luz de dentro. Fomos em direção aos cavalos, havia uma grande área cercada que eu não visualizara no dia anterior devido à escuridão. Nossos cavalos estavam lá e um garoto de uns onze anos estava escovando Encantado.
- Não tenho tempo pra explicar nada agora. Deu certo, não deu? Vamos, pegue seu cavalo e vamos seguir viagem.
- Quais os seus cavalos? – perguntou o garoto.
- Esses dois. – falou o comandante apontando para Encantado e para seu cavalo negro.
- Aqui está. - respondeu o garoto. – Vocês devem ser o casal fujão que minha irmã Mabel falou. Espero que consigam se casar!
Senti o meu rosto corar e senti-me levemente envergonhada por ouvir aqueles votos tão sinceros daquela criança pra uma coisa que não era verdade.
Montamos em nossos cavalos e seguimos em direção ao norte. Viajamos a manhã inteira e só paramos por volta de meio-dia em um vilarejo ainda menor que o anterior e levemente deserto. Parecia até abandonado se não fossem as pessoas que andavam aleatórias e sem dar muita importância a nossas presenças ali.
-Ali, aquela casa pequena e atrás da venda. Espero que ela esteja ai. – disse apontando para uma casa realmente pequena um pouco mais a nossa frente.
- O que tem a casa? E quem tem de estar nela?
- Vamos, desça do cavalo. Podemos deixá-los presos a árvore ao lado da casa.
Resolvi não fazer mais perguntas. Seja o que fosse para vermos estávamos bem próximos disso e eu esperava entender quando entrasse na tal casa. Prendemos os cavalos e seguimos em direção ao casebre. O Comandante estava pronto pra bater na porta quando uma voz rouca soou de dentro da casa.
-Pode entrar, Draco, meu menino. E a moça também.
Senti um arrepio subir pelas minhas costas ao ouvir aquela voz. E como ela sabia que estávamos ali? Entramos. A casa era escura e abafada. Havia uma grande lareira com o caldeirão enorme, a mobilha era escassa e aparentemente muito antiga. A quantidade de plantas e ervas espalhadas pelo ambiente me deixaram meio assustada, quando percebi uma senhora de uns setenta anos sentada em uma cadeira de balanço com roupas velhas e um cabelo grisalho todo emaranhado segurando uma bengala, me dei conta de que estava na casa de uma Feiticeira. Não sabia muito sobre as feiticeiras, mas sabia o bastante para não confiar nelas. Sabia que não se entra na casa de uma sem a sua permissão e que amuleto algum funciona assim que você está dentro dela. Estava apavorada e o colar que mamãe me dera não estava fazendo mais efeito.
- Aproxime-se Draquinho, deixe-me tocar em você.
O Comandante ajoelhou-se perto da Feiticeira e ela tocou seu rosto levemente. Tinha as mãos enrugadas e cheias de anéis.
- Está cada vez mais belo, Draquinho.
- Madame Morfina, não temos muito tempo. Eles já vieram atrás de nós e por sorte não nos encontraram. Eu não sei o que fazer, para onde ir. Preciso que me ajude que me guie. Eu devia ter escutado quando disse que eu não conseguiria fazer, quando...
-Você está com medo, mocinha? Venha, se aproxime, não lhe farei mal.
Ela agora não estava com as mãos no Comandante e as apontava pra mim. Ela tinha o rosto voltado pra mim, mas não podia me ver, ela era cega. Sentei-me aos seus pés e segurei suas mãos, ao contrário do que pensei as mãos dela eram quentes e reconfortantes. Senti o medo se esvair. Pegou a minha mão e a do Comandante e as juntou.
- O destino de vocês está traçado desde antes de vocês nascerem e não há nada que possam fazer para impedir isso. O seu aniversário será em duas semanas e você não se casará com Harry ê está destinada a Draco Malfoy. Vou protegê-los e fazer de tudo para que possam cumprir seus destinos. Cuido dos ferimentos de Draquinho desde pequeno, ele cresceu em meio a muita dor e sofrimento, foram tantos traumas. Enquanto você cresceu em meio a alegrias e conforto. Tão opostos e tão complementares.
