Kagome estava entrando no carro de Sango quando ouviu o seu celular tocar dentro da sua bolsa

Entre a razão e a emoção

Kagome estava entrando no carro de Sango quando ouviu o seu celular tocar dentro da sua bolsa.

- Kagome querida, você precisa salvar a minha vida!

- Mana? O que aconteceu Kikyou?

- Bem, eu ia sair hoje com o Naraku, mas a mamãe me pediu para ficar em casa esperando uma grande correspondência que ela está para receber do emprego dela lá na frança! Você não pode esperar esse envelope por mim?

- Ah Kiks, logo hoje? Eu já estava indo com o pessoal para o shopping...

- Por favor maninha! Você sabe como agora cada segundo com ele é muito! Eu faria isso por você...

- Ok ok, sem subornos! Já estou indo para casa e então vocês podem sair felizes.

- Eu já disse que eu te amo? Você é a MELHOR!

- Claro claro, depois você me paga, hahaha. Beijos

- Problemas com a Kikyou, Kagome? – perguntou Sango preocupada.

Kagome suspirou lentamente, olhando com um olhar um pouco triste para a amiga.

- É, bem, eu vou fazer o favor de esperar uma correspondência do trabalho da minha mãe lá da França hoje.

- Claro, bem é uma pena. Eu ligo para você de noite pra dizer como foi no shopping.

- Combinado!

Kagome despediu-se rapidamente dos amigos e começou a andar em direção a sua casa. Ela entendia perfeitamente como Kikyou se sentia, ela também andava sentindo esse pequeno buraco aumentando a cada dia. Era ridículo negar aquilo, tentar esconder algo tão claro. Era um tanto quanto tolo tentar não pensar nisso quando, claramente, as atitudes dela não a ajudavam a diminuir o buraco.

Kagome sabia como era saber que seus dias estavam contados. Ela sabia exatamente quantos meses, quantos dias ela teria com seus amigos, com as pessoas que ela mais amava, com aqueles que sempre a apoiaram. Ela entendia como a irmã se sentia em relação a Naraku, pois eles também tinham pouco tempo juntos, e mesmo Kikyou não tendo dito isso ainda, Kagome sabia que o coração dela estava completamente dividido, "a razão e a emoção" se confrontando diariamente na mente das irmãs. Ela entendia os sentimentos de Kikyou.

Ela sabia, também, que aquilo com Inuyasha, seja lá o que fosse, era um erro. Ela tinha completa certeza de que se arrependeria daquilo, de se envolver tão profundamente com alguém sabendo que não poderiam ficar juntos, sabendo que a felicidade deles estava com os dias contados.

E então ela se permitiu, pela primeira vez desde que soube que iria se mudar, abrir aquele pequeno buraco no coração dela. Ela se deixaria pensar naquilo até chegar em casa, e quando pisasse em casa, então ela mudaria de pensamento. Mas agora ela poderia odiar aquela viagem, ela poderia pensar na dor de deixar suas pessoas amadas. Agora ela poderia se imaginar no aeroporto, coberta de lágrimas, com o rosto vermelho e inchando, abraçando cada pessoa pela última vez em muito tempo.

E foi assim que, sem Kagome ao menos perceber, ela começou a chorar. As lágrimas rolavam sem piedade pelo rosto da menina. Ela colocou as duas mãos no rosto pensando no que estava fazendo, ela deveria estar feliz! Ela no fundo realmente queria aquilo! Ela queria aquela mudança, ela queria conhecer pessoas novas, queria a educação diferente e reforçada que receberia na França, ela queria tudo aquilo. E ao mesmo tempo, com a mesma intensidade com que queria tudo aquilo, ela odiava a idéia, repugnava a idéia de se ver afastada das pessoas que gostava.

Era isso que fazia ela chorar. Kagome estava completamente dividida em relação a suas emoções, e de repente, diferente de cada sentimento que ela sentiu antes, Kagome começou a se auto-odiar. E suas lágrimas de tristeza cessaram, ela agora apertava os punhos fortemente ao lado do corpo. Ela odiava estar dividida, odiava não saber o que sentia, odiava cada parte dela que a fez pensar em tudo aquilo.

Kagome começou a balançar a cabeça fortemente, imaginando que aquilo afastaria as imagens da mente dela. A menina olhou para frente e viu que já estava no jardim da sua casa, e sentindo isso como algo bom, ela desabou no chão. Alí, ajoelhada, divida entre sua dor, ela poderia então analisar a situação. Ela queria e amava a idéia de se mudar, e ao mesmo tempo odiava a idéia de se ver longe dos seus amigos e parentes.

- Você não precisa se torturar desse jeito. Você não deve se culpar desse jeito por seus sentimentos, acontece com cada um. Qualquer um que estivesse na situação que vocês está agora se sentiria da mesma maneira. Você não precisa ter vergonha das suas lágrimas.

Ela levantou a cabeça rapidamente, olhando para o rosto calmo que estendia um lenço branco em direção a ela.

- E como pode você saber o que eu sinto? Se nada eu disse desde que saí da escola? Se estive calada o caminho inteiro?

