Claire: Não, Meechum, está tudo bem. Eu posso ficar com ela.

Meechum: Mas senhora...

Claire: Eu fico. Pode ir resolver os trâmites do "pai" dela.

Meechum: Por favor, me chame senhora. Estarei lá embaixo para o que precisar.

Ela se escora no balcão esperando a água esquentar e retira uma das mantas que envolvem a menina. O bebê já estava ficando vermelho de calor.

Claire: Você ficará aqui comigo, menina. Logo ficará tudo bem, você vai ver.

Ei, não, não precisa chorar.

Ela começa a balançar a menina, apoiando a cabeça no ombro.

Claire: Você já vai tomar sua mamadeira. Fique quietinha mais um pouco.

Com a fórmula dentro da garrafa, ela adiciona a água quente e verifica se a temperatura é ideal. De volta à sala, ela se recosta na poltrona e oferece a garrafa ao bebê, que prontamente começa a sugar com fome.

Claire: Acho que você estava com fome.

...

Você é muito bonita! Já te falaram isso?

...

Frank: Claire?

Claire: Acho que teremos problemas, bebê. (Fala ela baixinho no ouvido da criança)

Frank: Claire, o que está acontecendo aqui? O que você faz com uma criança no meio da nossa sala a esta hora da noite?

Claire: Uma longa história.

Frank: Onde está o Meechum? Porque não tem ninguém responsável por isso?

Claire: Justamente pelo fato de que o Meechum está cuidando de tudo que eu fiquei com a criança, Francis.

Frank: Claire, você não precisa ficar cuidando de uma criança. Quantas pessoas trabalham aqui, vou chamar alguém.

Claire: Não faça isso, Francis.

Frank: O que você disse?

Claire: Eu disse para não fazer isso.

Frank: Claire, você enlouqueceu?

Claire: Não, Francis.

Frank: Então qual é o problema?

Claire: Te incomoda tanto que eu fique aqui sentada esperando que o Meechum solucione os problemas referentes ao pai da criança, que se matou há pouco na rua, depois de abandonar a filha em uma caixa de papelão na frente da nossa porta?

Frank: Aqui na frente? Mas Claire, de qualquer forma, existem pessoas que podem cuidar disso.

Claire: Francis, eu quero fazer isso. E não tenho problema nenhum em ficar cuidando dessa menina. Ela quase morreu congelada na nossa porta.

Frank: O que eles farão com ela? Quando vem buscar?

Claire: Amanhã pela manhã o serviço de assistência virá buscá-la.

Frank: Amanhã?

Aquele momento o deixou mais irritado do que nunca. Ele não gostava de crianças, nem um pouco. Nunca gostou. A maior insistência em um processo de aborto vinha por parte dele. Claire sabia que tudo aquilo era proveniente da triste infância que teve. O pai nunca fora um homem bom com a família, fazendo com que ele precisasse ver desde pequeno, cenas fortes de um cotidiano difícil que nunca mais esqueceu.

Frank: Vou voltar para a cama. Você vai continuar sentada aí?

Claire: Vou. Boa noite, Francis.

Frank deixa a sala com rapidez e retorna para o quarto. A resposta imediata e com certa frieza para ele não era necessária naquele instante em que ela tinha a intenção de falar mais. Mas ela prefere não continuar falando, e permanece ali, sentada com a menina no colo, agora de barriga cheia e pronta para voltar a dormir sem se preocupar com mais nada. As coisas não estavam bem naquela semana para os dois. Haviam novas preocupações que precisavam ser resolvidas o mais rápido possível para que nada interferisse nos planos futuros de ocupar uma cadeira importante.