NA TRAVESSA DO TRANCO

Os dias que se passaram Ginny estudou para sua próxima matéria. Reuniu todos os jornais que encontrou à respeito da Lei Trouxa, como ficou popularmente conhecida, e foi também até o Beco Diagonal comprar um livro sobre Estudo dos Trouxas.

Tinha certeza de que aprenderia mais sobre os trouxas conversando com Harry ou Hermione, mas achou importante ter várias perspectivas sobre o assunto para redigir a matéria. Já era tarde na terça-feira que antecipava a entrevista coletiva e exclusiva quando decidiu que já estava preparada o suficiente.

Ao por seu novo livro na prateleira junto aos outros, viu seus velhos livros da escola. Curiosa, pegou seu velho livro de Defesa Contra as Artes das Trevas. O livro estava empoeirado, pois não os lia desde que havia saido de Hogwarts, mas sempre fez questão de tê-lo em casos de necessidade.

Ao abrir o livro não conseguiu evitar um sorriso em seus lábios, na primeira folha tinha a letra G seguida de um coração e a letra H. Mal sabia ela na época que alguns anos depois ela e Harry finalmente estariam juntos. Foi engraçado como seu sentimento por Harry surgiu desde o primeiro momento que o viu. Foi realmente amor à primeira vista, uns dizem que isso não existe, mas posso certifica-los de que existe sim. À principio era muito boba e ficava triste pelos cantos, sem realmente me aproximar e dele, mas, com o tempo, fui desencanando e pude ser na frente dele quem eu realmente era e, para a minha surpresa, deu realmente certo. Não é à toa que estamos juntos até hoje.

Perdida em seus pensamentos nostálgicos foi que se lembrou de quando mandou o cartão de dia dos namorados para Harry no seu primeiro ano. Teria dado certo se Malfoy não tivesse me desmascarado na frente de todo mundo. Nunca senti tanta vergonha na minha vida. Por que Malfoy tem que ser sempre tão Malfoy? Pelo visto, apesar de não ter seu nome vinculado ao de Voldemort ele continua a mesma pessoa do dia que mandei o cartão para Harry. Ginny sentiu o estomago embrulhar, lembrar-se do dia dos namorados no seu primeiro ano era lembrar também que foi o dia que viu Harry com o diário de Tom Riddle. Forçou-se a pensar em outra coisa e a única que veio à sua cabeça era a imagem de Draco Malfoy rindo do seu cartão musical. Não era exatamente a melhor coisa para se pensar, mas ainda era melhor que pensar no diário.

Pensando no loiro foi que Ginny lembrou-se do dia que foi no Caldeirão Furado com Rebecca. Como um homem como Draco Malfoy vai sozinho a um bar? Tudo bem que ele seja casado, mas esperava pelo menos que alguma mulher fosse fazer companhia a ele, nem que fosse a Thompson. Será que era verdade o que Rebecca disse? O casamento dele seria realmente só fachada? Por qual razão ele se casaria com ela, o que eles ganhariam com isso? Nas fotos que viu deles nas Ilhas Maldivas eles pareciam perfeitamente felizes, como qualquer família normal. Será que o jornal estava certo e ela estaria esperando um filho dele?

Não importa, Ginevra! Por que raios agora se preocupa com a vida de Draco Malfoy? É com sua próxima matéria que você deveria estar preocupada não com quem Malfoy vai num bar ou se ele vai ou não ter um filho com sua esposa!

Impaciente, foi até a cozinha e preparou uma xícara de chá de camomila, talvez precisasse descansar um pouco, já estava tarde e ela precisava acordar cedo no dia seguinte para poder dar continuidade à sua matéria. Sentindo sono após terminar de beber o chá, subiu as escadas até seu quarto e dormiu rapidamente, sem pensar em diário, Draco Malfoy ou até mesmo em Harry.


Ginny saiu de mais uma coletiva começando a aceitar o fato de que Malfoy não lhe daria qualquer chance de fazer perguntas. À princípio levantou a mão na esperança de Malfoy dar-lhe a vez, mas foi inútil. Cansada dos jogos de Malfoy, resolveu apenas anotar as perguntas feitas e as respostas dadas e, toda pergunta que viesse à sua cabeça, deixaria para perguntar-lhe durante a exclusiva. O loiro queria provocá-la e ela resolveu não dar esse gosto a ele.

