"Bom, querida, agora que Kikyou se foi, você poderá usar o seu antigo quarto. Não precisa mais usar o quarto de Inuyasha." Kagome não sabia se era mesmo isso, mas teve a impressão de que Lady Inu, mãe de Inuyasha, estava decepcionada com este fato, julgando pelo tom desanimado dela.
Kagome se encolheu. "O que houve com ela?"
Lady Inu imitou Kagome, odiando dar-lhe a notícia. "Degolada."
O estômago de Kagome deu voltas ao imaginar a cena. "Um... Muito obrigada, Lady Inu. Boa noite." Kagome fez uma leve reverência, tentando pelo menos parecer refinada, mas Izayoi a impediu de continuar.
"Oh, minha querida..." Izayoi a olhou compadecida, sabendo que ela não queria estar ali. "Não precisa usar dessas formalidades com quem não gosta.", sorriu, deixando Kagome sem-graça. "Está tudo bem." Kagome ia dizer que não era nada daquilo, mas Izayoi lhe fez reverência e se virou indo embora. "Boa noite"
Kagome ficou parada no corredor, olhando para onde Lady Inu desapareceu no final do corredor. Suspirou e entrou no quarto e fechou a porta, contemplando seu novo quarto durante sabe-Deus-quanto-tempo. Até que era agradável, apenas um pouco mais sombrio que o normal.
'Nada que umas cortinas vermelhas e algumas velas que não resolvam e deixem um ambiente mais provocante'
Ela estacou. "Eu pensei isso?" Já havia um tempo que ela notara que seu gosto e personalidade haviam mudado um pouco. Estava com uma ligeira vontade de chamar apenas um pouco de atenção e uma pequeníssima preocupação em ficar bonita, e só um pouquíssimo sexy... Bah! Deviam ser os hormônios. Ela tinha dezoito anos, afinal, e só beijara uma vez na vida, e mesmo assim, um beijo técnico. Era normal que seu corpo provocasse em si certa preocupação em parecer sexy.
Estranhamente, a palavra sexy a fez se lembrar de Inuyasha – de acordo com Layd Inu, esse era o nome dele. Não que não o odiasse mais, odiava sim, mas isso não quer dizer que o achava feio. Na verdade, o achava muito lindo. Era difícil que ela conseguisse em algum momento vê-lo como um pretendente, mas sempre que obtinha – mesmo que sem querer –, um contato mais profundo como o do jardim, podia claramente enxergá-lo com um odiado amante. Toda a silhueta de Inuyasha, cada centímetro do corpo dele soava como um perfeito convite para o pecado, porque para ela seu corpo era moldado de forma que jamais haveria outro igual, era único. Unicamente único. E não era imaginação, ela conhecia o corpo dele, afinal, quando o conhecera ele estava fantasiado de Tarzan dilacerado. E também porque ele odiava camisas, já que ele nunca usava nenhuma.
E Kagome sabia que jamais poderia revelar tudo que aquele corpo a inspirava só de olhar, até porque ela sabia que ele usaria disso contra ela. Porém, por saber disso, ela já estava preparada. Não seria um beijo arrebatador que a faria se render a ele. Muito menos aqueles em que ele poderia em um momento estar gritando com ela e, no outro, a prensando na parede enquanto a beijava fervorosamente... Uma mão estaria passeando em suas coxas a levantando até o quadril e a outra estaria segurando seus pulsos fortemente contra a parede, com medo de que ela o rejeitasse.
Kagome sentou na penteadeira e começou a escovar os cabelos. Ela adoraria também escovar os cabelos prateados dele, pareciam bem embaraçados deixando-os cheios. Se ela desembaraçasse, eles cairiam como cascata ao vento e ela adoraria ver isso. Kagome o odiava, mas odiava a si mesma também por estar pensando em coisas desse tipo com ele, mas não podia negar que uma situação como essa não seria ruim...
