Não, eu não possuo Naruto, eu possuo todo o resto do universo, dominando espaço e tempo, mas Naruto não me pertence, ainda...

É mais uma das fic da Li, isso é: Yaoi. Se não gosta, não leia, possivelmente haverá relações entre pessoas do mesmo sexo, possivelmente um pervertido Itachi corrompendo um puro e inocente Naru-chan. Por isso, se não curte, não continue.

Naru-chan

Sasuke tinha saído excitado, lembrou Itachi com um sorriso nos lábios. Aparentemente, Hyuuga Neji havia o convidado para se hospedar na casa que tinham fora de Konoha, no distrito das onsens, durante aquela semana de descanso depois das provas. Sasuke estava excitado porque era o momento de usar o carro que Itachi lhe dera de presente de aniversário, e a primeira vez que viajaria com Gaara. Nem as implicâncias de Kakashi, que provocara o menor dos irmãos incessantemente com comentários maliciosos sobre sexo homossexual, haviam minado o bom-humor em que Sasuke estava. O único por menor, ele confidenciara, era que Naruto decidira não ir e com isso, todos os demais amigos, até mesmo as primas de Neji, tinham recusado o convite, mas Naruto insistira que Sasuke e Gaara, assim como Neji e Sai fossem aproveitar os dias de folga. Sasuke não sabia se ficava consternado, ou feliz por isso, só sabia que sentiria falta do bom amigo que conseguira, assim como sabia que Gaara sentiria falta do irmão.

E então Kakashi provocara Sasuke, dizendo que deveria chamar o Naru-chan para se hospedar ali, o que não provocara apenas Sasuke, mas também Itachi, embora achasse aquela idéia muito boa. E Sasuke informara que tinha pensado nisso, assim como Hinata, mas Naruto dissera que queria arrumar algumas coisas em casa. Aparentemente, Gaara e Sai dormiam no quarto com Naruto, sem usar os demais quartos, destinados a eles e Naruto queria personalizá-los agora, torná-los agradáveis aos irmãos, já que eles estavam tão independentes. Era a forma de Naruto mostrar que aprovava os relacionamentos dos irmãos e aceitava a presença de seus namorados em casa. Isso mostrava a dinâmica da casa daqueles irmãos, claramente, era Naruto quem comandava, não ordenando, mas guiando gentilmente os irmãos, usando sua sensibilidade e profundo conhecimento que tinha de suas psiques.

Sasuke partira excitado e feliz depois que Itachi prometera que iria passar dali a um ou dois dias para ver como o loiro estava, ainda mais por saber que os amigos, assim como Iruka sensei, fariam o mesmo. Poderia até acontecer de Naruto não ter nenhum minuto sozinho, e Kakashi se mostrara muito favorável a visitar o loiro, ainda mais por querer ver a biblioteca que ele possuía.

Kakashi ainda não fora completamente perdoado pelos irmãos Uchiha, a reunião de Naruto e seus irmãos na escola aconteceria depois daquela semana de descanso e até lá, havia uma tensão em todos os amigos dos três, que se preocupavam com as perguntas que poderiam ser feitas aos irmãos, e sobre as memórias que poderiam trazer aos amigos que tinham feito.

Aproveitando que era fim-de-semana, que o dia estava muito bonito, Itachi partira para a casa onde Naruto morava, sorrindo internamente pelo loiro ainda não ter lhe devolvido o lenço, sem saber se aquele não seria o momento em que aquele lenço com suas iniciais bordadas lhe seria devolvido. E é claro, Kakashi, como que prevendo seu intuito, já o esperava em seu carro, fazendo com que o levasse consigo. Sasuke lhe havia dado o endereço de Naruto, com um pequeno mapa indicador, e não precisara dizer para manter bem longe de Kakashi, que poderia ter uma recaída e ir espionar o loiro enquanto ele estava sozinho. Kakashi parecia pensar que Naruto era o mais vulnerável dos três irmãos, sendo que Sasuke sabia, como Itachi sentia, que era justamente o mais forte e que saberia muito bem punir Kakashi se pensasse que ele estava ou poderia prejudicar seus irmãos. Sasuke via muito de Itachi no loiro, na sutil manipulação com que ele agia às vezes, sempre para o bem dos irmãos ou amigos, a forma como ele parecia sempre saber o que estavam sentindo ou pensando, estar sempre pronto para resolver os problemas antes mesmo que ele se formassem, sempre apoiando discretamente aos irmãos. Itachi fazia isso com ele, e só percebera depois de observar a dinâmica do relacionamento de Naruto com Gaara e Sai.

Itachi, ao falar com seu irmãozinho, percebera o mesmo, e admirava ainda mais o loiro por isso, era necessário muito amor, e muita inteligência, para agir assim. Ele só tinha Sasuke com que se preocupar, e o irmãozinho era muito parecido com ele em algumas coisas, o que lhe ajudava muito. Mas Naruto tinha dois irmãos, completamente diferentes um do outro e dele mesmo, mesmo que tivessem similaridades, o loiro deveria ter ainda mais instinto fraternal do que ele, ainda mais porque não fora praticamente treinado desde o berço para cuidar de seus irmãos como Itachi fora com Sasuke.

A casa ficava longe, fora dos antigos muros de Konoha, que ainda eram preservados, embora a cidade tivesse se estendido há muitos anos por fora deles, forçando a abertura de mais portões. Mas era relaxante dirigir pela via nova que cortava a floresta, até chegar na clareira onde a casa fora construída. Uma casa de contos de fada, pensou Itachi, muito menor, muito mais nova, mas tão bela quanto a Mansão Uchiha. Era uma casa com personalidade, e que abrigava muito bem os três irmãos, uma casa perfeita para recomeçarem.

Quando estacionou o carro diante da porta principal, ao lado de onde o carro de Sai estava estacionado, Kakashi pulou do carro assim que ele parou e correu para a porta da frente, enquanto Itachi suspirava e desligava o carro, saindo do mesmo no instante em que um carro popular chegava à clareira, estacionando ao lado do dele. Observou o homem de cabelos castanhos muito escuros presos em um rabo-de-cavalo alto, pele azeitonada e aparência pacata, se não fosse à cicatriz levemente mais clara que a pele na base do nariz, que dava um charme travesso ao rosto confiável. O homem saiu do carro, sem se preocupar em tirar a chave da ignição e olhou Itachi com curiosidade antes de sorrir.

- Você é parente de Uchiha Sasuke? – o homem perguntou simpático e Itachi concordou.

- Uchiha Itachi, irmão mais velho de Sasuke – se apresentou Itachi, querendo saber quem era aquele homem, que já se mostrava muito a vontade andando para a porta da frente da casa, a qual Kakashi espancava enquanto tocava alucinadamente a campainha – e você é?

