Tenho que começar esse capítulo com um pedido de desculpas. Já estava pronto há uma semana, mais ou menos, mas não ficava do jeito que eu queria, então fiz mil e uma correções e modificações, mas nada parecia ajudar... aí eu passo para a parte dos agradecimentos: Obrigada a minha amiga Kakau, que me fez o enorme favor de representar uma beta reader nesse texto, mesmo que ela não escreva fanfics. A opinião dela foi que me fez gostar do resultado final. Valeu Kakau!

Agradeço as reviews recebidas também. Espero que gostem de mais esse capítulo, embora eu tenha chutado o balde em algumas partes (quase 90 do total escrito – vocês vão ver). Não tenham medo de falar o que pensaram... já basta o medo que eu tive de escrever algumas delas. São temas muito polêmicos e eu já estava achando que seria um pouco apimentada demais para o ritmo que eu estava conduzindo o texto até então. Mas, sem medo de ser feliz, fui em frente.

Outra coisa: Capítulo muito grande. Eu ia dividir em duas partes, mas como no próximo já vai ter outro evento importante ia ficar muito carregado. Então leiam com calma. Sem pressa. HOJE VOCÊS COMEÇAM A ME ODIAR!

Parte em itálico recordação/sonho
CAPÍTULO VI

Terça feira era um dia nublado, com a fina garoa, tipicamente londrina, e que dava mostras de ter vindo para estragar os planos traçados por Hannah e Arwen. As duas primas haviam combinado um dia no clube para se divertirem, tomar sol na piscina ... e tome água!

Mas naquela manhã em especial Arwen estava animada a ponto de que nem uma tempestade estragaria seus planos. Sua animação terminou por contagiar Hannah, já tão acostumada ao frio e garoa da metrópole inglesa, depois de tantos anos vivendo sob as regras climáticas do velho continente. Vendo a ansiedade da prima japonesa passou a pensar: "Que importa o tempo?"

Por volta das dez horas da manhã, pouco antes de saírem, o sol começava a se mostrar em raios tímidos. Rapidamente as duas se arrumaram, pegando as mochilas preparadas com toalhas, shampoo, pente e outras 'coisas' necessárias para um dia fora de casa, e andaram até o ponto de ônibus mais próximo, que ficava a umas cinco quadras da casa de Hannah, pelo que Arwen pôde contar. Na verdade não estava prestando atenção ao tempo em que andaram, nem em quantos blocos. Hannah falava alguma coisa, mas ela não entendeu o que era. Sua mente estava em outro lugar... ou melhor, em outra pessoa.

Voltou à realidade quando ouviu a prima falar algo sobre "pingos de chuva".

"Pingos de chuva!" – questionou Arwen, no momento em que era acertada em cheio na cabeça por um deles, um bem grande por sinal, pois quando percebeu seu cabelo já estava totalmente úmido. Olhou para cima descrente: 'onde estava o sol, mesmo tímido, que apareceu alguns minutos atrás!'

"Estrela... vai chover." – Riu Hannah, não tendo coisa melhor para falar enquanto os pingos caíam com mais intensidade, tornando mais frio o clima outrora ameno. Arwen olhou para cima outra vez, e bateu na cabeça como se ela fosse uma porta oca:

"Não trouxe os guarda-chuvas!" – riu sem graça, mas ambas foram tomadas pelo riso diante da situação em que estavam.

"Quer voltar?" – perguntou Hannah.

"Não." – Arwen foi categórica nisso. Tinha passado a noite fazendo planos e sonhando com isso, não desistiria agora. Já tinha andado cinco quadras! Chegou longe demais para desistir por causa de uma 'chuvinha'. Esperaram no ponto mais uns cinco ou dez minutos antes que o ônibus passasse. Muitas pessoas que passavam as olhavam curiosos. Quando, em Londres, alguém ia imaginar um par de jovens moças sem guarda chuvas, no meio da garoa, e rindo disso?

&&&

Legolas estava com dificuldades de se concentrar no que fazia. Hilda, sua colega de trabalho estranhou aquele comportamento. Não que ele fosse uma pessoa muito aberta ou desinibida, pelo contrário, era muito reservado. Ela olhou para ele outra vez, era a décima vez que ele não sabia como prender o cabelo. Estava incomodado com alguma coisa, aparentava não ter conseguido dormir muito bem, a julgar pelas sombras escuras abaixo do olhos.

Legolas olhava estático para a estátua que restaurava, mas não prestava a menor atenção. Sua cabeça voltada para o pesadelo da noite anterior.

Legolas estava no elevador do flat onde seu pai havia se hospedado quando Saruman entrou. Estavam sozinhos e o outro logo se atreveu a se aproximar perigosamente dele, segurado-o pelos quadris com toda a intimidade. Já tivera aquele corpinho jovem e belo em seus lençóis uma vez, e o queria quantas mais fossem possíveis.

