Disclaimer: I do not own Relic Hunter – Relic Hunter e suas personagens pertencem a Fireworks Entertainment. Esta fic não possui fins lucrativos.
Summary: Nigel narra a busca de Sidney por uma relíquia que pode mudar o destino, a pedido de um amigo de longa data. O novo rumo dos acontecimentos trazido pela relíquia trará um futuro melhor ou pior para todos?
N.A.: Um capítulo longo para compensar pelo período sem atualizações ;)
Caminhos errados
6. O dia da caçada
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Dia n. 49: Mesmo após um dia inteiro de viagem, lembro que não consegui pegar no sono nessa data. O lindo cenário e o clima fresco da Grécia não serviram para acalmar a minha ansiedade; eu aguardava impaciente pela relíquia e as infinitas possibilidades que ela representava.
Havíamos chegado ao local na Tessália às nove da noite do dia seguinte ao de nossa partida de Boston. A Grécia era linda, mesmo sem a luz do sol; mas depois de passarmos por Litochoro – o local mais próximo para se alugar equipamento e iniciar a subida – o anoitecer e o relevo acidentado nos obrigaram a acampar antes de procurarmos pela caverna na base do Monte Olimpo.
Ou melhor: acampamos apenas porque EU praticamente implorei para que Sydney esperasse a luz do dia antes de sair à caça de alguma gruta antiga e cheia de possíveis armadilhas. Depois de prepararmos a barraca perto de um riacho, abaixo de uma oliveira, vi a caçadora mexer, bufando, com a lâmina de sua faca nas brasas da pequena fogueira que havíamos acendido. Ela não concordava com aquela espera.
"Josh está piorando enquanto perdemos tempo aqui", resmungou ela sentada sobre uma pedra; e lançou a faca com destreza no tronco da árvore próxima. A lâmina enterrou-se na casca dura e sinuosa da oliveira.
Suspirei, cansado. "Você sabe que tanto a relíquia quando o local são perigosos demais, Syd. Devemos estar cem por cento concentrados e alertas quando encontrarmos o templo. Já foi difícil encontrar esta minúscula clareira, imagine a gruta." Ela continuou relutante, mas concordou.
Esvaziei a caneca de café que estava bebendo ao lado da fogueira e fechei a pequena cadeira dobrável onde havia sentado. Observei a caçadora por mais um segundo, sentada entre as pequenas flores brancas que cresciam na base da rocha que ela usava como banco, e entrei na barraca. Não poderia deixar nenhum detalhe sobre o vaso antigo escapar, então retomei a pesquisa minuciosamente.
•••
Eu já havia me recolhido há aproximadamente duas horas quando senti o sono começar a afetar meu raciocínio. Não havia dormido direito na última semana, e meu organismo estava implorando por uma noite de descanso.
Certo momento, senti minha cabeça pender rapidamente para o lado e despertei, percebendo que eu estava pegando no sono ali sentado, com o computador no colo, os óculos na ponta do nariz e vários livros e documentos ao meu redor. Aquela posição não era nada confortável, com a mochila escorando minhas costas. Retirei os óculos e esfreguei os olhos. Virei para o lado e me deparei com Sydney, se preparando para dormir. Não havia claridade do lado de fora; ela já deveria ter apagado a fogueira. Lembrei-me, então, do que estava fazendo e saltei rápido. Comecei a folhear os livros e os documentos, irritado.
"O que foi?" Perguntou a morena.
"Não consigo traduzir este trecho. Estou preso nele há mais de meia hora."
"Descanse, Nigel. Durante a manhã continuaremos com isso. Talvez haja mais pistas dentro da caverna."
"Eu não sei. Tenho a impressão de que este detalhe é importante, como um aviso."
"O que você me disse sobre estarmos alertas amanhã? Pensei que já estivesse dormindo há duas horas!"
Comecei a fechar os livros espalhados e a desligar o computador, contrariado. "Como se eu pudesse descansar enquanto você está aflita, caminhando de um lado para o outro na frente da barraca."
Ela me olhou, espantada, e a ouvi suspirar profundamente enquanto eu começava a me aconchegar no saco de dormir. "Amanhã terminaremos com tudo isso, Nige", disse ela. Apenas concordei. Desliguei o lampião e deitei com o rosto virado para o teto da tenda azul. Permanecemos daquela forma por vários minutos, esperando o sono. Então Sydney virou-se para o meu lado, à sua direita, e escorou a cabeça sobre a mão, apoiada no cotovelo: "Você acha que a relíquia realmente funciona?"