"Potter!" - Ginny virou-se e deu de cara com o loiro que tinha conhecido na primeira coletiva que participou.

"Ah, olá Darcy..." - Disse sem ânimo.

"Dias difíceis?" - Perguntou olhando para a ruiva.

"Como?" - Perguntou sem entender à princípio onde o colega queria chegar.

"Malfoy. Ele parece realmente está sendo duro com você. Teve alguns jornalistas que tiveram o mesmo problema que você e que tiveram que ser transferidos."

"Ah..." - Disse sem dar tanta importância ao assunto. - "Não é um problema pra mim, vou ter minhas respostas em breve."

"Sei, a exclusiva. Muito se perguntaram como você conseguiu, uma vez que ele já tinha dado a palavra final."

"As pessoas falam demais." - Disse querendo dar fim ao assunto. -"Gostaria muito de ficar aqui conversando, mas você sabe: tenho a exclusiva agora."

"Boa sorte." - Disse sorrindo.

"Obrigada" - Disse sorrindo em retorno e dando às costas ao colega e indo em direção ao saguão encontrar Hermione.

"Oi Mione!" – Disse sorrindo para a amiga. Ginny vestia uma camisa social branca e uma saia cinza longa, seus cabelos estavam presos numa trança lateral.

"Oi, Gin." – Sorriu Hermione nervosa. Hermione usava um vestido laranja que batia em seu joelho e usava um colete da mesma cor e seu cabelo estava presto num coque firme.

"Você ainda está achando que é uma má ideia vir comigo para a entrevista?" – Perguntou ao ver o olhar na cara da amiga.

"Desculpa Gin, mas ainda não tenho certeza de que é realmente uma boa ideia, mas se você acha que não será um problema eu confio em você."

"Vamos."- Disse Ginny e juntas atravessaram o saguão do Ministério e foram em direção aos elevadores.

As duas se espremeram aos fundos do elevador devido à quantidade de pessoas que entraram juntos com elas e esperaram até a voz feminina do elevador anunciar que tinham chegado ao nível um.

"Vamos." – Disse dando um olhar confiante para amiga. Juntas andaram até a sala de Malfoy e, como já esperava, Elizabeth Thompson se encontrava em sua escrivaninha e olhou com desprezo quando entrou na sala.

"Sra. Potter, o que deseja?" – Falou áspera.

"Você já deve saber que esse horário reservado para mim. Tenho uma entrevista com Draco Malfoy. Por favor, avise a ele que cheguei."

Thompson riu com desdém. – "Lamento, Sra. Potter, mas Sr. Malfoy não se encontra."

"Como assim o Sr. Malfoy não se encontra?" – Ginny já estava tão vermelha quanto sua cabeleira ruiva.

"Vamos, Gin..." – Disse Hermione que sabia que caso não tirasse a amiga dali o mais rápido possível as coisas poderiam ficar feias.

"Ele não se encontra. Após a coletiva informou que não voltaria mais ao escritório hoje."

"Mas é muita falta de respeito mesmo. Diga ao Malfoy que eu não tenho tempo para perder, se ele não podia ter comparecido hoje, que tivesse me avisado com antecedência! Você sabe o quão difícil é arrumar um horário com Hermione Granger?" – Ginny mal respirou quando disse essas palavras, estava realmente furiosa.

"Claro. Vou avisá-lo, senhora Potter." - Disse escondendo o sorriso que queria aparecer em seus lábios

"Vamos, Ginny." – Disse Hermione novamente, mas com firmeza na voz desta vez.

Ginny não falou mais nada e saiu da sala ao lado da amiga. Como ele podia ter tanta falta de consideração? Isso seria apenas o começo dos problemas com Draco Malfoy, pensou. Talvez as coisas não fossem tão fáceis como ela a princípio achou que seria... Draco Malfoy nunca vai deixar de ser o Draco Malfoy que riu e apontou para ela quando descobriu que tinha sido ela a pessoa que mandou o cartão de dia dos namorados para Harry. Ele sempre seria a pessoa a querer humilhar e ser melhor que os outros. Mas Ginny não estava mais no colégio e não iria permitir que isso a abalasse, era uma mulher adulta e trataria seus problemas como tal.

