Can't remember everything
Ela abriu seus olhos.
Conseguiu ter dali uma visão completa de toda a cerimônia, ainda que ninguém pudesse vê-la.
Com um certo receio ainda, se escondeu atrás de uma das árvores.
O vento correu por entre as folhas de outono, fazendo-a se encolher um pouco.
Sabia que não devia estar ali... Que tola tinha sido. Sabia que aquilo aconteceria mais cedo ou mais tarde.
Anos perdidos.
Incapaz de continuar olhando para felicidade de todos, estampada em cada rosto e gesto virou-se de costas, apoiou-se no tronco da árvore, mais para segurar suas pernas trêmulas do que para se esconder.
O vestido creme esvoaçava ao vento com se flutuasse. Olhou para seus pés.
Escondeu o rosto entre suas mãos, envergonhada de si mesma.
Não poderia continuar com aquilo... Por Deus... Ninguém poderia continuar com aquilo.
Tinha consciência de que nunca poderia entrar naquele altar.
Era doloroso demais.
Com um soluço percebeu que não se importava do que os outros dissessem, não se importava se Rony não iria nunca mais falar com ela. Além de desapontar toda a família Weasley.
Sem mencionar ele...
A razão pela qual todos eles estavam reunidos, e a principal razão dela não poder subir ao altar.
Ao longe ouviu a risada de Gina, como se fosse uma doce melodia. Voltou seu olhar para a Toca. De onde estava conseguia visualizar exatamente a janela onde Gina estava.
Viu os contornos da ruiva pela cortina transparente.
O vento atingiu a janela e a cortina se abriu, e Hermione pode observar que Gina ria abertamente, colocando a tiara que, ironicamente, Hermione escolhera para este dia.
Virou-se novamente para onde se realizava a cerimônia.
Parecia que todos os convidados já tinham chego, porém Harry ainda não aparecerá.
Os olhos castanhos encontraram uma juba vermelha no meio dos convidados.
Rony estava de pé e olhava para o relógio, receoso. Olhava para todos os lados, procurando por alguém.
Os ombros de Rony então se relaxaram quando viu chegando uma carruagem coberta.
Hermione virou-se novamente de costas, mas não se apoiou na árvore.
Não poderia suportar.
Não poderia estar ali quando tudo acontecesse. Quando tudo se tornasse real demais.
Tinha medo de que alguém a percebesse ali.
Medo... Ela riu nervosamente. Nunca sentira tanto medo assim.
Sentia seu corpo inteiro tremer e não era por causa do vento de outono. Sentia seu coração bater descompassadamente e não era de felicidade.
Era melhor ir logo. Ninguém tinha reparado nela ali.
Se alguém perguntasse... Balançou a cabeça. Que bobagem. Nunca a perguntariam nada. Talvez apenas Rony sentiria sua falta.
Todos ali estavam felizes demais para poder perceber-se de sua ausência.
E Harry... Bem. Sabia que Harry não teria olhos para outra pessoa.
Quem teria?
Talvez mais tarde, bem mais tarde se dariam conta de que a madrinha não viera.
E não seria tão ruim assim, afinal... Estavam acostumados a sua ausência desde que começara sua carreira de curandeira.
Poderia dar a desculpa de ocorrera um grave acidente e fora chamada.
Quem iria lhe culpar?
Puxou seu vestido para cima dos joelhos, podia sentir uma energia vir de suas pernas e se pôs a correr. Sem sequer olhar para trás.
Entrou no meio da pequena floresta e desaparatou.
Não saiu para muito longe dali. Morava perto. Saiu do escuro beco em que tinha parado começou a caminhar pela rua deserta e escura. Afinal o sol já tinha ido.
Os passos de seu salto ecoavam pela rua enquanto caminhava até o número 26.
Porém os ecos dos saltos pararam subitamente quando chegou as escadas de sua casa.
Harry estava parado a sua porta, como se estivesse batendo na madeira há muito tempo. Vestia o smoking preto-esverdeado. Seus ombros pareciam tão tensos como nunca Hermione vira antes.
Como se pressentisse a presença da morena, virou-se.
No momento em que os olhos verdes a encararam ela soube que algo estava errado.
- Hermione... – sussurrou ele. Por um tempo os dois ficaram parados, um olhando para o outro. Ela não saberia quanto tempo passou até Harry descer um degrau. Ele pareceu fazer um esforço para voltar a falar. – Hermione, eu não posso fazer isso... Não posso casar com Gina. – por um momento a morena sentiu como se o mundo inteiro rodasse. Involuntariamente, deu uma risada nervosa. Se fosse um sonho poderia ser o mais cruel que tivera. E talvez fosse por isso que a Hermione, aquela que não passava de uma curandeira inteligentíssima, deu um passo subindo também um degrau.
- O que está falando Harry? – perguntou, controladamente. Seus olhos ainda presos no olhar de Harry. - Sei que deve ser o nervosismo, mas... – porém Harry subitamente a pegou pelos braços apertando a fortemente. A morena percebeu que ele nunca a segura daquela forma, nem quando estava com raiva.
- Você não está me entendendo Hermione... Isso não é um nervosismo normal que um noivo sente antes do casamento. Eu não posso me casar com ela. – sua voz não passava de um sussurro, mas em sua voz estava algo contido, com se quisesse fazer com que ela entendesse algo.
- Harry você não está fazendo sentido. – retrucou ela, ainda surpresa com aquela reação dele. – Você que pediu a mão dela e quis que casassem o mais rápido possível. Foi você que não quis esperar... – subitamente ela ficou sem o que falar. Harry tinha tirado as mãos de seus braços, e ela percebeu que por mais que ele estivesse machucando-a, sentia falta de suas mãos sobre ela.
- Não, não faço sentido mesmo. – disse ele, com a voz estranha, se apoiando no corrimão de ferro. Algo em seus ombros pareceu tencionar mais ainda quando ela tocou de leve em suas costas.
- Harry... – foi a vez dela sussurrar. – Harry, vamos entrar... – disse ela. Ele virou-se surpreso para ela.
- Não vai tentar me convencer de voltar à cerimônia? – sua voz ainda era sussurrada. – Não vai me dizer que estou magoando Gina? Que não estou com a razão?
- Não. – foi a resposta dela. Harry continuou olhando-a, como se ele que estivesse preso em seus olhos agora. Por um momento ela pode enxergar um brilho estranho em seu olhar. Como se entendesse algo, o talvez descobrisse. Ela não poderia saber. Nunca Harry lhe parecerá tão misterioso como agora.
- Por que? – e talvez fosse esse mesmo brilho no olhar de Harry, algo como divertimento, que fez Hermione subir mais um degrau, se dirigindo a porta.
- Não resolveremos nada nessa rua fria. – um sorriso de canto se implantou no rosto de Harry, não chegando aos olhos verdes.
- Não... Não resolveremos nada. – sem entender o que ele quis dizer Hermione abriu a porta de sua casa, entrando no hall aquecido. Por um momento achou que Harry não iria entrar, mas em dois segundos ele tinha subido as escadinhas e fechava sua porta, deixando o hall completamente no escuro.
- Por que você não vai me fazer voltar à cerimônia, Hermione? – perguntou ele, e ainda no escuro Hermione conseguia ver aquele brilho estranho no olhar verde.
- Por que você não pode se casar com Gina? – retrucou ela, no mesmo tom forte dele. Suas mãos tremeram ligeiramente.
- Você não quer que eu me case com ela... – foi a resposta lenta dele. O coração de Hermione bateu mais forte, e ela temeu que ele pudesse ouvir. – Sempre disse que era cedo demais... – continuou ele. Hermione retirou a mão que tinha colocado sobre o peito sem perceber.
- Esse não é o motivo é? – perguntou Hermione, agora desviando seu olhar do dele. – Você nunca se importou com isso antes.
- Não... Importo-me sim. Sempre me importei. – disse ele, com a voz forte, agora olhando para seus pés. – Mas você tem razão... Como sempre. É muito cedo... – suspirou ele. – Voldemort ainda está aí... Não suportaria que ele viesse atrás de Gina. – um buraco profundo se instalou no peito de Hermione.
- Pensei que isso já estivesse resolvido. – disse a morena, virando-se de costas para ele e indo em direção à sala. Sentiu Harry a seguir. Hermione acendeu as velas com um aceno de varinha, iluminando fracamente a sala.
- Gina é impulsiva... Não sabe o que quer. – continuou ele. Ainda a seguindo. Hermione pegou uma de suas garrafas de vinho e encheu duas taças.
- Ela o ama. Quer ficar do seu lado. – respondeu ela, oferecendo o vinho.
- Se ela me ama, entenderá que eu não posso deixar que ela corra esse risco. – ele sentou-se no sofá, mas a morena continuou de pé. Harry fechou os olhos e Hermione viu os ombros dele se tencionarem mais. – Tenho pesadelos... – sussurrou ele. – Em todos a vejo... Morta. – Hermione sentiu um arrepio.
- Voldemort deve estar...
- Não. – Hermione se calou. – Voldemort não a mata nos sonhos... – a morena afastou-se um passo. Entendendo o que ele queria dizer.
- Você não... Você a ama Harry. Nunca... – sua voz falhou, não se atrevendo a continuar. Harry voltou seu olhar para ela, sem qualquer brilho.
- Eu nunca poderia mata-la. – completou ele. – Por isso que eu não posso casar com ela. – repetiu ele. Hermione tomou outro gole de seu vinho sentindo como se rasgasse sua garganta.
