Eu sabia que Sesshoumaru estava fazendo algo importante pela forma como a mesa estava bagunçada. Havia milhares de folhas, todas lotadas com números; uma dezena de livros abertos; canetas e lápis espalhados. Se isso não fosse o suficiente, ainda havia aquela expressão séria no rosto dele. Havia até mesmo um quê de desespero, de quem sabia que estava muito perto de uma resposta, mas não era capaz de encontrá-la.
Eu estava sentada na cama, analisando um dos três processos que haviam me entregado naquele dia. Vez ou outra eu erguia os olhos para ele, e o encontrava no mesmo ritmo frenético de antes. Eu realmente temia que ele fosse ter uma convulsão a qualquer momento.
Sorri de forma condescendente. Toda essa garra era realmente admirável. Sesshoumaru era alguém que dava tudo de si mesmo se queria algo.
Quando terminei de analisar os processos e fazer anotações sobre o que deveria ser feito, já era quase uma da manhã. Levantei-me da cama e me espreguicei.
Sesshoumaru nem notou quando eu saí do quarto. Meia hora depois eu volte i com duas canecas de chocolate quente.
Eu não era a melhor cozinheira do mundo, mas sabia fazer um ótimo chocolate (até por que era só colocar todos os ingredientes no liquidificador). Coloquei a caneca na mesa e ele ergueu os olhos para mim.
– Vai com mais calma, campeão. – Eu sorri para ele, tentando passar uma energia mais tranquila do que aquela em que ele se encontrava – Às vezes, quando você procura algo sem encontrar de forma alguma, é por que isso está no lugar mais óbvio. – Ele franziu o cenho, confuso. – E vê se bebe o chocolate. Você sabe que eu corri um grande risco de vida para fazê-lo.
Sentei-me na cama, observando-o voltar ao trabalho. Vez ou outra ele bebericava o chocolate, ação que fazia com que eu sorrisse, satisfeita. Respirei fundo, provando a minha bebida. Desde que me toquei de que estava apaixonada por Sesshoumaru, eu tenho me pegado pensando nas implicações disso tudo.
Primeiramente, eu nunca havia me apaixonado por ninguém antes... Então, havia o desespero de saber que aquilo era algo inusitado e que provavelmente não vingaria, uma vez que Sesshoumaru era um bastardo desgraçado incapaz de sentir amor por alguma coisa além de uma calculadora.
Em segundo lugar, eu me sentia uma completa estúpida. Apaixonar-me por Sesshoumaru? Por que o meu cérebro de lesma não impediu algo como isso? Que eu soubesse, eu não inclinações masoquistas fortes o suficiente para que isso ficasse explicado. Do que adiantava estar caída de amores por um homem que provavelmente não sentia nada por mim?
E essa, aliás, é a terceira questão desesperadora. Desde o começo, Sesshoumaru me odiou por achar que eu era uma estúpida. Se em algum momento naquelas três semanas ele começou a sentir afeição por mim, isso havia sido soterrado pelo fato de eu tê-lo enganado. Conclusão: ele pode até não me odiar, mas gostar de mim era algo difícil.
Gemi baixinho e coloquei a xícara de lado no criado-mudo. Teria sido tão mais fácil se eu tivesse me apaixonado por qualquer outra pessoa. Até mesmo me apaixonar por Jakotsu, que era gay, seria mais simples.
Entrei embaixo do cobertor e me encolhi. Como nas últimas duas noites, eu simplesmente deitava na cama e dormia com o som dele rabiscando coisas no Death Note (que era como eu chamava intimamente o caderno encapado em couro preto onde ele fazia as anotações). Eu acordava quando ele se deitava na cama, depois ficava olhando para o teto até que ele estivesse dormindo e eu pudesse me aconchegar ao lado dele.
Como ele sempre acordava antes de mim, o assunto "Por quê diabos nós sempre nos abraçamos durante a porra da noite?!" nunca foi abordado. Ele fingia que não sabia nada e eu mantinha a minha expressão mais inocente.
Nesta noite em questão eu adormeci rapidamente e tive mais um daqueles sonhos puta realista (culpa da minha memória desgraçada) onde coisas bizarras aconteciam e eu sempre me perguntava se estava sonhando (e sempre estava). O sonho estranho da vez foi um lobo prateado deitar ao meu lado, na relva cor-de-rosa, e colocar uma das patas gigantescas em volta da minha cintura enquanto sussurrava, carinhoso: "Obrigado. O algoritmo que faltava estava realmente bem embaixo do meu nariz."
Será que estou sonhando?
._.
Ao acordar pela manhã, ouvi o som do chuveiro vindo do banheiro e imediatamente soube onde Sesshoumaru estava. Devagar, sentei-me na cama e joguei o cabelo castanho para trás. Depois sorri para o travesseiro amarrotado ao meu lado.
Rin, minha amiga psicóloga, provavelmente entraria em parafuso quando eu contasse para ela tudo o que acontecera naquelas semanas. Até posso ouvi-la dizendo "Imagino que trauma você irá desenvolver por causa disso. Coitada de você, Ka-chan". Já Jakotsu diria "Ai, meu amor, como deve ser difícil ser uma garota virgem nessas horas. No seu lugar, eu já teria feito loucuras com o gostoso". Nisso, o Bankotsu, que é irmão de Jakotsu, exclamaria um "Ah, calem a boca os dois. Nem quero saber o que ela fez nem o que você pretenderia. Me poupem da imagem mental, está bem?"