Ginny encostou-se por um momento numa parede para respirar fundo e nem notou que seus olhos estavam levemente marejados. Não sabia por que se sentia assim, afinal era apenas uma entrevista, não é? Ele vai ter que ser um homem de palavra e remarcar a entrevista, mesmo que ela não consiga conciliar o horário com Hermione, já tinha tirado dela todas as informações que precisava.

"Você está chorando, Gin?" – Perguntou Hermione preocupada.

"Não, é só que eu realmente trabalhei muito nesse assunto, é muita falta de consideração..." – Ginny passou a mão sob os olhos para tirar qualquer vestígio de lágrimas. – " Vamos, não se preocupe, já estou melhor."

"Sabe, Gin, talvez tenha sido minha culpa..." – Hermione parecia receosa ao falar.

"Do que você está falando?" – Perguntou confusa.

"Eu fiquei meio insegura quando você quis marcar essa entrevista com Draco Malfoy e escrevi informando-lhe que acompanharia você na entrevista de hoje."

"Você o quê?" – Hermione não poderia ter agido diferente, caso contrário não seria Hermione Granger. – "E o que ele respondeu?" – Perguntou.

"Ele não respondeu." – Disse triste. – "Desculpe-me, Ginny. Eu realmente achei que fosse necessário."

"Não é sua culpa, Mione. Eu acho que ele faria isso com ou sem sua carta. Vamos, eu vou remarcar a entrevista, querendo ele ou não."

Juntas caminharam até o elevador e entraram nele em silêncio, Hermione não sabia o que dizer mais para a amiga, era visível como tinha ficado chateada com a situação.

"Nível quatro, Departamento para a Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas, incluindo as Divisões de Feras, Seres e Espíritos, a Seção Ligação com os Duendes e o Escritório de Orientação sobre Pragas." – Disse a voz feminina e Hermione caminhou até porta, mas parou antes de sair.

"Você não precisa ficar assim, Ginny. Tenho certeza que você vai se sair bem novamente. Escreva-me ou venha até a minha sala se for preciso." - Disse Hermione receosa pela amiga

Ginny sorriu e Hermione enfim deixou o elevador. Bom, pensou. Já que não vai ter entrevista hoje, posso adiantar logo a matéria da entrevista coletiva e fico livre logo. Sentindo-se um pouco mais calma, desceu no Átrio para deixar o Ministério e seguir para o Profeta Diário.

Quando chegou ao Profeta Diário seguiu logo em direção a sua sala, não queria que Barrick Brown a questionasse o porquê dela estar no Profeta em plena quarta-feira de entrevista exclusiva. No meio do caminho, viu sua amiga Rebecca em seu gabinete e teve uma ideia.

"Oi Becca!" – Disse entrando na sala.

A amiga estava concentrada escrevendo em um pergaminho e olhou para cima surpresa. – "Gin! O que você está fazendo aqui? Pensei que hoje você tinha hora com Malfoy." – disse.

"Eu tinha, mas ocorreu um imprevisto."- Amiga fez uma cara confusa. – "Escuta, você quer comer alguma coisa depois? Pode ser no Três Vassouras, faz tempo que não vou lá. Estamos nas férias escolares, então não vai ter estudantes por lá." – disse vendo que a amiga não ia responder.

"Claro! Passo na sua sala depois do expediente?"

"Combinado, dessa vez não vou me atrasar!" – Disse sorrindo.

"Ah, estou contando com isso." – Riu a amiga.

"Até mais tarde." – disse rindo também.

Ginny deixou a sala da amiga e seguiu para a sua, tendo segurança que seu chefe não estava por perto, não que estivesse fazendo algo de errado, mas queria evitar responder o porquê que não teve entrevista hoje. Ele poderia achar que ela não tinha o controle da situação, o que era, pelo visto, um pouco verdade.

Chegou a sua sala e logo pegou pena e pergaminho, escreveria imediatamente para Draco Malfoy remarcando a entrevista para o dia seguinte pela manhã. A matéria com ele só sairia na próxima segunda, então sem falta teria que vê-lo amanhã, querendo ele ou não.

Londres, 30 de junho de 2010

Senhor Subsecretário Sênior Draco Malfoy,

Como deve se lembrar, tínhamos a nossa primeira entrevista exclusiva marcada para hoje, quarta feira 30 de junho de 2010 em seu gabinete. E por algum motivo que não me foi explicado o Sr. Draco Malfoy estava ausente. Devo reforçar mais uma vez a importância do vínculo do Ministro com o Profeta Diário.

