Erros

por Miss Dartmoor,

para EmptySpaces.

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Disclaimer: Jared e Jensen não me pertencem, e a minha intenção não é ofender ninguém com essa fanfic, nem quem está lendo e nem os atores.

Sinopse: Ele não era um homem perfeito, e nem fazia as escolhas certas sempre. E, talvez, não fosse sua intenção machucar a única pessoa que ele realmente amou.

Beta: Sem betagem.

Shipper: Jared Padalecki e Jensen Ackles – Padackles, J2, Jsquared. NC17, RPS (Real Person Slash).

N/A: A música desse capítulo é Decode, do Paramore. A tradução você encontra no final :]


Capítulo 6.



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How did we get here?

When I used to know you so well

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Jensen ergueu seu olhar e encarou Jared nos olhos. Ele não entrou como já teria entrado se fosse como antigamente, ele sequer abraçou o amigo como teria feito ou disse qualquer coisa que teria dito se isso fosse como outro dia qualquer na vida deles. Jensen só continuou ali em frente à Jared, o observando em silêncio e sem fazer qualquer menção de que queria que isso mudasse.

Jared sentiu sua garganta secar. Sentiu aquela vontadezinha forte de sair correndo dali e ir se esconder, para não ter que encarar Jensen, se apoderar dele. De tudo o que ele esperava que acontecesse hoje, Jensen aparecer ali na porta da sua casa a noite não entrou nem para a lista de coisas impossíveis que poderiam por um acaso acontecer. Ele estava em choque, estava tão surpreso que nem se preocupou em se lembrar de que ele e Danneel tinham um trato, e que esse trato envolvia Jared se afastando de Jensen da maneira mais fria possível.

- J-Jensen? – Jared pareceu recuperar sua capacidade de falar, mas a segurança na sua voz ainda estava completamente desaparecida. Jensen estava ali em frente a ele, e se não fosse pelas olheiras que Jared sabia que não eram de cansaço por causa do trabalho, ele teria quase acreditado que aquilo nunca aconteceu e que eles ainda eram melhores amigos, mas não, não eram mais.

Jensen tinha as roupas um pouco úmidas pela garoa que caía lá fora e seu olhar denunciava tanto cansaço que não tinha nada a ver com físico que por um momento Jared achou que Jensen começaria a chorar em seu ombro, desmoronar ali na sua frente.

Mas Jensen apenas deu aquele seu sorriso cheio de cansaço e totalmente não-sincero.

- Posso entrar? – Ele perguntou. Jared abriu a boca umas três vezes para mandá-lo embora dali, para dizer que não queria mais ver a cara dele ou qualquer coisa assim, mas Jared estava cansado demais para fingir e por mais que ele tivesse agido feito um insensível antes, ele nem sob tortura conseguiria tratar Jensen mal quando o amigo parecia tão machucado.

Jared saiu do caminho de Jensen e observou o loiro entrar em silêncio e parar próximo a mesa, retirando a jaqueta úmida e a colocando em cima da cadeira. Jared respirou fundo o ar frio da noite antes de fechar a porta e, com o pouco de coragem que ainda tinha, virou-se e encarou Jensen.

- O que você está fazendo aqui, Jensen? – Ele tentou transparecer impaciência ou algo parecido com isso, mas estava ciente de que falhou terrivelmente.

- É uma boa pergunta. – Jensen respondeu, sem olhar para Jared, ele parecia mais entretido com os botões da sua jaqueta preta. – Nem eu sei... Acho que tem a ver com a minha falta de amor-próprio.

Dizendo isso ele encarou Jared e Jared encarou a parede, incapaz de sustentar o contato visual e manter seu teatro ao mesmo tempo. Ele era um ótimo ator, mas é completamente diferente quando você tem que improvisar sem ter ideia de como o roteiro deve ser.

- Jensen... Eu acho que você deveria ir embora.

Jensen se aproximou sem dizer nada. Na verdade, ele parecia já prever isso: que Jared o pediria para ir embora.

Jared sentiu um certo desespero se apoderar dele quando Jensen se aproximou demais, de uma forma com que Jared podia sentir o perfume que ele estava usando, misturado com aquele cheiro de noite e algo que era completamente Jensen. Jared se pegou recuando os passos e encontrando-se encurralado entre Jensen e o balcão da cozinha.