- Ela está te esperando Harry... – falou Hermione, como se pudesse enxergar Gina no altar. – Sempre esteve...
- Hermione... – sussurrou ele novamente, e a morena se aproximou dele, como se fosse automático. – E se Voldemort me possuir? Usar-me contra ela? – sua voz ainda não passava de um sussurro, Hermione deixou o seu vinho em cima da mesa de centro e pegou a de Harry, também a colocando na mesinha. Hermione voltou as duas mãos para o rosto dele. Por um momento Harry pareceu sem ação, mas durou apenas por segundos. Hermione sentiu os braços dele envolverem sua cintura num abraço. A cabeça de Harry sobre sua barriga. Com um soluço incontrolável, Hermione passou as mãos pelo cabelo desalinhado dele.
- Você vai se casar com ela Harry. Porque ela é o amor de sua vida. – sussurrou a morena, sentindo Harry abraça-la mais forte. Com mais um soluço ela continuou. – Vocês vão ter filhos lindos, ruivos de olhos verdes. – sentiu as lágrimas rolarem por seu rosto. – E viverão até ficar velhinhos. Sem Voldemort, sem ninguém para atrapalhar. – Hermione deu mais um soluço e Harry pareceu perceber só agora. Ainda a abraçando pela cintura, ele ergueu o rosto para ela. Viu as lágrimas em seu rosto.
- Hermione... Porque não está no casamento? – questionou com a voz rouca. Hermione olhou-o, surpresa. Não esperava por essa pergunta. Suas mãos tremeram ligeiramente.
- Você n-não... – começou ela e Harry continuou.
- Não passei pela cerimônia... Estou em sua porta há tempos... – respondeu ele. A voz de Hermione sumiu, ela não conseguiu continuar. – Não veio aqui me procurar? – perguntou, tentando entender algo. Algo que Hermione não queria que ele entendesse. – Hermione, por Deus, fala alguma coisa. Por que não foi ao casamento? – os olhos dele pareciam implorar pela resposta. A morena retirou as mãos dele de sua cintura, lentamente.
- Eu fui... – disse, sem conseguir olhar em seu rosto. – Fui e você não estava. – a voz dela estranhamente sem tom nenhum. – Vim aqui porque pensei que talvez você estivesse realmente nervoso com tudo isso.
- Não minta. – a voz dele soou seca. – Você não esperava que eu estivesse aqui... – Hermione engoliu em seco.
- Harry, por favor, não vamos complicar. Volte para a cerimônia... Case-se com Gina, por favor... Saia. – implorou ela, sentindo seu corpo inteiro tremer. Passou as mãos em volta de seu corpo, como se isso fosse guardar novamente seu segredo. Não deveria ter se descontrolado. Harry continuou onde estava. De repente ele se levantou.
- Eu vou. – a voz repentinamente fria dele a assustou. – Mas você também vai. – e sem esperar por sua resposta, ele a pegou pelo braço arrastando-a.
XxXxXxXxXxXxXxX
A morena sentou-se em sua cama rapidamente. Seu pijama ensopado de suor e a respiração pesada. Levou dois segundos para perceber que não estava mais na sala mal iluminada e sim deitada em uma cama com grossos cobertores.
Mas levou menos tempo para perceber que aquilo não tinha sido um sonho.
De repente sua visão ficou turva, e uma forte dor de cabeça a atingiu.
Sem conseguir pensar direito, tirou os cobertores de cima dela e correu até a porta. A dor de cabeça aumentando a cada segundo.
Abriu a porta e procurou Harry pela sala, sua mão elevada até a cabeça, como se isso fosse parar a dor. Com a visão, ainda turva, não conseguiu localizar Harry.
Ouviu um barulho baixo e metálico vindo da cozinha, mas como se estivesse à milhas de distancia.
Caminhou tontamente até a cozinha, conseguiu se apoiar no batente da porta. Sua cabeça parecia estar sendo esmagada.
- Harry... – conseguiu dizer, mas tudo que ela conseguiu enxergar após isso foi um Harry borrado se virando para ela lentamente.
XxXxXxXxXxXxXxX
Dizem que depois do escuro tudo parece ser mais claro.
Talvez seja porque a maioria das pessoas que desmaiam acordam num hospital.
Os olhos castanhos demoraram em se acostumarem com a claridade, mas aos poucos ela conseguiu distinguir as coisas.
Ouviu o som de uma tv, mas como se estivesse muito distante ainda.
Mesmo que nunca tivesse entrado em um hospital, ela teve a certeza de que estava em um. Fechou os olhos de novo, tinha a sensação de estar dentro de um sonho. Mas não estava.
- Hermione? – ouviu uma voz melodiosa soando preocupada, mas a morena ainda não abriu os olhos.
- Cordélia? – respondeu de volta, agora abrindo os olhos.
- Ah, Rachel! – Cordélia pareceu soltar a respiração. – Você está bem? – a morena sentou-se na cama enquanto a amiga se aproximava dela.
- Me sinto meio tonta. – disse ela, se ajeitando.
- Quer que eu chame a enfermeira? – a voz de Cordélia voltou a ficar preocupada.
- Não... Acredito que vá passar logo. – respondeu ela, sua cabeça não doía mais, percebeu.
- Acho melhor chamar a enfermeira mesmo Rach... Os médicos vão querer saber que você acordou... – começou a loira, caminhando até a porta.
- Como assim acordei? – a loira parou no meio caminho e voltou a encarar Hermione. Depois voltou lentamente para perto dela.
- Do que exatamente você se lembra? – perguntou, indecisa.
- Há quanto tempo estou aqui Cordélia? – Hermione pareceu desconfiada, e talvez fosse por isso que Cordélia resolveu responder, após uma certa hesitação.
- Quinze dias... – disse a outra, receosa. Hermione deu um gemido.
- Estive em coma? – perguntou.
- Bem... Não exatamente. – respondeu Cordélia. A pergunta silenciosa de Hermione pareceu fazer Cordélia desistir de chamar a enfermeira. A loira arrastou uma cadeira para perto da cama de Hermione e sentou-se. – Você acordou algumas vezes. Mas não conseguiu falar muito. Na verdade acho que tudo que você conseguiu falar durante essas duas semanas foi cabeça e dor. Depois seu nariz começava a sangrar demais e voltava a desmaiar. – durante alguns momentos Hermione conseguiu visualizar mãos em cima dela, um certo alvoroço e depois o escuro novamente. – Você perdeu litros e litros de sangue, Rachel... – a menção de seu nome fez um eco em sua mente, a incomodando.
- Aposto que essa agulha no meu braço não está injetando soro em mim está? – disse ela sem olhar para o lado. A loira deu uma risadinha, parecendo nervosa.
- Não, não é. E alias, seu tipo de sangue é o mais raro de ser encontrado para transfusão. – por um momento o silêncio reinou. Então as duas resolveram falar ao mesmo tempo – Harry ficou bem cansado de...
- Você não estava na Ingla...? – Pararam.
- Voltei de lá há uma semana. – respondeu a loira rindo. Hermione riu também.
- O que ia dizer sobre Harry? – o nome do moreno pareceu evocar não só as batidas de seu coração como a própria presença dele no quarto.
- Cordélia... – mas parou ao ver que Hermione estava acordada e sentada na cama. Seus cabelos estavam completamente desalinhados, parecia que ele não fazia a barba por dias. Olheiras grandes e escuras faziam contraste com sua pele, pálida. E parecia ter emagrecido muito. Seus olhos adquiriram um certo brilho ao encontrar com os de Hermione. – Rachel? – perguntou ele, mas não como se perguntasse se estava bem. Seu tom de voz parecia mais profundo.
- Harry... – disse ela, automaticamente, mesmo que o som do nome Rachel parecesse um zumbido fino em seus ouvidos. Uma sombra atingiu o olhar de Harry e o pequeno brilho que tinha se desvaneceu e Hermione chegou a pensar se não teria sido sua imaginação. Imediatamente ele quebrou o contato de seus olhares e quando falou sua voz não poderia parecer mais indiferente.
- Cordélia, me acompanhe. – e sem lançar mais nenhum olhar a Hermione saiu do quarto.
- Já volto, Rachel. – a morena fechou seus olhos com força.
Quando Cordélia já tinha fechado a porta do quarto ela voltou a abrir os olhos.
- Meu nome é Hermione.
Não que repetir seu nome a fosse ajudar a melhorar as coisas. Porque não melhorava nem um pouco.
Sentiu um arrepio passar por sua espinha. Ainda que se lembrasse do "sonho" que tivera há duas semanas atrás e que partir daquele momento soubesse que não era uma prima distante da família Granger, pouca coisa ainda fazia sentido.
Lembrava de tantas coisas, mas não se sentia capaz de lembrar o mais importante. Quem fora Harry na sua vida. Tudo que ela lembrava era sua infância e aquele maldito "sonho".
Deus! Como tudo era confuso!
Porque fora parar na família Chase? Tão distante da Inglaterra? Seu país natal. Lembrava-se tanto de todos seus passeios com seus pais na grande Londres. Suas viagens a Paris. Seu pai a ensinando a andar de bicicleta. Coisa que nunca fora boa. E de sua mãe, lhe comprando cada livro que via... Sua mãe. Um aperto mais forte tomou conta de seu coração.
Ela tinha se suicidado há sete anos atrás. Mas porque? Sua mãe nunca fora depressiva na sua infância. Na realidade nunca vira sua mãe doente. Quando as coisas se apertavam na vida da família, Jane era a mais forte. Sempre fora a mais forte, até mesmo mais que seu pai.
