Título: Beauty and the Beast
Autora: Kuroyama Izumi.
Beta: Hokuto Yuuri.
Classificação: M
Resumo: Adaptação do filme 'a Bela e a Fera' para Fruits Basket! SLASH, Lemon, Yuki x Kyou, UA.
Disclaimer: Infelizmente, Fruits Basket não pertence a mim, mas nada me impede de ter o Kyou e o Yuki nas minhas fantasias :P
Alerta: Slash, clichê, lemon, UA. Não me responsabilizo por danos causados à inocência de ninguém.
Nota: A fanfic foi baseada no clássico 'A bela e a fera', mas não quer dizer que seja idêntica ao conto ou à animação! Apenas alguns fatos lembram, os demais retirei da minha fértil imaginação. Essa é minha primeira 'Kyuki' então paciência comigo XD.
Vida ou morte
Yuki acordou cedo naquela manhã, não o bastante para encontrar Kyou na cama. Esfregou os olhos com as pequenas patinhas acinzentadas. Já havia se transformado, sinal de que o sol nascera. Saltou da cama e saiu do quarto, à procura de alguém.
- Yuki-kun! – soou uma voz animada.
- Ah, Shigure – cumprimentou o pequeno ratinho, perguntando casualmente – Onde estão todos?
O cachorro o encarava com um olhar muito assustador, que o fez recuar.
- Shi-Shigure-san?
- E então? – disse, encurralando-o contra a parede.
- O-O quê? – sorriu nervoso.
- Você sabe... – seu sorriso ia de um lado a outro do rosto. Seu rabo estava agitado ¹ - os embalos da noite anterior, você e o Kyou...
O pequeno ratinho estava hiper-corado, seus olhos 'giravam' e ele suava frio.
- Eu, ahn... Err... ahnn...
- Não faça isso com o coitado, Shigure – repreendeu um boi que aparecera ali despercebido.
- Ah, Haru! Não seja estraga prazeres! Eu estava quase conseguindo arrancar alguma coisa dele!
- Estava quase é conseguindo matar o coitado. Sei que 'alguém' não ficaria nada feliz com isso – disse sorrindo com escárnio.
- Yukiiii – berrou um coelhinho amarelo saltitante – Bom dia!
- Ah... Bom dia, Momiji. – Cumprimentou aliviado na esperança de logo livrar-se daquela situação constrangedora.
- Nee, vamos descer! A Tohru ia preparar o café da manhã hoje!
- S-Sim, vamos descer!
O ratinho puxou o coelho para sair dali o mais rápido possível.
- Viu só o que você fez? – acusou o cachorro – Não se pode nem saber dos fatos nesse lugar – resmungou, também se retirando do local.
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No cômodo menos freqüentado do castelo, um gato alaranjado admirava seus jardins. Seu olhar era perdido, e seu rosto estava mergulhado nas trevas do local mal iluminado. Voltou a atenção para um pequeno recipiente com uma banana dentro e suspirou com tristeza. "Falta muito pouco para descascar por completo... E ele não disse que me ama ainda... Droga!" divagou. "Desse jeito inclusive ele vai ser amaldiçoado pro resto da vida... E eu vou ser o culpado...".
- Senhor Kyou?
O gato se virou sem pressa.
- Oi, Tohru. Pode entrar.
O pequeno Onigiri ² adentrou o quarto mal cuidado com cautela e postou-se ao lado do gato.
- Está um dia muito agradável, não é?
Kyou se limitou a assentir, não parecendo muito disposto a iniciar uma conversa.
- Os jardins estão mais vivos do que nunca. Faz tempo que não vejo Camélias como aquelas.
- Sim, sim – disse relativamente desinteressado.
A menina guardou um breve silêncio, encarando o gato à sua frente.
- Senhor Kyou...
- Que foi?
- Você precisa se apressar – sinalizou a banana com a cabeça – A luz parece estar mais fraca do que antes, além do mais, falta muito pouco para...
- Eu sei! – disse levemente irritado – Eu sei... Mas como eu faço isso, Tohru? Como eu digo pro Yuki que eu o amo? Eu não levo jeito pra essas coisas... – disse agonizado.
- Seu amor por ele é algo tão óbvio que ele também já deve ter notado, mas talvez ele não tenha coragem de dizer-lhe o mesmo. Talvez, precise ser estimulado.
- Como? Eu achei que bastasse me apaixonar para que a maldição cessasse, mas... – encarou o recipiente com a banana de luz fraca – não aconteceu nada... Será que ele não me ama?
