Notas Iniciais:

Esta história se passa durante a primeira fase, mais ou menos enquanto elas tentavam reunir os cristais arco-íris. Sailor Moon não pertence a mim, mas eu também não estou ganhando nada com esta produção, não me processem!

E antes da fic, queria fazer um convite aos leitores que quiserem mudar um pouco de lado e escrever para um desafio lançado pela comu da qual faço parte. Ele se chama Coculto, uma troca multifandom de fics que está entrando na quinta edição. Falo mais um pouco dele nas notas finais, mas já dão uma olhada no meu perfil! (mensagem de fevereiro de 2012, mas se tudo deu certo o evento continua semestralmente, então o convite ainda tá de pé!) Passem no meu perfil para um link com os pedidos já feitos para a edição!


Capítulo 6 – A Gata

"Em vez disso, teria sido melhor
se nunca houvéssemos nos encontrado."

(YUI – HELLO)

-Darien-

Decidi faltar às aulas daquele dia para investigar mais essa alegação de Serena de que Rei havia sumido. Era justo a amiga dela que eu mais conhecia e era uma boa menina que ajudava como sacerdotisa no templo de seu avô. Assim, fora o primeiro lugar aonde decidira ir.

O senhor de idade, calvo e bastante baixo estava com um rapaz que era quase seu oposto: bastante alto de cabelos bagunçados no rosto. Os dois pareciam insones, conversando em tom lamentoso.

- Com licença... – Aproximei-me de ambos. – Eu gostaria de falar com a senhorita Rei Hino.

Eles me olharam como se eu estivesse perguntando sobre um fantasma. E o senhor começou a chorar de um jeito expressivo que me recordava de Serena.

- Algum problema? – perguntei ao moço.

Ele, por sua vez, passou a me encarar como se eu fosse o culpado de tudo e saiu correndo berrando, desajeitado em seu uniforme do templo.

- Onde está a Rei? – insisti com seu avô.

- Ela não está mais neste mundo! – disse o senhor, junto a palavras ininteligíveis.

- Como assim? – tentei demonstrar o máximo de surpresa.

- Eu não sei, eu não sei!

Enquanto o avô continuava a resmungar, afastei-me lentamente. Passei as mãos pelos cabelos como se aquilo pudesse me estabilizar. Claro, o avô de Rei estava exagerando sobre ela não estar mais naquele mundo, mas...

Continuei a andar pela cidade. Caminhei até a escola de Rei e, fingindo ser o auxiliar de seu avô no templo, liguei de um orelhão para lá. Ela não havia ido para a aula, mas ninguém sabia por quê. Como ela comparecera no dia anterior, imaginavam que fosse apenas algum resfriado.

Eu havia ido a alguns lugares com Rei antes, porque ela queria me mostro isto ou aquilo. Talvez, por ausência de destino, experimentei visitá-los. Um parque, um café, um local de exposições. Então, cheguei ao depósito, aonde fora no dia anterior certo de que receberia uma declaração de amor.

Não queria pensar naquilo. Havia coisas mais importantes que as tolices que Serena conseguia fazer, arrastando todos.

- Uma gata? – com surpresa, exclamei em voz alta.

Era negra com um sinal parecido com uma lua crescente e ela caminhava por ali, mexendo nos pedaços de pedra no chão. Aquela gata não era da Serena? Tinha certeza de já havê-las visto juntas... Eram sempre muito próximas e até pareciam estar conversando por vezes.

Aproximei-me:

- Está perdida? – perguntei, agachando.

Ela deu um pulo para trás e olhou ao redor. Sim, estava sozinha ali, sem quem a protegesse.

- Não se preocupe, eu conheço sua dona. Ela te esqueceu aqui ontem? – Franzi minha testa imaginando por que outro motivo a gata estaria perambulando por um lugar tão longe dos habituais de Serena.

Ela miou calmamente.

- Eu tenho que ver algumas coisas por aqui. Pode ficar paradinha até eu voltar? – Olhei duvidoso para o animal. – Não, né? – Considerei por um momento.

Serena e eu provavelmente não estávamos no melhor dos relacionamentos, muito por culpa dela mesma, mas deixar sua gata ali abandonada não funcionaria para meu caso, com certeza.

- Que tal se eu te levar comigo?

A gata me olhou, pronta para sair correndo, mas eu tive um bom reflexo e a segurei pelas patas traseiras.

- Desculpa, mas eu meio que não tenho nada para abonar qualquer falta com sua dona no momento. Você vem comigo...

Senti que ela suspirou, mas ficou calma em meu colo. Eu nunca tivera bichos de estimação, então, não sabia como segurar um gato. Ademais, sempre a vira seguindo Serena, mas tinha certeza de que a perderia assim que a soltasse. Por isso, silenciosamente, caminhei pedindo desculpas pelo meu mau jeito.

- Ao menos, você é mais dócil que a Serena, né? – disse, divertido, lembrando-me de como ela me confrontara no dia anterior, - Espero não ser acusado de sequestro.

No mesmo momento em que meus olhos avistaram algo incomum, ela começou a se debater em meus braços.

