Disclaimer: Eu não sou proprietária ou dona da saga "Twilight" , todos os personagens e algumas características são de autoria e obra de Stephenie Meyer. "O Amor pode esperar" pertence apenas à Katherine Applegate. A mim pertence apenas a parte de adaptar a obra desta incrível escritora.


6. Beijada somente duas vezes

Depois de algum tempo, fomos de moto a uma cabíne telefônica num posto de gasolina. Olhando o relógio, Edward explicou que precisava fazer uma ligação.

Fiquei sentada na moto olhando-o enquanto discava. Ele virou-se de costas furtivamente. fiz esforço para ouvir: seguro Morgan... polícia... - ouvi. Sons de voz abafada e nervosa. Quando eles estiveram lá?... Volto logo. Obrigado. "Polícia". Esta palavra trouxe-me de volta à realidade. Lembrei-me dos boatos. O que, realmente, eu descobrira sobre este cara com quem ficara de mãos dadas por meia hora, e por quem, com certeza, estava apaixonada?

Quando voltou, Edward parecia arrasado.

- Estou com problemas. Tenho de levá-la para casa.

- O que aconteceu?

- Nada - respondeu ele, pegando o capacete.

- Você tem de me levar para casa por nada?

- Não é problema seu.

- Se você me contar, talvez possa ajudá-lo.

- Não é problema seu.

Era como tentar tirar leite de pedra. Ele não ia me contar.

- Está bem - disse. - Esqueça. Leve-me para casa.

Ele colocou o capacete, subiu na moto e acelerou, nervosamente, me pareceu, mas, em se tratando de uma Harley, era difícil dizer. Bati em seu ombro:

- Diga-me apenas isto - gritei. - Você roubou ou não uma loja de conveniência?

Subitamente a moto silenciou e parou. Ele olhou para trás

- O que significa isso exatamente?

- Não. É o programa de proteção a testemunhas, certo? Seu pai é uma espécie de chefe de quadrilha de traficantes e você é testemunha principal.

Por trás de sua máscara brilhante, pude ver um largo sorriso

- De onde você está tirando essas coisas?

- Da escola. Boatos. As pessoas falam e eu ouço.

- Por que está aqui, se é isso que você pensa? Por que concordou em sair comigo? Não ficou com medo que eu a levasse ao Eleven mais próximo, para talvez pedir uma Fanta uva ou devorar dois cachorros-quentes e, em seguida, sair em disparada?

- Não fiquei com medo - disse, recuando subitamente. - Na verdade, sabia que você não era nada disso.

Ele cruzou os braços. Fiquei olhando os pêlos escuros de seus braços.

- Baseada em quê? - perguntou.

Olhei para a frente.

- Você beijou minha égua e carrega Kleenex no bolso.

Ele encarou-me, balançando a cabeça:

- Você é uma garota muito interessante, Bella. Um pouco estranha, mas muito interessante.

Novamente, acelerou a moto, virou-a e ficou sentado lá um bom tempo, observando um raurus cinzento que subia lentamente pelo elevador da garagem automática ali adiante.

- Vamos - disse, finalmente, relutante. - Há uma pessoa que eu quero que você conheça.

Quando subimos a estradinha que levava ao trailer, o velho encontrava-se sentado no banco do motorísta do Cadillac vermelho. O teto estava abaixado. O papagaio pousava em seu ombro. Pensei ter visto duas mulherezinhas de cabelos brancos sentadas no banco da frente. Só percebi que não eram pessoas quando paramos ao lado do carro. Eram cachorros poodles gigantes.

- E aí, garoto! - falou uma mulher de meia-idade, com acolchoado espesso de pregas marrons, que apareceu na porta do trailer.

Edward estacionou a moto.

- Volto já - disse-me.

Ele e a mulher conversaram em voz baixa. Ouvi a palavra "polícia" novamente. O velho agarrou a direção do Cadillac e ficou girando-a como o capitão de um veleiro veloz faria. Os cachorros e o papagaio olhavam pela janela atentamente. Segui seus olhares, mas tudo que pude ver foi um cercado coberto de ervas daninhas. Bem distante dali, um cavalo velho, tão desgastado e arruinado como o Cadillac, estava pastando. Desci da moto e tirei o capacete.