Sua cabeça já não doía mais às antigas lembranças de sua vida. Teria sua mãe se adoentado? Teria sido sua culpa dela ter se suicidado? O que teria feito para ter ido parar na América?
Era por isso que não tinha lembranças de passar sua infância no Texas, ou com qualquer parente da família Chase? Por não se sentir importante na vida de ninguém de lá?
Mas então, qual seria o motivo de não ter lembranças também de sua adolescência.
E era esse ponto que fazia sua cabeça doer.
Fechou os olhos, tentando parar a dor.
Não iria desmaiar de novo.
Teria conhecido Harry na adolescência?
E quanto àquela foto que encontrara no escritório de Harry?
Lembrou-se da mulher meio gorducha e ruiva da foto e naquele exato momento soube que se tratava de Gina. A mulher que ela vira na janela daquela casa no dia do casamento de Harry.
Deu um soco no colchão e logo após se arrependeu. Uma lágrima, que nada tinha a ver com agulha em seu braço, caiu de seus olhos.
Enxugou com a outra mão, com força.
Não queria mais chorar. Queria respostas.
O que faria Harry se o confrontasse? Se lhe perguntasse toda a verdade?
Mas nunca poderia saber. O Harry que ela conhecerá um dia era totalmente diferente deste Harry.
O que ela conheceu um dia era sensível, carinhoso, gentil. E este era frio, arrogante e... Vingativo.
Agora entendia a discussão que ouvira entre Harry e Cordélia. Era tão óbvio que estavam falando dela. Como poderia ter sido tão cega?
Harry a odiava.
Só isso a fazia sentir-se deprimida e solitária. E a deixava ainda mais confusa.
O Harry de seu "sonho" nem de longe parecia odiá-la. Seu coração bateu mais apressadamente. Em seu sonho ela não o odiava. Embora sempre soubesse que nunca o odiara.
O que ela sentia por ele era forte demais para ser qualquer outra coisa que não fosse... Subitamente ficou sem ar.
Amor.
Era o que estava prestes a pensar.
Como podia amar alguém que a odiava? Que parecia querer vingança por algo que ela sequer sabia que tinha feito? Ela sequer se lembrava de como o conheceu.
Mas o jeito que ele a abraçara naquela noite... O beijo que ele lhe deu na outra.
Abriu os olhos de repente, mesmo sem perceber que os tinha fechado.
Mas ele era casado... Não era?
Tinha presenciado seu casamento não tinha? E a foto de Gina?
Quanto mais pensava mais duvidas surgiam e as coisas pareciam fazer menos sentido ainda.
Uma leve batida na porta a sobressaltou. Logo uma enfermeira entrou no quarto e pareceu se sobressaltar tanto quanto ela.
A hora seguinte pareceu uma eternidade a Hermione, os médicos a examinavam para ver se estava tudo bem com ela, se nada tinha sido afetado pelo pequeno coma que entrara. Toda aquela atenção a irritou tanto que ela perguntou se poderia receber alta na manhã seguinte. O médico pareceu bastante surpreso, mas logo negou com a cabeça, precavendo que ela teria que ficar no hospital por mais pelo menos uma semana. O que serviu só para irrita-la ainda mais. Quando o médico e as enfermeiras resolveram sair do quarto, uma auxiliar chegava com o almoço. Cordélia entrou logo em seguida, um pouco pálida.
Hermione estava muito mais preocupada com a comida que chegara para reparar que a loira trazia um envelope na mão. Apenas sentiu-se desapontada que Harry não estivesse junto. Embora soubesse que não deveria ter sentido aquela pequena esperança de que ele realmente fosse se preocupar com seu bem estar.
Cordélia permaneceu estranhamente silenciosa enquanto Hermione praticamente devorava sua comida. Só quando a morena estava na metade de sua gelatina de sobremesa foi que ela percebeu que Cordélia amassava as dobras do envelope com um certo nervosismo, nada convencionado a ela.
Deixando de lado a sua sobremesa e afastando a bandeja de si, Hermione a encarou.
- O que este pobre envelope te fez Cordélia? – brincou ela tentando arrancar um sorriso da loira, mas tudo que conseguiu foi um olhar assustado. Depois de uma certa hesitação, Cordélia lhe estendeu o envelope, e Hermione percebeu que ela tremia.
- Este envelope é para você... – disse Cordélia, deixando a morena perceber que sua voz também tremia.
- O que isto Cordélia? Meu atestado de óbito? – mais uma brincadeira sem sucesso. Resolvendo acabar logo com aquilo Hermione pegou o envelope, o abriu sem delongas.
Era um cheque. O cheque mais alto que Hermione já vira em toda a sua vida. E olha que ela não tivera uma infância tão má.
- O que... Pra que...? – alguma coisa dentro dela lhe sussurrou que tinha algo muito errado naquilo tudo. Abriu o envelope novamente e viu que continha mais dois papéis. Um era uma passagem de ida para a Inglaterra, que fez seu coração bater acelerado, e o outro era um recado. Se a passagem já tinha deixado nervosa, nada se comparou ao ler aquele bilhete.
"Achei Alasca um tanto quanto frio para você.
Quando chegar na Inglaterra terá gente esperando por você.
Eles lhe levarão até sua nova casa.
Não se preocupe com as despesas. Já está tudo acertado.
Também não se preocupe com sua segurança. Acredito que agora os 'cães' já estejam mais calmos, e você terá uma equipe de segurança te seguindo até quando for necessário.
Embora o dinheiro que lhe mandei seja suficiente para que três gerações suas possam ficar sem fazer nada, sei que também não gosta nem um pouco de ficar monótona, terá um emprego.
Qualquer coisa pergunte a Angelina, que será a pessoa que lhe encontrará no aeroporto de Londres".
Hermione não precisou ler a assinatura para saber de quem era.
E Cordélia não precisou que a morena rasgasse em mil pedacinhos a passagem, o bilhete, e o cheque de Harry para saber que ela estava em fúria.
- O... Que... Ele... Pensa... Que... Sou...? – ofegou ela, enquanto rasgava até o envelope. – Um papel reciclável? Que pode ser usado e usado todas as vezes que ele quer? E depois ser jogado no lixo? – juntou todos os pedacinhos dos papeis. – POIS EU NÃO SOU! – gritou a morena, jogando longe todos os papéis. – Pode avisar ao 'todo poderoso' que eu não sairei daqui nem a força. E que dinheiro nenhum, nada nesse mundo vai me fazer de idiota, nem mesmo ele. – ela olhava com tanta fúria para Cordélia que a loira sentou-se novamente no sofá, parecendo querer encolher mais e mais. Não só a luz do quarto piscava, como a tv de repente ficou fora do ar. Hermione sentia que tremia cada poro de seu corpo.
- Por favor, se acalme Rach... – Pronto. Cordélia disse tudo que não poderia ter sido dito naquela hora em uma só frase.
- E NÃO ME CHAME DE RACH! – gritou histérica, e a lâmpada do quarto explodiu – Informe ao seu chefe arrogante e pretensioso que eu estarei em minha sala no primeiro horário que eu puder quando sair daqui.
- Por favor,... – implorou Cordélia, ainda mais assustada, olhando para a tv que tremia e parecia que ia cair a qualquer momento – Você não pode voltar para lá...
- Ah não posso?! – retrucou Hermione, em fúria. – Então fique para ver se não estarei...
- Wolfram & Hart faliu! Ninguém pode voltar para lá! – exclamou Cordélia de repente, antes que a tv caísse do suporte. Tudo parou de tremer.
- Faliu? – repetiu Hermione, sem entender. – Como assim faliu? – ainda que a morena estivesse nervosa Cordélia pareceu relaxar.
- Os 'cães' conseguiram o que queriam. Armaram uma armadilha contra Harry e fecharam as portas da Wolfram e Hart. Têm sido uma loucura essas duas semanas que você esteve quase em coma. – de repente a aparência de Harry fez todo o sentido na cabeça de Hermione. Por um certo tempo ela chegara a pensar que tinha sido por ela. Mas se enganara.
- Mas... Como... Wolfram & Hart é considerada a maior empresa... É impossível falir. – afirmou Hermione.
- E era mesmo. – confirmou Cordélia, levantando-se e indo em direção a morena. – Mas eles conseguiram fazer tudo muito bem feito. Ainda não conseguiram calcular quantas mortes teve...
- Mortes? Como assim mortes? Jogaram uma bomba no prédio da Wolfram & Hart? – perguntou a morena, assustada. Cordélia simplesmente sorriu, um sorriso triste.
- Talvez teria sido melhor terem jogado uma bomba. – disse meio pensativa. – Mas não. Fizeram muito bem feito. Envenenaram a comida do prédio. Bem, a comida, a água, o ar. Tudo. Em dois dias o prédio estava vazio. – um arrepio percorreu todo o corpo de Hermione ao imaginar aquele edifício enorme sem sequer uma alma viva.
- Mas não faz sentido... Porque Wolfram & Hart iria querer envenenar seus próprios funcionários. Eram eles que faziam a empresa funcionar. O máximo que poderiam conseguir fazer era interditar o prédio... Mas não falir. – contrapôs Hermione, com pensamentos a mil
- É bem... Era o que a gente contava não? – Cordélia mexeu as mãos nervosamente, mas não falou mais nada. Hermione deu um tempo á ela, mas sentiu-se incomodada pela falta de explicação da loira.
- E...? Ainda não faz sentido! – retrucou a morena. Cordélia parecia relutante em continuar.
