Rin-chan, fofinha, é para você sempre e sempre. Amo você eternamente.


Disclaimer – Ainda é da Rumiko-ba-chan. u.u


Revisão – Mitz-chan. Amo muito você, florzinha! n.n


Notas da Autora – Minna-chan... Sim, eu sei que faz muitos meses que não atualizo, mas não consegui mesmo! T-T Sinto muito realmente, e peço que não fiquem bravos e entendam, certo? Possivelmente, não demorarei tanto com o próximo capítulo. n.n

Oh, não posso deixar de agradecer as reviews que recebi, não é mesmo? Muito obrigada a Hiwatari Satiko, Gheisinha Kinomoto, Mai Amekan, Miyavi Kikumaru, Nathy Shia-Chan, Mitzrael Girl (Boba! XD), Carol Freitas, Hinata-chan, LiL Lion, Lillyth, Nanda Yukimura, Caroline, Mari Veiga, Samy-san, Luciana, Carolmolly, Lenita Hino, Hys., HIME RIN, TRANZSI, -Nay Black-, Mylle, Claudia, Nimue Ap Dumnonia, Agome, Lilih, Fernanda Higurashi, Carol e Saky-Moon. Agradeço de coração a todas vocês. Beijos!

Ah, mesmo que eu demore a atualizar, quero que saibam que eu não vou desistir da história e vou publicá-la até o final, certo? \o/

Acho que é só... o.O

Até o próximo capítulo. :-D

Kisus no Lis-sama
Ja mata ne


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Dake wo Aishite

Apenas te Amando

By Palas Lis

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Dai 6 Kai – Katsudou to Hannou

Capítulo 6 – Para Toda Ação, Há Uma Reação

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Tóquio extremamente movimentada. Ótimos lugares para ir. Passeios inesquecíveis. Você trabalhando em uma pequena loja de medicamentos alternativos. Pleno verão. Começo de noite quente. Sem absolutamente nada útil – ou inútil – para fazer. Sem companhia – agradável – por perto. Desânimo por todas as coisas anteriores apresentadas.

Um suspiro desanimado escapou de seus lábios pela milésima vez e passou a mão pelo cabelo longo e negro, exasperadamente. Terminantemente aqueles itens estavam deixando-a frustrada.

Kami, o que tinha feito para merecer tal coisa?

Higurashi Kagome, melhor amiga de Nakayama Rin, perguntava-se porque sempre se metia em confusão por causa da travessa Rin. A irmã de Bankotsu devia estar se divertindo muito na praia enquanto Kagome estava trabalhando e perdendo toda a diversão que a capital do Japão disponibilizava.

Desde criança – quando se conheceram no colégio –, Rin sempre fora uma menina desajeitada e espevitada. O que causava grandes problemas para Kagome, que sempre foi mais quieta e comportada. E nessas férias não havia de ser diferente: estava em uma grande enrascada!

A sua "querida" amiga Rin ganhara passagem para se divertir na praia – graças a uma tia doida dela –, e ela quem ficara trabalhando em seu lugar com um Bankotsu muito irritado. Ficar trabalhando nem era a enrascada maior, e sim agüentar o irmão da amiga.

Ele estava insuportável desde que Rin saíra há alguns dias para ir ao aeroporto, e isso já estava começando irritar Kagome... E não era uma coisa muito boa e aconselhada deixar a jovem garota Higurashi brava...

- Ela ligou? – Bankotsu apareceu na porta de trás da loja e colocou apenas a cabeça para dentro, falando de maneira alta, o que fez Kagome dar um pulo de susto na cadeira que estava sentada. – Rin já ligou, Kagome?

- Não, Bankotsu. – ela rodou os olhos, cerrando os dentes em raiva, equilibrando-se na cadeira que por muito pouco não caiu com o susto. – Rin ainda não ligou.

- Bah! – ele puxou a porta com força e voltou a arrumar algumas ervas em sua casa na parte de cima da loja.

Kagome perdera a conta das inúmeras vezes que o rapaz de olhos azuis escuros lhe fazia a mesma pergunta. Além de ele estar terrivelmente irritado de não poder impedir a irmãzinha de viajar sozinha, estava mais ainda por Rin não ter nem ligado para dizer se estava tudo bem.

