Sim, eu revivi dos mortos. É que a inspiração só vem depois das duas da manhã
Inside
A barulhenta cidade fazia a trilha sonora do maior casamento do ano. E para aquele garoto, era tudo... Silêncio.
Ele se lembrava bem do dia em que recebeu aquele convite enrolado e delicadamente preso por uma fita rosa brilhante. Era tão... Típico dela. É, era isso. Ela era tão típica.
Por isso, talvez, ele não compreendesse a união dos dois. Por que? E por que ele tinha sido convidado? Para ver a pessoa que ele mais amara em toda sua vida unindo eternamente laços com outro alguém que não era ele? Havia sonhado tantas vezes com esse casamento.
Sonhado não. Estavam mais para... Pesadelos. E ele sofria, dia, após dia, acordando, inquieto e suado. Dando graças a Deus aquilo ainda não era real.
E agora... ? Agora era real. Era real demais, para ser acreditado. Ele ainda, com toda certeza, não tinha posto na cabeça que os dois iam entrar. Via ela de noiva, deslumbrantemente linda. Via ele de noivo, incrivelmente elegante. Mas diferente das outras pessoas, que só felicidades desejavam ao casal, não via aquelenoivo se casando com aquela noiva.
Era horrível demais. Era... Improvável... Impossível.
Por que ele nunca havia notado que havia algo entre os dois? Por que ele sempre se manteve cego. Por que afinal só eram colegas de trabalho não é?
E agora... Estavam felizes com sete meses de namoro nas costas. Tão pouco pra ele, tanto pros dois.
Por que queriam eternizar uma paixonite infantil daquelas depois de apenas sete meses?
Quem foi que leu que sete era o número do azar no jornal?
Ou será que era só pros regentes de Libra?
As delicadas gotas de chuva se tornavam violentas a medida que o mais magro ponteiro do relógio se movia. A loira cabeleira do garoto era castigada por cada pedaço do céu. Ele se sentia tão idiota naquele momento. Se sentia tão... Invisível.
Seus olhos azuis miravam cada pessoa que passava, apressada, ao seu lado.
Ele retirou o papel azulado do bolso e releu o endereço da igreja. Já sabia de cor, mas fazia isso pra ver se ele acordava daquele horrível pesadelo.
- Naruto! – Ele olhou para trás e verificou, como já imaginava, o par de olhos negros que o fitavam. Diminuiu o passo permitindo que o amigo conseguisse chegar ao seu lado. – Indo ao casamento?
- O que você acha?
- Quanta grosseria gratuita. – Um cínico sorriso se formou nos lábios do acompanhante. Seu terno chumbo fazia contraste com sua pela extremamente clara e seus cabelos negros como a noite. Como aquela noite. – Quem diria que eles iriam se casar hein?
- É.. Quem diria – Respondeu atravessado, por entre os dentes, evitando olhar o outro nos olhos.
- Não está muito feliz por eles? Não formam um casal lindo?
- Ah, vá te catar... – O Loiro perdia a paciência com o outro rapidamente.
- Ainda está alimentando essa paixão adolescente estúpida? Qual é Naruto. Isso só te faz mal.
- Como se você se importasse...
- Me importo por que sei como se sente.
- Cale-se, Sai – O passo do loiro aumentou propositalmente deixando o moreno para trás.
Sai tinha razão. Era só uma paixão adolescente idiota...
Mas por que... Lhe fazia tão mau. Por que ele se sentia tão destruído por dentro? Será que era tão forte assim o que ele sentia?
Era estranho. Tanto, que nem Naruto sabia definir. Talvez, fosse apenas desejo. Fosse apenas carnal, fosse apenas... Momentâneo.
Mas se fosse. Já deveria ter passado. Ele tivera sua chance. Ele tocara aquele corpo, aqueles lábios, sentira aqueles olhos sobre os seus. E se corpo se estremecia só de lembrar.
Mas se fosse apenas
superficial. Deveria ter passado com aquela noite perfeita onde
todos, todos os sonhos do loiro foram concretizados com a máxima
perfeição.
Tudo havia sido feito em segredo, e talvez isso
magoasse o loiro.
Queria tudo de verdade. Queria poder jogar na cara do Sai que tinha posse daqueles lábios bem desenhados só para si.