Tohru negou.
- O amor dele por você também é algo que não se pode deixar de perceber.
- Então, o que faço?
- Diga que o ama. Você já fez isso?
- Não...
- Então, é sua chance – disse dando uma piscadela e recebendo um terno sorriso em troca.
Lá fora, começava a cair uma chuva fina.
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- É aqui? – a voz de Akito ecoou pela floresta – Aqui é o castelo da fera?
Um grupo de pelo menos cem homens estava reunido em frente ao portão do castelo de Kyou. Todos portavam tochas, facões e bastões de madeira ³. O Céu estava completamente encoberto por densas nuvens de onde uma fraca chuva provinha. Estava frio e ventava muito.
- É aqui, senhor – disse Kureno.
- Veja, Ayame idiota. Você será a testemunha do amor que há entre seu irmão e eu – declarou Akito para o homem de cabelos prateados que se encontrava algemado e seguro por dois outros homens. Estava amordaçado, o que o impedia de protestar, mas seu olhar denotava todo o desprezo que sentia por Akito naquele momento.
- Arrombem! – A ordem foi seguida de gritos de concordância.
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- HARU, YUKI, SHIGURE, VEJAM ISSO! – gritou Momiji alarmado, sinalizando o grupo exaltado ali fora.
- Invasores! – exclamou um pasmo Shigure se afastando da janela.
- O que eles querem? – perguntou Haru.
Yuki, que apenas analisava aquilo tudo em silêncio até o momento, deu uns passos para trás e sussurrou sombriamente:
- A... Ki... To...
- Hein, o quê? – Perguntou Shigure, se virando para o ratinho.
- N-Não... E-Ele... E-Ele...
- O que foi, Yuki? O que aconteceu? – Perguntou o coelho, preocupado.
- Ele veio atrás de mim! Ele veio atrás de mim! – repetia agonizado, com as patinhas na cabeça.
- Você conhece essas pessoas, Yuki?
O ratinho encarou o boi, com os olhos expressando puro medo.
- Não deixa ele me levar, Haru! Por favor...
- Precisamos avisar Kyou – disse o boi para Shigure – E rápido. Reúnam todos no castelo e façam de tudo para impedir que eles entrem aqui!! Chamem Hatori, depressa! – Shigure e Momiji assentiram e logo se retiraram – Yuki, você vem comigo. Precisamos atrasá-los o máximo possível, até o sol se pôr.
Yuki encarou Haru e concordou, seguindo o boi.
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- KYOOOOOOOU!
Ambos onigiri e gato se viraram alarmados.
- O que houve, Momiji-kun? – perguntou Tohru.
- In... Invasores! Vieram atrás do Yuki!
- Como é? O que diabos eles querem com o Yuki?
- Eu não sei, mas... – Ofegou o coelho - O Yuki não parecia nada feliz em vê-los. Principalmente um tal de Akito... Parece que o Yuki tem muito medo dele... O Shigure foi reunir todos no castelo, Haru disse que precisamos atrasá-los o quanto pudermos...
- Sim, eu sei! O sol sequer se pôs, se nos pegarem assim, não temos chance alguma! Tranque todas as entradas, principalmente a porta principal.
O coelho assentiu e mais uma vez saiu em disparada. Logo depois, Yuki e Hatsuharu surgiram na porta.
- Precisamos escondê-lo, apenas para assegurar que não o acharão tão cedo se algo der errado.
- Tohru, lembra daquele local que eu lhe mostrei no seu primeiro dia aqui no castelo?
- Aquela passagem secreta da biblioteca?
- Essa mesmo. Leve Yuki para lá e trate de mantê-lo escondido.
- S-Sim!
Tohru já havia se virado para prosseguir, quando Yuki correu na direção de Kyou.
- Mas e quanto aos outros? E quando a você? Não posso deixar que vocês corram tal risco por minha causa... Eu... Eu...
- Não seja estúpido! Não é de você que eles estão atrás?
- M-mas...
- Eu vou te proteger – afirmou, mirando firmemente o menor – custe o que custar.
Yuki corou violentamente.
- Vão logo! – ordenou o gato – E levem isso com vocês – sinalizou a caixa que continha a banana encantada – não está mais segura aqui.
Hatsuharu e Tohru assentiram, pegaram o recipiente e levaram um Yuki parcialmente paralisado dali. Kyou manteve-se no mesmo lugar, observando enquanto os três se afastavam.
- Eu não vou permitir que te façam mal, Yuki... Nunca...
