Sábado, dia 16 de Dezembro, meio-dia, na Colina
Nós saímos da casa do Michael pela janela, como ele já tinha planejado.
Fomos de moto até a minha casa. O que na verdade foi uma das melhores sensações da minha vida. Quer dizer, era a primeira vez que eu fazia isso e a cada momento em que ele acelerava e o vento batia em nossos rostos, eu sentia o cheiro do cabelo dele. Cheiro de sabonete.
Também podia sentir o cheiro da camisa dele, lisa e azul, recém lavada, cheirando a sabão de coco. Senti calafrios pelo corpo ao encostar-me a ele, abraçada em sua cintura. Eu não queria, não mesmo, que aquele momento acabasse.
E quando cheguei em casa, arrumei a mala voando só para poder voltar lá e abraçá-lo de novo. Mas acabei demorando, já que fiquei um bom tempo escrevendo o que tinha acontecido e como tinha sido o mais maravilhoso reencontro do mundo. Sinta-se lisonjeado.
Eu joguei a mala pela janela do sótão, já que o Michael estava esperando lá em baixo. Depois eu desci na pontinha dos pés para não fazer barulho nenhum e escrevi um bilhete rápido e sucinto para minha mãe, dizendo que eu estaria aproveitando as minhas férias da melhor forma possível que uma MULHER (segundo o Michael) poderia fazer.
Usei a desculpa de viagem com uma amiga, só pra variar. Dessa vez. Eu disse que estaria no México, na casa de uma amiga de origem latina. Só espero que mamãe continue me achando social à beça e que não fique fazendo muitas perguntas sobre minhas amizades falsas.
"As pessoas mudam.", eu disse a ela na última vez em que ela começou a indagar como e por quê eu tinha começado a dar tanta importância para esse lado social da minha vida. Ou, como o Sr. G costuma encarar, o lado "Sexo, Drogas e Rock and Roll" da vida.
Para ele eu apenas ri ironicamente e disse que ele não era a melhor pessoa pra dizer isso, já que passa setenta por cento dos momentos da vida dele esmurrando aquela bateria lá no subsolo.
Isso mesmo. Construímos um subsolo graças às reclamações do vizinho.
Mas o que isso vem ao caso quando tenho, nesse momento, o Michael dormindo como um anjo, com a cabeça em minha barriga?
Ai, estou falando demais pra quem ainda não chegou nessa parte!
Após fechar a porta de casa, eu o vi arrumando a minha mala no "bagageiro" da moto. Sua concentração era tanta que eu tive até medo de fazer algo que o fizesse levar um susto, ou até soltar as malas.
Então me mantive parada em frente à porta, minhas mãos se torcendo dentro dos bolsos de trás da calça jeans. Era inevitável ficar nervosa com aquela visão e toda a minha felicidade não ajudava em nada.
Não sei quanto tempo fiquei parada o observando, mas acho que deve ter demorado porque ele terminou de ajeitar tudo e olhou pra casa, procurando por mim.
Nossos olhos se encontraram e nós dois sorrimos. Eu abaixei minha cabeça, sentindo meu coração disparar dentro do peito.
Quando ergui a cabeça novamente, ele estava de braços abertos num pedido para que eu me afundasse neles em um carinho que nós não tínhamos tido desde o beijo no quarto de Lilly.
Eu sorri mais ainda e corri até ele, sem pensar em mais nada. Tudo o que eu queria era me encontrar nos braços dele, sabendo que nada mais poderia nos impedir.
E ele me acolheu sem hesitar. Me abraçou e me girou no ar, me fazendo gargalhar. Ele também ria.
Quando eu finalmente encostei meus pés no chão, senti minhas pernas fraquejarem. Mais tonta do que eu não poderia existir!
- Ei, calma! – Michael disse, segurando firmemente minha cintura quando eu ameacei despencar no chão.
Ele passou a mão pelo meu rosto, querendo me livrar dos cabelos rebeldes que cobriam boa parte dele. Fechei os olhos, querendo me livrar daquela tontura que o giro tinha me causado.
Hoje eu percebo que não foi uma boa idéia.
Quer dizer, antes que pudesse abri-los novamente, Michael encostara seus lábios nos meus e eu acabei perdendo totalmente a noção de tudo.
Não é todo dia que a gente tem um homem lindo como ele nos beijando. E não é todo dia que um beijo apaixonado e suave como aquele nos faz tremer dos pés a cabeça como se fosse a primeira vez.
