Boa Noite.
Não vou me estender muito nas notas iniciais, porque passei o dia todo terminando esse capítulo e não aguento mais ver letras na minha frente (risos).
Boa leitura ;)
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POV BELLA
Não foi nenhuma surpresa para mim quando fui ao banheiro após acordar e vi que havia menstruado. Eu sabia que hoje era o dia de vir, um dos benefícios de fazer uso da pílula anticoncepcional, embora os sinais do dia anterior já indicassem sua chegada – dores nas pernas, na coluna, cansaço, irritação, cólicas –, sem contar que há uma semana meus seios já estavam levemente doloridos e um pouco inchados. Pois bem, minha TPM geralmente atacava durante toda a semana que antecedia meu ciclo menstrual, ficando mais acentuada um dia antes do primeiro dia.
Sempre pensei que quando chegasse o dia em que eu faria uso desses medicamentos ficaria livre dos sintomas, e fora esse um dos questionamentos que fiz ao meu ginecologista dois meses atrás, que me explicou que apesar das recentes pílulas anticoncepcionais possuírem uma substância chamada drospirenona – umas com dosagem maior ou menor –, que é um derivado da progesterona, hormônio feminino, capaz de aliviar alguns dos sintomas da TPM como as cólicas, os inchaços, dores nos seios, as oscilações de humor, ansiedade, irritabilidade, entre outros, ainda assim não era garantia de diminuir os sintomas. Segundo ele, em alguns casos o efeito era justamente o oposto, e que tudo dependia muito do organismo de cada mulher.
Depois da explicação, tentei colocar na cabeça que possivelmente a TPM continuaria me fazendo visitas periódicas, embora devo reconhecer que ela fora pior um dia. Pelo menos uma coisa eu não podia reclamar: o meu ciclo, antes intenso e longo, chegando a durar algumas vezes até sete dias, agora era curto e escasso, durando da última vez apenas três dias e meio.
Porém, uma coisa era certa. Minha ansiedade nada tinha a ver com a chegada do meu período menstrual, mas sim com hoje à noite. A festa de noivado de Rosalie e Emmett. Não necessariamente a festa, mas o que eu vou encontrar lá, ou melhor, quem.
Várias perguntas permeavam minha cabeça desde a noite passada. Por que ele me ligou? Por que demorou tanto a retornar a ligação que eu fizera no domingo? Será que ele ficou chateado por eu ter ido embora do seu apartamento? Deveria eu ter retornado a chamada? Será que ele só queria falar algo em específico? Ou ele pretendia convidar-me para sair? Ir até seu apartamento? Eu teria ido?
Durante horas permaneci olhando para o teto, refazendo as mesmas perguntas enquanto os minutos se passavam. Eu sabia que estava chateada com Edward, quer dizer, eu ainda estou chateada com ele, e isso também nada tinha a ver com a TPM, ou ela apenas intensificou. Todavia, não parava de pensar que talvez eu devesse ter reagido de outra forma, retornando a ligação no lugar de ignorar, e assim descobrindo o que ele queria.
Agora era tarde demais. Teria que esperar a noite chegar e, quem sabe, encontrá-lo na festa. Pois apesar da sua presença ser praticamente certa havia sempre uma chance de ele não ir. Resta saber se teríamos oportunidade de conversar.
Como previra, o dia custou a passar. Após o almoço fiz uma saída rápida, indo até a farmácia para comprar algumas caixas de Tampax Pearl, pois possuía em casa poucos tampões, e me sentia muito mais segura usando absorventes internos.
O restante da tarde passara observando Renée arrumando a casa que não precisava ser arrumada e me perguntando constantemente se acertara na sua escolha para o jantar. Eu sorria para todas as suas inseguranças. "Você não acha que aquele vaso deveria ser tirado dali?" "Será que Phil irá gostar do vinho?" "O vestido que escolhi não é formal demais para um jantar na minha própria casa?". Às vezes minha mãe parecia uma adolescente, mas eu não podia julgá-la, embora eu nunca antes agi dessa maneira diante de algum rapaz. Nem mesmo com Jacob, que talvez tenha sido o único que eu chegara a realmente gostar, me preocupava com esses detalhes. Eu só queria estar bonita para ele, desejável e vestindo uma linda lingerie, sabendo que ela não duraria muito tempo em meu corpo quando nos encontrássemos.
Fora então que algo que nunca pensei antes me bateu de repente. Eu sabia tão pouco sobre Jacob. Nos envolvemos por três meses e eu sequer sabia dizer o seu gosto musical. Sobre o que diabos tanto conversávamos quando estávamos juntos afinal?
E é aí que reside o detalhe. Nós pouco conversávamos. Eu diria que nosso relacionamento era baseado quase 100% em sexo. Mesmo por telefone, quando um ligava para o outro, após a pergunta natural se o outro estava bem, como fora o dia, nós sempre encerrávamos a chamada marcando um encontro e esse encontro sempre terminava em sexo. E quando terminávamos nós dormíamos no seu apartamento ou eu iria para casa. Talvez o dia que mais conversamos tenha sido quando nos conhecemos ou quando o levara para jantar em minha casa, para conhecer minha mãe. Mas Jacob estava tão estranho aquele dia, alegando que não estava se sentindo bem e que precisava ir embora mais cedo. Eu sentia que ele estava se afastando na época, e fora por isso que insisti com o jantar, acreditando eu que isso o faria se apegar mais a mim. Ledo engano. Provavelmente ele já estava com a ex, a tal da Tanya, e eu, tola, levando-o para conhecer Renée como se fôssemos namorados.
Voltando para a minha atual situação, embora Edward e eu não tendo o mesmo tipo de relação que eu tivera com Jacob, no final não parece ser muito diferente. Dois encontros, duas noites de sexo. Contudo tenho que admitir que mesmo nos conhecendo há tão pouco tempo eu sabia mais sobre Edward do que soubera um dia sobre o moreno de olhos negros que residia no Brooklyn. Mas, ainda assim, isso não queria dizer nada, e caso eu não tomasse alguma atitude agora, corro o risco de ver essa história terminar do mesmo jeito.
E era isso que eu faria a partir de agora. Eu iria parar de me torturar por um relacionamento que não vingou, por uma ligação não feita. Não vou cometer esse erro outra vez. Eu era melhor que isso, mais esperta que isso.
Talvez ignorar Edward não seja a atitude mais inteligente a fazer. Mas mostrá-lo que há outras opções além dele, bem, isso eu teria que mostrar. E fora com esse intuito que, algumas horas mais tarde, me preparei para a festa de noivado.
Deixando vestidos de lado, optei por um jeans skinny escuro, super justo, que dava a impressão de deixar o meu bumbum um pouco maior, além de acentuar as minhas curvas. Vesti um top bege drapeado de alças, cuja parte do busto era apertada, favorecendo os meus seios. Por cima do top joguei um casaquinho acinturado preto. Para completar o look, um colar grande com corrente de bronze e pedras de vidro em tons diversos. Nos pés meu par de scarpin preto de saltos altos, que eu adorava usar com calças, e no rosto uma maquiagem que marcava especialmente os meus olhos castanhos, num make escuro e esfumaçado, com um batom nude nos lábios e blush terracota nas maçãs do rosto. Quanto aos cabelos, após usar o secador, deixei a raiz lisa e fiz cachos nas pontas com a pranchinha, deixando-os volumosos e deslizando sobre os meus ombros num estilo moderno e natural.
Pronta, coloquei algumas gotas de perfume e em seguida arrumei minha bolsa de mão. Quando me olhei de corpo inteiro no espelho, percebi que estava com a mesma bolsa de mão e o mesmo par de sapatos que usara quando estive no apartamento de Edward no último sábado. Por um segundo pensei na possibilidade de trocar, mas desisti logo depois com o pensamento de não me importar se ele já me vira usando antes, se é que ele chegara a notar.
Poucos minutos depois Alice me ligou no celular, avisando que já estava na frente do meu apartamento com Jasper. Ah, sim, eu iria com os dois, já que ambos nunca tinham ido antes à casa de Rosalie, que ficava em West Village. E como eu iria mesmo sozinha, Alice me convenceu a aceitar a carona.
Quando entrei na sala encontrei Renée espalhando algumas velas.
- Uau. Que romântico. – murmurei olhando ao redor.
- Filha, como você está linda! – exclamou minha mãe.
- Obrigada. – sorri. – Bom, vou indo. Alice está me esperando lá embaixo com Jasper.
- Jasper? – perguntou minha mãe franzindo a testa.
- Oh... é um amigo nosso. Nós o conhecemos no aniversário de Rosalie. – tentei explicar.