Legolas o evitava, mal podendo evitar a repulsa que o tomava naquele instante. Vomitaria nele se pudesse, mas a verdade era que estava a sua mercê. Aquela mão já velha, ossuda, com unhas compridas já ingressara sob sua camisa, deslizando por toda parte, arranhando sua pele, enquanto buscava roubar-lhe um beijo descaradamente.

Afastou o rosto da forma que a proximidade entre eles permitia, mas sentiu as unhas serem cravadas em sua pele, o que fez gemer de dor.

"Não me negue nada, garoto. Sabe que os inimigos de seu pai iam adorar saber o que você fez para viver nos anos em que esteve 'desaparecido'. O modo de vida fácil que você usava para manter seu vício e o seu amante viadinho." – rosnou o velho, com um sorriso de escárnio e maldade, que fazia seu rosto ficar retorcido em diversas dobras, numa imagem digna de pesadelos.

Legolas estava pálido a menção daquela ameaça. Seu pai era um homem importante na política do país e não podia expô-lo dessa forma. O ódio o corroía por dentro, correndo feroz em suas veias, acelerando sua respiração, queimando seus pulmões como se o ar fosse ácido.

Suspirou desgostoso ao sentir aquela boca em seu pescoço, mordendo-o sem qualquer cerimônia, provavelmente deixando marcas na região que demorariam a desaparecer. Para seu alívio o elevador parou em um andar e Saruman se afastou rapidamente, temendo ser pego aos 'amassos' com um rapaz. Logo ele, tão moralista e defensor perpétuo dos bons costumes.

Legolas saiu do elevador cambaleando como pôde. O ar faltava-lhe, a vista estava turva. Chocou-se de leve com a senhora que lhe salvou naquele momento. Estava começando a suar, e estava pálido, apesar da cor rubra que lhe tomou as faces de assalto, por causa da febre repentina que o acometera naquele instante.

Entrou num banheiro, olhando no espelho após jogar água fria no rosto, e foi quando o viu novamente, numa imagem pior. Saruman estava coberto de queimaduras que faziam sua pele se despedaçar, enquanto tentava alcançá-lo, e ele não tinha mais saída. De repente o banheiro virara um enorme precipício, para o qual aquela criatura o empurraria.

Voltou a si assustando-se com o barulho de algo caindo a seu lado. Lembrava-se de, naquela manhã, ter tomado dois comprimidos para se acalmar. Sua namorada se assustara levemente com sua palidez, mas mentiu dizendo que foi um pesadelo, e não uma parte de uma lembrança de sua vida. Tinha que arranjar um jeito de esquecer dessa figura, ou acabaria enlouquecendo.

&&&&

Hannah e Arwen chegavam ao clube de campo, procurando o salão de snooker, ao mesmo tempo em que pensavam em não corar com os olhares de estranheza que recebiam dos senhores mais idosos ali presentes. Alugaram uma mesa no canto, mais afastada. Há anos não jogavam e, no fundo, tinham muita vergonha das trapalhadas que com certeza fariam naquela hora.

Acabaram sendo ajudadas por uma dupla de senhores idosos muito simpáticos, com cabelos branquinhos como flocos de neve, até conseguirem acertar as tacadas. "Vovôs" muito legais as ensinaram algumas das regras, conversaram, e foram ensinadas a usar o "expansor"... aparentemente um instrumento sem qualquer utilidade a princípio. Tão comprido quanto um taco de sinuca, só que na ponta tinha o formato de um 'X', esférico em cada uma das extremidades. Inútil? De jeito nenhum. Na verdade era só para ser usado nos locais mais difíceis da mesa, onde o jogador não consegue alcançar a bola para atacada sem ter que subir em cima da mesma, ou tirar outra bola do lugar. Descobriram que o tal suporte era muito útil.

Riam muito, mesmo depois que os dois velhinhos as deixaram sozinhas, principalmente da delicadeza de elefante de Hannah, que dava tacadas com tanta força que muitas vezes a bola branca voava para fora da mesa, quicando alto pelo salão fechado, atraindo a atenção de todos os jogadores mais experientes.

"Estrela... por que toda essa animação, hoje?" – Hannah estava curiosa sobre a mudança de atitude da prima.

"Ah... é que eu cansei de ser tão bobinha. Desculpe, mas não deu prá deixar de ouvir a sua conversa com o Legolas, naquela noite." – respondeu Arwen, um tanto sem graça ao ver que a prima perdia a cor ao ouvir aquelas palavras.

"Arwen! Desculpa! Eu juro que não era prá... a gente não estava falando mal de você, Juro! Era só, que..." – Hannah, por mais que tentasse se explicar faltavam-lhe palavras. Não sabia a impressão que tinha passado à prima. Queria um modo de pedir desculpas, mas pensava que nada seria o suficiente.

"Tudo bem, eu sei." – respondeu Arwen com um sorriso sincero. – "Mas seu namorado tinha razão. Mudar não custa, custa?" – Perguntou, tentando amenizar a tensão evidente na outra garota, que afinal conseguiu sorrir.