Nota mental: preciso arranjar amigos normais o mais rápido possível. Afinal, a amiga mais normal (a.k.a. Sangô) que eu tinha era casada com o pervertido do meu sócio e havia me metido nessa bagunça demoníaca.
Suspirei e olhei para a mesa, esperando ver a costumeira bagunça intelectual a qual Sesshoumaru imaginava ser adequada. Mas o que encontrei foram pilhas organizadas de livros e folhas, lápis e canetas enfileiradas, e o Death Note fechado, bem posicionado no centro da mesa.
Isso era completamente estranho. A menos que... Sesshoumaru tivesse terminado os estudos! Será que durante aquele frenesi em que se encontrava ontem à noite o cientista maluco albino havia encontrado a resposta que procurava?
Corri para a mesa e abri o caderno de anotações, onde, logo na primeira página havia um texto confuso (ao menos para mim, que sou completamente leiga) explanando sobre algo que Sesshoumaru chamou de cromodinâmica quântica. Passei folha por folha, maravilhada com a letra inclinada dele, com as notas de rodapé enfiadas nas margens e os milhares de cálculos bem detalhados. Como o maldito era organizado!
Após quarenta e duas páginas de anotações, ele iniciava um cálculo complexo que se estendeu por dezessete páginas! Eu simplesmente não entendia como a desgraçada de uma única equação poderia se estender tanto, o que me fez perguntar que tipo de monstro poderia ser Sesshoumaru.
Então, no final do cálculo, havia uma linha de números e letras (que eu imaginava ser a versão final da equação). Sesshoumaru havia rabiscado um retângulo em volta dessa linha e eu soube que ele havia encontrado a resposta.
Fiquei sorrindo para a página, feliz por ele ter encontrado o que procurava. Foi quando ouvi o chuveiro ser fechado e coloquei o caderno exatamente onde ele estava antes.
Voltei para a cama e fingi que estava dormindo.
Ela é tão linda,
Eu sou tão bobo.
Ela é certinha,
Eu sou um sapo.
Mas, olha só,
Quem é que diria,
O mundo dá voltas.
Ela é gostosa,
Mas eu sou um geek.
THE BEAUTY AND THE GEEK JAPÃO
Episódio 5 – A Bela e o Gênio
A plateia aplaudiu quando um dos grandes telões se abriu e Bankotsu surgiu, muito bonito em uma calça jeans azulada e blusa social preta para fora da calça.
O telão voltou a se fechar, mostrando a logo "The Beauty and The Geek Japão".
– Bem-vindos à final ao vivo do The Beauty and The Geek – Japão. Eu sou Shinji Bankotsu, velho narrador dessa história, e hoje vou ver, assim como vocês, qual das últimas duas duplas vai ganhar cinquenta milhões de ienes!
._.
– Não consigo respirar dentro dessa porcaria. – reclamei, enquanto esperava Bankotsu chamar Sesshoumaru e eu para entrarmos. Enquanto isso, tentava arranjar um jeito de folgar aquela armadilha em forma de vestido que haviam metido em mim. Se não bastasse, haviam maquiado meu rosto e feito um penteado muito bonito no meu cabelo. Eu me achei parecida com um travesti, de tão artificial, mas todo mundo arfou quando me viu e afirmou que eu estava linda!. Eu declarei que iria desfazer o penteado e o cabelereiro me ameaçou com uma tesoura. Pedi ajuda para a estilista e ela apenas riu, sem sentir pena da minha pobre alma.
Só havia sádico na porra desse programa.
Quando segui para onde estava Sesshoumaru, percebiu que ele franziu o cenho e inclinou a cabeça, analisando-me. Perguntei o que achava e ele apenas disse que eu parecia uma modelo. Tradução: você parece afetada e metida.
Eu sabia que estava assim, mas os desgraçados que me vestiram não concordaram. Apenas resmunguei um "não tenho culpa".
Olhei para ele, estranhando o fato de ele estar vestido como de costume, com calça jeans e uma blusa preta lisa, de mangas longas (embora ainda parecesse sexy como um demônio). Provavelmente Seshoumaru apenas olhara feio para o estilista e pronto, havia se livrado do figurino bem-elaborado que lhe esperava.
Maldição, queria ter esse poder de meter medo até nos ossos das pessoas.
– Cadê os óculos? – perguntei para ele, sorrindo sarcasticamente.
– Para quê continuar usando? Todo mundo já sabe como é meu rosto. – ele reclamou, cruzando os braços. Bem, ele tinha um ponto.
Eu ia responder algo quando um assistente se aproximou. Olhei para o cinto do batman que ele usava, todo cheio de telefones celulares, e me segurei para não rir.
– Trinta segundos para vocês entrarem. Estejam preparados.
Yeah, batman.
._.
Kagome e Sesshoumaru entravam no palco, sendo aplaudidos e ovacionados com euforia. Kagome sorriu para a plateia enquanto Sesshoumaru franzia o cenho, parecendo desconfortável com aquilo.