- E Alice danadinha já está saindo com o rapaz. – ela riu, colocando as mãos na cintura. – E você, não conheceu ninguém interessante na festa também?
- Humm... eu... – meu celular começou a tocar. – É Alice, preciso descer. Depois conversamos, mãe. Beijos. – fui em direção a porta.
- Boa festa. Congratulações aos noivos! – gritou quando eu já estava no corredor.
Tudo que eu não queria agora era contar a minha mãe sobre Edward.
Assim que coloquei os pés na calçada, encontrei Jasper e Alice, abraçados e encostados na lateral do carro.
- Você demorou a descer hein! – resmungou Alice, saindo dos braços de Jasper para me abraçar, embora em seu rosto não houvesse nenhum indício que confirmasse que ela estava realmente chateada.
- Não demorei, você que odeia esperar. – sorri, abraçando-a.
- Bem, devo me lembrar a partir de hoje jamais me atrasar cinco minutos novamente. – disse Jasper sorrindo, ainda encostado no carro, com os braços e pernas cruzadas.
- Ih, devia ter te alertado antes sobre isso. – sorri para ele. – E aí, Jasper. Como você está?
- Ótimo e você?
- Bem. Estou bem. – digo-lhe com um sorriso.
Jasper continua me olhando. Não sei se é coisa da minha imaginação, mas é como se houvesse algo mais por trás da normalidade do seu olhar, como se ele estivesse tentando me analisar. Então me pergunto se ele sabe de alguma coisa.
Teria Edward contado a ele sobre o nosso último encontro? O que provavelmente pode ter acontecido, uma vez que os dois são velhos amigos. Mas Alice e Rosalie também são minhas melhores amigas e até agora não contei nada a elas sobre o assunto.
Bom, a única certeza que tenho é que se Jasper sabe que Edward e eu nos encontramos novamente ele não contara nada a Alice, ou ela já teria me encurralado em busca de explicações.
- Vamos? – pediu Alice.
- Vamos lá. – diz o loiro, beijando-a brevemente nos lábios e contornando o carro para assumir o lado do motorista.
Alice abre a porta traseira para mim.
- A propósito, você está estonteante. – ela diz, olhando-me de cima a baixo.
- Você também, Alie. – digo a ela, fitando-a em seu tomara-que-caia de cetim com camadas cor de lavanda. Lanço-lhe um sorriso e entro no carro, assim como ela.
O caminho até West Village foi mais demorado do que geralmente costuma ser, devido ao trânsito caótico de Manhattan, um dos grandes problemas da enorme Nova York, assim como o de outras metrópoles. E todo o trajeto foi feito com nós três debatendo sobre as dificuldades de se dirigir na ilha, mesmo parar ou estacionar o carro em algum lugar, fazendo com que a melhor opção seja utilizar o metrô, embora Jasper confesse aos risos que prefere passar horas parado no trânsito a encarar um transporte público. Eu e Alice rimos, sabíamos que ele não estava sendo convencido ou coisa parecida.
- Não me levem a mal. – ele riu. – É que desde pequeno tive motorista para qualquer lugar que eu quisesse ir, e quando tirei licença para dirigir desde então tive carro à minha disposição. Sem contar que minha segunda opção sempre foi carona com os amigos ou o táxi. Por isso nunca precisei encarar um metrô, assim como Edward também não.
A menção do nome me fez sentir uma pontada na barriga.
Merda.
Por que só em ouvir o nome fiquei assim?
Espero Jasper dizer mais alguma coisa sobre o amigo. Se ele está indo ou não a festa é o que quero ouvir. Mas Jasper não diz mais nada.
Um nó de ansiedade se acumula na boca do meu estômago. Será que ele vai?
Quando finalmente chegamos à frente da casa de três andares de Rosalie, percebo que já há uma fila de carros ocupando o lado direito da rua. Alice e eu descemos para Jasper estacionar. Enquanto isso, procuro um Aston Martin prata estacionado em algum canto da rua. Mas nenhum sinal do carro. Edward não está aqui.
Quando Jasper volta, segura a mão de Alice e nós três subimos os degraus, alcançando a porta de entrada para tocarmos a campainha. Mesmo da calçada dava para se ouvir a música alta e o som das vozes vindas de dentro da casa. Talvez ninguém escute a campainha tocar. E é quando giro a maçaneta e a porta se abre.
A casa estava repleta de pessoas. Grupos divididos em cada canto da sala, nos corredores, nas salas anexas, conversando e tomando suas bebidas, alguns fumavam. E enquanto caminhava, com Jasper e Alice atrás de mim, tentava localizar rostos conhecidos. Avistei Taylor e Tracy, ambas do Recursos Humanos. Acenaram com a mão quando me viram, fazendo sinal para eu me aproximar.
- Já volto. – digo a Alice e Jasper.
- Isabella Swan. – Taylor me cumprimenta com um sorriso quando as alcanço.
- Hey. – cumprimento. – Vocês viram Rosalie?
- Acho que foi até a cozinha. – responde Tracy. – Bella, você está um arraso. Adorei o skinny.
- Obrigada.
- Não é à toa que chamou a atenção de aparentemente todos os homens solteiros da festa. – Taylor comenta.
- Qual, é. Acabei de chegar. – dou de ombros, sorrindo.
- E pelo visto não percebeu os pescoços se entortando enquanto caminhava. Sério, Bella. Dá uma olhada atrás de você.
Olhei para Tracy, que sorria amplamente enquanto bebia alguma coisa de tonalidade vermelha. E então lentamente virei-me para trás.
Encontrei alguns rostos familiares. Todd, o Diretor de Marketing da empresa, que já teve um namorico com Rosalie no passado – que Emmett nunca saiba – ao lado de dois rapazes que eu conheci recentemente, novatos na Fortune, vindos de Los Angeles. Do outro lado estava Sean, primo de Rosalie, com os mesmos rapazes que o acompanhavam no aniversário da loira no motel. Aposto que o baixinho era seu irmão, eles eram muito parecidos. E perto do sofá estavam os amigos de Emmett que eu conhecera naquele clube no Downtown, dia que eu conhecera Edward, embora não tivéssemos trocado mais que uma palavra.
Todos olhando para mim.
Bem, de uma forma ou de outra, não me incomoda e gostei de estar causando esse efeito. Mas não pude deixar de ficar desapontada. Ele não estava aqui.
O loiro, que estava agora sorrindo e erguendo uma caneca de cerveja para mim, embora eu não lembrasse seu nome, eu o reconheceria em qualquer lugar que estivesse. Era o mesmo que puxou assunto comigo no clube, embora eu quisesse esquecer como o inferno aquela conversa. Sorri para ele e virei-me de volta para Taylor e Tracy.
- Viu? – inquiriu Tracy, sorrindo.
- Bem – abro um sorriso e jogo o cabelo para trás –, o que eu posso fazer, não é verdade? A não ser...
- A não ser aproveitar que está podendo escolher e ficar com o loiro. – me interrompe Taylor, olhando sobre o meu ombro. – Meu Deus. Que homem é aquele?
- Ah, mas o Todd também não é de se jogar fora. – comenta Tracy. – Eu sempre soube que ele era a fim de você, Bella.
- De mim? – pergunto.
- Sim. Nunca te contei, mas uma vez, quando você ficou doente, ele me pediu o seu telefone. Não dei, claro. Disse que informações pessoais dos funcionários eram sigilosas. E dá para perceber o jeito que ele te olha.
- Mas eu pensei que... – reflito, confusa.
- Pensou que ele gostasse de Rosalie?
- Shiu. – peço a Taylor, olhando para os lados, checando se Emmett estava por perto. – Emmett não sabe sobre ele. – murmuro só para as duas ouvirem.
- Oh! Esqueci. – Taylor sorri.
- Vai por mim, Bella. O Todd é a fim de você. Sem contar que ele tem toda a pinta que é bom de cama. – ela sorri, secando o nosso Diretor de Marketing.
- Sim, ele é. – diz Rosalie, chegando perto de nós de repente. – Bella! – ela me puxa para um abraço.
- Rosalie... – sussurro próximo ao seu ouvido. – Você ficou doida? Você ouviu o que acabou de dizer?
Ela se afasta e sorri amplamente para mim. Rosalie usava um vestido frente única de gola alta com estampa de zebra.
- Não disse nenhuma mentira. – ela rola os olhos. – Mas se querem saber? Não vale nada. Não é um tipo de homem que indicaria as amigas. A não ser que queira apenas transar.
- Se a Bella não quiser, eu quero. – murmura Tracy, encarando Todd.
- No lugar dela, ficaria com o loiro de jaqueta marrom. – comenta Taylor.
