Olaaaaa novamente!

Sei que estou em falta, que estou demorando mto mais para postar, mas não tem dado mesmo. Meu irmão nasceu ( e chora de noite, imagina só!), minha prima brigou com os pais e agora vem todo dia almoçar na minha casa, eu estou estudando e estagiando e, ainda por cima, uma garota quase agarrou meu namorado num bar sábado. Tá, ela tava bêbada, mas...seu eu fosse como a Leah, ela teria ficado em pedacinhos.

Bom galera, não vou transformar isso aqui em diário porque não é o que interessa, então, vamos ao que importa:

Respostas

L. Evans P. – Obrigada pelo comentário! Bom, eu tenho que parar na parte interessante pra deixar vocês curiosas, óbvio!Hahahahaa, eu sei...eu sou má, mas me perdoa, faz parte deixar o leitor com um gostinho de quero mais, não acha? Pode deixar que eu vou ler a sua fic, só não garanto quando porque só postar aqui já tem sido difícil. Beijos

Marynna – você é mto engraçada! Acho q a sua mente eh levemente louca como a minha!Próximo conto da Disney???Huauahuahua....aja imaginação fértil! E as suas teorias sobre a história são maneras, fico feliz que eu esteja despertando idéias diferentes em você! Muito obrigada pelo comentário divertido e incentivador *batendo palmas de felicidade e sorrindo*

Titia-Ro – Pois é...acho que ele ta começando a cansar de ficar se esplicando pra Renesmee quando ela própria deveria dar explicações. Hum...acho que esta historia ainda não vai acabar. Tô tentando bolar um final, mas ta difícil!Eu soh consigo saber o q vai acontecer qnd to escrevendo! É por isso q eu digo: os personagens tem vida própria!

Sra Cullen – Hum...como que ela vai reagir...? Bom, a resposta ta aqui, mas acho q não de uma forma tão brutal como a maior parte das pessoas pensou....E bom, realmente, ela ta pirando, mas, talvez, no caso dela, seja o "click" necessário para ela fazer as coisas certas e não só por instinto.

Lú – Pois eh, eu adorei escrever a cena da Leah e da Nessie! Foi divertido. Escrevi ouvindo Guns! Outra coisa: sério q vc não escreve? Achei q você gostava de escrever, sei lá..... Q q vc gosta de fazer? Pintar?Dançar? Ah...não importa! Eu dou apoio da mesma forma! Sabe pq? Pq vc tbm tem me dado mtooo apoio! Huhauhauahua declaraçãozinha básica. Bom, eu sinto msm q vcs com quem eu "converso" já fazem parte da minha rotina. É engraçado ter esse lado quase secreto. Poucas pessoas sabem q eu tenho "uma segunda identidade" hahahaha. Enfim, vlw por td!

Raquel Rocha – Pow, vlw msm! Eu tenho constantes felicidades com isso aqui. A primeira é quando eu escrevo a fic e todas as outras qnd vcs postam a opinião de vcs! Mtooo obrigada! Pode deixar q eu vou tentar equilibrar minha vida! Bju!

Luna Simon – uahuahuahuahuauahua! Vc tbm é do tipo q sai falando um monte de coisa qnd ta com sono e dps nem lembra direito? Eu sou assim! Já passei por cada coisa, o pior é q eu sou exageradamente sincera nestas situações, ou seja, confusão! Q bom q vc gostou de ler pelo ponto de vista do Jasper. Eu queria botar um outro ponto de vista e achei q ficaria legal num caso de sentimentos tão fortes vindo a tona. OBS: Tbm tow amando seus comentários!!!!

Boa leitura p/ todos!

PARTE 19 – RENESMEE

Fiquei alguns segundos parada sem reação e, até mesmo, sem respirar. Eu não sabia o que dizer, não sabia como reagir, como lidar com aquilo.

- Apaixonado? – perguntei incrédula

- É...apaixonado...

- Pela Bella? Pela minha mãe?

- É.... – ele murmurou nervoso

Eu esfreguei o rosto e voltei a olhar pra ele.

- Como, ahm....como assim?

- Apaixonado, Nessie! Quando uma pessoa gosta de outra pessoa, tem sentimentos e...

- Eu sei o que é estar apaixonado! Eu quero saber como assim você se apaixonou por ela....você ta gozando da minha cara!

- Não tô, não.

- Impossível....

Ele passou as mãos no cabelo e suspirou alto.

- Eu não devia ter te contado assim, você não ta muito bem...

- Impossível – repeti ignorando o que ele tinha falado e ele suspirou novamente.

- Por que impossível? Nessie, a gente tinha praticamente a mesma idade...

- Meu Deus...- eu disse balançando de leve a cabeça em sinal de negação, eu estava chocada e atordoada com aquilo.

- Jacob, por que você nunca...nunca me contou? Por que nunca ninguém me contou isso?

- Não sei, pra quê desenterrar o que já foi resolvido? Seus pais, eu... nós não queríamos pensar no passado.

- Desenterrar? Então, essa questão ta bem resolvida?

- Como assim, Nessie? É óbvio que ta! Você ta sugerindo o que? Que ainda exista um triangulo amoroso ou algo assim?

- Você saiu com ela hoje, não saiu?

- Ah...não acredito, você ta com ciúmes! Você ta com ciúmes da sua própria mãe!

- Não, to! Mas você não parece muito disposto a falar sobre a sua saidinha com ela...Quê que vocês têm tanto pra conversar?

- Nessie, eu to começando a duvidar da sua sanidade mental, é sério....

Ele fez uma cara preocupada, preocupada de verdade e eu desisti de brigar com ele por praticamente me chamar de retardada.

- Olha, eu não to com ciúmes, eu só quero entender, isso tudo é muito estranho pra mim. Minha cabeça já ta até doendo!

