N/A: Olá, garotas! Já faz um bom tempo que eu não posto, me desculpem. Como eu já tinha avisado, fui viajar e quando cheguei tive que ir ao dentista tirar meu siso. Mas, agora já está tudo certo e as postagens vão voltar ao normal. Espero que gostem do capítulo.


Capítulo V

Da porta da garagem, Bella e Edward acenavam para Aro.

Assim que a limusine desapareceu dentro da noite, Bella mudou de comportamento: o sorriso desapareceu, retirou o braço de Edward de sobre os seu ombros e entrou.

Edward correu atrás dela, mas não foi rápido o suficiente: a porta quase bateu em sua cara.

— Será que ela quer que eu durma na praia?

Edward abriu a porta e foi encontrá-la na sala. Assim que a viu, ele a abraçou.

— Tire as suas mãos de cima de mim! — ela gritou.

— De jeito nenhum! Você vai explicar-me o que aconteceu. Desde Atlantic City que está me olhando de uma maneira muito diferente. Não vou deixá-la trancar-se em seus aposentos sem a menor explicação.

— A gente diz quarto, Edward, e não aposentos!

— Quarto ou aposentos para mim agora tanto faz. Quero saber o que está acontecendo.

— Você quer saber por que estou com raiva, não é? Pois eu lhe direi.

— Então, diga!

— Eu vou dizer! — Bella andava de um lado para o outro. — Pode ficar sossegado que eu vou dizer!

— Então diga, mulher!

— Já lhe disse para não me chamar de mulher!

— Falei sem querer. É a força do hábito.

— Mas que belos hábitos vocês tinham.

— Esqueça os nossos hábitos e diga-me o motivo que a deixou tão irada.

— Certo. Eu estou irada. E vou lhe dizer o porquê.

— Sou todo ouvidos.

— Você ganhou mais de seis mil dólares, seu idiota! — Ela estava inconformada.

— E isso é tão ruim assim? — Edward sorriu satisfeito.

— Claro que é! Ou melhor: não, não é! E tire esse ar de felicidade do rosto!

— Não estou entendendo.

— Você nunca vai entender. Nunca.

— Não conheço direito o dinheiro americano, Bella.

— Não é só o nosso dinheiro que você não conhece. Tem muitas coisas que você não conhece, Edward. Muitas coisas!

— Sabe o que aconteceria se Aro não dissesse que ele havia ganho todo aquele dinheiro?

— Não, não sei!

— Você precisaria ter prestado contas ao IR. Era isso que teria acontecido. Iriam pedir documentos. E você, Edward Cullen, não tem documentos! Ou tem?

— Você sabe que eu não tenho.

— Ainda bem que Aro cuidou de tudo. Mas depois do que aconteceu no cassino, ele tem toda razão para desconfiar que algo de muito estranho está acontecendo nesta casa.

— Aqui não está acontecendo nada de estranho.

— Ah, não? — Bella pôs as mãos na cintura e o encarou.

— Não, não está.

— E você acha muito normal alguém receber um visitante do século dezenove.

— Eu, particularmente, acho que não. Mas com essa sociedade tão adiantada, não sei se para os americanos é tão anormal assim.

— E ele ainda quer fazer piada...

— Não estou fazendo piada, Bella.

— Já lhe disse uma vez que ainda não inventaram viagens através do tempo.

— Alguém deve ter inventado, caso contrário eu não estaria aqui.

— Por quê? Por que eu tive que ligar para o Japão? Quando eu me encontrar com a Rosalie, teremos uma conversa muito séria. Ela não podia ter pedido ao Aro para vir até aqui e ver o que estava acontecendo. Por que todos acham que precisam me ajudar, cuidar de mim? Será que pensam que não sei tomar conta de mim mesma? E você, Edward, por favor não se atreva a responder essas minhas duas últimas perguntas.

— Mas eu...

— Se está pretendendo dormir aqui, não responda às duas úl timas perguntas!

— Então, responda-me você uma pergunta.

— Vamos lá: qual é a pergunta agora?

— O que significa I.R.?

— Claro, mas é claro que você não poderia saber. Significa imposto de renda.

— Sabia que já tinha ouvido falar nesta sigla antes. Agora estou lembrado. Foi na televisão.

— Então, não vou precisar lhe explicar como funciona.

— Não vai, não. Tenha uma memória excelente.

— Viu só o risco que correu?