- Umino Iruka – Iruka sorriu estendendo a mão para a maçaneta e a girando, mostrando que a porta estava destrancada – sou o Professor Conselheiro da turma deles. Também vieram ver como Naruto estava?

Itachi concordou com a cabeça e Iruka fez um gesto indicando que deveriam entrar, e então olhou para as escadas, que terminavam no vestíbulo diante da porta. Naruto descia as escadas coçando os olhos como uma criança, vestindo apenas uma camisa grande, que chegava até o meio de suas pernas grossas e douradas, reveladas em seu esplendor aos que assistiam o loiro descendo.

- Foi dormir tarde? – Iruka perguntou se adiantando e recebendo Naruto no final da escada, e quando o loiro parou de coçar os olhos e baixou as mãos, o abraçou ternamente.

- Mas acabei o quarto de Gaara – Naruto suspirou sorrindo – por que o barulho?

- Você tem mais visitas – Iruka falou apontando Itachi e o outro homem, que obviamente acordara Naruto. Não sabia ainda quem ele era, mas era bonito.

Naruto olhou confuso para o vestíbulo e sorriu.

- Itachi-san, Kakashi – Naruto cumprimentou – que bom que vieram. Que horas são?

- Dez – Itachi falou sorrindo, mas estranhando a forma quase protetora com que Umino Iruka mantinha o braço sobre os ombros de Naruto, e que parecia dissecar Kakashi agora – não queríamos incomodar.

- Não incomodam – Naruto sorriu e então bocejou – já tomaram café?

- Vamos para a cozinha – Iruka convidou, mostrando que estava muito acostumado a freqüentar aquela casa, e se sentir muito a vontade nela – hoje eu faço o café. Sua comida é melhor que a minha, eu reconheço, mas hoje vai ser mimado, entendeu, mocinho? E depois do almoço, vai tirar uma soneca, e nada de ficar acordado até tarde novamente. Eu ajudarei no que for.

- Obrigado, Iruka sensei – Naruto falou enquanto seguia Iruka, e convidava com um movimento de mão, a Itachi e Kakashi os acompanhar – mas eu quero, realmente, fazer sozinho, e já adiantei bastante o quarto de Sai ontem, não vai demorar muito para acabá-lo.

- Tudo bem – Iruka sorriu enquanto começava a fazer café, assim como separando as coisas para o chá, não sabia o que os demais preferiam, mas sabia que Naruto gostava de café e enquanto ele preferia o chá. Tirou também os ingredientes da geladeira para fazer uma omelete e algumas panquecas – sentem-se.

Naruto se sentou em uma das cadeiras entorno da mesa oval que ficava na cozinha ampla.

-Iruka sensei, não precisa ficar olhando Kakashi assim, ele sente muito por ter nos espionado – Naruto falou sorrindo para Iruka – e Sasuke prometeu que ia fazê-lo sofrer bastante.

Iruka não sabia se podia confiar realmente naquela declaração, Uchiha Sasuke não tinha se protegido muito bem de Haruno Sakura, que parecia estar juntando forças para voltar a atormentá-lo. Iruka não gostava da aluna, era a primeira vez que sentia isso por alguém colocado sobre sua responsabilidade, mas não conseguia encontrar em si mesmo, ou na garota, alguma coisa em que pudesse se apoiar. Via Sakura como ela era: metida, vulgar, tirana e mentirosa. A repreendera apenas uma vez, porque ela mostrava sua verdadeira face diante dele apenas uma vez, e a garota o ameaçara com uma declaração de que ele a assediara. Iruka descartara isso, e comunicara a direção, mas Sakura era afilhada de Senju Tsunade e nada podiam, ou queriam, fazer contra ela.

- Você é um bom sensei, Iruka – Naruto falou e Iruka corou – e é uma boa pessoa, mas cobra demais de si mesmo e dos demais. A curiosidade é uma característica humana, assim como o fato de sempre se formarem grupos contra ou a favor de alguém.

- Não deveriam – Iruka falou com voz irritada – não deveriam se meter onde não foram chamados. Não importa...

- Mas importa – Naruto sorriu – e os documentos de Kumo já chegaram, iremos levar quando nos reunirmos com vocês.

Iruka concordou e então suspirou.

- Vocês moravam em Kumo? – Iruka perguntou baixo.

- Moramos em muitos lugares – Naruto falou – mas quando nos separamos, estávamos em Kumo. Pensei que já soubessem disso.

- Não – Iruka sorriu – nos documentos que temos, não diz onde viviam, nem mesmo onde nasceram.

- O mistério deve estar deixando muita gente maluca – Naruto riu – eu e Sai nascemos em Fogo, Gaara nasceu em Vento, mas o mundo foi o nosso quintal.

- Enquanto fugiam, como faziam com a fortuna que possuíam? – Kakashi perguntou, para ser alvejado pelos olhares frios de Itachi e Iruka.

- Meu guardião, ou melhor, o nosso guardião, era um homem de posses – Naruto sorriu – não herdamos nada dele, tudo que ele tinha foi para sua família, que estava quase falida quando ele morreu. Ele não era esse tipo de pessoa, ele não pensava em lucro pessoal, e se sacrificou muito por nós. Ele era um homem bom, um homem muito bom, e foi o primeiro homem que eu amei incondicionalmente.

Itachi sentiu inveja daquele homem desconhecido, que tão importante fora para Naruto e seus irmãos, mas principalmente para o loiro. A forma como ele dissera aquelas palavras incomodava por demais Itachi, o deixavam inquieto, como se a simples memória daquele homem morto fosse um absoluto rival para ele, e para o que começava a sentir pelo loiro. Uzumaki Naruto o atraia imensamente, e já se pegara flertando com o loiro, algo que jamais fazia. Não era pudico, na verdade, tivera e ainda tinha seu quinhão de sexo, mas sempre com pessoas que se sujeitavam a suas regras. Uchiha Itachi, até então, não buscara relacionamentos, apenas encontros de uma noite ou duas, um pouco de diversão, sem laços, sem amarras. Naruto não era uma pessoa assim, não era em nada parecido com as pessoas com que Itachi já tinha saído. E jamais sentira por ninguém o que começava a sentir pelo loiro, uma prova de como ele era especial.

- Naru-chan – Kakashi chamou enquanto Iruka colocava a grande omelete em um prato e deixava sobre a mesa, indo bater a massa das panquecas – parece até uma declaração de amor.

Naruto ergueu seus grandes olhos, enquanto cortava e separava a omelete em quatro partes iguais, colocando nos pratos de todos as suas partes antes de pegar a sua. O loiro pareceu confuso e então sorriu malicioso.