- Que mulherão - disse alguém, dando um assobio para chamar a atenção. Ouvi uma voz esganiçada que não parecia a de um homem nem mesmo a de uma mulher.

Dei uma volta ao redor do carro. Ninguém prestou atenção.

- Quer carona?

Desta vez, era, realmente, o velho. Olhei para Edward em busca de ajuda, mas ele estava muito concentrado na conversa. Aproximei-me do lado da porta do motorista, devagar. De perto o homem era menor. Seus olhos, de um azul semelhante ao de um jeans desbotado, eram fundos e empapuçados. Ele usava uma vistosa gravata-borboleta vermelha e uma camísa de flanela verde xadrez, de mangas largas que caíam sobre seus braços finos. Na cabeça usava um boné de motorista, de couro. Ele parecia muito feliz em me ver.

- Que mulherão!

Era o papagaio, compreendi, vagamente aliviada.

- Para onde você vai? - o homem perguntou.

- Ah, bem, eu moro em Fruitville - comecei a dizer.

- Posso levá-la até Vegas. Back, Forth, dêem lugar para a dama. - Ele estalou os dedos e os dois poodles chegaram um perto do outro, em perfeita harmonia. Havia mais dois cachorrinhos viralatas engraçadinhos no banco de trás. Um deles usava um chapeuzinho de palha na cabeça. Olhei para Edward. Estava se despedindo da mulher. Ele olhou me e entendi pelo seu olhar que logo estaria ali.

- Entre, entre. Vamos pegar a estrada. Você joga víspora?

Dei a volta e abri a porta, obediente.

- Não.

- Ah, e roleta? Este é o bilhete. Vermelho trinta e dois.

- Beije-me, mama - era o papagaio, novamente.

- Edward? - chamei, ansiosa.

O velho pisou no acelerador apesar de não haver chave na ignição. Ele virou a direção e inclinou-se na curva imaginária. Até mesmo os poodles acompanharam.

- Segure, garota, vamos ver o que este carrinho pode fazer?

Não sei por que, mas pus o cinto de segurança. Ele mudou de direção, inclinando-se para outro lado. Novamente todo mundo o acompanhou, exceto eu. Ele lançou me um olhar de reprovação e eu me senti culpada, como se estivesse desafiando as leis da física. Nesse momento Edward apareceu. Eu suspirei, aliviada.

- Morgan, esta é Isabella. Bella, este é meu avô Morgan. De novo? Sem prestar atenção, Morgan virou a direção outra vez.

Ele agarrou a direção.

- Sue me contou o que aconteceu, Morgan. Você achou as chaves, não foi?

Morgan olhava para a frente.

- Vamos pegar a estrada e ver aonde vai dar.

- Você já pegou a estrada - Edward disse. Sua voz estava levemente impaciente. – Você andou umas seis milhas por aí.

Pela primeira vez, Morgan parecia ouvir Edward.

- Ele fez quarenta e cinco.

- Muito mal. Você estava na pista errada. - Edward levantou um molho de chaves. - escondi estas para não haver problemas. Agora vou ter de sumir com elas de vez. Você me prometeu não sair passeando de carro por aí.

- Que mulherão - o papagaio falou para Edward.

Edward abriu a porta e esperou.

- Vamos fazer uns hambúrgueres?

O velho virou para mim. Uma vez mais ele parecia verdadeiramente feliz em me ver. - Você é a garota dele?

- Ah, bem, não.

- O garoto precisa de uma. Senão pode virar um monge.

Ele olhou para Edward.

- Você já beijou ela?

- Beije-me, mama - disse o papagaio.

- Cale a boca, Cha-Cha - ordenou Edward.

- Ela é uma gata - Morgan acrescentou.

O papagaio inclinou a cabeça:

- Que bela...

- Cale a boca - disse Edward outra vez -, ou comeremos "papagaiobúrguer" esta noite.

- Leve-a para passear. Convide-a para ir ao cinema, para ir dançar e então beije-a - sugeriu Morgan, olhando-me, meio em dúvida. - Você dança tuíste?

- Não, eu...

- É uma vergonha! Convide-a assim mesmo.