- Quem? O James? – Rosalie faz uma careta. – Não. O que ele tem por fora não tem por dentro. Minha amiga merece algo melhor que aquilo. Ela precisa de um cara como o Sean.
- Quem é Sean? – pergunta Tracy, franzindo a testa.
- Primo dela. – respondo.
- Ah, saquei tudo. Rosalie quer que você entre para a família Hale, Bella.
- Ah, qual é? Não é porque é meu primo, mas ele é um excelente partido. Faz administração e em breve será o CEO das empresas do pai, além de tudo é certinho, sem antecedentes criminais, não fuma, bebe socialmente e o melhor, não curte balada.
- Seu primo é um santo. – murmura Tracy.
- Ou gay. – diz Taylor.
Nós três sorrimos, menos Rosalie, que olha feio para Taylor.
- Desculpe.
- Bella, vai por mim. – continuou Rosalie. – Com o Sean é relacionamento sem dor de cabeça garantido.
- Por acaso você está tentando me dizer que eu deveria namorar com ele? – a questiono sorrindo, colocando a minha mão esquerda desocupada, a que não está com a bolsa de mão, na minha cintura.
- Não namorar. – ela dá de ombros. – Mas sei lá, sair, dar uns amassos. Quem sabe no futuro?
- A parte do amasso foi interessante. – comenta Tracy.
- Vou chamá-lo. Sean! – grita Rosalie, agitando a mão.
- Ele estava aqui o tempo todo? – inquiriu Taylor.
- Sim. – responde Rosalie enquanto Sean vinha em nossa direção.
- Ele é gatinho. – sussurrou Tracy.
Sean abriu um largo sorriso ao chegar onde estávamos, daqueles que mostram todos os dentes da boca.
- Oi, Bella. – sorriu de forma simpática para mim.
- Oi. – respondi.
- Sean, essas são nossas colegas de trabalho, Tracy e Taylor. – Rose as apresenta, que o cumprimentou com um aceno de mão.
- Olá. – Sean acena na direção delas.
- Vou falar com Jasper e Alice. Com licença. – diz Rosalie, deixando nós quatro para trás.
Olho quando ela se aproxima do grupo de amigos de Emmett, no canto, e só então percebo que Jasper e Alice também estão lá.
- E então, se divertindo? – pergunta-me Sean.
Olho para ele antes de responder.
- Hmm eu cheguei há pouco tempo. Não deu tempo de curtir a festa ainda.
- Oh. Claro, claro. – ele sorri, inclinando a cabeça para baixo, até sua boca ficar próxima ao meu ouvido. – Você está linda.
- Santa.Mã.Deus! – murmura Tracy, antes que eu pudesse agradecer o elogio a Sean. Olho para ela e a vejo olhando de boca aberta para a entrada.
- Puta Merda! – exclama Taylor, com a mesma expressão embasbacada que há no rosto de Tracy, olhando para a mesma direção.
Sigo a direção dos olhares das garotas e então vejo. Meu coração para e sinto minhas pernas bambearem.
Edward.
Fico parada, sem palavras, enquanto o observo na entrada. Emmett entrara logo atrás dele, não sei se chegaram juntos, ou o futuro noivo-marido da minha amiga apenas o buscara do lado de fora, uma vez que eu ainda não o tinha visto na festa. Edward estava usando calça jeans escura, camisa azul escuro e uma jaqueta de couro preta por cima, o cabelo parecia um pouco mais disciplinado do que já vira antes, e ele tinha o celular numa mão, enquanto com a outra cumprimentava as pessoas por quem passava, com um sorriso nos lábios e balançando a cabeça. E mesmo estando ele há muitos metros de distância, posso sentir a descarga de eletricidade no ar, faiscando.
Edward parecia do tipo onde as pessoas se dobram quando ele chega, o olhando, querendo cumprimentá-lo, chamar sua atenção. Inferno, eu sei que ele é bonito, mas havia alguma outra coisa por trás disso. Porque não eram apenas as mulheres da festa que pararam para vê-lo entrar, mas também os homens. A maioria parecia conhecê-lo e se encaminharam até ele para falar, como uma espécie de obrigação.
De repente uma loira surge na frente dele, colocando em seu ombro uma mão com suas unhas pintadas de vermelho vivo e dando um beijo em seu rosto, praticamente no canto da boca dele. Ela agora está sorrindo como uma vadia. Ambos estão rindo, assim como Emmett. Pelo visto ele estava dando atenção à vagabunda com aqueles peitos enormes querendo escapar do vestido.
A raiva começa a fervilhar como ondas violentas dentro de mim. Não pelo fato de Edward estar dando atenção aquela loira, mas sim o porquê que isso me incomodava.
Quer saber? Não me importo. Por mim ele pode dar atenção a quem ele quiser. Basta ignorar.
Ouvi um suspiro pesado e desviei os olhos de Edward por um momento para ver de quem havia sido. Olhei para Sean, que também fitava a entrada, percebendo que seu sorriso de antes tinha se transformado numa carranca.
- É. O Cullen chegou. – ele murmurou, com uma mão no bolso e a outra segurando um copo, não parecendo muito contente com isso.
Espera aí. Sean e Edward se conhecem?
- Vocês se conhecem? – perguntei em voz alta, por causa da música.
Sean voltou-se para mim.
- Antes não o conhecesse. – não perdi a hostilidade em seu tom de voz. Preciso me lembrar de perguntar a ele sobre isso mais tarde. Seus olhos dispararam para Edward novamente, voltando-se para os meus mais uma vez em seguida. – E pelo que sei você o conhece muito bem. Não é? – ele ergueu uma sobrancelha.
A insinuação não me passou despercebido. Claro que ele sabia disso. Sean estava na festa de Rosalie no motel, e provavelmente viu quando Edward e eu nos beijamos quando dançamos no salão.
- Eu o conheço... – limpo a garganta. – um pouco. – digo.
- É, eu vi. – ele aproxima mais a cabeça até a minha orelha antes de murmurar só para que eu ouvisse. – Na festa cujo lugar não se pode mencionar em voz alta.
- O que exatamente você viu? – perguntei, hesitante.
- Você sabe. – ele sorri e dá de ombros. – Sua língua na boca dele, a dele na sua boca, mão ali e...
- Certo, certo, entendi. – faço sinal com a mão para ele parar. – Só isso?
- Vi vocês se beijando e você me pergunta se foi só isso? – ele ri. – Bem, fui embora logo depois, vendo que não tinha mais chance.
Ignoro a última parte do que ele falou e continuo.
- Então você só nos viu nos beijando?
- Sim. Por quê? Houve mais alguma coisa?
- Não! – praticamente grito. – Nada. Eu também fui embora logo em seguida. Só perguntei porque não o vi depois disso.
- Bem, como disse. Quando vi que não tinha mais chance com você fui embora. – ele diz, bem direto. – Se eu demorei a ir embora daquela festa foi por sua causa, Bella.
De repente não sei o que dizer.
Desvio os olhos de Sean e quando viro para o lado, encontro Tracy e Taylor nos olhando com curiosidade, é quando percebo que elas ouviam toda a nossa conversa.
Solto a respiração que até então não tinha notado que estava prendendo e olho ao redor, me vendo procurando por Edward. Tento evitar, mas não consigo, e não demoro a encontrá-lo, que está rodeado pelos amigos, os que estavam no clube e outros que se juntaram ao grande grupo, conversavam, riam e bebericavam de suas bebidas. Nenhum sinal da loira. Me pergunto se era a mesma que Rosalie e Alice relataram estar conversando com ele em suspeitas circunstancias, na festa que elas estiveram no Soho outro dia. Bem, acredito que não. Tenho certeza que Alice já teria vindo até a mim para contar.
Vejo quando o rapaz loiro que parece surfista – acho que Rosalie dissera que James era o seu nome – se aproxima de Edward e murmura alguma coisa, soltando uma gargalhada em seguida. A graça não pareceu chegar até Edward, que franze a testa para ele e o ignora, falando alguma coisa para Jasper, que estava ao lado dele de mãos dadas com Alice. Jasper diz algo no ouvido do melhor amigo, que joga a cabeça para trás, rindo de algo que o loiro de cabelos compridos lhe conta.
Ainda sorrindo, Edward balança a cabeça e desvia os olhos do amigo, olhando ao redor. E então ele me vê.
Respiro fundo e tento desviar o olhar, mas não consigo.
Continuo olhando para ele, que está me encarando também. Ficamos assim por alguns segundos, até que um sorriso sereno brota em seus lábios e então ele desliza uma das mãos por suas madeixas cor de bronze.