"Não custa, mesmo." – respondeu Hannah, olhando em volta, enquanto respirava fundo.

"Sua vez." – Alertou Arwen, indicando a mesa com o taco. Permaneceram jogando mais algumas horas, até o almoço.

Estavam no restaurante do clube conversando, e quando surgiu a oportunidade de falar sobre o, agora, ex namorado, da prima, um assunto um tanto delicado, Hannah perguntou:

"Estrela, posso fazer uma pergunta? Não precisa responder se não quiser."

"Manda." – respondeu a outra, já imaginando, pelo tom, que essa questão seria relacionada ao Haldir.

"Há quanto tempo você e o Haldir namoravam?"

"Dois anos." – respondeu Arwen, e Hannah corou violentamente enquanto preparava a próxima pergunta, sentia a face ferver com o volume de sangue que circulava nela, fazendo-a rubra.

"E vocês dois... nunca..." – 'como se fazia uma pergunta dessas?' Pensava Hannah, corando ainda mais, se é que era possível. Será que tinha o direito de fazer uma pergunta tão pessoal para sua prima. É certo que foram como irmãs, enquanto ela morava no Oriente, mas anos se passaram e, talvez, não tivesse mais a mesma intimidade de antes.

"Não." – Arwen foi seca na resposta. No fundo aquilo era uma mágoa que ela trazia desse relacionamento. Dois anos com uma pessoa, se dedicando, suportando tudo o que ele fazia, e sentia que nunca teve um relacionamento de verdade com ele, a ponto de ter essa confiança de levar a um estágio acima o namoro.

"Falta de vontade?" – Hannah pôs a mão sobre os lábios, a pergunta escapara-lhe sem querer. Sentiu que poderia desmaiar de vergonha, era como se todos ali a olhassem, mesmo que tivesse certeza de que saiu como um sussurro.

"Falta de coragem. Haldir nunca me deixou confiante prá isso" – Respondeu ela, mais como um desabafo. Era estranho falar sobre esse assunto com alguém que não fosse Éowyn. Não que tivesse tido tempo de conseguir confiança o suficiente, mas pelo fato de a outra ser tão desinibida e soltar pela boca o que tinha no coração foi fácil conversar com ela, e assim ficou cativada. Abrir detalhes tão pessoais de sua vida para outra pessoa, mesmo que fosse sua prima – quase irmã – não era uma tarefa das mais confortáveis.

"Demora mesmo." – disse Hannah, olhando para o prato.

"O que?"

"Prá criar confiança, ficar a vontade." – Hannah recebeu um olhar da prima que a fez ficar mais vermelha do que o molho do macarrão. Não que Arwen estivesse lhe dando um olhar de surpresa... na verdade não sabia o que aquele olhar significava. Será que era de surpresa? Ou ela passou a pensar nela como alguma vadia que tem facilidade em conhecer os homens? Ou será que ela era como um modelo de segurança e que a imagem se despedaçou ao ouvir que ela também tinha seus receios?

Muitas dúvidas, poucas respostas. Não conseguiu articular uma palavra sequer. Apenas riu, nervosa, como se estivesse falando disso pela primeira vez na vida.

"Mas você e o Legolas, já..." – 'qual a dificuldade em se completar essa pergunta? Sexo. A tal palavra era um tabu impronunciável?' – se questionava Arwen, imaginando o que se passava na mente da outra para corar daquele modo. Parecia que todo o sangue tinha-lhe subido à cabeça. Acompanhou-a no riso, mas por puro nervosismo.

"Sim, algumas vezes." – respondeu Hannah, mais calma. Não havia necessidade de completar a questão, sabiam o que era o significado daquela sonoridade reticente e desconfortável ao fim da frase. Mas era uma mesa que precisava ser virada. Encararam-se complacentes, saboreando a mesma timidez.

'Se a Éowyn estivesse aqui já teria escrachado o verbo com todas as letras.' – pensou Arwen, mas recriminou-se por isso. Não era sua amiga, não tinha a mesma eloqüência que ela e, com certeza, não era tão aberta e sem pudores moralistas em excesso. Tinha que achar o seu próprio jeito de avançar mais esse ponto.

"Mais de uma vez?" perguntou, fazendo o possível para soar natural, embora quase não conseguisse pronunciar a última sílaba.

Hannah assentiu com a cabeça, estranhamente intimidada com a conversa que ela mesma iniciara, mas percebendo que não tinha motivos para tamanha timidez, não estava dialogando com uma estranha, era sua prima, quase sua irmã. Mas era estranho. Ambas sempre foram retraídas para algumas coisas. Por que começou esse assunto? Sempre pensaram, que determinados assuntos fossem segredos para se guardar em diários cujas páginas pegariam fogo na primeira ameaça. Agora estavam lá, confidenciando coisas 'indescritíveis' passados os momentos de estranheza.

"... sabe, demorou um tempo até que eu tivesse coragem de fazer algumas coisas com ele, sabe." – afirmou Hannah, se acomodando melhor na cadeira.

