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Minha melhor amiga: insana, bêbada e boa de cama

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Capítulo seis – Tudo que eu preciso...

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O moreno aguardava na recepção do hospital, aflito. Sakura havia passado pelas portas ao fim do corredor ao que lhe parecia muito tempo. Desde então ele não tivera nenhuma notícia. Estava preocupado e já havia tomado vários copos de café, na tentativa de se acalmar. Esperou longos minutos até que um médico de óculos aproximou-se. Ele encarou Sai, com a típica expressão fria que os médicos têm.

- Você é o acompanhante de Haruno Sakura? - perguntou, num tom igualmente frio.

- Sim... - Sai levantara-se apressado, esperando o que o outro tinha a dizer.

- A garota está bem, está se recuperando. Mas não pudemos salvar o bebê... Foi aborto espontâneo. Vamos levá-la para o quarto e você poderá vê-la. - e dizendo isso ele desapareceu pela mesma porta que viera, deixando Sai aliviado e triste ao mesmo tempo. Aliviado por Sakura estar bem, e triste por saber que o filho que poderia ser dele estava morto. Realmente havia se apegado a idéia de criá-lo e tal acontecimento o pegou de surpresa. Ele sentou-se, um tanto estupefato, esperando até que pudesse ver Sakura. Não demorou muito até que uma enfermeira aparecesse e o acompanhasse até o quarto, onde a garota dormia tranquilamente. Sai entrou no quarto e sentou-se na cadeira ao lado da cama. Segurou uma das mãos dela e a observou por longos segundos em silêncio. Admirou cada parte de seu rosto, afagou seus cabelos com carinho, sutilmente para que ela não acordasse. Apoiou a cabeça sobre a cama e continuou ali, perdido em seus pensamentos enquanto a observava. Acabou por adormecer muito tempo depois.

Abriu os olhos, o dia havia clareado por detrás das cortinas do quarto e Sakura ainda dormia. O moreno levantou-se lentamente e caminhou até as janelas, puxando um pequeno pedaço da cortina para observar o lado de fora.

- Sai...? - a garota chamou, com a voz sonolenta enquanto ele se apressava em voltar para junto dela.

Ele sorriu. - Como está se sentindo? - beijou-lhe a testa e sentou-se ao seu lado novamente.

- Tô me sentindo estranha... Meio grogue... - disse lentamente.

- É normal... Mas você vai se recuperar logo.

Ela lhe lançou um olhar triste. - Eu... - começou, com a voz embargada. - Eu perdi meu filho Sai... - não tardou até que seus olhos se enchessem de água e a face ficasse avermelhada. As lágrimas lhe caiam devagar, cada uma, porém, aumentando mais sua angústia. Sai não sabia direito o que poderia dizer. Era um momento difícil e não só para ela. Tentava secar suas lágrimas enquanto novas caiam.

- Deus ouviu minhas preces... Eu não devia ter dito que queria tirar meu filho! Eu devia ter morrido junto com ele! - suas palavras eram lentas, mas cercadas de uma tristeza profunda.

- Não diga uma coisa dessas Sakura! - Sai, pediu. Seus olhos também estavam tristes. - Olha, é um momento difícil pra nós, mas...

- Não me venha com "mas", Sai! - ela bradou num surto de irritação. - Eu quero ficar sozinha um pouco... - ela amenizou seu tom, tentando indiretamente se desculpar. Não era sua intenção ofendê-lo, mas realmente sentia que precisava de um tempo para pensar. Sai deu um último beijo em sua testa e caminhou para fora dali.

Suas lágrimas voltaram com mais intensidade. Sakura ainda se odiava por não ter sido capaz de gerar o filho por completo. E para piorar ainda mais a situação, a imagem de Sasuke não lhe saía da cabeça. Sua vontade era de ligar para ele e dar a notícia, mas sabia que não teria coragem para fazê-lo, não naquele momento. Uma enfermeira adentrou o quarto silencioso e sorriu para a garota.

- Você precisa se acalmar, ok querida... - disse gentilmente, analisando a expressão de Sakura e arrumando seu travesseiro e seu cobertor. Em seguida, aplicou uma injeção no braço magro da garota, que adormeceu segundos depois.

...