Uma fã gritava e agitava uma placa onde estava escrito "Sesshoumaru-sama, eu derreto seu coração de gelo". Kagome colocou a mão na frente da boca, tentando não rir, enquanto Sesshoumaru empalideceu vertiginosamente.
No centro do palco havia um conjunto de belos sofás negros. Ao todo eram três peças: dois sofás de dois lugares e uma poltrona. Bankotsu se sentou na poltrona e convidou os dois para se sentarem em um dos sofás.
Assim feito, Bankotsu chamou Yuki e Ryo, que não foram recebidos com tanta histeria quanto a dupla anterior, mas que obviamente tinham seus fãs.
Instalados confortavelmente, Bankotsu iniciou:
– Vamos ao que importa, não é? A última prova do The Beauty and The Geek Japão consiste basicamente em descobrir o quanto vocês aprenderam com seus parceiros nessas últimas cinco semanas e em qual nível de sintonia e harmonia estão um com o outro. Vamos receber os jurados dessa última prova, então. – O telão abriu e três pessoas irromperam, sendo duas mulheres e um homem – Aqui temos nossa antropóloga, Hakani-sensei; nossa sexóloga, Chihiro-sensei; e nosso psicólogo, Ito-sensei.
Disfarcei quando a crise de tosse me assomou. Por que diabos eles precisavam de uma sexóloga?!
– Vamos falar da prova. Quatro dias atrás, nossos geeks e suas beauties passaram o dia em um resort nos arredores de Karuizawa.
Eu quase sorri de presunção. Eu sabia que aquela visita ao resort significava alguma coisa. Por que eles fariam algo do tipo se isso não fizesse parte do prova? Por sorte, eu imaginei que eles nos filmariam o dia inteiro no resort para analisar nosso comportamento e fui o mais gentil, doce e aquiescente possível com Sesshoumaru.
Comparado com Yuki e Ryo, que haviam se separado para ir ver as atrações que lhes agradavam, nós havíamos passado o dia juntos e conversando amigavelmente.
Estava no papo.
– Então, enquanto eles passavam um dia maravilhoso no resort, a produção do programa espalhou vinte câmeras de alta definição pela mansão do The Beauty and The Geek Japão. Nós os filmamos no dia seguinte ao passeio, e as imagens que nós veremos agora serão analisadas por nossos jurados e eles dirão qual das duas duplas é mais harmoniosa. Boa sorte aos quatro, e vamos começar, então, com a dupla Taisho Sesshoumaru e Higurashi Kagome.
Empalideci. Jesus, isso não podia ser possível!
– Eles podiam fazer isso? – Sesshoumaru sussurrou para si mesmo, ao meu lado.
– Sim. – respondi, desgostosa. – Desde que não tenham colocado câmeras no quarto, eles podiam fazer isso, sim.
– Droga.
– É, eu sei.
._.
Kagome entrou na cozinha e encontrou Sesshoumaru no balcão, cortando alguns legumes. Ela ergueu uma sobrancelha quando viu que ele estava sem camisa.
– Faltou pano no guarda-roupa? – ela perguntou, sarcástica.
– Sujei minha camisa com vinagre. O cheiro estava horrível – ele respondeu, sem erguer os olhos.
– Duas observações: tenho medo de saber o que você estava cozinhando com vinagre a essa hora da manhã; e avental para quê, não é mesmo? – ela sentou pesadamente num dos bancos.
– Eu já te disse para você se manter calada até se dopar de cafeína. – Sesshoumaru colocou a garrafa de café na frente dela – Nunca vi uma viciada tão insuportável quanto você. Você devia vir com manual e advertência do Ministério da Saúde.
– Olha quem fala de pessoa fácil de conviver. Não sei como foi que eu ainda não tentei te matar até hoje. Aliás... O que deu em você para estar cozinhando a esta hora da manhã? – ela colocou café numa xícara – Agora que "alguém" não inferniza a vida dos outros estudando durante a noite toda, tem tempo para dormir e acordar bem disposto no dia seguinte, né? Falando nisso, acordei com vontade de comer waffles com mel.
– Não sei a receita. E mesmo que soubesse, desde quando sou seu empregado?
Kagome olhou feio para ele e abriu uma gaveta, tirando uma caneta e um guardanapo. Com um sorriso vitorioso, começou a escrever algo no papel.
– Não seja por isso. – ela disse, ao terminar o que estava escrevendo.
– Eu não vou fazer waffles.
– Está bem então. Sai daí que vou cozinhar.
Sesshoumaru suspirou ruidosamente.
– Está bem, eu faço. Se você cozinhar provavelmente vai insistir para que eu coma também e eu não quero morrer intoxicado tão jovem. – Ele pegou o guardanapo rudemente.
– Não sei se fico feliz com o "eu faço" ou se enfio essa caneta no seu olho por causa do "não quero morrer intoxicado".
Ele não respondeu, apenas ficou olhando para a receita escrita no guardanapo. Depois ergueu os olhos para ela.
– Imagino que você tenha visto isso de relance num livro de alguma amiga?
– Não. No caderno de receita da minha avó quando eu tinha três anos de idade. – ela explicou, com descaso.
Sesshoumaru ergueu as duas sobrancelhas e olhou mais uma vez para a receita. Depois pousou o guardanapo na bancada.
