CAPÍTULO VI - Dois corações, uma mulher

Porto Alegre, 28 de maio, meia-noite e 35 minutos. - Boate Athenas

Voltamos à casa noturna de Julian Solo, empresário filantropo, que agora pode ser um financiador do crime. Será isso a verdade por detrás da pose de homem honesto que contribui com a sociedade? Eu não consigo acreditar, Solo é um homem carismático e simpático, mas acredito em Cristal que é tido por mim como um irmão mais novo.

- Kamus! Vou dar uma olhada na morena que está fazendo pole dance.

- Já vi, você não vai dar muita bola pro trabalho... comporte-se! - Como de costume, nem me deu ouvidos. Uma hora dessas eu vou tirar umas férias e vou deixá-lo atolado de casos.

- Muito bem, por onde devo começar... Já sei!


Enquanto o Kamus fica tentando achar agulha no palheiro, prefiro ver essa morena estonteante. E vocês?? Pele bem clarinha, cabelo preto comprido e um corpo bem delineado dançando na minha frente. Ih, olha só! Ela tá olhando pra mim, será que ela gostou do "Miro tudo de bom" aqui? Quando ela terminar vou ir atrás dela. Nossa Senhora! O que essa mulher deve dançar em cima da cama? É melhor nem imaginar agora... opa! É a deixa dela.

- Espere, moça! - Ela olhou surpresa.

- Sim.

- Oi, tudo bem. Sou Miro, Miro Rosales. Prazer. - Estendi a mão pra moça.

- Pandora. Prazer.

- Escute Pandora, eu notei que você ficou me olhando enquanto dançava. E eu claro não tirava os olhos de você.

- Obrigada. É que você me lembra um ex-namorado meu.

- É. Mas eu nunca te vi, senão seria seu eterno namorado. - Ela corou.

- O nome dele é Aiacos, mas eu não o vejo já faz muito tempo. Se seu cabelo fosse mais escuro, eu diria que você é ele.

- Eu não sou esse tal de Aiacos, mas se você quiser, posso me tornar tão inesquecível quanto ele.


Miro, pare com suas cantadas de pedreiro pra cima das moças! E deixe o leitor atento à minha pessoa. Me vesti novamente de garçom, e decidi entrar no caminho das salas vip. Calma, eu não vou ir até a sala de Solo tentar extrair algo dele, porque isso seria inútil, ele negaria quantas vezes fosse necessário. Meu plano é ir falar com os dois rapazes do setor da vigilância, afinal eram meus fãs. Mas tinha de passar por aquele gigantão novamente.

- Alfredo, por favor tenho que repor o estoque de bebidas dos rapazes.

- Meu nome é Algheti! Ouviu!? A-l-g-h-e-t-i. Escuta, já não vejo você faz algum tempo, o que aconteceu? - Perguntou ele com uma cara desconfiada.

- Bem, Algheti. Meu guri esteve doente, como sou divorciado e ele vive comigo. Tive de cuidar dele.

- E o que o seu moleque tinha?

- Gripe e febre. Ontem, graças ao tratamento médico a febre desapareceu. Ainda está com o nariz escorrendo, mas isso agora é o de menos.

- Está certo, pode passar. Melhoras para o menino. - Ainda falou.

- Obrigado. - Fingi estar sem jeito.

Agora é moleza. Só espero não me esbarrar em nenhum dos seguranças de Solo, ou no próprio Solo. Corredor limpo, barra limpa. Bati na porta.

- Pode entrar! - ouvi uma voz.

- Com licensa, vim repor o estoque de refrigerantes e pedir um favor.

- Favor? - Ichi se virou. - Ah, Kamus!

- Você aqui, outra vez!? A que devemos a honra, investigador? - Nachi parecia tão feliz quanto o outro em me ver.

- Olá, como eu já disse vou precisar de um favorzinho de vocês.

- Diga! - Falou Nachi, bem disposto.

- Você é o chefe! - Falou o outro.

- Preciso ver as fitas das salas vip nos últimos cinco dias. Pra isso preciso contar com vocês.

- Tudo bem, mas terá de me fazer um grande favor. - Disse Ichi.

- Vamos ver...

- Passará um dia com o meu menino. Depois de acabar com seu caso.