Sakura teve alta no dia seguinte. Sai lhe comprou flores e também seus chocolates favoritos e os dois deixaram o hospital juntos, seguindo direto para seu apartamento naquela que era uma manhã nublada. A garota, ainda obviamente abalada com o que lhe acontecera, estava mais deprimida do que antes de ir para o hospital. Falava pouco e comia pouco também, o que preocupava Sai cada vez mais. Ele tinha um amor enorme por Sakura e não queria lhe ver entristecida de forma alguma, tentando todos os meios possíveis para alegrá-la. Aos poucos tudo foi voltando ao normal, Sakura recobrou seu tom corado normal, passou a devorar rosquinhas de chocolate quase todos os dias e conversava quase tanto quanto antes. Porém, voltara a fumar e mesmo que insistisse dizer a Sai que estava bem, quando ele perguntava, ele podia ver a tristeza que rodeavam os olhos dela.

Cerca de um mês se passara e a rotina dos dois voltara ao normal. Sakura reclamava estar entediada e insistia na idéia de procurar um emprego, para ajudar Sai com as despesas da casa, porém o moreno rebatia dizendo que não havia necessidade.

- Mas Sai... Eu passo o dia todo aqui sem fazer nada! Estou farta disso! - reclamou certa vez.

- Já disse que não precisa Sakura, eu tô me ajeitando sozinho... - mas no fundo ele sabia que a garota tinha razão. Mesmo Sai tendo um enorme carinho por Sakura, sabia que aquela "brincadeira e casinha" iria acabar mais cedo ou mais tarde. Eles eram apenas dois amigos dividindo um apartamento e não havia porque tratá-la como uma esposa. Sai entendia muito bem o lado da garota e nunca a forçara a nada, sempre a respeitara, mas também sabia que os dois precisavam ter uma conversa séria, conversa esta que Sai adiara por vários e vários dias.

- Sakura, querida... Nós precisamos conversar! - ele respirou fundo, finalmente tomara coragem.

- Que foi Sai? Você tá me assustando com esse olhar... - ela estava sentada no sofá enquanto ele se sentava à mesa de centro à sua frente.

Ele tomou fôlego novamente. - Você sabe que eu gosto muito de você, não sabe? - perguntou, olhando os orbes receosos dela.

- Claro que sim Sai, que pergunta é essa?

- Mas nós dois sabemos que você não gosta de mim... Quero dizer, não mais do que como um bom amigo...

Ela abriu a boca para falar algo, mas ele fez sinal para que ela esperasse. - Eu quero que você pense no que você está fazendo da sua vida, Sakura. Eu só quero o melhor pra você... Mas o ponto é: eu e você sabemos que não adianta o quanto você tente negar, é do Sasuke que você precisa!

Sakura o fitou por um momento, incrédula. As palavras lhe atingiram como um tapa na cara e ela nem sabia o que dizer. Ouvir aquele nome lhe remetera a pensamentos que ela tentara ignorar e agora começavam a lhe invadir de novo. - O que te faz pensar isso? - ela perguntou, num tom levemente irritado.

- Sakura, pro seu próprio bem... Para de tentar se enganar, okay! Eu posso ver nos seus olhos que você não está feliz como deveria estar... Eu não quero continuar sendo o responsável por te prender aqui! - as palavras dele eram sinceras e era exatamente isso que assustava Sakura. - Olha, eu não tô te expulsando daqui... Eu quero que continuemos dividindo esse apartamento... Mas quero dividi-lo com uma Sakura feliz! - ele sorriu ao completar a frase, esperando que ela o entendesse e lhe desse qualquer resposta. A expressão dela o assustava.

- Por que você acha que eu devo correr atrás daquele traste que é o Sasuke? Ele fez questão de me abandonar no momento que eu mais precisei... Ele não vale o chão que pisa! - suas palavras eram banhadas em mágoa.

Sai respirou fundo, e quase rezou para que a garota não explodisse com ele depois das palavras que viriam a seguir. - Sasuke só te disse todas aquelas coisas... Porque eu praticamente o forcei a tal! - ele contemplou o chão, esperando que o mundo desabasse sobre sua cabeça.

Haruno levou algum tempo para digerir aquela informação. - Olhe pra mim Sai! - bradou, fazendo com que ele a olhasse. - O que exatamente você fez? - sim, ela estava irritada e com razão!

- Disse que cuidaria de você e do bebê se ele saísse das nossas vidas! Mas eu me arrependo Sakura! Só agora sei como isso foi errado! - suas palavras ainda eram sinceras, mas isso não convencera Sakura.