Ela estaria no banho (usando biquíni, claro, enquanto estivesse ali, não tomaria banho nua) e ele arrombaria a porta, vestindo apenas uma calça larga preta, entraria na banheira, olhando-a com uma cara dengosa e preguiçosa e acabaria com a distância entre eles, beijando-a calmamente enquanto estudava toda a extensão de suas costas com as mãos. Aprofundando o beijo, ele pararia seu estudo no fecho de seu biquíni, o puxaria bem devagar enquanto a outra mão afundava na água até a sua–
Kagome balançou a cabeça desesperadamente, horrorizada por ter pensado em tudo aquilo e no fato de seus pêlos estarem todos arrepiados. Ela suspirou irritada, batendo com a escova na penteadeira. Era nisso que dava deixar sua mente vagar livre, sem nenhum limite.
Kagome levantou-se e, tentando achar a sua cama, olhou o quarto cuidadosamente na escuridão. Concentrou-se em não esbarrar em nada até achar a cama, já que naquela escuridão não enxergaria nem Jeremy Sumpter só de samba-canção à um palmo a sua frente.
Hesitantemente, ela deitou-se e puxou as cobertas por sobre o corpo, relaxando devagar. Suspirou e respirou fundo... sentindo o cheiro de Inuyasha. Parecia rodeá-la, fazendo-a até pensar que estava no quarto dele... Ela freqüentemente notava que ele cheirava MUITO bem, quando chegava perto o bastante dele, e nas vezes que batia contra ele. Meio que cheirava algo entre baunilha... e... floresta?
Bem, se você pegasse essência de baunilha e derramasse em um troco de árvore no meio da floresta, em um dia de chuva, você teria o cheiro dele.
Na cama o cheiro era mais concentrado... e estranhamente ela sentiu-se segura onde estava. Apesar do susto de antes, achou fácil adormecer novamente... quase como se ele a estivesse abraçando.
oOoOoOoOoOoOo
Kagome acordou quando sentiu algo molhado e ensopado contra a bochecha. Virou a cabeça ligeiramente e viu-se cara a cara com um grande cão preto. Ela o encarou por um momento antes que o cachorro repentinamente começasse a lamber todo o rosto dela com sua enorme e MOLHADA língua.
"Aw – yuck!" Kagome sentou-se ereta e limpou o rosto. "Bafo de cachorro… ew…"
Aquilo pareceu ferir os sentimentos do cão, e ele foi embora. Estava tentando se limpar daquela meleca canina quando bateram na sua porta. Kagome se levantou e a abriu e quando ia gritar a mão de Sango voou para sua boca e ela implorou por silêncio. Entrou e trancou a porta, liberando Kagome.
"Kagome, não podem saber que estou aqui, faça silêncio."
"Sango, eles te seqüestraram também?" Kagome estava feliz por ver um rosto amigo, mas ainda sim triste em pensar que ela tenha sido seqüestrada também.
"Não, não, eu trabalho aqui."
"O QUÊ?" Kagome exclamou em um sussurro alto. "Sango como pôde? – O que você faz?"
"Quando precisam de mim, eu luto para eles. – Sou uma exterminadora de vampiros inimigos."
"Como soube que eu estava aqui?"
"Vi o Inuyasha te carregando quando foi envenenada por Kikyou. – Pensei em me aproximar e falar com você, mas achei melhor esperar você acordar."
Kagome ficou confusa com uma coisa. "Mas, eles não vão lutar – Só vamos procurar a shikon."
"Tá brincando?" Sango se aproximou e sibilou baixinho. "Kagome, quando a encontrarmos nós não iremos estar sozinhos – Todos os Vampiros do mundo estarão lá, quando encontrarmos." Kagome sentiu seu estômago afundar de medo. "Isso se nós a acharmos primeiro." Sango completou.
De repente, Kagome não se sentia mais tão bem com a idéia de procurar a shikon com Inuyasha. Ela sabia que teria perigos e que poderia sair MUITO machucada na procura da shikon, mas Inuyasha não a tinha dito que poderia MORRER na procura da shikon.