Mas eu não retribuo o sorriso e com uma força hercúlea, consigo desviar os olhos dele e me viro para Sean, sorrindo para ele.
- O que você estava dizendo?
- Eu? – ele pergunta. – Nada.
- Estava sim. Disse que demorou a ir embora da festa por minha causa?
- Oh! Er... sim. – ele abriu um fraco sorriso. – Bem, mas você está com o Edward Cullen.
- Quem disse isso? – pergunto, com um vinco na testa.
- Não está?
- Não.
Ele agora sorria para mim.
Olho rapidamente para Edward, que olha entre mim e Sean, com uma expressão confusa.
Fico surpresa quando sinto a mão de Sean em meu ombro. Olho para ela antes de voltar-me para seu rosto.
- Então já posso pedir seu telefone? – ele pergunta.
- Calma. – tiro sua mão de meu ombro. – Vamos com calma. – peço com um sorriso.
- Claro, me desculpe. – ele me olha, parecendo arrependido com a investida. – Quem sabe outro dia?
- Quem sabe. – dou de ombros.
- Não está bebendo nada. Quer que eu pegue algo para você?
- Pode ser.
- Uma cerveja?
- Tudo bem.
- Vou buscar. – ele sorri e acaricia meu braço, antes de sair.
Quando Sean sai, olho na direção de Edward, mas ele não estava mais lá.
- Whoa. – ouço a voz da Taylor. – É sério o que acabamos de ouvir?
- Depende. De que parte você está falando?
- Que você beijou o carinha que chegou agora? Como é que Sean o chamou mesmo?
- Edward. – respondeu Tracy.
- Sim, sim. Edward. – Taylor pronunciou o nome lentamente, lambendo os lábios.
De repente não gostei muito disso.
- Sim. Já ficamos. – coloco minha bolsa de mão debaixo da minha axila e cruzo os braços na altura dos meus seios.
- Ficamos? No passado? Não ficam mais? – perguntou Taylor, interessada.
- Não. A gente ainda fica. – disse veementemente. Não queria que ela achasse que ele estava disponível.
- Você está tentando nos dizer que é fodida por aquele semideus e ainda assim fica dando mole para caras como o Sean? – questiona Taylor, erguendo uma sobrancelha.
- Não estou dando mole para ele.
- Ah, está dando sim. – comenta Tracy.
- Ah, aí está você. – ouço a voz de Alice atrás de mim. – Posso roubar ela de vocês? – pergunta Alice com um sorriso simpático.
- Fique à vontade. – responde Tracy.
Saímos e Alice segue comigo até um canto vazio, perto da escada.
- Você precisa falar com Edward.
- Eu?
- Sim. Eu vi vocês dois se olhando. Eu sabia que ia ficar um clima estranho.
- Não tem nenhum clima estranho.
- Ah, tem sim. Vi várias expressões atravessarem seu rosto quando ele te olhou e pode ter certeza que a última é a que ele vai gravar.
- Como assim?
- Você estava com cara de poucos amigos, Bella.
- Sério? – pergunto incerta.
- Seríssimo. E você não vai querer que Edward pense que você se importa que ele não te ligou depois daquele dia, vai?
Olho no fundo dos olhos de Alice.
Devo dizer agora? Dizer que ele me ligou uma semana atrás, que eu estive no seu apartamento, que conversamos bastante, que eu cozinhei para ele, que depois acabamos na cama e que agora posso compartilhar com ela qual a sensação de engolir esperma? Devo dizer que não há nada melhor que acordar e ter sexo matinal e que depois disso tive que ir embora, que houve uma série de desencontros de ligações no último domingo e só no dia anterior que Edward resolveu me ligar e eu não quis retornar? E que agora estamos aqui, cara a cara?
Antes que eu pudesse decidir, Sean nos interrompe, trazendo minha cerveja.
- Estava à sua procura. – ele diz, entregando-me o copo.
- Obrigada.
- Não por isso. – ele sorri. – Atrapalhei alguma coisa? – pergunta.
- Só estávamos conversando. – digo a ele. – Sean, essa é minha amiga Alice. Alice, Sean.
- Prazer, Alice. – ele estende a mão para ela. – Lembro de você do aniversário de Rosalie.
- Também me lembro de você.
- Sean! – Um de seus amigos, ou irmão, não sei, o chama.
- Com licença, meninas. – ele diz, e sai.
- E então, vai dar uma chance ao rapaz? – pergunta Alice, sorrindo.
- Acredita que ele me falou que só não foi embora mais cedo da festa de Rosalie por minha causa?
- Acredito. E aí?
- E aí, o que?
Ela rola os olhos.
- Não se faça de desentendida. Você e o Sean? – Ela ri com malícia.
- Não estou a fim de ficar com ninguém, Alice. – dou um gole na minha cerveja. – Apenas me divertir.
- Por acaso isso tem a ver com um carinha alto, de olhos verdes, cabelos bagunçados, e...
- Alice! – lanço um olhar de advertência para ela.
- Que é? Vai me dizer que negaria um flashback? – ela ri. – Agora falando sério, você ignorou o Edward oi foi impressão minha?
- Impressão sua. Não estou ignorando ninguém.
- Então vamos para onde estão os rapazes. – ela me puxa pela mão antes que eu responda, em direção a roda de rapazes.
- Ei, Bella. – Emmett me cumprimenta quando nos aproximamos.
Todos se viraram e olharam para nós. Nenhum sinal de Edward, nem de Jasper.
- E aí, Emmett. Não tinha visto você desde que cheguei. – falo com o futuro marido da minha amiga, ignorando os olhares direcionados a mim.
- Oh, não. Cheguei depois de vocês. Meu carro quebrou hoje à tarde. Vim de carona com Edward.
- Primeiro foi o sistema elétrico, depois a multa, agora o motor. Acho que você está precisando de um carro novo. – comenta um de seus amigos.
- Não quero me despedir do meu companheiro agora. – murmura Emmett ao amigo.
- Depois de anos de uso, o melhor a se fazer é trocar. Você que sabe. Mas não acho que valha a pena gastar uma nota com um novo motor.
- Eu sei. – Emmett concorda com um suspiro.
- Aposenta aquela joça, Emmett. – diz o loiro, o tal de James.
- Hey, Paul. Seu irmão ainda está envolvido em 'pegas'? Será que ele tem interesse em comprar?
- Acho que sim. Ele procura um usado do modelo igual o seu há meses.
- Há meses? – James questiona. – Esse modelo foi o que mais vi em New Hampshire. Não é difícil encontrar em Nova York. Não conhecem aquela reflexão sobre carro usado?
- Lá vem o James e suas reflexões. – rolou os olhos um dos caras.
- Carro usado é que nem mulher. – começou o loiro. – Conseguir é fácil, caro é a manutenção. – ele se dobra de ri, e depois olha para mim. De cima a baixo. – Se bem que há exceções que com certeza eu daria todo o meu dinheiro.
- Tem uma outra reflexão sobre carros, James. Acho que essa você ainda não conhece. – Jasper diz, surgindo de repente atrás de mim. Quando olho para trás vejo que ele está com Edward. Meu coração começou a bater forte.
- Qual? – pergunta o loiro.
- Que carro é que nem mulher de amigo. A gente olha, mas não põe a mão. – ele respondeu, e então olhou para mim, antes de passar o braço na cintura de Alice.
Ahn?
Minha mente começou a girar.
Ele quis dizer o que estou pensando que ele quis dizer?
Por acaso isso foi uma indireta e Jasper estava se referindo a mim? Por causa de Edward?
Isso só pode significar uma coisa: Edward contou que ficamos novamente.
- Oi, Bella. – ouço a voz baixa e suave. Tão perto que sou capaz de sentir o calor.
Lentamente, viro minha cabeça e olho para Edward, parado a centímetros de distância de mim. Por um segundo odeio que tenha tantas pessoas perto de nós. Depois do último fim de semana, depois de tudo que fizemos naquele apartamento, não era dessa maneira que eu gostaria que nos reencontrássemos.
- Oi Edward. – tento sorrir de forma natural e dou um gole na minha cerveja.
Olho para o grupo e vejo que todos estão nos olhando. Séria, ergo uma sobrancelha para eles. Vendo que os notei, alguns começam a conversar entre si, enquanto nossos amigos continuam nos fitando. Emmett, Rosalie, Jasper, Alice. E James. Que olha de mim para Edward, de Edward para mim.
E isso estava começando a me incomodar.
Talvez eu devesse puxar algum assunto com Edward, e quem sabe isso iria desviar a atenção dos outros em nós. Mas antes que eu pudesse pensar em algo para começar, ouço uma voz estridente atrás de nós.
