— O que você está fazendo aqui?!
— Bem, eu moro aqui. — Respondeu serenamente.
— Sim — Sakura continuou indignada — E por que você não me avisou que estava morando no mesmo prédio que eu? Pior, no mesmo andar!
— Primeiramente, eu não sabia que você morava aqui. E, depois, não lembro de cláusula alguma dizendo que eu lhe deva satisfação da minha moradia. — Sorriu sarcástico após a resposta. Sakura, obviamente, sentiu-se imensamente contrariada com a réplica. Mas, como sempre, não hesitou em treplicar a altura.
— Você só pode estar de brincadeira com a minha cara, né, Naruto?! — pegou-o pela gola da camisa e pressionou-o contra a parede do elevador — Como ousa falar dessa forma comigo?!
— E-era brincadeira, S-sakura! — engoliu a seco — Desculpe-me, por favor! — Pediu desesperado. Não esperava levar uma tremenda surra antes de subir mais que três andares. Mas tudo conspirava para a pior das situações. Independente de qualquer coisa que acontecesse, a mais pura interrupção seria a salvação de cada fio loiro da cabeça de Naruto. E, por ironia(ou não) do destino, as preces do garoto foram preciosamente atendidas. Talvez, inclusive, as mais antigas.
Então, como num piscar de olhos, as luzes do elevador se apagaram logo após o mesmo parar pouco antes de chegar no sexto andar. Ora, mas que porcarias aconteceria dentro de um cubículo fechado com um cara "recém-chegado" junto da menina mais cabeça dura e violenta da cidade? Boas coisas? Duvido… Péssimas coisas? Pode apostar que sim.
— Pu-ta-que-pa-ri-u! — Sakura soltou a camisa de Naruto vagarosamente para levar suas mãos até a cabeça e começar a se desesperar. Concomitantemente a isso, o garoto apenas puxou o celular do bolso da calça e ligou-o habilmente para acender a lanterna, posicionando-a diretamente para Sakura, que o olhava tremendamente apavorada.
— Olha, temos luz! — Sorriu na tentativa de amenizar a situação.
— Que maravilha! Você tem um telefone. Vamos, ligue logo pra alguém vir nos tirar daqui.
Naruto olhou rapidamente para a tela de seu smartphone e constatou que o mesmo estava sem sinal algum, totalmente incomunicável.
— Não tem sinal... — suspirou — Apenas fique calma. Em pouco tempo alguém deve vir nos tirar daqui. — Pôs uma mão em seu ombro na tentativa de acalmá-la.
— Cara, você tá maluco?! Tá escuro e apertado aqui! E se esse negócio cair?! Não tô vendo a mínima luz pela brecha da porta, o que significa que paramos na metade do andar, que eu nem sei qual é! Deve ter faltado energia na droga do prédio todo, do bairro, da cidade! Como vamos pedir socorro?! Eu sempre soube que seria uma porcaria morar em prédio sem gerador próprio. Caralho, caralho, var-
Naruto tirou a mão do ombro de Sakura para tapar sua boca inquietável. Deus, como ela ficava chata e tagarelante quando estava nervosa.
— Apenas acalme-se, não há motivos para desespero. Respire fundo. — sugeriu e ela o fez — Agora pare de falar muito. Vamos precisar de todo oxigênio possível.
Ao dizer isso, Naruto pôde constatar o desespero no rosto de Sakura mais uma vez ao ver seus olhos arregalarem e ela começar a gritar e bater nas paredes do elevador.
— SOCORRO! — batia e gritava o máximo que podia — ME TIREM DAQUI, EU AINDA QUERO APRENDER A NADAR!
— Sakura! Sakura! — agarrou-a para que se afastasse da porta — Pare com isso! Quando digo que precisaremos de todo oxigênio possível, falo sério! Fique quieta!
— Não, não! Me solta, Naruto! Me solta! — Contorcia-se na tentativa de se livrar dos braços do rapaz, mas ele era forte demais.
— Sakura, cala! — gritou e a colocou de volta ao chão — Se você não se acalmar, só piorará a situação! — Como a luz do celular havia apagado no meio da confusão, Sakura não pôde ver a expressão que Naruto fazia. Mas imaginava que não fosse das melhores.
— M-mas eu estou com medo.
— Claro que está! Eu também estou. — Após acalmar-se um pouco, Sakura percebeu que Naruto estava meio ofegante.