- Ele jamais me veria assim – Naruto confidenciou facilmente – eu perdi algum tempo pensando que um dia ele poderia vir a ser meu companheiro, mas então entendi que ele jamais me veria assim, que eu sempre seria a criança que ele cuidou e criou, nada mais do que isso, por maior ou mais forte que eu me tornasse, por mais sensual ou bonito que eu chegasse a ser. E então eu percebi que ele também tinha um amor dentro de si, alguém que aquecia seu sangue e despertava seus anseios, alguém a quem eu jamais me compararia, que eu jamais poderia suplantar. Por isso parei de perder meu tempo, deixei de lado essas idéias idiotas e aproveitei o que me era dado, e aprendi muito com isso, assim como pude finalmente ouvi-lo falando sobre seu amor impossível.

- Impossível? – Iruka perguntou, meio chocado pelo que Naruto dissera tão abertamente. Sabia que o loiro não tinha preconceitos, tanto que deixara seus irmãos queridos namorarem pessoas do mesmo sexo, e parecia muito feliz por eles. Mas ouvir Naruto revelar que ele também, e desde criança, se imaginara romanticamente envolvido com um homem muito mais velho, o chocava, e alegrava ao mesmo tempo, porque não temia mais que Naruto descobrisse sua preferência sexual e o afastasse ou se enojasse dele.

- Sim, era um homem – Naruto suspirou e Iruka corou, mas Kakashi pareceu não entender – um homem casado e muito feliz com sua esposa e filhos, que jamais pensara nele daquela forma, que jamais imaginara que despertava tais desejos em seu amigo. E por saber que ele estava feliz, meu guardião jamais se declarou, jamais falou o que sentia, e fez de tudo para preservar aquela felicidade, sendo feliz apenas por saber que aquele que amava estava feliz.

- É, isso é amor mesmo – Iruka comentou fazendo a primeira panqueca e olhando sobre o ombro para Naruto – quantos anos tinha quando...

- Onze – Naruto sorriu indulgente – um menino tem que sonhar, não?

- O que Gaara e Sai pensavam sobre isso? – Itachi quis saber, se sentindo ainda mais enciumado daquele homem, daquele fantasma.

- Eles acham que eu devo ter tudo que quiser – Naruto sorriu – mas acho que isso eles jamais ficaram sabendo. Gaara tinha acabado de se unir a nossa estranha família, e meu Gaara ainda não pensava como um menino entrando na puberdade, foi só recentemente que meu Gaara amadureceu nesse quesito.

- E Sai? – perguntou Iruka curioso.

- Sai aprendeu a ser desbocado e malicioso lendo alguns livros estranhos – Naruto riu, parecendo lembrar coisas engraçadas – ele lia qualquer livro que caísse em sua mão, principalmente livros sobre o comportamento humano. Mas não os compreendia, fazia perguntas estranhas, até que descobrimos que ele não estava lendo livros sobre o comportamento humano, como presumíamos, mas novelas românticas idiotas. Essa era a base intelectual de Sai sobre a dinâmica dos relacionamentos humanos!

Iruka riu, Itachi apenas sorriu, mas Kakashi olhou confuso para Naruto, o que ele queria dizer com aquilo? Icha-Icha era sua bíblia, seu código de ética e comportamento, era tudo!

- Gaara quase o matou quando ele pensou que para dizer o que sentia por mim, precisava ter sexo comigo, ainda mais quando disse que eu era, obviamente, um uke – Naruto ria abertamente – precisei acalmar Gaara, enquanto explicava para Sai o que ele realmente sentia e como ele podia expressar isso sem ser castrado por Gaara. E explicar para Gaara o que a queria dizer com uke. Eram tão inocentes, os meus irmãos.

- Inocentes? – Iruka perguntou chocado, virando a panqueca com uma espátula – Sai tentou dormir com você.

- Porque acreditou nos livros que lia – Naruto defendeu sorrindo – mas quando eu expliquei a diferença, ele entendeu, e nunca mais pensou em algo assim, por isso Gaara o deixou viver. Mas foi engraçado ver a cara de Gaara quando ele perguntou, algum tempo depois, se eu e Gaara já tínhamos tido sexo, e quando disse que não, ele simplesmente sorriu, dizendo que sabia, porque ambos tínhamos cara de uke.

Kakashi ria agora, mas não Iruka ou Itachi, embora tivessem que admitir que Naruto tinha, realmente, cara de uke.

- Neji vai ser o uke? – Kakashi perguntou quando Iruka colocou a primeira panqueca no prato já limpo de Naruto, o único que já havia comido toda a omelete.

- Não – Naruto sorriu de lado – Neji não vai ser um uke, e Sai já sabe disso. Agora, se me pergunta qual será a dinâmica entre Sasuke e Gaara, eu não saberia dizer, mas acredito, que em algum ponto, eles acabarão aceitando ambas as posições.

- Acha que Sasuke vai ser um uke? – Kakashi perguntou – um Uchiha, passivo?

Naruto riu insolente e todos o olharam. O sangue de Itachi correu mais rápido, e mais quente, ao ver o sorriso malicioso nos lábios carnudos do loiro, lábios que gostaria de devorar agora, e o faria, se estivessem sozinhos.

- Uma mente estreita a sua, Kakashi – Naruto falou, e sua voz mostrava toda a malícia que seus olhos e sorriso possuíam – nem sempre o uke é passivo, às vezes, ele é quem seduz e quem comanda todo o ato. Não é porque ele se abre, se entrega a outro, que não tome na mesma medida. E acredito que Sasuke, um Uchiha, vá aprender isso nessa semana na onsen dos Hyuuga, assim como Neji. Fora que se você pensa que em um relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, um deles deve assumir o papel feminino e outro o masculino, então penso que deve procurar uma mulher de verdade, e não rebaixar e humilhar seu parceiro por causa de seus preconceitos tolos. Há prazer em ambas às posições no sexo, e em um casal que tem afeição e confiança, a troca de posições é saudável e prazerosa.

Estava decidido, pensou Itachi, seduziria Naruto na primeira oportunidade que tivesse, provaria aquela filosofia. E kami-sama o protegesse, mas pressentia que jamais se decepcionaria com o loiro, e que jamais o deixaria ir.

- Naru-chan – Iruka chamou colocando um prato com as panquecas no meio da mesa e se sentando para comer – você já...já...

- Virgem – Naruto falou pegando mais uma panqueca e colocando manteiga sobre ela antes de devorar – como no dia em que nasci.

Iruka relaxou, sorrindo paternalmente para o loiro, que voltava a comer. Kakashi riu disso, achando aquele professor muito lindo, e muito gostoso, tinha que reconhecer. Se tivesse um professor como aquele, não teria se esforçado tanto para terminar tão rápido a escola. E Itachi...Itachi apenas sorriu, sabendo que seria o primeiro amante de Uzumaki Naruto, e o último, estava decidido a possuir completamente aquele loiro insolente, aquela caixinha de surpresas adorável.