- Achei você. – diz a loira que quase o beijou na boca quando ele chegara, colocando a mão no peito dele. – Agora já pode me passar o número, Ed. Ah, e anotar o meu.
Fiquei imóvel por alguns segundos, observando a cena. Edward me olha, e então começar a dizer a loira o número do seu celular, que estava quase esfregando o seu decote na cara dele.
De repente estou furiosa.
- Vou procurar Tracy e Taylor. – digo a Rosalie e Alice, saindo de lá imediatamente.
Atravesso a sala com ódio de mim mesma por me importar tanto que Edward está trocando o número do seu celular com aquela vadia. Provavelmente isso é o que ele mais faz. Passar o número e deixar as mulheres esperar que ele decida qual a felizarda do dia. Então lembro que ele sumiu por toda a última semana, e que não fora a primeira vez que me deixou esperando por uma maldita ligação.
Precisava mostrar a Edward que eu não ia ficar beijando seus pés como provavelmente faziam a maioria das mulheres que ele conhecia.
A decisão estava tomada. Vou me divertir e ignorá-lo.
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A última uma hora e meia passei conversando animadamente com Tracy e Taylor. E Sean. Sim, ele não saía de perto de mim. O que agradeci. Ele e a Taylor estavam numa espécie de disputa sobre quem contava a melhor piada, o que me manteve distraída enquanto os minutos corriam devagar.
Mas apesar de todo o meu esforço, não consigo tirar os olhos de Edward. Eu sei que estou bebendo, mas não bebi o suficiente para colocar culpa na bebida o fato de constantemente procurá-lo com os olhos. Ainda estou perfeitamente consciente das minhas ações. Assim como tenho consciência que ele também me olha, como se procurasse uma oportunidade para se aproximar. E apesar de eu ser uma estúpida, não o ignorando completamente como ele merecia, não lhe daria essa brecha, por isso estava relutante em ir ao banheiro.
Olho novamente para o círculo de amigos e mais uma vez Edward está olhando na minha direção, com um copo supostamente de vodka na mão. Desvio os olhos pela milésima vez, com muita dificuldade. Porque não posso evitar apreciá-lo esta noite. Dizer que Edward era sexy é praticamente um eufemismo. Deus fora muito generoso quando o colocou neste mundo, e não havia nada nele que pudéssemos apontar como imperfeição. Eu não conseguiria escolher uma parte dele como a minha preferida. Se são aqueles inacreditáveis olhos verdes, ou o sorriso, ou o cabelo no singelo tom de bronze, o corpo definido ou...
Pare. Pare, Bella. Pare com essa merda agora.
Resmungo mentalmente e conto até dez, respirando fundo.
- Você está bem? – pergunta-me Tracy, franzindo a testa.
- Sim. – mordo o meu lábio inferior com força. – Claro que estou. Por que não estaria?
- Sei lá. Você parecia estranha.
- Só estou com um pouco de calor. Acho que vou lá fora. Preciso tomar um ar.
- Quer que eu te acompanhe? – Sean me pergunta.
- Não. Não precisa. Obrigada. – respondo e saio em seguida, colocando o copo de cerveja vazio em cima de uma das mesas de salgadinhos.
Vou andando apressadamente por entre as pessoas, com a cabeça baixa, e tenho a péssima idéia de levantar a cabeça no exato momento que estou passando pelo grupo de amigos de Edward. Ele me olha e eu desvio o olhar, mas posso sentir os seus olhos em mim enquanto tento chegar à porta.
Antes que eu ponha a mão na maçaneta uma voz me para.
- Onde você pensa que vai?
Me virei e encontrei Rosalie com as duas mãos em cada lado da cintura.
- Não vou embora. Só tomar um ar.
- Justamente na hora que Emmett e eu vamos anunciar o noivado? Ah, não. – ela dá um passo para frente e segura o meu braço, me puxando de volta. – É claro que você não vai sair agora. Alice, não deixe a Bella sair de perto de você. – pediu a loira à minha outra amiga.
- Com certeza não. – disse a baixinha, soltando a mão de Jasper e enrolando o braço no meu. – Você ia mesmo embora? – ela sussurrou.
- Não estava indo embora. Só ia tomar um pouco de ar. – lhe asseguro, tentando não pensar no fato que Edward estava a um metro de mim.
- Tomar um pouco de ar? Só isso? – ela ergueu uma sobrancelha, não muito convencida.
- Sim. Só isso. – abro um pequeno sorriso.
- Certo. – ela diz e olha para frente. – Não acredito.
Acompanho o seu olhar e vejo Sean vindo na nossa direção.
- Ele está caído por você. – ela sussurra.
- Oi. – diz o primo de Rosalie ao chegar. – Vi que você não saiu então pensei que ia querer outra cerveja. Mas não vou atrapalhar. Podem voltar à conversa. – ele sorri.
- Obrigada Sean. – agradeço quando ele me entrega. Sean pisca um olho para mim e vai embora.
- Bella, se você transar com esse cara, pode se considerar ferrada. Ele não vai te deixar em paz. – murmura ela e começamos a rir com a suposição.
Enquanto rimos, olho pra o lado e encontro Edward, com uma expressão séria, enigmática. Ele parecia chateado. Desvio rapidamente meus olhos dele.
De repente o volume da música é diminuído e Rosalie conecta o fio do microfone.
- Me belisca e diz que eles não vão fazer isso com um microfone. – Alice murmura.
Faço o que ela pede.
- Ai, Bella. Isso dói. – ela diz massageando o local no braço que eu beliscara.
- Você que pediu. – eu ri.
- Engraçadinha. Vou até lá falar com Rose.
Alice me deixa sozinha. Olho para os lados e só encontro homens. Tento parecer indiferente aos olhos sobre mim e começo a prestar atenção na tentativa de Alice de convencer Rosalie a não passar pela gafe.
- E então... tudo bem com você? – fechei os olhos quando ouvi a voz atrás de mim, perigosamente próxima a meu ouvido. Sinto o hálito quente na minha nuca e não consigo evitar o arrepio.
Quando os abro, Edward está parado ao meu lado.
- Ótima. – minha voz saíra áspera.
- Estou vendo. – diz ele secamente.
Eu o encaro, incrédula. Qual o problema dele, afinal? Ficamos nos olhando em silêncio até a voz de Emmett soar através do microfone.
- Agora calem a boca que eu vou falar. – diz o gigante de quase dois metros, arrancando risos de todos. Ele segura a mão de Rosalie antes de continuar. – Bem, como vocês sabem, hoje é um dia especial para mim e para essa bela mulher ao meu lado. Vocês podem achar que está indo tudo muito rápido, já que só começamos a namorar oficialmente há uma semana e já vamos noivar. Mas, para quem não sabe, nossa história de amor não começou agora.
Os amigos de Emmett começam a gritar e a assobiar, e eu tentei ignorar a figura de Edward ainda parada ao meu lado, embora isso seja praticamente um caso perdido. O cheiro dele é como o fatal canto das sereias, que chama e enfeitiça, impossível de resistir.
- Rosalie e eu nos conhecemos desde adolescentes, fomos muito amigos e logo essa amizade se transformou em algo maior. – continuou Emmett. – Passamos por incríveis momentos, que jamais sairão da minha memória, mas assim como os bons, também vivemos momentos ruins e enfrentamos algumas dificuldades, o que fez com que nos perdêssemos pelo caminho. Mas o que Deus une, nada e ninguém separam. E hoje estamos aqui, juntos novamente, nos amando mais a cada dia. E cada minuto longe um do outro é como mais uma pedra que encontramos no caminho. Então decidimos que chegara a hora de dar um grande salto.
Ele solta a mão de Rosalie e pega uma caixinha de dentro do bolso do jeans. Quando se ajoelha, todos começam a gritar. Rosalie a chorar. Até eu estou emocionada. Não consigo evitar os pensamentos que atravessam minha mente agora. Imagino se um dia provarei de um amor recíproco, desses que vira sua cabeça, te faz cometer loucuras e não se arrepender de nada. Apesar dos meus fracassados relacionamentos eu acreditava no amor. Emmett e Rosalie eram uma prova disso. Nem a distância e o tempo apagaram o que um sentia pelo outro.
- Rose, meu amor. Diante dos nossos amigos, você aceita se casar comigo?
- Eu já te respondi isso há uma semana, mas sim, sim. Mil vezes sim. – ela se ajoelha também e Emmett larga o microfone no chão quando os dois se abraçam e começam a se beijar.
Cometi o erro de olhar para o meu lado direito e os meus olhos e os de Edward se cruzam mais uma vez. Engulo em seco quando sinto uma vontade súbita de beijá-lo. É com muito esforço que volto a dar atenção ao casal.