Desta forma, peço que amanhã, quinta-feira 1º de julho de 2010, reserve o horário das dez e meia da manhã para podermos dar prosseguimento ao nosso assunto.

Grata,

Ginevra Potter

Colunista Sênior de Política do Profeta Diário

Deixou a pena de lado e voltou seus pensamentos novamente para o loiro, ele realmente estava passando dos limites não permitindo que ela fizesse perguntas durante as coletivas e faltando as exclusivas sem nem ao menos avisar. Não fosse apenas isso, ainda teve que aguentar o desdém de Thompson. Tenho certeza que ela está louquinha por ele, e é por isso que me trata assim sempre que me vê. Ela não sabe que sou casada ou que nossas famílias se odeiam? E ele também é casado! Será que ela se importa com isso? Será que ele da corda pra ela? Bom, não me surpreenderia se ele fosse infiel à esposa...

Mais uma vez Ginny repreendeu-se por estar perdendo tempo pensando na vida pessoal de Draco Malfoy. Não interessa, Ginny. Não interessa a vida pessoal do Malfoy, não importa se ele é casado ou não, para onde viajou ou deixou de viajar ou se trai a esposa ou não! Você nunca se quer leu uma linha da vida dele nos jornais até então e por que raios agora você se deixa ficar pensando nisso? Forçando-se a pensar em outro assunto, começou a fazer o que realmente tinha que ser feito: a matéria da coletiva.

Como de costume, percebeu que mais uma vez tinha perdido a noção do tempo e estranhou o fato de Rebecca ainda não ter ido até sua sala puxar sua orelha a respeito disso. Bom, talvez hoje ela também tenha perdido a hora.

Ao passar pela sala da amiga, pode constatar que ela, de fato, ainda estava lá e se aproveitando da situação, iria provocar a amiga dizendo que o feitiço tinha virado contra o feiticeiro e a atrasada dessa vez era ela, mas ao entrar na sala pode ver que não era hora para brincadeiras. Rebecca estava visivelmente abalada com alguma coisa, mas no instante que Ginny entrou na sala ela tentou disfarçar ao máximo.

"Becca, o que foi que aconteceu?" – Perguntou preocupada aproximando-se da amiga.

"Nada, Gin. Não se preocupe." – Disse com a voz fanha.

"Como assim não foi nada? Claro que aconteceu alguma coisa, você não precisar se mostrar forte pra mim, sou sua amiga."

No instante que Ginny terminou de falar Rebecca não aguentou as lagrimas e pegou na mão da amiga.

"Desculpa, Gin. Não é que não confio em você, mas pra mim é um assunto difícil."

"Você não precisa me contar caso não queira, apenas saiba que pode contar comigo."

"Tinha esse cara..." – Rebecca disse apreensiva e começando a se acalmar. – "Você deve conhecê-lo, é o jornalista político d'O leito. Chama-se Joshua Darcy."

"Claro, que conheço, sentei ao lado dele na minha primeira coletiva!" – Ginny ficou impressionada como o mundo era realmente pequeno. Tinha tido uma boa impressão do rapaz até então, mas agora sentia que sua opinião sobre ele estava prestes a mudar.

"Eu o conheci há um ano e meio mais ou menos, amigos em comum, sabe? E desde então temos nos visto às vezes, quando ele quer me envia uma carta e a gente se encontra. A última vez que nos vimos tem uns três meses e a gente nunca tinha ficado tanto tempo sem se ver, então semana passada eu mandei uma carta para ele perguntando se estava tudo bem e hoje ele me respondeu dizendo que estava tudo bem e disse não entender minha preocupação por termos ficado tanto tempo sem sair, uma vez que as coisas entre nós nunca tinham sido sérias." – Rebecca segurou as mãos trêmulas nas de Ginny e começou a chorar novamente.

"Eu nunca soube que você estava saindo com alguém assim, Becca! Desculpe-me por ser uma amiga tão ausente. Ele é realmente um babaca, como ele pode te dizer uma coisa dessa?"