Kagome abraçou Sango euforicamente, como se tivesse percebido só agora que era Sango que estava na sua frente. "Ainda bem que está aqui." Ela choramingou.
"Calma, Kagome, calma." Ela deu tapinhas nas costas de Kagome.
Isso a fez lembrar. "Não, não me chame de Kagome. – Me chame sempre de Kamitsu (Lê-se: Kâmítsu), eles não sabem meu nome, nem quero que saibam."
"Ok... eu acho."
"Que bom que você está aqui, me senti tão sozinha." Ela choramingou de novo.
"Ué, Inuyasha não te fez companhia?"
Kagome a encarou.
"Oh, sei que ele não é uma das melhores, mas isso é porque ele ainda não se acostumou com você, espere ele parar de te estranhar." Ela se aproximou e sussurrou baixinho com um sorriso esperto no rosto. "Um conselho: comece aos poucos o tratando como se ele fosse o seu Akita Inu (é uma raça de cachorro) de estimação, e nunca se intimide com nenhuma de suas ameaças, ele nunca fará nada, é assim que eu faço. – E se ele te pediu ajudar para achar a shikon, ele realmente deve estar desesperado, porque ele NUNCA pede ajuda, então, acho que ele não irá te matar. – É o que eu faço."
"Pode ser, mas ele é tão insuportável. – O odeio tanto quanto odeio largatixas."
"É bastante, então" Sango se encolheu.
Ela bufou. "Não faz idéia."
"Quer matá-lo?" Sango perguntou abruptamente.
Kagome olhou de raspão para a amiga, mas não respondeu, confirmando as suspeitas de Sango. Se Kagome quisesse mesmo matar Inuyasha, isso não ia ser nada bom. Kagome não era humana, sabia que ela era uma sacerdotisa desde que podia identificar uma. Por isso, já tinha detectado vários sacerdotes, monges e sacerdotisas, mas Kagome era diferente de alguma forma. Já tinha conversado com vários seres desse tipo e nunca se sentiu do mesmo jeito que se sentia quando estava com Kagome. Como eram amigas, Sango ficava calma e em paz em uma atmosfera super leve... mas quando falaram de Inuyasha, a atmosfera pesou e Sango sentiu todos os seus pêlos se eriçarem, enviando um terrível arrepio por sua espinha.
E era por isso que Sango deveria cuidar para que Inuyasha não chateasse Kagome. Pois, sabia que se Kagome quisesse matá-lo... ela poderia não falhar ao fazê-lo.
Quando Sango ia abrir a boca para reforçar a pergunta, a porta se abriu e de lá surgiu a cabeça de Inuyasha e depois surgiu a cabeça de alguém que ela não conhecia. Ela viu Inuyasha apontar para ela e dizer "E é com aquela garota que você não deve se meter." Ambos tiveram ataques de risos e saíram.
Kagome bufou e Sango deu-se um tapa mentalmente pela escrotice de Inuyasha, porém, mais pela burrice. Ele não sabia no que estava se metendo.
Um clique na cabeça de Sango estalou e ela praguejou. "Oh, não, ele me viu."
oOoOoOoOoOoOo
Kagome saiu do banho e estacou. Vendo o quarto deste ângulo, ele estava uma tremenda bagunça, como se Souta tivesse passado a noite ali. E isso significa que o quarto está absurdo. Roupas espalhadas pelo chão, gavetas abertas e cuspindo roupas e meias e cuecas para fora, cama desarrumada, cortinhas mal postas...