"O anel. Coloca o anel" – os convidados começam a gritar, mas eles continuaram se beijando. Fora somente minutos depois, quando pareceu faltar o ar, que eles se separaram e Emmett pôs então o anel do dedo anelar da minha amiga e colega de trabalho. Todos começam a bater palmas.
Emmett abre em seguida uma garrafa de champagne e sacode o líquido para todos os lados, molhando algumas pessoas que estavam próximas a ele. Aproveitei o momento para sair de perto de Edward.
O volume do som é aumentado novamente e a luz fica mais baixa, enquanto as pessoas voltam a beber, a conversar e outras a dançar. Alice e eu vamos até Rosalie que nos mostra com orgulho o anel com pedra de diamante. Ficamos as três conversando de um lado, enquanto os caras conversam do outro, os amigos de Emmett, inclusive Edward, dando tapinhas em suas costas. Um tempo depois, quando minha cerveja termina, aviso as meninas que vou pegar outra.
Quando chego à entrada da cozinha, ouço duas vozes femininas vindos de dentro.
- Ele é de longe o mais gato da festa. – diz uma delas.
Fico parada escondida, escutando.
- Só gato? Ficar com Edward é tirar a sorte grande. Espero desde o sênior year uma oportunidade. – reconheço a voz da loira vadia que trocara o número de celular com Edward.
- E você acha que ele vai te dar mole?
- Ele tem que dar. Se a songa-monga da Natalie já transou com ele, por que eu não? Sou muito mais loira, mais bonita e tenho muito mais curvas que ela.
- Sério? Ele já fodeu a Natalie?
- Sim. Mas faz tempo, e segundo ela foi uma delícia. Não vou morrer sem saber como é. Ainda mais agora que ele está mais experiente. Não consigo tirar da minha cabeça uma imagem de nós dois nus em cima de uma cama, eu de quatro e ele metendo por trás enquanto puxa meu cabelo.
De repente me sinto enojada.
- Você é uma vadia.
- E é por isso que você anda comigo. – elas começaram a rir.
Resolvo entrar quando percebo que elas estavam saindo. Quase vomito de nojo quando elas passam por mim.
Então a aprendiz de Paris Hilton conhece o Edward desde o sênior year? E está com explícitas intenções de transar com ele?
Ela nem precisava confirmar em voz alta que era uma vadia, isso estava gritando como placa luminosa em sua testa. Eu deveria saber, ela provavelmente deve estrelar algum vídeo do .
Vou até o barril e encho meu copo, e saio da cozinha em seguida.
Quando passo pelo corredor, Tracy me aborda.
- Ei, Bella. Então, o caminho está livre para o Todd?
- Eu não estou interessada nele, Tracy. Vá em frente.
- Eu sei. Só queria confirmar. – ela sorriu. – E aí, vai ficar mesmo com o Sean?
- Quem disse que eu ia ficar com ele?
- Ninguém, só estou perguntando. Já que você não está com o sugador de feromônios.
- Como é?
- O tal do Edward. O cara que você fica, certo?
- Do que você chamou ele?
- Sugador de feromônios. – ela riu. – Não reparou que a maioria das garotas está babando por ele? Posso sentir o cheiro dos feromônios liberados no ar.
- É. Percebi. – dou de ombros.
- Vocês estão brigados ou algo assim?
- Longa história.
- Uh. Adoro brigas de casais. Ir numa festa então sem estar se falando torna as coisas bem mais interessantes. Quando se faz as pazes quero dizer.
- Não estamos brigados. E também não somos um casal. Só saímos... algumas vezes. – bem, só foram duas vezes, mas ela não precisava saber disso.
- Aposto que o sexo é uma loucura.
O sorriso que surge em meu rosto é inevitável.
- Não é difícil de adivinhar. Olhe para você e olhe para ele. Boom! Só podia causar uma explosão. – ela faz o gesto de algo explodindo com a mão. – E ele não tira os olhos de você.
- Sério?
- E nem você dele. – ela ri. – Você não me engana, Swan. Sou muito observadora.
- Estou notando. – reviro os olhos.
- O loiro com cara de surfista também não tira os olhos de você. Bem, não posso culpá-lo. Você é bonita, mas hoje você está de doer os olhos.
- Só por que coloquei um jeans mais apertado? – eu a provoco.
- Você é um perigo, garota. – nós duas rimos. – Bom, vou à luta.
- Boa sorte com o Todd.
Ela pisca o olho e sai.
Caminho em direção a Rosalie e Alice. Ao passar pelo mar de pessoas dançando no meio da grande sala, sinto uma mão na minha cintura. Me viro. É James.
- Quer dançar? – pergunta sedutoramente.
- Não. Obrigada. – dou um sorriso e tento tirar sua mão da minha cintura.
- Por quê? Deixe-me adivinhar. Por que Edward está olhando?
- O que? – grito quando não consigo escutar direito.
- Não quer dançar por causa de Edward? – ele grita de volta.
- Claro que não. Por que está me perguntando isso?
- Porque eu acho que está rolando algo entre vocês.
- Não está rolando nada. – respondo, minha cabeça virando automaticamente no lugar onde Edward estava.
Ele não estava com uma cara muito amigável enquanto olhava na nossa direção. Podia ver de longe.
- Você tem certeza que não há nada entre você e o Edward?
- Já disse que não. – respondo.
- Porque ele não para de olhar para cá, e a cara dele não é nada boa.
Olho para Edward novamente, com a mesma expressão dura no rosto.
O que ele estava pensando? Que era o único homem interessante dessa cidade? Que eu não podia ter outra opção, que ele teria exclusividade?
Fora então que me lembrei de algo que estive pensando durante toda a tarde. Edward precisava saber que há outras opções além dele.
- Digamos que... nos beijamos uma vez. – passei propositalmente minha língua pelo meu lábio inferior.
- Só isso? – inquiriu, seus olhos fixos na minha boca.
- Sim. – minto.
- Sabe como é. Eu e os caras temos uma espécie de código de ética. Não desejar a garota que o outro está interessado. E, sabe, já deve ter percebido que estou ligado em você. Não quero brigas.
- Não sou a garota do Edward. – digo com firmeza, colocando uma mão em seu peito. Ele é bem forte.
- Bom. – ele sorri de um jeito malicioso. – Você está bem diferente do dia lá no clube.
- Estou é?
- Sim. – ele coloca a mão no meu quadril. – E então... dança comigo?
- Mais tarde. – sussurro, tirando a sua mão. Sorrio e lhe dou as costas, voltando a caminhar.
- Se perdeu? – perguntou Rosalie quando voltei.
- A Tracy me parou no caminho e depois o James. – falei, dando um gole na minha cerveja.
- Bella, o James não é um cara muito legal e confiável. Ele não é flor que se cheire. – alertou a loira. Mas ela não precisava me dizer, eu sabia disso.
- Eu sei. Só conversamos, nada demais. Eu sei me cuidar, ok?
- Só estou tentando abrir seus olhos.
- O que está acontecendo com você hoje, Bella? – perguntou Alice.
- Por que a pergunta?
- Você está estranha. – disse, me avaliando.
- Não estou não. – sorri para ela.
- Está sim. Ficou distante da gente. – discordou Rosalie.
- Você está com o Emmett, Alice com Jasper. Não ia ficar de vela.
- Você está vendo o Jasper e o Emmett aqui? – perguntou Alice.
Bufei.
- Jura que vocês vão ficar insistindo com isso?
- Esquece Bella. – diz Alice.
Continuo olhando para as duas, que pelo visto não darão nenhuma explicação sobre o porquê estarem me olhando daquele jeito. Desvio os olhos delas para a as pessoas na festa, e encontro Tracy conversando com Todd, e Taylor com os dois novatos da empresa. Lanço um sorriso para Tracy, por conseguir se aproximar do nosso Diretor de Marketing como ela tanto queria.
- Bem, acho que vou comer alguma coisa. – digo as minhas duas amigas.
Eu as deixo lá e caminho até a mesa de salgados. Não demora muito tempo até Sean se aproximar de mim.
- Oi. – ele sorri.
Faço sinal com a mão para que ele esperasse eu terminar de mastigar.
- Oi. – respondo segundos depois.
- Foi assim que nos conhecemos, lembra? Você estava enchendo um pratinho de salgados quando cheguei até você.
- Oh. Foi sim. – concordo com um sorriso.
- E então, já pensou se me dará a honra de ter o número do seu celular?
- Você é bem apressadinho. – digo-lhe, colocando um salgado na boca.