- Bem, não há muito que se fazer quando o governo prende o presidente da empresa e queimam todos os arquivos existentes da Wolfram & Hart. – disse ela, sem conseguir encarar Hermione.
- Prenderam Harry? Mas... O que? Por favor, Cordélia! Dá pra explicar isso direito?! – a morena voltou a ficar tão nervosa quanto antes e Cordélia voltou a falar.
- Não conseguiram prende-lo. – disse com um sorriso enviesado. – Pensando bem, acho que sequer queriam prende-lo. Queriam mesmo é levar para os comandantes da máfia e liquida-lo no dia mesmo. – outro tremor passou por Hermione.
- E como Harry fez para se livrar deles? – Cordélia voltou a ficar relutante, e voltou a encarar seus sapatos.
- Por favor, não me faça falar mais... – implorou a loira, em um sussurro. – Eu já falei demais.
- Você não falou nada que faça sentido! – objetou Hermione. – Como Harry fez para se livrar deles?
- Do mesmo jeito que eles fizeram com Wolfram & Hart. – respondeu Cordélia.
- Harry os matou?! – exclamou Hermione, embora não pudesse acreditar em seu próprio pensamento. Cordélia arregalou os olhos também.
- O quê?! Não! Não! Harry não os matou! – um aliviou pareceu percorrer as duas. – Céus! Como pôde pensar isso?
- Eu não quero ter que pensar Cordélia! Quero que você me conte o que aconteceu. O que é assim tão... Complicado de entender? – finalmente a loira a encarou.
- Se eu falar, me promete que não mencionará isso á ninguém? – disse em um sussurro.
- Sabe que eu não falaria. – foi a resposta da morena.
- E nem me achará uma louca? – Cordélia falava mais baixo ainda e se aproximava de Hermione.
- Honestamente, eu já estou te achando uma louca Cordélia. – repôs dando um sorriso leve. Cordélia pareceu tomar toda a coragem que podia antes de voltar a falar.
- Harry é um bruxo. – Talvez aquilo tivesse assustado tanto a morena que por alguma razão aquilo soou natural ao seu ouvido. Olhou fixamente para Cordélia, mas não encontrou nenhum vestígio de que a loira estava brincando. Mas a própria Hermione não conseguia acreditar que ela estaria brincando. Fazia sentido. Fazia tanto sentido quanto qualquer outra coisa. Sentiu uma louca vontade de gargalhar ante a expressão ansiosa que Cordélia tinha que quase não se segurou.
- Você ainda não me explicou como ele conseguiu se livrar deles. – foi a réplica de Hermione. Cordélia pareceu mais surpresa, mas não tanto quanto Hermione achou que ela iria ficar.
- Você não se surpreende? – perguntou a loira, desconfiada.
- Um pouco. Talvez porque eu não seja capaz de imagina-lo com uma varinha. – ou talvez pudesse. Em sua mente uma varinha na mão de Harry faria todo sentido. – Mas faz sentido pelo jeito que ele gosta de comandar todas a sua volta. Só poderia ser um bruxo. – porém Cordélia continuou com a expressão desconfiada. Hermione ponderou que se Cordélia tinha sido honesta com ela até agora, e ela deveria retribuir. – Isso explica também porque todas as vezes que fico nervosa coisas explodem, - disse apontando para a lâmpada queimada. – e quando fico feliz as coisas simplesmente dão mais certo. – isso foi o que mais surpreendeu Cordélia. Mas antes que ela pudesse falar alguma coisa, Hermione adquiriu uma expressão mais séria. – Você confiou em mim Cordélia, está na hora de eu confiar em você também. Não sei como, e não sei o que aconteceu, mas sei que não sou Rachel Chase. Hermione foi o nome escolhido pela minha mãe, pois ela amava o teatro e peças de Shakespeare. Jane é em homenagem a minha avó materna, que também é o nome de minha mãe. Granger é o sobrenome do meu pai, e também de todos os meus primos, e se você quiser, posso dar o nome de todos eles agora para você. Porém, eu não me lembro da minha adolescência. Nenhuma parte da minha vida dos meus onze aos meus vinte anos de idade. Não sei como conheci Harry, só sei que tenho essas imagens em minha cabeça que me fazem ter a certeza de que ele e eu algum dia fomos... Alguém, um para o outro. Também não sei o que aconteceu e porque estou aqui. Mas eu não vou descansar até descobrir cada detalhe. E acredite em mim quando digo que não vou desistir. Quando eu tinha oito anos convenci aos meus pais de que eu conseguia entender a teoria da relatividade. E eu conseguia.
Cordélia pareceu ficar sem respiração. E após um longo tempo de silêncio, Hermione chegou a pensar em chamar a enfermeira novamente. Porém, Cordélia com as mãos na cabeça sentou-se no sofá, como se suas pernas não fossem agüentar.
- Você tem noção do que significa essa sua confissão? – perguntou, com a voz trêmula. Hermione hesitou por um momento.
- Não. – respondeu honestamente.
- Há quanto tempo você descobriu? – perguntou a outra, finalmente a encarando.
- Não tenho certeza. Acho que dentro de mim eu sempre soube. – discorreu Hermione. – Mas acredito que quando entrei nesse pequeno 'coma' foi o momento que eu realmente tive a certeza. – por um momento as duas ficaram em silêncio.
- Sabe que eu não poderei te ajudar, não sabe? – disse por fim Cordélia.
- Como não poderá me ajudar? Por favor, Cordélia, eu contava com você... – começou Hermione em um certo desespero, mas Cordélia a interrompeu.
- Hermione, eu nunca a conheci. – Cordélia explicou. – Só ouvi falar de você. E muito pouco! – Hermione ficou entorpecida.
- Nunca... Nunca me conheceu? – a loira fez que não com a cabeça. – Mas... Eu ouvi você... Vocês dois estavam falando de mim... – Hermione, porém, falava mais para si mesma que para Cordélia.
- O que você ouviu? – perguntou Cordélia, franzindo a testa.
- Ouvi você e Harry, discutindo, no escritório... – na hora Cordélia pareceu entender.
- Honestamente, não sei o que dizer para você... – disse ela, apreensiva, levantando-se. – Quanto da conversa você ouviu? – perguntou, mas logo começou a mexer as mãos, ansiosa. – Bem, mas acredito que agora não vá fazer diferença...
- Não, não vai. – Hermione deu uma risadinha, nervosa.
- Olhe, eu trabalho com Harry há apenas dois anos. E nunca fui intima dele. – depois Cordélia deu uma risadinha, mas não nervosa como Hermione. – Também não poderia. Eu o conheci no dia do meu noivado com o melhor amigo dele.
- Rony? – questionou Hermione, se lembrando do ruivo que viu a distância no casamento.
- Você se lembra dele? – Cordélia perguntou surpresa.
- Um pouco... – respondeu Hermione, impaciente, querendo que ela continuasse. Cordélia voltou a sentar no sofá.
- É isso mesmo. Rony. – alguma coisa divertida teria passado pela mente da loira, porque sua expressão se tornou divertida. – Conheci Rony quando ele jogava Quadribol aqui na América. – disse saudosa. E logo depois acrescentou, diante da expressão confusa de Hermione. – Quadribol é um jogo bruxo... É complicado de explicar, outra hora eu lhe conto.
- Você é bruxa também Cordélia? – perguntou Hermione.
- Não. – mas o fato não pareceu entristecer a loira. – Minha família toda é bruxa. Só eu nasci trouxa. – com um sorriso meio amargo completou. – Foi uma das razões que meus pais se separaram. Meu pai achou que minha mãe o tinha traído. Nunca vi minha mãe tão triste quanto no dia em que ele partiu.
- Me desculpe. – disse Hermione, um pouco desconcertada.
- Não se desculpe. – Cordélia levantou o queixo. – Minha mãe fez questão de deixar bem claro que ele tinha partido por vontade dele, não por minha causa. E nunca a minha família se importou. – depois acrescentou pensativa. – Tive sorte, acredito. Mas o fato é que eu nunca me senti inferior a nenhum deles. Sentia-me privilegiada, por viver em dois mundos diferentes. Em cada um eu aprendi uma coisa, em cada um eu tinha amigos muito bons. Eu podia não ter poderes, mas minha mãe fazia questão que eu organizasse meu quarto tanto como meus irmãos. Acredito que eles que levarão a pior, pois quando podiam fazer magia em casa, tinham que limpar do mesmo jeito que eu. – outro sorriso saudoso passou pelo rosto da loira. – Eu era trouxa, mas freqüentava os mesmos lugares que meus irmãos. Exceto pela escola de magia. Mas isso era o de menos. Quando chegava o verão e ficávamos juntos, eu os ajudava com suas tarefas de casa. Aprendi tanto com isso que com o passar do tempo eu fazia poções e sabia tanta a história dos bruxos quanto qualquer um da casa. – um brilho de orgulho surgiu no olhar de Cordélia.
- Eu sempre pensei que você tivesse sido filha única. – comentou Hermione. A loira sorriu.