- É muito simples... – ele disse caminhando até mim - Eu fui apaixonado por ela e não sou mais, ponto final, the end, entendeu?

Ele passou a mão no meu cabelo, mas eu me afastei dele.

- Não é tão simples assim...

- Você já sabe, agora esquece tudo o que eu falei.

Eu cruzei os braços um pouco nervosa e muito confusa.

- E ela?

- Quê que tem ela?

- Ela te amava? – eu perguntei

- Ela sempre foi doida pelo seu pai...

Na minha cabeça várias imagens passaram velozmente. Memórias de quando eu era pequena, de minha mãe e meu pai juntos e também de minha mãe e Jacob. Lembrei do quanto minha mãe se preocupava com Jacob e a maneira carinhosa que ele olhava para ela. Eu sempre vira como amizade, mas agora minhas memórias se retorciam. Agora sim eu entendia o mundo particular deles, aquilo que eu sentia quando estava com eles e nunca havia compreendido.

- Eu...eu vou entrar, Jake, me deixa quieta, ta? Por favor...eu preciso pensar.

- Tá, tudo bem.

Ele se aproximou de mim novamente, mas eu me virei e voltei para casa.

Posso voltar amanhã? – ele gritou enquanto eu abria a porta

- Faça como você quiser...- eu disse antes de entrar. Eu ainda estava desnorteada demais pra pensar qualquer coisa

Entrei em casa mal sentindo meus pés tocando no chão, era como se Jacob tivesse injetado um anestésico em mim. Minha mente trabalhava devagar e meus músculos pareciam mais pesados e com uma incômoda câimbra que se estendia até meu coração.

- Tá tudo bem, Renesmee? – perguntou Rosalie

- Tô, eu só preciso conversar com a minha mãe. Ela ta lá em cima?

- Tá, mas você pode conversar comigo também...

- Não, Rosalie....precisa ser com ela.

Rosalie ficou um pouco chateada, mas se ela soubesse o assunto, ela entenderia. Subi as escadas. A porta do quarto dos meus pais estava aberta e eu entrei. Meu pai lia um livro e minha mãe penteava o cabelo.

- Preciso conversar com você, Bella...

Meu pai olhou para mim e depois para ela. Seus olhos ficaram apreensivos e Bella percebeu que o que eu ia falar era sério, a expressão de meu pai já dizia tudo.

- Deixa a gente sozinha Edward, por favor... – eu disse séria

- Eu posso conversar com você também... – ele respondeu

- Não quero pai, é só com ela.

Ele saiu do quarto e Bella guardou a escova em uma gaveta.

- Senta, Renesmee...

- Não quero mãe, eu prefiro ficar em pé.

- Que houve?

Eu olhei para meu pulso e tirei a pulseira. Ela me olhou intrigada quando eu a joguei para ela quase com desdém.

- Eu não quero isso.

- Mas eu te dei, filha...

- Eu não quero o presente que Jacob TE deu quando tava apaixonado por você...

Ela suspirou.

- Então ele te contou...

- Contou. Alguém tinha que me contar algum dia, né? Ou você achou que podia esconder a vida inteira?

- Não é isso, Renesmee, não se tratava de esconder.

- Então o que é?

- Foi uma época conturbada, uma época cheia de problemas, de pessoas querendo me matar. Jacob sofreu muito por eu não corresponder ao amor dele da mesma forma, eu sofri também porque eu o amava, mas não o suficiente pra deixar seu pai e Edward sofreu com a necessidade que eu tinha de ter Jacob por perto. No final das contas só nos machucamos e não falar sobre isso é quase como se não tivesse acontecido. Não fizemos por mal, desculpa, filha.

- Necessidade de ter ele por perto? Você...sentia atração por ele?

Ela fitou a pulseira enquanto a rodava entre os dedos.

- Não sei...ele iluminava meu dia, óbvio que criamos um laço forte. Foi ele que me manteve de pé quando seu pai foi embora achando que era o melhor pra mim.

Abaixei a cabeça pensativa. Ela parecia ter sentido por Jacob a mesma coisa que eu sentia agora.

- E ...como você parou de sentir isso?

- Quando você nasceu.

Revirei os olhos não acreditando na minha própria "sorte".

- Ah...que ótimo! Jacob está amaldiçoado a me amar por causa daquele negocio de impressão e eu também a amar ele! Você passou isso pra mim! Será que eu vou ter que ter uma filha pra não ter mais esse sentimento?

- Renesmee, não sei...não sei como isso aconteceu, mas acho que você precisa definir o que você sente por ele.

- Eu to triste mãe, eu não queria que fosse assim, eu não queria amar ele...

Eu saí do quarto dela e ela gritou meu nome, mas eu não olhei para trás. Desci as escadas me sentindo a pessoa mais infeliz do mundo. Eu amava Jacob, eu precisava dele como minha mãe havia precisado. Que tipo de pessoa era ele que fazia os outros terem tanta necessidade em tê-lo por perto? Por que meu corpo pedia tanto pelos toques dele, pelos lábios, pelo carinho, pela atenção? Por que eu tinha raiva dele em saber que ele já havia sido apaixonado pela Bella e dormido com a Leah? Ele me feria cada vez que olhava pra mim porque seus olhos eram brilhantes e ofuscavam qualquer razão que eu poderia guardar. Eles evitavam que eu quisesse recusar seus beijos. Ele me olhava de uma maneira que ninguém nunca me olhou, ele me olhava como se eu fosse a pessoa mais importante do mundo e o pior era que eu acreditava naqueles olhos. Eu acreditava no sorriso radiante dele, na maneira como as covinhas brincavam em seu rosto e me diziam que ele queria estar comigo. Aquilo me feria porque eu sabia que não era certo, eu sabia que desde que eu beijara Nahuel eu deveria ter tido um destino certo, mas, agora, eu não sabia o que eu queria, eu não sabia o que sentir.

