A senhorita Jullytta está mesmo muito feliz por seu computador estar de volta. É. Mesmo. Enfim, eu estava pensando em uma segunda temporada para essa fic, aqui. Sabe, a ideia que eu tinha já foi quase toda desenvolvida, e minhas novas ideias são extremamente diferentes destas. O suficiente para separar em outra temporada. Eu gostaria de saber o que vocês acham.
ATENÇÃO: Esta fanfiction contém spoilers do livro Percy Jackson e o Último Olimpiano. Se você não terminou de ler o livro ainda e não quer saber parte do final sem querer, não te aconselho a ler. Para todos os outros, boa leitura.
Disclaimer: Percy Jackson e os Olimpianos não pertence à mim, e sim à Rick Riordan.
Sinopse: O acampamento meio-sangue está mergulhado em um tempo de apaixonados. Apenas Nico di Angelo não consegue entender porquê todos ficam agindo feito bobos.
(In)capaz de Amar
Capítulo 5 - O Baile de Verão
Com a chegada de tantos novos alunos no Acampamento Meio-Sangue, algumas novidades também tiveram que ser assinaladas. Uma das ideias destes novos campistas foi um baile, no penúltimo dia de acampamento, para que todos pudessem se despedir. Lógico que Dioniso adorou a ideia de dar uma festa, portanto o Baile da Despedida era o assunto mais falado pelos campistas. Todos pareciam empolgados e a maioria procurava por um par. Todos, menos, como sempre, Nico di Angelo.
Desde o dia em que ele esteve no quarto de Rachel, havia pensado muito em seus próprios sentimentos por ela. Nico sabia como ninguém que nada o faria mudar de ideia com relação a Rachel. Era simplesmente o jeito dele ser. Uma vez que ele admitiu estar apaixonado por ela, estaria apaixonado até... Bom, ele não sabia até quando, mas parecia ser até sempre. E isso o assustava.
Rachel não aparecia mais para o jantar. Seu quarto na mansão estava vazio, mas não haviam indícios de que ela voltara para a Academia Clarion. Ela simplesmente não estava em lugar nenhum. Nico sabia que ela provavelmente estava evitando-o, e que não iria se despedir. A cada dia eles estavam mais próximos do baile e, consequentemente, do fim das férias. E Rachel não daria o braço a torcer.
Lilian sabia razoavelmente sobre o que acontecera. Nico contara a ela que Rachel estava sentindo-se pressionada com algumas visões e que por isso todos acharam que ela estivesse louca. Porém, omitiu a parte em que Rachel lhe dissera que não poderia amá-lo nunca e que ele deveria ficar com Lilian. Nico não achou lá uma boa ideia contar isso para a filha de Apolo. Aliás, ele não estava em um estado bom o bastante para contar isso para ninguém.
- Nico, você tem certeza de que está bem? - perguntou Lilian pela milésima vez durante a aula de arco-e-flecha.
- Sim. - ele respondeu cansado.
- O verão está acabando, você sabe. Se talvez você me falasse qual é o problema...
- Lilian, eu estou bem! - Nico disse mais alto do que diria normalmente. Lilian arqueeou uma sombrancelha.
- Não precisa gritar. - disse por fim, e suspirou - Nico... posso te perguntar uma coisa?
- Eu estou bem, Lilian! Quer parar? - resmungou o garoto.
- Não era isso. - ela rolou os olhos - Você já tem par para o baile que vão fazer depois de amanhã?
Nico olhou para ela como se não estivesse acreditando em seus ouvidos.
- Eu não vou nesse baile, Lilian! - ele disse em um grunido - Achei que você soubesse disso!
A garota pareceu decepcionada. Ela parou um segundo de se concentrar na aula para olhar para os próprios pés.
- Eu estive pensando... - enquanto ela dizia, sua voz ia sumindo - Acho que seria bom se você, hm, falasse com... meu... pai.
As três últimas palavras saíram muito baixas mesmo, mas de alguma forma, Nico ouviu.
- Falar com Apolo? - ele não entendera bem - Como eu falaria com Apolo, Lilian? E depois, do que adiantaria?
