Jared e Jensen não me pertencem (o que é uma lástima) mas acredito que pertencem um ao outro, o que me deixa muito feliz.
Capítulo 6 – Novos amigos e uma decisão
Passaram-se dois dias desde a consulta de Jared e enquanto sua amizade com Jensen se intensificava , Eric não o procurara para conversarem. O moreno tentou por três vezes falar ao telefone com o namorado, pela manhã, quando estava no trabalho, mas suas ligações seguiam sempre para a caixa postal. Estava sentado sobre o balcão de sua cozinha, refletindo sobre os acontecimentos desde o início daquele mês, quando sentiu seu celular tocar, tirando-o de seus pensamentos. Era Jensen.
- E aí Jay? Está a fim de sair comigo e uns amigos meus? Vai ser divertido.
- Não Jen, obrigado! Não estou com disposição para sair. - Estava triste. Sentia falta do namorado.
- Não aceito não como resposta garoto! Em meia hora termino o expediente na empresa e vou para casa. Passo às 20 horas para te buscar. Esteja pronto! – E desligou, deixando Jared sorrindo com o seu jeito decidido.
Ao desligar o telefone, o loiro não pode deixar de sorrir. Sentia-se bem em falar com o garoto. Na verdade, não percebera, mas seu humor antes ácido e ríspido sempre que chegava a empresa, havia mudado para uma postura suave e gentil aos olhos daqueles que conviviam com ele. Alona, sua secretária, comentou uma vez quando o loiro sorriu para ela apenas por tê-lo cumprimentado com um bom dia. Sua governanta elogiara o brilho nos seus olhos e a expressão tranquila em seu semblante. Definitivamente, Jared fazia bem a sua vida, mesmo que ainda não compreendesse o significado dessa afirmação.
Ao ouvir o som do telefone desligando, Jaaerd sorriu com o jeito do loiro mas ficou pensativo por alguns instantes. Imaginava se teria pique para sair com ele e seus amigos. Não negava que sua nova amizade aquietava as suas tristezas e o motivava a sorrir, mas não conseguia afastar as lembranças do amante. Decepcionado e triste eram expressões que melhor definiam seu atual estado de espírito para com aquele que devotara seu corpo e seus pensamentos, seu amor... Sim amor porque acreditava no sentimento único e restrito e pensava que por Eric, pulsava em si esse sentimento. O jovem não poderia estar mais errado.
J2
Jensen chegou no horário marcado para buscar o amigo. Chegou ao apartamento e comentou sobre sua elegância. Jared vestia calça social preta, cinto e sapatos da mesma cor com camisa social azul-claro que realçava o contorno dos seus músculos. Lindo era um adjetivo que o loiro usaria par definir o outro, se fosse do tipo que elogiava homens. O moreno por sua vez expressou a sua admiração comentando o quão bonito ficara o loiro vestindo seu conjunto esporte fino em tom marinho com camisa social branca. O mais velho sentiu-se constrangido com sua espontaneidade. Criou a desculpa de que estavam atrasados e o apressou. O jovem desligou a luz e fechou o apartamento . Ambos pegaram o elevador de descida e seguiram para a garagem.
The right and the reverse, era um local agitado nas noites de Los Angeles no qual bebidas diversas e boa música animavam o ambiente despojado de preconceitos. Dividido por três cores, seus frequentadores recebiam na entrada pulseiras coloridas que os destavam em meio à multidão. A pulseira preta para os héteros, vermelha para os homossexuais e laranja para os bissexuais. As divisões aconteciam por conta de sua clientela diversa, expondo assim opções para um possível relacionamento.
Jared olhava estático para a boate. Era ampla. Tons vermelho com psicografias pretas, ilustravam as paredes. O chão em mármore escuro, emprestava elegância ao modelo rústico do teto, moldado em vidro fumê com um círculo central parcialmente aberto permitindo assim ventilação natural ao ambiente. Havia também três ar condicionados embutidos em lados diferentes das paredes, climatizando melhor o lugar. Sem dúvida um local que fazia jus ao nome.
Escolheram uma mesa próxima a pista de dança e enquanto aguardavam os outros, Jensen pediu um "cubano" e o jovem um ponche sem álcool, devido a medicação que tomava. Conversavam. O loiro notara o desânimo do amigo, então buscava distraí-lo com piadas e trocadilhos infames. Passado um tempo, ambos riam e ironizavam um ao outro em clima de brincadeira. De repente, o loiro acenou com a mão sinalizando onde estavam. Eram os amigos que ele falara e encaminhavam-se à mesa em que estavam os dois.