- Mas bem, não é sobre mim que você gostaria de ouvir não? – disse brincalhona, e Hermione soube que ela estava bem mais relaxada. – Como eu estava dizendo, conheci Rony em uma de suas viagens com o time. Nos apaixonamos a primeira vista. Ele ficou aqui por um ano inteiro. Quando ele teve que retornar para Inglaterra eu fui junto. Completamente tola e apaixonada. Vivemos mais um ano juntos e então noivamos. Acho que o problema foi esse. Rony nunca foi muito maduro e eu deveria ter percebido isso. Nosso noivado não durou um mês e então eu voltei para a América. – mas Cordélia não parecia triste como se o assunto a aborrecesse. E então continuou. - Como eu já conhecia Harry pedi emprego a ele. E por algum motivo, que eu não faço idéia, ele me aceitou na hora. Nunca mais vi Rony até há um ano e meio ano atrás. Ele veio pedir desculpas a mim. – contou ela, evidentemente feliz. – Disse que nunca tinha sido tão feliz quanto aqueles dois anos que vivemos juntos. Ele tinha largado o emprego quando eu voltei para a América, voltado a morar com a mãe, e simplesmente não suportava mais a idéia de se ver separado de mim. – depois ela deu uma risada. – Você deve achar que estou exagerando, mas se tivesse visto a cena dele, ajoelhado no meio da sala de Harry, com um buquê enorme de rosas, acharia que estou sendo até modesta. – brincou ela. Hermione sorriu também, se contagiando.
- E vocês voltaram? – Hermione perguntou, mesmo sabendo a resposta.
- Que garota não voltaria depois disso? – riu ela. – Voltamos sim. Na verdade, ele é Bob. – revelou ela, um pouco receosa.
– Não queria revelar-lhe o nome dele antes, porque não sabia o que isso poderia fazer com a sua cabeça. – então as coisas ficaram claras para a morena. Todas as conversas ao telefone entre Cordélia e o namorado dela, Rony no caso.
- Por isso nunca deixou que ele fosse até sua casa, não é? – perguntou Hermione, e Cordélia confirmou.
- Ele já sabia que você estava na América. – contou a loira e Hermione a olhou confusa. – Há seis meses atrás, quando ele veio me visitar, te viu andando pela cidade. – Cordélia deu uma pausa, e ficou séria. – Nunca vi Rony tão pálido. Ele estava tão chocado que quando entrou no escritório, foi direto para a sala de Harry, sem nem me cumprimentar. Não tive nem tempo para pensar que ele estivesse bravo comigo. – um tremor passou pelo corpo de Cordélia. – Até aquele dia nunca tinha visto Harry e Rony sequer discutirem sério, quanto mais brigarem daquele jeito. Um gritava mais que o outro, era impossível entender uma palavra sequer. Depois de uma meia hora tudo ficou em silêncio e Rony saiu do escritório tão pálido quanto quando entrou. Demorou bem uns dois meses para eles voltarem a se falar. Mas Harry, desde aquele dia, ficara fechado. Desconcentrava-se em coisas pequenas. Deixou passar muitas coisas do caso, e isso o tornava mais mau-humorado a cada dia que passava. Foi em um dia que ele estava de tão mau-humor que eu não agüentei e o deixei no escritório sozinho. Eu lembro que voltei chorando para casa. Rony, coincidentemente, estava em casa. Quando entrei chorando ele me perguntou o que tinha acontecido e eu expliquei. Na hora ele quis ir até o escritório, mas eu não deixei. Sabia que isso só pioraria as coisas. Foi nesse dia que ele me contou sobre você. – Hermione prendeu a respiração, sem perceber.
- E o que ele disse? – os ombros dela tencionaram-se.
- Me contou que os dois a tinham conhecido em Hogwarts, uma escola de magia que existe na Inglaterra. Uma das melhores, segundo os livros que li. Vocês se conheceram quando tinham onze anos e logo ficaram amigos. Não só amigos, como os melhores amigos que poderiam ser. – Cordélia ficou nervosa de repente. – Puxa... Como é difícil explicar. – e então continuou. – Durante os anos em que se conheceram, vocês enfrentaram um monte de coisas. Coisas que eu vou lhe explicar com calma, mas não agora. – completou ela quando viu que Hermione abria a boca. – Bem, o caso foi que a amizade de vocês continuou mesmo depois da escola. Harry então se casou com a irmã de Rony. – a imagem de Gina veio à cabeça de Hermione. – Não demorou muito e Gina engravidou. – isso explicava porque ela estava meio gorducha na foto. Cordélia respirou fundo. – Mas a gravidez teve muitas complicações.
- Que tipo de complicações? – perguntou Hermione, com os ombros ainda mais tencionados.
- Não sei. Rony nunca soube também. Só sabia que a cada dia que passava, algo acontecia. Quando Gina chegou no sexto mês teve que ser internada. O bebê nasceu quinze dias após a chegada dela no hospital. Gina sofreu tanto no parto, mais do que sofrerá na gestação. E não agüentou. Três horas após o parto Gina Weasley tinha falecido. Não preciso lhe dizer o estado em que Harry ficou. – o coração de Hermione se apertou tanto que quando falou sua voz tremia.
- E o filho dele? – Cordélia abaixou os olhos.
- Bem, ele nem chegou a abrir os olhos do parto. Quando nasceu, nasceu já em coma. – a tristeza que Hermione sentiu era familiar. E ela sabia que estava sentindo tudo que um dia já sentira naquele momento. E de algum jeito, ela sabia que agora era pior. – Os curandeiros conseguiram que ele vivesse, mesmo em coma, durante três meses. E, é aqui que tudo fica sem sentido. O bebê não morreu no hospital. Era uma noite de natal quando ele desapareceu. Rony me contou que Harry parecia um louco, queria colocar o hospital abaixo. E eu entendo. Como poderiam ter deixado um bebê em coma sair de lá? – um tremor percorreu a espinha de Hermione, e de repente, ela não queria mais ouvir. Porém, Cordélia continuou. – Mas então, quando Harry ameaçava um dos curandeiros ele de repente o soltou e correu pra fora do hospital. Na manhã seguinte ele entrou no hospital de novo, mas com o bebê nos braços. Contudo, ele já estava morto. Uma semana depois você sumiu. – sem perceber, Hermione tremia e suava. Uma tristeza tão profunda se apossou de seu coração. – Simplesmente sumiu. Rony disse que procurou por você em todo canto da Inglaterra. Todos procuraram por você e nunca a acharam.
- Exceto Harry. – disse Hermione, num sussurro.
- Rony me contou que Harry sequer soltou uma lágrima. Mas a partir daquele natal, não sorriu mais. Ele se tornou frio e fechado. Até mesmo Rony se afastara dele. Uma das razões que Rony acha que Harry tem raiva de você é porque sumiu justo quando ele mais precisava. Até hoje Harry guarda ressentimentos de Rony mesmo por ele ter se afastado por isso. Depois de dois anos ele veio para a América. E bem, o resto você já sabe. – Hermione ainda tremia, e Cordélia de repente pulou do sofá.
- Hermione, você está sangrando de novo. – mas a morena não chegou a realmente ouvir a frase. Caiu na escuridão outra vez e só voltou em si três horas depois, com outra bolsa de sangue de seu lado e ninguém no quarto. Talvez em algum momento de sua vida, na parte em que ela não se lembrava, ela tenha chorado tanto quanto ela chorou neste dia. Mas ela tinha certeza de que nunca se sentira tão infeliz e solitária quanto aquele dia.
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Quando o raio de sol bateu em seu rosto no dia seguinte aqueceu também seu coração. E inexplicavelmente sentia-se mais alegre. Sabia que não adiantava ficar chorando. O pior já tinha passado. Cabia a ela descobrir o restante e fazer com que tudo se encaixasse. Na noite passada tudo que ela queria era fugir. Mas não poderia tomar uma atitude dessas e não entendia porque teve essa mesma atitude há oito anos atrás. E era isso que ela iria descobrir. Não importasse o que ela tivesse que fazer. Nem mesmo que tivesse que enfrentar Harry.
Quando a auxiliar chegou com o café-da-manhã ela comeu com gosto. Se no passado ela fugiu de Harry e agora se encontravam de novo, não era por acaso. Iria ficar e iria lutar. Não importasse o que custasse. E com pensamentos assim ela conseguiu se manter alegre, e equilibrada. Tendo uma melhora incrível em uma só manhã.
Cordélia a visitou naquele dia a noite. Hermione perguntou o que Harry estava fazendo agora que Wolfram & Hart tinha sido falida. Embora duvidasse de que ele tinha desistido de alguma coisa.
O fato era que aquela não era uma máfia comum, o que Hermione já tinha concluído naquela tarde. Eles não queriam dinheiro ou poder. O que eles queriam mesmo, na verdade, ninguém sabia ao certo. Não eram bruxos com preconceitos contra os trouxas que queriam que eles fossem eliminados. Pois também matavam muitos bruxos que nada tinham a ver com nada. Eram um grupo de tanto trouxas, como bruxos. Em geral, todos os poderosos. Foi descoberto que o presidente da Tailândia também estava no grupo. Outro era um curandeiro famoso da Argentina. Era difícil ao certo saber o que queriam. Mas nada justificava o fato de que eles matavam tanto quanto torturavam pessoas inocentes. Harry entrara na Wolfram & Hart exatamente por essa razão. A maioria do grupo se encontravam na América. E ele se passando por um advogado poderia processar e mandar no que quisesse sem que percebessem. Porém, perceberam.
Liam, Hermione acabou ficando sabendo, que também era trouxa, mas que tinha seus contatos entre os bruxos também. E que ele, dentre todos estava mais nervoso como tudo aquilo. O pai dele, o governador de New York, também fazia parte do grupo dos cães. Um dos principais suspeitos de ter falido a Wolfram & Hart.
Harry agora estava no escritório de Liam. Que Hermione sabia ser no Brooklin. Harry, Cordélia e Liam coordenavam de lá tudo que podiam. Os outros envolvidos, os clientes de Harry, que agora Hermione sabia que eram aliados contra os cães também ajudavam, mas como eles também fingiam ser alguma coisa como senadores, dono de cassinos, dono de empresas, continuavam onde estavam. Alguns nem fingiam ser algo, eram prefeitos e donos de cassinos mesmo.