Me segurei no corrimão respirando fortemente e sem conseguir conter as lembranças que passavam pela minha cabeça. A imagem de Jacob na garagem, o abraço forte dele, as mãos deslizando por mim, o beijo, a agressividade misturada com um carinho puro e acolhedor. Minha cabeça ainda vagava quando meu pai gritou:

- RenesmeeCarlieCullen!

Eu me encolhi ainda sem olhar para trás. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde aquilo aconteceria. As mãos de Edward me viraram com tanta rapidez que eu achei que não conseguiria ficar em pé.

- Você sonhou isso, não é? – ele perguntou enquanto seus olhos quase cor de vinho faiscavam

Eu podia sentir as mãos frias dele tremendo de leve. Eu poderia mentir, poderia poupá-lo, mas eu nunca gostei de ser poupada, não era certo fazer o mesmo agora.

- Não. -respondi

Ele me fuzilou com os olhos, mas eu mantive minha expressão o mais calma possível. A essa altura todo mundo já tinha percebido que ele tinha visto alguma coisa muito grave na minha cabeça.

- Quê que aconteceu? – perguntou minha mãe do alto da escada.

- Fala pra ela, Renesmee – incentivou meu pai indignado

Eu bufei sem paciência alguma. Meu pai às vezes era muito teatral.

- Jacob me beijou. - respondi

Eu senti que alguns dentre os membros da minha família tinham parado de respirar. Olhei encabulada pro chão e terminei a frase o mais determinada possível.

- Jacob me beijou e eu correspondi. Eu também o incentivei a transar comigo.

Minha mãe deu um gritinho assustado e levou as mãos à boca. Rosalie começou a se abanar freneticamente. Com certeza, aquilo era uma mania de quando ela estava viva porque não há necessidade disso quando se está morto.

- Que merda, Renesmee! – gritou meu pai nervoso

Nossa...pra o meu pai falar palavrão, a coisa tava feia mesmo. Ups! Acho que eu peguei a mania de Jacob Black de ir direto ao ponto.

- Jacob garanhão... – disse Emmet rindo

- Emmet eu vou bater em você se você não calar a boca. – gritou Rosalie

Ele riu.

- Sim, senhora, desculpa....

Rosalie andou até mim com uma expressão de nojo.

- Me diz querida que você está mentindo.... – seus olhos estavam esperançosos

- Quisera eu que fosse, mas....é verdade.

- Ai, meu Deus, eu vou morrer, pela segunda vez! – exclamou ela indo se sentar no sofá mais próximo.

- Renesmee, ele te machucou, ele te forçou? – Edward estava com um olhar meio psicótico e me balançou com força.

- Não, pai....já falei, eu-o-incentivei.... – disse enquanto escapava de suas mãos geladas

Bella desceu as escadas e me puxou pela mão. Sentamos perto de Rosalie.

- Você fez uma grande burrada, você sabe, não sabe?

- Eu sei mãe, eu trai o Nahuel. Eu tenho plena consciência disso e tô mal por isso.

- Você ta arrependida, não é? Não vai mais fazer isso.... – murmurou Rosalie

- Eu estou arrependida de ter traído meu namorado, mas só por este fato, não pelo ato em si.

Alice deu uma risadinha e Rosalie encostou no sofá novamente bufando.

Jasper começou a se concentrar para acalmar Rosalie que realmente parecia que teria um troço. Esme apenas sorria docemente e Carlisle resolvera nem sair do escritório para não ter que se meter naquela confusão. Era por isso que eu adorava tanto ele.

Minha mãe segurou minha mão entre as dela.

- Filha...não faz isso com o Jake...

Edward andava de um lado pra outro, mas naquela hora ele virou para Bella incrédulo.

- Ele abusa de nossa filha e você ainda se preocupa com os sentimentos dele? Bella!Ah, por favor!

- Ela queria, você não ouviu? Ele não fez nada que fosse contra a vontade dela...

Minha mãe voltou a olhar pra mim e deixou meu pai resmungando algo no canto da sala.

- Renesmee, o Jacob, ele não merece que...

Eu levantei irritada.

- Eu sei, eu sei que ele ta sofrendo por minha causa, para de me lembrar disso, eu já tenho noção, ta bem?

Ficamos em silêncio por um tempo. Alice batia as mãos de forma impaciente e ao mesmo tempo animada. Pelo jeito dela, parecia até que ela estava ansiosa para saber a continuação de uma novela muito interessante.

- Ele é um bom garoto...- disse Esme amorosa como sempre

- E ele é engraçado também – falou Alice.

- Ah, que ótimo...agora minha família ta do lado do cachorro.... – disse Rosalie irritada – Ótimo!

Rosalie levantou enquanto Emmet a seguia rindo com a situação.

- Vou dar uma volta, vocês tão quase fedendo como ele! – ela saiu pela porta em um rompante.

- Eu vou ter que concordar com a Rosalie... –disse meu pai nervoso.

- Edward, acalme-se...não é o fim do mundo. – disse minha mãe calmamente.

- Pra mim é quase isso... – ele bufou

- Deixa de ser dramático, pai...

- Edward, você até gosta do Jacob, lembra de tudo que ele fez por nós, por mim.... – minha mãe agora estava indo na direção dele.

- Isso foi antes dele querer fazer minha filha de refeição.

Alice riu de novo. Pra ela aquilo era quase tão bom quanto uma festa.

Minha mãe segurou a mão dele.

- Você precisa se acalmar, vamos lá pra cima, vou fazer uma massagem....

- Eu vou acabar com ele...- Edward murmurou

- Ta bem amor, mas agora vamos lá pra cima.