"Baka! Bankotsu se faz de indiferente, mas é um irmão superprotetor", Kagome pensou, fazendo um som de desagrado com a garganta. "Ele chega a ser mais complicado que a Rin...".

O irmão da amiga poderia jurar que só importara-se de Rin ter ido viajar por causa do trabalho dela na loja, mas Kagome sabia que não era nada disso. Ele não queria deixar por se preocupar demais com Rin, como fazia desde que eram crianças e piorou muito quando foram morar sozinhos. Só que era orgulhoso demais para admitir que gostava da caçula.

Kagome debruçou-se sobre o balcão da loja; no rosto de traços delicados, uma expressão cansada. Apoiando o queixo nos braços, encarou o relógio na parede, ela fez uma careta ao ver as horas que os ponteiros marcavam. "Não é possível que ainda não tenha dado meu horário...", ela pensou, chateada.

Suspirou desanimada. Estava sentindo falta do alto astral de Rin. Se ela estivesse na loja, certamente arrastaria a amiga para uma balada depois de terminado o expediente – se Bankotsu deixasse, é claro.

Ouviu o som da dobradiça da porta de abrindo e endireitou-se na cadeira, para esperar o possível cliente que entrara na loja. Pelo menos isso para tirá-la daquele estado quase vegetativo que se encontrava desde que Rin fora viajar: atender algum cliente.

Uma sobrancelha se levantou ao ver um belo rapaz vestido de roupas sociais passar pela porta falando ao celular...

- Maldição, Izayoi!

Er... Ele xingava ao celular, mas não deixava de ser bonito. Kagome o viu jogar o celular no bolso da calça preta e parar frente a ela com os traços do rosto contraídos, demonstrando estar muito irritado com a pessoa que xingava momentos antes no aparelho de telefone móvel.

- No que posso ajudá-lo, senhor? – Kagome perguntou, com um sorriso educado.

- Preciso urgentemente de um manicômio para internar minha mãe – ele falou, contrariado. – Tem o telefone de algum?

A morena de olhos azuis deu um sorriso sem graça; uma gota se formando na lateral de seu rosto.

- Tem outra coisa em que eu poderia ajudá-lo?

- Vim pegar uma encomenda para minha mãe. – ele falou, depois de dar um suspiro cansado, passando a mão pelo cabelo para tentar se manter calmo. – Inokuma Izayoi.

- Oh, sim. – ela sorriu, abaixando-se na prateleira detrás dela para procurar pelos nomes as ervas que a senhora havia reservado pelo telefone há algumas horas. – Izayoi-sama não quis vir buscar pessoalmente?

- Se ela tem um escravo particular pra isso, acha mesmo que viria buscar? – ele respondeu, irritado. Passou a mão pelo cabelo mais uma vez e falou para si, cansado, em tom baixo: – Estou começando a me arrepender de ter me livrado de Sesshoumaru...

Inokuma Inuyasha fez uma careta.

Queria muito se ver livre do irmão, para aproveitar de um tempo de sossego sem as constantes – e irritantes – reclamações de responsabilidade de seu irmão mais velho. Sua intenção ao querer despachá-lo para o litoral era aproveitar e sair para se divertir à vontade, fazendo noitadas constantes e prazerosas, ao lado de belas mulheres, com bebidas e agitação...

Entretanto...

O maldito Hakudoushi tivera a idéia antes e aproveitou que Sesshoumaru não estava presente pra reclamar da sua liderança na empresa e estava tendo maravilhosas noitadas, que devia ser ele a estar fazendo... Hakudoushi imbecil!

Inuyasha rosnou de modo audível, não percebendo que Kagome recuara um passo com o som emitido pelo rapaz.

E, para piorar, para quem sobrava o trabalho na empresa?

Inuyasha!

Para quem sobrava fazer as vontades da mãe que eram feitas pelo primogênito?

Inuyasha!

Para quem tinha que sobrar...

- Aqui está, senhor. – Kagome levantou uma sacola com muitas ervas, de vários tipos diferentes, e deixou sobre o balcão com um sorriso, despertando imediatamente Inuyasha de seus pensamentos. – Pensei que conheceria a gentil senhora que falou no telefone comigo.

