Observação para esse capítulo: Eu sugiro aos leitores que peguem as anotações de Camus (nos capítulos anteriores) e leiam ao mesmo tempo em que Milo para não ficarem perdidos com a leitura e comentários de escorpião.


Por Leona-EBM

O Diário

VI

Eu estou confuso!

OoO

"(...) Eu aprendi uma coisa importante, sempre veja as pessoas com novos olhos, pois a cada dia ela é uma coisa diferente". (Parte do Diário, Camus).

OoO

(Flash Back)

Milo subia as escadarias das doze casas, ignorando os seus colegas que tentavam pará-lo com aquela loucura. Ele havia saído do hospital a partir do momento que Camus o deixou e agora subia as escadarias, com suas ataduras e gazes enroladas ao seu corpo.

- Milo, você perdeu a razão – disse Aldebaran.

- Não se intrometa – escorpião vociferou.

Aldebaran parou de andar, deixando Milo seguir em frente. Afinal ele não poderia impedir que escorpião se sentisse daquele jeito. Apenas podia observá-lo subir e subir.

- "Eu vou falar com aquele maldito do Shion" – pensou.

Os olhos de Milo estavam estreitos, como se fosse um felino preste a devorar sua presa. Seu cosmos estava alto e bastante agressivo, ele adentrou na casa do grande mestre, começando a caminhar até o salão principal, onde Shion geralmente ficava.

A grande porta de madeira foi aberta num estrondo. Milo adentrou no salão, encontrando Shion sentado em seu pequeno trono, falando com um de seus empregados. No entanto, Shion parou com o que fazia, encarando o cavaleiro a sua frente.

- Eu quero falar com você. Agora! – Milo disse, ou melhor, impôs. Ele não aceitaria uma negativa.

- Retire-se – disse Shion para o empregado, que pegou os documentos que estavam na mão de Shion e se afastou com passos rápidos, olhando para o cavaleiro de escorpião com receio.

Com passos firmes Milo foi aproximando-se de Shion, olhando diretamente para os olhos do grande mestre, que mantinha sua expressão impassível.

- Não imaginei que fosse tão audacioso a ponto de querer falar comigo – Shion disse, num tom baixo e rouco, olhando para Milo como se ele fosse um inseto implorando para ser pisado.

- Eu quero que você pare de ficar brincando, Shion. Afaste-se do Camus, enquanto eu ainda tenho algum respeito por você – vociferou.

Shion ficou em silêncio analisando aquelas palavras, olhando para o cavaleiro a sua frente. O grande mestre levantou-se, mostrando toda sua majestade, começando a caminhar na direção de escorpião, que acalmou sua respiração, preparando-se para o que viesse.

- Milo, minha vida pessoal não lhe diz respeito. Mas você parece querer muito fazer parte da vida de Camus, apesar dele ter confessado que lhe odeia. Vocês não são mais amigos, você mesmo destruiu sua frágil amizade com ele – disse, num tom pausado, para que Milo entendesse cada palavra – o seu respeito por mim deixou de existir a partir do momento que começou a desejar a pessoa que eu amo, e eu não quero seu respeito, pois seu respeito é medo. Você, como seu signo é apenas um aracnídeo, e eu posso esmagá-lo quando eu bem entender.

Sem pensar duas vezes, Milo fechou seu punho e avançou na direção de Shion, a fim de socar-lhe a boca para parar de dizer tantas asneiras, mas Shion limitou-se apenas a segurar o punho de escorpião, apertando-o em seguida, começando a esmagá-lo.

- Não pode contra mim em nenhum aspecto – disse Shion – tanto no físico, mental ou emocional. Você é incompleto Milo. Eu quase sinto pena de você.

- Não fique tão cheio de si, Shion. Você não é nada mais que um cadáver que ainda consegue pensar e falar. Seu tempo acabou, volte para sua cova! Você não deveria estar vivendo nessa era. Não se sinta orgulhoso por ser mais forte que os cavaleiros daqui – dizia num tom raivoso, mordendo seus dentes para conter sua raiva – você só é forte pela sua idade, pelo seu tempo de treinamento. Você é facilmente ferido por qualquer cavaleiro daqui, isso é uma vergonha. Não me provoque, ou eu nos mando para o inferno.

Shion soltou o pulso de Milo e exibiu um sorriso carregado de escárnio para o escorpiano que também exibiu um sorriso animado para Shion. Os dois ficaram se encarando seriamente. O salão ficou em silêncio absoluto, apenas suas respirações podiam ser ouvidas.

- Se você pensa que sou tão fraco assim. Por quê não me enfrenta? – indagou, provocante.

- Porque Camus não me perdoaria – respondeu – e eu vou conquistá-lo, pois eu conheço Camus melhor que você ou qualquer outro.

- Conhece? – indagou, rindo baixinho em seguida – o conhece tanto que ele nem fala mais com você.

- O fato de eu tê-lo magoado não quer dizer que eu não o conheça – disse.

Milo deu um passo à frente e tocou no ombro de Shion, puxando-o na sua direção, aproximando sua boca do ouvindo esquerdo de Shion, ficando um tempo em silêncio, pensando no que ia falar. Shion apenas ficou em silêncio, esperando o veneno de escorpião.

- Ele é meu desde os oito anos de idade e você não pode interferir. Você nunca vai entender o nosso laço. Mesmo eu tendo magoado-o ele me perdoou. E sabe por quê? Porque ele me ama e não sabe. Ele acha que somos irmãos, mas ele ainda não entendeu o sentimento dele por mim.

Milo afastou-se de Shion lentamente, olhando para o semblante de Shion com um sorriso divertido no rosto.

- Eu queria que você pudesse ver sua cara agora, Shion! – Milo disse, virando-se de costas e postando-se a caminhar para fora do salão.

- Não fique tão convencido Milo, sendo que você não tem nada nas mãos. Você é um coitado que teve a oportunidade de tê-lo consigo, mas falhou miseravelmente por ser um ser estúpido e egoísta – disse Shion em voz alta, antes que Milo saísse do salão – E mais, você é o único que o faz chorar.