Os dois subiram. Minha mãe sabia controlar a situação quando precisava. Alice sentou perto de mim, sorriu e falou com aquela voz agitada e fina dela.

- Eu não gosto muito do cheiro dele, né? Mas acho que dá pra se acostumar e além disso, eu tenho tido umas dores de cabeça, sabe? Ele bem que podia vir mais aqui...

Eu revirei os olhos.

- Alice! Ele não é uma aspirina ou algo assim!

- Ah, sim sim...eu sei, bom...ele até que é legal e ele te adora, mas...bom, eu também gosto muito do Nahuel. Bom, só cabe a você mesma escolher.

- É, eu sei...isso é o pior de tudo.

Só mais dois dias e eu começaria as aulas. Foi isso que fiquei pensando quando deitei naquela noite, afinal, eu precisava me distrair com alguma coisa. Logo eu poderia pensar na nova rotina e nos novos colegas e isso, com certeza, seria uma boa distração. Eu também estava mais tranquila em relação ao meu poder, finalmente, eu conseguia compreender melhor o que estava acontecendo. Durante a aula com Carlisle eu até tinha conseguido ver as lembranças mais fortes dele: o dia de sua transformação e a primeira vez em que ele viu Esme. Nossa, fofíssimo, não? Foi legal, mas era meio estranho para mim, afinal, de certa forma aquilo tudo era algo muito íntimo dele, assim como as lembranças de Jacob. O engraçado é que logo eu que reclamava de meu pai em minha cabeça, ia acabar tendo um poder bem próximo dele no quesito "invasão de privacidade".

Pois é, o mundo dá voltas, a vida também.

No dia seguinte todo mundo encheu minha paciência com essa historia toda. Rosalie e Edward não paravam de reclamar, Emmet queria saber detalhes sórdidos (vê se pode!), Alice e Esme ficavam defendendo Jacob, mas lastimando por Nahuel e minha mãe não parava de falar o quanto aquilo seria difícil pra Jake. Alou! Eu to aqui! Alguém pode se importar com o que eu acho? Tá certo que ultimamente eu não tenho tido uma posição tão firme assim, mas eu precisava desabafar, talvez só assim eu fosse entender o que eu queria e deveria fazer. O pior é que Carlisle estava ocupado demais no hospital ou então pesquisando e sobre o meu poder, eu não queria encher o saco dele com mais problemas. Nahuel e Jacob seriam os outros da minha lista de desabafo, mas, como eles eram as partes envolvidas, sem chance.

Alice me acordou ainda cedo. Ela não costumava fazer isso, por isso, estranhei.

- Que houve? – perguntei ainda bocejando

- Nahuel. Ele tá lá embaixo.

Nossaaaaaaa.... legal, hein? Eu ainda não tava preparada pra encarar ele! Depois do dia anterior ainda teria que passar por uma conversa difícil!

Resmunguei baixinho, mas eu não poderia fugir a vida toda, eu sabia disso. Me arrumei e desci.

Ele estava conversando com Esme e quando eu cheguei, ela se retirou.

- Ei, não queria que te acordassem, desculpa... – ele disse e eu tive vontade de chorar

- Não tem problema...

- Então, eu queria saber como você tá, você sumiu, mal falou comigo no telefone...

- É, eu sei...me desculpa

- Aconteceu alguma coisa?

- Hum....é.

- Quer conversar? – ele perguntou com aqueles olhos amendoados me fitando com carinho

- Não. – respondi rapidinho, mas depois suspirei e terminei a frase– não quero, mas eu tenho....

- Quer dar uma volta?

- É, pode ser...

Enquanto andávamos ele falou que tinha ido até uma cachoeira muito bonita alguns dias antes. Eu fiquei mais pálida que o normal.

- Em La Push? – perguntei preocupada

Ele sorriu.

- Não, claro que não, eu sei que eu não seria muito bem vindo por lá. Eu nem tenho caminhado muito por perto da fronteira porque, afinal, eu não sei direito onde ela fica.

- Que alívio...

- Não se preocupe tanto – ele disse enquanto pegava meu queixo e se aproximava de mim.

Eu desviei o rosto apontando para uma árvore qualquer e falando alguma besteira da qual já não me lembro. Eu não queria beijá-lo, pelo menos, não antes de contar o que tinha acontecido.

Sentamos em cima de um galho forte de uma das árvores. Eu gostava de balançar os pés no ar, era uma sensação que eu gostara desde que eu aprendera a ficar sentada sozinha.

- E ai...? Vai falar ou vai esperar escurecer? – ele zombou depois de alguns minutos

Eu revirei os olhos.

- Você é muito bobo, não são nem oito da manhã.

Ele sorriu.

- Tô apreensivo, que houve? – seus olhos amendoados piscavam de curiosidade

Eu olhei para o galho observando algumas formigas tentando carregar um inseto morto. Naquele momento, eu preferia ser aquele inseto.

- Eu...hum....Nay, você sabe que eu te amo, não sabe?

Ele sorriu

- Sei, acho que sim. Por que?

- ...E que você foi um namorado maravilhoso sempre, que você me fez muito feliz, não sabe?

Seu sorriso rasgado desapareceu.

- Você quer terminar comigo? – seus olhos estavam tristes agora

- Não.

- Então o que é?

- Jacob.

Ele balançou as pernas no ar como eu estava fazendo pouco tempo atrás.

- Você o ama? – ele perguntou simplesmente e eu me senti triste, eu não queria magoá-lo.

- Acho que sim.

- Você só tem duas opções, sim ou não, qual você optaria? – ele parecia Carlisle agora, falando e olhando para mim como se pudesse me desvendar.

- Sim. – respondi

- Você não quer terminar comigo, mas você ama outro? Como isso funciona pra você, então?

- Eu amo os dois.

Ele sorriu, mas agora não era um sorriso sincero, era um sorriso de incredulidade.