- É melhor não conhecê-la e continuar com a errônea expectativa que Izayoi seja gentil.

Outra gota se formou no rosto de Kagome e ela coçou a lateral do rosto.

- Algo mais, senhor?

- Não me chame de senhor. – Inuyasha fez uma careta e um gesto de impaciência com a mão. – Apenas Inuyasha.

- Oh, Inuyasha. – ela sorriu, encarando os olhos dourados dele, segurando-se para não suspirar de tão fascinada que ficou com os belos orbes do rapaz.

Encararam-se por um momento e Inuyasha percebeu o quando a morena era bonita... Tinha os traços do rosto delicados e belos olhos azuis, os cabelos longos presos, deixando apenas algumas mechas caindo no ombro. Inuyasha, discretamente, inclinou o corpo para frente, para olhar o corpo dela.

Um meio sorriso – completamente malicioso e não percebido por Kagome – ficou estampado no rosto jovem dele. A atendente da loja tinha um belo corpo... Um corpo realmente muito belo e cheio de lindas curvas... Quem sabe sua ida àquela loja não fosse toda perdida... Afinal, conhecera uma mulher muito atraente...

- Como você se chama...? – Inuyasha quis saber, sem desfazer o sorriso.

- Eu sou...

- Só um segundo, por favor. – ele pediu, levando a mão ao bolso da calça para tirar o celular vibrando de dentro dele. Fez um careta ao reconhecer pelo visor o número. – Caramba, Izayoi, o que você quer agora?

- Seja mais educado comigo, Inuyasha. – ela o repreendeu. – Será que é pedir demais que me chame de "mãe"?

- É pedir demais, sim. – ele falou asperamente. – Diga o que quer de uma vez.

- Eu preciso de um motivo para ligar para meu filho?

- A partir do momento que você sempre me liga para pedir algo, não tem como não desconfiar. – Inuyasha resmungou.

- Você é um filho ingrato, isso sim. – Izayoi fez drama e Inuyasha rodou os olhos. – Eu estou apenas ligando para ver como você está e...

- Ainda não ficou satisfeita com as outras oito vezes que me ligou, é?

- Onde você está, Inuyasha? – ela perguntou, ignorando a resposta dele e foi direto ao que queria do filho mais novo. – Estou esperando as ervas para fazer um chá... Minha cabeça dói e não vou tomar esses comprimidos que você costuma usar. Se você quer acabar com sua saúde tomando-os, por mim tudo bem, mas não quero o mesmo para mim e...

- Eu estou na loja, tentando conversar com a moça quando você me ligou. – Inuyasha rodou os olhos, cortando-a. – Se você não tivesse me importunando com essa ligação inútil, eu estaria dentro do carro a caminho de casa.

- Oh, sim. – ele pôde ouvir um som que lembrar o de uma risada sem graça. – Não demore, sim?

Inuyasha rodou os olhos, desligando a chamada e tornou a guardar o celular, suspirando cansado e passando a mãos pelos cabelos. Como Sesshoumaru conseguia lidar com a mãe sem pirar? Isso era realmente um milagre... Ou talvez fosse porque ele era tão irritante quando ela – se não fosse mais...

- Gomen ne. – ele pediu e sorriu para Kagome. – Como é seu nome?

- É...

- Kagome! – Bankotsu apareceu na porta detrás da loja novamente e gritou, fazendo Inuyasha e Kagome pularem de susto. – Rin ligou?

- Pela enésima vez: não, ela ainda não ligou, Bankotsu! – Kagome falou, se exaltando. – Quando ela ligar, eu o chamo!

- Está nervosa, é, Kagome? – Bankotsu perguntou, com sua habitual cara de deboche, que irritava qualquer um.

- Não estou... – ela falou, sorrindo forçada, tentando manter-se calma, o que estava ficando difícil, muito mesmo...

- Pois não parece.

- Eu não estou nervosa, inferno! – Kagome gritou estridente, fazendo Inuyasha e Bankotsu darem um pulo no lugar que estavam.

- 'Tá, sim. – Bankotsu levou a mão ao queixo, com aparência pensativa. – Tome um chá que resolve.

- Quer que eu te fale em que lugar você enfia seu chá? – Kagome falou, entre dentes, deixando surpreso tanto Bankotsu como Inuyasha. – Se quiser, eu falo...