– Sua memória é realmente assustadora. – ele declarou – Você ainda lembra o que te mostrei naquele dia?
– 09055764977. – ela recitou automaticamente, tomando um pouco mais de café. Sesshoumaru colocou a mão na boca e pigarreou.
– Realmente assustador. – ele declarou, soando divertido. – Como você faz quando se depara com uma informação que não quer saber?
Ela observou-o por alguns segundos, pensativa.
– Não sei... Procuro não pensar nela, mas sempre estará lá. É mais fácil simplesmente evitar quando não quero saber de algo.
– Entendo.
Com isso, eles ficaram em silêncio enquanto Sesshoumaru procurava nos armários os ingredientes indicados na receita. Ela ficou observando a movimentação dele pela cozinha, pensativa. Até que Yuki entrou no recinto.
– Ora... O que deu em você para acordar tão cedo, Kagome? Geralmente só o Taisho está acordado há essa hora. – Ela sentou em um dos bancos ao lado de Kagome.
– Eu geralmente acordo tarde por que certa pessoa não me deixa dormir quando quero. – ela fuzilou o homem com os olhos – Por alguma injustiça do destino, essa "pessoa" tem um relógio biológico demoníaco que faz com que ele acorde sempre com o nascer do sol, independente de que horas vai dormir.
– Ah, entendo... – Yuki riu – O que vocês acharam do passeio de ontem?
– Ótimo. – exclamou Kagome.
– Entediante. – disse Sesshoumaru.
– Sério, Taisho? – disse Yuki, parecendo surpresa – Como é possível? Vi tanta mulher dando em cima de você. Embora a maioria delas olhasse para Kagome e percebesse logo de cara que não valia a pena entrar na briga. – Kagome ruborizou enquanto Sesshoumaru fingia que não tinha ouvido – Isso me lembra. – Yuki tirou alguns pedaços de papeis do bolso do short jeans – Uns caras me pediram para entregar o número deles para você, Higurashi. Toma. – ela disse estendendo os números para Kagome.
– Não. – disse Sesshoumaru, ríspido, enquanto Kagome exclamava alguma coisa e colocava as duas mãos na frente dos olhos.
Yuki ficou encarando os dois, sem entender, até que Sesshoumaru se esticou por cima do balcão e pegou os pedaços de papel, jogando-os na pia e ligando a água. A ruiva viu aquilo com expressão surpresa.
– Você não precisava fazer isso! – ela exclamou, encarando Sesshoumaru – Na verdade, você não tinha o mínimo direito de tentar controlar o que...
– Está tudo bem, Yuki-san. – interrompeu Kagome, com um sorriso embaraçado – Ele estava me ajudando. Bastava dar uma olhada nos papeis e eu nunca esqueceria os números. Eu prefiro não saber essas coisas.
– Como assim? – Yuki perguntou, surpresa.
– Memória fotográfica. – Kagome deu um sorriso amarelo, desconfortável.
– Sério? Huh... E como funciona?
– Hum... Eu não sei como é ter uma memória normal, então não saberia explicar para você. – enquanto comentava isso, Sesshoumaru ficou observando-a, prestando atenção – Na verdade, eu pensava que todo mundo era igual a mim até os meus doze anos, quando percebi que apenas eu conseguia ler um livro sem precisar abri-lo na aula de Japonês. Essa era uma época em que descansar para mim era extremamente complicado, por causa do excesso de informação. Passei anos com terapeutas para aprender a relaxar minha mente.
– Quão nítida é a memória? – perguntou Ryo, que havia entrado na cozinha há poucos minutos, mas não fora visto nem por Yuki nem por Kagome. Sesshoumaru fora o único que o percebera, mas não alardeara.
Kagome virou no banco, olhando para ele, e parecia extremamente envergonhada, como se não quisesse que Ryo descobrisse aquilo daquela forma. Ainda assim, ela respondeu:
– Tão nítida como eu estou vendo você agora. É como... uma imagem congelada, eternamente gravada na minha mente.
– Fascinante. – disse Ryo – Isso deve ser ótimo para estudar leis, não é mesmo?
Kagome e Sesshoumaru encararam Ryo, pálidos e surpresos, enquanto que ele apenas lançou um sorriso cúmplice e se sentou ao lado de Yuki.
– Você sabe? – Kagome perguntou para ele.
– Demorei para associar tudo... Mas eu lembrei por que seu nome era tão familiar.
– Do que vocês estão falando? – perguntou Yuki.
– Ah... Nada. Apenas Kagome que é famosa. – Ryo explicou.
– Você modelou para alguma campanha grande?
– Algumas. – Kagome respondeu, num fio de voz.
– Umas "bem" grandes, para dizer verdade. – disse Ryo, lançando outro sorriso cúmplice – Então, Taisho-san... O que você está fazendo aí?
– Consertando o encanamento... O que você acha que parece? – Ele respondeu, destilando sarcasmo, enquanto jogava ovos, farinha e manteiga dentro do liquidificador.
Kagome rolou os olhos, diante da ironia do companheiro.
– Ele está tentando fazer waffle e está mal-humorado por que está perdendo feio para a receita. Sesshoumaru Taisho não aceita uma derrota. – Kagome sorriu quando ele virou-se para ela com uma expressão zangada – Ele não se importa de fazer mais duas porções. Vocês querem? – Isso rendeu outro olhar zangado.