- Renesmee, você não pode fazer isso.

- Eu sei!

- Não há espaço pra dois...

- Eu sei disso também, mas eu amo os dois caramba, quê que eu posso fazer?

- Não sou eu que vou poder responder isso pra você.

Ele balançou as pernas mais algumas vezes fitando os próprios pés.

- Se dependesse de mim a gente ia morar junto e ficar longe dele, mas não depende... – sua voz triste me deixou ainda pior

- Eu não sei explicar o que eu sinto. Eu não quero sentir o que eu sinto por ele, mas é mais forte do que eu...

- Atração?

- É, mas mais forte.

Ele olhou nos meus olhos e eu me senti culpada novamente. Ele era importante demais pra mim.

- Você....você o beijou?

- Sim – respondi sentindo as lágrimas brotarem em meus olhos.

Ele não parou de me encarar.

- Aconteceu mais alguma coisa?

Eu hesitei. Fitei o galho novamente, o inseto estava sendo desmontado pelas formigas. Meu coração também estava se despedaçando.

- Aconteceu... –gaguejei deixando as lágrimas rolarem pelo meu rosto.

Ele fitou o chão em silêncio, depois esfregou os olhos. Eu o conhecia. Ele estava prestes a chorar e, por isso, eu chorei mais ainda. Ele não me deixou ver as lágrimas, escondeu-as de forma quase convincente.

Ele pulou do galho e andou em silêncio. Eu fui atrás dele. Percebi que estávamos voltando o caminho que havíamos feito.

- Que houve? Você não vai falar nada? –perguntei apreensiva

Ele virou pra mim. Não havia ódio em seus olhos, apenas, tristeza.

- O que você quer que eu fale?

- Não sei! Qualquer coisa!

- Não há nada a ser dito, Nessie! – a voz dele saiu mais alta que o habitual e eu me assustei.

Ele deixou de me encarar.

- Eu fiz alguma coisa errada? Eu te magoei? Eu deixei faltar alguma coisa pra você? – ele disse fungando o nariz

- Não, Nay! Óbvio que não, você é maravilhoso!

- Não o bastante pelo visto...

As lágrimas inundavam meu rosto, minha voz tremia.

- Para com isso, você é o homem mais perfeito que eu já conheci, você é inteligente, carinhoso, você ouve o que eu falo, você é tudo o que uma garota pode querer!

- Mas ta te faltando algo, ta faltando senão você não teria ficado com outro.

- Não é isso, não tem nada haver com você, tem haver com ele!

Ele botou as mãos no bolso e me lançou um olhar machucado. Ele era esperto, mas, como qualquer homem, inseguro em certos aspectos.

- Nessie, por acaso eu tenho... deixado a desejar sexualmente?

Eu chorei mais ainda em um misto de indignação e tristeza.

- Óbvio que não! Da onde você tirou isso?

- Se eu sou tão bom no resto, só pode ser isso...

- Não é nada disso, que droga! Você é perfeito, eu já falei. A nossa primeira vez foi maravilhosa e todas as outras vezes também. A maioria das garotas reclama que os namorados são afoitos e egoístas e você é o contrário!

Ele continuava cabisbaixo. Eu segurei a mão dele.

- Você tem mais de cem anos de experiência, como poderia ser ruim? Você praticamente lê a minha mente! Sempre foi maravilhoso e eu te amo, mas eu não sei explicar, uma parte de mim ama e deseja outro também...

Ele despenteou o próprio cabelo desfazendo alguns de seus cachinhos e coçou os olhos novamente.

- E agora? O que a gente vai fazer? – ele perguntou

- Eu não queria conversar com você agora porque eu não sei direito o que fazer, mas....acho que o melhor é eu me afastar, me afastar de vocês dois. Eu preciso de um tempo pra pensar, um tempo pra mim, entende?

- Entendo.

Eu ainda tinha vontade de chorar. Por que ele tinha que ser compreensivo assim? Me deixava pior do que eu já estava.

- Acho então que chegou a minha hora de voltar para Vegas...

Eu o abracei chorando e enquanto sentia a pele macia do pescoço dele, me arrependi de tudo e tive vontade de desdizer tudo o que eu tinha falado. Eu queria falar que nunca mais veria Jacob, que nunca mais faria nada errado e que não o decepcionaria novamente, mas eu sabia, que se fizesse isso, eu estaria sendo precipitada e injusta com Jake.

- Me desculpa, eu não queria afastar você. Nay, eu te amo tanto, isso tudo é muito difícil pra mim.

Ele jogou meu cabelo para trás e me olhou com carinho.

- Pra mim também...

Ficamos em silêncio.

- Eu sei que você precisa disso e eu ia ter que voltar pra lá uma hora ou outra de qualquer forma.

Eu sabia que ele estava fazendo tudo para eu não me sentir pior e que ele estava fingindo que estava bem, só fingindo. Desejei que ele tivesse me dado um tapa na cara, teria sido mais fácil de lidar.

- Você promete que vai voltar? – perguntei rouca por causa do choro

- Quando você quer que eu volte?

- Amanhã.

Ele sorriu tristemente.

- Nessie....

- Tá bem, três semanas?

- Vou tentar.

- Por favor, eu vou me sentir muito mal se você não vier....

- Eu volto, eu prometo.

Eu o abracei novamente e o beijei. Seus lábios quase sempre eram um pouco mais frios que os meus. Ele tinha gosto de romã e eu adorava aquece gosto e aquele cheiro de sua boca. Eu adorava a maneira como ele mordia de leve os lábios como se fosse uma cobra prestes a dar o bote. Ele tinha aquele ar de perigo, de venenoso que deixava tudo mais interessante, inclusive as carícias. Eu também adorava ficar quieta junto dele, não precisávamos falar muita coisa. Nós sentíamos o outro e isso bastava. O silêncio tinha uma simbologia própria.