- Então você sai do carro e promete não pegar esta merda de novo? - perguntou.

- Preste atenção no que você fala díante de uma dama.

Edward respirou fundo.

- Bella, nós vamos sair algum dia, certo?

O velho revirou os olhos.

- Uma dança, alguma coisa chique.

- As pessoas não fazem mais esse tipo de coisa, Morgan.

Morgan girou a direção, amuado. As bochechas de Edward ficaram coradas. Achei encantador.

- Está bem. Bella, vamos sair para dançar em algum lugar, algum dia no futuro.

Morgan e os quatro cachorros ficaram me olhando esperançosos.

- Está bem - disse eu, meigamente -, com certeza.

Morgan saiu do carro. Bem devagar, ele deu a volta até o outro lado e abriu a minha porta. Quando saí, ele beijou minha mão. Seus lábios estavam frios e secos. Edward pegou seu braço.

- Vou levar Bella para casa, Morgan - disse, enquanto o ajudava a entrar. Os quatro cachorros foram trotando atrás dele.

Encostei na capota quente. Poucos minutos depois Edward saiu. Ele parecia... não estar embaraçado, exatamente, Diria que quase aliviado. Então comentou:

- Não tem nada a ver aquela história de roubo de loja de conveniência, não é?

- Ele é mesmo seu avô? - perguntei. - Onde está o resto de sua família?

- De volta para Detroit. Desci para cuidar de algumas coisas por uns tempos - sorriu. - Acho que deveria tê-la avisado.. ele é meio imprevisível.

- Gosto dele. Nunca ninguém beijara a minha mão antes. Pense nisso, nunca antes um papagaio fizera charme para mim.

- Há dias em que ele está bem, outros não. Na verdade é um dia muito bom. Ele está bem lúcido.

Fiquei imaginando como sería um mau dia.

- É por causa dele que você falta às aulas de vez em quando?

Edward balançou a cabeça, impassível.

- Sim. Por isso e algumas vezes por causa do trabalho. Acrescentou, encolhendo os ombros.. - Sinto muito, toda a confusão sobre a dança.

- Tudo bem. Você foi coagido.

Ele hesitou.

- Acho que vai haver algum tipo de baile, não vai? Acho que vi um cartaz sobre isso - namoradas ou coisa assím.

- Dia dos Namorados.

- Não sei dançar - comentou ele.

- Nem mesmo dois pra lá e dois pra cá?

- Mesmo assim, se você quiser e as coisas estiverem indo bem, poderíamos, sabe, ir. .. fazer gozação com as outras pessoas que estiverem dançando.

Olhei em direção ao trailer. Morgan estava de pé a porta de tela. Parecia uma sombra cinzenta. O papagaio estava em seu ombro.

- Gostaria - disse, e minha voz tremeu só um pouco.

- Está bem, então - afirmou Edward.

- Está bem.

Ele chegou mais perto. Notei a pulsação contínua de uma veia em sua testa. Notei um pequeno tremor em seu lábio quando se inclinava em mnha direção. Vi suas pupilas escurecerem. Fechei os olhos. Não queria ver. Queria sentir.

- Beije-me, mama - alguém disse. E eu o beijei.

Ainda naquela noite, Alice telefonou. Ela estava muito animada de voltar para casa e ir direto para a escola. Os médicos estavam todos recomendando que ela não exagerasse nas atividades e não tivesse pressa, mas não podia esperar. Prometi-lhe que iríamos sair e comprar muitos lenços elegantes, echarpes e turbantes. Pensamos se seria apropriado uma daquelas perucas de cabelos encaracolados, cor-de-rosa. Engraçado para nós, é claro. E se hoje ninguém mais entendesse a brincadeira?

Queria contar-lhe sobre Edward. Juro que queria. Tinha sido beijada somente duas vezes antes, uma vez numa festa na praia (daquele beijo com excesso de saliva, língua muito agitada e que deixou um gosto de Blistex na boca) e outra vez no acampamento de ciências, por um cara que nutria uma paixão daquela por mim, sem língua, com lábios secos e deixara um gosto de Bubblicious de framboesa.