– Eu não. – disse Yuki – Ele vai colocar veneno na minha comida.
– Não se preocupe, Yuki-san, – disse Ryo – nós temos água oxigenada na dispensa.
– Para usar como veneno? Até você, Ryo?
Kagome riu.
– Não, Yuki-san, água oxigenada é para o caso de envenenamento. Faz você vomitar. – Kagome disse. Ryo e Sesshoumaru olharam para ela como se perguntassem como ela sabia de uma informação como aquela – Eu vi num panfleto para caso de envenenamentos de cães. – Explicou.
– Está me comparando com um cão? – exclamou Yuki, de olhos arregalados.
– Bem-vinda ao clube. – disse Sesshoumaru, fazendo Kagome rir.
._.
Um pouco mais tarde, Ryo chamou Kagome para uma conversa particular no quarto dele. Sesshoumaru não pareceu gostar muito, mas não comentou nada. Enquanto Kagome conversava com Futari Ryo, Sesshoumaru resolvera nadar na piscina da mansão.
Kagome saiu do quarto que Yuki e Ryo compartilhavam e o viu na piscina da janela do corredor. Sorrindo, foi para o quarto e saiu de lá meia hora mais tarde usando um biquíni preto e short jeans. Ao descer as escadas, estancou na altura do décimo degrau, encarando um sutiã de renda preta pendurado no candelabro do saguão.
Ela ficou pálida, depois vermelha, e então roxa. Precisou usar a escada de metal que tinha na dispensa e o cabo de um rodo para tirar a peça de lingerie do candelabro. Com ela em mãos, saiu furiosa na direção da piscina.
Encontrou Sesshoumaru nadando e gritou o nome dele. Sesshoumaru parou quando chegou a uma das bordas e tirou o cabelo molhado da frente dos olhos.
– O. Que. Significa. Isso?!. – ela perguntou, com a mandíbula apertada, balançando o sutiã freneticamente.
– Eu te avisei que colocaria sua roupa íntima pendurada no candelabro se você a esquecesse no banheiro novamente. – ele explicou, saindo da piscina e pegando uma toalha para secar o corpo torneado.
– Era apenas o sutiã, seu idiota! – ela exclamou – Você fica andando seminu pelo quarto, e fica todo chocado por causa da porcaria de um sutiã pendurado no banheiro?!
– Se quiser andar só de toalha por aí, fique à vontade. – ele disse, colocando a toalha no ombro e andando na direção da casa.
– Imbecil! – ela exclamou, completamente ruborizada, quando ele passou ao lado dela. Em um ato impulsivo, Kagome o empurrou na piscina.
Sesshoumaru caiu na água, e quando ele emergiu, com uma expressão furiosa, ela arregalou os olhos.
– Corra. – ele rosnou. E ela correu, mas não foi rápida o suficiente. Ele a alcançou e a pegou nos braços, jogando-a na piscina com shorts, sutiã e tudo mais.
._.
Mais tarde, Ryo chamou Sesshoumaru e Kagome para assistir um filme, pois a produção havia (espertamente) disponibilizado um aparelho blu-ray e vários lançamentos. Kagome insistiu até que Sesshoumaru aceitou.
Ryo e Yuki ficaram sentados no sofá e até dividiram um cobertor, por causa do frio. Kagome ficou deitada no chão e Sesshoumaru numa poltrona.
Na altura de meia-hora do primeiro filme, Sesshoumaru olhou para Kagome e percebeu algo desconcertante.
– Kagome... Você não está chorando não, né?
Kagome fungou, limpando o rosto com uma das mãos.
– Não. – mentiu deploravelmente.
– Kagome, é uma animação. – ele disse, perplexo.
– Mas é uma animação linda!
– É Happy Feet! – Sesshoumaru disse, descrente – Céus, até nisso você é esquisita. – como resposta, ele recebeu um olhar irritado dela.
Depois da animação, eles assistiram um filme de terror. Yuki se assustava toda hora, mas não por causa do filme, e sim da forma macabra como Kagome ria quando havia alguma cena de morte. Dessa vez, foi Ryo que comentou:
– Ela chora em desenhos e ri em filmes de terror. Ela está começando a me assustar.
Como se não bastasse, ela achou ruim quando no filme de romance o casal principal ficou junto no final, e dormiu no filme de comédia.
– Vamos acordá-la? – Yuki perguntou, quando eles ligaram as luzes e a encontraram adormecida no tapete.
– Não. – disse Sesshoumaru, agachando-se e pegando Kagome nos braços com cuidado. Ela murmurou algo e encostou a cabeça no ombro dele. – Vou levá-la para o quarto. Boa-noite.
._.
Tentei a todo custo não demonstrar em minha expressão o quão envergonhada eu estava em ver aquelas cenas. Olhei para Sesshoumaru e percebi que ele estava impassível.
Só de pensar quantos milhões de pessoas estavam vendo aquilo, eu já tinha vontade de me matar ou de sumir no mapa. Talvez, depois que o reality acabar, eu faça uma plástica e mude pro Tibet.
Por sorte, a vergonha pessoal iria parar por ali.