- Você já parou para se perguntar como surgiu o Oráculo de Delfos? - Lilian disse com um suspiro. Nico, estupidamente, percebeu que não, nunca havia pensado nisso.
- Não... - ele admitiu envergonhado. Naquele momento, Quirón terminou a aula. Lilian colocou o arco sobre o ombro e começou a andar em direção aos chalés, Nico a seguiu.
- Bem, eu andei pesquisando e... - Lilian sorriu, feliz - Perguntei a um filho de Atena.
Nico assentiu. Ele queria gritar: "Diga logo!", mas sabia que Lilian só iria falar mais devagar se soubesse o quão ancioso ele estava. Ela continuou:
- Delfos era uma cidade antiga grega. Nela, ficava um templo feito para meu pai, Apolo. É deste templo que vêm as sacerdotizas que fazem as profecias. O Oráculo é como uma herança dessas sacerdotizas. O que sobrou delas. O que as fazia ver o futuro era o espírito do Oráculo, e ele continuou sendo passado de sacerdotiza a sacerdotiza. Daí o fato da portadora do Oráculo não poder namorar. É como se ela fosse uma sacerdotiza. Eu estava pensando... Se essa condição de sacerdotiza é temporária, será que ela poderia voltar a ser alguém "normal"?
Enquanto Lilian falava, Nico só fazia balançar a cabeça afirmativamente. Ele não sabia o que dizer. Nunca tinha realmente estudado a condição de Rachel. A síntese dos problemas estava em não poder namorar ou amar. Ele não pensou que, talvez, tivesse alguma solução.
- E a condição é temporária?
Os olhos de Lilian ficaram foscos por um momento.
- Bem, o Oráculo só muda de corpo com duas condições, pelo que eu fiquei sabendo. Primeiro, ele tem que ter um novo corpo pronto para recebê-lo. Segundo, ele tem que precisar trocar. Por exemplo, livrar-se de um corpo velho que esteja morrendo.
Imaginar uma Rachel enrugada de velhice, morrendo lentamente, fez Nico engasgar. Não. Péssima ideia.
- Tem outra forma?
- Aí é que está. - Lilian suspirou - Nem os filhos de Atena sabem de tudo, não é? Eu procurei por todas as partes, mas... A única forma de saber é perguntando para alguém como o Quirón ou meu próprio pai. Um campista não poderia nos ajudar.
- Nós não podemos falar com Apolo, Lilian. - Nico insistiu - Rachel estava com medo dele estar bravo com ela, porque ela quebrou um juramento...
Lilian olhou-o estupefata. Ops, ele tinha falado demais. Nico endireitou-se e tentou consertar suas palavras:
- Quer dizer, ela disse que-
- Quebrou um juramento? - Droga, pensou Nico. Lilian ouvira.
- Hmm... É. Ela não quis falar.
Por alguns segundos, Lilian parou e pensou.
- Eu acabei de imaginar uma coisa. - ela disse - É uma ideia para expulsar o espírito do Oráculo, mas... - Nico segurou a respiração enquanto Lilian dizia - É muito perigoso. Rachel podia ficar maluca de verdade.
A lembrança de May Castellan esperando eternamente pelo filho inundou a mente de Nico. Ele sentiu o estômago revirar ao imaginar Rachel em seu lugar, falando coisas sem sentido e chorando sozinha.
Foi só então, ao lembrar de May Castellan, que Nico lembrou-se do dia em que Rachel se tornara o Oráculo. Ele assistira de perto. E ele se lembrava bem das palavras dela. Ele lembrava-se que ela havia aceitado o Oráculo por livre e espontânea vontade. Ela dissera que aquele era o destino dela. E que ela agora tinha uma função, ela se sentia útil. A verdade é que Rachel, provavelmente, não iria querer deixar de ser o Oráculo. Muito menos sabendo que aquilo poderia custar sua vida.
- Esqueça. - Nico disse para Lilian, quando eles chegaram aos chalés - Acho que Rachel não deixaria de ser Oráculo nem que pudesse. É a honra dela. É o destino dela.