- Mas agora, Iruka sensei – Naruto falou enquanto comia suas panquecas com grande entusiasmo – vai me revelar, finalmente, o que realmente lhe fez vir até aqui? O porquê dessa ruginha preocupada em sua testa, e não minta dizendo que é pela reunião que teremos, sabe muito bem que eu e meus irmãos não precisamos de preocupação, e que não aceitaremos intervenção. O que o faz ficar tão preocupado, sensei?

Iruka corou, e então suspirou, aparentemente, Naruto já aprendera a lê-lo muitos bem, como lia seus irmãos e aos livros que sempre mantinha por perto, a que se dedicava quando terminava seus deveres e ainda não podia sair e aproveitar o sol no jardim da escola. Livros que tinham atraído a atenção de Iruka, ainda mais ao ficar sabendo que quase todos eram sobre maldições e sobrenatural.

- Um amigo meu está com um problema – Iruka falou – eu pensei em abordar o assunto com você mais tarde. Aparentemente, o afilhado dele está desenvolvendo comportamentos estranhos desde a morte do pai. Azuma está até pensando que ele está possuído, Naru-chan.

- Azuma, Sarutobi Azuma? – Kakashi perguntou, surpreso pelo pacato e lindo professor conhecer Azuma, seu amigo de infância, e jamais ter ouvido falar de Umino Iruka.

- Hai, Hiruzen-san foi meu tutor desde que perdi meus pais – Iruka falou calmo – convivi muito com sua família por causa disso, mas Hiruzen-san foi gentil e me permitiu manter minha casa, a casa em que eu vivera com meus pais – Iruka então corou e Naruto o olhou curioso, o fazendo suspirar, era hora de falar o que realmente era, e porque jamais aceitara muito bem que o loiro o considerasse um homem bom – Azuma também foi meu primeiro namorado.

- Hum – Naruto pesou um pouco – e ele o tratou bem, sensei?

De todas as perguntas que Naruto poderia fazer, de todas as reações que podia ter, aquela tinha sido a única que Iruka não tinha previsto. Mas era tão...Naruto, que Iruka sorriu, concordando com a cabeça prontamente. Ele e Azuma eram jovens naquela época, mas o Sarutobi tinha sido muito gentil e paciente com ele, e fora Iruka quem terminara tudo, afinal, Azuma, diferente dele, não era realmente gay, mas bissexual e começava a notar mais as garotas. Não iria prender alguém que não desejasse ao seu lado, por isso o deixara ir, e mantivera o amigo para toda a vida.

- Sim, Naru – Iruka falou sorrindo – ele foi um ótimo primeiro amante, enquanto foi meu amante.

Naruto concordou com a cabeça, enquanto Itachi olhava a aura negra que cercava Kakashi e parecia se desprender dele. Sorriu então, pensando que o ex-tutor e amigo estava interessado no emocional professor de Sasuke, e pela forma como ele o olhara quando descobrira quem era, e como mostrara que não perdoava tão rapidamente, mesmo que Naruto desejasse, Itachi previa o tormento que Kakashi passaria, e já se divertia com isso.

- Então eu ajudo, sensei – Naruto sorriu amplamente – pode falar com ele, e combinar um encontro no Templo de Fogo, acredito que é o melhor lugar para algo assim, não?

Iruka sorriu amplamente, estendendo a mão e apertando a do loiro, agradecido.

- Os Sarutobi, todos eles, fizeram muito por mim, Naru – Iruka sussurrou – e seria bom se você pudesse ajudar, mas não quero que se esforce, entendeu?

Naruto apenas concordou, voltando a comer como se fosse uma criança, uma criança feliz por ter uma nova aventura, um novo desafio a sua frente.

Naru-chan

Neji sempre achara extremamente relaxante estar em uma onsen, jamais entendera como alguns casais podiam pensar realmente que um encontro em uma onsen poderia ser romântico, não quando tudo que sentira até então era a purificação que as águas quentes lhe despertavam, nada além do leve descongestionamento nasal causado pela vaporização dos elementos químicos presentes na água. Mas agora entendia o quanto tinha sido tolo e inocente, agora que tinha Sai na mesma onsen que ele, usando apenas uma pequena toalha envolta em sua cintura quase fina demais para um homem. Sai, completamente despido por debaixo daquela obscena toalha, assim como ele mesmo estava completamente nu por debaixo de sua toalha. Sai, com toda aquela pele pálida, reluzindo pela umidade, com seus cabelos muito lisos e negros colados entorno de seu rosto relaxado, com as bochechas levemente coradas pelo calor.

Só então Neji entendia porque onsens eram o destino romântico de casais de todos os tipos e idades.

Era tentador demais, mas Neji estava disposto a sacrificar sua libido, recém descoberta e aparentemente insaciável, em prol de cimentar o relacionamento dele com Sai. Não queria, nem por um segundo, que o moreno questionasse suas intenções, ou que ele o desejava apenas sexualmente, embora Neji, para alguém que jamais se sentira atraído por um homem, se visse pensando, e sonhando, muito em sexo com Sai.

Não sabia também, se ficava feliz ou aterrorizado por a casa que tinham ali ter onsens particulares para cada quarto. O terreno tinha sido escolhido pessoalmente por seu avô, que o desejara pelas cinco piscinas naturais da mesma nascente, planejara a casa para que cada quarto desse para uma delas, visando à privacidade de cada um dos ocupantes dos quartos daquela casa. Era o retiro de sua família, para onde iam quando doentes, cansados ou simplesmente desejando um pouco de paz. E havia muita paz ali, até Neji levar Sai com ele para aquele reduto. Agora, havia apenas o desejo, cada vez mais evidente, que corria por seu corpo e se avolumava por debaixo de sua pequena toalha.

E então os olhos negros de Sai se abriram, aqueles olhos amendoados, olhos de gato, como os de koneko, que tinha ficado em casa, sobre a proteção de suas primas. Aqueles olhos foram diretamente para Neji, primeiro percorrendo seu rosto bonito, seus cabelos longos presos em uma trança, e então seguindo a linha do maxilar para a garganta, os ombros largos, braços levemente musculosos e aquelas mãos...Sai andava divagando muito sobre as mãos de Neji, mãos grandes, macias, mas fortes, com dedos longos que sabiam ser delicados enquanto exerciam pressão. E então havia o peitoral definido, o abdômen esculpido, os quadris estreitos, as penas musculosas. E aquela toalha branca e úmida, colada ao corpo do Hyuuga, dando uma boa idéia sobre o volume que ocultava. Sem perceber, começara a tocar sua garganta, enquanto observava Neji e lambia os lábios, imaginando o gosto daquela pele, lembrando do pouco que já provara, e do viciante gosto daquela boca bem desenhada.