- Trato feito.


Blá-blá-blá-blá... Esse Kamus, sempre cortando as melhores partes. Tô me dando bem em dois dias consecutivos e vem ele querendo estragar a minha alegria.

- Mas, eu... - Tapei os lábios dela.

- Deixa eu te mostrar que eu serei inesquecível. - E beijei a moça. Quando ouvi àquele grito.

- PANDORAAA! - Um cara forte de terno, alto, forte e com sobrancelhas grossas que pareciam uma só, veio gritando na nossa direção, acho que é... E levei um soco.

As pessoas apavoradas e os seguranças não se moviam pois sabiam quem era o cara que havia dado o soco em Miro. Seu nome: Radamanthys, líder dos capangas de Aiória e o mais cruel deles.


Nome: Radamanthys Lacertas

Idade: 29 anos

Nacionalidade: Grego

Profissão: Principal capanga dos irmãos Giannakos

História: Radamanthys nasceu em Athenas, Grécia e é o principal carrasco da máfia dos Giannakos. É o capanga principal de Aiória. Radamanthys está com Aiória desde que o explosivo caçula dos Giannakos assumiu o poder, se jurando leal à ele. É violento e compulsivo. Quando recebe as ordens de Aiória, ou alguém tenta dar em cima da sua namorada, Pandora (dançarina da Athenas que conheceu recentemente ao voltar para Porto Alegre), se torna um demônio ao destruir seu inimigo. É o tipo de cara que todos querem como amigo.


- Sorento! Que gritos são esses!? - Solo perguntou.

- Senhor, Radamanthys e o auxiliar de Kamus Liverault.

- Kamus tem um auxiliar?

- Sim, é Miro Rosales. Andei lendo sobre ele, é do tipo que se enrosca em qualquer mulher sem perguntar se ela tem algum compromisso. Foi aluno de Kamus, mas foi expulso da polícia.

- Então significa que Kamus deve estar aqui novamente. Sorento, ligue pra polícia.

- O que pretende senhor Solo?

- Se Kamus voltou aqui e não veio até nós, deve estar desconfiado de algo.

- Você acha que ele desconfiaria que estamos com Freya Morais?

- Acho que é por um motivo diretamente ligado à nós.

- Os irmãos Giannakos?

- Sim, e se Kamus quis pegar uma isca para atrair o bando de Aiória, ele conseguiu. E isso pode nos custar caro. Ligue para a central aonde Kamus trabalhava.

- Certo.

- Delegacia de Polícia, delegado Saga Baroli falando.

- Boa noite, sou secretário da boate Athenas e está acontecendo uma briga no estabelecimento. Gostaria de pedir que os policiais viessem aqui retirar esses homens.

- Está certo. Vou mandar alguém o mais rápido possível. Seiya!

- Chamou Saga?

- Sim, quero que você vá a Athenas dar jeito em dois arruaceiros que estão brigando por lá.

- Tudo bem. Shiryu! Anda, temos trabalho.


- Problemas! - Nachi falou.

- O que acontece Nachi? - Ichi perguntou.

- Briga perto da pista de pole dance.

- Foca lá. - Pediu Ichi.

- É MIRO! - Falei em tom brusco.

- Você conhece um deles? - Perguntou Ichi.

- O que está apanhando é meu assistente. - Radamanthys está lá! Saiu melhor que a encomenda. Ou não, Miro está apanhando feio, tenho de fazer alguma coisa.

- Vou ativar os seguranças. - Nachi falou.

- Espere! Vou tirá-lo daqui. Não precisa dos seguranças. - Falei.

- Se a coisa piorar, eu os ativarei.

- Tudo bem. Obrigado mais uma vez.

- Só por isso? - Ichi estranhou e resmungou.

- Sim, foi por mais ou menos esse motivo. Não se preocupe, após terminar este caso eu passarei um dia com seu filho. - O que a gente não faz pelo trabalho...


- Miro!

- Ah! Então esse é o seu nome desgraçado! Vou te matar à socos.

- Kaa...aaa...muss... - Miro fala totalmente atordoado pelas pancadas de Radamanthys.

- Liverault! - Radamanthys range os dentes ao me ver. - Vou levá-lo em frangalhos para o senhor Aiória. - falou com um sorriso maléfico.