— Você está bem? — Preocupou-se.
— S-sim, apenas um pouco cansado — encostou-se na parede do elevador — Não há com o que se preocupar.
— Você tem claustrofobia? — Perguntou.
— N-não. Apenas algumas crises respiratórias quando estou em lugares apertados e escuros. — Cada palavra era combustível para que sua respiração ficasse mais complicada.
— Meu Deus, é claro que você tem claustrofobia! — procurou o rosto de Naruto rapidamente com as mãos — Você está suando demais! Droga, droga, droga.
O rapaz ficava cada vez mais ofegante e Sakura quase não conseguia pensar de forma racional. Ela apenas queria sair dali logo. Mas, certamente, isso não aconteceria tão cedo e ela precisava ajudar seu amigo. Afinal, ela era estudante de Medicina. Devia saber o mínimo para socorrer alguém num momento como aquele. Então, num impulso, a rosada resolveu virar a casaca e se responsabilizar pelas duas vidas contidas dentro daquele elevador apertado e sombrio.
— Bem, tente respirar fundo, Naruto — disse — Vamos, sente-se. — Pegou as mãos do rapaz e abaixou vagarosamente até que estivessem sentados.
— O que… — inspirou o máximo que pôde — O que você vai fazer? — Expirou.
— Vou cuidar de você. Agora, calado. — procurou a barra da camisa do garoto e a levantou, retirando-a. Após isso, iniciou uma massagem no peito de Naruto, na tentativa de aliviar sua falta ar. — Ande, desencoste da parede e mantenha a coluna reta. — Ordenou para que fizesse o mesmo em suas costas. Lentamente, Naruto voltava a respirar melhor e sem desespero. Tudo parecia melhorar agora.
— Obrigado, Sakura. — agradeceu e vestiu sua camiseta novamente — Desculpe se eu te irritei ou s-
— Não precisa agradecer. E menos ainda se desculpar. Eu que dei uma de histérica e de desesperei toda desnecessariamente. — Confessou envergonhada. Porém, após isso iniciaram uma conversa longa sobre as coisas que não puderam terminar horas antes, na floricultura. O clima ficou totalmente suave depois de tudo o que havia acontecido e o tempo passou que eles nem perceberam. Quando deram por si, já passavam das 19 horas e nem parecia que estavam loucos para sair dali.
— Nossa, já escureceu lá fora. Será que eles ainda não se deram conta da nossa falta? — Naruto questionou.
— Que merda, odeio essas coisas — disse insatisfeita antes de se encolher para aquecer o próprio corpo. O rapaz percebeu o movimento de Sakura e pôs a luz do telefone em sua direção.
— É verdade, está ficando frio mesmo. — Após dizer, aproximou-se da menina e a envolveu com um de seus braços.
— O-o que você está fazendo? — Perguntou assustada.
— Se nossos corpos trocarem calor, ficará mais fácil não morrer de frio. — apertou mais um pouco no "abraço". — Quanto mais perto, melhor.
Naquele momento, Naruto deu graças a Deus que estava escuro e Sakura não podia ver seu sorriso de satisfação por estar agarradinho com o amor da sua vida. Como dito antes, cada prece de Naruto havia sido atendida naquele instante. A rosada tocou toda a extensão de seu peitoral e costas, eles estavam sozinhos e abraçados. Estava tudo uma maravilha.
— Naruto…? — Chamou-o.
— Sim?
— Er… — parecia meio encabulada — V-você… Poderia me… Você poderia me aquecer mais um pouco? — Pediu, totalmente envergonhada. Mas Konoha era conhecida por ter noites congelantes. E, justo naquele dia, estava pior do que nunca. Sakura estava morrendo de frio e não se via livre daquela única alternativa para aquecer o próprio corpo.
— Claro! — prontamente posicionou-se atrás da garota, envolvendo-a com os dois braços e pernas — Assim está melhor?
Sakura estava maravilhada com a prontidão de Naruto e quão quente ele era. Para falar a verdade, ela estava se sentindo uma vadia de quinta. Meio Ino, sabe? Pois é. Ela não era muito de sair pedindo para qualquer um se enganchar nas costas dela assim, do nada. Mas não era "qualquer um". Era só o Naruto. Só o Naruto…
— Assim está ótimo.