- Neji – Sai sussurrou e com um gemido alto, o Hyuuga se moveu para ele, pressionando-o a parede de pedra da piscina natural.

Neji gemeu novamente, se encaixando entre as pernas relaxadas de Sai, sentindo todo o corpo delgado de encontro ao dele. Sentindo as mãos de Sai em seus ombros, às coxas pressionando os seus quadris, e o sublime prazer de sentir sua ereção, que se intensificava com o contato com a semi-ereção de Sai. O beijo que se iniciou, e nenhum deles sabia exatamente quem procurara os lábios do outro primeiro, e nem se importavam, foi mais quente, e mais apaixonado do que qualquer outro que já havia trocado.

As mãos, impacientes, tocaram as partes agora descobertas e úmidas do corpo amado sem pudor, usufruindo da mesma paixão que os lábios, enquanto os membros completamente eretos, ainda cobertos pela cada segundo mais incomoda toalha de cada um, se roçavam eroticamente.

- Kami-sama – Sai sussurrou quando Neji libertou-lhe os lábios inchados pelo quase doloroso beijo, enquanto o Hyuuga deixava uma trilha de fogo na pele de seu pescoço – eu preciso de você, Neji.

- É tudo que eu queria ouvir – Neji sussurrou enquanto segurava Sai pela cintura e o tirava de dentro da onsen, sentando-o sobre a borda de pedra enquanto tirava as duas toalhas e saia da piscina de pedra também. Pegou Sai no colo, caminhando enquanto o beijava, rumando ao futon duplo onde dormiriam aquela noite e todas as outras em que ficariam ali.

Deitou Sai com cuidado, como se ele fosse de porcelana, sabia que o moreno era resistente, ouvira muito e o conhecia muito bem, mas para ele, Sai era delicado e único. Sabia que o coração de Sai era frágil, que ele era inocente, por debaixo de toda aquela atitude, por debaixo de sua proteção a Naruto, existia ainda um menino sozinho, que não sabia se merecia as coisas boas que tinha recebido, e que aceitava as más como se as tivesse merecido. Um menino que ainda se identificava com o gatinho não desejado, e que quase chorara ao saber que o irmão iria decorar um quarto para ele.

Era seu Sai, tão lindo, tão complexo, tão sedutor. Seu e somente seu, e foi com carinho, e muita paixão, que ele tocou cada recanto daquele corpo encantador, até que nenhum deles agüentasse mais, até que Sai ronronasse, parecendo realmente o animal que lhe dava a alcunha amorosa com que seus irmãos o tratavam. Mas Neji, mesmo assim, não parara, o preparara completamente para aquilo, para a conclusão do ato, para a tomada total daquele lindo corpo, porque Sai era seu e tinha que consumar aquilo, precisava consumar o amor deles, assim como Sai implorava por ele.

- Meu neko – Neji sussurrou enquanto investia, quase enlouquecendo de prazer ao ter seu pênis oprimido pelo calor sedoso do interior de Sai, seu Byakugan, uma herança passada de Hyuuga a Hyuuga desde tempos imemoriais lhe mostrava a verdadeira essência de Sai, de seu Sai, ainda mais lindo, ainda mais delicado, e totalmente seu – meu Nekomata.

E Sai ronronou, arranhando suas costas, gemendo e se contorcendo como um gato no cio, se abrindo e entregando tudo a Neji, mas exigindo igual rendição, gerando igual prazer. Até que os corpos estivessem úmidos, não mais pela água da onsen, mas pelo suor gerado pelo prazeroso exercício a que se dedicavam. Era a primeira vez para Sai, e para Neji, era como se fosse à primeira vez, sua primeira vez com um homem, sua primeira vez com uma pessoa amada e qualquer experiência que tivesse tido antes, estava esquecida e suplantada. Em seu mundo, em seu coração e mente só existiam Sai, assim como sabia que nos de Sai só existia ele agora.

Sentia ainda mais prazer ao sentir as unhas de Sai arranhando seus ombros e costas, e quando os dedos de Sai seguraram sua bunda, cravando as unhas em seus glúteos enquanto arqueava e chegava ao êxtase, Neji teve que acompanhá-lo, por mais que desejasse agüentar, por mais que quisesse continuar, prolongando ao máximo aquele momento sublime, ele teve que se render aquele corpo que o apertava ainda mais intensamente, aquele rosto que mostrava total rendição e dominância, aquele gemido ronronado que seria sempre só seu, que somente ele ouviria, que somente ele causaria. Se enterrou pela última vez naquele corpo pálido, se unindo a Sai enquanto sussurrava o nome dele, seu mantra pessoal.

Caíram em um amontoado de membros, trêmulos e incapazes de qualquer coerência, como se não existisse mais nenhum osso em seus corpos. Toda a energia que ainda possuíam foi usada para afagarem e beijarem um ao outro, até que a doce languidez do sexo se tornasse sonolência, e então inconsciência. Como estavam, eles adormeceram, para acordarem juntos, como tinha que ser, como deveria ser. Conversaria depois, se é que precisavam mesmo conversar, se é que precisava realmente entender. Porque Neji, antes de dormir sabia, assim como Sai sabia, que tinham nascido para encontrar um ao outro, que finalmente tinham encontrado a razão para estarem vivos, e nada podia ser mais importante do que isso, absolutamente nada.

Naru-chan

Gaara olhou o corpo de seu amante, de seu Sasuke, adormecido sobre a cama e sentindo uma gostosa sonolência. Seu corpo não doeria, ele sabia, assim como o de Sai não doeria na manhã seguinte. Eram feitos de algo muito mais resistente do que o humano, mas era como humanos que tinham escolhido viver e morrer.

Naruto sabia, suspirou Gaara enquanto observava a lua banhando a onsen particular daquele quarto. Naruto sempre soubera que um dia revelaria quem e o que era a Sasuke, o incentivara a isso, e deveria saber também que Sasuke, com aqueles olhos magníficos, perceberia que ele não era humano, que não era normal. Mas Sasuke não parara, não se afastara dele, e não se mostrara repugnado dele. Sasuke não o rejeitara, como Naruto sabia que ele não rejeitaria.

A manhã não lhe traria dor, nem a Sai, mas traria perguntas, e Gaara as temia, porque poderia ser apenas um sonho frágil, um interlúdio que não duraria a luz da manhã. Poderia ser que Sasuke, depois do desejo saciado, depois do sexo, depois do sono, percebesse que não desejava passar o resto de sua vida atrelado a um...monstro.