"Na verdade não sei, mas morro de vontade de descobrir." – confidenciou Arwen, rindo com mão na frente dos lábio, como é costume no Japão. Determinados hábitos são difíceis de perder.

"No seu tempo. É só o que posso te dizer. Cada um sabe de si. Mas olha... não se iluda. A primeira é sempre uma merda! Muuuuito estranho." – afirmou Hannah, olhando para os lados, como se tivesse medo de terceiros ouvidos prestando atenção naquelas palavras, e esticando a pronúncia do 'u'.

Riram, mudaram de assunto, terminaram de almoçar, e voltaram a caminhar pelo clube, aproveitando uma pequena estiagem no tempo para esticar as pernas. Do nada Hannah perguntou:

"Vai sair com o Aragorn, quarta-feira?"

"Ahn... não sei, sabe. Eu aceitei no piloto automático, mas... sei lá. Me deu meio que um arrependimento. Até pensei em ligar e desmarcar." – respondeu Arwen, olhando para as nuvens de chuva que voltavam a se aproximar umas das outras.

"Por que?" – Hannah podia estar enganada, mas durante a festa Arwen pareceu muito animada com a idéia.

"Parece que eu estou traindo, ou provocando o Haldir, eu sei que não tem nada a ver, mas... no fundo ainda acho que eu só quero dar o troco por causa da coisa com a Lúthien." – respondeu séria. Tinha dúvidas dos motivos que a levaram a aceitar o convite: estava interessada nele, ou só queria mostrar para o ex que ela também podia sair com outra pessoa? Essa incerteza era angustiante. Queria conhecer Aragorn melhor, mas tinha medo de só estar fazendo algo por ela, e terminar por magoar os sentimentos dele.

"Claro que não! Primeiro: vocês não estão mais juntos então não é traição. Não há nada demais. Segundo: não é provocação. Se você foi deixar de fazer qualquer coisa só porque ele fez e pode pensar que é por esse motivo, é melhor se enfurnar num convento!" – Respondeu Hannah categórica. Mas confessava, internamente, que no fundo a dúvida dela era a mesma.

"É estranho... Hannah... você já teve..." – novamente um muro de aparência intransponível se erguia diante da escolha de palavras. – "... de trair." – 'Saiu! Não doeu!' – pensou Arwen.

"Já." – Respondeu séria, mas no fundo estava feliz. Não pela resposta que dera, mas pelo fato de uma delas ter conseguido transpor o muro da timidez e excesso de recato incutido nas mentes delas pela filosofia de que 'boas garotas não dizem palavras feias'. 'Boas garotas são bobas" – pensou Hannah.

"Depois que estava com Legolas?"

"É."

"E você traiu?"

"Uma vez só." – foi tudo o que Hannah conseguiu responder sem sentir-se profundamente envergonhada com a atitude que tomara naquele dia. – "Acho que não é uma coisa que se planeja, só acontece. Mas aí a gente tem que agüentar com o que vier depois. Teve a opção de não fazer." – constatou ela, sentindo remorso em saber que jamais contou ao namorado. Arwen percebia que isso era um segredo pelo tom de voz usado. Quase triste. – "Acho que todo mundo sente vontade, pelo menos uma vez. Você pode amar a pessoa que está com você, mas dá uma loucura de momento e..."

Aquelas reticências diziam mais do que qualquer palavra. A chuva voltava a cair forte, e uma fina névoa começava a se formar de meio para o fim da tarde. Andavam pelo prédio principal quando um sujeito se aproximou das duas com um largo sorriso, embora não tivesse agradado a nenhuma. Passou a andar do lado de Hannah, tentando chamar-lhe a atenção, enquanto ela se fazia de desentendida e buscava se distrair com algo dentro da mochila, imaginando um modo de se livrarem dele.

"Pô gata, você é muito linda." – disse ele, se aproximando fazendo com que ela ficasse irritada com o cheiro forte de cigarro que vinha dele, como se tivesse fumado uma tabacaria inteira.

"Valeu." – disse ela, andando sem se voltar. 'Que cara mala!' – pensou ela. Arwen nada dizia, só seguia a prima. Mas a verdade era que o papo furado daquele sujeito já estava começando a incomodar.

"Ô gata, Por que a gente não pode conversar? Eu não mordo. Ela tem namorado?" – perguntou ele, voltando-se para Arwen, que assentiu com a cabeça, na esperança de que ele tomasse outro rumo.

"Sua amiga é tímida." – disse ele para Arwen, pegando uma mecha de cabelo de Hannah, que irritada afastou-se num movimento brusco. Já estava preparada para chamar o primeiro segurança que aparecesse.

"Ela tem namorado." – Arwen repetiu, sentindo uma raiva crescente e estranha.

"Eu não sou ciumento. Que tal gente sair?" – Hannah estava incomodada com a audácia daquele sujeito. Olhou para a prima.

"Se ela aceitar vai ter briga." – Respondeu Arwen. Hannah não conseguiu entender o que ela quis dizer com isso, mas fosse como fosse, estava valendo.