- Jensen, por favor... – Ele nem sabia o que diabos estava pedindo, se era para Jensen sair dali ou se afastar dele, talvez fosse os dois. Arriscou-se a olhar nos olhos verdes do loiro e se arrependeu em seguida, porque eles estavam brilhando com aquelas lágrimas que Jensen se proibia de permitir derrubar.

- Por favor, o quê, Jared? – Jensen perguntou num sussurro de voz, colando os quadris de ambos e colocando suas mãos na cintura de Jared. Jared queria empurrá-lo como ele supostamente deveria fazer, mas não teve forças pra mover um músculo, pra fazer nada além de olhar Jensen e esperar ansiosamente que ele fizesse o que veio fazer ali.

Droga.

- Jen... – Jared estava implorando dessa vez. – Não torne as coisas mais...

- É... – Jensen roçou os lábios entre o pescoço e o ombro de Jared e Jared fechou seus olhos e apreciou o cheiro do shampoo de Jensen. Jensen se aproximou mais, necessitando daquele toque e beijou o pescoço de Jared delicadamente. – Eu gosto quando você me chama assim... Meu Deus, eu...

Ele tornou a olhar para Jared. Jared estava segurando a própria respiração.

- Eu gosto tanto... – Ele sussurrou, deixando a frase perdida no ar. A próxima coisa de que Jared se lembrava era de ter seus lábios colados nos lábios de Jen, e ele não sabia dizer quem começou aquilo, quem tomou a decisão primeiro.

Talvez fosse Jensen, talvez fosse Jared cansado de fingir.

De qualquer forma, não importava. Ele só precisava daquilo. Ele só precisava mais um pouco daquilo.

Jared o beijou, e foi diferente de todos os outros beijos. Não foi apenas rude e grosseiro, carnal. Foi carregado de desespero e necessidade, e foi cheio de paixão. Como se Jared quisesse que Jensen acreditasse naquilo, acreditasse nele de alguma forma, como se Jared quisesse provar para Jensen que ele realmente o amava. Ele só precisava provar para Jensen (mesmo que não devesse) que ele o amava tanto quanto Jensen o amava.

E ele foi fraco por isso. Ele não deveria ter cedido, porque agora seria mais difícil superar as coisas, tanto para Jensen quanto para Jared. Mas Jared não tinha coragem de mandá-lo sair dali, ele não tinha mais capacidade para mentir desse jeito.

O beijo foi todo dentes e língua. Jared sentiu seus dentes baterem em determinado minuto nos dentes de Jensen como também sentiu o leve gosto de sangue (que ele não sabia dizer de quem era), junto com o agridoce das lágrimas de Jensen.

Porque agora ele estava chorando.

Jensen agarrou sua camisa e logo Jared estava contra a parede, ainda beijando Jensen com medo de parar aquilo e descobrir que era um sonho. Deus, como ele precisava de Jensen, como ele precisava sentir Jensen agora, como ele precisava daquilo.

E isso chegava a ser insano, e obsessivo.

Jensen não estava sendo delicado, pela primeira vez desde o primeiro toque entre eles naquele dia no bar, Jensen não estava agindo feito um perfeito cavalheiro. Era como se ele estivesse pouco se lixando, era como se ele quisesse machucar Jared fisicamente de alguma forma, e Jared permitiu sem reclamar.

Jensen agarrou seu cabelo e Jared gemeu de dor quando sentiu o mais velho o puxar com força, e ele também gemeu de novo quando Jensen colocou a perna entre as pernas de Jared e pressionou com a mão o volume na calça do moreno, mas esse foi um gemido que não tinha nada a ver com dor. Jared segurou Jensen com força pela cintura e a coisa toda rude, carnal e grosseira que praticamente fazia parte do cotidiano pessoal deles, deu as caras de novo, só que dessa vez havia mais do que só sexo naquilo tudo.

Os dois começaram a andar, sem quebrar o contato. O caminho até o quarto foi seguido com desespero e com um pouco de desajeito por causa da necessidade em manter os beijos, e o caminho até lá ficou marcado com as peças de roupas que foram caindo no chão, sendo arrancadas dos corpos de seus donos sem a mínima cerimônia ou delicadeza.