No momento em que nos olhamos novamente o silêncio foi assim, coberto de significado. Ele foi embora sem dizer nada. Não precisávamos falar mais nada. Ele só beijou minha mão e sumiu me deixando solitária na floresta. Talvez tenha sido assim que Bella sentira-se quando Edward a deixou. Abandonada. A diferença é que eu estava causando nosso afastamento, o que tornava aquilo ainda pior.

Voltei para casa logo depois. Todos ainda estavam nervosos e eu fingi que não ouvia os comentários, mas quando eu falei, a intenção era que assim eles calassem a boca.

- Eu terminei com Nahuel – declarei e Rosalie botou as duas mãos no rosto desanimada – e vou ficar longe de Jacob também. - conclui

Ninguém disse mais nada, mas Esme acariciou minha cabeça quando passei por ela. Minha mãe estava perto da escada e me abraçou. A lateral dos meus olhos ardiam por causa das lágrimas que eu já havia derramado. Ela me balançou levemente como se eu ainda fosse uma criança.

- Você está certa, Renesmee...é o melhor a fazer, pelo menos por enquanto.

Saí de seu abraço e sorri, mas senti um nó na garganta quando vi que ela usava a pulseira de Jacob. Ela percebeu que eu olhava.

- Gosto dela e não a uso há muito tempo, você se importa?

- Não – menti. Na verdade, aquilo ali me lembrava algo que eu não queria lembrar.

- Renesmee, isso foi há muito tempo, Jacob é um grande amigo, ele é importante pra mim também, você não precisa pensar nisso.

- Eu sei – disse, mas meus olhos desviavam dela.

Ela abaixou a cabeça.

- Mãe...- eu chamei sem ainda olhar para ela.

- Que foi, meu bem?

- Vocês se beijaram, não foi?

Ela ficou parada olhando para mim.

- Por que você não esquece isso?

- Eu quero saber!

- Mas você não precisa, não precisa saber essas coisas, esquece isso tudo, não vê que essa história só causa dor a mim, ao seu pai, ao Jacob e agora até em você?

Ela virou para ir embora, mas eu segurei seu braço e fechei os olhos. Eu sabia muito bem o que eu estava fazendo e em poucos segundos ela soube também.

Quando os abri eu estava na floresta. Podia ver Seth transformado. Vi Jacob com um rosto amargurado. Vi as lágrimas de Bella e ela lhe implorando um beijo. Eu devia ter desviado os olhos, mas não fiz isso. Ver Jacob e Bella se beijarem foi torturante. Sei que é comum que algumas pessoas fiquem paralisadas em momentos de tensão, mas nunca havia acontecido comigo, não antes daquilo. Minha consciência queria fazer meu rosto se virar, mas eu não pude. Nenhum músculo meu se mexeu, nem meus cílios piscaram. Bella correspondeu ao beijo que de agressivo se tornou um pouco mais calmo e até bonito. Senti meus olhos arderem e a imagem dos dois se desfocou com a quantidade de água salgada que se formou neles.

- Renesmee, concentre-se. Lembre da sua casa, de onde você estava, concentre-se em voltar. – soou a voz de Carlisle em minha cabeça e eu, finalmente, consegui fechar os olhos.

Eu fiz o que ele mandava, tentei lembrar de tudo que estava a minha volta antes de eu embarcar nas lembranças de minha mãe.

Abri os olhos assustada. Carlisle segurava minha testa, Edward segurava os meus ombros e todos os outros estavam ao meu redor.

- Renesmee, você ta bem? – perguntou Edward

- Tô, acho.... – minha respiração era ofegante.

Logo depois minhas pernas tremeram e eu não consegui mais me sustentar. Meu corpo amoleceu completamente e eu achei que ia desmaiar. Meu pai me segurou pela cintura e enquanto todos perguntavam a Carlisle se aquilo era efeito das visões, meu pai me carregava no colo. As vozes preocupadas e histéricas se acalmaram aos poucos, obviamente Jasper estava fazendo o trabalho dele direitinho.

Edward me encostou no sofá e eu senti as lágrimas arderem os meus olhos novamente. Abracei meus joelhos e fiquei um tempo esperando meu coração parar de pular.

Bella sentou ao meu lado e eu abaixei a cabeça entre meus braços e minhas pernas. Ela puxou meu braço me forçando a olhar pra ela.

- Por que você fez isso? Você não percebeu que eu não queria que você visse isso, Renesmee?

Eu desviei o rosto novamente e ela segurou em meus ombros me balançando com força.

- Olha pra mim! – ela gritou e eu olhei.

- Para de gritar com ela! – gritou Rosalie

Bella lançou um olhar de fúria para Rosalie, mas sua voz não saiu com raiva, apenas, dura e firme.

- Você pode amá-la Rosalie, mas não vai dizer como eu devo educá-la.

Ela voltou a olhar pra mim e eu tive vergonha de mim mesma.

- Isso não foi legal, sabia?

Eu funguei.

- Eu sei. - respondi

- Você precisa ter mais consciência das coisas que você faz e fala, Renesmee, você já ta bem grandinha pra levar bronca!

As lágrimas rolavam pelo meu rosto.

- Eu sei, mas eu to tentando fazer a coisa certa agora! Eu vou abdicar de duas pessoas que eu amo muito pra não machucá-las! Poxa, eu não sou tão forte assim, tão perfeita como vocês pensam! Eu sou mais humana do que vocês acham!

Bella segurou minha mão com zelo.

- Eu sei que você não é perfeita, nem nós somos. Eu estou orgulhosa da sua atitude de pensar em Jacob e Nahuel, mas você ainda tem muito o que aprender, por exemplo, os limites do seu poder.