- Isto é... – Abaixei-me, com cuidado para não perder a gata.


Esperei de braços cruzados o próximo lugar onde eu poderia entender um pouco melhor que acontecera a Rei no dia anterior, enquanto Serena e eu estávamos trancados naquele depósito. Ainda faltava algum tempo até os alunos da escola saírem, então, voltei meus olhos para os pedaços de papel em minhas mãos.

Havia retornado ao templo, onde o rapaz de cabelos longos me recebera. Ele parecia um pouco mais estável, mas não tentara minha sorte. Apenas mostrara aqueles papéis e perguntara o que poderiam significar. Eram encantamentos, mas ele não pudera me dar detalhes, já que não era sua função ali. O avô de Rei não estava, havia ido resolver um problema. Com alguma insistência, ele me revelara que o mais velho fora à polícia, saber notícias da neta.

Olhei para a gata a meu lado. Ela havia se submetido a seu destino de ser devolvida e apenas ficara parada ali na frente da escola ginasial, porém, talvez tão pensativa como eu mesmo.

Era estranho. Por que os inimigos levariam Rei e não eu? Aquela pergunta não saía de minha cabeça. Eu havia me transformado bem na frente de um de seus enviados, e me ignoraram. Caso houvessem tentado qualquer coisa, não haveria muito a se fazer, seria uma vitória garantida.

Teria aquela menina alguma serventia? Talvez por ser sacerdotisa? Talvez por conseguir criar aqueles monstros? Pensar assim apenas fazia aumentar minha preocupação. E minha culpa. Eu estava bem ali e não pudera fazer nada.

A gata miou ao meu lado.

Senti um choque em minha canela que me fez a vista escurecer por um breve momento.

- Você veio me levar, então! – Era Serena, obviamente. Uma Serena muito mais nervosa que eu poderia prever.

Não era eu quem deveria estar bravo com ela depois do teatro de ontem?

- Te levar para onde? – perguntei, ainda sentindo minha canela.

- Lua! – ela gritou, apontando para a gata sentada a meu lado. Eu devia ter adivinhado esse nome... – O que fez com ela! – Serena a abraçou efusivamente.

- Nada, só a encontrei por aí.

- Não! Você também ia sequestrar minha gata! Mas ela não sabe de nada, Darien! Digo, até tentei contar pra ela antes, mas Lua não acreditou.

- Tentou contar... para a gata? Tentou contar o quê, afinal? – Levei a mão à cabeça.

- Sobre você. Eu não vou contar, deixe-a ir! – Serena apontou para mim, como se estivesse me imputando algum crime ou coisa similar. Podia até ouvir Sailor Moon gritando que me puniria em nome da lua.

- Não estou prendendo ela, realmente...

- E quanto a mim? O que pretende fazer comigo? – Seus olhos estavam ainda maiores. Quase lacrimejando. – Eu... Não pode soltar a Rei? Ela não deve saber de nada!

- Serena, não sei do que está falando.

- Não vai me surpreender! Já o vi aqui e estou pronta para outro pontapé!

- Ela assumiu algum tipo de pose de briga.

Após uma noite mal dormida, aquele era provavelmente o ponto alto de meu dia. Tive que segurar o riso, enquanto tentava compreender aquela conversa.

- Eu não estou com a Rei. Na verdade, estava no depósito investigando sobre ela e encontrei algo que talvez você possa me explicar melhor.

Serena entortou a cabeça para um lado, tal qual um cachorrinho que não compreendia alguma ordem.

Mostrei os pedaços de papel que encontrara no chão e ela pareceu ficar sem ar.

- São dela, né? – perguntei.

- Você a pegou mesmo!

- Não!

Mas ela já estava se afastando, com as mãos na boca enquanto os braços sufocavam Lua contra seu tórax. Tentei alcançá-la, mas aquilo só a fez correr, deixando sua pasta do colégio caída no meio do caminho.

Recolhi o objeto, olhando para ele. Era apenas uma pasta normal de ginasial, uma bolsa preta com o emblema de sua escola. Todavia, certamente, ela teria que voltar, todas as suas coisas deviam estar ali dentro. Aguardei por um tempo e notei que ou ela não percebera que a deixara cair ou ainda tinha na cabeça que o cara malvado da história era eu.

A esta hora, no dia anterior, eu estava caminhando até um pouco feliz por estar prestes a receber uma declaração dela. No momento, havia uma pessoa desaparecida, e Serena me odiava com alguma razão.

Continuará...

Anita


Notas da Autora:

Iiiih, as coisas não andam muito bem entre nosso amado casal... Mas eba, consegui usar bastante da Lua neste capítulo, essa é uma personagem da fase clássica que nunca consigo usar direito por um ou outro motivo. Não que no futuro eu ainda consiga usá-la muito, infelizmente.

O que têm achado? Alguém já chegou até aqui? Então, não deixem de comentar T_T Agradecimentos a Kurai Kiryu, Felipe e Miaka_ELA por comentarem a fic, espero que continuem gostando!

Até a próxima!