E eles não precisavam de delicadeza agora. Jensen não precisava de romantismo agora ou qualquer porcaria parecida com essa, ele só precisava sentir Jared com ele mais uma última vez, porque ele estava jurando que seria a última vez.

Por motivos diferentes dos que Jared usava para justificar a si mesmo que aquela era a última vez.

Eles chegaram ao quarto, com os corpos suados e os batimentos cardíacos na garganta, e uma excitação tão grande diferente de todas as outras vezes. Talvez fosse porque Jared achou que nunca mais haveria uma outra vez, e talvez Jensen pensasse o mesmo.

O que quer que fosse, não importava também. Eram eles e de qualquer maneira que fosse, seria suficiente.

Jensen empurrou Jared contra a cama sem dar tempo para o moreno dizer nada. Jared se pegou por baixo pela primeira vez desde que aquilo começou. Jensen estava por cima, com as mãos apoiadas no colchão de cada lado do rosto de Jared, e ele observou o mais novo, o olhou nos olhos e dentro daquele olhar havia desejo, havia amor, havia cumplicidade, havia culpa e remorso e raiva, e tanta dor.

Jared abriu a boca para dizer algo, sentindo sua voz falhar e sentindo seus olhos começarem a embaçar. Pela primeira vez desde que aquilo tudo começou ele não se sentia mais o homem forte e seguro de si que costumava ser, porque dessa vez Jensen havia voltado a ser o imprevisível que sempre foi.

Jensen calou qualquer pensamento de Jared quando o beijou com a mesma grosseria e intensidade de novo, e ele engoliu o gemido rouco de Jared, e ele arranhou o corpo de Jared com as pontas dos dedos e segurou a ereção de Jared enquanto sua língua fodia a boca do ator mais novo com a urgência de sempre. A mente de Jared estava girando, ele não conseguia manter um pensamento concreto na cabeça e tudo no que conseguia pensar era em Jensen, Jensen e Jensen e ele tinha quase certeza que estava deixando escapar pela boca o nome do ator mais velho a cada oportunidade que tinha.

- Você a ama, Jared? – Jensen perguntou quando afastou sua boca da dele, bombeando sua ereção e levando o mais novo a loucura. Jared quase nem ouviu a pergunta.

- O... Que? – Ele perguntou confuso, sem fôlego. Jensen colocou mais pressão, e com a outra mão ele apertou a coxa de Jared e com sua boca ele beijou o peitoral musculoso do mais novo que se contorcia na cama de prazer e murmurava coisas sem sentido misturadas com "Jen", e "Jensen" e "Por favor".

- Eu perguntei se ama sua noiva, Jared. – Jensen tinha tanta frieza na voz que era inconfundível no meio da sua respiração agitada. Ele não estava chorando mais, ele estava mais centrado em provocar Jared, em machucar Jared e arrancar do mais novo tudo o que ele precisava e que nunca recebeu dele antes.

Jared abriu a boca, abriu os olhos e demorou uma eternidade para seu cérebro projetar a pergunta.

- Jen...

- Responde. – Jensen praticamente ordenou. Seus lábios próximos da boca do mais novo que engoliu em seco.

- Eu... – Jensen o penetrou com um dedo e Jared sentiu a desconhecida dor preencher seu corpo e ele se contorceu com um pouco mais de violência, apertando a pele dos ombros de Jensen que riu, riu aquela risada sem humor.

- Você gosta disso, Jared? – Jensen perguntou, a voz rouca. Ele movimentou o dedo dentro de Jared e quando o mais novo começava a se acostumar, Jensen adicionou outro e ele não estava se preocupando em ser gentil com aquilo.

- Jen... Caramba, Jensen, eu... Por favor... – Jared não sabia o que estava dizendo. Ele fechou os olhos com força e respirou fundo, porque Jensen havia adicionado o terceiro dedo e Jared não tinha noção do quanto aquilo doía até agora.

- Você gosta, não é? – Jensen continuou a falar, passando a língua pelos lábios perfeitos que ele tinha e se concentrando nas expressões que dançavam pelo rosto de Jared. – Me diz, a Sandy te faz sentir assim, hein? Ela te deixa assim, Jared?