Chris, Steve, Jaison e Traci Dinwiddie eram os melhores amigos de Jensen. Conheciam-se há anos. Juntos saiam, conversavam e dividiam os problemas. O que acontecia a um, afetava os outros. Irmãos devotados a um sentimento de amizade compartilhado entre eles, mesmo sem o parentesco co-sanguíneo. O loiro os apresentou a Jared. Quando estendeu a mão, o jovem notou que ambos usavam pulseiras indicativas à heterossexualidade assim como o empresário, o que o constrangeu e o deixou de certa forma encabulado porque apesar de não se envergonhar de sua opção sexual, não sabia se seria bem recebido por eles. Percebendo seu constrangimento, Chris Kane falou calmamente:
- Falo por todos nós que é um prazer conhecê-lo Padalecki. O Jen nos falou sobre você. Confiamos em seu julgamento, então se ele é seu amigo, considere-se nosso também.
O moreno se sentiu mais confiante. Eles eram como Jensen: reservados, elegantes, sinceros e agradáveis.
A mesa em que estavam era a mais animada. Jared foi o centro das atenções àquela noite. Constantemente, respondia às perguntas dos outros, principalmente de Traci e Steve. Eles demonstravam mais curiosidade em saber sobre a vida do jovem e ele pacientemente falou sobre sua sexualidade, seus pais, seu trabalho, estudos e como conhecera o loiro. Jensen observava-o atento e irradiava alegria. Via-o sorrir devido às bobagens de seus companheiros e a preocupação não se fazia presente em seu semblante jovial. O garoto entrara sem constrangimento na brincadeira de Jason que fingia um romance às escondidas com Steve. Sem dúvidas o mais velho fez bem em não deixá-lo sozinho em seu apartamento.
Apesar das pulseiras que usavam, eles recusaram as cantadas que ambos receberam das pessoas daquele local. Afinal, era uma noite entre amigos. Um engraçadinho até tentou agarrar Jared para beijá-lo, quando foi ao banheiro, mas o loiro viu a cena e partiu para cima do cara, o que causou intimidação no mesmo que não mexeu mais com ele. Bebiam a terceira rodada de "cubano" com fundu de queijo para degustar, quando uma loira já conhecida por Jensen chegou sorrateiramente por trás, o abraçando pela cintura e falou sussurrando em seu ouvido:
- Acha que eu esqueci o convite que te fiz há alguns dias?
Surpresa, decepção e raiva. Não mais lembrava da existência daquela mulher. Aliás, sairam duas vezes e foi divertido, mas não pretendia reencontrá-la novamente. Disfarçando seus sentimentos, virou-se em sua direção e desfez o abraço. Tentou sorrir da maneira mais educada possível antes de falar:
- Danneel, o que você faz aqui? – Perguntou olhando-a com curiosidade.
- Eu liguei para o seu apartamento e a governanta me disse onde você estava. E você não sabe o quanto fiquei feliz, afinal foi aqui que nos conhecemos. – Falou a mulher, de uma forma melosa.
- Você já o viu. É melhor ir procurar outra pessoa para azucrinar. – Traci falou ríspida. Lembrava o quanto a loira havia se oferecido para Jensen na noite em que eles se conheceram.
- Boa noite para você também querida! Kane, Steve, jason, que bom revê-los! – Falou irônica.
Os três homens apenas acenaram a cabeça para a jovem. Não a conheciam bem. Apenas o suficiente para não irem com a cara dela. Superficialidade, falsidade e hipocrisia, essas eram algumas qualidades que enxergaram na moç, desde o momento em que o loiro deixou-a sentar à mesa com eles, há uma semana atrás.
- Jensen, por que não vamos a um lugar mais reservado para conversarmos melhor e depois sairmos?
- Hoje não dá Dan. É uma noite entre amigos e estou me divertindo muito com eles.
- A moça retirou seu olhar de Jensen e olhou um a um dos amigos dele. Então notou Jared e ao visualizar a cor de sua pulseira, falou irônica:
- garoto, você é gay! Sou uma pessoa curiosa. Diga-me como é se relacionar com outros homens?