Ela lhe lançou um último olhar, este que era de puro nojo. Levantou-se e saiu do apartamento batendo a porta atrás de si. O moreno respirou fundo e enterrou o rosto nas próprias mãos, desejando que Sakura pudesse perdoá-lo o mais rápido possível.

...

A garota com seus cabelos róseos bagunçados caminhou pelas ruas sem saber exatamente aonde ir. Não podia votar à própria casa, não queria voltar ao apartamento de Sai e ter que encará-lo (não havia clima para isso), sabendo do que ele havia feito. Tinha perdido contato com todos outros amigos e não fosse um pouco do próprio juízo ter dado ar de sua graça, ela voltaria para o cabaré... Deixou o corpo escorregar pelo muro frio na rua deserta e enterrou a cabeça nos joelhos. Não demorou até que as lágrimas caíssem com intensidade e seus pensamentos sobre Sasuke e tudo que ela havia feito até ali lhe invadissem. Sua cabeça dava voltas... Ela queria acabar logo com tudo aquilo. Sentia falta de sua mãe, de sua cama, de Sasuke ouvindo seus problemas e do jeito como ele sempre tratava as coisas. Do cabelo desleixado dele e por fim, da sua antiga vida, quando ela era apenas Haruno Sakura, a menina nerd dos óculos horríveis e da trança nos cabelos. Seria possível consertar tudo? - ela pensava, enquanto as lágrimas continuavam a cair. Queria acabar com aquela brincadeira de casinha, queria pôr um ponto final naquela depressão e mais do que tudo, queria poder abraçar Sasuke de novo e pedir perdão por tudo, dizer que... o amava. Ela ficou ali, perdida em pensamentos, com os braços em volta dos joelhos juntos. As lágrimas secaram. Ela mal pregara os olhos. O dia amanheceu e Sakura sabia o que deveria fazer.

X

Eram por volta das sete da manhã quando a campainha tocou freneticamente. Eu havia dormido na sala, para minha infelicidade! Acordei atordoado, ouvindo o barulho e demorei algum tempo até raciocinar que precisava me dirigir até a porta para ver quem estava do outro lado. Tive vontade de continuar deitado, mas o maldito barulho não parara por pelo menos três minutos seguidos. Levantei-me com dificuldade e conferi se estava apresentável. Ótimo! Eu havia dormido de samba-canção, tudo que eu precisava.

Abri a porta finalmente, esperando encontrar até mesmo uma senhora com uma bíblia embaixo do braço e querendo me levar para os caminhos do senhor. Mas era apenas Haruno Sakura, a garota que eu esperava nunca mais ver. Certo, "nunca mais" é forte... Mas realmente não esperava vê-la em lugar diferente dos meus pensamentos, por um bom tempo. Eu pisquei algumas vezes, incrédulo, tentando descobrir se não era sonho ou coisa parecida. Mas ela estava lá de fato, com os olhos avermelhados e inchados, o cabelo completamente bagunçado e as roupas mais desleixadas que nunca. Ela me encarou seriamente e então disse:

- Por favor, me deixa entrar! - ela pediu e eu não tive como negar. Simplesmente lhe lancei um olhar impenetrável e fiz sinal para que ela entrasse, batendo a porta depois.

Ela entrou e ficou em pé, na frente do sofá. Continuei em pé também, encarando-a e esperando por alguma palavra.

- Eu perdi o que poderia ser nosso filho... - ela encarava os próprios pés enquanto falava. Eu ficara tão surpreso com a visita dela que quase esquecera o motivo de tantos meses sem vê-la.

- O que houve?

- Foi aborto espontâneo... - ela suspirou, ainda olhando para baixo.

- Você já me deu a notícia, agora pode ir... - meu tom era áspero, mas não era algo que eu podia controlar. Ela me encarou, incrédula. - Já disse que pode ir...

- Não foi só isso que eu vim dizer. Eu vim pedir desculpa por tudo que eu te fiz passar! Por todos meus chiliques, todos os erros que eu cometi e envolveram você... Pedir desculpa pela pessoa que eu me tornei! Sasuke... - seu tom era inseguro, ela parecia pronta a desabar a qualquer instante, mas não havia lágrimas em seus olhos.

- É só isso? Um pedido de desculpas? Se é o que quer eu desculpo você... Agora por que não volta para junto do Sai?

- Não Sasuke! Eu sei que você tem todo o direito do mundo de estar puto comigo, mas... não é o Sai que eu quero, eu nunca quis! - ela estava a ponto de gritar também. - Não importa o que você diga, nada vai fazer com que eu saia daqui sem que você me escute!