Mas este foi realmente um beijo de verdade. Toda vez que eu me lembrava, ficava trêmula e tonta e o coração parecia querer sair pela boca. Parece terrível, eu sei. Mas não era. Sentia-me como se tivesse viajado a um lugar desconhecido. Como se estivesse nas nuvens, se é que me entende.

Deveria contar a Alice - fiquei pensando enquanto falavamos sobre filmes pornográficos, disponíveis na sala de televisão do hotel (ela teve coragem de pedir um?), e a rotina tediosa e horrível da radioterapia. Deveria ter-lhe contado desde o começo. Deveria ter dito: Alice, algo mágico aconteceu entre o Edward e eu naquele dia, na plantação. Mas não o fiz, porque sabia que não era isso que ela queria ouvir naquele momento.

Não que eu não soubesse que o adiamento poderia tornar as coisas piores. Eu suportara mãos suadas, um beijo tão rápido quanto o estouro de uma bola de chiclete e uma declaração de amor num papel amassado e perfumado, antes de arrumar coragem para dizer ao garoto do acampamento de ciências que eu já estava comprometida (não podia simplesmente dizer que não estava interessada, podia?). Por que simplesmente não lhe dissera? - ele resmungara. o acampamento ia durar apenas seis semanas e ele perdera duas e meia tentando me conquistar. Todas as outras moças bonitas já estariam comprometidas.

Enquanto Alice falava sobre um assistente hospitalar que gostava de garotas carecas, ouvi uma leve batida na janela perto da cama. Abri a cortina. Pude distinguir a figura de Edward sob a luz alaranjada do luar. A moto estava atrás dele. Sabia que devia tê-la desligado e empurrado até ali, do contrário meu pai já o estaria interrogando.

Edward apontou para o capacete que estava usando obedientemente. tirou-o em seguida e sorriu embaraçado.

- O fato é que - dizia Alice ao telefone - esse assistente se interessou por mim porque estou sem cabelos. Quer dizer, quer ficar falando sobre a doença.

Fiquei rindo enquanto abria a vidraça. O ar quente e perfumado enchheu a penumbra. Edward colocou a mão na tela da janela. Coloquei a minha mão sobre a dele. Ela se encaixou perfeitamente na minha.

- Que tolo! - disse, ao telefone.

- Oi - sussurrou Edward.

- Oi - respondi.

- Eu só queria vê-la antes de dormir - disse.

Ficamos assim por algum tempo. Nossos dedos estavam separados pela malha fria da tela, mas mesmo assim sentia o calor da palma de sua mão. Depois, ele colocou o capacete, virou sua moto e empurrou-a pelo gramado em silêncio.

Pensei sobre o que ele dissera a respeito de sua habilidade de cuidar das pessoas, e concluí que meus instintos não falharam naquele dia na plantação.

- Esses caras! - disse Alice. - Gostaria de saber se vou encontrar um, algum dia. Principalmente agora.

- Você vai - afirmei, suavemente.

- Você acha?

- Nós duas vamos - respondi, vendo Edward ir embora.


N/A;Aii o primeiro beijo...

Agora os segredos do Edward estão se desvendando não é?

Próximo capitulo é a festa de boas vindas da Alice, e o Edward vai estar nela...

Só esperando pra ver

E quanto mais reviews, mais rápido!

Um agradecimento especial à Lari SL(que esta comentando tato aqui quanto na outra ^^) e a Geo

Então, estou para estrear uma adap. nova querem ver?

Isabella "Bella" Swan passou um ano inteiro em Paris escrevendo cartas para sua melhor amiga Alice Brandon… e suspirando de amores pelo belo Emmett Cullen. Emmett é o típico garoto dos sonhos de todas as meninas e Bella sonha com ele desde que se conhece por gente. Agora Bella está de volta a Forks, sua cidade natal no estado de Washington, determinada a fazer com que Emmett repare nela custe o que custar. Mas o irmão mais novo de Emmett, Edward, amigo de infância de Bella, acha que é uma péssima idéia: Emmett tem fama de ser um verdadeiro don-juan. Bella merece algo melhor… ele mesmo, Edward. Mas será que ela vai lhe dar a chance de provar isso?

E ai, o que acharam?

Não esqueçam, quanto mais reviews, mais rápido!

Bjcas,

Days3.