- Que boca suja, menina. – Bankotsu brincou. – Só fiz uma pergunta.

- E eu já respondi umas mil vezes! – Kagome quase gritou.

- Calma, Kagome... – ele levantou as mãos em modo defensivo.

- Some daqui! – ela gritou, irritada, e Bankotsu riu. – Rápido, homem!

- Não ligue, não. – ele falou para Inuyasha, que olhava assustado para Kagome. – Deve ser TPM...

Segundos depois, teve que se esquivar de um peso de papel que passou direto por sua cabeça e acertou na porta, espatifando-se depois no chão. Aproveitando de um momento de diversão, Bankotsu subiu de volta para casa, gargalhando, deixando uma Kagome com olhos faiscando de raiva na direção que saiu.

- Er... Bem...

- O que é? – Kagome virou-se para Inuyasha, ainda brava. Percebendo que ele recuou um passo, ela corou e suavizou a fala. – Sumimasen, Inuyasha. Meu patrão está me deixando louca porque a irmã dele foi viajar e ainda não ligou para dizer como está.

- Er... Entendo. – Inuyasha deu um meio sorriso. – Será que agora você pode me dizer seu nome?

Kagome olhou para os lados antes de falar, para não correr o risco de ser interrompida novamente e torturar o infeliz que ousara impedi-la de falar, até que a pessoa implorasse para morrer de tanto que estava sofrendo nas mãos da mulher de olhos azuis.

- Higurashi Kagome. – ela sorriu, ainda sem jeito com seus modos de segundos antes.

- Kagome... – Inuyasha falou com um sorriso. – Você não me daria o número de seu telefone?

- Oh! – Kagome piscou. Nunca alguém fora tão direto assim com ela... – Hai, hai.

- Ótimo. – Inuyasha sorriu, pegando um papel e uma caneta para ela passar o telefone. Depois que a menina lhe falou o número e ele o anotou, guardou o papel junto ao celular. – Podemos sair, qualquer dia desses... – ele deu um meio sorriso malicioso. – O que acha?

- Não sei... – Kagome assustou-se com a proposta súbita dele. – Nem nos conhecemos...

- Podemos sair para isso mesmo, nos conhecermos... – o sorriso de Inuyasha continuou malicioso e os olhos postos na jovem, o que fez Kagome corar.

- Depois vemos isso... – Kagome ficou sem graça com a investida dele.

- Então depois te ligo e conversamos, pode ser?

- Claro. – ela sorriu.

- Vou indo... – Inuyasha pegou a encomenda da mãe e sorriu. – Ja mata ne.

- Ja ne... – Kagome fez um pequeno aceno com a mão para se despedir do bonito rapaz.

Inuyasha deu uma piscadela e um lindo sorriso para Kagome antes de virar-se e sair da loja de medicamentos alternativos, fazendo-a suspirar. Um sorriso satisfeito era visto no rosto de Inokuma Inuyasha... Pelo menos conhecera e pegara o telefone de uma garota bonita, sua ida até aquela infeliz loja não foi totalmente perdida...

O telefone começou a tocar insistentemente ao lado de Kagome, porém ela não percebeu, ainda olhava para a direção que o bonito rapaz saíra, suspirando... Ele era tão bonito e simpático... E o melhor: pegara o número de seu telefone para ligar para ela!

- Kagome, quem é no telefone? – Bankotsu gritou, descendo para loja ao ouvir o telefone tocar.

- Telefone? – Kagome piscou duas vezes e tirou o fone do gancho quando o irmão de Rin estava para alcançá-lo. – Moshi, moshi.

- Kagome?

- Rin! – ela reconheceu imediatamente a voz da amiga. – Como você está, menina?

- Muito bem! – Rin falou animada do outro lado da linha. – Estou me divertido bastante, K-chan!

- Fico feliz com isso, Rin-chan. – Kagome falou, desviando-se de Bankotsu que queria pegar o aparelho sem fio da mão da funcionária de sua loja.

- Eu quero falar com ela, Kagome – Bankotsu ordenou, tentando novamente pegar o telefone. – Kagome, dê esse fone imediatamente!

- O que está acontecendo aí, K-chan? – Rin perguntou ao ouvir a voz alterada do irmão e alguns barulhos que lembravam tapas.