._.
– Vamos para um rápido comercial e voltamos logo. Não se atrevam a sair daí ou mudar de canal, por que no próximo bloco vamos ver como foi o dia de Futari Ryo e Nanamura Yuki. Nos vemos daqui a pouco. – disse Bankotsu.
ESTAMOS APRESENTANDO
THE BEAUTY AND THE GEEK JAPÃO
– Estamos recebendo centenas de e-mails – disse a secretária de Sangô – Todos falando sobre Taisho-san e Higurashi-san.
– Qual o teor dos e-mails?
– A grande maioria de teor positivo. Eu selecionei alguns.
Sangô pegou o maço de folhas.
"Eles são um casal tão bonito!"
"Ainth! Esse Sesshoumaru tá de quatro pela garota, rapaz! E a Kagome é muito fofa, cara. Achei o máximo ela ter memória fotográfica."
"Sesshoumaru-sama andando seminu por aí. *nosebleed*"
Sangô sorriu para Miroku Houshi, seu marido e o sócio de Kagome no escritório de advocacia, e agitou as folhas.
– Kagome é um sucesso. – ela disse, orgulhosa – Sempre soube que ela faria do TBTG algo inesquecível.
– Pode até ser, mas os clientes dela não gostaram muito de vê-la no reality. Alguns foram reclamar com o Hayato, mas mudaram de ideia quando ele esfregou a eficiência dela na fuça dos desgraçados. Pobre garoto, está morto de apaixonado por ela e não gostou nada de saber que ela anda dormindo no quarto que esse tal de Taisho. – Miroku comentou – Bem, eu achei o máximo ficar vendo ela de biquíni por aí. A Kagome sempre foi gost... – antes que terminasse de falar, Sangô jogou um livro em Miroku, interrompendo-o.
VOLTAMOS A APRESENTAR
THE BEAUTY AND THE GEEK JAPÃO
– Bem-vindos de volta. Para aqueles que mudaram de canal e se depararam com meu lindo rosto, a explicação do que está acontecendo aqui: hoje é a final do The Beauty and The Geek Japão! Das seis duplas iniciantes, apenas duas chegaram até aqui, e ainda hoje saberemos qual delas é a grande campeã. – Bankotsu piscou – Nós os filmamos por todo um dia e agora eles estão sendo analisados por nossa banca de jurados, que decidirá qual dupla é mais harmoniosa. No bloco anterior, vimos como foi o dia da dupla Taisho Sesshoumaru e Higurashi Kagome. Agora é a vez de Futaria Ryo e Nanamura Yuki. Estão prontos? Então, vamos colocar o bonde para seguir em frente!
._.
Eu não consegui prestar atenção em quase nada da parte de Ryo e Nanamura. Excetuando que era óbvio que comparado a mim e Sesshoumaru, eles pareciam um casal de santos. Não discutiam, não discordavam. Também não pareciam estar interessados romanticamente um no outro. Era quase como ver dois irmãos adultos passando o dia juntos.
Houve um momento, no entanto, que eu ruborizei dos pés à cabeça, quando Yuki perguntou para Ryo se ele já havia se declarado para mim. O auditório inteiro explodiu em suspiros e exclamações de excitação.
Observei Ryo, que havia atingido tons de vermelho ainda mais escuros que o meu. Yuki se limitou a sorrir e Sesshoumaru continuou impassível, parecendo extremamente relaxado, embora eu tenha visto uma veia saltar no pescoço dele.
Logo, já era hora de os jurados revelarem suas escolhas. Depois de cinco semanas, finalmente acabaria todo aquele tormento.
Ao invés de aliviada, eu só me sentia triste.
._.
– É chegada a hora. – disse Bankotsu – Não saiam daí, depois dos comerciais, nós finalmente vamos saber quem é a dupla vencedora do The Beauty and The Geek Japão!
ESTAMOS APRESENTANDO
THE BEAUTY AND THE GEEK JAPÃO
Sangô entrou na sala de controle, onde Kouga e outros sete operadores organizavam as imagens que iriam ao ar.
– Quando voltarmos, vá para a câmera seis e avise pro cameramen focar naquela fã com o cartaz "Futari Ryo, seu lindo!". – dizia Kouga para um deles, que acenou afirmativamente.
– Temos a audiência! – disse a assistente de Kouga – Estamos em primeiro lugar com 32 pontos!
– Isso! – exclamou Kouga, enquanto o resto da equipe comemorava. O diretor olhou para Sangô e sorriu largamente – Prepare o champanhe, Houshi-san!
– Sim, será um prazer. Eu vou comemorar o sucesso do reality e você o aumento do seu salário.
– Já não era sem tempo. – Kouga disse – O.k., pessoal, vamos voltar ao trabalho. Mandem uma maquiadora para a Kagome-san, desde o bloco anterior que ela está suando frio ali.
VOLTAMOS A APRESENTAR
THE BEAUTY AND THE GEEK JAPÃO
– Então, vamos ao que importa, vocês não acham? – Bankotsu perguntou. Uma música de suspense começou a tocar.
Yuki sorria nervosamente e apertava a mão de Ryo, enquanto Kagome e Sesshoumaru apenas pareciam... Kagome e Sesshoumaru. Ela sorrindo calmamente e ele com expressão de entediado.