— É... você tem razão. Mas quero reembolsar a Aro tudo o que ele pagou para mim.

— Quanto a isso eu não tenho a menor dúvida: vai ter que pagar mesmo!

— Eu sempre honro os meus compromissos.

— É mesmo? — Bella perguntou com ironia.

— Sempre — ele disse com seriedade.

— Agora me diga, Edward Cullen, como é que vai fazer para pagar o Aro? Vai lhe mandar um cheque? Você não tem talão de cheque, Edward. Também não tem conta bancária. E sabe por quê? Vou lhe dizer: você não existe! É isso! Você não existe!

Bella sentou-se no sofá e abraçou uma almofada.

— Mas nesse exato momento, o fato de não existir é o nosso problema menor. Aro saiu daqui muito, muito desconfiado.

— Eu acredito que não.

— Mas é claro que ele saiu daqui desconfiado! Ele sabe que você está no país ilegalmente. Ele foi gentil, mas vai ficar alerta.

— Alerta?

— Exatamente. Vai fingir que não percebeu nada de errado com você, mas estará alerta. Pode contar com isso. E pode contar também que ele vai voltar. Neste instante ele já pode até estar ligando para a polícia para certificar-se se eu não resolvi abrigar um foragido na minha casa. Aro é imprevisível.

— Eu o achei muito agradável.

— Mas é claro que achou.

— Estou começando a acreditar que você está mesmo paranói...

— Não repita essa palavra! Se existe alguém paranóico aqui, esse alguém é você! Não fui eu quem resolveu fazer uma viagenzinha pelo túnel do tempo. Estava aqui, sossegada, ia pegar madeira na praia quando apareceu você sabe-se lá de onde!

— Já lhe disse de onde eu vim.

— Mas você pode estar mentindo!

— Nunca menti para você!

— Já ouvi essa frase inúmeras vezes. Pelo jeito todos os homens a tem na ponta da língua.

Edward tocou a própria língua como se estivesse à procura de algo.

— Pare com isso, Edward!

— Eu não tenho nada na ponta da minha língua. E que história é essa de outros homens?

— Não, não vou falar agora sobre os meus namorados.

— Por quê?

— Eu só entrei em fria, Edward. Só entrei em fria!

— Você o quê?

— Isso é gíria. Entrar em fria significa que eu nunca consegui ter um bom relacionamento com alguém. Meus relacionamentos sempre foram difíceis e atribulados. Deu para entender agora?

— Deu. — Ele também sentou-se no sofá.

— Fale mais a respeito dos seus namorados.

— Não, não vale a pena. Estou preocupada com Aro.

— Aro nunca a teria deixado sozinha se achasse que estava correndo perigo. E ele partiu para Manhattan.

— Quem disse a você que ele partiu para Manhattan? Na certa ele agora está se hospedando num hotel cinco estrelas. Edward... Sinto muito, mas estamos com problemas. — Bella encostou a cabeça nos ombros fortes.

A possibilidade de estarem realmente com problemas deixou Edward muito perturbado. Porém, a cabeça de Bella recostada em seu ombro o perturbava muito mais.

— Não vou deixar que o episódio vivido com Aro a deixe tão desconsertada, Bella. Partirei imediatamente.

Chocada e colocando-lhe a mão sobre o peito, Bella perguntou:

— Partir? Mas que ideia é essa? Você não pode partir. Para onde pretende ir? Para a C.V.P.S.D?

— Para onde?

— Para a Casa dos Viajantes Provenientes do Século Dezenove. — Bella balançou a cabeça. — Edward, por favor, não seja ridículo.

Edward ficou feliz. Bella não queria que partisse e também estava sentada bem junto a ele.

— Você quer que eu fique? É isso?

— Não adianta ficar tão entusiasmado — Bella disse com firmeza, embora não fizesse menção de afastar-se dele. — Eu adoro animais de estimações.

— Verdade? — Edward não se ofendeu com as palavras de Bella. — Você também paga as contas dele?

— Por enquanto não cuidei de nenhum animalzinho endividado. — Ela sorriu. — Dou comida a eles e depois os mando embora. E era exatamente isso que eu deveria ter feito com você.

— Quer dizer, então, que você alimenta os animais... Por falar nisso, estou sentindo muita fome — Ele começou a mordiscar-lhe a orelha. — Ela está deliciosa...