Aguardei um instante antes de responder. "Espero que sim... mas ao mesmo tempo, espero que não."
"Como assim?"
Permaneci quieto naquela posição e fechei os olhos: "Espero que consiga o que veio buscar, que consiga salvar seu amigo. Mas fazer isso usando um recurso tão perigoso e misterioso como a suposta 'escolha do destino' poderia ter conseqüências catastróficas. Não saberemos nunca se as mudanças serão para melhor ou para pior. E se o destino não foi feito para ser alterado, afinal? Todos aqueles que mudaram o rumo dos acontecimentos acabaram tendo um final trágico, ou desaparecendo sem deixar rastros."
A caçadora ficou em silêncio. Eu abri os olhos e virei o rosto para ela: "Não quero que você tenha o mesmo destino que aqueles registros mostram, Syd."
A barraca estava escura, mas a luminosidade da lua cheia permeava o leve material da tenda, deixando uma luz fraca e lúgubre envolver nós dois. Distingui claramente o olhar decidido da mulher em minha direção.
"Vamos encontrar um meio, Nigel. Vamos descobrir como utilizar a relíquia sem acionar a maldição."
Baixei o olhar; não era aquela a resposta que eu estava esperando. Mas eu não a deixaria sozinha em uma caçada tão perigosa. Se ela amava Josh a ponto de arriscar sua vida para tentar salvá-lo da maldição, eu não faria nada além de acompanhá-la e ajudá-la no que fosse. E faria o máximo para conseguirmos sair daquela situação sem enfurecer os deuses que criaram a relíquia, como a lenda dizia. "Espero que esteja certa, Syd." Voltei à posição anterior, encarando o alto da barraca. Eu fechei os olhos, mas senti que não conseguiria mais dormir naquela noite.
•••
Dia n. 48: Na manhã seguinte, eu acabei sendo o primeiro a me preparar para a caçada.
Como eu imaginara durante a noite: o sol já estava nascendo e eu não havia conseguido dormir, ou descansar. Minha preocupação com a relíquia e o pequeno trecho que não conseguira traduzir me deixavam inquieto; logo Sydney encontraria a caverna, e eu ainda não estava totalmente seguro sobre o artefato.
Ouvi a mulher se mexer. Afastei o leve mal-estar causado pelo cansaço e levantei do saco de dormir. Saí da barraca – eu a obrigaria ao menos a tomar café da manhã antes de procurar a gruta.
•••
Quando Sydney saiu da barraca, já estava vestida com seu traje escuro habitual para caçadas, com a calça marrom, a blusa transparente sob o colete preto e a bolsa de coro pendurada no ombro. Ela me deu bom-dia e caminhou até a oliveira, seus passos fazendo barulho sobre os pedregulhos no chão; arrancou a faca que ainda estava cravada no tronco da árvore e a enfiou na lateral da bota. Entreguei a ela uma caneca de café, e depois da pequena refeição vesti minha jaqueta cáqui, que era da mesma cor da camisa e das calças que eu já estava acostumado a usar nas viagens. Sem dizer nada, larguei a mochila sobre as costas e aguardei a caçadora liderar o início da expedição.
Saímos do acampamento e caminhamos por vários minutos até alcançarmos outra clareira um pouco maior que a anterior; ainda estávamos perto do riacho, contudo. Interpretamos as coordenadas obtidas na pesquisa da melhor maneira possível e começamos a inspecionar os arbustos, à procura da marca que indicava a entrada do templo. Depois de uma rápida procura, Sydney gritou que havia encontrado a pequena rocha vagamente descrita nos estudos de Josh perto das árvores que separavam a clareira de uma encosta. Nos aproximamos com muito cuidado, conferindo se não havia nenhuma armadilha.
A morena assegurou-se de que não havia perigo e tocou na pedra, empurrando-a para o leste, como as instruções ditavam. Imediatamente, ouvimos barulho próximo às folhagens da beira da encosta. Caminhamos mais alguns passos, e o que parecia o tronco de uma árvore envelhecida apoiada no início do enorme barranco, revelou-se como um pilar quebrado de basalto.
Paramos sobre a margem do declive. A caçadora observou a descida acidentada e os milhares de arbustos tortuosos que se estendiam por vários metros abaixo de onde estávamos. Ela olhou para o céu azul e então me encarou, sorrindo. "Vamos ter que descer", declarou ela.
Senti minhas pernas amolecerem. "Tem certeza? Não dá para fazer a volta?"
"Este lado do monte está isolado pelas rochas" ela apontou para as laterais do barranco. "Aqui parece ser o acesso mais rápido para onde a base deste pilar está apontando, ao sul. Não se preocupe, são apenas alguns metros de descida."