Ele mexia os lábios lentamente, parecia querer me irritar, o que estava realmente dando certo. Se ele queria que eu implorasse pra que ele colasse em mim de vez...Bom, provavelmente conseguiria.
Mas como nem tudo é um mar de rosas, ele se separou de mim. Eu abri os olhos, decepcionada, já que a última coisa que eu queria no mundo era parar beijá-lo
Ele se explicou:
- Você pediu para eu não passar do ponto.
Passar do ponto? Bem, é, me lembro de ter pedido isso, mas aquilo tinha sido só um beijo inocente! Muito bom, na verdade, mas inocente.
- É, eu sei, mas... Foi só um beijo.
Ele sorriu, meio sem graça. Era uma graça ver o Michael sem graça.
- Mas foi o suficiente para me...hum...tirar do sério.
Dessa vez quem ficara sem graça fora eu. Queria ser um avestruz para poder enfiar minha cabeça na terra e só sair de lá quando parasse de corar.
- Eu... – comecei.
- Desculpa, acho que não expliquei direito. – ele me interrompeu e me olhou, sério, como se me dissesse para prestar bastante atenção. – Você não é mais uma menininha, Mia.
- Eu sei, já sou maior de idade e blá, blá, blá...
- Não, você não entendeu. – ele disse e passou a mão pelos cabelos, mostrando que estava tão nervoso quanto eu. – Há um tempo atrás... Há seis anos atrás eu ainda podia me controlar. Quer dizer, eu nunca tinha...você sabe.
Senti meus olhos marejarem naquele momento, uma reação muito comum quando eu passava por momentos tensos como aquele.
- Uhum... – murmurei.
- Mas agora...Bem, eu já conheço as sensações e a verdade é que você me as faz sentir com um único olhar. – meu coração estava novamente disparado – Um toque seu... queima, entende? – eu tinha ouvido direito? - Um beijo me põe em brasa... – será que ele está ouvindo meu coração bater? – Um sorriso ou sinal dele me faz ter vontade de parar no tempo. - eu não sei mais quanto tempo agüentaria ouvir aquilo – Uma única palavra, um único som que saia da sua boca me faz delirar, eu posso ouvir as batidas dentro do meu próprio peito e ...
Eu não deixei que ele terminasse. Era impossível ouvir mais uma palavra que fosse.
Eu fui até ele e o beijei intensamente. O beijo que eu queria que tivesse continuado, mas muito mais necessitado depois daquela... seria declaração?
Não sei, só sei que ele correspondeu ferozmente, enrolando uma de suas mãos no meu cabelo e apertando minha nuca, como se isso pudesse me manter mais perto.
Foi exatamente como da outra vez e eu perdi todos os pensamentos lógicos que poderia ter naquele momento.
O beijo ficava cada vez mais profundo e mal percebi quando ele envolveu minha cintura e me girou, me colocando sentada em cima da moto e se ajeitando entre minhas pernas.
No momento em que sua mão adentrou minha blusa, eu senti minha respiração falhar.
Eu nunca tinha ido tão longe com nenhum cara. Nunca tinha sentido aquele toque quente da mão de um homem na minha barriga. Era a primeira vez que sentia aquele frio e calor imenso ao mesmo tempo.
- Michael... – eu disse entre o beijo.
Ele parou e olhou pra mim, nosso narizes se tocando.
- Você... Você não quer?
- Não, não é isso... É só que eu nunca fiz.
Ele me olhou, perplexo. Afastou o rosto do meu e me olhou em dúvida, querendo saber se aquilo era algum tipo de brincadeira ou se eu estava realmente falando sério.
- Você nunca fez... Você quer dizer que...
- Eu nunca conheci um homem, Michael. É isso que eu quero dizer.
Fiquei impressionada comigo mesma. E não era a primeira vez naquela noite que eu me sentia assim. Mas dessa vez, nossa! Eu tinha falado tão direta e segura de mim mesma. Mesmo que, na verdade, minhas pernas estivessem tremendo e meu coração quase entalado na garganta.
- Puxa, Mia...Eu, bem, eu não sabia.
Como não? Será que ele não via minha falta de experiência? Quer dizer, eu ficava tensa com um mínimo toque no pescoço!
Ele continuava com aquele olhar de indagação, parecendo pensar. Nunca achei que Michael Moscovitz poderia demorar a raciocinar.
- Você está...decepcionado.