- "Camus pode te amar de um jeito... mas não é igual ao amor que eu vou fazê-lo ter por mim" – Shion pensou, voltando seu olhar para a janela, apreciando aquele dia tão acinzentado.

(Final do Flash Back)

No tempo real, mais precisamente na casa zodiacal de escorpião. Milo estava sentado na cama do seu quarto, olhando para o pequeno caderno de capa dura, observando-o com atenção. Suas mãos tremiam levemente.

- "Acho melhor me secar antes" – pensou.

Milo deixou o caderno em cima da cama e foi até a suíte de seu quarto, pegando uma toalha de rosto e começando a secar seus cabelos e seus braços. Ele retirou sua regata e ficou apenas com uma calça jeans preta, voltando par ao quarto, com a toalha jogada no seu pescoço.

- "Um diário..." – Milo pensou, sentindo a ansiedade correr por seu corpo, lhe causando alguns arrepios.

Com passos rápidos, ele sentou-se na cama e abriu a capa daquele caderno, não agüentando mais se segurar. E ele começou a ler a primeira linha.

- "Dia 12/12... foi à primeira vez que ele escreveu. E foi nesse dia que Camus ouviu eu e Saga falando dele... que interessante, ele anota tudo o que pensa..." – Milo pensava, enquanto lia cada linha com atenção, rindo em algumas partes dos pensamentos do francês.

- "Hum... ele escreve mais de uma vez num dia. Hum... mensagem secreta via celular? Deve ser o desgraçado do Shion... então foi assim que ele se aproximou. Que esperto. Ah... o quê? O Camus tem medo de engordar?".

Milo deitou-se na cama e abriu a boca começando a rir descontroladamente, seu peito subia e descia aceleradamente, não conseguindo se conter. Ele virou de barriga para baixo, batendo suas mãos no colchão, tentando se conter.

- Camus... por Athena. Eu não sabia que você pensava essas coisas – disse para si mesmo, no meio no riso. Ele não estava se agüentando – "Milo... acalme-se. Continue lendo" – pensou, acalmando-se aos poucos, voltando a ler.

Milo virou a página e viu que era o dia seguinte 13/12. Ele começou a ler com um sorriso bobo no rosto, mas seu sorriso logo sumiu quando notou a raiva transcrita de aquário.

- "Foi aquele dia que ele estava estranho. Eu não pensei que meus comentários fossem chateá-lo tanto. Aliás, nunca pensei que Camus fosse tão sensível. Camus diz que não tem família e amigos... ele quer fugir. Como eu sou estúpido... ele diz aqui que vai descer para o campo de treinamento com sua máscara fria para ninguém ficar lhe perguntando nada... como eu sou idiota" – pensou, chateando-se com aquelas linhas.

Milo virou a página novamente e sentiu um frio na barriga ao ver o dia. Era 14/12, o dia que havia dormido com Camus. Seu olhar começou a devorar as palavras escritas, querendo saber o que Camus havia achado daquela noite.

- "Eu o tratei friamente realmente... ele se chateou. Ele se sentiu como um garoto de programa? Mas que ridículo... mas vendo pelo ponto de vista dele, eu realmente o tratei como tal. Como eu sou estúpido, o único momento que eu tive com Camus... eu estraguei" – pensou, entristecido – "e ele pensou que o Saga fosse o admirador. Antes o Saga do que o Shion, na minha opinião. Ah... o quê? Você gostou de sentir o peso de um homem em você, Camus?".

Milo caiu na cama novamente, voltando a rir com as confissões de aquário, não se agüentando novamente. Mas desta vez havia gostado daquele comentário, pois ele estava se referindo a ele mesmo, pois Milo havia sido o responsável de fazer Camus escrever aquilo.

- "Então, você gostou de sentir meu peso sobre seu corpo, Camus. Se quiser, eu posso fazer mais vezes" – pensou, voltando a ler.

Outra página foi virada, desta vez Milo ficou mais sério. Era o dia da festa que foi dada na casa de Saga. Depois que Camus saiu da festa ele obviamente pegou o diário, pois sua letra estava um garrancho e algumas partes estavam borradas.

- "Ele ficou chateado com aquela piada estúpida do Aldebaran. Camus, você ainda se lembra daquele dia em que você chorou... eu te magoei, mas não pensei que você se remoia por isso até hoje. E de novo você fala que quer fugir... e que amigo que eu sou realmente? Eu não presto para você, Camus" – Milo pensou, relendo as partes que Camus escrevia seu ódio por escorpião.

A respiração de Milo estava pesada, ele não conseguia mais ler aquele diário. A cada linha que lia, acabava sentindo-se um monstro, mas a curiosidade estava falando mais alto. Milo voltou a ler.

- "Hum... Saga foi pedir desculpas para Camus. Eu que sugeri que ele fizesse isso, e o Camus ainda fala que eu sou insensível, mas ele não sabe dos fatos. Ah... Camus você está tão solitário, eu nunca mais vou fazer nenhuma piada com você. E você ainda desconfia que Saga é seu admirador nesse dia?" – pensou, fechando seus olhos por um segundo, sentindo sua garganta começar a lhe incomodar. Milo sentia vontade de chorar, mas estava se segurando.

A mão trêmula de Milo virou outra página, e leu uma anotação do dia 16/12. Felizmente não falava nada a respeito de Milo, para o alívio de escorpião que parecia que ia desabar naquele quarto.

- "Dia 17/12. Esse foi o dia que o Saga levou Camus para sua casa. E eu apareci. Ele notou meu cosmos, como eu imaginei. E... hum... Camus admite que é fraco com vinho, bom saber" – pensou, rindo baixinho, deixando sua angústia de lado por um segundo –"Não pensei que Camus gostasse tanto de doce. Eu acho que vou presenteá-lo com uma caixa de bombom depois, recheado de licor. Hum... será que ele vai gostar?".