- O chato do seu irmão quer falar com você. – ela fez uma careta, empurrando Bankotsu com uma das mãos.

- Oh, deixe-me falar com ele. – Rin ajeitando-se na cama que estava sentada, puxando as pernas pra cima dela.

- Rin? – Bankotsu tomou, literalmente, o fone da mão de Kagome e falou urgente: – Por que não ligou antes?

- Er... – Rin sorriu sem graça. – Estava meio... Ocupada.

- Fazendo quê? – ele quis saber.

- O que eu faz no litoral, Bankotsu? – ela falou, enrolando o dedo no fio do telefone. – Hoje eu fui à praia.

- Não quero que se aproxime de ninguém, viu, menina? – Bankotsu recomendou.

- Er... – Rin deu um sorriso sem graça.

- Não estou brincando, Rin. – Bankotsu falou mais sério.

- Bankotsu, eu tenho vinte e dois anos! – Rin fez biquinho. – Não sou mais uma criança!

- É, mas tem a mentalidade de uma criança de cinco anos. – Bankotsu escutou um som de desagrado que Rin fez com a garganta e riu.

- Hei! – ela gritou com o irmão. – Não pareço ter cinco anos!

- Rin, com quem...?

Bankotsu ouviu uma voz masculina do outro lado da linha e arregalou os olhos. Ouviu o som do telefone cair no chão e depois ficar misteriosamente mudo, ouvindo apenas murmúrios ao longe, que não dava para entender nada do que estava sendo falado. Quem era o infeliz que estava no quarto de sua irmãzinha, para se aproveitar da ingenuidade dela?

- Rin? – Bankotsu gritou, quase subindo do balcão de tanta raiva que sentia no momento. – Rin! Atenda esse maldito telefone, agora!

-o-o-o-

No litoral do Japão – mais especificamente no quarto 366 no hotel Shikon no Tama em Cabo Inubo –, Sesshoumaru, ao sair do banheiro e perguntar com quem Rin gritava ao telefone, foi surpreendido com duas mãos delicadas em sua boca, impedindo-o de continuar sua frase.

Tentou se equilibrar com a menina colada em seu corpo dando alguns passos para trás, mas bateu as pernas na cama e tombou sobre ela, saindo de costa no colchão macio da cama de casal. Piscou no instante Rin caiu sobre ele, ficando com o rosto muito próximo ao seu e sem tirar as mãos de sua boca.

Do telefone no chão, ainda podia se ouvir os gritos da pessoa com quem Rin falava antes.

Sesshoumaru tentou evitar, mas sentiu com se uma corrente elétrica passasse por seu corpo pela proximidade de Rin. Passou a mão pela cintura dela na intenção de tirá-la de cima de si, mas estava gostando – ainda que não desejasse – da posição que estavam. Maldição! Ela era apenas uma maluca desastrada, não devia deixá-lo tão... Tão...

Abriu a boca para falar, mas Rin friccionou mais as mãos em sua boca e as palavras saíram abafadas e indecifráveis. Levou a outra mão no quadril dela, tentando tirá-la de cima de seu corpo, mas Rin fez mais peso e ele não conseguiu se mover... Ou talvez não seria porque não queria se mover?

Caído sobre a cama, Sesshoumaru estava sem camisa com bermuda e Rin vestia apenas o biquíni com o short, deixando a pele de ambos em contato. Rin não se deu conta do que estava causando em Sesshoumaru, mas a posição em que se encontrava com o jovem executivo o fazia ter pensamentos... Digamos que... Nada puros... A simples ação dela sobre ele causara uma reação imensa no sistema nervoso de Sesshoumaru...

- Cala a boca! – Rin falou baixo, caída sobre Sesshoumaru; as mãos ainda sobre os lábios dele e os olhos conectados ao dele. – Quer que eu morra quando chegar em casa, é?

- ...!

- É isso que você querer, né, seu bobo? – Rin estreitou os olhos, encarando os lindos e arregalados olhos dourados de Sesshoumaru. Ouviu um grito maior de Bankotsu e virou o rosto, fazendo seu longo cabelo cair sobre o rosto de Sesshoumaru.