- É fácil conhecer as emoções daqueles que você ama. É fácil ver o que está escrito em seus rostos – ele ajoelhou-se na frente dela curvando-se para abraça-la – E é igualmente dolorido ver o sofrimento nos olhos de quem gostamos.

- Isso definitivamente é um erro. E você sabe disso – ela disse fungando enquanto se encaixava nos braços dele.

- Depende do ângulo que você olha. – Ele disse puxando lentamente o rosto dela, para que ela pudesse olhar nos olhos dele – Eu vou ser extremamente sincero com você Kagome, da mesma forma com que eu fui sincero no estacionamento.

Kagome ouvia com atenção, enquanto limpava as lágrimas e encarava os grandes olhos de topázio dele.

- Na vida, nós sempre temos duas opções, no mínimo duas formas de ver a vida. Você hoje está em um impasse, completamente dividida entre emoções tão diferentes. Então Kagome, ouça com atenção – os olhos dele brilhavam com o poder e intensidade que ele colocava em cada palavra – Você pode odiar essa viagem, mesmo sabendo que terá que ir de qualquer forma, e passar a ver tudo com um olhar negativo, de alguém que odeia saber que aquela pode ser "a última vez que você fará certa coisa". Ou Kagome, ou você pode aceitar que as pessoas que você ama, continuarão te amando, e então aproveitar cada segundo da sua vida aqui! Não ter medo do amor ou da sua felicidade, fazer do tempo o seu aliado. É você quem escolhe Kazinha...Você pode ser a caça, ou inverter o jogo e ser o caçador, o que vai ser?

Ela absorveu as palavras dele, e ouvia elas repetidamente na sua cabeça como se fossem seu próprio pensamento. Um sorriso brotou em seus lábios, e seus olhos ganharam um novo brilho. Ela não precisava se torturar daquela forma, ela iria arranjar um método de lidar com aquele buraco, ela poderia encher ele de boas recordações. Kagome sabia que todos seus pensamentos tinham sido bobagem, tudo bem ela estar dividida, mas não ajudaria nada ela ficar ali se lamentando, ela tinha pouco tempo, e ela iria aproveitar o máximo.

- Eu já disse que eu adoro esse seu jeito de me deixar calma? – Ela levantou-se em um grande salto pulando nos braços dele, enlaçando os seus braços ao redor do pescoço dele – Eu já disse que você é o melhor?

Ele começou a rir, completamente surpreso com a súbita e rápida mudança de humor dela. Mas era exatamente isso que ele mais gostava nela, a forma com que ela sempre sabia tomar as decisões que deixava a todos feliz, enquanto a maioria das pessoas se tortura por dias inteiros até chegar a alguma solução.

- Bem, na verdade você nunca disse – ele segurou ela no ar sustentando o olhar nos olhos dela – mas nunca é tarde para tentar.

Ele olhou para o céu, na mesma hora que ela fez a mesma ação.

- Veja, o pôr-do-sol já está aí. – ele disse sorrindo bobamente para ela.

- Dizem que é a hora mais mágica do dia! Tarde demais para ser dia, e cedo demais para ser noite...A hora onde coisas mágicas acontecem – ela disse com um belo sorriso.

- Bem, estar com você torna qualquer hora do dia mágica – ele disse pousando ela em terra de novo.

Kagome sorriu levemente, e então enlaçou os braços em volta do pescoço dele novamente.

- Eu não tenho medo de ser feliz, e eu sei que só serei feliz com você, Inuyasha. – ela disse sinceramente.

- E eu estarei sempre com você.

Ele então a enlaçou pela centúra. O céu estava em um grande misto de cores, tons de laranja rosado pintavam cada nuvem que passeava pela imensidão azul. Os pássaros voavam em sua bela formação em "V", com lindos cantos. As árvores balançavam gentilmente seus galhos e suas folhas no jardim. As lindas cores do céu estavam refletidas no rosto dos dois jovens.

E então ele se aproximou novamente dos lábios dela. Ela podia sentir novamente a respiração doce dele, o olhar concentrado e apaixonado dele. O coração dela batia descompassado, mas ela já não se importava com os calafrios que subiam pelo corpo dela. Ela apenas sorriu para ele, sabendo que aquele momento era deles e de mais ninguém.

Inuyasha deu um leve sorriso e beijou Kagome, um leve beijo com o sabor mais doce do mundo. Um beijo apaixonado que ganhava forma a cada segundo, um beijo que selava o início de algo tão lindo e tão forte que nenhuma distância ou tempo poderia apagar. Um beijo que marcava o início de um verdadeiro amor.

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N/A: Olá gente!

Então está aí, o tão esperado beijo! Admito que esse capítulo pode "assustar" alguns, mas agora vocês podem entender um pouco da confusão de sentimentos que se passa na cabeça de Kagome durante cada segundo dessa história.

O que acharam? Deixem seus comentários, é sempre ótimo ler eles! :D

Ps: Gente, mudei a descrição da fanfic no site! Não se percam, hehe :).

Lory Higurashi: Olá querida! Sim, os personagens dessa fic têm essa tendência de serem inconvenientes às vezes! Hahaha! Mas aqui está o esperado beijo! O que achou desse capítulo? Beijos

Beijos,

Pop.Nips.