- "Humm... outra anotação no mesmo dia. Ah... foi o dia que ele descobriu sobre a aposta através de Hyoga. Então Camus mandou Hyoga investigar. Realmente, Camus você deveria se sentir desejado e não usado" – pensou.

Milo começou a ler o garrancho de Camus:

(Parte do Diário) "Como eu o odeio. Odeio, odeio, odeio, odeio, odeio, odeio, odeio, odeio... os dois! Odeio! Ah... que ódio!"

Os olhos de Milo começaram a ficar vermelhos e ele não conseguiu conter as lágrimas que começaram a escorrer por sua face, morrendo na linha do seu pescoço. Ele esfregou seu braço por seus olhos, tentando limpar seu rosto, mas não conseguiu, continuando a chorar sem parar.

- Eu sou um estúpido, Camus. Perdoe-me – pediu num sussurro, entre um soluço e outro.

Milo estava começando a desistir de ler o diário, mas ele acabou lendo uma frase interessante na página seguinte. Era o dia 18/12.

(Parte do Diário) "E eu ainda... sinto um frio na barriga quando penso em Milo. Que idiota que eu sou!".

(Parte do Diário) "Ah... sempre que eu penso naqueles lábios me beijando eu...".

- "Ele... sente um frio na barriga quando pensa em mim" – leu, animando-se um pouco – "mas me xingou de canalha em seguida. Ele fica relembrando do meu beijo... será que ele quer mais? Será que se eu beijá-lo... ele deixará Shion? Ah... então foi isso, o Hyoga pediu um beijo pelo trabalho que ele fez para Camus. Por isso ele o beijou naquele dia. Eu fiquei louco!".

Milo virou mais uma página encontrando o dia 21/12, começando a lê-lo rapidamente. Os dias mais próximos eram os dias principais para Milo, pois ele podia ver como Camus estava sentindo-se no momento.

(Parte do Diário) "Aceitei Shion como meu companheiro... mas eu estou confuso. Será que seremos felizes? Eu não o amo".

- "Então ele fala sobre o Shion, e diz que não o ama. Eu sabia, Camus não sabe o que quer. Hum... ele não sabe se o amor dele por mim é igual a um sentimento carnal. Ah, Camus, eu vou tirar essa dúvida rapidinho de você. Espere por mim... e realmente, todos os dias temos que ver as pessoas com um olhar diferente, Camus. Eu concordo com você" – desta vez Milo estava mais animado com o que lia – "Você está angustiado? Isso porque você não ama Shion. Mas... mas... o quê? Você gostou de se sentir dominado pelo Shion? Por Athena, Camus!".

Milo voltou a cair no colchão, voltando a rir como um louco, mas no fundo estava com um pouco de raiva e ciúme de Shion por fazer Camus sentir-se bem daquele jeito. Milo se recompôs e voltou para ler as linhas finais.

(Parte do Diário) "P.S. 2: Senti muita vontade de beijar e acariciar Milo no quarto, mas pensei em Shion. Acho que ele me mataria".

- "Sentiu vontade de me beijar! Ele sentiu! Que maravilhoso... você ainda gosta de mim, Camus. Como eu estou feliz! Mas o que está escrito aqui... o Camus rabiscou..." – Milo tentava ler a parte que Camus havia rabiscado.

O escorpiano forçou sua vista vendo que tinha a palavra "estou", mas não conseguia identificar o resto, ele virou a página que estava em branco e tentou ver por atrás, tentando identificar a letra de aquário.

- Estou... senti... puto. Mas o que é isso? – falou consigo mesmo, forçando ainda mais sua vista.

Milo levantou-se com o diário na mão e foi até sua escrivaninha, pegando uma pequena iluminaria, ascendendo-a em seguida e a posicionando atrás da página, mais precisamente na linha que queria ler.

- Estou... me ... sentindo... um puto! – disse em voz alta, sentindo-se vitorioso – ah! Camus, não se sinta assim – Milo sussurrou em seguida – se você quiser me beijar, eu deixo.

Milo começou a folhear o diário, vendo que não havia mais nada escrito para sua infelicidade. Ele abraçou o caderno nos seus braços e saiu rapidamente da casa de escorpião, caminhando até a casa de aquário.

- "Eu preciso devolver" – pensou, adentrando na casa de aquário, vendo que seu anfitrião ainda não havia voltado.

Com passos na velocidade da luz, Milo adentrou no quarto de Camus e colocou o diário no mesmo lugar, tomando cuidado para deixar tudo certinho. E quando o devolveu, Milo voltou a correr para fora da casa de aquário.

- "Se Camus me pega... eu estou morto" – pensou, com um sorriso aliviado no rosto.

OoO

Na manhã do dia seguinte, Camus abriu suas pálpebras lentamente, encontrando-se sozinho na cama. Ele sentou-se rapidamente, ouvindo o chuveiro ligado no cômodo ao lado. Camus vestiu o roupão branco de Shion e adentrou na suíte do quarto.

- Bom dia – Shion o cumprimentou, enquanto lavava seus cabelos.

- Bom dia. Por quê não me acordou? – indagou.

- Você parecia estar cansado – disse – quer tomar banho comigo?

- Eu tenho que ir – disse.

Camus aproximou-se de Shion, deixando algumas gotículas de água bater contra seu rosto. Shion inclinou-se para frente e beijou os lábios de Camus, tomando cuidado para não molhá-lo.

- Eu te vejo a noite. Eu vou até sua casa – disse.

- Hum, vai me visitar? – indagou.

- Sim. Alguma objeção? – indagou, sorrindo em seguida.

- Nenhuma – disse – jante comigo então.

- Eu irei sim – disse.

Camus deu outro beijo nos lábios de Shion e se afastou lentamente do banheiro, fechando a porta em seguida. Ele respirou fundo e olhou para suas roupas que estavam espalhadas pelo quarto, e com movimentos rápidos começou a se vestir.

O dia estava mais alegre. O céu estava sem aquelas nuvens carregadas do dia anterior. O vento estava mais quente e o sol estava surgindo por de trás de algumas nuvens. Camus começou a descer as escadarias, deixando o vento bater contra seus cabelos.