"Syd, a queda por este declive cheio de rochas e galhos deve ser fatal!"
"É por isso que usaremos as cordas, Nigel. Vamos!"
Ela começou a remexer na mochila que eu carregava, preparando o equipamento para o rapel. Não evitei de espiar novamente as dezenas de metros que nos separavam do possível local onde a relíquia deveria estar. Eu só enxergava pedras e vegetação lá em baixo, mas o som que ouvimos quando Sydney acionara a marcação da entrada do templo definitivamente – e infelizmente – havia vindo daquela descida.
Fiquei alguns minutos observando a ladeira, desalentado. Então olhei para Sydney; ela já havia prendido as cordas no tronco de uma árvore e estava pronta para descer. A morena fez menção que eu me aproximasse, para ela preparar meu equipamento. Caminhei até ela, sem um pingo de vontade, e a deixei me prender à corda.
"Vai dar tudo certo, Nige" me consolou, amarrando a corda também na mochila, e me deu um tapinha sobre o ombro, sorrindo. Depois de conferir as cordas, ela começou a descida, e eu a segui da maneira mais eficiente que consegui – ou seja: tropeçando em todas as pedras, enganchando as roupas em todos os galhos que estavam pelo caminho, e quase caindo e rolando barranco abaixo tantas vezes que até perdi a conta.
Quando estávamos quase no final da descida, Sydney apontou para a direita. "Nigel, aquilo não parece uma entrada?" Me esforcei para virar na direção que ela indicara, e ali havia mesmo algo parecido com uma gruta, no meio das rochas da encosta. "Algo me diz que devemos conferir" completou a morena.
Ela chegou à entrada da caverna com uma facilidade imensa. Não entendi como ela conseguiu descer ali sem qualquer esforço, eu já estava esbaforido só de tentar me aproximar mais sem rolar pela ladeira! Ainda não sei como, mas consegui chegar até o alto da gruta. O lugar pareceu bem maior quando eu cheguei mais perto. Desci mais e tentei alcançar o chão com os pés, mas não estava conseguindo.
"Vamos lá, Nigel, solte um pouco mais de corda!"
Me agarrei com mais força às amarras. "E se eu soltar demais e acabar rolando pelo resto do barranco? Vou quebrar meu pescoço!"
"É só um pouco. Você não vai quebrar nada, eu vou te segurar." Reuni toda a minúscula confiança de 'caçador de relíquias' que aquelas palavras conseguiram me transmitir e liberei a corda.
E foi exatamente como eu havia previsto: soltei demais.
"AH! EU VOU MORRER!" gritei enquanto despencava. Só que a queda não me machucou, e tampouco eu estava rolando. O chão parecera macio quando me choquei a ele, e me dei conta de que na verdade estava estatelado sobre Sydney. Tentei levantar rapidamente, e como sou tão cuidadoso, percebi onde eu estava "pegando".
"AHH!" saltei de pé, dando alguns passos para trás. "Desculpe, Syd! E-eu não sabia que ali era... hm, que era seu... seus... seu..." senti o último passo falsear na margem da rocha. O ar sumiu de meus pulmões; eu já conseguia até me enxergar completamente quebrado e esfarrapado no final do barranco. Antes da dolorosa queda, Sydney segurou-me pela manga do casaco e me puxou de volta, para a minha salvação. Meus joelhos cederam.
Fiquei ajoelhado na frente dela, minhas mãos tremiam e minha voz havia sumido. Olhei para a mulher, ofegante, sem saber se lhe agradecia ou se desmaiava. Um segundo a mais e o meu futuro como professor de História teria sido extinto.
"Syd, obriga..." não terminei a palavra; a caçadora me encarava da forma mais séria que eu já havia visto. Paralisei por um segundo, ela se aproximou mais e esticou a mão meu lado. Ela vai me dar uma chave de braço? Vai simplesmente quebrar meu pescoço – me poupando da queda, mas não do final trágico de minha vida? Pensei, imaginando as várias formas de castigo que ela poderia me infligir com aquelas mãos, e me preparando para o pior. Ao menos, estava dentre as últimas sensações da minha vida algo... agradável – tentei me consolar.
Mas eu continuei sem sentir qualquer dor. Observei Sydney alcançando algo no meio das ramagens na beirada da encosta, atrás de mim. Ela retirou o objeto que estava oculto pelas folhas e o colocou entre nós dois: era um chapéu. Olhamos pensativos para aquele achado. "Alguém pode ter deixado cair do alto do barranco. Talvez seja uma coincidência", comentou a caçadora, com falsa esperança.