- Largue o garoto, e vem brigar com alguém do seu tamanho.

- Está certo. vou dar apenas o golpe de misericórdia em você e lhe levarei até o seu carrasco, o Leão.

E começamos a brigar, socos, pontapés e empurrões. Até que...

- Parados aí! Polícia! - Era Seiya com sua pistola e seu distintivo. Enquanto tinha sua atenção, Radamanthys acerta Miro e sai correndo.

- Shiryu! Atrás dele. Não deixe-o fugir. Ele é capanga dos irmãos Giannakos.

- Tá. - Acenou positivamente com a cabeça e saiu correndo.

- Ora, ora...Kamus! Você metido em confusão? - Seiya ironizava.

- Só estou aqui pra sair da monotonia do trabalho. Miro foi quem brigou com Radamanthys. Provavelmente se envolveu com a moça ali - indiquei o dedo - que estava na pole dance. Se Radamanthys ficou bravo por causa disso é porque ela deve ser namorada dele.

- Suas historinhas não me convencem.

- Seiya... - Shiryu voltou.

- E então?

- Ele fugiu. - Disse ofegante.

- Droga! Poderíamos ser promovidos ao prender Radamanthys.

- Kamus, o que faz aqui? - Shiryu perguntou.

- Ele estava brigando com Radamanthys, tudo pra aparecer nos jornais, como 'o justiceiro'. - Seiya continuava com suas ironias.

- Kamus. - Miro então falou com a cara roxa. - Não tô me sentindo bem.

- Espera aí, aonde pensam que vão? - Seiya se interpôs.

- Significa que... - Shiryu falou.

- Temos de levar o francesinho aí e o seu ajudante preguiçoso e mulherengo para passar a noite no xadrez.

- Agora não é hora de ser o homem da lei, Cavallera. - Falei. - Miro precisa de cuidados médicos.

- Tudo bem, dessa vez, mas só dessa vez eu vou fingir que não vi. - Pensou em uma razão, até que... - Não quero que a delegacia fique comprometida com seus escândalos, mas da próxima vez, não terei piedade. Você já nos deu muita dor de cabeça ao se envolver com os Giannakos.

- Se fosse por mim, nunca mais o veria na vida, Cavallera... - Saí com Miro.

- Continuando com seus pitis, vamos nos cruzar até o dia em que você morrer nas mãos dos bandidos. E agora estou de olho em você! Vamos Shiryu, não tem mais nada por aqui.

- Esperem! Nem pra dar uma carona esse Seiya serve... - resmunguei.

- O que aconteceu aqui!? - Solo se manifestou.

- Senhor Solo?

- Kamus Liverault, o que aconteceu por aqui?

- Na verdade, Miro foi se assanhar com uma das moças da casa e Radamanthys ficou furioso e veio pra cima dele.

- Radamanthys!? Quem é...?

- É verdade senhor Solo! O investigador tem razão. - Ichi apareceu.

- Você viu isso lá da sala de segurança?

- Isso mesmo, se o senhor ver a fita da câmera desse local o senhor verá Radamanthys partindo pra cima do rapaz.

- Kamus, já que o seu amigo está mal, providenciarei um táxi para vocês irem até o hospital mais perto daqui. O rapaz precisa de cuidados médicos.

- Senhor Solo, já liguei para um amigo meu que é taxista e ele já está vindo, iremos para o lado de fora esperá-lo.

- Certo.

- Outra hora voltarei para conversarmos sobre Radamanthys, tenho certeza que o senhor o conhece. - Solo me olhava com os olhos entreabertos.

- Estarei esperando investigador. - Virou-se. - Ichi. Você e Nachi estão dispensados hoje.

- Não está me demitindo, não é?

- Não se preocupe, deixarei o Io cuidando das coisas hoje.

- Vou avisar ao Nachi.


Do lado de fora da Athenas, decidi então ligar para o Kasa.

- Kasa! É Kamus, você está por perto da Athenas? Ótimo! Pode passar aqui, tenho de levar o meu assistente para um hospital o mais rápido possível, ele está inconsciente.

Cinco minutos depois, dentro do táxi.

- Kamus, o que foi agora? Máfia italiana de novo?

