Autor: Davesmom

Nome Original: Beyond Redemption

Tradução: G.W.M.

Betagem: Anna Malfoy


Disclaimer: JKR possui tudo o que vale a pena, como Draco, Gina, Hogwarts etc. A trama e o médico Timmons são meus.

N/A: desculpem, esse capítulo é muito recortado, não flui adequadamente e eu espero que vocês me perdoem e continuem a ler. Eu tive de colocar muitas informações em um capítulo, para dar uma visão de dentro das ações de Draco. Obrigada a todos que continuam lendo. Um agradecimento especial para quem lê e comenta! Eu adoro ler as suas reviews.

Capítulo 5

Alguns meses antes, a vida estava indo bem para Draco Malfoy. No Expresso de Hogwarts, ele havia tido sucesso em aterrorizar alguns primeiranistas. Ele e seus capangas haviam atormentado algumas garotas da Lufa Lufa que estavam fora de suas cabines. Ele havia até tido uma discussão com Cabeça de Cicatriz, o Pobretão e a Sangue Ruim. As coisas estavam como deviam e estava tudo certo no mundo. Então ele saíra da cabine para correr até o banheiro. E discutir com ela.

Draco abrira a porta, dado um passo para fora e então colidira com outro estudante. Uma estudante. Uma garota baixa, atraente com cachos brilhantes e de um vermelho fumegante.

"Meu Deus", Draco desdenhou, seus lábios torcidos como usualmente. "Vocês, pobretões, nunca olham para onde estão indo? Você amassou as minhas vestes! E eu terei de queimá-las! Mas tudo bem." Ele sorriu enquanto olhava as vestes levemente gastas dela. "Eu tenho centenas".

Foi um bom insulto. Era conveniente ele dizer que agora estava sujo por ela havia o tocado e esfregava no nariz dela a sua pobreza. Ele esperou pela raiva, pela indignação ou pelas lágrimas que se seguiriam naturalmente. Então algo bizarro aconteceu. A garota o olhou, mas como se ela não o visse. Como se ela tivesse colidido acidentalmente com uma porta, uma parede. Ela olhava através dele! Draco teve o estranho sentimento de que ele sequer estava ali. Ele quase se beliscou para se certificar de que estava ali! Então, sem sequer encolher-se, ela passou direto por ele.

Draco estava tão surpreso que deixou que ela se afastasse. Pelo resto da viagem, ele permaneceu repassando a cena em sua mente, tentando entender como ela o havia ignorado completamente. O fato de que alguém que ele considerava inferior havia ignorado-o tão facilmente o irritava.

À hora em que chegara a Sonserina, após o banquete de boas vindas, ele decidira que a garotinha Weasley nunca mais se afastaria daquele jeito.

No entanto, no segundo mês na escola, Draco estava em um estado quase constante de fúria. A pobretona não apenas agia como se ele não existisse, ela estava cursando uma de suas aulas. E indo melhor que ele! Era enlouquecedor! Era enfurecedor! E Draco dizia a si mesmo, diariamente, que isso era inaceitável. Ele desdenhava dela e ela o ignorava. Ele a insultava, a sua família, a sua aparência, suas habilidades, e ela agia como se ela não o ouvisse. Até mesmo uma pulga ou um mosquito teriam obtido alguma reação dela!

Na verdade, a única vez em que a pequena pobretona parecia realmente vê-lo era quando ele estava jogando Quadribol! Então, o olhar afiado e penetrante dela parecia ver cada movimento dele. Ela parecia detectar cada pequeno erro cometido por ele ou por um colega de time. O time dele ainda não jogara com a Grifinória, mas ele sentia os olhos dela sobre ele. Oh, ele sabia que ela não o observava com admiração. Ela estava espionando para seu time. Ela estava procurando por qualquer fraqueza, qualquer fresta na defesa da Sonserina que ela pudesse explorar para seu jogo. Ele havia tentado a mesma coisa quando a Grifinória jogara contra a Lufa Lufa e a Corvinal. Ele tentara se livrar do jogo dela, encarando-a durante os jogos, mas ela novamente parecia não percebê-lo.

As coisas continuaram inalteradas por algumas semanas. Os feriados de Natal se aproximavam e Draco iria para casa nas férias. Ele não estava realmente desejando isso, uma vez que significava visitas incessantes aos amigos de seu pai, a maioria Comensais da Morte e escaladores políticos. Seu pai havia insinuado que o Lorde das Trevas poderia visitá-los! Draco tremia com isso. Voldemort podia ser poderoso e apavorante, mas também era uma criatura repelente. Draco se lembrava da única vez em que vira Voldemort. O homem, ou criatura, ou o que fosse que ele era havia até tocado a cabeça de Draco, arrepiando seus cabelos sedosos. Draco havia abominado tanto o gesto quanto o toque. E ele havia sentido que havia alguma coisa que não estava certa com o bruxo das trevas. Alguma coisa nele não parecia real. Mas seu pai o apoiava, e Draco concordava que a influência dos trouxas e dos sangue-ruins na comunidade bruxa precisava ser impedida.