A encarei. "Alguém com um chapéu igualzinho ao de Dallas estava passeando pela orla da gruta, coincidentemente a alguns metros de uma possível relíquia..."
Nos livramos rápido das cordas, eu peguei a mochila, e corremos gruta adentro.
Havia muita umidade e claridade, indicando que o lado leste da pequena caverna não estava enterrado totalmente dentro do barranco. Percorremos alguns metros, e estacamos observando outros pilares. Sydney remexeu nas folhagens, que estavam por toda a parte, e ali encontrou a entrada para o templo, na forma de uma pequena porta de basalto na parte mais profunda da gruta. Ela já estava aberta, devendo ter sido a fonte do barulho que ouvimos quando acionáramos a marca no alto da clareira.
A caçadora ajeitou melhor o chapéu dentro da bolsa e pegou sua lanterna. "Vamos, Nigel", a ouvi ordenar enquanto desaparecia por entre as plantas. Analisei a entrada mais alguns segundos. Aquela não era uma simples caverna a partir dali, e sim um corredor construído na base da montanha, que acabara coberto pela flora do Monte; com certeza um templo para a deusa Atena, pelos sinais que vi entalhados na porta. Segui Sydney.
Estava um tanto escuro dentro do corredor, mas vários locais tinham feixes de luz provenientes, de alguma forma, da claridade lá de fora. Incrível como um templo tão grande permanecera oculto por tanto tempo... Incrível mesmo era não termos encontrado qualquer armadilha até aquele momento! Foi quando Sydney parou, de repente; quase bati em suas costas. Ela apontou a lanterna para um trecho na parede do corredor.
Os vários pilares decorados que formavam a passagem estavam cobertos com algumas flores saxífragas e teias de aranha. Mas naquela parte, o caminho estava limpo. Era como se alguém já tivesse passado por ali há poucos dias... Ou talvez poucas horas. Senti meu peito apertar; havia um rival na caçada. Seria mesmo Dallas? O que faríamos se ele já tivesse resgatado a relíquia?
Deus, eu nunca me perdoaria por ter atrasado Sydney daquela forma e tê-la feito perder a chance de salvar seu amigo. Cerrei os olhos e os punhos, me repreendendo. "Vamos conseguir, Nige" a caçadora me disse em um tom calmo. Trocamos um olhar, e eu suspirei pesadamente, concordando com a cabeça.
Continuamos pelo corredor. Não havia qualquer armadilha pelo caminho, o que me deixava com um frio cada vez maior na espinha. Por que algo tão poderoso seria deixado sem qualquer proteção além das folhas e flores do monte? Talvez o rival que havia passado por ali já tivesse se livrado dos gatilhos. Ou talvez a lenda fosse verdade, e a relíquia já fosse perigosa o suficiente para se manter oculta nesta mesma caverna sem qualquer proteção além dela própria.
Nenhuma das opções era agradável, e minha sensação de que não deveríamos tocar naquele vaso se tornou ainda mais forte; quase tanto quanto o horror de que um rival já o tivesse levado dali. Enxergamos ao longe uma enorme estátua da deusa Atena, levemente iluminada por alguns feixes de luz desencontrados. Nos aproximamos, e ficou claro que a imagem de basalto guardava a entrada para uma sala escura, na parede às costas da divindade.
A abertura atrás da escultura da deusa era tão grande quanto ela, medindo no mínimo quatro metros de altura. Ao atravessar a passagem, Sydney apontou para os cantos da entrada. Não havia armadilhas ou teias no caminho; com certeza haviam passado por ali. Nos entreolhamos e adentramos a recâmara, já considerando como perdida aquela busca. Teríamos que rastrear o caçador de relíquias para tentar reaver o artefato. E a culpa era toda minha!
Apontamos as luzes para o altar no fundo da sala e eu quase deixei a lanterna cair, admirado. "Mas como?" exclamei. A relíquia ainda estava lá! Bem, havia um vaso de argila sobre um altar. Deveria ser a relíquia, certo? Vi que a caçadora pareceu aliviada, e caminhamos com cuidado redobrado até alcançarmos a mesa lindamente esculpida em pedras de basalto.
Sydney revisou o local por várias vezes à procura de gatilhos ou armadilhas com as duas lanternas, mas não encontrou nada. Mais de perto, assumimos que aquele era mesmo o vaso da lenda. Ainda não o havíamos tocado, contudo, deveríamos estudar o altar muito bem antes de retirá-lo dali.