- Hei! – ele murmurou, com o rosto coberto dela nuvem negra de cabelo. Levou a mão ao rosto, e tirou o cabelo, não deixando de sentir o perfume tentador que inalou dos fios sedosos.

- Vou tirar as mãos de sua boca, mas você tem que ficar calado, entendeu? – Rin olhou novamente para Sesshoumaru. – Você me entendeu?

Ele limitou-se – por falta de opção – em acenar que 'sim' com a cabeça. Viu Rin tirar as mãos de sua boca e depois pular para o chão, pegando o telefone e levando o dedo indicador os lábios para pedir que Sesshoumaru ficasse calado – ato que o fez rodar os olhos.

- Feh! – Sesshoumaru fungou, levando a mão à boca e sentiu o lugar dolorido. – Maluca desastrada! – ele passou a língua pelo língua, fazendo caretas. – Quase corta meu lábio.

- Bankotsu? – Rin falou, mordendo o canto da boca. Sentou-se sobre os joelhos no chão do quarto e olhava pela janela o dia começando a escurecer. – Bankotsu...?

- Que diabos está acontecendo aí, Rin? – ele perguntou, bravo, quase gritando. – Explique-se, antes que eu pegue o primeiro vôo até aí para descobrir pessoalmente o que está havendo!

- Um dos copeiros do hotel estava aqui pra... Pra deixar o jantar. – Rin mentiu de maneira urgente, sendo a melhor desculpa que encontrou no momento. – Isso, ele veio aqui deixar o jantar, mas já foi embora.

- "Copeiro"? – Sesshoumaru levantou uma sobrancelha.

- Calado! – leu os lábios de Rin e a viu fazer um gesto com a mão, mandando-o calar-se.

- É bom você não estar se referindo a mim como um copeiro... – Sesshoumaru retrucou e levou um beliscão de Rin, na perna. – Itai!

- Onegai, fique calado! – dessa vez o que leu dos lábios de Rin foi uma súplica.

- 'Tá louca, é? – ele falou, baixo, alisando o local atingido.

- Ah, bom. – Bankotsu falou mais calmo. – Não é pra deixar nenhum desconhecido entrar no quarto, viu?

- Claro, Bankotsu querido. – Rin sorriu sem graça, olhando para Sesshoumaru. – Só queria te avisar que está tudo bem aqui e que não precisa se preocupar.

- E quem disse que eu me preocupo com você? – ele falou.

- 'Magina, claro que você não se preocupa comigo. – Rin rodou os olhos com a negativa do irmão. – Bem, vou desligar que acabei de chegar da praia e ainda estou de biquíni.

- Vai lá, então. – Bankotsu falou. – Amanhã quero que ligue de novo, pra saber como você está.

- Hai. – Rin sorriu e se despediu do irmão. Colocou o telefone no criado mudo e debruçou sobre a cama, respirando cansada. – Ai, ai...

- Você agora pode me explicar por que me impediu de falar e me jogou na cama? – Sesshoumaru falou, olhando-a. – Tem alguma explicação lógica, ou é apenas para me alertar que você é mais maluca e desastrada do que eu pensei?

- Sumimasen, Sesshy. – Rin pediu, passando a mão pelo cabelo e arrumando-o em um coque, esticando-se depois para o criado-mudo e pegando uma presilha que deixara ali para prender o cabelo. – Era meu irmão mais velho no telefone.

- Você tem irmão mais velho? – Sesshoumaru levantou uma sobrancelha.

- Tenho, sim. – Rin suspirou. – Ele é muito chato e não me deixa fazer nada. Em parte porque trabalho para ele, mas é protetor, apesar de negar até a morte, e tem ciúme excessivo de mim.

- E só por isso você me joga na cama? – ele estreitou os olhos. – Essa não é exatamente a resposta lógica que eu esperava.

- Er... Isso foi sem querer... – ela falou, sem graça. – Eu só queria que você ficasse calado, para ele não saber que tem alguém no quarto comigo.

- Sei... – ele deu de ombros. – Vamos fingir que acredito que você não fez por querer.

- Oh! – Rin levantou-se de uma vez do chão e se aproximou de Sesshoumaru. Colocou o rosto bem próximo ao dele, piscando. – Você está todo vermelho.

