Capitulo 6
Ben fez um sinal para que os Encanadores que estavam atrás dele continuassem andando. O grupo contornou o prédio e assim que se aproximaram da entrada do galpão, houve um grande estrondo, que reverberou por todo o prédio.
Eles saíram correndo de maneira coordenada, afinal todos sabiam o que fazer. Tinham repassado a missão várias vezes. Ben foi à frente, sentindo o suor escorrendo pelas costas. Não podia falhar com os que estavam sob seu comando. Rapidamente, ele abriu a porta do galpão e entrou, sendo seguido pelo grupo.
O local estava um caos total. Kevin berrava e atirava enormes caixas em cima de um grupo de aliens, cuja aparência reptiliana lembrava aquele que havia feito uma armadilha na nave abandonada.
-Beta, em frente! Alfa, comigo! –Ben abriu fogo, atirando nos aliens e saiu correndo pela direita, afim de atingir melhor o seu alvo.
Os Encanadores se dividiram em dois grupos e a luta começou a ficar mais disputada. Ambos os lados trocavam tiros, enquanto se protegiam atrás das caixas que haviam no galpão.
Ben conseguiu matar um réptil com um tiro certeiro e continuou seu caminho, se aproximando do grupo inimigo. Apesar dos tiros, Kevin continuava derrubando os alvos usando força bruta. Seu corpo tinha absorvido metal e fazia barulhos abafados toda vez que acertava algo.
Demorou algum tempo, mas a situação foi controlada pelos Encanadores. Alguns saíram feridos, mas nenhum morreu. Os aliens que sobreviveram foram presos e a carga de Dyamantino devidamente recuperada e enviada para a base.
Após esperar o reforço chegar e fazer o relatório da missão, Ben voltou para sua nave, totalmente cansado, suado e faminto. Vinha num ritmo frenético de trabalho e isso o estava deixando estressado.
Assim que a porta da nave abriu, encontrou Kevin mexendo no painel, ligando o motor e programando a rota de volta pra Terra. Ele foi pisando forte e girou a cadeira do outro, obrigando-o a encará-lo.
-Você tem noção do risco que causou minutos atrás? –Ben levantou a voz, descontando toda a raiva que sentia. -Que negócio é esse de sair agindo por conta própria? E nosso plano?!
-Os Repitides já estavam indo embora, o carregamento estava pronto! –Kevin franziu as sobrancelhas e encarou o outro furioso. –Eu apenas chamei a atenção deles e os segurei enquanto você chegava.
-Essa sua mania de sair arriscando tudo! Temos uma conduta, um código! –o mais novo bufou e apoiou as mãos no braço da cadeira do outro, aproximando o rosto. –SIGA O PLANO!
-Ninguém nunca me disse o que fazer, e não vai ser agora! –o moreno também aproximou o rosto do outro, ficando a milímetros de distância. –Você se esquece de que eu não sou um Encanador. Sou apenas um detento cumprindo liberdade provisória.
A convivência acabou esmorecendo todas aquelas atitudes mais reservadas que tinham um com o outro. Era como se finalmente estivessem tendo a oportunidade da proximidade que foi arranca pela morte de Max.
Ben ficou ainda mais irritado com aquele comentário de Kevin e encarou o outro. O moreno ficou alguns segundos preso naqueles intensos olhos verdes, sentindo o coração aos poucos aumentar o ritmo. Sabia que estava preso a uma situação que não tinha mais saída.
Por um momento acho que realmente pudesse simplesmente tratar Ben como seu Avaliador e conseguir sua liberdade e assim, se ver livre de todo seu passado. Contudo, ao sentir a força daqueles olhos verdes sobre si, a atração foi inevitável. Estava novamente preso naquela cor estonteante, refém do seu coração.
Kevin olhou para os lábios do outro e sabia que tinha de fazer. Antes que Ben pudesse esboçar qualquer reação, segurou o rosto dele entre as mãos e o beijou. No começo, o mais novo ficou surpreso e tentou se soltar, mas acabou relaxado.
Os lábios se uniram e Kevin abriu a boca, permitindo que Ben explorasse sua boca. As línguas se tocaram por inteiro, causando um forte arrepio no mais novo, que gemeu com o contato.
Kevin levantou-se, não terminando o beijo. Sabia que era mais alto que Ben, então passou as mãos pelas costas dele, e parou logo embaixo da bunda. Segurou-o por ali, levantando o outro como se fosse feito de papel e o colocou na borda do painel.
Ben sentia que seu corpo inteiro estava quente e precisava de mais. Apenas beijar Kevin não era o suficiente, era engraçado sentir como o corpo dele estava diferente do que se lembrava.
O moreno ficou entre as pernas do outro, que estavam entrelaçadas em sua cintura. O beijo se intensificando cada vez mais até que Kevin sentiu que já estava completamente rijo e mesmo com os tecidos do macacão, também sabia que Ben estava. Sua mão foi direto no fecho e começou a puxar o zíper pra baixo, quando foram interrompidos por um barulho.
Eles se viraram a cabeça para trás e viram que tinha um Encanador parado perto da porta. Era um Ultra T e apesar de não ter rosto humano, parecia bem envergonhado. Limpou a garganta e coçou a cabeça.
-Senhor... Precisam de você na base. –disse, com a cabeça baixa.
-Sim, já estou indo. –Ben soltou as pernas da cintura de Kevin e ficou de pé. –E Rip, nenhuma palavra sobre o que viu.
-Sim senhor! –Rip fez posição de sentido e saiu da nave.
Kevin e Ben ficaram se encarando por alguns segundos, um silêncio constrangedor no ar. O mais novo limpou a garganta, ajeitou o cabelo e fechou o macacão. A nave foi ligada, a porta fechada e foram direto para a base dos Encanadores, sem dizerem uma palavra durante todo o trajeto. Chegando lá, Ben saiu andando rápido pelo local seguido por Kevin, indo diretamente para a sala do Grão-Mestre.
-Finalmente vocês chegaram... –ele disse, descruzando as mãos. –Podemos começar a reunião.
Foi então que Ben percebeu que mais uma pessoa na sala, sua prima Gwen. A ruiva usava um vestido verde longo e parecia à vontade com a situação.
-Que reunião? –Kevin perguntou, sentindo-se intimidado.
-Pensei melhor a respeito da sua condicional e pretendo mudar algumas coisas. –o Grão-Mestre levantou-se da cadeira. –Principalmente sobre Ben ser seu Avaliador, Kevin.