Eu olhei para meu pai. Quando eu falei, apesar de olhar para minha mãe, era com ele que eu falava.

- Não sou só eu que tenho que saber os limites do meu poder. É horrível ter alguém vasculhando minha cabeça toda hora! Sabia disso?

Ela olhou para ele, depois novamente para mim.

- Você tem razão. –ela disse ainda me olhando – eu nunca me importei se seu pai poderia ler minha mente, eu sempre até desejei isso....nunca pensei pelo seu lado. – ela disse antes de levantar.

Ela subiu as escadas e Edward foi atrás dela. Era óbvio que ela havia chamado ele mentalmente e que eles conversariam. Aquilo, porém, não me deixou melhor, eu não queria que eles brigassem nem nada assim.

Alice fez carinho na minha cabeça, mas eu levantei, eu não queria ser paparicada, eu queria resolver tudo e me sentir bem novamente, só isso.

Saí de minha casa correndo em direção a La Push e quando cheguei à tribo, Leah foi a primeira pessoa que eu vi. Ela me lançou um olhar nervoso e eu percebi que suas mãos haviam começado a tremer. Eu andei na direção dela, mas eu não trazia o mesmo olhar de raiva de antes, eu não sentia raiva dela, eu sentia inveja pela conexão que ela tinha com Jacob, mas só isso. Todo o resto nela não me inspirava inveja, me inspirava pena.

- Posso conversar com você? – perguntei

- Quê que você quer? Achei que já tínhamos terminado. – ela respondeu rispidamente.

- Não vim falar sobre Jacob.

Ela me olhou desconfiada.

- É importante pra mim, mas eu sei que você ta pouco ligando pra os meus sentimentos, então se você não quiser me ouvir, não precisa.

Ela manteve a mesma expressão desconfiada. Ela estava tentada a me mandar para um lugar não muito agradável, mas também estava curiosa e foi só por isso que ela aceitou me ouvir.

Andamos para um local mais afastado. Uma clareira estava aberta no meio da vegetação e eu me lembrei perfeitamente daquele local, era para lá que eu ia quando era pequena para escutar sobre as lendas dos quileutes. As lendas deles me impressionavam, principalmente, porque eu acreditava em cada uma delas.

No chão, pude ver marcas de pés e de cinza preta. Uma fogueira havia sido acendida no dia anterior e um pouco de fumaça ainda saia do do centro da clareira.

- Que foi? Fala logo que eu não tenho o dia todo. – ela disse cruzando os braços

Eu odiava ter que fazer isso, mas eu já estava me acostumando a ter o tipo de ação que não me deixava feliz, mas que era o certo a ser feito.

- Me desculpa pelo que eu disse, foi cruel da minha parte meter o Sam na nossa briga. – eu disse rápido.

Daquela maneira, era mais fácil e menos rebaixante pra mim.

Ela me olhou desconfiada, mas agora seus olhos traziam um pouco de surpresa.

- Por que você ta falando isso? – ela perguntou um pouco alterada

Eu peguei um galho fino e mexi na fogueira apagada levantando um pouco de pó preto no ar.

- Por que eu descobri que posso ver as memórias das pessoas, só que eu não sei controlar isso muito bem, então, eu vi...eu vi várias lembranças cortadas suas e eu pude ver a sua dor.

Leah levou a mão à garganta esfregando-a contra a pele como se algo estivesse preso em sua traquéia. Ela sentou em um tronco cortado que eles usavam como banco e ficou parada o tempo todo enquanto eu voltava a falar.

- Não foi de propósito, mas eu vi – continuei – e todas as lembranças que eu vi, elas vieram cortadas e duraram pouco tempo, como flashs, mas todas, sem exceção, eram dele, eram de Sam e eu compreendi o quanto eu fui má em despertar esses sentimentos de perda novamente em você.

Ela olhou pra mim mordendo os lábios com força.

- Eu não vou agradecer pela sua piedade – ela disse com a voz falhando e quase chorosa.

- Nem eu quero isso, Leah. Eu só falei isso porque eu precisava para ficar em paz comigo, não espero nada de você, nem mesmo que você me perdoe.

Eu saí dali. Leah ficou sentada no mesmo lugar. Respirei aliviada, pelo menos daquilo eu estava livre. Ela não sabia o quanto aquilo havia sido difícil pra mim, eu não gostava dela, mas eu não podia deixar as coisas da maneira que haviam ficado. Andei com uma direção certa na cabeça. Agora vinha o mais difícil, Jacob.

PARTE 20– JACOB

Eu estava tocando violão quando senti o cheiro de Renesmee perto da minha casa. Pensei em levantar, mas logo percebi que ela vinha ate mim. Quando ela encostou na porta do meu quarto e a escancarou, senti de volta a felicidade em estar perto dela, qualquer sorriso, olhar, qualquer gesto, qualquer coisa me arremessava de volta para ela, mesmo quando eu pensava que o melhor para ela e para mim era que ficássemos longe. Não adiantava, ela sempre ia ao meu encontro trazendo a esperança mais uma vez.

- Ei, não sabia que você tocava violão. – ela disse sorrindo.

Eu toquei algumas notas de "Come as you are" do Nirvana.

- É, eu toco. Comecei a aprender a tocar depois que vocês foram embora, mas eu não tocava há uns dois anos. Peguei de volta agora. Tô um pouco enferrujado.

- Eu acho você ótimo.

- Você toca algum instrumento?

- Toco piano. Edward me ensinou. Ele adora me ouvir tocar, mas eu não sou nem de longe tão boa quanto ele.

- Aposto que você é perfeita.

Ela desviou os olhos um pouco sem graça, um pouco triste também.