— Edward! Pare com isso! — Bella protestou. Mas ao invés de afastar-se, ela reclinou mais a cabeça e ofereceu-lhe o pescoço.

Mesmo assim continuou protestando: — Você precisa parar, Edward... Não pode continuar fazendo isso.

Edward, não se sentindo nenhum pouco rejeitado, começou a beijar-lhe o pescoço. Mas o que ele queria mesmo era beijar-lhe os lábios carnudos.

Para Edward os lábios de Bella tinham a cor de cereja madura.

Será que eles também tinham o sabor de cereja?, ele se per guntava. Ou será que os lábios de Bella tinham o sabor do infinito, o sabor de coisas proibidas? O beijo rápido que lhe dera no cassino não tinha dado para sentir direito.

Ele, por fim, decidiu descobrir.

Edward fitou Bella intensamente e tocou-lhe o rosto de leve.

— Edward? O que está pretendendo fazer? Não ouse fazer o que está pensando. Sou muito velha para você, está lembrado?

Ele continuou olhando para Bella e sorriu. Definitivamente adorava aquela boca.

— Andei pensando muito neste assunto... Tenho exatamente du zentos e dezesseis anos, portanto não pode ser mais velha que eu.

— Bem, duzentos e dezesseis anos é uma idade um tanto avançada. Eu, sim, sou muito nova para você.

— Não acho que seja muito nova para mim, Bella. Mas acho que você fala demais — ele disse baixinho antes de beijá-la.

Edward não sabia se o desejo forte que sentiu era por ter ficado mais de dois meses no mar, se era pelo fato de ter ficado cento e oitenta e um anos sem ver uma mulher ou se era por estar beijando Bella Swan.

Era impossível saber o que o levava a sentir-se tão excitado. Se pudesse, continuaria beijando Bella pelo resto de sua vida.

Tê-la ali em seus braços era algo divino. Bella era totalmente diferente das mulheres que conhecia. Ela era suave, terna e parecia que também estava gostando muito do beijo.

O telefone tocou.

— Ignore-o — Edward disse sem afastar os lábios dos dela.

— Não posso, deve ser Aro.

— Como você sabe que é ele? — Edward quis saber.

— E quem mais poderia ser?
O telefone continuava tocando.

— Aquela sua amiga que está no Japão.

— Não, ela não ligaria para cá. — Bella livrou-se do abraço de Edward e atendeu o telefone.

— É Aro — ela disse, tapando o bocal do telefone e em seguida ficou em silêncio, apenas ouvindo.

— Mas isso é muita gentileza de sua parte, Aro — ela finalmente comentou. — O quê? Quer dizer que atualmente eles não estão alugando os apartamentos? Só vendendo? Acho que seria maravilhoso se pensasse na ideia seriamente. Claro, mas é claro que eu conheço o lugar. É uma construção muito bonita. É mesmo? Quer dizer então que os apartamentos são mobiliados? — Bella ficou em silêncio por mais alguns instantes e depois continuou: — O quê? Você quer tomar o café da manhã só co migo? Sei... está querendo discutir o problema de Edward... Só não estou entendendo que problema é esse, Aro. Sei... Sei... Tudo bem. Acho que você está sendo meio inconveniente, mas devo admitir que Edward está, sim, com problemas de documentos. Tudo bem, amanhã a gente se vê.

— O que ele disse? — Edward quis saber assim que Bella des ligou o telefone.

— Ele vai nos dizer como conseguir uma identidade para você. Não precisaremos da ajuda de ninguém. Faremos tudo sozinhos. Ele disse também que...

— Como Aro sabe que sou um viajante do tempo? — Edward a interrompeu ansioso.

— Isso ele não sabe. Aro simplesmente acredita que você entrou no país ilegalmente e resolveu lhe ajudar. Parece que Aro gostou de você e o achou muito bom e honesto.

— E só porque ele me achou bom e honesto, resolveu agir de maneira ilegal para me ajudar?

— Sabia que agora está falando como um homem do século vinte?

— Aos poucos eu vou aprendendo.

Bella dirigiu-se para o quarto. Edward a seguiu preocupado. Al guma coisa naquela história toda estava soando de maneira falsa.

— Você não me respondeu a pergunta que fiz. E tenho mais uma outra dúvida: por que um homem que diz preocupar-se com você sugere que infrinja a lei? Por quê?