- Melhor do que se relacionar com uma mulher qualquer. – Respondeu calmo encarando a outra.
Nesse momento, Traci levantou para ir buscar mais uma bebida. Precisava de uma para suporta tamanha superficialidade, no entanto, tomou uma atitude à moda "barraco armado" com o que ouviu da outra garota.
- Por que? Porque você gosta de ser como uma mulher qualquer para os homens? – Ao pronunciar tais palavras, Danneel não esperava a tapa que levou no rosto. Perdeu o equilíbrio e foi amparada por Jensen.
- Você está louca? – Gritou para a morena, já recomposta, fazendo a música parar e as pessoas a sua volta olharem na direção deles. Era realmente uma mulher sem compostura.
- Louca eu vou ficar se você o ofender novamente ou a qualquer um dos rapazes dessa mesa. – A morena falava com elegância e firmeza na voz.
- Eu não disse nada demais sobre ele. Apenas era uma curiosidade minha. – Fazia-se de vítima. O dom para o drama se mostrava em suas palavras vazias.
- Eu também não te bati. Acariciei o teu rosto com a minha mão. – E dizendo isso, aproximou-se novamente da loira que procurou esconderijo atrás de Jensen.
- Garotas, por favor, sem escândalos! – O homem falou preocupado, pois conhecia o temperamento da amiga quando era para defender algum deles. E com o jovem descobriu que ela não agiria diferente. A morena baixa virava uma leoa quando alguém mexia com quem amava.
- Tudo bem Jensen, por você, mas escolha ou nós ou ela. E dizendo isso seus amigos levantaram inclusive Jared e ao ver a cena, seu coração acelerou mais rápido. Não os trocaria por Danneel ou por quem fosse. Eram uma unidade composta por partes diferentes.
Antes que o loiro se pronunciasse a favor do quarteto, os acompanhantes da loira vieram à mesa para levá-la para casa. Presenciaram o ocorrido, mas não foram solidários a ela. Quando perceberam os ânimos melhorarem, chamaram-na, se retirando os três do ambiente. Genevieve Cortese e Misha Collins chegaram junto com a moça. Sabiam do seu interesse pelo herdeiro dos Ackles e juntos, ajudariam-na a conquistá-lo e o plano começaria supostamente aquela noite, mas não contavam com o ocorrido.
A música voltou a tocar e as pessoas voltaram ao entusiasmo que o The right and the Reverse causava. Jensen observou a expressão do jovem. Estava preocupado com ele. Sabia de sua força de vontade e mesmo sendo um garoto, desde cedo enfrentara dificuldades emocionais. Primeiro com a morte dos pais, depois com a descoberta do tumor e então seu namorado o havia abandonado por seu estado de saúde atual. Ele não reclamava, mas o loiro aprendeu a decifrar o que o olhar dele transmitia, mesmo o conhecendo a pouco tempo.
Kane puxou conversa e chamou o garçom para mais uma rodada de bebidas e ponche com petiscos. Sendo o mais experiente do grupo, sabia que se permanecesse o silêncio entre eles haveria apenas a alternativa de irem para casa. Não seria justo para ambos.
Às doze e quarenta e cinco da noite resolveram ir embora pois todos tinham que cumprir seus horários de trabalho no dia seguinte.
Traci levou Chris, Steve e Jason para casa, enquanto Jensen levou o moreno para o seu apartamento. Ele resolveu respeitar o silêncio do amigo, durante o percurso. Imaginava o que se passava com ele. Sentimentos conflitantes de carinho e tristeza habitavam os olhos daquele que lhe despertara cuidados, desde aquela segunda-feira em que o amparou em seus braços. Esperava que a idiotice daquela garota fútil, não fosse levada a sério. Queria certificasse que sua integridade moral não fora danificada, mas temia trazer à tona as lembranças do escárnio sem sentido de uma mulher que ele se arrependeu de ter conhecido. Foi com esses pensamentos que o loiro chegou ao apartamento do outro e o deixou no portão de entrada. Observou-o atravessar o vasto jardim do condomínio, sob seu olhar preocupado.