- Não – Gaara sussurrou rouco – não sou um monstro. Sai e Naruto não são monstros.

- Não – Sasuke sussurrou da cama, abrindo os olhos alertas, acordara com o sussurro de Gaara, alerta pela ausência dele na cama ao seu lado, para encontrá-lo parecendo lamentável na porta que dava para o jardim e onsen.

Não estava confuso, estranhamente, sua mente lhe dizia que sempre soubera que Gaara não era normal, que não era igual a todos os demais. Fora seu Sharingan, que se revelara sem que ele desejasse no momento em que Gaara se abrira para ele, em que possuíra Sabaku no Gaara pela primeira, mas não última vez, que percebera que Gaara não era humano.

Não podia ser, não quando seu Sharingan mostrava uma aura completamente diferente entorno do ruivo, em seus olhos, em seu corpo. Seu Gaara não era humano, e ele não conseguia se importar com isso, apenas se sentira ainda mais excitado, e orgulhoso de ter encontrado um companheiro tão formidável. Um companheiro, fora isso que pensara, essa a palavra, e Sasuke o amava, e amaria para sempre, até sua morte e possivelmente depois dela, se existisse mesmo uma vida após a morte. Gaara era seu, e não abriria mão dele, para ninguém, por ninguém, e por nada. Iria ao inferno e retornaria se fosse preciso, não permitiria que nada ficasse entre eles.

- Não, você não é um monstro, Gaara – Sasuke falou se levantando e andando nu até o ruivo, cujo brilho de desejo se mostrou naqueles olhos verdes incríveis, excitando e orgulhando Sasuke, por se saber bonito e desejável aos olhos de seu companheiro – mas se você for, então eu sou também.

Gaara deu uma risada sem humor enquanto Sasuke se acomodava a suas costas, o envolvendo com braços e pernas, fazendo com que se encostasse em seu peito em busca de apoio e calor.

- Você é um Uchiha, é claro que é um monstro – Gaara falou e sua voz estava ainda mais rouca do que o normal.

- O que você é, Gaara? – Sasuke perguntou baixo – quero saber tudo sobre você, preciso saber.

- Eu sou Sabaku no Gaara – Gaara falou olhando novamente para a lua refletida na água – e sou Ichibi no Shukaku.

- Quem? – Sasuke perguntou confuso.

- O Demônio de Uma Causa, o Tanuki de Areia – Gaara falou se virando entre o casulo que Sasuke fizera para ele, deixando a yukata que usava cair levemente de seu ombro pelo pouco espaço que tinha para se mover, mas queria ver o rosto de Sasuke, e só conseguia ver curiosidade no belo e jovem rosto de seu companheiro – nasci em Suna, para ser o jinchuuriki no Ichibi – Gaara continuou – nasci com o ódio da mulher que me deu a luz, foi ela quem escolheu meu nome, seu último regalo para mim. Gaara, na língua esquecida de Suna, quer dizer "aquele que ama a morte". Sabaku quer dizer "deserto", seu desejo para mim era que eu fosse a "aquele que ama a morte no deserto". Eu o teria trocado, mas Naruto não desejou isso, ele me disse que um nome como o meu é um talismã contra o mal, e foi somente então que eu apreciei o meu nome. Não como um talismã dado pela mulher que deveria ser minha mãe, mas porque era o nome pelo qual Naruto me chamava, era o nome que eu tinha para ele, e o talismã que ele me deu!

- Quantos anos você tem, Gaara? – Sasuke perguntou quando Gaara parou de falar, depois de um longo silêncio onde um contemplava o outro, esperando o próximo movimento, a próxima revelação, estudando um ao outro, como esperando uma rejeição. Os dois tinham o coração na balança, os dois temiam mais do que tudo ferirem ao outro, ou saírem feridos.

- Minha forma humana, com a qual eu nasci, responde a forma de Naruto – Gaara falou calmo – até então, ele era a minha família, era o centro de um mundo, de meu universo. Se Naruto aparentasse ter quarenta anos, eu aparentaria ter quarenta anos, se ele aparentasse ter dez, eu aparentaria ter dez anos. Não conhecemos o envelhecimento como vocês, o tempo nada representa para nós. Eu tenho mais de trezentos anos.

- Por que é um jinchuuriki? – Sasuke perguntou confuso.

- Não, eu fui gerado para ser um jinchuuriki – Gaara corrigiu, era melhor falar tudo, mostrar tudo e esperar que pudessem superar, ou então romperem de vez – mas o ódio e desejo de vingança da mulher que me deu a luz, sendo sacrificada por isso, como todos sabiam que seria, e a vontade de Shukaku se uniram, fazendo de mim mais do que um simples sacrifício humano, eles fizeram de mim o próprio Ichibi no Shukaku, o próprio demônio de Areia, e como demônio eu vivi por mais de vinte anos, vivendo pelo prazer de matar, pelo prazer de ser forte, garantindo minha existência acabando com aqueles que me desafiavam, que me desagradavam. Vivendo pela morte, deixando um rastro de sangue e desgraça as minhas costas, cheio de escuridão e ódio, cada vez mais ódio e mais solidão. E então Naruto apareceu...

- Fale – Sasuke pediu afagando o cabelo rubro de Gaara – me conte tudo. Eu quero saber, Gaara, eu preciso saber e o que quer que me disser, não vai sair daqui, isso eu prometo.

Gaara concordou com a cabeça, sabia que Sasuke não mentia, ou não pretendia mentir e precisava daquilo, tinha que falar e tinha que se revelar. Se Sasuke o aceitasse, seria por inteiro, e assim seria se o rejeitasse também.

- Eu não sabia quem ele era quando o conheci – Gaara sussurrou – eu jamais imaginaria que o que ele era. Mas eu o odiei, como eu o odiei! Ele era tudo que eu não era, tinha tudo que eu jamais teria, ele ria, ele chorava, ele era amado e amava. E kami-sama, eu queria provar o sangue dele, como jamais tinha desejado até então e o persegui, desafiei e ameacei, até que ameacei o humano que o criava. Foi à primeira coisa que aprendi sobre Naruto, que ele poderia agüentar qualquer coisa, ouvir qualquer insulto, se fosse para si, mas se fosse por alguém que ele amava, o gatilho seria acionado. Naruto iria até as últimas conseqüências, seria capaz do impossível para defender uma de suas pessoas preciosas, alguém que ele amasse. Esse era o legado que seus pais tinham dado para ele, e eu, um ser tão imperfeito, tão instável, tão sujo, lutei com ele e fui derrotado. E eu o temi, enquanto ele caminhava para mim, não completamente incólume, mas eu estava drenado, e ele vinha para mim. Jamais senti tanto medo na vida, jamais pensei que um dia conheceria o medo da morte, mas ele me mostrava o que existia de mais torpe de lamentável dentro de mim, e como muitos de meus adversários no passado, eu implorei para que ele não viesse, que ele não acabasse com minha existência...