— Não sei lhe responder a nenhuma das duas perguntas. Mas estou achando que Aro está ficando meio senil. Talvez seja isso. Cansado de ser um homem de negócios, cansado de ganhar dinheiro, ele resolveu agora infringir a lei para se divertir um pouco. Só pode ser isso. — Bella parou na porta do quarto e voltou-se.

Edward mais uma vez olhou para aquela boca que acabara de beijar e não pôde deixar de compará-la a uma cereja. Aquele telefonema não poderia ter interrompido um beijo tão maravilho so! Agora, como fazer para continuar o que haviam começado na sala? A resposta veio rápida:

— Boa noite, Edward. Durma bem. — Bella fechou a porta e em seguida a trancou.

Frustrado, Edward foi para o quarto que estava ocupando.

Mesmo para Nova Jersey, aquele final de agosto estava muito quente. Bella adoraria ter levado uma embalagem de isopor com muito gelo dentro e várias garrafas de chá. Também poderia ter levado um cantil cheio d'água. E um mapa. Isso sem dizer de um bom repelente para insetos. O local estava infestado de insetos de todos os tipos e tamanhos.

Aquele era o terceiro cemitério que ela e Edward checavam e parecia que de nada iria adiantar. Na certa, Edward logo iria querer voltar para o quarto e depois partir para a checagem de mais um cemitério. E tudo isso só porque Edward havia colocado uma ideia extravagante na cabeça, uma ideia que ia deixá-lo com muita dor no pescoço!

— Por mais maluca que eu seja, não acredito que esteja fazendo isso! — ela exclamou, parando na sombra de uma árvore e vol tando-se para olhar o seu querido visitante do século dezenove. — Achamos um interessante no primeiro cemitério, dois no segundo. Qual é o problema, Edward? Por que você não se dá por satisfeito?

Edward abaixava-se para ler as inscrições de uma outra lápide.

"A cada dia ele fica mais bonito. Essa cor de pele está de um dourado lindo. E para um homem que detesta roupas informais, Edward até que se saiu muito bem. Está até parecendo alguém que foi criado aqui: um verdadeiro homem do mar. Mas se um dia ousar cortar esses cabelos maravilhosos, não vou gostar nada, nada..."

Porém ao contrário do que Aro pensara, ela não estava apaixonada por ele. Em momentos como esses, Bella sentia que gostava muito do seu hóspede. Amar? Jamais!

— O nome tem que ser exatamente o mesmo. Não me basta apenas o ano do nascimento. Recuso-me a passar o resto da minha vida chamando-me Frank ou Peter.

— Ou Johann. — Bella saiu da sombra e o seguiu até uma outra travessa repleta de túmulos. — Mas dá para entender você, Edward. Está atrás de um nome genuinamente inglês, não é?

— Exatamente. — Ele agora lia uma outra lápide. — Se vou ter uma nova identidade, tenho que me sentir bem com ela. Olha! Esse nome me parece perfeito: William Robert Arthur. O que você acha?

— Para mim está perfeito. Vai ser engraçado passar a chamá-lo de William, após ter conseguido os papéis de identificação.

Numa tarde, sentada em frente ao mar, Bella pensava na vida e se perguntava por que sempre se relacionava com pessoas di ferentes. Primeiro, ali em Ocean City, tinha encontrado a sra. Weber que achava que fazer arte era ficar colecionando pe daços de tocos. Depois, um pouco antes da sra. Weber partir, encontrara Edward quase morto na beira da praia. Isso sem contar os amigos diferentes que moravam em Manhattan.

— Bella Swan, você atrai pessoas estranhas, e junto com elas muita confusão — ela disse baixinho como se tivesse conversando com uma outra pessoa.

Bella gostaria de saber por que isso acontecia pois achava que não procurava essas pessoas: elas simplesmente aconteciam em sua vida.

— E foi exatamente o que aconteceu com Edward. Não podia deixá-lo na praia. Precisava cuidar dele. Quando é que poderia imaginar que era um homem do início do século passado. Nunca, nunca iria imaginar uma coisa dessas! Mas ele é. Chegou aqui pensando que estivéssemos em 1813. Pode? — Bella balançou a cabeça de um lado para o outro e respondeu à própria pergunta:
— Pode. Com você, Bella Swan, pode tudo!

Bella ficou uns segundos pensando em Edward e sorriu. Ele era um homem muito estranho. Estranho e estranhamente lindo. E não lhe parecia muito aconselhável, nem prudente, permanecer ao lado dele por mais tempo.