"Já falei, não tenho ciúmes" – disse ele, metido.

"O namorado ela é meu irmão." – falou Arwen numa calma surpreendente, mas que fez o tal sujeito se afastar de Hannah rápido. Pensou que se a namorada e a 'irmã' estavam lá, logo, ele estaria também, e ele não estava afim de confusão.

Agora Arwen entendia o que Éowyn queria dizer com o tal 'calo que dói'. O dela era esse tipo de sujeito, o que acha que pode tudo e é irresistível. Olhou para a prima mais uma vez. Hannah ria baixinho para não chamar a atenção do tal que já ia longe.

"Obrigada pela ajuda, 'cunhada', embora você e o Legolas não se pareçam em nada!" – riu ela, alimentando o humor da prima. – "Te devo essa." – Hannah pôs a mão sobre o ombro da prima, rindo a valer, e iniciando o trajeto de volta para casa.

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Ao contrário da terça-feira o dia seguinte amanheceu com céu limpo e sol, clima mais quente... tudo favorecendo um belo passeio. Arwen descia as escadas de pijamas e chinelos, os olhos ainda semi- cerrados pelo sono, cabelos desgrenhados, a boca seca pela noite de sono.

"Bom dia, Estrela!" - Veio a saudação animada, da cozinha, onde Hannah preparava o café delas.

"Ohaiyou gossaimassu" (bom dia) – respondeu ela, ainda sem noção de onde estava.

"Watashi tati wa nihon dewa arimassen." (não estamos no Japão). Veio a resposta.

"Sorry." (foi mal) – respondeu ela, voltando ao idioma local.

"Está um belo dia prá passear." – Disse Hannah animada, mais até do que a própria convidada ao passeio.

Arwen não deu muita atenção. Estava sentindo um friozinho no estômago. Ignorou o comentário e foi até a porta recolher a correspondência e o jornal. Sentou-se desabando sobre a cadeira ca cozinha. Sentimentos conflitantes: excitação, arrependimento, remorso, curiosidade... que diabos era aquilo?

"Arwen, hoje quando você voltar eu não vou estar em casa. Vou com o Legolas e uns amigos num bar, não sei bem onde, para o aniversário da Marina. Ela pediu para eu te convidar. Então, vou deixar o endereço, caso você queira ir depois do seu... encontro. Leva o Aragorn também."

"Vamos ver..." - respondeu ela desanimada. – " Você volta hoje?"

"Volto, mas provavelmente de madrugada.. Qualquer coisa eu ligo, tá. Não vai se arrumar?" – perguntou Hannah, vendo que já era quase o horário combinado e a prima ainda estava de pijamas e chinelo, sentada como se nada estivesse acontecendo.

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No horário combinado Aragorn tocou a campainha. 'Pontualidade britânica, mesmo.' – pensava Arwen enquanto ia caminhando em direção a porta, abrindo-a com um sorriso nervoso, imediatamente observando como ele ficava bem usando apenas uma caça jeans azul, uma camiseta branca com gola 'v' e jaqueta. Simples, casual... sexy. Corou quando o último pensamento lhe veio à mente. Estranho ela gostar daquele jeito largado, com aquela barba sempre com jeito de por fazer, aquele olhos verdes...

Observou que ele trazia consigo um pequeno envelope. Cumprimentou-o com um beijo no rosto de forma tímida, não era um costume muito popular no Japão, saindo da frente da porta para que ele pudesse entrar. Nesse momento ele lhe estendeu o tal embrulho, ao que ela abriu rapidamente.

"Sua foto." – ele explicou, como se precisasse relembrá-la da noite da festa, quando ele a convidou para sair.

Arwen observava que haviam algumas cópias, ao que ele apressou-se em explicar:

"Bom, a Hannah disse que ia querer uma, outra você disse que ia mandar para uma amiga... como eu não sabia de quantas precisaria eu fiz algumas cópias." – Aragorn corava um pouco. Esperava não estar sendo muito atrevido em suas atitudes. Viveu no Japão durante alguns anos e bem sabia o quanto os orientais em geral eram reservados com objetos particulares.

Também não deixou de reparar em como ela estava vestida. Calça preta, com uma blusa azul claro leve, e um casaco da cor da calça. As laterais dos longos cabelos escuros presos por uma presilha brilhante, davam a ela um ar mais jovial, se é que era possível.

"Obrigada. Ficou linda. Prá eu parecer bonita tem que ser mesmo uma foto de profissional. Quanto eu te devo?" – perguntou ela, encarando-o pela primeira vez.

" Nada, é um presente, tá bom?" – respondeu ele.

"Arigatou." (obrigada) disse ela, fazendo uma reverência ao estilo oriental. Arwen buscou uma das fotos dentro do envelope, e estendeu-a para ele que a olhou confuso. – "Prá você." – Afirmou com o mais singelo sorriso, que seria capaz de derreter uma calota polar do mais insensível coração. Arwen era só ternura e compreensão, uma garota como poucas que já encontrara em toda a sua vida.