Era surpreendente quanto trouxas estavam envolvidos em vista dos bruxos.
Ao longo da semana, enquanto Hermione esperava por sua alta, Cordélia contava como estava o caso. E também contava o que sabia sobre o mundo da magia. Trouxe alguns livros para Hermione ler, o que a mantinha ocupada quando Cordélia não estava. Percebeu que Cordélia tinha mais livros de poções e livros que contavam a história da magia até há quase vinte anos atrás. Foi só em um dos últimos livros que Cordélia lhe deu que Hermione viu o nome de Harry ser comentado.
Mas era tão pouca informação que só serviu para deixa-la irritadiça e curiosa.
No entanto, o que a deixou mais irritada no fim daquela semana foi ela ter tido uma recaída. Depois da vigésima vez em que Hermione respondeu grossamente a Cordélia foi que a loira se irritou.
- O que há com você? Vai ter alta amanhã de manhã, não consegue agüentar mais uma noite sem ter que me xingar? – exclamou a loira, irritada.
- Não estou te xingando. – retrucou Hermione – Só estou dizendo que já que você não consegue fazer uma simples palavra-cruzada então desista!
- E precisava me chamar de anta mitológica? – rebateu Cordélia irritada também, e deixando o jornal de lado.
- Eu não chamaria se você não me incomodasse a cada dois minutos com isso!
- Qual é Hermione? Eu estou tentando animar essa sua cara! Desde que eu cheguei hoje você parece ter esquecido o que é a boa educação. – ambas ficaram em silêncio. Depois de mais meia hora de silêncio foi que Cordélia suspirou fundo e perguntou. – Sério, o que aconteceu?
- Nada. – respondeu a morena, fingindo estar lendo um dos livros que Cordélia tinha lhe dado.
- Ótimo. Se você não vai falar, não vou lhe emprestar outro livro de magia. – ameaçou a loira.
- Ótimo. – retrucou a morena, dando de ombros. Depois de um silêncio Cordélia voltou a falar.
- Ótimo. Achei que você não iria gostar de saber sobre o que você fazia da sua vida mesmo. – Hermione jogou o jornal de lado e se não fosse pelo soro que tomava teria pulado no sofá de Cordélia.
- Sobre minha vida?! O que um livro falaria sobre mim? – sua voz ansiosa pareceu divertir Cordélia, mas ainda assim, a loira abriu sua bolsa com uma lentidão que fazia Hermione sentir-se mais irritada ainda.
- Não é muito sobre você na verdade. – explicou ela, enquanto procurava pelo livro. – O livro todinho é dedicado a Harry, mas tem algumas coisas sobre você. E sobre Rony também. – disse, antes de entrar o livro para ela com um sorriso. Hermione quase arrancou o livro da mão de Cordélia e o começou a ler na hora.
Já era de manhã quando Hermione terminou de ler, e no momento em que fechou o livro, uma gota de sangue caiu na capa. Com um gemido, mais de irritação do que de dor, Hermione mergulho na escuridão novamente.
Só foi acordar quando Cordélia tinha chegado ao quarto. A loira estava um pouco preocupada, mas ao ver Hermione abrir os olhos ficou mais serena.
- Não devia ter lhe dado aquele livro. – disse Cordélia, com um sorriso.
- Não. Eu que não devia te r o lido antes de sair desse maldito hospital. – respondeu ela, sentando-se. – Alguém lhe disse quando eu vou poder sair daqui de novo?
- O médico com quem eu conversei foi bonzinho. Disse que mais três dias de observação e você pode parar de tentar subornar as enfermeiras. – informou Cordélia, parecendo querer rir.
- Não tentei nada. Tinha conseguido. Ele chegou no momento em que ela ia me passar a conta do banco dela.- disse Hermione, aborrecida.
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O resto dos dias que Hermione passou no hospital foram mais monótonos e longos do que a última semana. Cordélia não pode aparecer, pois o caso tinha tido uma complicação e ela teve que trabalhar até tarde. O que foi bom por um lado, já que a morena não estava afim de conversar com ninguém. Ela perdeu as contas de quantas vezes lera o livro sobre Harry.
Nele descobrirá que era curandeira. E Harry um auror. Que agora Hermione já sabia o que significava. Ficou sabendo de mais algumas pessoas que provavelmente tinham sido seus amigos também. Até mesmo Dino Thomas tinha seu nome no livro.
Não eram informações tão precisas. Mas eram informações. E quando pensou que estava a ponto de enlouquecer, se é que já não estava louca, chegou o dia em que ela finalmente teve alta.
Cordélia não pode sair de Brooklin, o escritório de Liam, no dia em que Hermione saiu do hospital, pois o caso piora. A loira no dia anterior também pareceu relutante em lhe dizer o exato lugar em que estava trabalhando com Harry, e acabou não dizendo de qualquer forma. Após uma meia hora de silêncio e desconfiança, e em uma boa lida no livro que Cordélia lhe indicou, Hermione descobriu que o lugar era protegido por magia, e só Harry ou Liam podia dizer onde estavam.
Foi por esse motivo que durante a manhã toda Hermione andou a esmo por New York. Tinha um dinheiro no banco que tinha reservado. Sua vida tinha sido dura, e bastante pobre. Nunca poderá comprar nem um carro decente, mas se tinha uma coisa que Hermione sabia ser era prudente, e bem prevenida. Em oito anos tinha um bom dinheiro guardado no banco. Fora que nos últimos três meses (e espantou-se com o tempo que passara desde que encontrara Harry em seu escritório) tinha uma reserva bem maior do que conseguira nos últimos anos em comparação ao salário que tinha adquirido em sua promoção de cargo. Enfim. Tinha onde cair morta.
Sem pensar direito no que fazer, e aonde ir, pegou um táxi e foi para Brooklin. Tinha noção de que não saberia nunca onde o escritório de Liam se encontrava, mas não podia ficar sentada sem fazer nada. Contudo, sua maior preocupação era exatamente essa. Com o que iria fazer? Não poderia entrar no escritório de repente, colocando Harry contra parede e lhe informando que tinha se lembrado de tudo, exceto de ter conhecido Harry, apesar da certeza de que se conheciam e lhe exigir que contasse cada detalhe de seu relacionamento com ele. E também o motivo dela perder a memória inexplicavelmente e ir acabar parando nos Estados Unidos há um oceano de distancia.
O taxista a deixou em South Street Sea Port e uma vez parada em frente ao porto, seu olhar se perdeu. Apoiou-se no cercado, deixando o vento do mar tocar seus cabelos.
Não sabia há quanto tempo não se sentia tão viva assim. Era estranho estar tão confusa e ainda assim sentir como se tudo se encaixasse ao mesmo tempo.
A verdade era que, por algum motivo insensato, ela se alienara de seu próprio mundo e uma parte sua nunca se conformara. Era por isso que quando praticamente fugiu do Texas e foi para New York não era simplesmente por uma estatística idiota de que cada dez pessoas que moram no interior sete vinham tentar viver na cidade grande. Era por isso que quando estava com Harry nada ficava tão escuro, por isso que o abraço de Harry lhe pareceu tão familiar. Por isso que... E era nessa parte que tudo se tornava mais confuso... Por isso que seu coração se acelerou tanto quando Harry a beijou.
Inevitavelmente esboçou um sorriso. Um sorriso amargo, sim. Poderia afirmar com toda a certeza de que aquele não tinha sido o primeiro. Embora tivesse que admitir, com um profundo mal estar, que aquele teria sido o último.
Desatenta nem reparou que alguém se aproximava. E por esse motivo se assustou quando esse alguém lhe tocou no ombro.
- Mas o que está fazendo aqui? – questionou Cordélia, quase como se visse um fantasma. Nem um momento sequer Hermione pensara estar próxima de onde o escritório de Liam estava. Mas a descoberta fez com que o seu coração desse pulos.
- Não te disse ontem que eles me dariam alta logo pela manhã? – disse Hermione, feliz, apesar de sua ansiosidade. Um momento de hesitação seguiu-se e a morena identificou um quê de desconfiança no olhar de Cordélia. – Eu não fugi! – a expressão de Cordélia de repente mudou.
- Eu não disse nada! – retrucou, embora sorrisse. – Olhe querida, é melhor sairmos daqui. O escritório de Liam fica aqui em frente e pela vidraça da pra ver certinho onde você está. Tive um trabalhão para poder despistar Harry de olhar pra cá, e honestamente nem acho que fui tão bem sucedida assim. – a loira a segurou pelo braço e foi obrigando-a a se afastar dali.
- Mas qual é o problema Cord? Se Harry me ver, não estará tudo resolvido? Ele vai saber que não fui pra Inglaterra e que não vou deixar que ele resolva esse caso sozinho. – disse Hermione com firmeza, mas ainda se deixando levar por Cordélia.
- O problema minha cara Rachel, - Hermione fez uma careta diante a esse nome. – é que ele acreditara tanto quanto eu nessa história de que não vai deixa-lo resolver o caso sozinho. O que você tem em mente na verdade é descobrir sobre você mesma. – Hermione de repente ficou corada e parou de se deixar levar.
- Me preocupo sim com o caso. – respondeu, porém Cordélia a encarou profundamente.
- E não quer saber sobre nada da sua adolescência? – perguntou com ironia.