Edward Cullen era a própria tentação em pessoa.

E Bella adorava todo tipo de tentação.

Depois daquele beijo que acontecera quando haviam chegado do cassino, Bella nunca mais tivera um contato mais íntimo com ele. Não seria imbecil a esse ponto. Sabia que se não tomasse cuidado, acabaria se envolvendo com ele.

Durante o dia, Bella ficava a maior parte do tempo trabalhando nas revisões. Edward, por sua vez, ou via televisão, ou trabalhava em seus manuscritos. Às vezes os dois resolviam passear pela praia e pouco conversavam. Depois que ganhara os seis mil dólares no cassino, Edward fazia questão de dividir as despesas da casa. E essa foi uma vitória de Bella. Não que tivesse de brigar para ele assumir a metade das despesa, muito pelo contrário: Edward queria pagar tudo sozinho. Afinal, para ele, era o homem o res ponsável pela subsistência de uma mulher.

A cada dia que passava, ele se parecia mais com a maioria dos homens do final do século vinte: em primeiro lugar o trabalho. Depois? O trabalho também. Para Edward, até assistir televisão era uma maneira de trabalhar. Fora a melhor maneira que havia en contrado para conhecer melhor a época em que estava vivendo.

Bella sentia saudades dos primeiros dias que passara com ele. Edward mostrava-se tão atento, tão grato...

— Inferno de vida!

— Por mais que eu viva com você, ainda me surpreendo como seu linguajar. — Edward estava atrás dela.

— Vá embora, Edward. Quero ficar sozinha.

— Isso deve ser por causa da idade. Dizem que as mulheres mais velhas gostam muito da solidão — ele a provocou.

— Edward Cullen! — Bella levantou-se furiosa e aproximando-se dele continuou: — Você me prometeu que nunca mais me cha maria de velha!

— Adoro você irada, ou melhor, adoro ver você assim tão nervosa. Viu só? Viu só como estou melhorando? Meu inglês logo logo estará perfeito! — Ele tocou-lhe de leve os cabelos. É muito fácil deixá-la nervosa, Bella. Você está se tornando uma pessoa previsível.

— E você, Edward Cullen, está se tornando uma pessoa total mente imprevisível.

— William. William Robert Arthur. — Ele lhe mostrou um papel que tinha mas mãos.

— Não acredito. Ela chegou! — Bella o abraçou feliz. — Sua certidão de nascimento chegou! Estou tão feliz. Valeu a pena ter feito tudo o que fizemos.

— Sem você eu não teria conseguido nada. Já pensou se fosse uma outra pessoa que tivesse me encontrado? Na certa teria me entregue para a polícia.

— Mas eu quase o entreguei para a cavalaria, lembra-se?

— Claro. Eu fiquei morto de medo.
Os dois caíram na risada.

— Bella, gostaria de falar com você sobre Aro...

— Esqueça-se de Aro, ele já foi embora faz tempo sem desconfiar de nada. Meu velho amigo acredita que você entrou ilegalmente no país. Só isso.

— Vamos dar um passeio pela praia, Bella? — ele perguntou evitando-lhe o olhar.

— Não, hoje não.

— Por quê?

— Não estou com vontade. — No fundo Bella sabia que estava com medo daquele passeio. Algo lhe dizia que uma grande sur presa a aguardava.

— Mas eu preciso muito conversar com você.

Edward insistiu tanto que Bella acabou concordando com o pas seio. E estranhou a maneira dele se comportar. Para quem estava pretendendo conversar, não dava para entender aquele silêncio todo.

— Devo lhe dizer que não posso me tornar William Robert Arthur — ele finalmente resolveu falar.

— O quê? Edward Cullen, depois de tanto trabalho você quer desistir?

— Eu já disse: não posso me tornar William Rob...

— Mas é claro que pode, Edward Cullen! — ela o interrompeu gritando. — Mas é claro que pode! Se eu fosse forte, mas bem forte mesmo, lhe daria uma bela surra só para você deixar de ser tão infantil! Mas por quê? Por que não pode se tornar William Robert Arthur?

Edward se aproximou e a segurou com carinho pelos ombros.

— Sabe por quê? Seria muito ruim não ouvi-la dizer Edward Cullen. Adoro a maneira que pronuncia o meu nome.