- Pára de... Pára de falar nela... – Jared disse sem fôlego, sentindo a impaciência e a irritação tomar conta dele. Antes que pudesse se dar conta a dor estava acompanhada com outra sensação, prazer, e quando deu por si Jared estava procurando mais contato com os dedos de Jensen, porque ele precisava de mais e tinha certeza que não demoraria até começar a implorar por isso.

Jensen apenas riu, e retirou seus dedos. Ele abaixou-se, colando seus lábios obscenamente perfeitos na orelha de Jared, fazendo o mais novo fechar os olhos e se arrepiar. Suas mãos, a essa altura do campeonato, tinham deslizado dos ombros de Jensen para as costas dele e ele tocava tudo com medo de perder as oportunidades que estava tendo agora. Ele podia sentir a ereção de Jensen, e ele estava tão duro quanto Jared.

- Eu vou foder você. – Jensen disse, mantendo a voz rouca e mantendo sua nota de indiferença, como se aquilo fosse isso. – Eu vou foder você tão forte, Jared, que você não vai conseguir andar direito por dias, e quando você olhar para ela, quando você beijar a sua noiva você ainda vai me sentir dentro de você e você vai desejar que eu estivesse lá, que fosse eu lá te beijando ao invés dela.

Jared fechou os olhos com força para se impedir de olhar para Jensen nesse instante. Não duvidava que se não estivesse se controlando ele poderia ter um orgasmo só por ouvir Jensen dizer aquelas coisas, quanto mais o ver falar. Apenas fechou os olhos e tentou controlar sua respiração, controlar sua ansiedade, manter sua sanidade.

- E sabe o que mais, Jare? – Jensen perguntou, roçando seus lábios no pescoço de Jared. As mãos dele já tinham se encaminhado para a cintura do moreno. – Eu não quero ver você quando fazer isso, eu não quero olhar pra você enquanto estiver te fodendo do mesmo jeito que você não olhou pra mim na nossa primeira vez.

- Jen... – Jared tinha certeza que aquilo nos seus olhos eram lágrimas.

- Essa vai ser a última vez, Jared. – Jensen disse, com tanta convicção que Jared sentiu-se desesperar por dentro. – Eu juro por Deus, essa vai ser a última vez que eu encosto em você...

E foi ao dizer isso que ele segurou Jared com força e o virou, e ele não precisou usar tanta força porque Jared sequer se impôs contra aquilo, ele apenas permitiu.

Estava de bruços, com o rosto afundado no travesseiro quando Jensen o penetrou exatamente como tinha descrito, e Jared engoliu o gemido de dor e abafou o som do seu choro no travesseiro enquanto Jensen entrava completamente dentro dele para sair, e entrar novamente com mais força.

Jared soluçou, mergulhado naquela miséria de sentimentos, recebendo todo o ódio que ele sabia que Jensen estava sentindo agora dele e ele apenas permitiu, porque ele sabia que merecia e porque era a única maneira dele ter Jensen novamente, só por mais essa vez.

Ele sentiu a dor, a cada vez que Jensen o penetrava, ele sentiu o prazer que aquilo começou a lhe proporcionar a cada vez que Jensen acertava aquele ponto, mas mesmo com o prazer que estava sentindo Jared não conseguia impedir as lágrimas.

Ele se perguntava como seria se ele não tivesse feito tudo errado.

Então a respiração de Jensen estava batendo na sua pele, ali próxima a seu pescoço, e foi quando os ritmos ficaram incertos que Jared soube que Jensen estava chegando no seu ápice e foi exatamente o que aconteceu, e ele sentiu Jensen gozar dentro dele com força e seu corpo cair sobre o corpo de Jared. Quente, familiar. Suor misturado com aquele cheiro de sexo e aquele cheio de Jensen, que enlouquecia Jared.

Jensen saiu de cima dele, deitando-se na cama. Jared continuou ali quieto, se recuperando aos poucos do que tinha acontecido. Ele virou o rosto para o outro lado e se surpreendeu ao ver que Jensen estava chorando, em silêncio.

- Você me odeia? – Jared sussurrou um tempo depois. Jensen olhou para ele, para o rosto avermelhado e molhado de lágrimas de Jared, e ele desviou o olhar segundos depois.