Faltavam apenas alguns dias antes dos feriados e Draco estava achando a atitude da pequena Weasley intolerável. Ele decidira que teria a atenção dela, a forçaria a tomar conhecimento dele antes de partir. O que daria a ela duas semanas para que ficasse doente de preocupação com o que ele faria quando voltasse. Oh, ele não iria machucá-la seriamente; apenas lhe dar um bom sacode. Era uma boa idéia, ele pensou. E por causa disso, sua vida nunca mais seria a mesma.

Na manhã de quinta feira, antes dos feriados, Draco estivera tentando pensar em uma maneira de chegar até a pequena Weasley. A única vez que ele jamais a vira sem o amigo negro e alto ou sem seu irmão e os amigos dele fora na aula de Curas Mágicas. Mas, como a próxima aula da Sonserina era na direção oposta da aula da pobretona, ele teria de forçar o assunto. Ele decidira segui-la pelo caminho para a próxima aula dela até que estivessem bem longe de qualquer um. Olhando de soslaio para Crabbe e Goyle, que estavam indo com ele para o café, decidiu não contar a eles. Eles iriam querer ir junto e ajudar. Draco não planejava fazer algo que pudesse causar sua expulsão, apenas queria assustar um pouco a Weasley. Se aqueles dois imbecis fossem, as coisas poderiam sair de controle.

Ao entrarem no Salão Principal, Draco percebeu-se procurando por ela. Ele finalmente a avistou, sentada de costas para ele, no centro da mesa da Grifinória. Enquanto esperava pela comida, ele dedicou toda a sua atenção para um ponto nas costas dela. Ele tentara forçá-la a senti-lo por várias semanas, mas até agora, nada havia acontecido. Ele havia usado seu talento antes, quando tentava intimidar os outros, e tivera sucesso. Mas ela nunca percebera nada. Draco tentou dizer a si mesmo que ela era apenas estúpida demais para perceber o perigo, mas ele sabia que ela era tudo, menos estúpida. Ele não podia considerar, sequer admitir, que à vontade dela poderia ser mais forte do que ele suspeitava. Porque se ele considerasse isso, ele teria de considerar que ele estivesse errado em outras coisas também.

Draco continuou encarando-a, concentrando-se. Ele estava prestes a desistir quando ela endireitou-se subitamente. Ele a viu contrair os ombros, como se tentasse aliviar alguma dor e então balançar a cabeça levemente de um lado para outro. Ele se sentiu exultante! Ele conseguira! Ela estava se virando para ele quando a comida apareceu, quebrando sua concentração. Enquanto ele observava, ela sacudiu a cabeça levemente, confusa, e então voltou a conversar com sua amiga.

Draco sorriu enquanto comia seu café da manhã. Estava funcionando! Mais alguns segundos e ela teria olhado para ele! Ela saberia que ele tinha o poder de afetá-la sem sequer tocá-la! E em breve, dentro de apenas algumas horas, ela descobriria que ele tinha ainda mais poder sobre ela. Ele decidiu que aquele seria um grande dia!

As duas primeiras aulas eram a coisa chata de usualmente. O professor de História da Magia divagava sobre a derrota do bruxo "maligno" Grindewald, elogiando aquele velho tolo Dumbledore. Draco rolou os olhos. De acordo com seu pai, Grindewald tentara fazer o que Voldemort estava fazendo. Ele tentara depurar a sociedade, esmagando a crescente maré de Sangue-Ruins que infectavam a comunidade bruxa. Ele tentara manter o sangue puro, como deveria ser!

E Voldemort estava tentando fazer o mesmo! Se seus métodos eram extremos, bem, havia montes de corações amantes de trouxas que precisavam ser eliminados. Como os Weasleys! Eles eram uma família puro sangue bruxa, mas eles apreciavam a honra que isso significava? Não! Eles se uniam aos sangue-ruins, como aquela Granger. O pai deles trabalhava com objetos trouxas, tentando proteger os estúpidos trouxas de objetos enfeitiçados. Draco até ouvira que um deles estava saindo com uma trouxa! Era um ultraje!

Ele pensou na Weasley novamente, dando uma olhadela ao relógio para ver que a aula terminaria em alguns minutos. Ele mal podia esperar!

Enquanto se apressava para Curas Mágicas, Draco planejava o que diria à garota. Ela não se encontrar em lugar algum no corredor, então ele abriu a porta da sala de Curas Mágicas e olhou para dentro. Droga! Ela já estava em seu lugar. Tudo bem, Draco pensou. Ele ainda a pegaria depois da aula.