Hakani Assai
Antropóloga
– Vamos começar então com nosso primeiro jurado. Hakani-sensei, por favor, na sua opinião, qual dupla é mais harmônica?
Hakani ergueu um envelope cinza e começou a deslizar a folha, enquanto explicava:
– Por serem realmente harmônicos, a duplas que escolhi foi... – ela puxou a folha e a câmera se focou nos nomes – Futari Ryo e Nanamura Yuki.
Na parte de baixo da tela, surgiu duas caixas, uma com o nome Futari e Nanamura, onde surgiu o número "1" e a outra com Taisho e Higurashi, que continuava em zero.
– Sua vez, Chichiro-sensei.
Chihiro Asami
Sexóloga
– Nem preciso explicar algo que está tão claro quanto água. – Ela tirou a folha do envelope sem cerimônia – Sem sombra de dúvidas, Taisho Sesshoumaru e Higurashi Kagome.
A caixa na parte de baixo da tela que correspondia a Taisho e Higurashi mudou para "1".
Espera aí! Por que diabos a sexóloga havia votado em mim e no Sesshoumaru?!
– Ora... Temos um empate. Ito-san, sobrou para você o voto de minerva.
A música de suspense voltou, enquanto a câmera se focava em Ito.
Ito Kiba
Psicólogo
– Bem... Foi uma escolha bem difícil, até por que "relacionamento harmonioso" não é o mesmo para todas as pessoas. Mas, por uma diferença mínima, acredito que essa dupla se encaixa melhor no quesito. – Ele tirou a folha do envelope – Minha escolha é Futari Ryo e Nanamura Yuki.
._.
Forcei um sorriso enquanto via Bankotsu exclamar que Ryo e Yuki eram os vencedores do The Beauty and The Geek Japão. Ao meu lado, ouvi Sesshoumaru suspirar de alívio. Embora não entendesse a reação dele, eu que não iria perguntar o que aquilo significava enquanto havia uma câmera em nossas fuças para gravar nossa expressão de perdedores. Por sorte, Sesshoumaru continuou parecendo entediado e eu esbocei meu sorriso mais complacente.
Balões caíram do alto, música alegre começou a tocar, o auditório explodiu em aplausos (embora fosse possível ouvir algumas vaias nada encantadoras). O final do The Beauty and The Geek Japão seguiu a etiqueta de final ridículo que todo programa televisivo tinha que ter.
Ver Bankotsu bancar o alegre quando ele provavelmente estava com vontade se matar por estar fazendo aquilo serviu para que meu sorriso parecesse mais real. Uma garota usando roupas minúsculas apareceu trazendo um cheque tamanho gigante no valor de cinquenta mil ienes e os ex-geeks e ex-beauties eliminados nos episódios passados se levantaram de seus lugares na primeira fila para parabenizar Yuki e Ryo.
Vi que aquela era nossa deixa e puxei Sesshoumaru pelo braço para fazermos o mesmo. Confetes ainda caíam no estúdio e vi Bankotsu falando alguma coisa para uma câmera. E então, todos os letreiros luminosos onde estava escrito "On Air" se apagaram e eu soube que o programa havia acabado.
Sesshoumaru pareceu bastante sincero ao parabenizar os dois, o que me surpreendeu.
Eu tive que esperar Sajia se desgrudar de Yuki para abraçá-la e dizer que estava feliz por ela – e até que estava mesmo. Olhei para Ryo. Era impossível olhar para aquele rosto de bebê e não ter vontade de sorrir.
– Parabéns. – eu disse, soando muito mais sincera do que quando havia dito aquilo para Yuki.
Ryo acenou afirmativamente.
– Vou sentir sua falta. – ele disse, ruborizando. E antes que eu pudesse falar uma coisa, se afastou e pediu uma caneta e uma folha para um dos assistentes de câmera. Ao conseguir o que queria, ele voltou para perto de mim e escreveu algo na folha. Depois dobrou ela sete vezes e me entregou. – Esse é meu número. Sei que você decora tudo o que vê, então só desdobre se quiser.
Eu peguei o papel da mão dele e desdobrei ali mesmo, na frente dele. Encarei a folha por dois segundos e devolvi o papel.
– Pronto. – disse. – E, Ryo... Desculpe-me por não ter falado quem eu era de verdade.
– Não, não se desculpe. Eu é que fui tolo de não perceber. Até por que eu havia estudado sua defesa no caso Akiba, sobre a teoria de, em caso de desproporcionalidade, aplicar analogicamente a pena de outro crime que protegesse o mesmo bem jurídico. Eu demorei tanto para perceber que aquela Higurashi Kagome era você por que não esperava que uma jurista tão incrível fosse uma das modelos que participariam do reality.
Fiquei vermelha com o elogio.
– Obrigada. – disse. Ao olhar em volta, percebi que Sesshoumaru não estava mais perto de mim – A gente se vê por aí, Ryo.
– Sim, ao menos eu espero.
Com isso, afastei-me, a procura de Sesshoumaru. Não era possível que ele já tivesse ido embora... Ou era? Era lógico que depois do final do episódio, nós simplesmente não iríamos embora do nada... Provavelmente a produção iria querer conversar conosco ou qualquer coisa assim. Mas se Sesshoumaru quisesse realmente ir embora, quem o impediria? Até por que mais cedo naquela manhã, a produção enviara várias pessoas para encaixotar nossos pertences e levar até nossas casas.