- Grega. Radamanthys espancou Miro por causa da dançarina da boate.

- Radamanthys! Isso significa que...

- Aiória e Aioros Giannakos estão de volta, Kasa.

- E o que pretende fazer?

- Ainda não sei, por ora, devo levar Miro a um hospital.

- Se você for para o Pronto Socorro, ele demorará para ser atendido, já que aquilo lá é lotado de gente.

- E o mais próximo, qual é?

- O Moinhos de Vento.

- Leve-nos para lá.


Então fomos para o hospital e logo Miro fora levado por uma equipe em uma maca. Ficamos na sala de espera até que veio um médico.

- Amigos de Miro Rosales?

- Somos nós.

- Boa noite, eu sou o doutor Ares Pilar.

- Kamus Liverault, na verdade chefe de Miro. E Miro, como está?

- Miro está inconsciente e deve acordar pela manhã. Para não arriscar e devido ao fechamento dos laboratórios, não posso lhe passar um diagnóstico preciso e exato. Mas provavelmente sejam alguns problemas de osso devido aos socos e pontapés. E no que exatamente, Miro sofreu essas lesões?

- Envolvimento com garotas de programa de uma boate. Um possível cliente apaixonado o espancou.

- Está bem, peço que descansem e voltem pela manhã. Até lá terei em mãos o diagnóstico exato dos ferimentos.

Voltei para a casa e fui descansar. Eu sabia que uma hora o Miro ia se ferrar por causa de seus impulsos. Mas não gostaria que ele passasse por isso, certamente Radamanthys o perseguirá. Assim, como eu serei perseguido por Aiória que certamente deve estar sabendo que estou próximo, mais uma vez.


- LIVERAULT ESTAVA PERTO DE VOCÊ!? E VOCÊ O QUE FEZ!? - Já imaginam quem está falando...

- Senhor Aiória, eu estava ocupado colocando as mãos em um verme que estava se assanhando para a minha namorada, Pandora.

- Liverault é mais importante que qualquer um que quer paquerar sua namorada. Entendeu Radamanthys?

- Sim senhor. Perdoe a minha falha, não acontecerá novamente.

- Se eu conheço Kamus Liverault, tentará me encontrar através de você, ou de Algol, ou então, de Moses. JAAAABÚÚÚÚÚ!

- Senhor Aiória, o que deseja?

- Quero que persiga Kamus Liverault.

- O investigador?

- Isso mesmo, não dê na telha, senão eu ou ele, um de nós acabará com você. Ouviu bem!?

- Sim senhor. Amanhã estarei no encalço desse espiãozinho.

- Muito bem.


Porto Alegre, 28 de maio, dez horas da manhã.

Acordei, tomei um banho e fui ao hospital saber de Miro.

- Por favor, aonde está o paciente Miro Rosales?

- Quarto 505.

- Obrigado.

- Ei, investigador! - ouvi um grito. Era Theobaldo Mitzahr. Fui até ele.

- Senhor Mitzhar. Prazer revê-lo.

- O que faz aqui investigador?

- Meu assistente foi agredido ontem de noite e o trouxe para cá.

- E como ele está?

- Saberei agora.

- Qual o andar que ele está?

- No quinto. Aperte para mim por favor. - Já estávamos no elevador.

- Ok.

- E Syd?

- Está melhor, deve receber alta amanhã.

- Ótimo. Mas diga para ele não sair ainda de casa.

- E Hagen? Sabe alguma coisa?

- Estive interrogando ele, sujeito pavio curto. Mas negou que está com Freya. E não há provas concretas contra ele quanto à isso. - Omiti ter estado com Freya. Freya... já estou ficando com saudades dela, acho que irei até lá depois de ver Miro.

- Quinto andar investigador. Foi bom ver você.

- Ah, obrigado. Mande lembranças ao Syd.

Fui até o 505 aonde estava o médico.

- Doutor Pilar, como está Miro?

- Está bem, com ferimentos leves, mas com uma das costelas rachadas. Com um remédio e uma tala ele poderá ir embora daqui á dois dias.

- Kamus! Cê tá aí? - Falava Miro, que estava repousado sobre a cama do hospital.

- Miro, tudo bem? - Fui até o leito.

- Claro, por mais que eu esteja dolorido ainda estou invencível.