A aula se arrastava lentamente, o relógio de parede mal parecia se mexer. Então o professor apanhou um livro diferente. Era o livro que eles estavam prestes a começar, no novo semestre. Mas o estúpido estava esperando que eles já o estivessem lendo?

"Senhorita Weasley, eu estou certo de ter visto a senhorita folheando esse livro na biblioteca, semana passada. Estou certo?". O médico perguntou para a pequena Weasley. Até mesmo dos fundos da sala, ele pôde ver o fluxo vermelho subindo o pescoço dela.

"Eu suponho, uh, que eu talvez tenha dado uma olhada, senhor". A garota parecia uma idiota! Antes que pudesse se conter, Draco fez um comentário baixinho.

"Ela supõe que ela pode ter dado uma olhada. Claro, sendo uma Weasley estúpida, ela não teria certeza".

Pansy e Blaise, sentados um de cada lado de Draco, riram dissimuladamente, a risada sibilada de Pansy soando como uma cobra tendo um ataque. Mas a pobretona não fez nada. Ela sequer cerrou os punhos. Ela tinha de ter ouvido. Ele estava prestes a adicionar outro comentário sobre ser estúpido e ser surdo, quando o médico se aproximou.

"Ora, ora, você certamente tem muito a dizer, sr Malfoy". Draco não podia acreditar que o médico o havia escolhido. Ele não sabia com quem estava lidando? Draco mal ouviu o resto, além do médico lhe dizendo que não toleraria brigas pessoais em sua aula. E era tudo culpa da Weasley! Ela o havia metido naquilo! E ela pagaria por isso!

O médico ainda estava tagarelando, algo sobre uma prova. Cinco pontos para cada resposta correta. Draco se levantou e começou a se concentrar. Ele seria condenado antes de deixar a pequena vadia responder uma pergunta sequer. Além disso, havia oito sonserinos e apenas uma grifinória.

A primeira questão era muito fácil. Ele surpreendeu que nenhum dos outros sonserinos havia erguido a mão. Ele estava ainda mais surpreso de que a pequena Weasley sequer tentara.

"Até mesmo um sextanista saberia essa", ele sorriu silenciosamente.

A próxima questão veio e a Weasley respondeu rapidamente. Ele estava surpreso e com raiva, mas ele podia dar a ela uma resposta. Ela respondeu a seguinte e a seguinte. Quando a classe terminara, ela havia respondido dezesseis questões, sozinha. Draco estava lívido. Ela não apenas havia feito os sonserinos parecerem tolos, mas os outros sonserinos não haviam respondido uma questão sequer! Eles haviam deixado tudo para ele! E agora eles o olhavam como se fosse culpa dele a humilhação que a Weasley os fizera passar! Que se danassem, todos eles! E especialmente, que a Weasley se danasse!

O médico dispensara a classe, mas pedira para a Weasley ficar. Draco percebeu em um instante que era essa a sua chance. Ele saiu apressado da sala, dizendo a Crabbe e Goyle que os encontraria mais tarde. Ele então encontrou um corredor sem saída e esperou. Suas entranhas ainda davam um nó devido ao incidente na classe. Ele não podia deixá-la ir embora o humilhando daquele jeito! Draco subitamente congelou. Ela estava vindo! Ele deixou sua mochila de livros de lado, cuidadosamente e aproximou-se furtivamente na escuridão.

Weasley estava com pressa. Não queria se atrasar para a próxima aula, ele desdenhou para si mesmo. Mas ela ficaria muito atrasada se ele tivesse alguma coisa a ver com isso! E então ele a viu, os cachos se movimentando, as vestes zunindo enquanto ela passava apressada. Ele agarrou o braço dela, arrastando-a para o corredor.

Draco a atirou contra a parede e a prendeu ali com seu braço. Ela ofegou quando atingiu a parede, mas não emitiu nenhum outro som. Draco puxou o pulso dela para as costas dela, esperando por algum som, algum movimento dela. Ele queria que ela lutasse, que gritasse. Em vez disso, ela estava em silêncio. Ele se inclinou para frente e sibilou em sua orelha.

"Você se acha tããããão esperta, não, Weasley? Você me fez parecer um palhaço. Agora eu vou fazer com que se arrependa de ter nascido".

Draco estudou o pouco que podia ver do rosto dela. Ela parecia calma, como se ela não se importasse com nada no mundo! Ele esperou. Certamente ela iria gritar ou pedir que ele parasse. Mas ela permaneceu em silêncio.