Sasuke respirou fundo, porque podia ver, como se fosse um filme, a imagem formada sobre as palavras de Gaara. Podia ver, com profunda nitidez, o deserto, Gaara e suas roupas antigas, Naruto e seu kimono laranja, com passos oscilantes enquanto limpava o sangue de um corte em seus lábios, enquanto caminhava para Gaara. Os passos de Naruto não vacilavam, como ele jamais vacilaria em uma luta por seus irmãos. Era Naruto, a essência de Naruto, e por isso mesmo, a essência de Gaara.

- Mas ele me ignorou, caminhou até mim e se sentou ao meu lado – Gaara continuou, fechando os olhos e relembrando – colocou a mão em meus cabelos, como você está fazendo agora e sussurrou que estava tudo bem, que bastava. Ele conversou comigo, ele me revelou sua história, ele me disse seu nome e o nome de seus pais. E acomodou minha cabeça em suas pernas e me acariciou e afagou como se eu fosse uma criança. E ele me aceitou, me levou até onde ele estava acampado, me apresentou ao homem que eu ameaçara, e que eu teria matado apenas para lutar com ele. E ele me ouviu quando eu quis falar, e me amparou quando eu chorei, limpou e enfaixou minhas feridas, mesmo sabendo que elas desapareceriam em algumas horas. E me estendeu a mão, me ofereceu um lugar ao lado dele, para que eu pudesse aprender a ver como ele via as coisas, me chamou de amigo, me chamou de igual e me fez sentir que eu era. E então ele se tornou meu irmão, e quando Sai chegou, eu não me enciumei, eu não me rebelei, embora Sai tivesse se tornado o foco de Naruto. E então eu vi algo único, vi Naruto fazer de Sai um menino, e esse menino foi ensinado e amado como eu fora, e se tornou um irmão para Naruto, como eu era, mas o sentimento que ele tinha por mim, que eu sentia como que me envolvendo, não fraquejou, não se modificou, apenas se intensificou. Eu não estava perdendo nada, mas eu poderia ganhar e quando aquele homem levou Naruto, eu e Sai nos tornamos irmãos finalmente, porque tínhamos um mesmo objetivo, recuperar Naruto.

Sasuke concordou com a cabeça, podia compreender aquilo.

- Não recebemos nenhuma herança, construímos o que temos durante todo esse tempo, investimos, e esperamos, assumindo novas identidades quando necessário, sem jamais mudar muito – Gaara continuou – sem Naruto para nos dar uma indicação de tempo, poderíamos usar a aparência que desejássemos, podíamos ser pai e filho, nos revezávamos enquanto procurávamos por todo o mundo onde Naruto estava. O tempo, que jamais representara alguma coisa para nós, começou a contar, não porque envelhecíamos, porque isso não acontecia, mas porque sofríamos a cada segundo sem Naruto, sem saber onde ele estava, como ele estava, o que realmente tinha sido feito dele. E então, quando finalmente assumimos nossos verdadeiros nomes, quando viemos para cá, Naruto apareceu, finalmente livre, chegando a nós em uma noite de tempestade. Inteiro, poderoso, livre, e tínhamos tudo pronto, toda uma história atrás de nós, toda uma estrutura pronta para recebê-lo, para finalmente sermos novamente uma família, já tínhamos feito isso antes, mas não com tanto emprenho. Era para passarmos apenas alguns anos aqui, e então procurar um novo lugar, mas Naruto...ele disse que a hora estava chegando, a hora em que nos separaríamos novamente, não para sempre, não como tínhamos nos separado antes, mas que nos separaríamos, porque nossas vidas nos guiariam por caminhos diferentes. E então eu o segui para sua festa de aniversário e nós nos beijamos, fazendo com que eu entendesse, e temesse, as palavras de Naruto.

- Jamais vou pedir que você abra mão dele – Sasuke falou beijando a face de Gaara, que o empurrou e encarou demoradamente – que?

- Eu lhe falo que sou uma bijuu de mais de mais de trezentos anos e você me diz que não vai me afastar de Naruto? Você me beija? – Gaara perguntou surpreso e Sasuke sorriu.

- Eu entendi o que você falou Gaara, tudo que você disse – Sasuke falou sorrindo – acho incrível, e eu acredito em cada palavra.

- E não me teme? – Gaara perguntou confuso, só se sentira confuso assim quando Naruto o derrotara para ampará-lo. Era a mesma coisa, incrível demais para ser possível, mais do que ele estava pronto para acreditar, ou pensava merecer.

- Se você me desejasse mal, já me teria matado – Sasuke falou beijando a testa de Gaara, o símbolo amor em sua testa – você construiu uma fortuna maior do que a minha, por isso não deseja meu dinheiro. Você me aceitou como eu sou, e eu o aceito como é. Não importa o resto, não me importa se eu vou envelhecer e morrer e você vai continuar intocado pelo tempo. O importante é que estamos juntos, que vamos continuar juntos.

Gaara sorriu, beijando Sasuke apaixonadamente e se aproximando ainda mais, passando suas pernas por sobre as dele, para que seus corpos se tocassem completamente. E quando o beijo acabou, para que Sasuke pudesse beijar a tatuagem de Gaara, algo que adorava fazer, Gaara riu, atraindo sua atenção.

- Mas você está enganado, Sasuke – Gaara falou sorrindo – você não entendeu tudo. Eu não vou vê-lo envelhecer e morrer, eu vou envelhecer e morrer ao seu lado. Minha aparência correspondeu sempre a de Naruto, porque ele era o centro de meu mundo, mas ele não é mais. Eu sempre o amarei, e sempre o protegerei, porque ele me salvou, mas agora, minha aparência corresponde a sua. Você é meu companheiro, meu companheiro escolhido e amado, e agora você é o centro do meu mundo, a razão para eu continuar a existir. Foi isso que Naruto quis dizer com caminhos diferentes, o meu caminho não é mais atrás dele, ou ao lado dele, mas ao seu lado.

Sasuke sorriu amplamente, um sorriso que Gaara já conhecia, mas que sempre fazia seu coração acelerar e tornava o rosto de Sasuke ainda mais belo. Aquele era um sorriso que Gaara sabia ser só dele, um sorriso amoroso que nascera para ele, por ele.

- Se você me rejeitar, se me afastar de você ou me trair – Gaara falou rouco – eu vou morrer quando você morrer, porque a nós só é dado uma chance, um único amor, um amor para toda a vida. Se você não me desejar mais, eu passarei todos os anos que me restam o desejando, o odiando e amando.