- Eu sei... – ele rosnou, contrariado. Só faltava ela falar...

- Eu avisei, eu avisei. – Rin falou, balançando o dedo indicador para ele.

Sesshoumaru rodou os olhos. Como pôde pensar que ela não diria isso?

Viu Rin abrir uma das gavetas que guardava suas coisas e pegou um pote de creme. Ele seguiu os movimentos dela atentamente, tentando decifrar o que ela estava aprontando daquela vez. Ela subiu na cama e sentou-se sobre os joelhos, próximo as pernas de Sesshoumaru, olhando para a pele corada dele com o semblante contraído.

- Deve estar doendo, né?

- O que está fazendo, garota? – Sesshoumaru perguntou, arqueando uma sobrancelha.

- Estou querendo passar esse creme no meu rosto, seu bobo. – ela falou, tocando no nariz com o dedo com creme, fazendo-o contrair o rosto e afastá-lo dela. – O que pensou que fosse?

- Itai! – ele gemeu, levando a mão ao local. – 'Tá ardendo, Rin.

- Eu sei, você está com as bochechas vermelhas. – Rin falou, passando com mais delicadeza ainda os dedos no rosto dele. – O Sol 'tava muito forte e, mesmo você ficando debaixo do guarda-sol, se queimou.

- Bah! – ele se limitou a resmungar.

- Isso é o que dá ficar no sol sem protetor solar. – Rin falou, como uma mãe repreendendo o filho por fazer bagunça.

- Eu não preciso de suas lições. – ele não gostou do tom dela. – Sei muito bem cuidar de mim mesmo.

- Se bem que você ficou tão kawaii assim, Sesshy! – Rin não resistiu.

- Feh! – ele rodou os olhos, não acreditando que estava realmente ouvindo aquilo.

- Prontinho! – ela acabou de passar no rosto e colocou creme na palma da mão para passar ao braço e depois as costas dele. – Pensei que dormiria no quarto do rapaz de saia... – Rin riu, não agüentando a vontade de implicar com Sesshoumaru a esse respeito.

Sesshoumaru rosnou, audível.

Ela precisava lembrá-lo que não conseguiram localizar o rapaz e que – conseqüentemente e conscientemente –, teria que passar mais uma noite no quarto com aquela maluca desastrada e tagarela? Que viagem infeliz, infernal e desprezível estava tendo...

- Pelo menos ele é normal, e não uma maluca desastrada.

- Bem, depende de como você define uma pessoa normal... – Rin riu de novo, espalhando o creme nos braços fortes de Sesshoumaru. – Na minha opinião, não é tão normal assim um rapaz usar saias...

- Eu não me lembro de ter pedido sua opinião. – Sesshoumaru resmungou.

- Mal-humorado! – ela deu uma risadinha.

- Você sabe o que aconteceu para eu não ir dormir lá, Rin. – ele cruzou os braços e sentiu um arrepiou percorrer-lhe a espinha quando as mãos dela desceram de seu ombro para seu tórax, vermelho como o rosto, pelo menos a parte que ficara descoberta pela regata.

- 'Cê 'tá com frio, é, Sesshy? – Rin piscou inocentemente.

- 'Tá um calor infernal aqui... – ele rodos olhos com a imbecilidade da pergunta dela. – Como eu estaria com frio, Rin?

- Eu pensei que tinha sentido você se arrepiar de frio... – ela deu de ombros e Sesshoumaru mexeu-se desconfortavelmente na cama.

- Acho que chega de creme, não é? – Sesshoumaru afastou a mão dela de si e respirou fundo para o corpo parar com a reação que teve com as mãos de Rin. Ela estava deixando-o louco com aqueles toques...

- Tem certeza? – Rin perguntou.

- Hai.

- Oh... – Rin concordou e deixou o creme sobre a cama, mas reparou no calombo arroxeado na testa de Sesshoumaru. – Não é que sua testa ficou realmente roxa...

- Do que está falando, Rin? – Sesshoumaru perguntou e Rin apontou para a testa dele. – Não quero que comente, opine ou tente melhorar isso.

- Demo...

- Não quero que toque na minha testa. – Sesshoumaru torceu o nariz. – Se fizer, tenho certeza que deixará pior do que está.