- Destinos podem ser mudados, Nico. Eu sei disso. - Lilian falava com orgulho - Sou filha de Apolo.
- Não podemos ficar aqui discutindo o futuro de Rachel, porque ela é quem decide sobre ele! Lilian, você tem que entender... - Nico forçou-se a dizer aquilo - Não é como você está pensando. Rachel não está triste por não poder estar comigo. Ela está com pena de mim por eu querer ficar com ela. Se ela deixasse de ser o Oráculo, nada mudaria! Eu continuo levando um fora, entendeu?
Lilian não tocou mais no assunto.
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Naquela mesma noite, Nico teve um sonho diferente. Não era um sonho comum. Não era uma premonição. Tudo o que ele sabia é que estava numa praia, em algum lugar que nunca havia visto na vida. A praia estava completamente vazia, e ele estava ficando nervoso, quando ouviu um barulho atrás de si e virou-se.
Um rapaz loiro, de aparência de dezenove anos e um grande sorriso brincalhão estava diante dele. Nico não demorou muito para reconhecê-lo: Apolo, o pai de Lilian. Mesmo com aquele sorriso todo, Nico não pôde deixar de temê-lo.
- Calma cara, não vou te incinerar. - ele disse com um tão brincalhão. Nico sussurrou algo que devia ser "Apolo...", ao que o deus respondeu - Sim, sou eu. Achei que a gente precisava ter uma conversinha de homem para homem, ou melhor, de deus para semi-deus.
Nico estremeceu. A sensação dele era a de uma criança que havia feito bagunça e estava para ouvir a bronca da professora. Mesmo que Apolo não parecesse querer dar bronca em ninguém.
- Para começar, não adianta negar nada, eu sou um deus, e sei de tudo, certo?
Nico fez que sim com a cabeça.
- Pois bem. Vou direto ao assunto, porque tenho muitas tarefas a cumprir. - e Apolo sorriu com a palavra "tarefas", o que deu a entender que elas não eram assim um tipo de trabalho - Não é a primeira vez que um cara se apaixona pela portadora do Oráculo. Acho que você já devia imaginar isso.
Não havia o que dizer ou fazer: Nico só ouvia e assinalava com a cabeça.
- É. Mas nesse caso, as coisas são um pouco diferentes. Mesmo assim, o Oráculo não pode namorar. É, não pode. Você sabe, foi a própria Rachel que escolheu isso. Eu só pensei que precisava dizer a você, e diga para ela também: eu não amaldiçoo ela por nada. A razão das visões dela é o próprio Oráculo. Como ela tem pensado demais no assunto, ela tem visões sobre ele. Não é uma maldição, ninguém está forçando ela a ver as coisas. É ela que quer vê-las, apesar de doer.
Apolo fez uma pausa para respirar, e Nico tentava decorar as palavras dele para depois pensar nelas. Naquele momento, tudo na cabeça de Nico era um borrão.
- Por fim, diga a ela que Afrodite mandou lembranças. E ela disse que "Não adianta fingir fofinha, você vai ter que encarar a realidade". Bom, diga a Rachel que o Oráculo não pode namorar, mas isso não quer dizer que ele não pode ter amigos.
Uma pergunta surgiu no âmago do ser de Nico e ele precisou externá-la:
- Por que está contando isso tudo a mim? Por que não fala diretamente à ela?
Apolo sorriu.
- Achei que você a ajudaria a fazer a escolha certa. Agora, tenho que ir. Ah, uma dica. Não perca o baile de verão. Fiquei sabendo que vamos ter um belo show no lago de canoagem. Apareça por lá!
Apolo começou a brilhar e Nico protegeu seus olhos da verdadeira forma do deus. Em seguida, acordou no chalé de Hades, suado e com o coração batendo mais rápido do que nunca.
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Na manhã do baile, Nico acordou dolorido. Não dormia bem desde aquela conversa com Apolo. Para falar a verdade, Nico não entendera quase nada do que o deus dissera. Todas as mensagens eram destinadas a Rachel, e Nico pôde supor que apenas ela entenderia. Mas ele não conseguia imaginar uma forma de falar com Rachel. Ela não estava no seu quarto. Ela simplesmente fechara-se em qualquer lugar e sumira de vista.