Kagome estalou a língua abanando a cabeça e começou a catar as roupas e as cuecas samba-canção do chão e guardou-as nas gavetas bagunçadas, aproveitando para arrumar aquelas que transbordavam meias e mais samba-canção. Arrumou bem a cama e abriu as janelas e cortinas, ajeitando-as e deixando a brisa fresca entrar. Sorriu satisfeita com seu trabalho e saiu para devolver o shampoo de Sango.
oOoOoOoOoOoOo
Ele chegou ao quarto cuidadosamente, e abriu a porta vagarosamente para ter certeza que Kagome estava acordada e em outro lugar. Ela não estava. Com um suspiro de alívio ele entrou no seu quarto, meio sentindo que seu quarto já não lhe pertencia mais. Kagome havia passado as últimas noites no aposento... Inuyasha a vinha evitando. A única hora em que ele passava em seu quarto era para pegar roupas.
Tinha a sensação de que estava apenas praticando para um casamento…
E como sempre, a cama estava arrumada, o chão estava limpo e as janelas estavam ligeiramente abertas, deixando a gentil brisa do mar entrar. Inuyasha correu e fechou as janelas, irritado por ela estar tomando liberdades no seu quarto. Abriu suas gavetas e espalhou as roupas de novo no chão (não importava se elas estavam limpas) e bagunçou a cama.
Isso... era bem melhor assim...
Mas ao mexer nas cobertas captou um sopro do odor de Kagome e fez uma pausa, respirando fundo. Ele inclinou-se com as sobrancelhas cerradas, sentindo mais do cheiro. A cama inteira agora cheirava a Kagome... quase cobrindo o seu próprio cheiro. Ela tinha um cheiro bom... como lavanda... era bom ter sua cama cheirando a lavanda...
Kagome escolheu àquela hora para entrar e paralisou-se quando viu Inuyasha com o rosto pressionado contra o colchão. "Um... oi?"
Ele endireitou-se rápido e olhou para ela.
"O que você...?"
"Nada!" ele estourou. "Eu freqüentemente cheiro meu colchão. O que você tem com isso?"
"Nada... é que..." a frase foi morrendo, quando Inuyasha passou por ela e saiu do aposento, deixando-a sozinha. Ela ficou parada, um pouco estupidificada para se mexer, antes de notar que o quarto estava uma bagunça de novo. "Eu saí só cinco minutos!"
Com um rosnado irritado ela mexeu-se ao redor do quarto, pegando as roupas e guardando-as de novo. Ela arrumou a cama e abriu as janelas... mas parou quando viu a cena abaixo. Do seu vantajoso ponto de vista, podia ver Inuyasha saindo do palácio pelas escadas, através dos portões e dirigindo-se para o lago.
"Vai se afogar?" Kagome perguntou, não que ele fosse ouvi-la.
Ele andou ao redor do lago antes de cair sob a sombra de um velho salgueiro chorão que havia na borda do lago. Encostou-se contra o tronco e ficou ali.
Kagome o observou por um tempo antes de erguer o polegar e o indicador e fingir esmagá-lo entre os dedos. Ele parecia uma formiga dali.
Uma pequena e infeliz formiga...
oOoOoOoOoOoOo
"O que o atormenta?"
"Você."
"Falo sério."
"Eu também."
Kagome rilhou os dentes se segurando para não esmagá-lo. Ele estava testando sua paciência. Ela suspirou e colou um pequeno sorriso agradável no rosto, por mais falso que isto fosse. "Uma moeda pelos seus pensamentos." Kagome pediu.
Inuyasha esticou a mão. "Moeda primeiro, então converso."
"Hum..." Kagome tateou os bolsos do vestido. "Fiquei sem dinheiro ultimamente... sabe como é... seqüestrada, esfaqueada... devem ter levado as minhas. – Prometo que as dou depois."
Inuyasha suspirou. "Caloteira." Ele pausou e então continuou. "Um sonho que tive noite passada." Kagome esperou, segurando sua ansiedade, até que ele continuasse. "Sabe a mulher do quadro? – Eu não a conheço pessoalmente, só a vejo nos meus sonhos, mas nunca vi seu rosto, era embaçado até abaixo dos ombros, mas aposto que é bastante bonita."