"Nada a dizer, Weasley?", a raiva de Draco explodiu. Ela ainda o ignorava! Ele torceu seu pulso mais para cima, certo de que agora ela gritaria. "Você tinha muito a dizer na sala, não era? Teria feito melhor deixando a boca fechada, pequena Weasley. Agora, você pode gritar o mais o alto que conseguir, ninguém vai te ouvir! E talvez", ele baixou a voz para um quase apelo, "se você me implorar direitinho, eu não te machucarei muito".

E então ela finalmente falou. "Covarde!", ela sibilou para ele. A única palavra trazia uma abundância de desprezo, mas nenhum medo. Ele pressionou mais fortemente contra o braço dela, perguntando incredulamente "Do que você me chamou?".

"Você-É-Um-Covarde-Draco-Malfoy!", ela disse. Lenta e cuidadosamente, para ter certeza de que ele entendera tudo! Já era demais! Ele a virou e agarrou a garganta dela. Ele a estrangularia! Ninguém falava daquele jeito com ele! Ele estreitou seu aperto, esperando que ela finalmente reagisse. Em vez disso, ela puxou suas mãos e continuou a ofendê-lo.

"Deve estar orgulhoso, Malfoy! Tão corajoso e forte! Batendo em uma garota com a metade do seu tamanho!".

"Vagabunda!", ele disse quando as palavras dela o atingiram. Ele ergueu a mão, mas nesse instante ele percebeu que ela estava certa. Ele olhou o rosto machucado dela e viu que estava agindo como um covarde, tentando bater em uma garota que nunca conseguiria igualar a sua força. E por quê? Porque ela não o olhava? Porque ela não tinha medo dele? Ele sentiu sua raiva refluindo e estava afrouxando o aperto na garganta dela quando ela revidou.

Dor explodiu em sua virilha! Ela subiu para seu estômago, irradiou-se por seu corpo e finalmente atingiu seu cérebro. Ele caiu no chão, conseguindo apenas proteger-se com as mãos e lutar para não vomitar. Ele não sabia que existia tanta dor no mundo. Nem mesmo as surras que seu pai lhe dera, quando criança, doía assim! E fora aquela pobretona que fizera isso!

Ele ouviu a Weasley sufocando e tossindo, lutando para respirar. Mesmo em meio à dor, ele percebeu o quão perto estivera de realmente machucá-la. Claro que ela havia reagido! Deuses! O que ele estava pensando? Ele abriu os olhos e a viu tentando pegar sua bolsa. Ela se esticou cuidadosamente, mas tinha que passar perto dele. Ele se esticou e agarrou o tornozelo dela, tentando puxá-la para perto, para lhe dizer que havia saído de controle. Mas ela entrou em pânico! Ela se sentou e começou a chutá-lo, fortemente.

Draco ouviu o estalo quando os ossos de seu antebraço se quebraram. Dessa vez, a dor quase o esmagou. Ele puxou seu braço de volta e tentou aliviar a dor. Ele sentiu a escuridão se esgueirando sobre ele e encarou a Weasley, que causara tudo aquilo. Ela estava se precipitando para longe dele, o medo que ele havia procurado nela agora escrito claramente em seu rosto. E então o medo se fora. Ela parecia se sentir... culpada! Mas não podia ser! Era um truque para aplacar a raiva dele, ele pensou. Quando seus olhos se encontraram, ele lhe disse entre dentes, "Ainda não acabou, Weasley!" E então, Draco perdeu a consciência.

A dor em sua virilha havia se tornado uma pontada maçante quando Draco finalmente voltou a si. O pulso, no entanto, urrou de dor quando ele o moveu. Procurando desajeitadamente sua varinha, com a mão direita, ele a tirou do bolso de suas vestes. Então ele olhou estupidamente para a varinha e a deixou cair no chão. Como alguém remendava um pulso quebrado? Especialmente quando era o pulso usado para fazer feitiços. Os feitiços para ossos pareciam ter fugido de sua mente. Ele franziu a sobrancelha ao perceber que a Weasley poderia resolver isso em minutos. Ele se sentou e tentou se lembrar dos feitiços certos, mas só conseguiu relembrar o que acontecera com a Weasley.

Ele deveria ser açoitado por perder a calma tão facilmente. Há essa hora, ela já devia estar no escritório de Dumbledore arranjando sua expulsão imediata. Draco se perguntou se a culpava. Ele não quisera bater nela; ele sequer quisera a machucar. Ele só queria assustá-la, forçá-la a tomar conhecimento dele. Mas ela certamente o surpreendera. Ele iria se impedir, de qualquer jeito, mas ela o impedira muito eficientemente. Ele sabia que era muito mais forte do que ela, mas ela quase o aleijara de dor. Ele sequer fora capaz de dizer mais que algumas palavras e então desmaiara.