Ele adentrou na sua casa zodiacal e foi diretamente para seu quarto, fechando-se em seguida naquele cômodo. Ele caminhou até seu armário, abrindo-o em seguida, pegando uma calça de pano da cor azul marinho e uma camiseta branca.

- "Hum... eu preciso comprar roupas" – pensou, olhando para seu armário com mais atenção – "eu... vou comprar mais jeans".

Camus pegou sua toalha e começou a caminhar até o banheiro, mas parou ao ver que seu precioso diário estava em cima da sua escrivaninha.

- "Como eu sou descuidado... se alguém ler isso... eu morro!" – pensou, pegando seu diário na mão e o guardando embaixo da cama.

Horas mais tarde, Camus estava com seu banho tomado e descia até o campo de treinamento. Fazia tempo que não dava atenção para o seu aluno. Hyoga estava conversando com Seiya em um canto.

- Bom dia – Camus cumprimentou os dois cavaleiros.

- Bom dia – os dois respondem em uníssono.

- Seiya, você está treinando com algum cavaleiro? – indagou Camus.

- Não – disse o moreno, com um olhar desanimado.

- Por que? – indagou o francês.

Seiya piscou algumas vezes, tentando entender o motivo de Camus tentar falar com ele. Afinal nenhum cavaleiro de ouro falava com Pégaso decentemente. Eles o tratavam com indiferença, pelo fato de ter uma personalidade o tanto difícil. Seiya era muito brincalhão, uma criança no corpo de um adulto e sempre fazia alguns comentários fora de hora.

- Bom, Camus. Acho que eu não me dou bem com os cavaleiros de ouro – disse – você deve saber o motivo.

- Se quiser, posso treiná-lo juntamente com Hyoga – disse secamente, mantendo-se impassível.

Tanto Seiya como Hyoga ficaram surpresos com o convite. Seiya abriu um largo sorriso adorando aquela proposta. Ele nunca havia sido convidado para fazer nada por outro cavaleiro que não fosse de bronze. Ele estava feliz. Afinal, todos o julgavam muito mal.

- Afinal, você ajudou tanto a Terra nesses anos, Seiya, eu acho que deva continuar treinando – Camus observou, deixando Seiya ainda mais animado. Então alguém reconhecia seu trabalho duro? Afinal Seiya sempre se sacrificava em nome da justiça, abdicando de sua vida para proteger Athena.

- Ah, Camus eu nem sei como agradecer. Eu aceito sim – Seiya disse.

- "Mais um coitado que é mal visto por todos" – Camus pensou, vendo o sorriso animado de Seiya.

- Mestre, e quanto ao teste que falou? – Hyoga indagou.

- Esqueça o teste. Estude por si mesmo e um dia eu o aplicarei, eu estou sem cabeça para isso – disse, assustando Hyoga por um segundo.

Seiya sabia que Camus era uma pessoa fria e impassível a tudo, mas estava surpreso com o jeito do francês e de como ele falava com Hyoga, mostrando total descaso. Talvez tivesse julgado-o mal.

- Eu quero saber como estão suas habilidades, Seiya. Vamos fazer um pequeno combate para ver seu nível – Camus disse.

- Entre Hyoga e eu? – indagou, olhando para o loirinho.

- Não, entre eu e você – disse.

Seiya abriu a boca para falar alguma coisa, mas não conseguiu, ficando perplexo com as palavras de Camus. Ele ia enfrentar um cavaleiro de ouro? Ele estava com um pouco de medo e ansioso ao mesmo tempo por ter a oportunidade de interagir com o cavaleiro de aquário. Afinal, nunca havia visto Camus em ação.

Camus deu alguns passos, distanciando-se de Seiya. Pégaso começou a alongar seus braços e se dirigir na direção de Camus, pensando em como atacá-lo, sentindo receio de machucá-lo e subestimá-lo ao mesmo tempo.

- Ataque-me com tudo o que tem, não precisa me subestimar, eu só quero ver seu nível, não será uma batalha séria – disse secamente, exibindo seu olhar frio – não se preocupe

Seiya começou a ficar nervoso, Hyoga deu um passo para trás, encostando-se em uma árvore para poder observar melhor. Ele podia ver o nervosismo de seu companheiro, mas sabia que Camus não ia pegar pesado, apesar de não estar mais reconhecendo Camus nesses últimos dias.

Alguns cavaleiros de ouro que estavam por perto pararam com o que faziam para observar Camus. Ultimamente o francês estava chamando a atenção de todos para qualquer coisa que fazia.

- O que está fazendo, Camus? – Saga indagou, aproximando-se do francês.

- Apenas treinando Seiya – disse secamente.

- Irá treiná-lo juntamente com Hyoga? – indagou gêmeos.

- Sim. Algum problema? – indagou, olhando para o cavaleiro de gêmeos com seriedade.

- Nenhum, Camus. E eu gostaria de falar com você depois – disse – pode ser?

- A respeito da aposta? – indagou.

- Você sempre foi direto – disse, rindo baixinho – sim, seria sobre isso realmente.

- Quer pedir desculpas? – indagou.

- De fato.

- Não precisa. Eu te desculpo. Agora me dê licença, por favor, você está nos atrapalhando – disse.

Saga fechou seus olhos e ficou olhando para o francês, sentindo-se um idiota por estar tentando falar com ele novamente. Definitivamente havia agido como um adolescente, e agora estava querendo reparar seu erro.

- Saga, se quiser. Passe na minha casa depois – Camus disse.

Os olhos de Saga ficaram arregalados, ficando surpreso com a compreensão de Camus. Ele deu alguns passos e aproximou-se de Hyoga que o olhou com certa irritabilidade.

- "Uma vez... eu li num livro. Pagai o mal com o bem" – Camus pensou, exibindo um tímido sorriso em seguida – "se eu ficar com ódio, apenas me restará o ódio. Perdoarei a todos na condição que me vejam com outros olhos".

- Camus... posso? – Seiya indagou.

- Ah, sim. Desculpe-me – disse, voltando sua atenção para Pégaso.

