Capitulo V – Amigo é coisa para se guardar...
Eles permaneciam sentados frente a frente tendo a pequenina mesa de granito e listrados de ferro como único objeto distanciando por poucos centímetros seus corpos tensos e ligeiramente enfastiados.
Não se encararam por algum tempo, logo desviam seus olhares em qualquer outro lugar no interior daquele simples e apertado Café. Ambos sabiam que no fundo aquela situação em si estava tornando-se ridícula. Não foram acostumados a aquele tipo de silencio pesado e desconcertante. Não entre eles.
Nunca haviam se estranhado antes. Aquilo seria um possível começo? Agiriam como meros desconhecidos no final das contas? Desejava que não.
Aquele silêncio inflamava seus pensamentos e sua sensibilidade. Esperava fulgurantemente que alguém se manifestasse; Desta vez teria que ser ele?
Respirou fundo e ajeitou-se melhor sobre a cadeira estofada, buscando por um conforto que não veio.
Juntando toda coragem, levantou finalmente seus olhos para cima a ver a imagem daquela personagem ereta e com os braços cruzados folgadamente.
Pela primeira vez na vida não conseguira dizer o que aquele olhar direcionado para si significava. E ainda sim, o fazia oscilar por dentro.
- Hermione...
Sua voz saiu abafada, mesmo que não quisesse, resolveu continuar ainda que não possuísse certeza por onde começar.
Não houve qualquer outro som a não ser aquele que sairia de seus lábios.
- Eu sinto mui...
- Harry, por favor. Não.
Tentou juntar forças para se desculpar pelo intenso sumiço; por tê-la afastado de sua vida por tanto tempo, ter recusado sua preciosa amizade quando mais precisava dela.
Tentou dizer novamente, mas as palavras não saíram de sua boca. Fora Hermione quem tomara partido primeiro:
- Eu apenas não entendo... O que fizemos para que você nos odiasse tanto.
Aquilo atingiu o coração de Harry de tamanha maneira que instintivamente ele buscou ansioso sobre a mesa as mãos pequenas e macias de sua amiga, prendendo-as as suas próprias.
- Odiar? Eu jamais os odiei, Mione! Pelo contrário, jamais deixei de pensar em vocês em momento algum!
Mas a expressão severa e magoada não se dizimou. Hermione afastou suas mãos do contato quente e colocou-as entre seu colo.
- Passamos quase dois anos sem termos noticias suas. Você simplesmente nos abandonou. Nos afastou apenas porque resolveu fugir com aquele homem! Aquele que fez inclusive de sua vida um verdadeiro inferno por tantos anos! ... Eu não consigo entender.
E Potter abaixou a cabeça, desolado. Já não sabia realmente se aquele encontro valeria para algo. No entanto, ele ao menos tentaria fazer-se entender por Hermione. Afinal, não poderia queixar-se dela pensar daquela maneira, apesar de já terem – muito brevemente – discutido sobre o assunto de seu suposto relacionamento na época com Draco Lucious Malfoy.
- Mione... Eu fui obrigado a me afastar, por favor, tente compreender meu lado. Vocês jamais aceitariam!
- E pode nos culpar por isso? Estamos falando de Malfoy, Harry! O que ele fez com você?
Harry respirou fundo. Devia saber que aquele reencontro posterior há tanto tempo não seria menos conflituoso.
- Eu me sinto feliz com ele, Mione. Por mais estranho que isso lhe soe, eu realmente me sinto feliz como jamais me senti antes. Eu desejava ardilosamente compartilhar isso com você, por ter sido minha melhor amiga por tantos anos... Mas não pude. E eu espero que você possa me perdoar por isso.
- Harry... Eu achei que jamais voltaria a te ver.
Surpreendendo até a si mesma, Hermione se levanta depressa e abraça forte seu amigo tentando preencher por vez sua clara falta. Harry mais que depressa e ainda emocionado, se levanta também e responde aquele abraço prendendo-a forte em seus braços.
E passaram algum tempo desta maneira antes de por fim se separarem, sentido-se mais aliviados.
- Eu ainda me sinto magoada pelo que aconteceu, Harry...
E Harry apenas assentiu, esperando o mofino término daquelas palavras.
- No entanto... Desde quando te vi entrar por aquela porta, notei um brilho diferente em seu olhar e por mais que eu não entenda como ou o por quê... No fim de tudo, vejo que está feliz; Está bem. E te ver assim me conforta.
E ele sorriu. Sentindo-se ainda mais aliviado. Abraçou novamente sua amiga, suspirando agradecido:
- Obrigado, Mione.
E Hermione o abraçou de volta. Ainda teriam muito que conversar.
A uns dez quilômetros se onde Harry e Hermione se encontravam, havia um Hotel quatro estrelas, acolhedor e privativo que mantinha Draco e Harry hospedados temporariamente enquanto ambos resolviam certos assuntos referentes a eles próprios, ou quase. Enquanto Harry ocupava-se de encontrar sua antiga amiga dos tempos de infância, Malfoy por outro lado fora intencionalmente a negócios. Havia quase quatro anos que se empregara em uma nova firma chamada Reaktor Innovations como profissional de Relações Internacionais e verdade seja dita, era um dos melhores profissionais existente naquela área. Seu velho chefe Bruce Anemone já havia-o convidado para um jantar ainda essa semana para discutirem um possível aumento salarial e sua candidatura para novo sócio da empresa.