- Jamais aconteceria – Sasuke falou sorrindo – eu serei seu durante todo o tempo que você for meu, Gaara.

- Para sempre – Gaara sussurrou antes de voltarem a se beijar.

Foi natural como a chuva quando Sasuke escorregou se pênis no ânus de Gaara, entrando lentamente, se unindo mais uma vez a seu companheiro. Seu companheiro de vida, para todo o sempre. Não existia mais Sasuke sem Gaara, assim como não existira Gaara sem Sasuke. Estavam juntos, estavam unidos e agora os sentimentos de Gaara eram os de Sasuke também, como os de Sasuke eram de Gaara, seus inimigos eram os mesmos, seus amigos eram os mesmos. Estavam unidos, como seus corpos, que lhes levavam mais uma vez ao êxtase daquela união. Por que eram um só, tinham nascido, em épocas, em séculos diferentes, mas tinham nascido para um dia se encontrarem, para um dia se unirem e então como um seguir para a eternidade.

Naru-chan

Uzumaki Naruto estava no jardim diante de sua casa, olhando a linda lua no céu, sentindo o vento, ouvindo o que ele lhe trazia. Seus poderes amadurecidos lhe davam onisciência, e já dominara aquele dom, sabendo quando se afastar e como se isolar de tudo aquilo, e como comandar para saber o que desejava. Antigamente aquele conhecimento lhe chegava incompleto, apenas ecos, como sonhos proféticos, agora o passado, presente e futuro se encontravam diante dele, prontos para quando ele desejasse ver, mesmo que preferisse conhecer o futuro quando ele se tornasse presente.

Entorno dele, estavam os ecos de alguns Uchiha, que tinham vindo ali com Itachi e se recusavam a partir, querendo conhecê-lo, querendo conversar. Os anseios daqueles corações não eram estranhos para Naruto, e não os ignoraria, também desejava colocar um fim naquilo e seguir seu caminho, seja ele qual fosse. E mais que tudo, queria seus irmãos igualmente livres, vivendo amplamente suas vidas, aproveitando as delicias de conviver com seus companheiros de alma. Amava os irmãos acima de tudo, eles eram o centro de sua vida, a única coisa que restara de seu passado, a única constância em sua longa existência. E por amá-los, tinha que libertá-los, até dele mesmo.

- Está feito – Naruto sussurrou para o luar, sentindo uma única e preciosa lágrima cair por seu rosto até pingar por seu queixo.

Uma mão pálida pegou a lágrima antes que ela caísse no chão, levando-a aos lábios bem desenhados. Naruto se espantou, não tinha sentido a aproximação de ninguém, mas diante dele estava Uchiha Itachi. Não ouvira o carro do irmão mais velho de Sasuke, não pensara que ele poderia retornar. Não estava preparado para aquele encontro. Não vira nada, não tivera qualquer aviso, e era como se o silêncio da noite o tivesse ocultado, como que forças mais poderosas do que ele mesmo o tivessem escondido de suas visões.

- Olá, Kyuubi no Kitsune – Itachi sussurrou, o que deixava sua máscula voz ainda mais sensual – o que está feito?

Naruto suspirou, afastando os olhos de Itachi e contemplando o luar, enquanto o moreno puxava-o pela cintura de uma forma muito possessiva e exigente.

- Meus irmãos encontraram seus caminhos – Naruto falou baixando os olhos para o colo de Itachi, onde o colar Uchiha descansava, o colar de Izuna, o colar que ele próprio tinha feito e dado ao homem que o criara. Sem conseguir se conter, ergueu a mão e o tocou, quente, mais quente do que no tempo em que Izuna o usara, mas suas palavras seguiam a direção do que começara a dizer – eles encontraram seus companheiros, foram aceitos completamente, e agora o caminho deles se afasta do meu. O que veio fazer aqui, Uchiha Itachi?

Itachi sorriu, colocando a mão livre em seu bolso e pegando o que trazia ali, erguendo no nível dos olhos de Naruto, mostrando o que lhe fizera ir até ali, depois de um sonho especialmente sinistro que tivera. Um sonho em que via toda a maldição de sua família pela visão de Madara, o que o fizera acordar se sentindo sujo e enojado. Então encontrara aquele colar e soubera que não era sua imaginação, que não era impressão, que Uzumaki Naruto e seus irmãos não eram o que diziam que eram. Em seus sonhos, entre muitas outras revelações, estava aquele colar, dado ao loiro pelo próprio Senju Hashirama, que o conhecera, que reconhecera de quem ele era e lhe dera seu colar, um presente pela vida de sua esposa amada, que não fora tocada ou cobrada ao perder Kyuubi no Youko. Depois de entregar aquele colar, Senju Hashirama marchara contra Madara e acabara morrendo, e quando Madara seqüestrara Naruto, lhe tirara aquele colar, não apenas por odiar e invejar Hashirama, mas também por odiar tudo que aquele colar representava para o Senju e para Naruto.

Não sabia o que esperar do confronto que teria com Naruto, mas não esperava encontrar o loiro sozinho, no meio do jardim, olhando nostalgicamente a lua, sem notar sua chegada ou presença, e se condoeu da alegria em sua voz ao sussurrar aquelas palavras, enquanto aquela única lágrima de pura tristeza caia por seu rosto. Mas sabia que queria respostas, e que queria Uzumaki Naruto.

- Isso é seu, Kitsune – Itachi falou vendo os olhos azuis irem do pingente ametista até seus olhos vermelhos – não sei exatamente por que vim até aqui, não sabia exatamente o que esperar, mas agora, agora eu quero isso.

Naruto ia questionar o que Itachi queria e então o Uchiha colou seus lábios aos dele, aproveitando sua boca entreaberta para invadi-la, para pilhar, tomando tudo, desvendando cada recanto de sua boca, incentivando sua língua a brincar com a dele e o fazendo suspirar. Má idéia, pensou Naruto, enquanto os ecos dos desejos de Itachi, assim como os ecos dos desejos de seus próprios irmãos o deixavam quente e carente.

Kami-sama o protegesse, suplicou Naruto, sentindo que aquilo era natural, que deveria se entregar aquilo, seja aquilo o que fosse. Sabia que deveria aceitar aquilo, com suas dores e delícias, pois era o início do fim, e de um novo começo.

Naru-chan

Nota da Li:

Mais um capítulo saindo do forno, espero que apreciem. A história está se encaminhando para o fim, não será longa como Linha, acho que nunca mais vou conseguir fazer algo como Linha, que quase levou o pouco de sanidade que eu mantenho a muita terapia.

Obrigado a todos que comentaram, e a todos que leram também.

Até mais e,

Beijos da Li.