Seiya começou a elevar seu cosmos, mirando a figura de aquário e num movimento rápido, ele avançou na direção de Camus com o punho fechado, a fim de golpear a face do francês, porém Camus desviou-se graciosamente do golpe de Seiya, acertando-o por trás, jogando o cavaleiro de bronze no chão.

- Lento, sem força e sem visão – Camus comentou – Você ainda diz que é um cavaleiro? Precisa de muito treino.

Seiya começou a levantar-se lentamente, tentando saber o que foi que lhe atingiu, quando se ergueu, voltou a fechar seu punho e caminhar na direção de Camus, a fim de tentar acertá-lo novamente. Mas o resultado foi o mesmo, mas desta vez, Seiya teve parte de seu braço congelado.

- Eu acho melhor pararmos – Camus disse – Hyoga, eu quero que aplique o treino número dois em Seiya sob minhas ordens. Eu retorno amanhã para ver o resultado.

- Sim, mestre – Hyoga disse, com um sorriso divertido no rosto, olhando para Seiya que se levantava com dificuldade.

Camus começou a caminhar na direção de uma rocha, sentando-se nela por um instante. Ele não queria retornar a sua casa zodiacal, no momento observava o treino de outros cavaleiros com atenção, tentando desligar-se de seus pensamentos.

- "Ah... lá vem o Milo" – Camus pensou, vendo escorpião se aproximar.

- Bom dia, Camus – disse, com um sorriso no rosto – "eu não vou falhar desta vez" – pensou em seguida.

- Bom dia, Milo.

- Camus, eu queria desculpar pelo o que eu fiz...

- Não vamos mais falar nisso – disse, interrompendo escorpião.

- Não, deixe-me falar. Não é somente sobre a aposta, mas sim pelo o fato de eu ficar fazendo comentários idiotas e piadas sem graça ao seu respeito. Eu... er... fiquei... Lend... quer dizer... pensando em casa, e vi como eu sou um insensível – disse, vendo que Camus começou a lhe dar atenção – e... bom, eu acho que eu realmente fui um canalha e não pareço ser seu amigo. Perdão Camus, eu vou prestar mais atenção aos detalhes. Eu percebi que é bom... vermos as pessoas com novos olhos todos os dias. Não concorda?

A boca de Camus ficou aberta por um bom tempo, tentando engolir toda aquela conversa. No momento aquário pensava se Milo havia desenvolvido a habilidade de ler mentes.

- Desde quando está pensando nisso? – Camus indagou.

- Desde o dia que falei com você na sua casa. Eu acho que errei muito. Perdão Camus, eu só tive coragem de falar com você hoje – disse – "e ele está me olhando de um jeito. Ótimo, eu vou conseguir me redimir" – pensou em seguida, com um sorriso vitorioso.

- Milo, eu estou chateado ainda – revelou, abaixando sua cabeça.

- Camus, veja-me com outros olhos. Nós mudamos, sabia? – indagou, fingindo estar bravo – Não fique julgado as pessoas, pois elas mudam com o tempo.

- Per... Perdão – disse, sentindo-se confuso por um momento. Afinal, ele deveria estar pedindo desculpas? Não sabia responder.

- Eu gostaria de almoçar com você hoje – disse, sentando-se ao lado de Camus, ficando bem próximo ao francês. Milo passou sua língua por seus lábios, vendo como Camus o observava – "e você ainda sente vontade de me beijar, Camus?" – indagou para si mesmo em pensamento.

- Eu...

- Me dê uma chance de tentar consertar as coisas. Camus, nós nos conhecemos desde os nossos oito anos – disse, elevando seu tom de voz, como se estivesse indignado com a resistência de aquário.

O olhar foi desviado para o chão, ele estava ficando perturbado com a aproximação de Milo. Mas um toque em seus cabelos o trouxe a realidade, Milo estava tocando na cabeça de Camus, passando a mão por seus cabelos, bagunçando seus fios como fazia quando Camus era menor.

Milo levantou-se com um lindo sorriso no rosto, vendo o semblante confuso de Camus. Ele estendeu sua mão para aquário que a agarrou, permitindo que Milo o ajudasse a se levantar.

- Camus, nós vamos comer em um lugar que eu sempre pensei em te levar – disse.

- Sempre quis me levar? – indagou com desconfiança.

- Sim, eu sempre quis. Lá tem uns doces muito bons, e eu sempre notei que você gostava de chocolate – disse, começando a caminhar, não permitindo que Camus visse seu sorriso.

- "Desde quando você repara tanto em mim?" – Camus indagou em pensamento, caminhando atrás de Milo, ouvindo o falatório do escorpiano.

Os dois começaram a caminhar para fora do treinamento sendo observados pelos outros cavaleiros. Alguns adoraram ver ambos conversando e outros ficaram com medo que outra briga acontecesse.

Eles caminharam pelas ruas de paralelepípedos do santuário, observando todo o comércio e as pessoas que os olhavam como se fossem Deuses. Milo adentrou numa pequena casa de tijolos, um lugar muito aconchegante, onde havia mesas rodeadas por poltronas confortáveis e cheias de almofadas.

Com passos lentos adentraram no local, onde havia um gato preto deitado no balcão, ele mal conseguia se mover de tão gordo e preguiçoso que era. Camus ficou observando o felino que lambia suas patas sem nenhuma preocupação.

- Onde quer se sentar? – Milo indagou.

- "Milo está atencioso demais... ele está aprontando" – Camus pensou, caminhando até a janela, sentando-se numa poltrona vermelha, ficando a observar a mesa feita de mosaico.

Milo sentou-se do seu lado, puxando sua poltrona azul marinho para frente, arrumando-se melhor, ficando a olhar para Camus que parecia estar maravilhado com o lugar.

Uma velha senhora aproximou-se, entregando o cardápio para os dois e nesse instante, Milo deu uma piscada para a senhora, que lhe sorriu.

- Ah, Milo. Então esse é rapaz que você tanto falava? Seu nome é Camus, certo? – indagou a senhora, olhando para o francês.