Eu mudei de música. Meus dedos balançaram as cordas no ritmo da primeira música que eu aprendera a tocar inteira. "I´m yours" do Jasom Mraz. Logicamente, a música tinha todo o sentido naquele momento, aliás, em qualquer momento em que eu estivesse com ela.

- Música bonita. Não me lembro dela. –ela disse cruzando os braços.

Eu sorri para ela, mas não parei de tocar. Ela gostava e nem tinha ouvido a letra ainda....

- Um dia eu canto pra você. -respondi

Ela desviou os olhos novamente e eu senti que algo não estava bem.

- Jacob...

Eu parei de tocar. O tom da voz dela não me agradava.

- Jacob, você é importante pra mim, não quero que você ache que não é, mas...eu não posso mais te ver.

Eu senti meu coração engasgar e mudar o ritmo cardíaco. Não consegui falar nada. Ela nem olhava pra mim.

- Me desculpa, por favor... – ela começava a chorar – eu preciso de um tempo, é só isso que eu peço, não quero machucar ninguém, por favor, Jacob...entenda....

- Não....me...ver? Você não quer mais me ver?

- Não é nada definitivo, é só para as coisas se acertarem!

- Você não quer mais me ver! É isso que você vai fazer agora! Fingir que nada aconteceu! Fingir que você também não quis!

- Jacob! – ela já chorava muito.

Eu levantei e joguei o violão em cima da cama.

- Você vai ficar com ele! Vai me deixar? De novo você quer acabar comigo?

- Jacob, por favor, não é isso que eu quero, eu....

- Você só pode estar brincando comigo!

- Não, o Nahuel...me ouça...

- Eu não quero saber mais porra nenhuma, Nessie. Se você não quer mais me ver, então você não vai mais me ver!

- Para com isso! Jacob, eu te amo!

- Hipócrita!

- Eu te amo, eu te amo, mas eu preciso...

- Precisa ficar com outro? Desculpa, mas isso não é amor pra mim, não o tipo de amor que eu achei que a gente teria...

Eu passei pela porta e ela segurou minha cintura. Eu segurei o braço dela com força e senti que a pressão dos meus dedos estavam causando marcas em sua pele. Afrouxei a mão. Eu nunca poderia machucá-la de propósito. Ela chorou compulsivamente e minha alma também chorou. Eu a larguei.

- Não vai mais me ver, então. –repeti sentindo minha alma relutar contra a minha decisão

Ela escorregou encostada na lateral da porta e sentou no chão com as mãos apoiadas no peito. Lembrei de Bella, aquela era uma mania dela; apertar o peito como se fosse se partir ao meio. Meu coração se esmigalhou, lembrei da dor que eu sentira com tudo o que acontecera com uma e depois tudo de novo, mas ainda pior, com Nessie. Agora, a dor voltava somada a todas que eu já tivera até então.

Saí dali. Eu não poderia ficar mais lá sem machucar nós dois ainda mais.

Corri deixando Jacob Black para trás. Corri deixando Nessie chorando em meu quarto. Mais uma calça e tênis se rasgaram, mas eu não ligava a mínima naquele momento. Dor. Só isso existia envolta de mim. O mundo estava repleto daquilo.

Minha respiração estava pesada. O lobo em mim tentava me libertar do sofrimento, mas era difícil. Corri para longe do cheiro dela, mas ela estava em mim como uma marca, uma cicatriz, um pedaço meu, eu não conseguia deixá-la partir, ela não saía de dentro de mim. Ela se alastrava pelo meu peito e corria pelas minhas veias, ela era a única imagem que eu via antes de dormir e a única quando eu acordava. Ela preenchia minha mente, despertava em mim meu lado mais bonito cheio de amor e o mais feio também cheio de cobiça e ciúmes. Nessie, principalmente, acabava com qualquer instinto meu de autopreservação, ela valia muito pra mim e mais nada importava, nem eu mesmo importava. Ela. Apenas ela existia dentro de mim e apenas a dor existia ao meu redor.

Volta, Jacob! – gritou uma voz feminina familiar em minha cabeça

Não!!!! Me deixa, Leah!

Volta, cara! - gritou Gavin

Para com isso, você vai acabar vagando feito um doido, de novo – falou Seth

Jacob! Você está fora de si!– gritou Royce

Eu preciso, me deixem!

Você é mais forte que isso! – exclamou Alana

Para de sofrer por ela! – gritou Leah

Eu não consigo.....- respondi

Jacob, vai ficar tudo bem, tudo vai dar certo... – falou Blade

Vária vozes se misturaram e eu não pude mais compreendê-las.

Chega, todos vocês! Jacob vai fazer o que achar melhor e nós vamos respeitar! – gritou Leah com autoridade.

O silêncio se manteve por alguns segundos

Volte, Jacob. Volte quando puder. Precisamos de você. Precisamos de você bem. Melhore e volte – a voz de Leah agora era suave, quase doce.

Seth fica no comando enquanto isso – eu disse e depois não ouvi mais nada, apenas o barulho de meus músculos, meu coração e da vegetação em movimento junto ao meu corpo.

Corri para outra cidade e quando vi já estava em outra. A lua aparecia e o sol tomava seu lugar até, novamente, a lua voltar a dominar o céu. Eu conhecia o caminho que minhas patas faziam. Eram os mesmos de quando eu sofrera pela Bella, mas desta vez eu ia para mais longe. Vaguei como se fosse apenas uma alma sem direção como os espíritos ancestrais faziam. O lobo preencheu grande parte de mim e eu me deixei conduzir por ele durante muitas batalhas entre a lua e o sol.

Gente, o próximo cap. vai ser uma surpresinha. Vai ser sobre alguém que ainda não foi ouvido. Depois do próximo, vou tentar não enrolar muito mais, senão esta fic vai ficar infinita! Prometo começar a encaminhar para um fim!!!!

Enfim, até mais!

Misure