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06 – Morte

É curioso como a morte opera, assim, tão interligada, pensou Riza enquanto lia seu romance dracmano encolhida na poltrona vinho da sala de leitura, junto à janela. Chovia havia muitos dias, e ela já estava começando a apreciar o cinza azulado que ficava a paisagem, e o canto dos sapos junto à calha, todos os dias a mesma coisa. Era até bonito. Mas enquanto refletia seu pai saiu do escritório, prorrompeu pela saleta até uma cômoda, abrindo a primeira gaveta com um rangido seco. Riza ouviu um som de papéis sendo remexidos e logo seu pai fechava com mais ruído ainda, segurando a essência âmbar contra a luz da janela. Dando-se por satisfeito após um tempinho, voltou à sua sala.

Você vê, continuou a garota esticando as pernas e voltando a dobrá-las contra o peito, apoiando o livro nos joelhos, a morte vem de repente, como a vida, e mesmo que você a espere ela é sempre uma surpresa. Mas isso nem é o mais intrigante. É que ela é igual ao nascimento, mais chegada ao amor do que ao horror. Você vê (Riza lambeu a ponta do indicador e virou a página), porque quando mamãe morreu, e ela morreu de repente, papai acabou indo junto, por amor.