- Sim, prazer. Qual é o seu nome? – indagou Camus em seguida, mostrando sua educação.

- Meu nome é Rose – disse – e Milo sempre disse que ia trazê-lo aqui. Eu espero que goste de minha comida.

- Ah, sim. Eu irei gostar – disse, sem saber como se comunicar direito.

- E Milo, eu vou fazer aquela bebida que você gosta. E espero que seu amigo goste também, afinal é sabor chocolate – disse com um largo sorriso, afastando-se lentamente.

Camus abriu o cardápio, começando a ler o Menu, mas na verdade ele não estava conseguindo ler absolutamente nada, pois estava confuso com tudo que estava acontecendo. Por um momento parecia estar dentro de um sonho. Desde quando Milo era tão atencioso?

- Já escolheu? – Milo indagou.

- Sim. E Milo, eu gostaria de te perguntar uma coisa.

- Minha conversa com Shion? – indagou, prevendo a pergunta.

- Sim – disse secamente – o que vocês conversaram.

- Nada demais, apenas nos ofendemos um pouco – disse.

- Como assim?

- Camus, eu não aceito esse relacionamento, você sabe. Perdão, não queria falar sobre isso, você está tão feliz. Eu te amo tanto... que prefiro ver você feliz, mesmo que seja nos braços de outro – disse, fechando os olhos em seguida, sentindo que suas próprias palavras o estavam matando.

Os pensamentos de Camus foram varridos de sua mente, ele não conseguia formular nenhuma resposta para aquela confissão. E para ajudá-los naquele momento, a velha senhora aproximou-se com um caderno de anotação.

- O que querem pedir? – indagou.

- Número... dois – Camus disse, num sussurro.

- E você Milo?

- O mesmo – respondeu – "Eu... não consigo falar isso de novo, nem que seja por brincadeira. Eu não posso ver Camus com Shion" – pensou, entristecido.

- "Por que meu peito parece que vai explodir? Que sentimento é esse? Por quê eu estou tão confuso?" – Camus indagava em pensamento, sentindo vontade de sair correndo daquele lugar.

- Criei uma situação desconfortável para ambos. Perdão. Vamos mudar de assunto – Milo disse, com uma voz baixa – Eu vi você com o Seiya.

- Ah... bom... eu vou treiná-lo – disse, não conseguindo esquecer das palavras de Milo – "Ele... prefere me ver com Shion, mesmo não aceitando, apenas para eu ser feliz? Esse não é o Milo!".

- Quer ajuda? Afinal, eu não ajudo ninguém ali. Eu ajudava o Shun, mas ele é um preguiçoso, não quer saber de treinar – disse – eu posso treinar o Hyoga, pois eu acho que o Seiya vai dar mais trabalho.

- Hyoga não vai aceitar – disse o óbvio – prefiro evitar a dor de cabeça. E eu dou conta dos dois.

O almoço chegou rapidamente e ambos começaram a almoçar, conversando somente sobre o santuário. Às vezes Milo comentava alguma coisa da infância de ambos, fazendo Camus rir baixinho, divertindo-se com os contos passados.

- Quer comer um bolo? – Milo indagou.

Os olhos de Camus brilharam de repente, fazendo Milo lembrar-se da confissão de Camus no diário. De repente, Milo começou a rir e não se agüentou, afundando sua cabeça nos seus braços, que estavam apoiados na mesa.

- O que foi? – Camus indagou.

- Nada... nada... – dizia, enquanto tentava se controlar.

Aos poucos, Camus começou a ficar irritado. Ele levantou-se de seu lugar, chamando a atenção de Milo, que se levantou junto, assustando-se com a atitude do francês.

- Eu estou indo – Camus disse secamente, jogando uma nota num valor alto em cima da mesa e passando por Milo, que ficou sem saber o que falar.

- "Droga... eu sou um idiota. Ele está sensível demais nesses dias" – pensou, saindo rapidamente do lugar, indo atrás de Camus, encontrando-o caminhando pela rua.

Milo alcançou Camus e começou a andar ao seu lado em silêncio, respeitando mais o francês, que se surpreendeu com o comportamento contido de escorpião. Milo não estava lhe enchendo de perguntas inconvenientes? Não estava falando alguma piada idiota? Aquilo era surpreendente.

- Camus, perdão. Eu não estava rindo de você – mentiu.

- Tudo bem – disse – eu tenho que voltar aos meus afazeres.

- Mas você comentou que havia deixado o Hyoga treinando o Seiya – disse.

- Ah, é verdade. Eu vou ver Shion então – disse.

Milo travou de repente, odiando ouvir aquilo. Mas uma idéia surgiu na cabeça de escorpião, ele abriu um sorriso de canto e reuniu toda sua coragem.

- Camus, eu posso te fazer uma pergunta muito pessoal? – indagou.

- O que seria? – indagou – eu responderei se achar cabível.

- Eu queria saber... se bom... quem é ativo ou passivo entre vocês? – indagou.

- Ah... co... como assim? Isso é pergunta Milo? – indagou, ficando vermelho de repente, mostrando um olhar irritado para escorpião que adorou ver aquelas reações.

- Seria o Shion o ativo? – indagou.

- Não é da sua conta!

- Camus, somos adultos. Fale comigo... eu queria saber se você já foi ativo antes! – disse, tentando alcançar Camus que começou a caminhar mais rápido.

- "Milo... impertinente. Estava bom demais para ser verdade!" – pensou – "Pra quê ele quer saber isso? Como ele é intrometido!".

- Camus, espera. Espera – pediu, puxando o braço do francês, fazendo-o parar de andar – eu só queria conversar com você. Afinal você está se relacionando com alguém e eu sou seu amigo, eu queria saber como você está. Afinal, a gente sempre contou tudo para o outro.

- Contávamos Milo! Até crescermos – disse.

- Ah, eu sempre falei com você, Camus – disse – você que ficou isolado. Ficou fechado no seu mundo, achando que ninguém se importava com você. Eu sempre me importei.