— Você... você estava blefando! — Bella o abraçou feliz. — Sabia que cheguei a pensar que estava falando a sério? Sem uma nova identidade você estaria perdido.

— Isso me faz querer falar novamente sobre Aro.

— Sempre ele, não é Edward Cullen? Sempre Aro Volturi!

— Aro foi muito bom comigo.

— É... isso eu não posso negar.

— Aro me aconselhou a me casar com uma cidadã ame ricana. De acordo com ele, só assim eu estaria realmente seguro.

— Mas com essa certidão você já é um cidadão americano. Agora é só providenciar alguns outros documentos mais fáceis. Não vejo porque você tem que se casar com uma americana.

— Eu também não entendi direito, mas Aro me assegurou que isso seria muito importante. Ele acha que é bom ficar bem protegido. Existe a possibilidade que um dia as autoridades re solvam me investigar. Foi aí que tive a ideia de continuar sendo Edward Cullen. Acho que assim poderia confundir ainda mais todo mundo.

— Quer dizer que não era um blefe a história de permanecer com o seu próprio nome?

— Não, não era.

— Agora eu estou completamente confusa. Então você quer se casar com uma cidadã americana e continuar se chamando Edward Cullen.

— É exatamente o que eu quero.

— E como vamos fazer para mudar isso aí? — Ela apontou a certidão que Edward havia colocado dentro do bolso da camisa.

— Pelo que pude apreender... — Edward sorriu e disse: — Pelo que pude entender das palavras de Aro, você é uma pessoa muito criativa e saberá como solucionar esse problema.

Eu?

— É. Você.

— Aro também sugeriu onde procurar uma cidadã americana que esteja disposta a se casar com você? É tudo muito arriscado, Edward. Já pensou se o serviço de imigração o encontra? Eles vão deportá-lo para onde? Para a Inglaterra? Você não pertence mais a terra nenhuma. Você está morto, Edward Cullen.

— De jeito nenhum! Eu estou vivo: muito vivo. Não tenho culpa de ter vindo parar aqui. Num instante estava com os meus companheiros no mar, no outro estava sendo socorrido por você.
O que quer que eu faça?

— Não sei, não sei o que quero que você faça. Mas me diga: quando foi que conversou com Aro? Já faz tempo que ele foi embora.

— Há três dias pelo telefone.

— E por que não me disse nada?

— Eu me esqueci.

— Não seja mentiroso, Edward Cullen!

— É, eu estava mentindo. Acontece que Aro também su geriu que eu me casasse com você.

O quê? Quer dizer então... Ah, o Aro me paga!

— Achei uma ótima sugestão. E foi exatamente quando ima ginei você se chamando Bella Cullen que resolvi permanecer com o meu nome.

— Meu Deus! Como esses homens são românticos!

— Estou esperando uma resposta, Bella Swan.

— Odeio! Odeio Aro, odeio você e todos os homens. — Bella estava muito exasperada. — Por você tenho um ódio muito particular, entendeu?

— Quer dizer que sua reposta é não?

— Você realmente tem muita coragem, não é? Como sabe se não estou apaixonada por outro homem? Como sabe se não estou apaixonada por milhões de outros homens?

— Você? Isso nunca me passou pela cabeça... Pensei que já tivesse passado da idade de...

— Não ouse terminar essa frase, Edward Cullen! Não ouse!

— Perdoe-me, madame. Não quis ofendê-la.

Apesar de saber que no início Edward a estava provocando, Bella percebeu que de repente ele ficara muito nervoso. Há muito tempo deixara de falar de maneira tão formal como o fizera na última frase. Ele era um homem muito querido e estaria perdido se não o ajudasse. Absolutamente perdido.

Porém, nem uma vez Edward mencionara a palavra amor; nem fizera a mínima sugestão de um sentimento mais forte.

Um silêncio pesado caiu entre os dois antes que Edward per guntasse:

— Bem, depois de tudo o que me disse, posso considerar que sua resposta foi não?

— Não. É claro que não pode. Eu me caso com você. Mas quero que saiba que é só para ajudá-lo. Estaria totalmente perdido sem mim, Edward Cullen. — Ela o encarou e continuou: — Pensando melhor, um outro motivo que me leva a casar com você é poder tornar a sua vida um verdadeiro inferno!

Sem pronunciar mais nenhuma palavra, Bella saiu correndo e só se sentiu segura em seu quarto. Com a porta bem trancada.