- E um pouco insistente. – ele diz.
Por mais que não fosse minha intenção, meus olhos viajaram pela sala e encontrei Edward ao redor dos amigos. James também estava entre eles. E se eu não tivesse vendo demais, eles pareciam estar olhando para onde Sean e eu estávamos. James começou a rir, acompanhado de dois dos rapazes que estavam com eles, e percebi Edward o fuzilar com os olhos, provavelmente não gostando de algo que o loiro de olhos azuis comentara. James olhou para mim e depois voltou-se para Edward, dizendo-lhe alguma coisa. Edward murmurou algo em resposta e saiu, deixando um James mudo. Até o sorriso no rosto do loiro tinha ido embora.
O que diabos foi aquilo? Eles não estavam falando sobre mim, estavam? Não duvido que James tenha comentado algo sobre a curta conversa que tivemos minutos atrás.
É tão frustrante não saber o que está rolando. E mais deprimente ainda é que estou confusa. Não sei se gosto ou desgosto a possibilidade do Edward estar chateado com isso.
De repente quero ficar sozinha.
- Eu... vou até o banheiro. – solto o copo na mesa e caminho em direção as escadas, deixando um Sean confuso com a minha mudança de humor repentino.
Já tinha vindo várias vezes à casa de Rosalie, então fui direto ao banheiro social no primeiro andar, encontrando um corredor vazio, já que os pais de Rosalie estavam viajando o fim de semana.
Tranco a porta e tiro o tampão antes de fazer xixi, trocando por um novo em seguida. Depois disso vou até a pia lavar as mãos. Me olho no espelho por alguns minutos, me perguntando por que estou me sentindo estranha. Senti-me completamente idiota enquanto retocava o batom, pensando a troco de que toda essa produção, maquiagem. O que eu ganho tentando provar alguma coisa a Edward? Eu até posso ter outras opções, mas o que isso importa se ser desejada não quer dizer absolutamente nada? Não é o suficiente e, para ser sincera, não é exatamente isso que quero.
Estava tudo tão confuso. E eu odiava o fato de Edward ser o responsável por isso. Essa minha atração implacável por ele estava tornando tudo muito mais difícil. Se eu pudesse simplesmente conviver numa boa com o fato de termos transado não ser grande coisa e seguir em frente, agindo naturalmente, talvez eu não estivesse nesse estupor de emoções descontroladas e confusas. Se eu pudesse ficar no mesmo metro quadrado que ele sem me preocupar com nada...
Solto um longo suspiro e guardo o batom na minha bolsa, abrindo a porta e saindo do banheiro. Sinto uma mão agarrar o meu pulso direito. Hesito, respirando bem fundo antes de me virar. Quando me viro, tento parecer séria, mas sinto meus olhos amolecerem ao se depararem com aquele par de olhos verdes me encarando. Ele está olhando fixamente para mim. Parece irritado, confuso... ressentido.
- Você pode me explicar o que está acontecendo? – ele pergunta com a voz calma.
Não gosto do tom que ele usa. É perigoso. O tipo de tom que acaba com minhas defesas, que me faz esquecer que não devo permitir que ele acredite que tem algum poder sobre mim.
- Não sei do que você está falando. – respondo, tentando soar indiferente, embora minha voz saísse sem força.
- Eu te liguei ontem. – ele disse, suas feições se suavizando.
- Só vi hoje de manhã.
- Por que está agindo assim?
- Assim como?
Ele não consegue esconder por muito tempo a frustração.
- Assim desse jeito. Tão na defensiva.
- Impressão sua. Estou normal. – tentei me virar, para descer as escadas, quando percebi que ele ainda segurava o me pulso. – Eu preciso descer. – Digo olhando a sua mão.
- Você está me evitando? – ele pergunta. Ergo os olhos e o encaro.
- Como se estivesse adiantando alguma coisa. – zombo com um sorriso irônico. – Não estou tendo sucesso, estou? – questiono irritada.
- Por que você está me evitando?
Porque não quero ser como marionete em suas mãos. Porque não posso permitir que faça comigo o que faz com todas as mulheres.
Penso em dizer. Mas não digo.
- Não sei. – digo-lhe. – Solte o meu braço.
Ele analisa o meu rosto. Segundos depois afrouxa o aperto em meu pulso e me solta. Me viro para descer as escadas, mas quando estou dando o segundo passo sinto sua mão novamente me puxando em sua direção. Quando olho para ele não tenho tempo para agir. Edward me empurra contra a porta do banheiro e me beija.
Não o beijei de volta de início, ficando imóvel. Após um tempo, percebendo que beijava sozinho, Edward parou de me beijar e inclinou a cabeça para trás, me olhando com uma expressão como se eu fosse um ser de outro planeta. Sentindo a perda do contato de seus lábios quentes e macios contra os meus, deixei minha bolsa cair no chão e segurei o seu rosto com minhas duas mãos, puxando-o para mim e beijando-o agora com fervor.
Sua língua deslizou-se para dentro da minha quando o beijo foi ficando cada segundo mais ardente. Minhas mãos puxavam os cabelos de sua nuca e os fios dos meus cabelos escapuliam na frente de nossos rostos, suas mãos os afastando sempre que se enroscavam entre nossas bocas. Edward puxou meus quadris para mais perto dele e me apertou contra o seu corpo, que já reagia e mostrava os sinais provocados pelos nossos beijos.
Ele segurou os meus pulsos e os prendeu contra a porta do banheiro, em cada lado da minha cabeça, enquanto seus lábios atacavam minha mandíbula, clavícula, meu pescoço e atrás da minha orelha. Fechei os olhos e comecei a gemer, sentindo meu corpo prestes a explodir a qualquer momento. Quando sua língua entrou em contato com minha orelha, murmúrios desconexos escapavam de minha garganta.
Edward me olhou brevemente antes de voltar atacar meus lábios com os deles. Suas mãos seguraram meus quadris e ele me ergueu, fazendo-me enlaçar as pernas ao redor da sua cintura. Ele pressionou o corpo contra o meu, causando uma fricção deliciosa e incômoda ao mesmo tempo, devido as nossas calças jeans.
- Vamos entrar no banheiro. – murmurei contra seus lábios.
Sem desconectar nossas bocas, Edward abre a porta e chuta minha bolsa que estava jogada no chão para dentro, nós dois entramos em seguida. Ele me lança contra a porta e continuamos de onde paramos.
Deixo me levar mais uma vez. Porque não adianta lutar contra, não tenho domínio sobre isso. Minhas mãos, como se ganhando vida própria, saem de sua nuca e desce até entre nossos corpos. Ao sentir minhas mãos, Edward afasta a pélvis para trás e para de me beijar, olhando para as minhas mãos que estão agora abrindo o botão de sua calça.
- O que você está fazendo? – ele indaga.
- Não é óbvio? – pergunto de volta.
Edward me olha e não diz nada, me levando em seguida até a pia, onde me põe sentada. Tiro o meu casaquinho e o jogo no chão.
- Você quer fazer isso aqui? – ele sussurra enquanto abro o zíper e desço o seu jeans até seus joelhos.
- Por quê? Você não quer? – ergo uma sobrancelha enquanto acaricio a sua ereção através do tecido da sua cueca.
- Não é isso. Eu sempre quero. – ele diz, com os olhos intensos e nublados pela luxúria.
- O que então? – pergunto ao mesmo tempo em que abaixo lentamente com as duas mãos a sua boxer branca e liberto o seu membro duro e ereto, pronto para mim. Pena que hoje eu não poderia fazer nada.
- Não quero que pense que vim atrás de você por isso. Eu só queria conversar. – ele diz enquanto eu envolvo o seu membro com a minha mão.
Ele suspira.
- Conversar? – começo a fazer movimentos para baixo e para cima.
- É, Bella. Espere. – ele segura a minha mão, me fazendo parar. – Eu não posso transar com você nesse clima. Eu preciso que você me diga por que estava fazendo aquilo lá embaixo.
- Do que você está falando? – perguntei, começando a ficar irritada com essa história de conversar quando nós dois sabemos exatamente o que ele queria quando me seguiu até aqui.
- Sério, Bella? James? – ele estreita os olhos.
- O que tem ele? – tiro a mão do seu pênis.
- Você sabe o quê.
- Não. Eu não sei. – cruzo os braços, impaciente.
- Você sabe o que ele quer com você. Não é difícil de adivinhar. – ele ri sem humor.
- Ah, e por acaso com você é diferente? – pergunto, dando uma risada amarga.
- O que você está querendo dizer com isso? – ele questiona com a voz dura.
- Exatamente isso que você entendeu. – desci de cima da pia. – Você não é muito diferente dele, Edward.