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O corredor pelo qual caminhavam era úmido e mal iluminado. Yuki podia muito bem sentir a presença de certos "companheiros" ali. Fora, de fato, uma grande surpresa descobrir que havia uma passagem secreta atrás de uma das inúmeras estantes de livro da majestosa biblioteca de Kyou e Yuki ficou imaginando que, quem quer que tenha construído aquele local, era uma pessoa muito esperta. Após um bom tempo caminhando, Tohru e Hatsuharu cessaram os passos.
- Onde estamos? – Perguntou o ratinho, logo reparando no alçapão metálico, que lembrava muito uma tampa de bueiro com frestas, sobre sua cabeça.
- Esse alçapão dá no quarto de Kyou – explicou o boi – é claro que nessas condições nem eu nem Tohru conseguimos chegar até ele. Se ficarmos aqui, poderemos ficar escondidos sem correr o risco de sermos encontrados além de que, se precisarmos, pode-se sair pela varanda – Concluiu, descansando o recipiente com a banana no chão.
- Mas porque não entramos por aqui em vez de ir até a biblioteca? – Perguntou o ratinho, confuso.
- Ah, isso é... O alçapão não abre por fora – Comentou o onigiri, fazendo com que Yuki quase caísse no chão de surpresa pela idiotice arquitetônica ali cometida.
- Tem outras passagens além dessa? – Inquiriu curioso.
- Se virássemos à direita um pouco antes daqui, acharíamos uma passagem que leva para a cozinha. Mas alguém foi esperto o suficiente para bloquear a saída com o fogão.
- E o que fazemos agora?
- Esperamos. É tudo o que nos resta fazer.
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- Arrombem!
Ouviam-se os gritos provenientes do exterior do castelo. Todos os seus habitantes, demasiadamente apreensivos, encontravam-se reunidos no salão principal. Vários móveis foram postos contra a porta, com o intento de impedir, ou pelo menos atrasar os invasores.
- Quanto tempo será que isso irá durar? – Perguntou Momiji a Shigure.
- Não faço idéia. Mas temos de estar prontos pro caso de eles conseguirem entrar.
- Estaremos – soou a voz de Kyou, que descia as escadas – Temos armamentos não tão eficientes, mas o suficiente para nos defender. Escondam onde seja facilmente acessível. Caso eles entrem antes do pôr do sol, utilizemos as habilidades que temos quando transformados em animais.
- Ora, ora, parece que o Kyou-kitty ficou bem mais responsável e determinado por causa do seu Yukizinho – zombou Shigure, que precisou desviar-se de um ataque estilo felino de Kyou.
"Até em momentos de tensão esse idiota tira sarro da cara alheia" ponderou Hatori.
Pedaços de pó começaram a cair do teto, e todas as atenções se dirigiram à porta. Um silêncio bizarro, quebrado apenas pelos constantes ataques à porta principal, caiu sobre o local. A atmosfera ganhou um ar de expectativa e ansiedade. Ninguém ali sabia ao certo o que fazer, mas sabiam que teriam de improvisar.
E então, todos os estrondos cessaram e foi possível ouvir o violento vento e a pesada chuva ali fora.
- Kyou, não fique aqui. – Disse Shigure.
- Por quê? – Contestou o gato.
- Porque você é o dono do castelo – Respondeu com um sorriso enigmático, mas facilmente decifrado pelo gato.
- Tá – Assentiu e correu dali.
- Por que você fez isso, Shigure? – Questionou Hatori, pela primeira vez, curioso com um ato do amigo.
- Não é somente Yuki quem eles querem, Hari.
- Por que eles quereriam o Kyou? – Perguntou Momiji.
- Porque ele é o dono do castelo e amante de Yuki.
- M... – O coelho intentou começar a falar, mas foi rapidamente interrompido pelo cão.
- É agora.
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A porta foi arrombada com tamanha violência que o estrondo provocou a queda de vários grãos de poeira. Akito permaneceu em alerta e entrou cuidadosamente no salão vazio. Estava tudo escuro e havia móveis, alguns quebrados, pelo chão. Sinalizou para que seus companheiros também entrassem e assim o fizeram, com a mesma cautela de seu chefe. Ayame seguia quieto, apenas observando os arredores. Estava tudo... Muito quieto.
- A-Akito... – Gaguejou um homem assustado.
- Calado! – Ordenou – Ele está aqui, eu sei que está.
Kureno avistou um vulto em um canto próximo à escada e se aproximou para averiguar.
- AGORAAAAAAA! – Ecoou um grito proveniente desse local.