Nico ponderara várias vezes sobre a ideia de contar a Lilian sobre seu "sonho" com Apolo. Porém, ele não saberia explicar para ela nada do que ouvira, uma vez que ele mesmo não entendera. Era melhor deixar para lá. Ele também vinha pensando se devia, mesmo, comparecer ao baile, como Apolo dissera. Nico não gostava de festas, mas se tinha uma coisa que ele sabia, era que quando um deus te dizia para fazer algo, é uma ótima ideia obedecer.
- Então você vai? - perguntou uma radiante Lilian, quando Nico comentou sobre estar indeciso.
- Acabei de dizer que não sei. - resmungou ele.
- Mas Nico, o baile é hoje! - disse a garota, entortando os lábios - Tem filhas de Afrodite lá fora que já começaram a se arrumar!
O pior de tudo é que era verdade: apesar de ainda ser dez e meia da manhã, as filhas de Afrodite já estavam se preparando.
- Eu não sei, Lilian. Aliás, eu... não chamei ninguém.
Nico estava esperando que Lilian risse e dissesse: "Eu também não. Que tal irmos juntos?". Porém, a garota olhou para os próprios pés e corou.
- O que? Quem... - ele formulou a pergunta - Com quem você vai?
Ela foi ficando cada vez mais vermelha.
- Aquele... filho... de Atena... que eu falei. - disse pausadamente, ainda fitando os próprios pés - Ele me chamou e, como eu achei que você não ia...
- Tudo bem. - Nico sorriu levemente para ela - Eu não queria ir mesmo.
Lilian sacudiu a cabeça negativamente.
- Você vai. Se você fizer questão, eu arrumo um par para você. Uma irmã minha bem bonita. Ou então uma filha de Afrodite.
Nico riu em alto e bom som, numa gargalhada de puro sarcasmo.
- Você acha mesmo que uma filha de Afrodite aceitaria ir ao baile com alguém como eu?
Lilian o fitou com olhos tristes.
- Pare de se desvalorizar, Nico. - ela disse, sacudindo a cabeça - Você é bonito, inteligente e habilidoso. Garanto para você que, se você não olhasse para todo mundo com esse olhar de "Sou o Rei dos Fantasmas e vou lhe matar!", muitas garotas se interessariam por você. - Lilian refletiu por alguns segundos, e Nico a olhou pasmo. Até que seu rosto se iluminou - Acho que acabei de ter uma ótima ideia!
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Ele gritou para ela parar. Ele implorou. Ele, o Rei dos Fantasmas, o verdadeiro herdeiro de Hades, ele mesmo, implorou. Mas ela não ouviu. Lilian chegou em seu chalé no horário que havia dito, e começou a, sem a menor discrição, escolher as roupas que Nico usaria. Algumas horas antes, a garota havia feito algo que deixara Nico ainda mais envergonhado: ela cortara seu cabelo. Ele não se envergonhara porque o corte havia ficado ruim: pelo contrário, Lilian era bastante habilidosa com as tesouras e seu cabelo parecia novo. Porém, Nico não era lá um cara que apreciava mudanças. E sem os cabelos para proteger o rosto, ele estaria se expondo demais ao resto das pessoas.
Após escolher as roupas de Nico, Lilian deu-lhe cinco minutos para se vestir e saiu do quarto. Mal Nico acabara, ela voltou, apressada, trazendo consigo uma bolsa da qual Nico desconfiou profundamente. Lilian já estava pronta para o baile. Ela usava um vestido amarelo e uma tiara brilhante, o que a fazia parecer um pequeno raio de Sol, sendo que seu rosto era pintado com sardas e blush. Ela riu do olhar desconfiado que Nico lhe jogou.
- Não vou te machucar, Nico. - Lilian disse enquanto vasculhava a bolsa - Só trouxe umas... coisinhas, para deixar você melhor.
E Nico tremeu ao vê-la tirar um vidro de perfume da bolsa.
- Nem pense nisso! - disse ele, ofendido - Perfume? Perfume?