Draco inclinou a cabeça para trás e fechou os olhos. O latejar em seu braço ainda era horrível, mas ele o ignorou. Ele não era estranho à dor; ele apenas não esperara experimentá-la nesse trimestre. Ele tinha duas opiniões sobre a Weasley agora. Parte dele queria fazê-la pagar por lhe causar essa dor. Se ele a deixasse ir embora assim, ela acharia que o tinha vencido. Mas a sua outra parte admirava a força com que a pequena Weasley o enfrentara. Ele precisara quase estrangulá-la, mas ela o fizera.

A última coisa no mundo que Draco queria fazer era admirar Virginia Weasley. Ela era sua inimiga. Ela o tratava como se fosse invisível. Ela era uma amante de Trouxas e amiga de Sangue-Ruins. Mas ela também era inteligente, corajosa e forte! Draco decidiu que a dor estava finalmente afetando-o, ele não estava pensando direito. Ele sacudiu a cabeça e fez uma careta devido à dor em seu pulso. Essa devia ser sua primeira preocupação. Ele iria curar a si mesmo, arranjar um álibi e então decidir o que fazer com a pobretona.

Draco ergueu a varinha desajeitadamente com a mão direita e pensou duramente. As palavras para feitiços para remendar ossos finalmente voltaram. Ele murmurou um feitiço e bateu no pulso esquerdo desajeitadamente. Nada aconteceu. Com um xingamento, ele reposicionou a varinha. Ele tentou novamente, mas novamente nada aconteceu. Finalmente, alguns feitiços, ele acertou. Ele podia sentir os ossos se ligando novamente. Era quase tão doloroso quanto o ferimento original, e Draco xingou a Weasley de novo e de novo.

Mais de uma hora depois, o pulso de Draco havia se curado o suficiente para que não doesse. Ele se levantou cuidadosamente, estremecendo com a dor contínua em sua virilha. Ele não tentaria fazer nada ali. O pior da dor havia passado e ele percebeu que podia conviver com a que sobrara. Ele apanhou sua mochila de livros, devolveu sua varinha ao seu bolso e seguiu para a ala hospitalar. Ele iria reclamar de dor de estômago, conseguir um passe para liberá-lo da sua aula perdida e então almoçar. Ele podia esperar até o término das aulas para decidir o que faria com a Weasley. Até lá, ele tinha de agir como se nada tivesse ocorrido.

Naquela noite, no salão comunal da Sonserina, Draco foi emboscado por Crabbe e Goyle. Ele perdera a quarta aula do período e eles sabiam que ele não estivera na ala hospitalar por todo aquele tempo.

"Vamos Malfoy", Crabbe disse. "Você parecia pronto a cuspir pregos depois de Curas. O que aconteceu? Por que você não apareceu em Transfiguração?".

Draco olhou para os dois jovens que eram a coisa mais próxima de amigos que ele conhecia. Ele não confiava neles. Sabia que eles reportavam tudo o que ele fazia a seus pais, e não gostava do pensamento deles reportarem a sua pequena confrontação com a Weasley. Isso não apenas o faria parecer ainda mais tolo que a prova mais cedo fizera, mas um impulso estranho lhe disse para não revelar a sua quase-obsessão pela garota a eles. Ele tentou despistá-los, mas eles estavam mais persistentes que o normal. Finalmente, para tirá-los de suas costas, ele lhes deu um relato superficial de seus contratempos com ela. Não deu os detalhes, mas deu o suficiente para que eles rolassem no chão, rindo.

Dando-lhes um olhar azedo, ele declarou que estava indo jantar e que se eles quisessem gastar seu tempo rindo como idiotas, era direito deles. Eles finalmente sufocaram suas risadas e se juntaram a ele.

Draco imediatamente avistou a Weasley na mesa da Grifinória. Ela estava sentada de frente a ele, mas estava encarando a mesa. Isso era bom! Ela devia estar com medo de olhar para ele. Enquanto ele a observava, ele percebeu que ela começara a conversar com seus amigos, como se nada tivesse acontecido. Quando a comida chegou, ela comeu com o mesmo apetite de sempre! Ela estava fazendo de novo! Qualquer admiração que Draco tivesse sentido foi instantaneamente afastada para longe. A vadia insuportável nem sequer se importava que ele quase a matara. Ela curara a si mesma e agora lhe dizia, por suas ações, que ele não valia a preocupação dela! Ele a fulminou com o olhar, desejando ir até ela e arrancar o garfo de sua mão. Ele queria tirá-la de seu lugar e a arrastá-la para fora do Salão Principal. E então... então ele iria... ele parou. Ela parou de comer e então olhou ao redor, em pânico. Seus olhos encontraram os dele e se arregalaram. Ela HAVIA sentido o olhar dele!