Ele ainda a olhava incrédulo, mas aceitou a foto, olhando-a novamente.

"Toma. Você ficou bonito nessa foto. Fica com essa." – Arwen sentou corar até o último fio de cabelo com essa afirmação, mas não pôde evitar de dizer.

Aragorn a olhava, e não era porque ele estava na foto que ele aceitou, mas sim porque ELA estava. Não sabia se tinha o direito de dizer isso ou não, por isso preferiu calar. Arwen era um terreno desconhecido para ele. Um mistério, a começar pelo jeito como ela conseguiu cativar Legolas, que sempre foi uma criatura muito isolada dos outros viventes. O que havia entre eles? Nada que ele conseguisse imaginar explicaria os ciúmes do amigo sobre ela.

"Ahn... Obrigado." – respondeu ele, já ansioso em sair.

"Só um minuto!" – Arwen fez o pedido com o dedo indicador levantado, indicando que ele esperasse. Correu até uma gaveta, e preencheu um envelope com o endereço da amiga no Japão, para quem uma das fotos seria mandada. Já que ia sair, aproveitaria para passar no correio.

"Podemos ir?" – Aragorn perguntou, ansioso pela resposta, abrindo caminho para que Arwen saísse, fechando a porta atrás de si, depois que ela passou sorrindo para ele.

"Vamos!" – Arwen perguntou, caminhando à frente mais alguns passos, feliz, até que se deparou com um de seus piores pesadelos. Parou congelada no lugar onde estava. Os olhos fixos na direção do problema.

"O que? O que foi?" – Aragorn perguntou para ela, vendo que ela simplesmente 'estacionou' no trajeto.

Arwen apontou na direção e disse: "Moto?"

"Não anda de moto?" – perguntou ele, no fundo achando graça de toda a situação. Pensou que fosse algo grave.

"Tenho medo até de bicicleta desde o dia em que caí de uma e quebrei o braço. Tenho pavor de tudo o que anda em duas rodas." – disse ela, com um sorriso sem graça.

"Eu não sabia, desculpe." – Não sabia o que dizer. Ela era mesmo diferente.

"A gente pode ir a pé ou de ônibus?" – questionou esperançosa. Não queria estragar o passeio, mas não estava disposta a andar naquele tipo de veículo por muito tempo. Aragorn estava pensativo quanto ao que fazer, quando uma idéia lhe ocorreu. Só esperava que ela aceitasse.

"Olha... que tal a gente ir de moto até o estúdio onde o Legolas trabalha, e eu pego o carro dele emprestado?"

"É perto?"

"É. Uns cinco minutos daqui no máximo. Naquela rua onde a gente se conheceu, lembra?"

"Lembro.. umas doze quadras daqui." – respondeu ela, desanimada, lembrando-se do tempo que gastou naquele trajeto.

"Não é longe. Aquele dia você só demorou por que veio a pé. De carro ou de moto é rápido."

Arwen aceitou a proposta temerosa, mas não só em relação ao veículo. E sim, a proximidade que aqueles poucos cinco minutos geraria entre eles dois. Colocou o capacete e subiu na garupa, segurando-se contra Aragorn com força. Não era tão ruim assim, afinal.

Cinco longos minutos para ela que, no instante em que se puseram em movimento, esqueceu-se de tudo e passou a prestar atenção no trajeto, morrendo de medo de cair, sentindo um frio desconfortável no estômago; a cada curva ela sentia seu almoço se rebelar em busca da 'saída'. Há uns oito anos não andava em nada com duas rodas.

Por outro lado foram cinco minutos mais curtos da vida dele. Bem que podia demorar mais, se quisesse mantê-la junto de si por mais tempo. Mas não teria coragem de expô-la a um medo e desconforto desnecessário.

Finalmente a terra firme! Foi a primeira a descer do veículo, desejosa de sentir o solo firme abaixo dos pés, cujos joelhos tremiam e pareciam dormentes. Tirou o capacete quando começou a perceber o peso estranho. Olhou em volta e viu o carro de Legolas estacionado na frente de uma das belas casas que tinha visto da vez que passou por ali.

O estúdio tinha uma fachada de casa comum, mas bem espaçosa, pintado em um amarelo creme e com detalhes brancos. Estilo clássico, recatado. Mas por dentro era como um grande galpão. Enorme salão vazio, com cortinas tipo persiana. Latas de tinta, pó no chão, assim como manchas. Lembrava uma casa em reforma, na parte que podia ver. Aragorn conhecia a todos lá dentro.

"Você conhece todo mundo?" – Perguntou ela, cumprimentando as pessoas que lhe dirigiam o olhar, com leves acenos de cabeça e um sorriso simpático.

"Conheço. Alguns desde a faculdade. Normalmente eu fotografo as obras de arte antes da restauração, faço umas paradas de fotoshop, prá ver como elas ficariam. Esse tipo de coisa."