Era pra ter sido uma pergunta, mas acabou saindo uma afirmação certa. Quer dizer, era óbvio que ele devia estar imaginando as milhares de coisas que faríamos juntos e como seria horrível o meu desempenho.
Talvez ele quisesse voltar para a loira da Academia de Artes. Talvez um único beijo dela fosse melhor que qualquer coisa que eu fizesse...Bem, o que eu sabia fazer, na verdade?
- Decepcionado? – ele coçou a cabeça. – Não. Chocado, talvez.
Eu ri. Um riso frio, na verdade. Eu realmente não pude evitar.
- Você achou que eu tivesse saído por aí e dado para quem aparecesse na minha frente?
- Não! – ele pareceu meio confuso. Também, olha o tamanho da asneira que eu dissera. – Achei que você tivesse conhecido um cara legal. Legal o suficiente pra namorar, se casar, ter filhos...
- E te esquecido? – perguntei, e nossos olhos se encontraram novamente. E os arrepios voltaram a se aproveitar de mim.
Ele sorriu. Lindo. Como sempre.
- Você é uma linda garota, Mia. – ele se aproximou. – Não seria difícil se apaixonar por você.
Por que eu sentia vontade de chorar quando ele dizia algo assim? E me olhava DAQUELE jeito.
- Te esquecer também não é a coisa mais fácil do mundo.
- Quer dizer que nenhum príncipe de Genovia roubou seu coração? – ele perguntou, um meio sorriso no canto dos lábios.
Estava tão concentrada naquilo que mal senti quando minhas pernas fraquejaram e Michael me envolveu nos seus braços novamente. Meu corpo parecia anestesiado. Meu Deus, o que era aquilo? Será que eu tinha bebido alguma coisa que pudesse me deixar assim?
- De Genovia? Não... – eu me aproximei ainda mais, envolvendo meus braços no pescoço dele e me mantendo mais segura. – Tive ótimas opções na realidade, mas um cara que mora por aqui chegou primeiro. Uma pena, já que ele roubou apenas um pedaço do meu coração e me mantém presa a ele desde então.
- Nossa, deve ser um aproveitador esse cara. – ele disse e beijou meu pescoço, trazendo uma onda de calafrios novos. – Por não ter terminado o trabalho, quero dizer.
Eu sorri, sentindo as mãos deles massagearem minha cintura.
- Porque não aproveita o momento pra terminar?
- Até que não seria má idéia... Quer dizer, se a Princesa quiser?
Não pude evitar sorrir. Provavelmente estava com a cara mais boba que eu poderia ter. Me pondo na ponta dos pés, me aproximei ainda mais e disse:
- Eu quero, Michael. Mais que tudo no mundo, eu quero que você termine de roubar meu coração.
Ele entendeu o recado e puxou meu rosto em direção ao dele, me beijando como eu gostava tanto de ser beijada.
Os pensamentos voltaram a se bagunçar todos dentro de mim. Só o que eu sabia era que queria realmente aquilo mais que tudo no mundo. Afinal, eu tinha passado seis anos da minha vida esperando para reencontrá-lo de novo e me entregar aquele amor.
Michael não demorou muito tempo me beijando pra perceber que eu estava tensa. E agora ele já sabia de sua grande responsabilidade, que eu odiava ter que admitir, me fazia tremer sem parar.
Ele me abraçou. Eu podia sentir o carinho enorme que ele queria passar pelo jeito que me mexia no meu cabelo e pela forma que respirava em meu pescoço.
Não demorei muito a me acalmar, sentindo aquela tranqüilidade toda que era estar ali, segura com ele.
- Venha. Eu quero te mostrar um lugar.
Ele me puxou e logo tínhamos nos acomodado na moto e ele deu partida. Para onde? Eu não sabia.
Andamos bastante, uma parte considerável era subida.
Quando paramos, eu senti perder totalmente o fôlego.
Era simplesmente lindo.
Estávamos numa colina. Uma colina verdejante, iluminada pela luz prateada da lua. Eu agradeci imensamente ao céu por estar tão limpo e iluminado. E mais ainda à cidade, que podíamos ver dali, cheia de pontinhos de luz que pareciam piscar.
Eu saltei da moto, ainda de boca aberta por causa daquela visão. Andei até o final da colina, mas nem olhei pra baixo. O medo de altura simplesmente desapareceu de mim naquele instante.
- Uau. – deixei escapar.