- Sei, sei... - ri dos comentários desse egocêntrico. - Mas terá de ficar por 2 dias aqui.

- Ah não! Odeio hospital, corta essa!

- Mas vai ter que ficar aqui. É para o seu bem. Que coisa! Até parece que eu estou conversando com um garoto de 10 anos.

- Você tá parecendo meu pai isso sim!

- Deveria ligar para ele e a sua mãe para informar o que aconteceu.

- Kamus! Por favor não! Minha mãe não vai me deixar em paz e tenho certeza que a você também não.

- Então me prometa que vai ficar numa boa.

- Aff... Está bem!

- Darei à você 2 semanas de folga para se recuperar.

- O ideal seria um mês!

- Aí você já quer demais garoto! 2 semanas ou os dias no hospital?

- Primeira alternativa.

- Boa escolha. Agora, tenho que ir.

- Aonde você vai?

- Tenho trabalho dobrado à fazer.

- Ah certo. Mas você volta não é?

- Se eu não me complicar com o serviço, sim. Até mais Miro.


Falei com o doutor que apenas me disse as mesmas coisas de antes. Desci e decidi ir ao IAPI. No ônibus, estava com a intuição de ter alguém em meu encalço. Mas não vi ninguém suspeito. Desci e fui indo até o local aonde Freya estava. Já não agüentava mais de saudades dela. Fui apertar o interfone, quando veio um homem. Era um rapaz, tinha em média uns 25 anos, cabelo caramelo, pele bronzeada com algumas compras.

- Err... com licensa, eu posso abrir com as chaves. Sou morador daqui. - Estranhei e cocei a cabeça.

- Ah, obrigado. - Agradeci.

- De nada. Boa tarde.

- Igualmente.


E então subi até o apartamento aonde Freya estava. Mas aquela sensação de perseguição ainda me incomodava.

- Kamus! Você veio. - E lá estava ela, linda com uma longa camisola branca, feliz ao me ver.

- Oi Freya. - Beijei-a. - Como foi o seu dia ontem?

- Ah, monótono. Você foi embora e eu fiquei tão sozinha. - Fez beicinho, parece que já se apegou a mim.

- Está na hora de você voltar para a sua casa. Syd está saindo do hospital e processará Hagen. Você dever ser testemunha do caso.

- Mas Hagen virá atrás de mim.

- Cherie, não se preocupe. Eu estarei lá.

- Faria isso por mim?

- Claro.

- Ah, Kamus... - Me beijou e fomos mais uma vez nos enrolar nos lençóis. Ficamos ali por uma hora nos amando.

- Agora, tenho de ir. Preciso encontrar seus irmãos e dizer aonde você está. Fazem dois dias que não falo com eles. Mais tarde iremos vir te levar para casa.

- Está bem, mas vê se volta logo.

- Até mais. - Sorri e saí porta afora.

Até que...

- VOCÊ!!! - Levei um soco na cara.

- Hagen!

- Então foi você seu desgraçado! Estava com Freya desde o início! Você queria me tirar do caminho pra ficar com ela! - E se veio para cima de mim novamente.

- Você está enganado. - Me protegi dos socos dele.

- Primeiro vou acabar com você assim como fiz com Syd. E depois levarei Freya e iremos para bem longe de Hilda e de qualquer panaca que se aproximar dela.

- Hagen! - Freya apareceu.

- Freya! O que está fazendo aqui?

- Vim impedir que você maltrate o Kamus.

- E por que você faria isso?

- Porque me apaixonei por ele e fugi de casa porque você mudou muito. Nós já desatamos o nosso namoro umas três vezes por causa do seu ciúme. Sabia que você iria me procurar e me implorar para voltar, mas não dá mais. Eu não suporto mais. - Ela dizia com as lágrimas caindo.

- Freya... - Olhei para ela.

- Freya, esqueça o que aconteceu. Vamos recomeçar e agora seremos só nós dois, longe daqui e daqueles que querem nos separar.

- Já nos separaram Hagen... Você não percebeu? - Dizia ela soluçando.

- Se pensa que foi o Syd, como eu dizia, eu já dei uma lição nele.

