Capítulo 6

O Senador Derek Bush fez um discurso acalorado ao dar uma entrevista para rede NBC de notícias. Suas palavras transbordavam confiança ao reafirmar que tinha plena certeza de que a Lei de Registro de Super-Humanos seria aprovada pelo Congresso ainda naquele ano. Henry McCoy olhava atentamente a tela plana do televisor, quando Logan entrou intempestivamente na sala, dizendo:

- Que bom que está aqui – deu-lhe um sorriso cínico, completando logo em seguida: - Preciso falar com você e Ororo... - girou nos calcanhares voltando por onde viera, mas parou, e olhando-o fixamente exigiu: - Agora.

O mutante azul apontou o controle para o aparelho, desligando-o, mas somente alguns minutos depois deixou a sala, atendendo a solicitação de Wolverine. Logan não pareceu dar importância ao fato, pois já tomara a direção dos jardins da mansão, onde Tempestade dava suas aulas. Ele a encarou em castanhos cintilantes, e com uma desculpa qualquer, ela deu por encerrada aula, indo ao encontro dele.

- O que foi? - perguntou vendo surgir atrás dele McCoy.

- Vamos a um lugar mais reservado – disse, lançando um olhar furtivo para os alunos que ainda dispersavam a sua volta.

Os dois assentiram e seguiram-no até o escritório, que ficava no primeiro andar da mansão. Logan foi o primeiro a entrar seguido por Ororo, e logo atrás McCoy. Logan se colocou próximo a janela, enquanto McCoy se sentava a mesa.

- Rachel está de volta – disse simplesmente para espanto dos outros dois mutantes.

- Como assim de volta? - inquiriu Ororo aturdida – Eu vi você matá-la, e nós a enterramos nos jardins... - meneou a cabeça incrédula – Não pode ser...

- Não me interessa como ela voltou – rebateu Logan – Só me interessa que ela voltou e porquê voltou.

- E tem alguma teoria sobre isso? - indagou McCoy que o analisava atentamente.

- Ivy – retrucou firme – Ela a quer, mas não sei para o quê.

- Tinha um corpo naquele caixão, não tinha? - Ororo fitava o chão intrigada com aquela revelação.

- Faz diferença agora? - rosnou Wolverine cético.

- Tenho que concordar com Logan – assentiu Fera – Não vamos conjecturar sobre o passado já que o presente prova o contrário. Precisamos de respostas a outra pergunta: O que ela quer com a srta. Peace.

- Provavelmente descobriu o mesmo que todos nós – ponderou Tempestade fitando Logan - , que a moça é uma arma letal.

Logan se afastou da janela, andando pelo escritório, e parou em frente aos dois, irritado:

- Isso não é difícil de se deduzir, mas para o que ela a quer? - Olhou de Ororo para McCoy – Qual o motivo?

- Bom, não saberemos a menos que haja um modo persuasivo que a faça contar... - fixou o olhar em Wolverine, e completou: - Já pensou que ela talvez queira se vingar?

- De mim? - sorriu Logan – Seria divertido – gracejou - , mas não acredito nisso.

Os dois o fitaram curiosos, e Logan acendeu um charuto, soltando uma longa baforada antes de prosseguir:

- Se ela assim o quisesse, teve uma ótima oportunidade ontem – encarou-os – Acho que ela planeja algo maior, e que envolve nossa nova amiguinha...

- Você contou a ela? - perguntou Tempestade.

- Ainda não – tragou, baixando a cabeça – Eu quero algumas respostas antes.

- Logan, você está protelando demais esta conversa... - fitou-o preocupada – Por quê?

- Se está tão segura do quanto é fácil, e correto, revelar a uma moça desmemoriada a verdade sobre sua vida – Ele sorriu-lhe mordaz – Vá em frente – indicou-lhe a porta com uma das mãos.

- Não acho que é fácil, mas tem que ser feito – retrucou Tempestade séria.

- Eu acho que você poderia usar seus talentos persuadindo Rachel a lhe contar o que realmente quer... - ponderou McCoy com um sorriso – Caso não conseguisse nada, saberíamos que veio por vingança.

- Obrigado pelo seu interesse, bola de pêlos – disso apagando o charuto no cinzeiro ao lado de McCoy – Acho que vou seguir sua sugestão..

- De nada – ironizou Fera.

- Ora, parem os dois – interviu Ororo vendo Logan tomar a direção da porta – O que pretende fazer?

- Exatamente o que o doutor sugeriu – disse Logan mordaz – Vou visitar uma velha amiga.

Antes dele cruzar o portal, entretanto, Ororo murmurou:

- Tome cuidado.

Sem responder ele deixou o escritório.