Várias espécies de animais surgiram, desde cães até cavalos, todos começaram a atacar os invasores.
- Mas que droga é essa? – Praguejou Akito abismado com aquela situação.
Pássaros 'bombardeavam' a cabeça de alguns invasores, enquanto os cavalos davam coices sem parar. Shigure e mais uma boa quantidade de cães e lobos atacavam outra parte. Ayame aproveitou a confusão para correr dali, porém tropeçou em seus próprios pés. Um pequeno cavalo marinho aproximou-se dele.
- Você está bem? – Perguntou.
O irmão mais velho de Yuki petrificou-se ao ver que o bicho falava. "Estou ficando maluco mesmo... Estou ouvindo animais falarem comigo!" Pensou para logo cair desacordado no chão. Hatori, sem saber exatamente o que fazer, chamou por ajuda para tirarem aquele ser desfalecido do meio do caminho.
E a bagunça seguia no hall de entrada e tanta era que ninguém percebeu quando Akito se separou do grupo e foi em direção ao piso superior.
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- Yuki? – Perguntou, dando dois socos no alçapão aos seus pés.
- Kyou, seu idiota! O que está fazendo aí em cima? – Ralhou o ratinho. Por que aquele idiota não viera pela passagem secreta?
- Vim ver como vocês estavam!
- E por que por ai?
- Eu perderia muito tempo indo por lá – comentou – ademais, pretendo voltar ao hall.
- Não seja idiota! Venha logo para cá – Disse Haru – não é sensato voltar para lá agora.
- É sensato. Peguem isso e Tohru, esconda-se – avisou, jogando um punhado de roupas por entre as frestas do alçapão.
- Por quê? – Perguntou Tohru.
- Por que o sol está a se pôr – respondeu.
Tohru correu para detrás de um pilar sujo de limo com as roupas que Kyou havia lhe dado nas mãos e, justamente no momento em que lá chegou, transformou-se de volta, seguida por Yuki, Haru e o próprio Kyou.
- Vistam-se, rápido – alertou, sendo instantaneamente obedecido pelos três.
Ouviu-se um barulho de porta batendo contra a parede e os que estavam no esconderijo sentiram o teto tremer com fortes passos. A voz que se seguiu fez Yuki gelar:
- Então... Você deve ser o dono deste castelo – afirmou Akito – Onde está Yuki?
- Não é de seu interesse – rosnou Kyou.
- Não brinque comigo. Eu sei que esse local é amaldiçoado. Se Yuki foi amaldiçoado assim como vocês, todos aqui pagarão caro por isto. Aliás... – Disse, aproximando-se de Kyou – Por que você me parece tão detestável?
Kyou deixou escapar um sorriso sádico.
- Deve ser porque eu sou alguém para o Yuki, ao contrario de você.
- Não brinque comigo – grunhiu, empunhando um pedaço de madeira em formato de bastão que estava no chão.
Kyou, em um mesmo gesto, arrancou o pé da pequena mesa a seu lado.
No alçapão, Yuki intentava livrar-se de Tohru e Hatsuharu. Os dois seguravam o menino para evitar que ele irrompesse o quarto e estragasse as chances de manter-se em segurança.
- Muito bem então. Se não vai me dizer onde ele está por bem, me dirá por mal – Sentenciou, partindo para cima de Kyou, que se defendeu com seu próprio bastão improvisado.
A luta seguiu e Akito empurrava Kyou para a varanda. Chovia forte lá fora, com direito a raios e trovoadas. A esse ponto, os oponentes já estavam encharcados. O vilão encurralou gato e a única opção que restou a este foi pular para o telhado. Vendo aquela tentativa de se esquivar, Akito o seguiu. Agora, brigavam a poucos metros de uma queda de mais de vinte metros em direção ao rio que circundava os limites da propriedade. Quem perdesse, morreria.
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¹ Balançando, se é que me entendem xD Imagino o Shigure todo alegrezinho com o rabinho pra lá e pra cá (liiiiindo!)
² Bolinho de arroz para quem não sabe.
³ Cassetetes ou porretes também, mas acho essas palavras muito esdrúxulas.
Tipo assim: CARALHO, ELA AINDA EXISTE? Sim, eu existo XD E sim, eu sumi (lapso de criatividade, se é que me entendem). E não, não vou abandonar a fic. Esse era para ser o último capítulo, mas se fosse, seria demasiadamente grande e cansativo então optei por fazer mais um. Não se preocupem, terminarei essa fic!