Jared esticou sua mão para tocar Jensen, mas assim que seus dedos tocaram o ombro de Jensen, Jensen se levantou saindo da cama, procurando pelas suas peças de roupas que ficaram caídas pelo quarto. Jared sentiu algo dentro dele se quebrar, e ele se controlou ao máximo para não chorar mais ainda.

Jared se sentou na cama, sentindo que não ia conseguir andar direito por dias, mas isso agora era a menor das suas preocupações. Jared também não havia gozado, e parecia que essa tinha sido exatamente a intenção de Jensen, mas isso agora também era o menor dos problemas de Jared.

Ele observou Jensen terminar de vestir sua calça, fechando o zíper e o cinto.

- Jensen...

Jensen limpou os vestígios das lágrimas com as costas da sua mão, e respirou fundo antes de colocar os sapatos em silêncio e com uma agilidade de surpreender.

- Jensen, por favor...

Jensen olhou para ele, mas como antes não sustentou o contato visual. Ele se levantou da poltrona onde estava sentado para colocar os sapatos e Jared não saiu da cama para impedi-lo de sair do quarto. Ele sabia que nada que dissesse agora concertaria as coisas, então ele apenas continuou ali sentado sozinho no quarto enquanto ouvia o som da porta da frente da casa se fechando com força alguns minutos após Jensen ter saído do quarto.

Ele tinha ido embora, e algo dentro de Jared dizia que essa havia sido a última vez. Pensando nisso, Jared se deitou na cama e permitiu-se chorar tudo o que tinha para chorar, ali sozinho no escuro daquele quarto, se lembrando de cada coisa que havia feito, se lembrando de cada sensação que sentia ao tocar e ser tocado por Jensen, se lembrando dos últimos olhares que recebeu de Jensen, todos carregados de dor. Se lembrando de como ele fez a escolha errada e acabou com a única coisa boa de verdade que teve.

———J2———

Ele fechou a porta, ele andou até seu carro no meio da chuva que agora já estava mais forte, e não ligava se suas roupas estavam ficando molhadas demais, ele só sabia que tinha que sair dali. Ele abriu a porta do seu carro e entrou e quando a fechou, soltou o ar que sem perceber estivera segurando. Fechou os olhos e antes que pudesse se conter, deixou as lágrimas deslizarem livremente pelas suas bochechas, de novo. Segurou o volante com força e xingou-se internamente por ter sido fraco a ponto de ter ido até ali.

Deveria ter ouvido Danneel. Mesmo que ela não soubesse de nada do que se passava entre ele e Jared, deveria ter ouvido a garota e ter dado tempo para as coisas se ajeitarem. Mas ambos, ele e Jared, sabiam que o tempo nunca concertaria o que já estava quebrado demais. Não havia concerto, não havia saída e se Jensen continuasse respirando o mesmo ar que Jared, nunca superaria aquilo.

Nunca o tiraria da sua cabeça. Nunca o esqueceria.

Percebeu que suas mãos já estavam meio brancas e frias por causa da força com que ele apertava o volante. Ele afrouxou o aperto e olhou mais uma vez para a casa de Jared. Ele não conseguiria mais ficar ao lado dele e fingir pra todo mundo que tudo estava bem, ele não ia conseguir assistir Jared se casar com Sandy sem poder fazer nada.

Ele não ia conseguir.

Ligou o carro e antes que mudasse de idéia e fizesse outra idiotice como a que havia feito agora, saiu dali e dirigiu direto para o seu apartamento aonde ele mergulharia na bebida e tentaria se esquecer por algum tempo da existência do maldito Jared Padalecki. Jared Padalecki e seu sorriso sincero, Jared Padalecki e sua risada contagiante. Jared Padalecki e seu corpo, seu corpo se mexendo debaixo do seu, o cheiro de Jared, o cheiro da maldita loção de barbear de Jared e...

E Jared dizendo que não significava nada.

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I'm screaming "I love you so"

My thoughts you can't decode

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Jared se olhou no espelho. A toalha estava enrolada na sua cintura e sua cara estava péssima, ele também não estava com o mínimo de ânimo para ir até o estúdio gravar. Mas sabia que ligar dizendo que estava doente seria um papo furado que Eric nunca engoliria.