- É óbvio que quero. – Cordélia deu um suspiro de triunfo. – Se ponha no meu lugar e tente separar o que é real e o que não é, e então volte a pensar que estou agindo como uma obsessiva. – foi a vez de Cordélia ficar corada.
- Eu não disse isso! – indignou-se.
- Mas pensou! – acusou Hermione – Olhe Cordélia. Não vou chegar e encurralar Harry contra a parede. Sei que não daria certo.
- E o que pretende fazer exatamente? – perguntou a loira, de braços cruzados.
- Não sei ainda. – com um suspiro Hermione voltou a olhar para o porto. – Eu me importo com o caso Cordélia. E vivi oito anos pensando que era realmente Rachel Chase. Isso deve bastar por algum tempo.
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- Honestamente, não dará certo.
O suspiro de Hermione soou cansado. As duas estavam almoçando em uma lanchonete perto do porto, mas não onde ninguém pudesse vê-las.
- Por que não?
- Hermione! Ele não vai acreditar que eu esqueci onde fica o escritório de Liam! – retrucou a loira, impaciente.
- Rachel, Cordélia, Rachel. Se me chamar de Hermione, alguém poderá desconfiar.
- Todos irão desconfiar! – por um momento Hermione achou que Cordélia teria um ataque histérico ali mesmo. – Você esta mexendo com coisas grandes demais minha cara. Se você aparentemente se esqueceu de quem você era, pode ser melhor que não se lembre de nada mais.
- Cordélia! – chamou Hermione, tentando fazer a amiga se acalmar. – O que aconteceu com você? Antes parecia querer que eu me lembrasse! Me trouxe todos aqueles livros pra que? – a loira suspirou fundo e tomou um grande gole de seu suco.
- Escute Hermione, - começou Cordélia, num sussurro. – Já passou pela sua mente que você mesma pode ter feito algum feitiço que fez com que se esquecesse de quem você era, por absoluta vontade própria?
- Milhões de vezes. – respondeu a outra e Cordélia a encarou surpresa. – Mas um motivo eu tive que ter. E não vou descansar até saber qual foi.
- Isso é loucura! Pra que você teria tanto esforço para querer se esquecer de algo, reformular toda a sua vida e de repente querer se lembrar de algo que provavelmente vá querer se esquecer de novo?
- Posso até querer me esquecer de novo, mas não vou. Mais cedo ou mais tarde eu teria que enfrentar o que eu quis fugir. – retrucou Hermione, firme.
- Como pode ter certeza? E se tudo que você fizer só trazer mais sofrimento? Será que não vai querer fugir de novo? Recomeçar em outra vida qualquer, talvez como professora de uma escola do terceiro mundo e se esquecer que provavelmente não foi só você que sofreu! É fácil fugir e deixar que os outros enfrentem o problema que você também viveu! – as palavras de Cordélia teve tão grande impacto em Hermione que ela achou que se a loira tivesse a esbofeteado, teria sido menos dolorido.
- Está me dizendo que é melhor deixar como está? – com um medo inexplicável, Hermione segurou com força seu copo.
- Não sei... – respondeu Cordélia, suspirando pesadamente. – Talvez. – concordou a loira. – Olhe, não me peça para analisar a vida dos outros Hermione. Ainda mais de pessoas que eu sequer conheço há tanto tempo assim. Tudo que estou tentando dizer é para parar de agir como se isso fosse uma aventura. Isso não é um jogo. Se você der um passo pra frente terá reações. Poderá acabar voltando dois para trás. E ainda movimentando quem está atrás de você. Tudo ao seu redor pode ser afetado. E as conseqüências poderão ser piores que da primeira vez. Seja lá quais foram. – a morena nunca imaginara que Cordélia pudesse ser tão dura. E Hermione de repente sentiu um buraco negro dentro de si. Não sabia com o que estava mexendo. Poderia estar cutucando um leão. Um leão negro e de olhos verdes.
- Por que está me dizendo isso somente agora Cordélia?
- Hm? – de repente Cordélia pareceu distraída, a loira olhou para o relógio. – Talvez seja melhor eu voltar Hermione...
- Não, espera ai... – estranhou Hermione. – Pra me dar todo esse sermão sobre ações e reações você teve todo o tempo do mundo, e de repente tem que voltar? – Cordélia voltou a se sentar, com outro suspiro.
- Falei com Rony essa semana. – contou a loira. – Ele está aqui para ajudar Harry. Fica vinte e quatro horas junto à ele, como se fosse um cão de guarda. Só tive tempo de falar sobre você ontem a noite.
- Você contou sobre mim?
- Não exatamente. Contei a ele tudo que aconteceu desde que vocês se encontraram até o dia em que Harry lhe entregou o dinheiro para ir para Inglaterra. Contei que você decidiu não voltar, e depois falei que não tinha te visto mais. – Cordélia brincou com um pedaço de papel. Hermione sentiu-se aliviada. Mesmo sem saber porque, não estava preparada para que mais pessoas soubessem que ela se lembrara que era realmente Hermione. – Nunca vi Rony tão quieto pra te falar a verdade. Por um momento achei que ele tinha ficado bravo comigo. Perguntei a ele o que aconteceria se você, a Hermione, voltasse.
- E o que ele disse? – questionou Hermione, subitamente ansiosa.
- Que não sabia. Mas não queria estar por perto quando isso acontecesse. – as duas ficaram em silêncio e Cordélia olhou estranhamente para ela. E então ela entendeu.
- Ele disse 'quando' e não 'se'?
- Ele parece bem convencido de que você não passaria a vida inteira sendo Rachel. Segundo ele, nenhum feitiço era permanente. Não desse tipo. Ele disse que todo mundo se lembra de quem é no fundo. Alguns simplesmente não querem se lembrar. E para isso, nenhum feitiço é necessário. – mais uma vez Hermione sentiu-se culpada.Talvez fosse o resultado de passar as duas ultimas semanas sentindo-se a mais vitima de todas e agora se dava conta da realidade. Mas o que seria a realidade? O feitiço ainda bloqueava sua mente de se lembrar ou era ela que não queria se lembrar?
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Hermione não ficou muito longe dali. Enquanto Cordélia arrumava um jeito de fazer com que ela pudesse entrar no escritório de Liam a morena passava os dias olhando a movimentação do porto. Pensando no que poderia ter acontecido. Entre o que era real e o que não era. E toda vez que deitava em sua cama a resposta era sempre a mesmo. O escuro. O vazio.
Por mais que se esforçasse não conseguia se lembrar de Harry, ou de tudo aquilo que, segundo o livro que Cordélia lhe deu, tinha feito em sua vida durante dez anos. Tudo que tinha era metade de seu passado e o presente, já que o seu futuro dependia da outra metade de seu passado.
Cordélia ainda conseguia arranjar tempo para conversar com ela, mas Hermione sentia-se incômoda, quando de repente Cordélia tinha que sair correndo para resolver alguma coisa do caso. Porém, nos poucos minutos que se falavam a morena descobriu que Angelina era uma antiga amiga de Cordélia, e que a loira conseguiu convencer a amiga de não contar a
Harry que Hermione não tinha aparecido no aeroporto.
Até onde ele sabia, ela tinha embarcado no avião e agora estava bem tranqüila em seu novo emprego, do outro lado do oceano.
Porém, a ignorância de Harry sobre seu paradeiro iria rematar naquela tarde.
Ao longe Hermione viu Cordélia correndo ao atravessar a rua, debaixo da chuva forte que caia na rua. As duas sempre se encontravam naquele cafezinho da esquina. Quando Cordélia entrou no lugar, molhada, foi direto para a mesa que Hermione ocupava. Sentou-se, eufórica. Apesar do frio Cordélia tinha as bochechas rosadas da corrida.
- Liam te viu. – Cordélia falou aquilo como se há anos estivessem esperando por isso. Porém Hermione não entendia como isso poderia ser bom. Como a morena não teve a reação que Cordélia parecia esperar, continuou. – Eu o convenci a te levar para o escritório! Não é demais? – agora sim Hermione teve a reação que Cordélia estava esperando.
- Demais?! É esplêndido Cord! – exclamou a morena, feliz. – Mas como...?
- Por sorte Harry não está hoje no escritório. Pelo menos não estava até agora. Liam te viu andando bem de manhãzinha pelo porto. Só conseguiu falar comigo e perguntou se tinha visto direito. – Cordélia pareceu hesitar. – Na verdade, ele já estava começando a desconfiar das minhas saídas pra falar com você, então pode ser que ele não tenha te visto por acaso. – a expressão pensativa de Cordélia deu lugar para a euforia antecedida. - O lance é: eu contei a ele que você tinha voltado porque não queria deixá-los no caso sozinho. Ele vai encontrar a gente... – e Cordélia olhou para o relógio. – Daqui há exatos cinco minutos. – uma ansiosidade se instalou na morena, junto como nervosismo. Enquanto esperavam por Liam as duas ficaram em silêncio. A chuva caia forte lá fora, o que era realmente curioso, já que estavam no meio de outono.
A cada porta que se abria as duas viravam a cabeça esperançosas. Mas os cinco minutos transcorreram e ainda nenhum sinal de Liam. Hermione já tamborilava com os dedos sobre a mesa quando a loira exclamou.
- Oh! Oh! – Cordélia pulou da cadeira como um gato assustado.
- O que? O que aconteceu Cord? – perguntou Hermione com a voz estrangulada. Mas então a loira sentou-se de novo na cadeira, evidentemente aliviada.
- Pensei que fosse o sinal.
- Sinal? Que sinal?