Draco sorriu. Era o que ele queria. Ele queria que ela soubesse que ele era alguém a ser considerado, e agora ela sabia. Os olhos dela ainda estavam arregalados e amedrontados e Draco sorriu mais abertamente. Então ele franziu a testa. O olhar dela tornara-se vazio. Ela ainda o olhava, mas não o via mais. De alguma forma ela havia deslizado para longe novamente! Como ela fizera isso? Ele concentrou-se nela novamente, tentando trazê-la de volta do lugar para onde ela fora, quando a amiga dela a cutucou, fazendo com que ela quebrasse o contato visual com ele. Ela sacudiu levemente a cabeça, e então deu à sua amiga um pequeno sorriso, corando.

Era enlouquecedor! Ele tivera a atenção total dela por menos de dez segundos. Draco sentiu a fúria brotando novamente, mas dessa vez ele a sufocou enquanto estudava a insignificante garota que a causara. Ela e sua amiga se levantaram, sua amiga parecendo séria, mas a Weasley parecia apenas distraída. O que havia nela que o deixava tão insano, de qualquer forma? Por que ele estava gastando toda a sua energia com ela? Ele não sabia e não queria saber. Ele não estava acostumado a questionar seus próprios motivos. Enquanto ele observava a Weasley e sua amiga saindo do Salão Principal, ele decidiu que teria de deixar as coisas como estavam, por agora. Se ele continuasse como estava, ele iria conseguir a sua expulsão, ou pior.

Draco se convencera de que devia deixar a Weasley em paz por enquanto, mas todos os seus argumentos fugiram de sua cabeça no momento em que pôs os olhos nela na manhã seguinte. Crabbe e Goyle haviam percebido a sua distração com a ruiva na noite anterior. Agora eles estavam tentando conseguir mais detalhes dele, mas ele estava tentando ignorá-los. Então, ela veio apressada pelo corredor na direção deles. Draco a viu primeiro, e sentiu suas entranhas se contraírem quando os olhos dela passaram direto por ele, pousando sobre Crabbe. Então, inacreditavelmente, Crabbe deu um passo à sua frente, bloqueando seu caminho e deixando a pequena Weasley escapulir para a sala de aula.

"O que diabos você está fazendo?", Draco exigiu em um sussurro, tentando passar por Crabbe.

"Nós não sabemos o que está acontecendo entre você e a Weasley, mas eu e Goyle já temos planos para ela!", Crabbe sibilou de volta.

Draco o olhou, surpreso, mas então seus lábios se torceram em seu usual sorriso de desdém.

"Planos? Que tipo de planos dois idiotas como vocês teriam para uma garota como ela? Você acha que ela olharia duas vezes para um de vocês?", Draco estava prestes a empurrá-lo para longe quando viu a expressão sombria e astuta de Crabbe passar para Goyle. Goyle pegara alguma coisa em seu bolso e a corria por sua mão cuidadosamente. Era uma fita de cabelo longa e verde.

"Ela não precisa olhar para nós pelo que nós queremos", Crabbe disse, com uma risadinha estridente. "Nós só usaremos um feitiço de controle com esse pedaço de fita e ela será nossa entrada".

Draco percebeu que a fita de cabelo devia ser da Weasley. Aqueles dois estavam planejando usar a fita em algum feitiço para ganhar poder sobre ela, e então eles provavelmente a raptariam quando estivessem prontos! Ela seria o sacrifício deles para se tornarem Comensais da Morte!

"Vocês dois? Comensais da Morte?", ele abaixou ainda mais a voz, incredulidade lutando com contentamento. "Vocês provavelmente terminariam se matando. Agora me dêem isso, antes que todos nós sejamos expulsos!".

Mais alto, ele acrescentou, "Seus estúpidos. O que diabos vocês acharam que estavam fazendo?". E então, rapidamente, antes que eles conseguissem reagir, Draco agarrou a fita e a enfiou no fundo do bolso de sua própria calça. Goyle soltou um pequeno grasnido de protesto, mas Crabbe agarrou Draco pela frente de suas vestes e o jogou contra a porta. O garoto maior então ergueu Draco do chão, ainda o encurralando contra a porta.

"Devolva, Malfoy", Crabbe murmurou raivosamente.

Draco torceu seus lábios no estilo patenteado dos Malfoy. "Pegue, seu estúpido!".

Crabbe aparentemente não queria levar Draco assim tão longe. Em vez disso, ele tentou pressioná-lo mais fortemente contra a porta, enterrando os punhos no peito de Draco.

"Apenas devolva, certo?", Crabbe disse ameaçadoramente.