Jared não pronunciou uma só palavra com o amigo durante o trajeto para casa. Não estava com raiva dele. Não poderia. Não fora o culpado por aquela mulher deselegante o confrontar sobre sua opção sexual porque desde que assumiu sua homossexualidade ainda na adolescência, após seu namoro com Caio, recebeu incondicionalmente o apoio de seus pais e para ele isso era o que bastava. O que o chateou foi o fato de alguém como Jensen, envolver-se com uma mulher tão frívola como aquela. Como se não bastasse a angústia que sentia pelo abandono recente, ela se mostrou disposta a conquistar o loiro e isso o incomodou muito. Temia isso. Não sabia dizer o quão importante era a amizade do empresário à sua vida. Preferiu encostasse ao banco do carro e refletir sobre seus pensamentos. Acreditava que sua carência afetiva mostrava os primeiros resquícios de uma possível depressão. Mas o que o jovem não sabia, era que ele não poderia estar mais enganado.
O apartamento iluminado apenas pela luz do abajur e o silêncio daquela sala de estar, incomodava sua personalidade doce e gentil. Jared adentrou o cômodo a passos lentos e encaminhou-se à janela fechada. Ao abri-la, sentiu o frio da madrugada acariciar sua pele lhe trazendo sensação de conforto e bem estar. Olhou as horas no pequeno relógio em formato de lua, sobre a mesa de centro. Eram uma e vinte da manhã e mesmo com o avanço da madrugada, o sono não se fazia presente, apesar do seu corpo cansado. Olhou para o céu. Observava as estrelas adornadas pelo brilho reluzente da lua nova. Lembrou-se de tempos em que a essa hora, estaria envolvido em braços fortes, sendo amado e desejado com intensidade mútua. Afugentou tais pensamentos. Estaria se tornando um nostálgico? Decididamente não optaria por sentir-se assim. Além disso, não permitiria que a noite com Jensen e seus queridos amigos, perdesse parcialmente o brilho por pensar na pessoa errada. Decidido, pegou o celular e discou o número conhecido, seria essa sua última tentativa antes da desistência.
Viu seu celular vibrar sobre a mesa de vidro. Olhou o visor e constatou o que temia. Jared. Surpreso, Eric oscilava se deveria ou não atender a ligação do outro. Precisavam conversar. Durante o dia, o jovem tentou por três vezes se comunicar com ele, mas havia programado o celular para que o número do moreno ou de qualquer um de seus amigos, fosse diretamente encaminhado para a caixa postal. E mais uma vez ele buscava sua atenção aquela hora da manhã. Largou os documentos que lia sobre a mesa e diferente das outras vezes, deixou o celular tocar até o outro desistir da tentativa. Sendo que desta vez, Eric ouviu apenas uma vez a insistência do aparelho, então concluiu para si que o jovem havia desistido por aquela noite.
Jared sabia que o namorado estava acordado a essa hora. Com o celular em mãos, aguardava ansioso que ele atendesse porque diferente de antes, a ligação chamava, mas sua tentativa fora inútil porque ele não atendeu. Acreditou em uma falsa esperança silenciosamente prometida por aquele simples barulho ecoando em seu celular, em mais uma tentativa frustrada. Pousou o aparelho sobre a mesa de centro e olhou mais uma vez para a beleza do céu, daquela madrugada de sexta-feira. O relógio marcava uma e cinqüenta da manhã, o calendário lembrava a sexta-feira do mês de agosto, seu mês preferido e a partir daquele dia, reescreveria o rumo de sua vida e nela não mais existiria alguém chamado Eric.
Respondendo aos rewies.
Malukita - Com certeza o Eric não merece o nosso Jay e realamente ele é uma pessoa que já sofreu um pouco na vida, mas o sofrimento um dia passa, concorda? E você tem razão, ele e o Jen são fofos juntos. Beijos.
Casamy - I was very happy to receive your rewie. Did you know that you are the second foreigner who reads my story? Thank you for you participaton. Kisses.
1- Pessoal, o próximo capítulo de Sweet August vai demorar um pouco porque vou viajar nesta quinta. Feliz Ano Novo.
2- Fico tão triste quando olho as estatísticas e vejo que muitos acompanham a minha história e poucos mandam rewies. Não custa nada. è só clicar no balãozinho e mesmo que você seja um leitor anônimo, eu terei o maior prazer em ler e responder o seu rewie no próximo capítulo. Então pense nisso, ok?
3- Próximo ao fim do mês, vou postar uma nova fic paralela a Sweet August, ela se chama "Almas Acorrentadas". Espero que gostem.