- Sabia que ia gostar. – Michael se aproximou de mim e me abraçou por trás.
Uma leve sensação de deja vú se apossou de mim quando ele apoiou o queixo em meu ombro.
Nós realmente éramos feitos um para o outro, quer dizer, a cabeça dele se encaixava perfeitamente na curva do meu pescoço. Éramos a metade um do outro. Um quebra cabeça. De preferência aqueles que meu pai costumava colar após montar para que as peças não se separassem mais.
- Faz vinte anos que moro nesse lugar e nunca soube da existência disso aqui! – eu disse ainda extasiada.
- Eu descobri muitos lugares assim desde que você foi embora. – ele disse e eu me virei pra ele, tentando entender o por quê. – Eu precisava de um lugar que me deixasse como apenas você tem o poder de me deixar.
- E como é que eu te deixo? – perguntei, tentando esconder minha curiosidade, mas obviamente sem sucesso algum.
- Passaria a noite inteira falando para explicar como você me faz sentir.
- Não tem problema. Eu tenho a noite inteira livre. – disse e me virei pra ele.
Ele pareceu pensar por um momento (e bem rápido, é, ele é o Michael, né?) e depois segurou minha mão e me puxou para perto de uma árvore. Na verdade, da única árvore que havia ali.
Nós nos sentamos embaixo dela, suas folhas grandes penduradas nos galhos, o que provocava uma visão entrecortada do céu. Mesmo assim, ainda podia ver a lua.
E foi o que a gente ficou fazendo por um bom tempo. Estava muito bem acomodada, com a cabeça encostada no peito dele, e ele encostado ao tronco da árvore.
Eu podia sentir o cheiro das flores claras que caíam de vez em quando da árvore, devido à brisa forte. Eu diria que eram jasmins, se dessem em árvores. De qualquer forma, era algo com um cheiro bem parecido.
- A lua está bonita hoje. – ele comentou.
- Ela sempre está.
- É. Mas está especialmente bonita hoje.
Eu sorri.
- Pára de enrolar, Michael.
Ele riu.
- Desculpa. Eu queria guardar a resposta para um momento especial.
- Este é um momento especial! – eu disse, um pouco mais nervosa do que deveria, é verdade.
Ele riu de novo.
- Você não sabe o quanto, Mia.
Não pude evitar que meu coração badalasse mil vezes e que um sorriso de orelha a orelha aparecesse no meu rosto.
- Eu quero que seja especial.
É, eu realmente não devia ter dito isso. Parecia uma atirada me jogando daquele jeito! Mas tinha simplesmente escapado da minha boca! O que podia fazer? Tinha afinal alguma culpa de querer fazer "aquilo" com ele? E alguma culpa de ele ter um sorriso tão lindo como aquele.
Senti meu rosto quente novamente. Ah, aquela velha história dos momentos tensos...
- Vou fazer de tudo pra que seja. – ele disse, aquele sorriso que me fazia derreter ainda no rosto.
- Seria um bom começo você me responder como é que eu te deixo.
Ele abaixou a cabeça e mordeu o lábio da forma mais fofa que eu já tinha visto! Ou que poderia imaginar!
- Você me dá um beijo?
Eu ri. E depois me aproximei e dei um beijo rápido nele, me afastando logo em seguida.
- Ei, um beijo direito! – ele reclamou.
- Só se você me contar como eu te deixo!
- Eu achava que esse fato fazia parte do outro acordo. – ele disse e eu fiquei realmente confusa.
- Que acordo?
Michael me olhou.
Não! Não olhou simplesmente!
Foi intensamente, quase como se ele estivesse se comunicando pelo olhar.
E não é que deu certo? Quer dizer, dois segundos depois eu estava corando de novo e abaixando a cabeça, super sem graça.
E o mais importante: entendendo o que ele queria dizer.
Acho que ele percebeu meu constrangimento e mudou de idéia:
- Bom, se você parar de corar e me der um beijo, mas direito dessa vez, - ele disse com o dedo indicador apontando pra mim numa cobrança – então eu lhe conto o que você me faz sentir.
Eu ponderei as causas e conseqüências e acabei me dando conta (até mais rápido do que eu imaginei) que as duas ações me favoreciam totalmente. Ganharia um beijo dele e saberia a resposta que estava me matando de curiosidade esse tempo todo.
- Tudo bem. – disse e ele ficou parado me olhando, esperando que eu me movesse. – Então... hum... Fecha os olhos.