"Não é sua culpa, Gin, eu que nunca realmente contei pra ninguém, só quem sabia era Tina Allen do Social, que foi quem me apresentou a ele. Você sabe que meu histórico de namoro nunca foi muito bom, então eu só queria contar caso realmente ficasse mais sério, mas nunca ficou, não é? Eu sempre achei que com o tempo ele iria querer deixar as coisas mais sérias, mas um ano e meio se passou a agora estou aqui. Sou uma boba mesmo, né?"- Rebecca agora fungava.

"Claro que não! Ele que deve ser muito imbecil para fazer isso com uma mulher bonita e inteligente como você! Escuta, se realmente não era pra ser, então bola para frente, amiga! Pelo visto você não está perdendo muita coisa, ele sim."

Rebecca deu um sorriso fraco, mas não respondeu nada a amiga.

"Vamos, eu quero tirar você aqui dessa sala, vamos comer uma coisa no Três Vassouras, não quero ver mais essa cara triste." – Sem contestar, Rebecca levantou na cadeira e pegou sua bolsa e juntas desceram até saguão e assim que chegaram lá puderam ouvir uma voz feminina chamar pelo nome de Rebecca.

"Ai meu Deus, é a Tina, o que eu faço?" – Perguntou desesperada. – "Não quero vê-la, ela é muito amiga dele e ele não pode saber que estou assim." – Rebecca fingia que não ouvia Tina e apressou o passo para sair do prédio.

Ao sair do edifício foi quando Ginny viu Draco Malfoy. Ele estava seguindo por um caminho que parecia dar na Travessa do Tranco. É agora que eu o pego! Ele vai ter que me explicar por que raios não estava na reunião hoje. E por um momento Ginny esqueceu-se de Rebecca, Darcy ou Tina, ela precisava falar com Malfoy.

"Ginny!" – Falou Rebecca. "Por que você está parada ai?" – Perguntou nervosa já na rua.

"Foi porque eu vi..." – Ginny hesitou um pouco, talvez não fosse apropriado falar que estava assim por ter visto Draco Malfoy.

"Becca?" – Falou uma voz que vinha de trás de Ginny.

"Desculpe-me, Gin, mas eu tenho que ir." – Rebecca desaparatou sem falar mais nada.

"Potter, para onde Becca foi?"- Disse Tina ao alcança-la.

"Ela disse que precisava ir urgente ao Saint Mungus porque precisava visitar uma amiga e o horário de visita estava quase acabando."

"Amiga? Que amiga?"- Perguntou desconfiada.

"Eu não sei, ela não disse." – Respondeu sem se importar se tinha realmente sido uma resposta convincente ou não. – "Eu também estou com pressa, Allen. Até mais." – Sem esperar resposta, Ginny virou-se e começou a andar pelo caminho que vira Draco Malfoy fazer também. Eu tenho que achá-lo.

Ginny escutou algo como "grossa" e "mal educada" vindo de trás enquanto andava com pressa atrás de Malfoy, mas não se importou. O que tinha para fazer era mais importante agora, ela precisava descobrir para onde ele tinha ido.

Quando finalmente entrou na Travessa do Tranco pode sentir a temperatura do ambiente diminuir, como se tivessem dementadores por ali, mas Ginny olhou por todos os lados e não viu nenhum. Não gostava de estar ali nem um pouco, mas era preciso. Olhou para uma loja de velharias chamada Borgin & Burkes para ver se podia encontra-lo lá, pois sabia que ele já tinha frequentado a loja antes, mas não tinha ninguém além de um senhor lendo um livro. As pessoas a encaravam de modo desafiador, pois sabia que não era o tipo que frequentava a Travessa, mas elas não a amedrontavam, sabia que poderia se defender de todos eles apenas com uma sacudida na varinha. Andava com a mão dentro das vestes segurando a varinha e olhava cuidadosamente para cada lugar, mas não o tinha achava. Será que ele foi embora? Pensou. Tinham muitas lojas que não estavam abertas, mas quando andou mais um pouco viu uma porta aberta do que parecia um pub. O lugar era pequeno e mal iluminado, apenas poucas velas tiravam o local da escuridão total, mas ela pode ver ao fundo uma cabeleira loira que se destacava no meio de tanta falta de luz. Sem hesitar entrou, mas foi abordada por um velho barrigudo e mal cheiroso.

"Gentalha não entra aqui."- Disse o velho cuspindo.

"Desculpe-me, senhor, você deve estar me confundindo com outra pessoa." - Como assim gentalha? Quem era ele para me chamar assim? Ginny ficou, como sempre, da cor de seus cabelos, mas manteve a calma para não chamar atenção demais.