Suspirou com cansaço e passou a mão pelo cabelo. Trocou-se em menos de cinco minutos e pegou as chaves em cima da escrivaninha. Quando estava colocando as chaves no bolso do jeans reparou na foto que estava ali no porta-retrato ao lado do computador. Era uma daquelas fotos que alguém tirou no set de filmagens, ele não se lembrava exatamente dela, do momento em que a tirou, ele só se lembrava de ter visto em algum site e ter achado tão bonita que não agüentou e pegou uma cópia para ele.

Era ele e Jensen. Os dois sentados nas cadeiras lado a lado. Jensen estava usando uma daquelas camisas pretas e estava quente aquele dia, porque ele só estava com a camiseta. Jared tinha seu corpo virado para Jensen e estava sorrindo, e provavelmente devia estar falando algo idiota porque Jensen estava olhando para ele, e com a mão na boca (e Jared reparou que Jensen estava usando aquele anel do Dean) ele sorria como se Jared fosse a coisa mais importante naquele segundo e Jared pensou: "Droga, droga, droga".

E quando o peso da informação finalmente caiu sobre a sua cabeça as palavras passaram a ser "Porra, porra, porra!"

Como ele pôde ser tão estúpido? Como, em nome de Deus, ele pôde ser tão idiota a ponto de não ter visto antes? Será que o ciúme tinha cegado ele e o deixado idiota? Como ele não viu que a coisa era completamente recíproca?

Não havia apenas cumplicidade e intimidade e afeto naquele sorriso, havia algo mais no olhar de Jensen como se Jensen estivesse guardando um segredo dele, algo que os outros não deveriam saber, mas que ele simplesmente não conseguia guardar só para si mesmo.

E Jared no auge da sua idiotice tinha acabado com tudo aquilo. Tinha acabado com tudo aquilo por quê? Por que diabos ele tinha acabado? Porque Danneel de repente tinha um tipo de obsessão por Jensen e o queria só para ela? Independente do que deveria fazer para tê-lo?

Foda-se isso. Foda-se a carreira de Jared. Foda-se se sua família não aceitaria. Ele não podia deixar aquilo continuar do jeito que...

Seu celular tocou e trouxe Jared de volta a realidade e ele quase derrubou a cadeira ao seu lado por causa do susto que levou. Ele pegou seu celular e observou o visor que piscava insistentemente.

Jeffrey.

- Jeff? – Jared disse quando finalmente atendeu depois de ter deixado tocar um bom tempo, surpreso demais por Jeff o estar ligando a essa hora da manhã.

- Mas que porra aconteceu entre você e o Jensen?! – Jeffrey nem se preocupou em dizer "Bom dia!" antes de jogar na cara a fúria que devia estar sentindo, a julgar pelo seu tom de voz. Jared abriu a boca e sentiu sua garganta secar.

- O-O que? – Ele perguntou, confuso.

- Olha aqui, Padalecki, eu não sei que porra aconteceu entre vocês dois, mas é bom você tirar esse seu traseiro aí dessa sua casinha bonita e ir resolver essa droga logo.

Jared demorou um bom tempo para processar a mensagem. Jeffrey geralmente era um ótimo cara e ele nunca falava muitos palavrões como estava falando agora, mas de alguma forma Jared tinha a impressão de estar falando com John Winchester nesse momento.

- Jeff, eu não faço ideia do que você está falando... O que aconteceu? – O seu coração começou a bater rápido conforme os segundos passavam e Jeff não respondia.

- Eu vou te dizer o que aconteceu. – Jeffrey ainda estava irritado. – Eu venho aqui para trabalhar e de repente o Kripke me diz que não vai haver gravações hoje porque o Jensen saiu. Saiu, Jared. Você consegue compreender isso?

Jared sentiu o mundo girar ao seu redor e ele não estava mais entendendo nada.

- Ele saiu, porra. Ele simplesmente saiu da droga da série e quando eu perguntei para o Kripke o que diabos estava acontecendo, ele me disse que o Jensen disse que não ia mais conseguir fazer a série, que ele precisava de um tempo e... Será que você está me entendendo, Jared? – Havia ironia e acidez na voz de Jeffrey, e Jared nunca o viu tão P da vida com alguém como estava vendo agora.

Jared abriu a boca para dizer alguma coisa que ele sabia que deveria dizer, mas desistiu de última hora porque o que ele tinha para dizer não ia ajudar em nada na situação e seu cérebro parecia ter entrado em curto e simplesmente não projetava a mensagem. Jared não conseguia digerir a novidade.