- Não foi o Syd, foram os seus ciúmes doentios. Talvez eu pensasse em voltar pra você, mas depois do que fez ao Syd, eu não quero mais.

- Depois de tudo o que eu fiz! É assim que você me trata! - Hagen tenta pegá-la.

- Idiota! - Voei pra cima dele.

- Vamos ver se pode comigo francês!

- Alguém por favor, retire a moça daqui.

- Eu estou aqui, Kamus não se preocupe. - Thor surge.

- Thor! Leve à daqui.

- Está bem, venha senhorita Freya. - E saiu com a moça.


Começamos uma verdadeira briga naquela rua pacata. Pessoas se aproximavam, algumas fugiam. Hagen e eu nos batendo e rolando pela estrada de paralelepípedos. Até que apareceu um policial.

- Brigada Militar! Vocês estão presos!

- Presos!? Como assim? - Respondeu Hagen.

- Brigadiano, sou investigador particular.

- Você é Kamus Liverault, certo?

- Isso mesmo.

- Senhor Liverault explique o que aconteceu.

- Eu estava descendo dos apartamentos aonde fui visitar uma amiga, quando saí levei um soco desse cidadão. Esse moço é ex-namorado dela e acha que eu estou de caso com ela.

- É MENTIRA! Seu policial é tudo mentira! - Hagen tentava mentir em vão.

- QUIETO!

- Mas seu policial é mentira desse francês! Não admito que me prenda e à ele não.

- Então se queixe lá no xadrez. Entra no carro.

- Mas...

- ENTRA NO CARRO AGORA! Senão vou te colocar numa cela cheia de bandidos de primeira. - Hagen entrou contra a vontade. - E o senhor também.

- Eu?

- Sim, você terá de ir prestar depoimento na nossa central e depois estará liberado.


Então fui para a central da Brigada, prestei meu depoimento e vi mais duas pessoas que avistaram a briga por lá, chamei então por Mime, Hilda e Siegfried de lá mesmo. Demoraram uma hora, mas enfim chegaram.

- Kamus o que aconteceu? - Falou Hilda preocupada. - Alguma notícia de Freya?

- Sim.

- E o que aconteceu? Aonde está a minha irmãzinha? - Perguntou Mime.

- Sua irmã está bem. Hilda, por favor me acompanhe até a sala do chefe do centro.

- Está bem. Vamos. - Prontamente falou.

Chegamos lá, e falei com o delegado sobre o comportamento de Hagen, chamei Hilda para prestar o seu depoimento ao presenciar uma de suas agressões à um fotógrafo. Hilda falou do ciúme compulsivo de Hagen não restando dúvidas para o chefe do local pedir que Hagen passasse mais um tempo ali. Saímos e me reuni em volta dos três.

- Freya está bem, está num apartamento no IAPI. Vamos buscá-la, deve estar nos esperando.

- O que ela faz lá? - Perguntou Hilda.

- Freya se escondeu de Hagen, pois não agüentava mais a pressão exercida por ele e se escondeu por indecisão de seguir a carreira internacional que proporcionaram à ela.

- Por isso não avisou, não deixou recado e não falou nada... - Mime se entristeceu.

- Talvez por mais que queiram o bem da Freya, vocês a pressionam tanto quanto Hagen e isso à deixou perplexa, tendo de tomar essa atitude infantil, vamos dizer assim. Mas ela está bem e quer voltar para casa.


Fomos lá e tudo estava tranquilo novamente. Adentramos no apartamento, a situação mudou totalmente.

- O que aconteceu por aqui!? - Estranhei. Estava tudo bagunçado com coisas quebradas.

- Kamus, o que está acontecendo? - Mime falou.

- Revistem todos os cômodos! - Pedi.

- Achei uma folha! - Siegfried gritou.

- Ótimo.

- Estava em cima da cama. "Se quiser que a garota viva, não ouse chamar a polícia. Você já está morto Liverault." - Siegfried leu a tal folha.

- O que está acontecendo? Aonde está Freya? - Mime se irrita.

- Minha irmãzinha... - Hilda chora e é consolada por Siegfried.

- Agora sim. Estamos num verdadeiro caso de sumiço. - Disse Mime

- Investigador, faça o impossível, mas traga Freya de volta.

- Eu a trarei Siegfried. Eu prometo.