- Não me compare com James. Você não me conhece direito. Muito menos a ele. – me virei e olhei para ele, vendo a fúria tomar o seu rosto.
- Sim, você é. Não venha me dizer que não estava com a intenção de transar comigo quando subiu porque eu não acredito. É isso que você quer. É isso que você sempre quer. O meu corpo. Como você faz com todas as outras, como provavelmente irá fazer com aquela vadia siliconada que você deu o número do seu telefone na minha frente. – gritei.
- Do que diabos você está falando? – ele gritou de volta, avançando em minha direção.
Olhei para baixo, vendo suas calças baixas e o seu pênis ereto apontando para mim.
- Você podia fazer o favor de subir as calças? – pedi.
- Me responda. – ele ordena e ignora meu pedido.
- Não se faça de desentendido, Edward. Vai lá atrás daquela vagabunda. Ela está louca que você pegue ela de quatro e puxe aquele cabelo de água oxigenada.
- Não comece a falar as merdas que você não sabe. Aquela garota não é nada minha. Nós estudamos juntos na escola, e sim ela me pediu o número do meu telefone, mas você não...
- Para, Edward. – gritei. – Eu não quero ouvir suas explicações.
Peguei minha bolsa e o casaquinho no chão, e abri a porta.
- Aonde você vai? – Edward perguntou, e pela minha visão periférica o vi subindo o jeans, mas sai antes que ele pudesse me alcançar.
Desci rapidamente as escadas e visto o casaquinho. Estou à procura de Alice quando Sean se materializa na minha frente. Isso já estava começando a me aborrecer.
- Onde você estava? – pergunta o primo de Rosalie.
- Hmmm, fui pegar uma cerveja. – minto.
- Não estou vendo o seu copo. – ele diz olhando para as minhas mãos.
- É, tinha muita gente. – respondo impaciente.
- Pega aqui. – ele estendeu um copo. – Acabei de trazer de lá, pode confiar.
- Bella. – ouço a voz de Edward atrás de mim.
- Obrigada. – sorrio para ele, pegando o copo. – Então, acho que você já pode pegar o número do meu telefone.
- Sério? – o sorriso dele se amplia.
- Claro. Dê-me o seu celular.
Ele pega o aparelho no bolso e enquanto isso olho para trás, não encontrando Edward. Quando me entrega o aparelho, gravo o meu número e o devolvo.
- Posso te ligar amanhã? – ele pergunta.
- Não sendo muito cedo, tudo bem. – olho sobre o ombro de Sean e vejo Alice com Jasper. – Agora se você me der licença, vou falar com Alice.
- Claro, claro. Obrigado, Bella. – sorriu.
Vou andando na direção de Alice, me xingando mentalmente pelo que acabara de fazer. Ele agora não ia me dar sossego.
- Deus, Bella. Onde você se meteu? – perguntou Alice assim que cheguei ao lado dela.
- Hey, baby. Fica com a Bella enquanto vou ao banheiro? – perguntou Jasper a ela.
- Claro. – ela o beijou. – Não demora.
Jasper apertou de leve meu ombro quando passou por mim e saiu.
Por que Jasper quis me deixar sozinha com Alice? Será que ele sabia que eu estava com Edward minutos atrás? Estaria ele indo agora ao encontro de Edward ao invés de ir ao banheiro?
A resposta do meu último questionamento veio rápido demais.
- Bella? – ouço a voz atrás de mim e sinto o formigamento na barriga.
Alice olha sobre o meu ombro.
- Bella, você pode vir comigo até a cozinha? – ouço a voz de Edward, mas faço de conta que não ouvi, e começo a conversar com Alice.
- Gostei dessa cerveja. Muito boa. Preciso perguntar a Rose onde...
- Bella, Edward está falando com você. – Alice me corta, apontando com a cabeça para a figura atrás de mim.
Respiro fundo e me viro.
- Que? – pergunto a ele.
- Você quer me acompanhar até a cozinha? Pegar umas cervejas? – sua voz é calma, mas eu sei que ele só está tentando parecer controlado.
Não preciso pensar muito na resposta. Eu não vou ficar sozinha com ele.
- Não. Ainda estou com a minha. – ergo o meu copo quase cheio.
Edward olha o copo de cerveja na minha mão, em seguida para o meu rosto. Ele respira fundo e vai embora, me dando as costas.
Quando olho para Alice, a expressão em seu rosto é ilegível.
- O que foi? – ergo uma sobrancelha.
- Você está com raiva de Edward por ele não ter te ligado, não é? – perguntou Alice.
- Não estou com raiva dele. Por quê?
- Porque não é o que parece. Você não precisava ser tão hostil com ele.
- Eu não fui hostil. Só disse a verdade. O que eu iria fazer na cozinha se estou com um copo cheio de cerveja na minha mão?
- Desculpa o que vou dizer, mas você não tem nenhum direito de estar chateada com ele, Bella. Vocês não têm nada. Veja o que aconteceu com você por causa do Jacob. Porque você pensava que tinha algo com ele.
- Por que você está fazendo isso? Jacob não tem nada a ver com essa conversa.
- Só estou tentando evitar que minha amiga sofra novamente.
- Você pode parar de falar sobre o Edward? – pedi sentindo o meu rosto quente de irritação.
- Tudo bem. – disse ela. – Só acho que você perdeu uma grande oportunidade de conversar com ele. Porque nós duas sabemos muito bem que ele não queria buscar nenhuma cerveja e sim conversar com você.
- Eu não quero ouvir o que ele tem para dizer.
- Você está sendo imatura.
- E você não sabe de nada. – cuspi.
- Saberia se você me contasse.
Ficamos por longos segundos olhando uma para outra.
- Vai lá, Bella. Seja lá o que estiver acontecendo, aceite o pedido dele de conversar.
Esfrego o meu rosto com a mão, e jogo o cabelo para trás.
- Certo. – balanço a cabeça. – Vou atrás dele.
Vou andando pela casa, olhando ao redor a procura de Edward, mas não o vejo em nenhum lugar. Não estava com os amigos, também não estava na cozinha. Quando vejo que estou procurando por tempo demais, decido perguntar a Emmett. Faço sinal com a mão quando ele me olha e o chamo, que pede licença aos amigos e vem a meu encontro.
- Emmett. Você viu Edward? – pergunto com a voz baixa.
- Edward? – ele sorriu. – Acabou de sair.
- Sair, sair?
- Sim. Ele foi embora. Por quê? – ele ergue uma sobrancelha.
- Nada. Eu só... – paro no meio da frase. – Não era nada. – sorrio para Emmett.
- Ok. – ele dá um meio sorriso, não muito convencido.
Digo a ele que pode voltar aos amigos e então caminho até a porta de entrada. Quando desço o primeiro degrau, vejo o Aston Martin sumindo no final da rua.
Sento nos degraus, e abaixo a cabeça, abraçando meus joelhos. Penso se não foi melhor assim. Talvez agora ele nunca mais me ligue. Mas a verdade é que eu não sei se é isso o que eu quero. Estou tão confusa.
- ... logo agora que o fisioterapeuta começou a me dar mole você decide ir embora.
Ouço a voz atrás de mim, mas não me movo.
- Edward foi embora. Fim de festa para mim. – estremeço ao ouvir o som da voz da loira vadia.
- Acha que ele vai te ligar?
- Não vou esperar para ver. Só não ligo agora porque não quero parecer desesperada. Mas amanhã ele que me aguarde.
Uma raiva começou a me dominar e a minha respiração de repente estava fora de controle quando ergui a cabeça para olhar para ela, no mesmo instante em que ela olha para mim.
- Ei, você é amiga de Edward, não é? Vi você entre os amigos dele lá dentro. – olhei para ela, incrédula. Mentira que ela estava falando comigo? – Será que você podia me fazer um favorzinho? – ela continuou. – Poderia me dizer onde ele está morando?
Levantei-me, parando em pé à sua frente, meu rosto a poucos centímetros do seu rosto enquanto olhava bem para ela.
- Vá pro inferno vadia! – sibilei lentamente cada palavra antes de descer os degraus e sair à procura de um táxi.
.
Eita lelê.
Não sei quem mais está errado nessa história, se é o Edward ou a Bella. Vou deixar vocês decidirem. Mas que essa loira que a Bella teve a sorte de não saber o nome mereceu ouvir isso no final, ah mereceu!
Quem chuta o que acontecerá após a "discussão"? tan dannnnnn
E então o que acharam do capítulo? Estou super ansiosa pelas opiniões.
Um ótimo feriado a todos e nos vemos no próximo capítulo.
Beijos, Patti xx