"Por isso ela tem um leque na frente do rosto no quadro?" Ela perguntou.
"Posso continuar?" Ele ralhou.
"Desculpe."
Ele suspirou e seu olhar ficou frio e distante. "Eu sonho com ela desde muito tempo – cento e treze dias, pelas minhas contas."
"Desde o início do ano, então..."
Ele apenas rosnou.
"Desculpe de novo." Não era culpa dela ela estar nervosa.
"Sim, desde o início do ano. – É bem seguro dizer que ela é a única mulher que eu confio totalmente."
"Mas e sua mãe?"
"Confio nela também, mas não para escolher minhas roupas nem para escovar meus cabelos, o que significa que não confio nela para tudo." Ele deu de ombros. Kagome não achou aquela resposta muito válida, mas não arriscou falar de novo, apenas esperou ele continuar. "Mas... ela sumiu nesse sonho, apesar de ter dito para mim que nunca iria me deixar sozinho..."
"Como foi que aconteceu?"
Ele engoliu um pequeno bolo na garganta e olhou perdido para o chão, esquecido do fato que estava demonstrando sentimentos na frente de uma total estranha. "Como sempre, eu estava numa imensidão de preto e ela na imensidão branca." Kagome teve a estranha sensação de déjà vu, mas não sabia de onde, então apenas ignorou. "Ela chegou perto de mim e me abraçou e eu correspondi na hora, mas... Em quase todos os sonhos, ela era triste e cheia de vontade de me encontrar, e neste, ela estava extremamente feliz e radiante. – Eu me senti meio rejeitado nesta hora, porque eu estava muito infeliz porque nunca a encontrava, não importava aonde eu procurasse, eu não a achava, e do nada, ela aparece feliz?"
Kagome sabia que ele não estava mais falando com ela, apenas desabafando sozinho, então, para fazer sua presença reconhecida, ela disse. "Talvez ela tenha encontrado você?"
Ele balançou a cabeça, meio que descartando a idéia. "Ela disse que quando nos encontrássemos, eu seria capaz de ver o rosto dela."
"Complicado... continue."
Inuyasha suspirou. "Eu a estava abraçando forte, tão forte que eu achei que estava machucando ela, mas era um sonho afinal... mas, do nada, meus braços não estavam apertando mais nada... ela tinha evaporado, literalmente... no que parecia uma poeira dourada e brilhante, que voou e voou pra bem longe de mim, na direção do lado branco daquela imensidão, que ficou negra também depois que ela sumiu..." Ele podia sentir um rosnado subindo pela garganta, mas o reprimiu. "Aquilo me deixou arrasado, eu realmente achei que aquilo nunca iria se acabar... mas aí, apareceu um ponto branco lá longe no horizonte – se é que aquilo tem horizonte–, e cheguei a pensar que era o meu sonho acabando ou algo do tipo, mas... à medida que aquilo se aproximava, dava para perceber que era uma mulher, mas esta tinha um rosto e era absurdamente parecida com ela, a única diferença é que tinha um rosto, então não podia ser ela..."
"E quem era, então?" Kagome perguntou.
Inuyasha ficou rígido e evitou responder. "Como esta mulher apareceu logo depois dela evaporar, suponho que seja culpa dela..."
Não percebendo que ele tinha deliberadamente desviado da pergunta, ela repetiu. "Culpa de quem?"
Inuyasha mordeu a língua impaciente, pois a resposta estava bem na ponta. 'Sua.' "Eu não sei o nome dela, só a conheço de vista." Uma mentira absurda, mas era por uma boa causa.
Kagome ponderou aquilo. "Então, se não sabe o nome dela, como pode dizer que ela não é quem você procura? – Ela não disse que teria um rosto quando se encontrassem?"
"Eu só sei, ta legal?" Ele estourou. "Não senti a mesma coisa que sentia com Kagome!"