Eu estava confusa, tudo o que ela dizia me parecia absurdo. Como assim não me casaria com Harry Potter? Ele era o meu destino, não um Malfoy filho de um traidor. Ela continuou e enquanto falava mantinha nossas mãos juntas. O Comandante ouvia aparentemente tão confuso quanto eu.
-Eu fiz o parto de sua mãe, Draquinho. Quando lhe peguei em meus braços eu soube que você era o escolhido. Tentei explicar ao seu pai, mas ele me expulsou de sua casa e não me permitiu falar. Expliquei a sua mãe onde morava e nunca perdemos o contato. Desde então vigio e cuido de você. O tempo passou e o seu próprio pai o lançou ao seu destino. Quando você finalmente foi mandado ao castelo eu soube que tudo se cumpriria. Sua mãe veio a meu encontro então reconforte-ia, sabia que não seria capaz de matar essa jovem nem que quisesse. Venham, tenho algo pra vocês. – ela levantou e seguiu para uma porta logo atrás da cadeira.
Entramos em um quarto ainda mais escuro e abafado. Havim velas acesas e prateleiras recheadas de frascos com líquidos de cores variadas. A senhora passou a mão em uma das prateleiras como se procurasse algo quando finalmente pegou um frasco minúsculo que continha um liquido vermelho como sangue. Depois pegou um colar de couro cheiro de nós e os entregou ao Comandante.
- Tome. Esse é o elixir da vida. Apenas uma pessoa pode tomar. Apenas Feiticeiras podem fazê-lo, ele é composto por ingredientes raros e contem um pouco da vida de quem o fabrica. Não é possível fazer outro seria como suicídio, eu teria que colocar o restante da minha vida nele. Pode ser usado para ressuscitar qualquer ser vivo morto em até vinte e quatro horas. O colar é um amuleto, a mocinha já tem um bem poderoso. Agora vão. Continuem seguindo ao Norte, quando encontrarem a Cachoeira Pentagonal parem e esperem. O inimigo irá ao encontro de vocês, acontecerá a grande batalha.
- Como assim grande batalha? Não posso lutar sozinho! E esse elixir da vida? Quem de nós irá morrer?
Não houveram respostas, estávamos apenas eu e o Comandante naquele quartinho abafado. A Feiticeira desapareceu. Ela sumiu ali, diante de nossos olhos e nós sequer percebemos. Decidimos fazer o que ela nos dissera, não tínhamos mais escolha e voltar não era uma opção. Eu não tinha absorvido muito bem as informações e estava bem confusa. Resolvi não pensar muito, senão iria enlouquecer. Quando saímos do casebre senti uma felicidade estranha, seria o colar de mamãe voltando a exercer um efeito bom sobre mim? Eu não sei o que era só sei que o Comandante Malfoy estava perfeito montado em seu cavalo negro e ele ser meu destino no fim das contas não me parecia mas uma catástrofe tão grande assim.
N.A_ Olá! Eu finalmente escrevi o Cap.6 e esse até veio com a resposta das RW como prometido! Peço desculpas pela demora mas ta tenso! O tempo tá curto, mas eu não vou abandonar a fic ok? =) Tipo, a Mialle eu nem respondo porque eu falo pessoalmente rsrs Diana eu não havia parado pra pensar que isso estava quase pra Arthur/Guinevere/Lancelot, mas agora que falou....que bom que está curtindo a fic e valeu pelas RWS. Muito obrigada mesmo Angel, LuWeasley, Katits, CruellaDeVill, Lycael e Louise as RWS de todos vocês realmente motivam! Espero que continuem curtindo a fic! Mil beijocas e nem precisa pedir né? Já sabem o que fazer depois de lerem! Rsrs E aceito reclamações também viu? rsrs
Ps. Mialle betou minha amiga amada xD E esse Cap. vai pra ela porque assim, dessa vez ela que me inspirou! \o/