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O homem de cabelos loiros e olhos extremamente azuis fitavam a ruiva a sua frente, aturdido, enquanto ela sentava-se displicentemente sobre o tampo de madeira da mesa e acendia um cigarro. Uma baforada foi ao ar, e a ruiva o encarou profundamente, sussurrando-lhe:

- E então o que me diz, Sr. Presidente? - inclinou o corpo para frente, na direção dele e sorriu-lhe – Temos um acordo? - Os lábios se moveram sensualmente, enquanto levava o cigarro novamente a boca.

- Por que acha que vou concordar com isso, srta... - ele a olhou curioso, deixando a frase incompleta.

- Grey – Nova baforada – Rachel Grey, e bom, não faz diferença se concordar ou não comigo. Apenas achei que gostaria de manter seu cargo...

- Está me ameaçando? - rebateu surpreso.

- Entenda como queira – sorriu-lhe, e virando-se para o homem parado atrás de si, murmurou: - Derek sabe o quanto posso ser persuasiva...

O Senador encarou o Presidente com os olhos quase sem vida, o que provocou um desagradável mal estar no chefe de estado, fazendo-o encarar a ruiva aterrorizado.

- O que fez a ele?

- Nada – disse cínica – Ele apenas faz o que eu quero, mas precisou ser persuadido para isso. A minha pergunta a você é: Vai precisar de uma dose de persuasão também, Presidente?

O loiro olhou para Derek, que não deixara de fitá-lo um segundo, e voltando seu olhar para Rachel, assentiu:

- Está bem – engoliu em seco antes de perguntar: - O que devo fazer?

- No tempo certo saberá - sorriu-lhe – Por hora tome um banho, e relaxe com um Martini. E lembre-se: se tentar mudar nosso acordo, eu poso acabar com sua carreira revelando certos documentos que o Derek possui em seu poder. – Gargalhou - Adeus.

E dizendo isso tomou a direção da porta seguida por Derek, enquanto azuis a seguiam assustados.

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Um urro forte invadiu o ambiente rochoso chamando a atenção de Rachel, enquanto os cabelos ruivos ondulavam suavemente sobre os ombros antes de virar-se, dizendo mordaz:

- O que foi agora?

Ouviu um novo urro em resposta, mas seu olhos já tinha caído sobre o homem espremido entre as mãos de Dente de Sabre. E com sorriso de deleite, continuou num tom mais brando:

- Ora, ora... - manteve o olhar escuro sobre o homem, vendo-o encará-la da mesma forma, e concluiu: - É um prazer tê-lo aqui, Wolverine... (LOGAN)

E desviando o olhar para o mutante grandalhão, ordenou:

- Deixe-nos – O mutante pareceu ponderar sobre as palavras dela, mas Rachel exigiu: - Eu mandei sair!

Mostrando seu descontentamento com a ordem recebida, ele mostrou as presas, largando Logan sobre o chão frio e deixou a sala. Wolverine pôs-se de pé, estalando o pescoço ao virá-lo para os lados e ouvi-a dizer:

- O que tencionava obter de mim deixando-se apanhar tão facilmente?

- Creia-me, não foi fácil entretê-lo até que ele decidisse me trazer aqui – ironizou.

Rachel sorriu-lhe em resposta, e devagar, se aproximou de Logan com o olhar no dele.

- Eu não devia recebê-lo bem... - gracejou – Você levou minha prisioneira.

- Vai deixar que algo tão pequeno abale nossa relação? – Foi a vez de Wolverine devolver-lhe a bravata. - Não é esse o seu feitio.

- Você me conhece pouco, Logan - Ela estava próxima, e tocou os lábios dele com o dedo, deslizando por toda sua superfície – Podíamos resolver isso... - murmurou ao pé do ouvido dele.

" É isso aí, boneca" - pensou Wolverine. Ela estava aonde ele queria, e sem respondê-la com palavras, enlaçou-lhe a cintura, puxando-a contra si e beijou-lhe ardentemente. Ele não fôra ali apenas saber o que ela queria com Ivy, queria saber quem realmente era ela, e agora tinha certeza de que Rachel não era nem a sombra de Jean.

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McCoy entrou em seu gabinete naquela manhã como sempre fazia todos os dias, sorrindo complacente para a jovem sentada atrás de uma sólida mesa na ante sala da sua.

- Bom dia, Grace.

O olhar eficiente da loira já captara o sorriso dele antes da saudação matinal, e sorria-lhe de volta, respondendo-lhe:

- Bom dia, Ministro.

Colocou-se de pé, entregando-lhe uma pasta de memorandos e seguiu-o até a porta da sala. Antes que McCoy abrisse a porta, no entanto, ela lhe soprou:

- O Senador Bush o espera aí dentro – deu-lhe um pálido sorriso – Não quis voltar mais tarde, apesar da minha insistência.