Draco arregalou os olhos. Vincent Crabbe estava ameaçando-o? Oh, isso já era demais. Primeiro a pequena Weasley, agora esses dois imbecis! Draco agarrou o pulso de Crabbe e começou a apertar. Ele encarou diretamente os olhos raivosos de Crabbe e torceu o pulso do jovem enquanto apertava. Era uma questão de pressão e estratégia; pressão nos delicados ossos do pulso e torção contrária aos movimentos naturais do pulso. Mas funcionou rapidamente contra a agressão de Crabbe. A dor em seu pulso tornou-se insuportável e ele soltou Draco abruptamente. Draco estava prestes a discutir com os dois, mas viu o Médico Timmons virando o corredor em seu caminho para a aula. Ele não podia acreditar no que acabara de acontecer. Vincent Crabbe tivera o atrevimento de ameaçá-lo! Draco não estava sequer pensando mais na Weasley, até que ela virar seus olhos grandes e levemente perturbadores na direção dele.

Draco quase parou de andar. Ela estava olhando diretamente para ele, um franzimento vincando sua testa. Ele caminhou atrás dela, percebendo que os ombros dela se enrijeceram levemente. Então ela não era imune a ele! Ele estendeu a mão, querendo dar um puxão em seus cabelos, mas no momento em que seus dedos tocaram a pele delicada do pescoço dela ele percebeu que não podia. Ao invés disso, a despeito dele, seus dedos se enrodilharam ao redor da mecha sedosa e brilhante que ele capturara, e a seguraram delicadamente, acariciando-a com seu polegar. Ele se perguntou como seria correr seus dedos pela massa cacheada e brilhante.

Então, subitamente, ele teve raiva de si mesmo. Ela era uma Weasley e uma grifinória. Ele não se importava com o quão delicado o cabelo dela era ou o quão corajosa ela era. Ele deu um pequeno puxão na mecha, apenas para lembrá-la de que ele era maior e mais malvado que ela. Ele se inclinou levemente sobre ela e sibilou, "Lembre-se, ainda não terminou, pequena Weasley".

Draco soltou a mecha e deslizou para seu lugar. Ele sentiu os olhos dos outros sonserinos sobre ele e soube que eles estavam se perguntando o que acontecera. Ele estava se perguntando a mesma coisa. O que diabos acontecera com ele? Ele estivera planejando ignorar a pobretona, mas no segundo em que a vira, ele estava pronto para recomeçar as hostilidades. Ele não ligava a mínima se Crabbe ou Goyle tivessem seus traseiros estúpidos chutados da escola, menos ainda se ele pulara para o meio dos planos dele. Pelo que ele sabia, eles tinham vários itens pessoais da Weasley. Por que a visão da fita de cabelo o deixara com tanta raiva? E, quando ele planejara se redimir a seus próprios olhos, fazendo algo totalmente rancoroso, ele não conseguira. Nada parecia dar certo desde que ele decidira fazer a Weasley percebê-lo.

Mesmo agora, esperando enquanto o Médico Timmons passava alguma tarefa, Draco não conseguia manter seus olhos longe das mechas brilhantes e ruivas que o irritavam tanto no passado. Ele percebeu como elas roçavam o pescoço longo dela e como balançavam levemente quando ela mexia a cabeça.

Draco cerrou os punhos com força. Pelos deuses, era nauseante! Era ridículo! Ele NÃO deixaria uma ninguém pobre e pequena como a Weasley atingi-lo! Nem agora, nem nunca! Draco deu uma olhadela na folha que o médico lhe dera e automaticamente preencheu a maior palavra. Ao se concentrar em cumprir a tarefa, olhando apenas de vez em quando para a garota esbelta à sua frente, Draco começou a preencher os vazios furiosamente.

"Dez minutos!" O médico avisou. Draco estava preenchendo a última palavra. Ele quase se levantou para exigir seus pontos, quando viu que a Weasley também estava quase acabando. Ele esperou até que ela se levantasse, então ergueu seu papel e disse, "Terminei, senhor".

A Weasley enrijeceu, mas não se virou para olhá-lo. Tudo bem, Draco pensou. Ele ainda não tinha certeza do que fazer com ela. Mas uma coisa era certa. Ele a pegaria sozinha depois da aula. Então ele decidiria o que fazer com aquele pequeno espinho. Ele não estava realmente prestando atenção na aula até a Weasley ir até a escrivaninha do médico e conversar baixinho com ele. Ele não ouviu a conversa, mas quando a Weasley voltou para seu lugar, ela se sentou e guardou seu livro. Ela parecia estar tomando cuidado com seu braço direito, o que ele torcera em suas costas. Draco se perguntou por um momento se ele realmente a havia machucado, mas então viu Goyle com o canto de seus olhos. Gregory Goyle estava dando à Weasley um olhar ridiculamente preocupado e gesticulando para que ela se apressasse. 'Que diabos', ele se perguntou. A weasley se levantou e olhou para Draco. A expressão em seu rosto era de ansiedade e de algo que ele não conseguia nomear. Ele olhou de volta, se perguntando o que ela iria fazer. Por que ela estava se preparando para sair assim tão cedo? Ele teria de praticamente correr para alcançá-la quando a aula estivesse terminada. A voz do médico interrompeu seus pensamentos.