"Legal." – Arwen estava entusiasmada com aquele lugar. Era como se fosse um museu inacabado. Agradável, amplo. Não conseguia pensar em profissão melhor para Legolas. Ele realmente se parecia com um artista plástico. Pela personalidade de alguns que estudou eles tinha jeitos introvertidos, reservados, assim como ele. Era como se tudo fosse um processo criativo, embora ele mesmo não criasse, apenas restaurasse belas obras, fazendo-as como antes da ação do tempo.

Andou mais alguns metros e passou a ver as obras que estavam aguardando retoques. Quadros, estátuas, objetos de cerâmica e porcelana. Todos belos, com cores vivas. Alguns rachados, outros com partes faltando, e outros visivelmente gastos, com pinturas descascadas.

Legolas e uma outra moça muito bela, com olhos azuis claros e acinzentados penetrantes, estavam concentrados em uma estátua de tamanho natural. Ambos de luvas, máscaras para evitar o pó e óculos para proteção... como dois médicos antes de uma cirurgia. Legolas se concentrava em acentuar as dobras do traje da estátua, já desgastado pelo tempo, removendo o pó do gesso com uma fina espátula, que era, no máximo, da espessura de uma caneta, enquanto a moça cobria com gesso alguns buracos na superfície do rosto, para que ela ficasse uniforme novamente.

Um trabalho meticuloso, que ela e Aragorn observavam em silêncio, esperando serem notados. Arwen olhava tudo com admiração. O capricho, a delicadeza dos movimentos da moça, assim como de Legolas. No momento em que ela se voltou para os dois, parados à porta.

"Oi Hilda." – Cumprimentou Aragorn.

"E aí?" – respondeu ela, com jeito rebelde que em muito lembravam Éowyn, mas com uma voz aveludada e grave. Agradável de se ouvir, mas que dava àquela moça uma ar respeitável, maior do que sua aparência, agora revelada pela remoção da máscara que usava apara evitar inalar o pó do gesso. Traços finos e elegantes, de uma beleza clássica, nórdica.

O som da conversa atraiu a tenção de Legolas, que voltou os olhos na direção deles. Novamente algumas imagens se formaram em sua mente, quando viu Arwen parada ao longe. Ia se perder em uma nova torrente de pensamentos quando a voz de Hilda chamou-lhe a atenção.

"Cuidado!" – disse ela, apontando para Arwen. – "Vai sujar sua calça com a tinta." – Informou ela, indicando um pincel deixado sobre um pequeno andaime, sujo com tinta clara, mas maliciosamente com os pêlos voltados para fora. Prontos para sujar alguém distraído. Não que alguém dentro do estúdio se preocupasse. Estavam sempre com roupas para se sujarem como crianças, mas um visitante desavisado poderia não gostar da 'surpresa'.

Aragorn a segurou pelo braço antes que ela desse mais um passo em direção ao 'objeto ameaçador', no momento em que parou de pensar sobre o motivo de Legolas estar com uma aparência estranha naquele dia.

"ÔPA!" – Fez Arwen, ao perceber do que se tratava.

"Hilda, essa é Arwen, prima da Hannah." – Apresentou Aragorn, vendo que Legolas estava sem ação.

"Oi... eu te cumprimentaria se não estivesse toda suja de pó e tinta até o cabelo. Mas, prazer em conhecê-la, Arwen." – Disse ela mostrando a mão suja de tinta por baixo da luva transparente, acenando e sorrindo amigavelmente, e mostrando uma parte do braço, de pele muito alva, e que parecia-se mais ainda com porcelana por causa do gesso acumulado do trabalho de restaurar a peça de arte.

"Tudo bem. Prazer em conhecê-la, Hilda."

"Legolas!" – Chamou ela, fazendo-o se voltar. – "Visitas." – Disse ela, como se ele precisasse ser avisado do que estava acontecendo a volta dele, e voltando-se para Aragorn como quem diz 'ele está tão desatento, hoje'.

Legolas os cumprimentou de onde estava, com um sorriso. "O que faz por aqui?" – perguntou, olhando para a estátua outra vez.

"Me empresta o carro? Eu deixo a moto aqui. A Arwen e eu vamos sair." – Disse Aragorn. 'Por que se sentiu desconfortável?' Algo estava errado com Legolas hoje. Não sabia o que dizer, e não queria perguntar.

"Tá. A chave tá lá na entrada." – respondeu ele, olhando outra vez para os dois. Não gostou do modo como Aragorn o encarou naquele momento, mas nada disse. Talvez estivesse com mania de perseguição, ou coisa assim. O médico já havia dito para não abusar dos remédios que tomava, na verdade, já havia cortado a prescrição dos mesmos, mas ele não parava. Não conseguia. Muitas coisas ocupavam sua mente, e não queria se lembrar de metade delas.

"Valeu. A noite eu levo na sua casa, e pego a moto, certo?"

"A noite eu vou no aniversário da Marina... você vai?"