Ele fechou.
E eu me aproximei. Cheguei muito perto, podendo sentir a respiração dele em meu rosto. Estava sendo fácil até ali, mas a proximidade me deixou um pouco amedrontada. Era algo extremamente forte o que eu sentias por ele e momentos como aqueles... Nossa, como eu tinha medo de estragá-los!
E acho que ele percebeu de novo a minha hesitação (anotação mental: começar a procurar indícios de vidência no cérebro do Michael) porque ele abriu os olhos e nós dois ficamos horas nos olhando. Foi muito rápido e ao mesmo tempo foi como uma eternidade.
Eu não teria querido que acabasse jamais se o que viesse depois não fosse melhor. Como foi.
A gente se beijou. Primeiro foi um leve toque de lábios, o que nos fez ficar arrepiados. E depois, quando eu me dei conta, estava deitada no chão com Michael sobre mim, nossas bocas enlaçadas num beijo. O mais delicioso de todos.
Quando ele parou o beijo, estávamos ambos ofegantes como duas crianças que acabam de apostar corrida. E a gente não conseguia parar de se olhar.
- Lembra de quando você foi lá em casa estudar com a Lilly e eu dei uma ajudinha? Acho que era matemática.
- Com certeza. – eu disse, rindo. Sempre a maldita matemática!
- Eu não sei se você lembra, mas nós fomos virar a página do livro ao mesmo tempo e nossas mãos acabaram de tocando... – ele beijou meu pescoço. – Nós até deixamos a Lilly falando sozinha.
Ele continuava a beijar meu pescoço, o que era uma tortura mental, já que eu tentava concatenar as palavras e os suspiros. Não tinha idéia de como era difícil.
- Lembro.
Ele parou com os beijos e me olhou, uma mão de cada lado da minha cabeça.
- Lembra?
- Claro! – eu sorri. – Foi a primeira vez que eu agradeci à matemática.
Ele retribuiu o sorriso e um longo arrepio percorreu minha espinha. Michael riu devido ao movimento.
- Naquele dia eu senti algo realmente estranho, mas depois nada mais aconteceu. Pra mim você não tinha sentido a mesma coisa.
- Eu sempre fui boa em esconder meus sentimentos por você. – eu disse, orgulhosa de mim mesma.
- Pois devia se sentir culpada pelo tanto que me fez sofrer por isso.
Ele voltou a beijar meu pescoço e eu comecei a passear as mãos pelos cabelos macios dele. Era a melhor sensação do mundo.
Senti quando ele escorregou uma das mãos pra baixo e tocou minha barriga por dentro da blusa. Aquilo fez meu estômago revirar, e estava começando a ser melhor do que eu pensei. Ele parecia um massagista profissional e sabia exatamente como me fazer sentir bem e... talvez, apreciada.
- Quando começamos a namorar, qualquer toque seu me fazia sentir daquela forma. Era esquisito e gostoso. Eu necessitava sentir o tempo todo. – ele foi descendo os beijos por meu ombro e braço e subindo a mão até quase alcançar meu peito. Pude sentir minha respiração parar. – Acho que eu tive certeza de que era aquilo que eu queria sentir pelo resto da minha vida.
Ele tocou no meu seio.
Eu fechei os olhos, sem sentir mais nada, apenas me deixando levar por aquele momento maravilhoso.
E tudo aconteceu da mais bela e romântica forma. Foi como nos romances que eu lera até a última palavra da última página, me deliciando com cada momento. Foi exatamente como eu sonhava escrever no MEU livro. Foi doce, desesperado e apaixonante.
Foi como a Mia e o Michael deviam ser. JUNTOS. E como o Michael disse:
PRA SEMPRE.
N/A: É, eu realmente pensei em terminar a fic no capítulo anterior, mas depois achei que mal deu pra curtir os dois juntos e ficou um fim meio inacabado.
Ta, talvez não seja nada disso também. Eu apenas não consegui resistir a escrever esse capítulo! Então, espero que vocês tenham curtido! E esse realmente é o último da fic.
Ah, caso tenha ficado alguma dúvida, a Mia escreve tudo o que aconteceu ainda na colina, com Michael dormindo ao lado dela... O que acontece depois? Bom, vocês inventam e depois tratem de me contar, certo?
Queria agradecer a todas as reviews mandadas e recebidas e dizer que foi muito importante contar com o apoio de vocês.
Um super beijo e até a próxima!
Kel Minylops