"Srta Weasley, você não tinha algo que precisava fazer?".

A Weasley virou-se para o professor e lhe deu algo parecido com um sorriso de alívio. "Sim, senhor. Obrigada, senhor, e Feliz Natal!".

E então a Weasley se fora. Draco fumegou. Ela planejara aquilo, a pequena e conivente harpia! Agora ele nunca conseguiria apanhá-la. Ele deu uma olhadela a Crabbe e Goyle e viu que eles pareciam bem agradecidos. Ele estreitou os olhos para eles. Eles deviam querer que ele ficasse longe da pequena Weasley. Talvez eles pensassem que ele tinha seus próprios planos para ela. Bem, ele refletiu, ele tinha. Mas os dele não incluíam mais ninguém. Qualquer coisa que ele tivesse planejado para ela, ele faria em particular.

Após uma eternidade, a sineta finalmente tocou. Crabbe e Goyle se levantaram, parecendo determinados em impedi-lo de seguir a Weasley. Felizmente, o médico insistiu que aqueles que não tivessem completado as palavras cruzadas (todos, exceto Draco e a Weasley) ficassem e a entregassem individualmente para que ele pudesse avaliar o que eles haviam completado. Draco pulou de sua carteira e quase correu da sala. Ele sabia o caminho que a Weasley faria e se apressou pelo corredor. Ele passou pelo corredor onde a havia emboscado no dia anterior, nem sequer dando uma olhadela nele. Ela estava em algum lugar à frente e ele se apressou para encontrá-la.

Draco estava se aproximando da curva que o levava às escadas quando a ouviu atrás dele.

"Malfoy!" Ela sussurrou alto.

Draco girou, surpreso. Ela estava se aproximando dele lentamente, cautelosamente, com sua varinha na mão. A expressão de determinação seria levemente amedrontadora se não fosse engraçada. Mas, novamente, Draco sentiu um puxão rancoroso de admiração. Ela parecia determinada em desafiá-lo, apesar das imparidades. Ele deu um passo cuidadoso em direção a ela, sabendo que ela nunca o atacaria sem provocação.

Ele ergueu a mão e deixou sua voz baixa e persuasiva. "Abaixe isso, Weasley. Você sabe que não irá usar isso".

Ele estava a apenas alguns passos de distância, quase perto o suficiente para arrebatar a varinha dela de sua mão. Então ele viu os olhos dela se endurecerem enquanto ela mirava diretamente em seu peito. 'Meu Deus', ele pensou, surpreso, e incrédulo ao mesmo tempo. Ela realmente iria fazer aquilo! Seu último pensamento consciente foi de que ela nunca parecera mais assombrosa.

Então ela gritou seu feitiço e o mundo de Draco mergulhou em escuridão.


N/T:

Wow! Que reviravolta! Espero que tbm fiquem surpresos com esse cap, pq eu fiquei e mto!

G.W.M.

Nota do Grupo:

Aqui está o cap. Ele demorou mais que os outros porque houve um pequeno problema na comunicação, não é G.W.M.? rsrsrsrsrs.

Antes dos agradecimentos, eu gostaria de fazer uma pequena ressalva aqui. Não citando nomes, porque esse problema não só ocorreu nessa fic, eu quero deixar bem claro que o trabalho que eu e as outras tradutoras fazemos não é um obrigação.

Nós fazemos isso porque gostamos e achamos que os outros fãs de HP merecem ler boas fics, mesmo que essas estejam em inglês ou espanhol. Quanto ao problema da postagem, eu assumo que sou a culpada. Infelizmente, eu tenho que estudar e fazer estágio, não podendo passar todo o meu tempo em frente ao pc, mas infelizmente eu preciso de um diploma. Deve ser muito bom não precisar de um. Então, eu apenas posso assegurar que dou o máximo de mim e se isso não é bom para todos, só posso dizer que lamento.

Então deixando bem claro que o trabalho dos tradutores, como bem diz Dana Norram, "não tem qualquer remuneração. Logo ninguém do grupo vive exclusivamente para o grupo. Mas se vocês estiverem dispostos a fazer doações... talvez alguns dos integrantes estejam dispostos a desistir de suas vidas pessoais e viver exclusivamente para o grupo. Que acham?" LOL!

Nossos agradecimentos à: Ruivinha Malfoy, Miri, miaka, Kirina-Li, Cris Malfoy, Hannah, Bebely Black, Nathyzinha Malfoy, PiuPotter, Liriel Lino, SafirA-StaR, Lee Magrock e Helena Malfoy.

Esperamos mais reviews! Suas reviews incentivam o nosso trabalho!

Beijos para todos...

Anna Malfoy – Os Tradutores