Capitulo 6: Conversas e Discussões

O navio estava no mais profundo silêncio, grande parte da tripulação já descansava depois de um dia exaustivo no oceano. James Potter não conseguia dormir, os acontecimentos recentes não permitiam que sua mente conseguisse relaxar. A situação em que se metera com a Srta. Evans era um problema ainda maior do que as grandes batalhas que enfrentara no mar. Como ele sairia daquela situação? Não fazia ideia.

Seus pensamentos foram interrompidos com a voz do amigo, que tão logo sentou-se ao seu lado, oferece-lhe uma garrava cheia de rum.

- Está parecendo meio desconfortável deitado aí sobre esses sacos, Pontas.

Sacudindo a cabeça, James passou as mãos sobre os olhos cansados.

- Você nunca faz barulho quando anda, Almofadinhas?

- Do jeito que o navio esta chacoalhando esta noite, precisaria de um sino para que você percebesse minha presença.

James riu com gosto enquanto Sirius se acomodava ao seu lado.

- Parece que você bebeu toda sua garrafa de rum – Sirius observou tristemente. – sorte sua que na nossa última parada completei meu estoque.

- Quem disse que andei bebendo?

- A garrafa que está ao seu lado. Está quase vazia.

James não fez qualquer comentário, voltou a observar as estrelas e beber da nova garrafa trazida pelo companheiro.

- Sabe Pontas, estou me lembrando de uma pessoa que uma vez me disse, que problemas compartilhados são problemas resolvidos.

James jamais imaginou que ouviria novamente as palavras que um dia ele dissera ao amigo, pelo menos, não dita pelo mesmo, Sirius Black, rei dos piratas.

- Pois eu me lembro de um certo pirata me dizendo que cuidasse da minha vida e deixasse a dele em paz.

Sirius riu e se serviu da garrafa de rum que outrora estivera nas mãos de James.

- Cuidado com o que diz Pontas, se alguém descobrir quem eu sou, estarei em uma situação pior do que a sua. O que me leva a próxima pergunta. O que pretende fazer quanto a Riddle?

- O que devia ter feito anos atrás.

- Matá-lo?

- Enfrentá-lo.

- Bobagem, coisa de inglês.

- O que quer dizer com isso? - James sentiu-se insultado.

Sirius riu da reação do amigo.

- É seu sangue inglês interferindo nos teus atos. Basta arrancar-lhe o coração e seu problema será resolvido.

James ficou quieto pensativo com um sorriso brincalhão nos lábios.

- Você é honesto demais para meu gosto – Sirius retrucou, desta vez rindo – e desculpe-me em colocá-lo nessa situação difícil. Não vi outro jeito a não ser trazer a garota.

- Mas o que lhe deu na cabeça? Você praticamente a sequestrou.

- E você devia estar agradecido pelo que fiz. Meu primeiro impulso foi...

- Cortar a cabeça da pobre moça.

- Exatamente.

- Diga-me uma coisa Sirius, como Marlene conseguiu sobreviver tempo suficiente para você se casar com ela?

- O que posso dizer? Ela é uma mulher que sabe enfrentar uma boa briga. - Sirius tomou o ultimo gole do rum, em seguida colocou as mãos embaixo da cabeça como se fosse um travesseiro. – E ela sabe manejar uma espada muito melhor do que a maioria dos homens.

James riu, lembrando-se de Marlene enfrentando sem medo qualquer pirata.

Mas não podia esperar menos da neta de dois famosos piratas, Anne Bonny e Calico McKinnon Jack .

- Você deve estar amolecendo agora que começou a envelhecer. – James falou com um leve sorriso.

- Pois penso que é porque estou passando tempo demais ao seu lado Pontas, velho eu? Sirius Black em seus plenos 25 anos de idade, velho? Você bebeu rum demais caro amigo. Mas, me diga logo, o que vai fazer com a ruivinha?

- Não sei – James suspirou – Honestamente, almofadinhas, tenho muitos problemas agora, e nem sei onde um acaba e o outro começa.

- Está pensando em Alice?

James nunca conseguia esconder seus pensamentos de Sirius.

- Penso que não sou melhor que o Malfoy.

- Não entendo.

- Arruinamos a reputação de Lílian Evans do mesmo modo que Malfoy arruinou a de minha irmã.

- Não me pareceu que estávamos dispostos a vender Lílian para um bordel.

- Não ouse dizer essa palavra! – James exclamou agoniado.

Sirius fez o gesto de quem jurava.

- Prometo Pontas. Sei o quanto você amava sua irmã.