Sai, que tanto zombava dele, possuía o mesmo desejo, pela mesma pessoa. Mas nunca fora capaz de admitir isso pra alguém. Exceto para o Uzumaki.
E os dois passavam horas discutindo o que aquele jeito totalmente... Anormal tinha de tão especial. Por que tantas pessoas suspiravam na presença do tal?
Por que era tudo tão... Especial quanto estavam juntos?
E essas perguntas se desdobravam em tantas outras, que tampouco possuíam uma explicação racional.
Muitos apenas justificavam dizendo que a perfeição nascera ali, e ali morreria. E aquele ou aquela que tivesse a suprema felicidade de poder passar a vida ao lado de tal divindade, seria extremamente sortuda.
E como aquele loiro desejava aquela perfeição.
Não... Como aquele loiro amava aquela perfeição.
E estava tudo...
Perdido.
Ele adentrou na igreja, passando direto, mas sem deixar
de notar, o carro rosa escrito 'recém-casados'. Sentiu um aperto
no coração.
O noivo já se encontrava no altar. Parecia apreensivo. O loiro tentou sorrir, afinal era o dia de seus melhores amigos. Deveria ao menos, estar feliz.
Graças a Deus conseguiu recusar o pedido para ser padrinho. Disse que não levava jeito, enrolou os dois e conseguiu.
Se estivesse lá na frente agora, não iria suporta. Mais convidados foram chegando até que o local estivesse cheio. Os minutos no relógio pareciam demorar a passar, ainda mais quando a música da noiva começou a tocar.
As orbes azuis seguiam do noivo para a menina que ia ao seu encontro. Seu vestido se arrastava delicadamente no chão. Ela andava com uma leveza que quase a fazia flutuar.
O coração do loiro batia cada vez mais rápido.
O padre iniciou seu discurso. Na primeira fileira as mães choravam de alegria e atrás delas, as pessoas presenciavam a cena com um sorriso enorme nos lábios.
Era tudo tão feliz. Tão perfeito.
Parecia um filme. Tudo andava em câmera lenta.
Os sorrisos, as lágrimas, as palavras. Tudo na menor velocidade que ele via.
Não calculou seu próximos passos, mas sentiu seus pés o fazendo levantar e o guiando ao corredor principal da igreja. Sentiu todos os olhares se voltando contra a sua pessoa. Muitos, extremamente irritados.
- Eu... Não posso deixar que se casem... Eu...
Os noivos olharem incrédulos para o amigo.
- Eu te amo... Sasuke.
O silencio se instalou no local e o loiro sentiu suas bochechas ficarem incrivelmente quentes.
- Na... – Sasuke suspirou e se aproximou a passos lentos do amigo, tocando-lhe o ombro – Eu sinto muito, Naruto... Mas eu amo só uma mulher. A Sakura.
- Você... É tão... Desumano, Sasuke.
Com um movimento brusco Naruto empurrou a mão de Sasuke para longe de seu ombro e se virou de costas forçando um sorriso.
- Espero... Por Sakura e apenas por ela. Que vocês sejam incrivelmente felizes. E por favor, mande-a lá em casa amanhã pegar suas roupas que ficaram da vez que dormimos lá. Você se lembra não se lembra?
Sasuke cerrou os punhos e se virou de costas voltando ao altar como se apenas não tivesse ouvido nada. Todos se viraram para o casal e Naruto soube que era hora de ir.
Antes, deu uma ultima olhada em Sai, este ocupava um lugar isolado dos demais, seus olhos estava um tanto inchados e vermelhos, mas ele ainda tinha forças para mandar um sorriso cínico ao outro.
- Eu te disse que era melhor esquecer Naruto. Eu te disse – Foi tudo que o loiro conseguiu ler dos lábios do outro, antes de sua visão embaçar por causa das lágrimas.
Seus pés, por mais teimosos que fossem cederam a vontade do garoto de deixar o local para trás.
Tudo naquele local era branco, era feliz. E só ele se sentia vermelho por dentro, e sabia que exalava uma tristeza imensa.
Um final trágico? Que coisa MUITO estranha pra mim xD
Gente, eu preciso de sugestões de casais T.T
Enfim. Bom dia/noite/tarde
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