- Me escuta você Sakura... Eu levei muito tempo pra me conformar com toda a situação que você impôs! Eu fiz tudo que podia, mas eu estou farto de você e de todas essas maluquices...

- Para! - ela gritou - Para de fingir ser uma coisa que você não é, Sasuke! - ela me encarava agora. - Eu sei que você só me disse todas aquelas coisas porque 'precisava' sair da minha vida! Você sempre quis o meu melhor... Você sempre me estendeu a mão quando eu precisei... Então não espere que eu vá acreditar nesse teatro de um Sasuke frio que não se importa comigo! Porque eu sei que você se importa! - suas palavras eram rápidas demais e ela não deixava de me olhar fixamente. Ela recobrou o fôlego. - Eu sou estúpida por não ter percebido isso antes... - ela parou. Eu a encarei, esperando que ela continuasse. - Eu amo você, Sasuke! E é só de você que eu preciso... - eu não pude evitar minha próxima ação diante daquelas palavras, minha mão atingiu-lhe a face esquerda deixando uma marca vermelha no lugar. Mas Sakura voltou a me olhar, agora com as lágrimas escapando-lhe facilmente. Me partia o coração vê-la assim. Em quatro meses, tudo que eu queria era que ela recobrasse o maldito juízo... Eu pensava nela todos os dias, imaginando como ela estava se sentindo e me odiando por ter dito aquelas palavras cruéis a ela. E finalmente eu podia fazê-lo... Eu a abracei em súbito, surpreendendo-a. Ficamos parados em silêncio, até que eu tomei fôlego e coragem.

- Se você soubesse o quanto eu esperei por esse momento... Como eu desejei que pudesse ter você de volta na minha vida... Você faz falta! - me separei dela e a olhei, seus olhos assustados e sua face ainda avermelhada. Passei uma das mãos por seu rosto machucado e me aproximei, tomando seus lábios macios, experimentando a indescritível sensação de tê-la para mim. Quando nos separamos eu observei aqueles lindos olhos verdes e sorri.

- Eu amo você... - ela sorriu de volta ao ouvir minhas palavras e me abraçou novamente, puxando-me para um beijo intenso e quente, tão bom que não tive vontade de parar. Era como desfrutar de um pedacinho do céu. Ok, isso soou muito mal, mas é a pura verdade.

Nós dois tivemos uma longa conversa depois disso. Ela me contou sobre os dias difíceis que passou quando ainda estava grávida e como foi mais difícil ainda depois de perder o bebê. Contou também sobre sua relação com Sai, que não é o melhor tipo de pessoa, mas devo admitir que amava Sakura de verdade, ou não teria feito tudo que fez. Ela acabou perdoando-o para que pudesse dar um basta em todo aquele episódio insano das nossas vidas. Convenci Sakura a fazer as pazes com a senhora Haruno, que chorou muito e deixou a filha de castigo, mas aceitou-a de volta para casa. Eu pedi Sakura em namoro, oficialmente e é claro que ela aceitou! Ela recobrou o juízo, e esqueceu de uma vez por todas aquela idéia de trabalhar num cabaré. Parou de fumar, voltou pra escola e às vezes ainda tem um ataque nerd e começa a comer rosquinhas sem parar! Confesso que tenho medo... Bom, ela continua sendo minha melhor amiga. É claro que deixou toda a insanidade de lado e deixou de ser bêbada, mas continua boa de cama.

X

Espero que eles tenham vivido felizes para sempre! Eles se merecem! XD

OMFG! Não acredito que consegui. (pelo menos o capítulo ficou maior do que eu imaginava)

Peço minhas sinceras desculpas por esse final de fanfic tão sem graça e também por toda a demora. Desculpem o transtorno!

Espero que tenham gostado pelo menos um pouquinho... De qualquer forma, deixem reviews!

Obrigada a quem leu! Obrigada por todas as reviews construtivas e incentivadoras que mandaram! Mesmo, mesmo! Continua sendo indescritível ler um elogio sobre o que você mesma criou. Obrigada, do fundo do meu rim!

Kisses and Bubais ~

(Não, não vou me conter! Vocês me conhecem e sabem que eu não sou boa com prazos... Sabendo disso, se ainda quiserem conferir a fanfic "A dama e o prostituto", eu e minhas palavras estaremos esperando de braços abertos! A fic está caminhando bem, por enquanto XD)