- Na hora eu sabia que tinha alguma coisa a ver com vocês dois. Bem que o Jim disse que o clima entre vocês estava estranho, e quando ele saiu daquela sua festa de noivado? O garoto estava completamente abalado e não queria me dizer o porquê, e eu pergunto o que raios você fez pra ele resolver desistir do trabalho!

- Jeff... – Jared começou a falar, sua voz tão baixa quanto um sussurro. O tom de voz de Jeffrey o tinha intimidado e o fato de que Jensen tinha desistido de Supernatural, Supernatural que era a série que ele mais amava fazer, por causa de Jared o estavam impossibilitando de raciocinar direito. – Eu juro... Juro que vou consertar as coisas.

- É bom mesmo que você...

- Você falou com ele? – Jared o interrompeu, de repente sentindo a ansiedade trazer a tona a sua voz que parecia que ia sumir a qualquer momento. Ele precisava falar com Jensen agora.

- Ele não atende o celular. – Jeffrey disse. – E eu estou aqui em frente ao apartamento dele e a recepcionista me disse que o "Sr. Ackles saiu faz algumas horas".

Jared continuava segurando seu celular e estava pensando desesperadamente em como ele concertaria as coisas dessa vez, e em onde diabos Jensen estava.

- Com malas. – Jeffrey disse após alguns segundos de silêncio. – Por isso eu liguei pra você, droga, porque ele saiu com malas e se você me disser que isso não é sério eu juro que vou aí pessoalmente quebrar seu rostinho bonito!

Jared abriu a boca para responder, mas a fechou quando seu cérebro mais do que atrasado projetou a frase que Jeffrey havia acabado de falar. Ele sentiu como se um cubo de gelo estivesse preso na sua garganta e sentiu o chão amolecer diante dos seus pés.

- Eu tenho que desligar, Jeff. – Jared disse, a voz mais baixa que um sussurro.

- Espera, Jared, onde você...? – Fosse o que fosse que Jeffrey ia dizer, Jared não ficou sabendo porque ele desligou o celular e praticamente saiu correndo até seu carro. Não importava se ele não tinha idéia de onde Jensen estava agora, ele só precisava encontrá-lo.

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How did we get here?
Well, I think I know how

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¹Como nós chegamos aqui?

Já que eu costumava te conhecer tão bem

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²Estou gritando "eu te amo tanto"

Mas meus pensamentos você não pode decodificar

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³Como nós chegamos aqui?

Bem, eu acho que eu sei


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N/A: Depois de muito tempo, finalmente a atualização veio! Acho que vocês já sabem que eu estava tendo pouco tempo pro computador, mas vou tentar compensar a demora postando o capítulo 7 mais cedo que o normal, certo? :D

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Cami – Eu entendo porque você pensou aquilo, até eu pensaria, a culpa é meio que minha que não deixou claro antes. Mas daí eu resolvi falar logo pra você não ficar pensando que o Jensen é um cafajeste hahaha Cafajeste aqui só o Jared, okay? E acho que ele não magoada as garotas do passado propositalmente, sabe? É quando você acaba magoando sem a intenção, entende? ;] Anyway, o Jared pelo visto vai ter que ralar pra conseguir seu perdão, né? Hahaha Mas não se preocupa, vou tentar dar um jeito nisso! (Eu ri tanto quando você disse "lesada da namorada", coitada da Sandy! Okay, tanto faz, eu sempre gostei mais dela do que a Danneel mesmo, mas isso não quer dizer que eu seja fã da Sandy xD). Muito obrigada pela review, Cami. Beeeeeeijos!

Carol – Oie Carol! Certo, me diz que você não ficou roendo suas unhas até agora, porque se não eu vou me sentir culpada! x____x Desculpa a demora com Erros, e quanto a Intenções... Ainda falta escrever parte do capítulo 12, mas acho que vou ter que dividir ele porque está ficando grande demais, então quem sabe a atualização não chega mais cedo? Sério, às vezes eu detesto a escola, que fica empacando com a minha vida de viciada em fics e net! T.T uahuahauahuahauha Beeeeeijos e obrigada pela review! ;*

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Beeeeijos e obrigada pelas reviews, pessoal! :D