- O Senador? - Fitou-a curioso.

Grace assentiu brevemente com a cabeça, e McCoy posou a mão na maçaneta, girando-a e sussurrou-lhe:

- Sem problemas – Ajeitando o nó da gravata, entrou na sala.

O Senador estava de costas para McCoy, mas ouvindo o som da porta se abrindo, virou-se para encará-lo com um sorriso nos lábios. Educadamente, Henri retribuiu-lhe sorriso, caminhando até ele e cumprimentando-o com um aperto de mão.

- Bom dia, Senador – disse-lhe amável, ao dar a volta na mesa e sentar-se na cadeira de espaldar alto. - Em que posso lhe ser útil?

- Na realidade, Ministro, não creio que seja nada de muito importante – respondeu com cuidado, encarando McCoy - , mas eu soube por fontes próximas ao Presidente, que ele parece disposto a retomar a votação da Lei de Registro de Super-humanos. Essa última fuga dos alojamentos causou um certo desconforto...

- Eu vi sua entrevista na televisão ontem, Senador – interveio Henri - Bastante inflamada eu diria, para os dias atuais. Não creio que o fato de meia dúzia de nós terem deixado a área de alojamento possa causar tanto desconforto ao governo. - Ele pigarreou olhando atentamente o homem a sua frente, e continuou no mesmo tom calmo: - Entretanto, eu fico agradecido com a sua preocupação em me trazer a notícia. Fique tranqüilo, verificarei o quanto há de veracidade nela – sorriu-lhe uma vez mais, pondo-se de pé e estendendo-lhe a mão - , e se quiser, o mantenho informado. - encerrou a conversa.

O Senador pareceu pego de surpresa pela reação do Ministro, e nada mais tendo a fazer se não aceitar a mão que lhe era estendida, apertou-a desconfortavelmente. Num girar de calcanhares, Bush deixou a atmosfera quente da sala de McCoy. Assim que se viu sozinho, os olhos de Hank vagaram no infinito, enquanto analisava: "- Não havia nada de lúdico nas palavras dele. Aquilo foi um aviso... O jogo já começou"

Posou o queixo sobre as mãos entrelaçadas e deu um longo suspiro. Talvez fosse bom procurar o Presidente, de uma forma ou de outra. Uma hora depois, McCoy deixava seu gabinete.

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Ilha Muir, Escócia

Um homem de seus quarenta e pouco anos, cabelos escuros e barba por fazer, estava sobre a maca, inerte, ligado a vários aparelho que o mantinham vivo. Não era um ato comum mantê-lo assim durante tanto tempo, mas o fato de o cérebro dele funcionar normalmente depois de tudo o que passara, era digno de estudos mais prolongados. O centro de pesquisas do hospital decidiu, então, deixá-lo ali até obterem laudos mais satisfatórios sobre os danos causados as estruturas cerebrais e vitais do paciente.

A médica de plantão passou pelo quarto, como fazia todas as manhãs, mas naquela em especial algo lhe chamou a atenção, algo que não poderia aparecer no monitor. Ela se aproximou da cama, deixando seus olhos correrem pela tela, e com um sorriso satisfeito virou-se para o enfermo, tomando-lhe o pulso. Ela o fitou atentamente por alguns minutos, e antes que pudesse sair dali e contar a alguém sobre a descoberta, foi detida pela voz dele que abrira os olhos, chamando-a:

- Moira...

A mulher parecia aturdida, um misto de alegria e assombro tomou seu semblante, e aproximando seu rosto do dele, perguntou-lhe atordoada:

- Charles?

- Sim, Moira – disse com dificuldade – Sou eu.

Ela levou as mãos aos lábios, tremendo, e depois de algum tempo, posou-a sobre o rosto dele mantendo um sorriso nervoso nos lábios:

- Como você fez isso?

- É uma longa história – sorriu-lhe palidamente – Assim que me sentir melhor eu lhe conto...

- Ò, Charles, você está vivo – Fitou-o carinhosamente, colocando a mão sobre a dele. - Eles vão adorar saber disso!

- Moira – chamou-a mais uma vez – Ainda não. Há coisas que preciso saber antes de me revelar ao mundo. – Ele a viu assentir com a cabeça – Como foram os últimos meses?

Ela sorriu-lhe complacente, sentando na beira da maca e, com o olhar brilhante, passou a relatar tudo que acontecera ao paciente nos mínimos detalhes. Lá fora, entretanto, o tempo começava a correr contra os mutantes.

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N/A: Beijos especiais na minha beta maravilhosa Na!! E imensos na Carlinha e na Jéssica por aguaradarem o caps novo com tanto carinho! Desculpem o atraso, mas a fic tah completa, acreditem! Bjokas, Rô.