O coração de Kagome quase parou quando ouviu a simples, porém, muito inesperada palavra. Ela? Ela era a mulher que Inuyasha procurava...? Impossível, devia ser outra Kagome, afinal, com certeza existia muitas outras Kagomes além dela!
Mas, claro... Nenhuma que se parecesse tanto com a do quadro quanto ela.
Ela engoliu em seco. "E... quem era a mulher que apareceu depois?" Ela sabia que ele estava mentindo quando disse que não sabia o nome da nova mulher, tinha percebido isso. E se ele dissesse o que ela temia que ele dissesse, suas suspeitas de que era ela se tornariam certezas absolutas.
Inuyasha a olhou, mas achou bem estranho ela saber que ele tinha mentido. Será que ela podia sentir cheiros também? De qualquer forma, ele se conscientizou que não conseguiria esconder nada dela. "Isso vai custar mais uma moeda, você sabe."
"Não importa." Kagome respondeu rapidamente... talvez rápido demais.
Ele finalmente a olhou inexpressivo, mas tinha o cenho franzido. "Era você."
Kagome já suspeitava disso, mas mesmo assim aquilo a atingiu como um forte empurrão.
Como era possível? Sonhar com uma pessoa que você não conhece não acontece com pessoas normais... mas também, Inuyasha não era um exemplo de normalidade, afinal. Kagome não precisava ser um gênio para desvendar tudo aquilo. A Kagome do sonho tinha dito que ela teria um rosto quando ela e Inuyasha se encontrassem e bem, por mais estranho que seja assumir isso... ela o encontrou, e a Kagome do sonho havia ganhado um rosto. Tudo se encaixava perfeitamente e fazia bastante sentido.
Exceto por ela saber que NUNCA diria a Inuyasha que não o abandonaria; NUNCA deixaria ele abraçá-la – ele era um vampiro e, de acordo com os filmes, quando vampiros abraçam donzelas, não é por afeto; NUNCA o amaria, como parecia ser o caso... enfim... muitas coisas que a Kagome do sonho faz, esta Kagome real NUNCA faria.
"Um... bem... estou sem palavras." Honestidade era tudo nestas horas.
"Eu não te culpo." Ele voltou a encarar o colo. "Eu também fiquei na hora." Do nada, Inuyasha pulou quando tomou consciência de algo terrivelmente assustador. "Não acredito que disse tudo isso a você." Ele a olhou pasmo.
"Talvez você se sinta confortável comigo?" Ela era Kagome, afinal, não é? – A mulher em que ele confia totalmente.
"Besteira."
"Te devo duas moedas, então?" Ela brincou, só para cobrir o nervosismo de saber que Inuyasha a conhecia mais do que ela gostaria que conhecesse. Aquilo era bem enervante.
Subitamente, uma idéia – meio doida, mas ainda assim, uma boa idéia –, passou pela sua cabeça, que o fez sorrir largamente. "Sabe... estive pensando."
"Uma ocupação perigosa."
"Eu sei." Ele levou a provocação na esportiva. Aquela Kamitsu não parecia ser má companhia. "Sabe, existe uma coisa bem melhor que moedas." O sorriso dele se largou mais, quase rachando a cara em duas.
"O quê?" Ela piscou aturdida pela rápida mudança de humor.
"Surpresa. – Me encontre aqui na árvore assim que o sol se pôr. – E esteja elegante." Inuyasha emendou rapidamente ao ver que ela estava com aquela yukata de novo, parando de sorrir. Pelo menos estava limpa.
"Por quê?"
Inuyasha não respondeu. Apenas sorriu como segundos atrás e desapareceu em fumaça.
Kagome tossiu e abanou as mãos para espantar a fumaça. Ela não sabia por que... mas não se sentia mais tão inclinada a matá-lo. Ela sentia que ele voltara a ser o estúpido hanyou todo rasgado que ela conhecera. E isso a fazia bem.
Kagome não se sentia mais uma refém.