- "De onde saiu esse Milo carinhoso?" – pensou – "ele deve estar em outra aposta idiota. Só pode!".

- Camus, converse comigo – pediu.

Camus desvencilhou-se no braço de Milo e cruzou seus braços em seguida, olhando seriamente para escorpião que viu sua chance para continuar.

- Você é passivo, certo? Eu imagino... afinal Shion não tem cara que deixaria alguém ficar em cima dele – disse.

- "Tem razão" – pensou, lembrando-se da tentativa frustrada de tentar possuir Shion.

- E você tem dúvida do que sente por ele?

- Eu... eu... não – disse, com insegurança.

- "Te peguei, Camus!" – Milo pensou, vitorioso – eu acho que você está confuso, afinal esses dias você está bem inquieto. Sabe Camus, para você ter a prova, tente ser ativo com Shion.

- E o que isso tem a ver Milo? – indagou sem entender.

- Bom, sabe... se você for ativo, você pode ver se realmente gosta da pessoa e se ela gosta de você também. Afinal, não é fácil deixar alguém ficar em cima de você – disse baixinho.

- Milo... você ficou em cima de mim – disse, indignado com aquela hipótese que Milo estava levantando.

- Ah! Não, isso é diferente. Pois nós nos conhecemos há anos... e eu não me importaria de sentir o peso do seu corpo sobre o meu – disse sussurrante perto do ouvido de Camus, que se arrepiou.

A face de Camus começou a ficar corada; ele abaixou sua cabeça e começou a caminhar novamente, ignorando os chamados de escorpião que ficou parado no mesmo lugar, com um sorriso vitorioso no rosto.

- "Que hipótese idiota... até parece que eu posso descobrir se Shion realmente me ama com isso. Ou será que é verdade? Afinal... Shion não deixou eu fazer com ele... eu vou tentar de novo" – pensou.

Camus caminhou até sua casa zodiacal, ele correu até seu quarto, pegando seu diário. Ele sentou-se na sua escrivaninha e começou a pensar no que ia escrever.

Grécia, 23/12

Caro diário, eu estou confuso! Milo estava muito estranho, ele me disse algo que me perturbou. "Eu prefiro ver você feliz, mesmo que seja no braço de outro". Isso me tocou, sabe? Será que Milo realmente me ama? E se amar... o que eu posso fazer?

Milo também veio me dizendo que eu deveria tentar ser ativo com Shion! Mas que coisa sem cabimento... eu adoro quando Shion fica... em cima de mim, mas será que eu sentiria mais prazer sendo ativo? Ah... isso é tão vergonhoso.

Ontem eu tentei fazer com Shion... eu fiquei animado, nunca pensei que seria tão pervertido. Acho que Shion ficou surpreso. Mas ele não deixou. Será que ele nunca deixará? Talvez seja cedo demais para eu concluir alguma coisa. Shion diz que me ama e não me força a dizer o mesmo, ao contrário de Milo que fica suplicando para que eu lhe diga algo.

Ah, já ia me esquecendo! Eu estou treinando outro cavaleiro de bronze; e eu espero ter bons resultados. Seiya de Pégaso, a maioria dos cavaleiros não gosta dele. Eu não sei o motivo, para mim ele sempre foi um cavaleiro qualquer. Vamos ver no que vai dar! Espero não ter problemas com Hyoga.

Já está escurecendo. Eu esqueci de preparar um jantar para Shion. vou ligar e avisar que irei subir. Amanhã eu farei um jantar para nós dois. Acho que não ninguém suspeita que eu sei cozinhar muito bem.

P.S: Eu estou com medo do Milo... ele está estranho.

Camus fechou o diário, relendo-o com atenção, rindo em algumas partes. Ele colocou o diário embaixo do colchão e pegou seu celular, ligando para Shion e avisando sobre a mudança de planos. Shion obviamente concordou com a visita de aquário.

Após tomar um banho demorado e se trocar, Camus começou a subir a escadaria, rumando até a casa do grande mestre. E sem notar, um aracnídeo em forma de gente, adentrou em sua casa de modo furtivo, correndo para seu quarto.

- "Camus deve ter escrito algo sobre mim... por favor..." – Milo pensou, adentrando no quarto e fechando a porta – "ótimo, o diário não está mais no lugar. Ele deve ter guardado..." – pensou.

O quarto de Camus começou a ser revirado. Milo abria todas as gavetas, procurando o bendito do caderno. Alguns minutos passaram-se e Milo encostou-se à parede, com a respiração acelerada. Ele ficou olhando para a bagunça que fez no quarto.

- "Eu preciso arrumar isso" – pensou – "Onde eu não olhei? Camus não ia deixar aquele diário dando sopa de novo. Ele devia ter esquecido de guardar aquele dia".

O olhar de Milo parou na cama de repente, ele deu duas piscadas e caminhou até o móvel, começando a examiná-lo. Milo puxou o colchão e para sua felicidade lá estava o diário. Ele o pegou e começou a arrumar o quarto, tentando se recordar onde estava cada objeto.

Com passos rápidos Milo começou a sair da casa de aquário, com o diário em seus braços. No entanto, Milo parou no meio do caminho ao se deparar com Saga.

- Você estava na casa de aquário? – Saga indagou – falou com Camus?

- Ah... bom, eu fui vê-lo... mas ele... não estava – disse, com um sorriso nervoso – "Saga está me olhando com desconfiança... droga, ele me conhece bem para saber quando eu estou mentindo" – pensou.

- Hum, eu ia falar com ele também – disse – "Milo está escondendo algo, ele está com esse sorriso de quem aprontou" – pensou em seguida.

- Eu vou indo! – disse, voltando a correr.

- "O que é aquele caderno?" – pensou – Milo! – o chamou em seguida.

- Oi? – parou de correr, virando-se para gêmeos.

- O que é isso na sua mão? – indagou, apontando para o caderno.

- Um... um... caderno – disse.

- Seu? – indagou, erguendo uma sobrancelha.

- É... é!

- "Ele está mentindo!" – pensou – eu posso vê-lo?