"Sei exatamente quem você é, gentalha. Fora." – O velho estava querendo enxotá-la do bar a todo custo e isso não poderia acontecer.

"Eu tenho um encontro com Draco Malfoy. Vê aquele homem ao fundo do bar? Pode perguntar a ele."

A essas alturas já sabia que muito provavelmente já tinha chamado atenção de todas as pessoas que estavam no ambiente, incluindo Draco Malfoy. Ginny não sabia porquê inventara aquela mentira, mas cruzou os dedos para que Malfoy colaborasse. De forma inesperada, o loiro estava em pé ao seu lado. Não sabia se ele a expulsaria do bar como o velho barrigudo ou se ele faria alguma coisa para ajudá-la.

"Ela está comigo, Finch." – Disse Malfoy. O velho estava tão surpreso quanto ela.

"Sr. Malfoy?"- Perguntou confuso, o velho estava tão surpreso quanto ela.

"Já disse que está comigo." – Disse elevando o tom de voz.

"Muito bem."- Disse o velho Finch. – "Mas se ela trouxer algum problema para mim espero que o Senhor Malfoy resolva."

"Eu já disse que ela está comigo, não disse? Então para de conversa mole e vá trabalhar, velho preguiçoso." – Malfoy segurou firme o braço dela e a arrastou para a mesa onde estava sentado.

"Você faria o favor de me explicar por que diabos está me seguindo, Potter?" – Disse sentando-se à mesa.

"Eu vi quando você entrou na Travessa, então resolvi vir até aqui porque nós temos um assunto pendente a resolver, ou você se esqueceu da nossa entrevista hoje?"

"Você tem ideia do que esse homem poderia fazer com você caso eu não fosse lá? Você é estúpida ou o quê? E não, eu não me esqueci da maldita reunião com você."

"Desde quando você se preocupa com minha ..." – Ginny mal tinha começado a conversar com Draco e ele já estava tirando sua paciência, então ele não compareceu a entrevista pelo simples fato de não querer? Não bastasse isso, ele não permitiu que ela continuasse e se levantou em direção ao bar para fazer algum pedido.

"Malfoy!" – Chamou.

O loiro pareceu hesitar por um momento, mas virou-se.

"Você perdeu a educação? Eu quero um copo grande de hidromel." – Precisava de algum estímulo para dar continuidade a conversa.

Em pouco tempo Draco estava de volta e consigo trouxe um copo de uísque de fogo e um de hidromel. Impacientemente, sentou-se à mesa novamente.

"Desde quando você se preocupa com minha segurança, Malfoy? E eu ainda não ouvi uma explicação plausível para sua tamanha falta de consideração e respeito comigo esta manhã." – Disse autoritária.

"Não seja estúpida, garota. Não quero meu nome vinculado a você que não seja no âmbito profissional."- Disse áspero e bebeu um gole de seu copo.

"Tinha me esquecido o quanto você é grosso e egoísta." – Disse, mas Draco não iria responder. – "Eu ainda estou esperando uma explicação sobre a entrevista."

"Apesar de ter me dado um imenso prazer não ter desfrutado de sua desagradável companhia, eu levo meu trabalho a sério, Potter. Se eu não estava lá era porque tinha alguma razão, mas isso não lhe cabe." - Malfoy de dois grandes goles em seu copo e Ginny ainda nem tocara no seu. – "Agora se não tem mais nada a acrescentar à conversa, peço que vá embora, Potter."

"Eu também levo meu trabalho a sério, Malfoy." Disse ignorando o pedido dele que se retirasse.

"Fico feliz por você." – Disse terminando seu copo. – "Não vejo como essa conversa vá chegar a lugar algum, Potter. Se você me der licença, então quem vai embora sou eu. Realmente não fazia parte dos meus planos ter você como companhia hoje. E se você teme pela sua segurança, sugiro que faça o mesmo." – Malfoy se levantou sem olhar novamente para ela.

"Malfoy" – Chamou.

O loiro mais uma vez pareceu hesitar, mas novamente se virou para ouvir o que a ruiva tinha a dizer.

"Não me interessa sua vida pessoal, eu vim aqui por que preciso dessa reunião para amanhã de manha. Estarei no seu escritório às dez e meia."- Disse pondo fim a conversa.