Ainda trabalhava com seu pai quando – segredamente – procurou e conquistou seu lugar de destaque naquele lugar. Uma atitude ponderada articuladamente com propósitos que envolviam a formação de sua independência futura, precisa, junto a Harry Potter.
Neste momento, no entanto, Draco ajeitava polidamente seu sobretudo grafite sob o corpo, abotoando todos seus botões. Normalmente não gostava de usá-lo, mas não tivera muita escolha. Allan Preux o ligara há pouco afirmando estar com sérios problemas de comunicação com outro grande empresário chamado Nans Leroy, um dos principais aliados a Reaktor Innovations.
Sem muita alternativa, sabia que precisava resolver este problema indesejavelmente inoportuno. Arrumou uma pequena mala onde apenas levaria consigo o essencial que garantisse sua volta ainda aquele dia. Com tudo pronto, faltava apenas avisar Harry que faria outra viagem mais que retornaria o mais breve possível.
Pegou o celular jogado encima da cama e discou os números rapidamente, esperando logo que ele atendesse.
Mas não atendeu. O celular estava desligado.
- Droga, Potter! O que diabos está fazendo com Granger?! – sentindo a chegada de uma possível irritação tenta ligar mais duas vezes antes de sair do quarto, porém Harry ainda mantinha o aparelho desligado.
Pensando que talvez fosse melhor ligar mais tarde, se apressa sobre uma folha de papel e uma caneta ortográfica que ficava encima da mesa aonde Harry mantinha seus papéis bagunçados.
Escreveu o seguinte bilhete a ele:
Idiota,
Eu tentei te ligar várias vezes e não consegui.
Mais tarde exigirei explicações detalhadas sobre o porquê de ter desligado esta porcaria de telefone!
Por acaso não quer ser atrapalhado com que droga esteja fazendo com Granger?
Estou voltando para a Itália, preciso resolver alguns problemas que surgiram
por lá, espero voltar hoje mesmo.
Ligue para mim quando ler este bilhete.
(isto não é um pedido).
Eu te amo.
Draco.
Mais que depressa se caminha para fora do quarto até pegar o elevador. Uma Passenger Limousine já esta a sua espera para partir. O motorista recebe as ordenadas e dirigi até Munique para que ele possa pegar o helicóptero da empresa, o que facilitaria e agilizaria sua viagem.
- Esta manhã não tem como ficar pior...
Declarava amuado a si mesmo.
E infelizmente, ele não poderia estar mais equivocado.
Harry conversava agora sobre os Weasley e o que havia acontecido a cada um deles. Hermione menos abatida o dizia tudo com atenciosidade, apesar de descartar outros detalhes que provavelmente magoariam Harry.
Após saírem do Café passearam por algumas ruas gélidas de Augsburgo e Mione perguntara novamente, porém ainda insegura, sobre ele e Draco.
- Onde estão morando agora, Harry?
- Nos mudamos para a Itália. Licenciei uma das empresas de meu pai que havia sido construída na região e passei a dirigi-la. Tentei fazer Draco trabalhar comigo, mas ele se recusou. Há muito havia encontrado outro emprego que de certa forma o faz privá-lo de quaisquer rotina, o que sei que detesta.
- Entendo...
- Mione, há algo errado?
-Não, Harry! Nada está errado. Quer dizer, eu ainda estou processando seus pontos de vista e o que aconteceu com você... E Malfoy. Eu apenas poderia perguntar desde quando estão juntos?
- Claro Mione. Não há problema algum.. Bem, nós começamos a sair algumas vezes nos últimos meses do Terceiro Ano e mais tarde na faculdade...
- E naquela época você e Gina...
- Sim... Nós ainda estávamos juntos.
Estabeleceu-se um silencio pesado novamente. Harry queria perguntar, estivera adiando aquilo até aquele momento, precisava saber...
- Mione... Como Gina está?
- Por que quer saber?
A voz de Hermione saiu em maior defensiva, até mais do que gostaria. Tentou consertar após ver as modificações nas feições de Harry.
- Eu não faço idéia, Harry. Fazem oito meses desde a ultima vez que a vi. Ela... Me parecia bem.
- Isso é muito bom. Ela merece toda a felicidade do mundo, apesar de não ter dado certo entre nós.
- Jamais daria Harry. De uma forma ou de outra, vocês eram muito... Diferentes.
- Espero que algum dia ela me perdoe.
- Não se preocupe Harry. Tenho certeza que ela não guarda ressentimentos seus. E deve estar vivendo a vida dela de forma que merece.
Harry não soube por que, mas aquelas palavras de Hermione não lhe apaziguou, pelo contrário, a cada passo sentia seu coração se apertando e comprimindo dentro do peito cada minuto a mais.
De repente lhe ocorreu pela mente a imagem de Draco.
Precisava ligar para ele.
Anhá! Muito obrigada pelos comentários escritos e muito obrigada aos quem vem acompanhando ;)
Desculpem a demora, espero postar tudo que falta ainda hoje.
Matta ne!!
Paula-chan