- Po... pode... pode não! – disse.

Saga riu da resposta de Milo, ele começou a caminhar na direção de escorpião que começou a ficar desesperado. Por acaso Saga teria o poder de ler pensamentos? Ele não podia deixar gêmeos colocar as mãos no diário de Camus ou ele seria morto pelo francês e obviamente por Shion também.

- Eu estou com pressa. Até mais, Saga! – disse, virando-se e começando a correr até a casa de escorpião.

- Estranho... você está aprontando Milo. E não me diga que é com Camus novamente – disse baixinho consigo mesmo.

Quando colocou o pé na casa de escorpião, Milo respirou aliviado. Ele correu até seu quarto, jogando-se na sua cama e começando a ler aquele diário.

- "Então o Camus ficou perturbado com o que eu disse no restaurante? Eu sabia que ele ia cair. Hum... eu realmente te amo e você pode ficar comigo, não precisa ficar confuso. O quê?? Camus gosta do Shion em cima dele?? Ah... isso não tem cabimento!! Deixe-me pegar esse francês metido para ele ver como eu posso ser melhor na cama!!" – pensava com revolta, quase rasgando o caderno ao meio – Maldito Shion... – vociferou.

- "Ah... Camus tentou com o shion então? Shion obviamente não deixou. Mas deixaria você fazer o que quisesse comigo, Camus. Será mesmo que eu deixaria? Hum... para fazer voltar para mim... sim! Mas só uma vez..." – pensou.

Milo respirou fundo e voltou a ler, tentando manter sua calma.

- "Hum... Camus não gosta que alguém fique lhe cobrando. Esse sacana do Shion fica falando que o ama... será que Shion realmente o ama? Eu espero que não. Ou sim... sei lá, Camus ia ficar chateado. Que Shion o ame e Camus me ame então... assim ninguém fica triste. Só o imbecil do Shion... quem liga para ele não é mesmo?" – pensava, enquanto lia, ou melhor engolia o que Camus escreveu.

- Está com medo de mim? – Milo indagou em voz baixa – mas por quê isso Camus? Bom, eu vou devolver esse diário antes que você retorne.

Milo releu algumas partes, voltando a rir. Ele não resistiu e voltou a umas das primeiras páginas, onde Camus revelava estar com medo de engordar. E nesse momento Milo não agüentou, voltando a cair na cama e rir descontroladamente.

- Camus... Ai, Ai! Por Athena... Esse diário ainda me mata de tanto rir!

Após recompor-se, Milo saiu da casa de escorpião distraidamente, com o diário na sua mão. E sem perceber, no interior de sua casa, atrás de um pilar havia um cavaleiro de ouro, que olhava Milo se afastar com um olhar intrigado.

- "Um diário de Camus?" – pensou o intruso, com um leve sorriso no rosto – "Isso deve ser interessante".

Milo subia a escadaria rindo baixinho, mas ele parou ao se deparar com Saga, que estava descendo.

- Milo?

- Ah... oi Saga – disse – "Ah... você de novo?" – pensou.

- O Camus não está – Saga disse – queria falar com ele?

- Ah, eu vou falar com o... Shura – disse.

- Hum. Ele está na casa de câncer agora – Saga avisou.

- Ah... então... bom... eu vou falar com o Afrodite – disse.

- O Afrodite também está na casa de câncer – comentou.

- Ah... que coisa! O que eles estão fazendo lá? – indagou, com um sorriso nervoso.

- Máscara da Morte está fazendo uma reunião na sua casa. Você foi convidado, vamos logo – Saga disse – eu queria levar Camus, também.

- Ele está com o grande mestre – Milo disse a contragosto.

- Eu percebi. Vamos indo?

- Eu preciso pegar uma coisa que eu esqueci na minha casa. Vai indo à frente – disse.

- Eu te acompanho até sua casa! – disse, sem entender as ações de Milo. Afinal, eles teriam que descer junto até a casa de câncer.

- Saga! Vai indo à frente... que saco. Parece que nasceu grudado em mim – reclamou – vai atrás do seu irmão, vai! Xô, xô, xô!

- Não me trate como um cachorro – Saga resmungou.

- Xô, xô! – disse, abanando a mão na direção de Saga.

Gêmeos ergueu uma sobrancelha e achou ignorar antes que ele desse um soco na cara de escorpião. Milo sorriu aliviado ao ver Saga se afastar; o escorpiano voltou correndo para a casa de aquário, indo até o quarto do francês, colocando o diário embaixo do seu colchão.

Saga deu uma última olhada para trás, estranhando o comportamento de Milo. O geminiano passou pela casa de escorpião e continuou a descer, encontrando um cavaleiro de ouro que estava parado na escadaria.

- Ainda não desceu? – Saga indagou.

- Eu estava esperando Milo – disse.

- Ele vai descer daqui a pouco – disse – vamos indo?

- Eu vou esperar Milo voltar, eu preciso perguntar uma coisa a ele – disse, com um sorriso enigmático no rosto.

- Eu vou indo. Mas eu vou logo avisando que Milo está estranho – disse, voltando a descer.

- Eu imagino o motivo... eu imagino – disse baixinho consigo mesmo, voltando seus olhos para cima, esperando que escorpião saísse da casa de aquário – "Afinal, Milo estava com uma pequena preciosidade nas mãos...".

OoO

"Nosso caráter é resultado de nossa conduta". (Aristóteles).

OoO


Continua...

Hum... acho que o diário de Camus vai ser mais rodado que catraca de metrô. E quem será esse cavaleiro de ouro?

Eu mesma ri sozinha nesse capítulo imaginando a reação de Milo ao ler o diário de Camus. Realmente, o francês escreveu coisas engraçadas. Será que o santuário irá ler esse diário? Acho que daria para ouvir as risadas ao longe.

Obrigada por todos os comentários que vocês me enviaram, eu fico muito feliz em saber a história está se desenvolvendo. Eu espero que comentem esse capítulo. Incentivo!!


Data 8/8/2008

Leona-EBM