"Vou. Então agente se vê lá, e destroca."

"OK." – Legolas respondeu, voltando sua mente para o trabalho em mãos. Fora uma guerra ter que se concentrar naquilo, e agora seria outra. Por que tinham que ser tão parecidos aqueles dois rostos? Suspirou fundo, enquanto respondia ao aceno de despedida de Arwen.

Ela e Aragorn saíam com o carro de Legolas. Dirigiram algum tempo, até chegaram a um parque próximo de um rio. Tinha uma enorme roda gigante, uma bela paisagem, quase campestre, em meio a capital britânica.

Conversaram sobre temas amenos, passearam, e a tarde ia se passando de forma agradável para ambos. Diversos assuntos surgindo, diferentemente das lacunas de silêncio que preencheram a primeira noite em que se tornaram amigos, na festa.

Por algum motivo, enquanto estavam sentados na grama Arwen se lembrou de Haldir, e das fotos que tinha recebido, e sua dúvida voltou a torturar-lhe os pensamentos. Sentiu uma súbita tristeza ocupar um espaço crescente, corrosiva, fria e impiedosa. Ficou calada por instantes, pensando em como Haldir fora capaz de fazer o que fez, dizendo gostar tanto dela? Será que ela não estava fazendo o mesmo, só tentando esquecer ou provocar Haldir através de outra pessoa?

Sentiu-se horrível com esse pensamento. Aragorn estava sendo tão gentil com ela. Não merecia esse tipo de tratamento. Haldir novamente ocupou o espaço: Por que nunca deu ouvidos ao que falavam sobre ele? Começou a achar que tinha medo de ficar sem ele, de sempre buscar em outra pessoa algo dele. Não sabia diferenciar amor do costume com a presença.

"Aragorn percebeu a mudança rápida de comportamento. O modo como ela parecia distante, pesarosa. Mil coisas circulavam em sua mente, mil erros que ele pudesse ter dito ou cometido. Desde quando era tão inseguro? Foi quando veio à sua mente:

"Pensando nele? No Haldir?"

"É..."

"Quer conversar?" – Aragorn não queria parecer um curioso enxerido, mas não podia deixá-la se sentindo tão mal quanto parecia.

"É difícil. Mas acho que ele é o homem da minha vida."

"A gente sempre acha. Só que se engana." - consolou ele.

"Eu gosto tanto dele. Sinto saudades. Mesmo quando estou aqui, com você – como agora, ainda não deixo de pensar nele."

"Dá prá ver." – aquelas palavras saíram mais amargas do que ele havia imaginado.

"Mas... ele já tem outra."

"Ele sabe que não te merece. Não acho que devia ficar assim. Faz pouco tempo que te conheço, e você é uma garota legal, gentil, meiga, simpática com todo mundo. Bonita..." – não podia mais esconder seus pensamentos sobre ela. Queria chamar a atenção para si de alguma forma.

"Não sou, não. " – Arwen afastou-se mais, quando percebeu que ele inclinando-se contra ela. Não deixaria um beijo acontecer naquele momento. Era ingênua mas não à esse ponto.

"Eu acho." – disse ele, com vergonha.

"Quem gosta de feio é porque bonito lhe parece." – disse ela, com um ditado velhíssimo.

"Não fale assim. Você vai encontrar alguém." – dizia essas palavras esperando que, no fundo, ela olhasse para ele. Nos intervalos de tempo em que se viram nenhuma outra garota lhe chamou a atenção. Só tinha olhos e pensamentos para ela. Queria fazê-la esquecer aquele moleque , fazê-la feliz como ela merecia ser.

Abraçou-a, trazendo mais para perto de si, quando ela começava a chorar dolorosamente, escondendo o rosto em seu ombro. Deixou que ela pranteasse até que se sentisse mais leve, não importava o tempo que levasse.

Arwen seria eternamente grata a ele por isso, por ser tão compreensivo, carinhoso e amigo com ela. Mas não teriam nada além de amizade, pensava ela, pelo fato de em breve ela retornar ao oriente, e ainda não estar certa sobre o que queria para si. Manteria-o a distância de seu coração, embora o mesmo não desejasse que fosse assim.

Ao cair da noite ele a levou de volta para casa. Aragorn ainda reiterou o convite feito por Hannah e Legolas, no que se referia a comemoração do aniversário de Marina.

"Tem certeza mesmo de que não quer ir?"

"Tenho."

"Você vai ficar bem? Quer companhia?"

"Tudo bem. Só queria ficar sozinha um pouco. Mas... me liga amanhã?" - 'pedido estúpido!' – pensou ela. Sua boca estava sendo mais rápida do que seu cérebro.

"Claro." – respondeu ele com timidez, e despediu-se dela com o mesmo tipo de beijo terno que recebeu no rosto quando chegou. Ainda olhou para trás, em tempo de vê-la fechando a porta.

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NUNCA MAIS QUERO ESCREVER ROMANCE!

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Lembram do sinal do Bip? É agora: Biiiiip.