"Como quiser..." – Disse Draco andando sem intenções de voltar ou para novamente para ouvi-la.

Ginny estava satisfeita, ele não faltaria um compromisso importante como o deles e simplesmente deixaria por isso mesmo, ela tinha que mostrar que estava no controle da situação. Sem querer prolongar sua permanência no local, começou a tomar seu hidromel, mas no mesmo instante ela sentiu seu corpo todo ficar mole e desabou da cadeira fazendo um barulho forte. Não estava completamente inconsciente, mas se sentia fraca e não conseguia se levantar. Em questão de segundos viu um borrão loiro levantá-la nos braços.

"Potter!"- Falou Malfoy. – "Você consegue me entender?" – Perguntou Malfoy.

Ginny no momento só conseguiu balançar a cabeça sem dizer realmente nada.

Malfoy a fez flutuar com a varinha e ouviu quando ele se dirigiu ao velho do bar.

"Seu velho imundo, o que você pôs na bebida dela?" – Malfoy gritava.

"Não se preocupe Sr. Malfoy, não vai acontecer nada a ela. É só um estimulante que alguns jovens gostam de tomar de vez em quando, mas não nessa dosagem, é claro." – Disse o velho sem parecer estar nem um pouco arrependido.

"Seu imbecil."- Falou Draco e Ginny viu um jato de luz vermelha e um barulho de garrafas de vidro sendo quebradas.

Ginny sentiu os braços de Malfoy envolvêndo-na. Ele a levou para fora do bar e desaparatou.

"Você consegue ficar em pé?"- Perguntou quando chegaram à frente de uma enorme casa. Ginny não fazia ideia de onde estava.

"Não sei."- Disse confusa, mas usando toda sua energia. Ginny tentou descer dos braços dele, mas falhou na tentativa e teve que segurar em seu pescoço para não cair.

A situação ficou visivelmente constrangedora para ambos, seus rostos ficaram muito próximos e Ginny podia sentir a respiração dele em seus lábios. Seus olhos se encararam por alguns segundos.

"Seus olhos são tão... frios" – Disse Ginny sem pensar. – "Mas eu gosto deles." – Completou.

Malfoy não respondeu, mas ela ainda podia sentir a respiração dele. Por um momento achou Malfoy ia juntar seus lábios aos dela, mas ele virou o rosto e fixou seu olhar num ponto atrás da cabeça dela.

"O que foi?"- Perguntou sem entender mais nada, ela realmente estava muito confusa.

"Nada."- Disse frio. – "Vamos entrar. É melhor eu carregar você."

Sem se queixar, Ginny permitiu que o loiro a carregasse em seus braços. Ela se sentiu confortável e segura, mas não sabia o porquê uma vez que era Draco Malfoy quem estava ali.

"Por que eu não posso ir para casa?" – Sua língua se enrolava ao falar.

"Por que não tem nada que possa parar de você sentir os sintomas. Ele te deu entorpecente em dose muito alta, a única coisa que nos resta e esperar o efeito passar, mas você não pode ficar sozinha por que seus músculos não estão reagindo muito bem e caso você vomite pode se engasgar em seu próprio vômito." – Draco explicou a situação, mas tinha certeza que ela não tinha absorvido nada do que ele tinha dito.

"Ah ta..."

"Elmy!"- Gritou Malfoy.

Ginny pode ouvir o barulho de um estalo.

"Leve ela para o quarto de hóspede e fique cuidando dela a noite toda."

"Sim, Senhor Malfoy."


N/A: Oláaa! Admito que demorei um pouquinho para publicar este capítulo! Mil desculpas, mas fim de ano sempre é muita correria, muitas compras a fazer, muitas confraternizações e etc!
Obrigada a todos que leram, espero q tenham gostado do capítulo passado e deste!
Por favor mandem reviews, é muito importante para os escritores!

Obrigada Ludi A por estar sempre lendo e comentando meus capítulos você é uma fofa! Dessa vez foi um pouquiiinho maior (não muito) e as coisas começaram, enfim, a acontecer! Ansiosa para saber sua opinião! Feliz ano novo e espero q tenha tido um feliz natal!

FELIZ ANO NOVO GENTE! QUE 2014 SEJA UM ANO CHEIO DE FELICIDADE PARA TODOS! BEIJÃO