E isso era verdade. Ninguém mais do que Sirius sabe o quanto Alice significara para James. Sirius tinha ajudado-o a procurá-la e tinha sido ele a pagar para tirá-la do bordel. A pobre moça tinha sido vendida como uma mercadoria, mas Sirius a resgatara.

- Acho que podemos dar um jeito em Riddles – James coçou o queixo de maneira pensativa.

- Como assim?

- Bem, nessa época do ano Riddle vai ao Caribe. Se seguirmos nessa direção poderemos cruzar com ele.

- Bem, você sabe que não tem nada que eu queira mais do que ver aquele bastardo morto. Mas se vocês for atrás dele, os ingleses vão aumentar o preço por sua cabeça, Pontas.

- Ah sim, mas talvez os próximos caçadores de recompensas pensem duas vezes antes de me procurar. – respondeu o capitão com um sorriso maroto no rosto.

- Esqueça isso por um momento homem, você não tem coisas mais importantes para fazer agora?

- Tais como?

- Para começar, tem que comprar um novo vestido para Marlene, um daqueles de costureiros caros de Londres. Ela me arranca a cabeça se souber que o que comprei para ela dei para sua mulher.

- Lílian não é minha mulher. Você que a trouxe para meu barco.

- Bem, bem, se eu tivesse uma mulher a bordo do meu navio, eu não estaria aqui deitado sobre esses sacos duros e bebendo rum. Estaria ensinando a garota os prazeres da carne.

- E talvez ganhasse uma cicatriz como a que Marlene lhe fez no rosto, não é?

- Pois lhe garanto que valeu a pena.

Sirius levantou-se sorrindo para o amigo afim de procurar um lugar mais cômodo para se descansar, levando consigo a garrafa de rum.

James sorriu, algumas coisas nunca mudavam, sentou-se pensando no que Sirius lhe dissera. Lílian estava bem perto, e deitada na cama dele.

Oooooooooooo

Lílian acordou com o barulho da chuva batendo na vigia. Abrindo os olhos ficou confusa, a princípio, sem saber onde estava, e ficou-se a perguntar até o momento em que se lembrara. Ela estava a bordo do navio do Lobo do Mar.

- Oh não! – murmurou, compreendendo que o que pensara ter sido um sonho, na verdade era real.

Estava perdida.

A essa hora, seu pai já havia levantado e dera falta dela. Deveria estar revirando a cidade em busca da filha.

- Não, não, não – Lílian repetiu.

Não havia como voltar a sua vida de antes. Rezou para ter forças e coragem para enfrentar o futuro e para ouvir os mexericos da sociedade.

Após algum tempo, saiu da cama e pôs-se a vestir-se, não adiantava ficar chorando, o destino tinha escolhido seu curso e era hora de segui-lo.

Além do que, o que ela mais queria naquele momento era comida. Destrancou a porta e tropeçou em algo que havia no chão.

- Céus, o que... – começou a falar, mas calou-se ao perceber em quem tropeçara. O Lobo do Mar dormira em frente à sua porta.

Oooooooooooo

James acordou praguejando, sentindo uma dor horrível nos quadris e um tecido rosa o envolver.

- O que diabos está acontecendo? – ele resmungou, procurando se livrar do tecido e, logo em seguida, segurou em algo macio.

- Capitão Potter, tira imediatamente a suas mãos de minha perna.

"Que surpresa maravilhosa" – pensou James. Lílian estava em seus braços, sem que se desse conta, ele estava acariciando a pele macia dela coberta pela meia de seda.

- Capitão Potter! – recriminou-o ela, procurando levantar-se e arrumar o vestido ao mesmo tempo, seu rosto estava ruborizado. – Largue-me capitão.

- Pois achei que era a senhorita que me abraçava no chão.

O sorriso de James alargou-se. Sabia que sua atitude a enfureceria , mas estava a divertir-se.

Com um impulso Lílian levantou-se.

- Você é um demônio.

James continuou a rir.

- Está errada, Lílian Evans. Se eu fosse um demônio, a senhorita não teria se levantado tão depressa.

ooooooooooooo

Lílian não diminui o passo até que encontrasse Remus dando ordens aos marujos.

- Desculpe-me senhor ... – Fez uma pausa, incerta de como deveria chamá-lo

- Lupin – Remus murmurou – Remus Lupin, mas pode me chamar de Remus. - o homem que não aparentava ter mais do que 25 anos sorrira – o que posso fazer pela senhorita?

Foi então que os marujos notaram a presença de uma mulher no navio. Pararam o que estavam fazendo e se aproximaram curiosos.

Lílian sentiu um arrepio percorrê-la de alto a baixo. Aquilo não estava indo muito bem. Nada bem.