- Ande Nico, o pior já passou. - ela sorriu, e murmurou baixinho - Pelo menos eu acho.
Lilian se aproximou. Nico deu dois passos para trás, mas quando ele viu, ela já havia atacado. Uma, duas, três vezes, Lilian borrifou aquele maldito perfume nele. Nico tossiu, irritado.
- Não acredito que você está fazendo isso. - ele resmungou. Lilian fingiu que não ouviu. Deixou o perfume de lado e passou a ajeitá-lo de todos os modos possíveis: dobrou a gola de sua camisa de um jeito, a barra de outro, bagunçou-lhe os cabelos com as mãos.
- Acho que está bem melhor. - Lilian sorriu e corou - Na verdade, acho que é a primeira vez que seus olhos estão tão descobertos.
A garota tirou um espelho da bolsa e o entregou a Nico. Ele teve medo de olhar sua imagem, mas por fim, espiou-a. Nada mal, pensou consigo mesmo. Na verdade, nunca pensara que poderia parecer... bom, bonito. Mas, aparentemente, estava. Boa escolha de cores. Preto. Boa mesmo. Nico se sentia ele mesmo, e ao mesmo tempo havia algo muito diferente na sua aparência. Lilian riu.
- Bem, Nico, eu tenho que ir. Daniel me falou que passaria pelo menos chalé às... - ela olhou o relógio - Oh, meus deuses. Daqui a dois minutos.
Ela deu um beijo rápido na bochecha dele e saiu. Nico não parecia tão animado para isso, mas saiu também. Lentamente, dirigiu-se ao espaço destinado ao baile, demorando o máximo possível.
Um pavilhão da arena fora decorado de forma que não parecia nada com um salão de treinamento, e sim com um salão de festas. Nico se impressionou com a beleza do lugar e, também, com o número de campistas aglomerado nele. Muitos estavam na pista de dança. Alguns estavam em mesas conversando. Vários casais estavam espalhados pelos cantos. Alguns ainda estavam na mesa de comes e bebes, deliciando-se.
Quando Nico entrou, sentiu olhares sobre si. Alguns poucos, mas que rapidamente cutucavam outros e atraíam muitos. Nico ouviu meninas cochicharem baixinho e rirem. Provavelmente elas estavam dizendo: "Aquele não é o filho de Hades? Puxa, o que ele acha que está fazendo?". Portanto, Nico procurou desesperadamente um conhecido para sair daquela situação. A alguns metros dali estava Annabeth. Ela usava um vestido longo e cinza e seus cabelos loiros estavam trançados. Bonita, como sempre. Nico aproximou-se dela um pouco nervoso.
- Hei, Annabeth! - ele chamou. Ela virou-se na direção dele e, para o espanto de Nico, Annabeth abriu a boca em um perfeito "o" e seus olhos se arregalaram.
- Nico? É você mesmo? - disse, enquanto chegava perto dele e, gentilmente, cumprimentou-lhe com um beijo em cada lado do rosto - Minha nossa, você está... diferente.
- Awn... - Nico sentiu o rosto esquentar de vergonha - Foi a Lilian. Lilian Sanders. Ela insistiu em fazer isso comigo. Eu disse que seria estranho, mas ela...
- Não disse que estava estranho! - Annabeth retrucou, indignada - Pelo contrário, é o mais apresentável que você já esteve desde que te conheço, Nico! Estou vendo uma tonelada de meninas olhando para você. - ela acrescentou, indicando com a cabeça.
- Só espero que você não seja uma delas. - disse uma voz atrás de Annabeth, e ela se virou para encontrar Percy.
- Hunft! Você sabe a quanto tempo eu estou te procurando, Cabeça-de-Alga?
Percy fingiu não ouvir e Annabeth cruzou os braços. Ele esticou uma mão para Nico, que apertou-a.
- Quem é a felizarda?
Nico engasgou.
- Que?
- Para você ter aparecido assim de repente... - dizia Percy, sua voz era quase melodiosa - Só pode ser obra de amor. E então, quem é a felizarda?
E as bochechas de Nico arderam em fogo.