- Então, vou tomar banho. – Rin falou, levantou-se da cama e entrou saltitante no banheiro.

Sesshoumaru jogou-se de costas na cama e fez uma careta ao sentir o lugar arder intensamente. Não ia admitir nem sob tortura – ainda mais se fosse frente Rin –, mas ela tinha razão: precisava mesmo passar o protetor solar. Agora sentia na pele o incômodo de sua imensa teimosia.

Levantou o braço e o pousou na testa – com cuidado para não encostar no machucado causado nela por Rin com o maldito guarda-sol colorido –, olhando para o teto do quarto.

As sobrancelhas dele se arquearam, moldando uma aparência desconfiada ao rosto geralmente impassível, ao ouvir Rin cantarolar do chuveiro... Era só o que lhe faltava: aquela doida ainda cantava no banheiro, com aquela voz irritante e estridente, parecendo uma gralha dela, e, ainda por cima, era desafinada!

Ele fechou os olhos, cansado. Não estava precisando de mais isso para piorar seu dia...

Novamente o corpo arrepiou-se, ao lembrar-se dos dedos delicados percorrendo seu corpo com o creme... Precisava mudar-se de quarto logo, o mais rápido possível... Antes só tinha o problema de Nakayama Rin ser terrivelmente desastrada – e descobrir recentemente que cantava muito mal –, agora ainda tinha o problema da maneira que ela estava mexendo com ele e...

"Ora, que baboseira!", ele torceu o nariz. "Sei muito bem me controlar...".

Sesshoumaru, contrariado, se levantou da cama de Rin e arrastou a cama de armar para o mais longe possível do lugar que a menina dormiria. Olhou até para a varanda para ver se a cama não caberia ali. Irritou-se ao certificar-se que não caberia e deixou-a no dormitório mesmo. Acomodou-se na cama pouco confortável e fechou os olhos para dormir, desejando, pelo menos em seus sonhos, se livrar de Rin.

Rin saiu do banheiro, ainda cantando alegremente e secando os longos cabelos com uma toalha. Procurou o rapaz com quem dividiria o quarto e o localizou deitando na cama de armar, quase que frente à varanda. Ela arqueou uma sobrancelha ao ver que ele já dormia e parou de cantar para não despertá-lo.

Levou a mão ao interruptor e apagou a luz, aproximou-se da cama dele depois e o fitou iluminado pelas luzes de fora dormitório que entravam pela janela aberta do quarto, com um sorriso nos lábios.

Conhecia-o há apenas três dias, mas sentia um carinho muito grande por ele, como se já o conhecesse por anos. Sentou-se na cama e continuou a olhá-lo, pegando um pente para desembaraçar os fios negros. Só de olhá-lo sentia o coração bater de forma diferente no peito... Mas o que seria isso que sentia ao estar perto dele?

Rin tinha planos para aquela noite levá-lo para passear em algum lugar do hotel, mas ele parecia tão cansado e não queria acordá-lo. Bem, poderia muito bem ir sozinha e se divertir sem ele, não é?

Deu mais uma olhada para o belo rapaz e teve certeza que não queria sair daquele quarto e deixá-lo sozinho. Ele não queria sua companhia – e deixava isso expressamente nítido em suas ações e palavras –, mas mesmo assim não queria deixá-lo... Queria ficar bem perto dele...

Rin deu um bocejo.

"Será que ele já foi a uma danceteria...?", Rin pensou, pousando a ponta do pente no queixo. "Vai ser divertido ver Sesshy em uma...".

Deixando o pente de lado, tirando as coisas desarrumadas que estava sobre sua cama e jogando-as no chão, Rin deitou-se, achando uma desculpa perfeita para não sair sozinha naquela noite: estava com sono demais para isso. Seria melhor dormir um pouco e no outro dia levaria Sesshoumaru para se divertirem...

Ela puxou o lençol sobre o corpo, abraçando o travesseiro para dormir, virando-se de lado e pousando os olhos sobre Sesshoumaru. Ele lhe transmitia tanta segurança que junto com ele parecia que nada poderia feri-la ou machucá-la... Com ele, sentia-se segura e protegida... "Boa noite, Sesshy... Tenha bons sonhos...", Rin pensou, fechando os olhos para pegar no sono segundos depois.

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