Eu comecei a me desesperar. Se Sesshoumaru realmente tivesse ido embora, isso significava que havia grandes chances de eu nunca mais pôr os olhos nele. Simplesmente assim.
Senti uma pressão estranha atrás dos meus olhos e soube que estava a ponto de chorar. Por vários motivos. O mais forte era pensar que Sesshoumaru se importava tão pouco comigo que fora embora sem nem ao menos dizer um adeus. Havia também o fato de nunca mais ver o rosto do homem que conseguiu fazer com que eu me apaixonasse. E o motivo mais fraco de todos, mas grande contribuinte para meu estado de nervos, era o fato de termos perdido no reality.
Podia não parecer, mas eu era uma péssima perdedora.
De repente, vi um homem alto de cabelos prateados aceitando água de um dos assistentes de palco. Senti a expectativa me percorrer, que se tornou alívio logo quando reconheci a camisa dele.
Aproximei-me.
– Por que você fugiu? – perguntei.
Ele virou-se para mim.
– Estava com sede. – explicou, mostrando a garrafa de água. Eu suspirei. Claro, ele havia ido atrás de água enquanto eu me desesperava com a ausência dele.
Estar apaixonado era uma verdadeira porcaria.
– Pensei que você tinha ido embora. – comentei.
– Bem, ninguém estranharia... Eu sou o perdedor, afinal. – ele disse, soando irônico.
– Bem... Quanto a isso... Como você está? – perguntei.
– Estou perfeitamente bem.
– Mas o laboratório... – comecei, parando quando o vi sorrindo. Era algo tão raro que fiquei sem palavras.
– Eu não preciso mais do dinheiro. Precisaria do investimento se eu tivesse que manter o laboratório por mais seis meses ou um ano, mas eu consegui achar o algoritmo que faltava para a equação-relação tempo-espaço. Vou precisar apenas de alguns testes e vou ter as respostas que preciso em um ou dois meses. – Ele se aproximou de mim e colocou a mão na minha cabeça – Eu vou ficar bem.
Aquela informação havia me deixado tão malditamente aliviada, que percebi que o único motivo para eu estar triste por termos perdidos era por que eu acreditava que ele precisava ganhar.
Sorri para ele, feliz, e percebi que a expressão dele se tornou grave.
– Kagome, eu... – ele começou, mas foi interrompido quando viu algo atrás de mim. Virei o rosto e dei de cara com Hayato, que sorriu para mim.
– Finalmente encontrei você. Acho que se houvesse a modalidade olímpica "ser tragada pela terra" não haveria ninguém que pudesse competir com você. – Senti Sesshoumaru se afastar de mim e tive que me controlar para não protestar. Nisso Hayato se aproximou e beijou minha testa, como de costume. Isso me deixou absurdamente apreensiva, apesar de nunca ter me sentido assim antes com contato físico com Hayato. Isso provavelmente por que eu não queria que Sesshoumaru achasse que havia algo demais entre eu e o meu advogado assistente. – Ainda bem que você não ganhou, só em pensar o quanto o programa te alugaria depois disso, eu estremeço. Esteja preparada para trabalhar como uma escrava a partir de amanhã.
– Ah, me dá uma folga, está bem?
Virei-me para Sesshoumaru. A expressão dele estava novamente fria.
– Bem... – ele disse – Obrigado por tudo. Acho que vou seguir seu conselho e ir para casa. – Eu arregalei os olhos, meio desesperada. – Acredito que isso seja um adeus.
Eu não consegui falar nada. Talvez devesse pedir para ele ficar. Ou dizer que o amava. Ou ainda declarar que eu com certeza não havia sugerido que ele devesse ir para casa. Mas a única coisa que eu fiz foi observar enquanto ele virava as costas e saía andando.
Nesse meio tempo, Bankotsu chegou, dizendo para Hayato que Miroku o estava procurando. Quando o advogado foi embora, o meu amigo me abraçou, exclamando:
– Finalmente acabou, Kagome. Agora podemos voltar para nossas vidinhas patéticas. – Foi quando ele percebeu que eu estava chorando, olhando para onde Sesshoumaru tinha ido. Bankotsu segurou meus ombros e me encarou – Meu Deus, Kagome... Você se apaixonou por ele?
Olhei para o meu amigo, mal vendo ele por causa das lágrimas e sussurrei:
– Sim... E dói muito, Bankotsu. – Senti os braços dele me envolverem e enxuguei minhas lágrimas na camisa social do meu amigo.
Bankotsu apenas ficou me abraçando, quieto. Ele não disse nada, nem mesmo que aquilo logo passaria. Ainda bem. Se ele dissesse algo como isso, eu não seria capaz de acreditar em uma palavra que fosse.
Estava acabado.
Simples assim.
Beauty and The Geek © TV Tokyo
Acabou o reality. E agora?!
Apenas mais um capítulo e epilogo e essa fanfic estará finalizada.
Enfim, espero que tenham gostado! Comentem e prometo postar o próximo capítulo na segunda ou terça.
Até a próxima, pessoal!