Larguei a mochila, acionei o lampião e bati algumas fotos; fiquei vários minutos analisando as inscrições ao redor da relíquia. O vaso era simples, possuindo apenas a marca que traduzi como sendo o nome da deusa Atena. Ele era pequeno, em formato de alabastro e caberia facilmente em apenas uma das mãos. Não havia mais nada sobre a mesa além das pequenas frases gravadas no basalto.
Sydney cortou o silêncio. "Certo, chegou a hora. O que conseguimos obter das inscrições?"
"Aqui diz que o vaso permanecerá neste templo sendo guardado por Atena, até que o verdadeiro dono apareça." Apontei para o outro lado do altar. "E esta outra parte menciona que o objeto pertencerá apenas a quem souber usá-lo corretamente."
"Então a pesquisa estava correta; teremos que utilizar o poder da relíquia para conseguir retirá-la do altar."
Respirei fundo e passei as mãos pelo rosto. "Parece que sim."
"Tudo bem. Vamos considerar os pedidos anteriores e o que deu de errado primeiro." Ela também parecia estar nervosa.
Comecei a recitar o que lembrava da pesquisa. "Todos os pedidos foram realizados. Mas a moça que criou o vaso ficou sozinha e se suicidou; o segundo proprietário foi morto junto com toda a vila de forma inexplicável; e dos outros poucos registros, nenhum deles durou muito tempo depois de utilizar a relíquia."
"Mas todos os pedidos eram direcionados à própria pessoa que desejava, certo?"
Não queria responder aquela pergunta. Ela tinha razão, eram pedidos egoístas, mas isso não queria dizer que ela estaria livre da maldição. Se Josh já estava morrendo por causa de uma mera isca desta relíquia, imagine quais poderes absurdos este vaso teria. "Você tem razão, Syd. Mas ninguém agiu de forma diferente para termos um parâmetro. E se o foco não for esse?"
"Teremos que ser os primeiros, Nige. Acredito que seja como eu havia imaginado. Se utilizarmos a relíquia para o bem de outra pessoa, não haverá motivos para a maldição ser acionada."
Eu estava suando frio; já havíamos resgatado relíquias perigosas antes, e lidar com poderes sobrenaturais deste tipo de artefato era contar demais com a sorte. Como Sydney conseguia ficar tão calma diante de uma situação tão absurda? Ela não tinha medo de terminar como os outros? Eu estava tão nervoso que comecei a sentir dor de cabeça. As várias noites não dormidas estavam afetando ainda mais o meu autocontrole naquela hora.
"Eu não sei, Syd. Ainda não estou seguro sobre isso..."
"Este é o jeito, Nige. É agora ou nunca." Ela esticou o braço e se concentrou: "Por favor, pelo bem de Josh..." pediu, tocando no artefato. Fechei os olhos, esperando o céu se abrir e desabar sobre nossas cabeças; ou a enorme estátua de Atena tomar vida e nos castigar, como deveria ter feito ao dono do chapéu que encontramos...
Mas nada disso aconteceu.
Abri os olhos e vi a caçadora, sorrindo com o pequeno vaso entre as mãos. Fiquei abismado: "É só isso?" Ela balançou a cabeça. "Eu quase tive um ataque cardíaco aqui por nada?" reclamei. Sydney sorriu simpaticamente.
Ela continuou apreciando a relíquia em seu poder. Eu me agachei um instante, precisava me acalmar, aquela tensão toda havia sido demais para o meu organismo já cansado. Respirei fundo, sentindo que a leve enxaqueca havia aumentado tremendamente de intensidade. Segurei a cabeça, tentando aplacar a dor.
A imagem de Sydney guardando a relíquia em sua bolsa, à minha frente, de repente turvou-se em um borrão, misturando-se com o ambiente escuro. Droga!
"S-Syd... eu não estou..." balbuciei, mas não consegui terminar a frase. E eu não senti mais nada.
•••
Continua
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N.A.: Dallas Carter é um caçador de relíquias rival, antigo parceiro de Sydney Fox (não somente nas caçadas :hmm: ). Sua primeira aparição se deu no décimo segundo episódio da primeira temporada "A noiva do imperador" (The Emperor's Bride), onde ficou claro que ele busca ser famoso e não mede esforços para encontrar a relíquia que o permitirá realizar este sonho, passando por cima de tudo e de todos.
Agradecimentos especiais à Yvarlcris pelo apoio que vem me oferecendo! Este capítulo é dedicado à você, minha flor! Beijos e mais beijos, mal posso esperar para ler a continuação da sua fic! *3*