- Harry inventou um sinal para nós quando estivesse em perigo. – começou Cordélia. – Um barquinho de papel. Se aparecesse um barquinho de papel em qualquer lugar que qualquer um de nós esteja é um aviso de que alguém esta em perigo. É muito inteligente. E sutil. Sem dizer que é prático. Até uma trouxa como eu, posso enviar esse sinal. – Hermione não percebeu um brilho de sutil admiração no olhar de Cordélia. A cabeça da morena parecia tonta. Sabia que se lembrava alguma coisa que relacionava o barquinho de papel, mas não sabia o que. Tudo que conseguia se lembrar era de uma história muito triste que seu pai contava quando ela criança. Mas não tinha sentido se lembrar daquilo agora. Cordélia que ainda explicava a Hermione sobre o sinal virou-se de repente para a porta. – Ei! Mione! É Liam! – Hermione despertou e olhou para a porta também.
Liam estava parado à porta e quando seu olhar cruzou com as mulheres que acenavam pra ele deu um grande sorriso contrastando com o tempo cinzento lá fora. Apesar do frio que Liam provocou ao abrir a porta da lanchonete Hermione pode sentir um calor nascer bem dentro dela.
O barquinho de papel ficou esquecido completamente depois que Liam chegou. O loiro nem sentou. Nem ao menos pediu explicações para Hermione sobre o motivo de ter "voltado". Disse que tinha deixado o escritório sozinho e que se Harry chegasse antes dele ia matá-lo. Por isso tinham que ir rápido pra lá. Hermione estranhou o fato, já que o escritório era de Liam. Harry provavelmente já começara a dar ordens e aparentemente Liam não estava fora da mira. Porém esse pensamento perdeu espaço no cérebro de Hermione quando eles três entraram em um grande prédio comercial, mas não seguiram até os elevadores. Foram até o banheiro das mulheres. Porém Liam não parecia nem perceber aonde estava indo e Cordélia agia como se aquilo fosse normal. Hermione os seguia, sem perguntar nada. Liam parecia realmente muito preocupado em chegar no escritório e não parava de falar que não tivera outra opção, já que Harry saira, sem avisar a ninguém e não voltava nunca. Portanto, mesmo que ela quisesse perguntar não iria conseguir formular a frase.
Seguiram até a última porta do banheiro, a que dizia "QUEBRADO" e entraram. Não tinha nenhum vaso sanitário ali, apenas um buraco no chão com um pouco de água na cor meio duvidosa. Liam e Cordélia colocaram os pés dentro do buraco e Hermione arregalou os olhos. Liam não tinha percebido que ela não entrara no buraco também e virou-se para o botão da descarga. Cordélia felizmente notou que a morena olhava os dois, abismada, e a puxou pelo colarinho até a morena atingir a poça. Porém, ao contrário do que a morena imaginava, ela não sentiu seus pés molharem ao entrar.
Sentia como se tivesse no seco ainda. Liam apertou o botão da descarga e em um piscar de olhos Hermione não sabia mais aonde estava.
Ela tinha a sensação de que descia por um buraco escuro e gelado, mas ainda sentia a presença de Liam e Cordélia. E também tinha a consciência perfeita de estar gritando como uma louca e ouvir Cordélia gritando ao seu lado.
E então caiu num chão aveludado, mas nem por isso macio.
Estava com medo de abrir os olhos e despencar mais uma vez. Mas sentia o calor preencher seu corpo e por isso abriu lentamente os olhos. Viu Cordélia se levantando e Liam já do outro lado do cômodo abrindo uma das portas do lugar.
- Nunca me acostumo com isso. – reclamou Cordélia, zangada, se ajeitando. – Está bem? – perguntou a loira quando percebeu que ela continuava estendida no chão. Porém Hermione não respondeu. Olhava para as costas de Cordélia, abobada.
- Nós esta-ta-ta-mos em um-um-um... – gaguejou ela apontando por sobre o ombro de Cordélia. A loira olhou para trás confusa e então virou-se de novo para Hermione com um grande sorriso.
- Bem vinda ao submarino Ness.
Sinto que devo milhões de desculpas.
Quero dizer, não atualizo essa fic desde setembro do ano passado! (Sim, faz tanto tempo!)
Não, eu não me esqueci da fic em nenhum momento, acontece que minha vida deu uma reviravolta. Mudei de cidade, emprego, faculdade. Tudo. Não tinha tempo nem pra ligar o computador. Alias, nem pra comer eu tinha tempo.
Graças a Deus, agora que eu só estou com a faculdade ocupando meu tempo, com certeza vou estar aqui SEMPRE.
Quero dizer, até terminar essa fic e se me der a louca escrever outra. O que eu acho dificil, já que esta fic me consome dia e noite.
Já escrevi o próximo capitulo. (Bem, pelo menos parte dele) Portanto, com certeza não vou abandonar vocês, de novo.
Ou seja... Não. Vocês não vão se ver livre de mim tão cedo.
Espero que isso seja uma noticia boa, tanto quanto eu acho.
Chega de falar sobre mim.
Falemos sobre o que interessa. A fic.
Por essa vocês não esperavam né? Hermione finalmente se lembrou. E está mais perto da verdade. Mas o que será a verdade?
Sei que Harry nem aparece direito nesse capitulo, mas garanto que o próximo capitulo vai estar... digamos assim, recheado de Harry Potter.
Não deem tanta atenção ao caso viu? Eu definitivamente não sei escrever sobre coisas sérias e ações, meu ramo mais é psicólogico e romântico, portanto não esperem grandes coisas.
Já quanto ao romance... bem, ai sim vocês podem me cobrar.;)
Quanto a magia, bem, a magia está presente (vai estar ainda mais no próximo capitulo), mas eu não quero dar muita atenção a esse fato.
garota.invisivel: Eeee. Não parei de escrever a história não. Nem poderia, amo de verdade essa minha fic. Obrigada pelos elogios. Continue lendo e comentando sim?
mione03: Ahh... Cordélia não é uma bruxa. / Aii, tomara que vc também adore cada linha desse capitulo. E não se preocupe pelo tamanho da review. Eu adoroo! D E continue lendo sim. Prometo que não vai se desapontar.
Lílian Granger Potter: Não, não. Harry não deu sumiço no Dino não. Hermione é que é uma azarada. Cordélia e Hermione nunca se conheceram mesmo. E sim, o amigo foi Rony. Agora a ajuda que ele foi dar... rsrs, não posso dizer ainda. Se Hermione usou algum tipo de feitiço pra se esquecer? Bem, essa é a questão central não? Mas pelos pensamentos dela desse capitulo, vc acha mesmo que ela seria capaz de fazer algo radical assim? Não teria sido obra de outra pessoa? ... hehehehe. Bem, continue lendo.
becah²: Há! Se vc gostou do beijo espere até ver o outro capitulo... Ihhh, já falei demais:D Obrigada pelos elogios becah², e continue lendo okay?
Jéssy: Ah, mas eu tenho certeza de que com esse capitulo as coisas ficaram mais claras não? Realmente, é dificil acreditar que Hermione se afastaria de sua familia, porém porque sera que Harry e ela brigaram? E por que ela resolveu sumir? Ou não foi ela que resolveu isso? rsrsrs. Te coloquei mais dúvidas né? E o que fizeram com o Simas? Mas ele nem aparece na fic... o.O.E bem, eu demorei a postar, mas aqui estou eu. :D
Alícia Spinet: Ele foi a Londres ajudar Rony em algo. Exatamente, Harry colocou Angelina para vigiar Hermione. É uma pena que Angelina não seja tão boa assim e que seja amiga de Cordélia, ou talvez não seja tão ruim assim, né? Ele sabia de cada passo que ela dava. Mas isso já é uma parte mais sombria de Harry que vc vai entender mais pra frente. O que alias, Hermione vai ficar furiosa. Mas acho que já estou dando informações demais, rsrsrs. Sobre o sr. Granger, beeem... daqui pra frente vcs vão ter noticias dele. Mas Harry não interceptou nenhuma ligação. O que aconteceu realmente foi um terrivel azar de Hermione, porque afinal o sr. Granger realmente retornou a ligação...mas hãn... já é bastante informação não? rsrsrsrs.
P. : Sabe que mesmo depois dos dois últimos livros de Harry Potter eu ainda tenho a sensação de que a série ainda não terminou e de que esses dois livros não foram reais. hahahahaha, acho que essa foi a minha forma de lida com a decepção que foi. Ah eu realmente devo ter erros enooormes gramaticalmente, acontece que minhas betas me abandonam... Na verdade eu abandono elas, não posso culpá-las. Mas espero que me perdoe por esses erros e que siga em frente falando que eu erro e eu tentando melhor sim? rsrsrsr Obrigada P.
Dii.ka Potter: Bem, nesse capitulo está a razão do porque Harry odiar tanto Hermione, embora eu ache que só poucos de vocês vão saber o que é e onde está. Mas vc vai ficar sabendo o porque, é só continuar lendo. Obrigada Dii.ka.
Bela Evans Potter: Aii espero que esse capitulo tenha tirado boa parte da sua confusão. Rsrsrsrsrs. Continue lendo sim? e Obrigada.
Bom é isso. Acredito que eu disse muito mais do que devia pra vcs, mas aceitem isso como as mil desculpas que eu devo a vocês pela demora.
Obrigada mesmo pelo apoio de vcs, pelos elogios, pelas chamadas de atenção e acima de tudo por comentarem sobre tudo isso. Espero que gostem do capitulo e não se vinguem de mim me abandonando também! ;)
Até o próximo capitulo que eu prometo não vai demorar.