- Não é... não é isso. - gaguejou o pobre - Acontece que uma amiga minha, Lilian, me forçou a me arrumar.
Percy riu suavemente.
- Não precisa ficar nervoso, eu só estava brincando. Né, Sabidinha?
- Eu não falo com você, Percy Jackson.
E Annabeth saiu marchando para longe dos dois. Percy trocou com Nico um olhar de confusão.
- Não sei o que eu fiz dessa vez, mas é melhor ir atrás dela. - ele murmurou após pensar um pouco - Até mais tarde, Nico!
E com isso, Percy havia ido. Então Nico voltou a buscar desesperado por alguém que conhecesse. Viu Lilian ao longe. Ela estava junto de um garoto que tinha quase a mesma altura que Nico, talvez um pouco menos, e cabelos escuros. Ele usava um terno cinza tal como o céu nublado. Eles estavam muito próximos um do outro e riam, então Nico imaginou que aquela era uma péssima hora para puxar assunto.
Ali, sem ter para onde ir ou o que fazer, Nico percebeu que não devia ter ido àquele baile. Ele começou a andar na direção da saída, e uma menina loira, de olhos castanhos e sorriso largo o abordou a alguns metros da porta.
- Hey, acho que nunca te vi aqui antes! - ela disse com o sorriso largo - Sou Jeanette.
- Ah. - Nico não queria parar para conversar. Ele queria ir embora. Não se sentia tão à vontade com gente que não conhecia, principalmente garotas - Com certeza já. Nico di Angelo. Filho de Hades.
O sorriso da menina murchou para uma expressão surpresa. Ela gaguejou:
- N-nico de Hades? Você está tão... diferente.
Nico coçou a cabeça - Pois é. Bem... eu estava indo lá fora tomar um ar. Acho que sou meio claustrofóbico. - desculpou-se ele.
- Hm, ahwn, claro, Nico. - a loira murmurou meio desconfortável e deixou que Nico passasse por ela. Ele apressou o passo antes que mais alguém o parasse.
Ao chegar ao lado de fora, Nico pensou no que fazer pelo resto da noite. Então se lembrou das palavras de Apolo: "Não perca o baile de verão. Fiquei sabendo que vamos ter um belo show no lago de canoagem. Apareça por lá!". Pelo que Nico sabia, o baile era muito longe do lago de canoagem. E ninguém dissera nada sobre um show lá. Porém, talvez por não ter um lugar melhor para ir ou talvez por ter visto um flash loiro sair do salão à sua procura, Nico encaminhou-se para o lago de canoagem.
Assim como presumiu, não havia nenhum tipo de show lá. O lago estava extremamente silencioso, e até mesmo os animais pareciam quietos por ali. Os únicos sons audíveis eram os de uns poucos grilos e alguns sapos. Em geral, era silêncio. Nico foi andando pelo perímetro do lago apreciando a Lua refletida sobre ele à noite. O reflexo parecia ter mil e um significados. Nico então olhou para a margem do lago. E a viu.
Rachel Elizabeth Dare usava um vestido que ia até os seus joelhos, branco, com a consistência de flocos de algodão. Ela parecia estar vestida por nuvens, tal como o vestido aparentava maciez. Suas alças caíam levemente dos ombros, que estavam cobertos pelos soltos cabelos avermelhados dela. Ela estava usando uma coroa de flores branca na cabeça, e Nico supôs que aquela era sua roupa para o baile. Mas ela não havia aparecido lá. Ao invés disso, estava ali, sentada sobre uma pedra na margem do lago, com um flor nas mãos, girando-a enquanto fitava o nada. Nico sentiu-se atraído para ela, e deu alguns passos em sua direção.
Uma brisa passou pelos dois; dançou com os cabelos de Rachel e assobiou nos ouvidos de Nico. Por intuição, Rachel virou-se. Ela encontrou o olhar de Nico sobre ela e congelou. Seu rosto ficou pálido e ela prendeu a respiração.
- Nico...
A próxima postagem não vai demorar tanto quanto a última. Que bom. Desde já, agradeço estes minutinhos que vocês perderam de seus dias lendo o capítulo. :D
