Na sua segunda semana de universidade, Lily sentia-se como se nunca tivesse deixado de estudar. As aulas iam muito bem. Os professores e os alunos já haviam deixado de ser estranhos. Eram todos amigos.

Achando que andava muito isolada, tornara-se mais íntima de duas moças da sua idade, com quem saía às vezes, depois das aulas, para tomar café. Aquela noite de quinta-feira não foi exceção. James viajara para Boston a negócios e ela sentia-se pouco disposta a voltar para casa. Tudo parecia ainda mais vazio, quase intolerável, sem ele.

Já passava das onze, quando transpôs a rampa da garagem. Saltou do carro e deixou-se ficar um pouco ali fora, respirando o ar puro e frio de outono. Como era bom aquilo, diferente da terrível uniformidade do clima da Califórnia. Antes de entrar, ergueu os olhos. As estrelas brilhavam minúsculas no profundo azul-escuro do céu. "Uma noite feita para o amor...", pensou com um leve suspiro.

Subiu as escadas e, a caminho da cozinha, apertou o botão da secretária eletrônica. A voz de James encheu o silêncio: Alô, Lily. Essas reuniões parecem não ter mais fim. Não dá para voltar hoje, como eu pensava. Telefonarei amanhã." Uma pausa e então: "Boa-noite, Lily."

— Boa-noite, James — respondeu. Depois sacudiu a cabeça. Devia estar maluca para conversar com um aparelho.

Sorriu sem querer. Sentia-se bem-disposta. O café animara-a. Abriu o armário e retirou uma garrafa de vinho. Examinou a etiqueta. Era um Mouton Rothschild, o vinho preferido de James. Abriu-o, encheu um copo e experimentou-o. Depois, com o copo na mão, encaminhou-se para o andar superior.

No topo, voltou automaticamente os olhos para o quarto de James. A porta estava entreaberta, mostrando o interior às escuras. Sentia tanta falta dele... Ele partira havia apenas dois dias, mas parecia uma eternidade. Ficou ali, lembrando o fogo de sua língua, quando ele a beijara, e sentiu a excitação dominá-la completamente. Virou-se rapidamente e entrou em seu próprio quarto.

Aproveitando a total privacidade, despiu-se com a porta aberta, jogando as roupas a esmo pelos cantos, e entrou debaixo do chuveiro. As agulhadas da ducha estimularam-na e fizeram-na sentir-se mais viva. Baixou os olhos e viu os bicos dos seios endurecerem lentamente sob a ação da água. Era quase como se James estivesse ali, acariciando-a...

Saiu do chuveiro com relutância, embrulhou-se numa toalha e dirigiu-se para o quarto. Apanhou o copo de vinho, tomou um gole e ligou a televisão. Enquanto ouvia o último noticiário da noite, largou a toalha e parou em frente ao espelho para olhar-se inteira, da cabeça aos pés.

Fisicamente, era ainda a mesma de nove anos atrás. Talvez os seios estivessem um pouco mais cheios, mas continuavam firmes e o corpo conservava a esbelteza da juventude. Satisfeita, passou as mãos pelos quadris e espreguiçou-se voluptuosamente. Queria vestir algo leve, macio e feminino naquela noite, algo que quebrasse a rotina rígida e invariável que seguia.

Pensou num quimono chinês de brocado. A única coisa mais próxima disso que possuía era o negligé que fazia par com a camisola azul. Retirou-o de seu invólucro de papel de seda e ergueu-o para examiná-lo. Era delicado, feminino, mas não tão sexy quanto a camisola.

Apanhou-a e segurou-a contra o corpo. Elegante demais. Mas não resistiu à tentação. Vestiu-a e tornou a contemplar-se no espelho. A camisola curta e macia aderia suavemente ao seu corpo, soltando pequenas faíscas azuis quando ela se movia.

Escovou os cabelos e deixou-os cair livres pelos ombros para que secassem naturalmente. Depois procurou na gaveta da cômoda suas fitas de jazz. Era uma fã ardorosa da música instrumental.

Tomou o último gole de vinho e desceu com o copo vazio numa das mãos e duas fitas na outra. Foi direto ao escritório de James. Enquanto introduzia a primeira fita no estéreo, pensou vagamente o que fazia ali o sofá velho encostado num canto. Era um objeto estranho naquela linda casa vazia, à espera de móveis e quadros. Mas quando a voz nostálgica do saxofone de Kenny G elevou-se no ar, ecoando pelas paredes e enchendo toda a casa, não pensou em mais nada.

Cantarolando a velha canção sentimental que persistira nos recantos de sua memória naqueles nove anos, foi à cozinha apanhar a garrafa de vinho e algumas velas. Acendeu-as e levou tudo ao escritório. Tornou a encher o copo, apagou as outras luzes e, enlaçando-se com os braços, abandonou-se à magia da música.

"... As noites serão solitárias sem você...", cantou com voz baixa e rouca, acompanhando o instrumento.

Solidão. Aquilo era uma coisa que podia compreender. Fazia anos que se sentia totalmente sozinha. E nesse ponto James não era muito diferente dela. Senão, por que um homem tão dinâmico como ele, brilhante, atraente, perfeito em tudo iria se isolar numa imensa casa vazia? Talvez porque não quisesse correr os riscos de uma vida normal.

Tivera confirmação disso quando fora ao escritório. Lá conhecera o outro lado de James. O lado oculto. Enquanto Jeremy teria se sentido perfeitamente à vontade naquele piquenique improvisado com Sirius Black, James tivera que fazer um esforço sobre-humano para desarmar-se de sua couraça e divertir-se. Naquele meio tempo, ela ficara a observá-lo.

Não sentira mais a força que sempre sentira nele. O James de agora era um ser frágil em sua ilusória segurança. Soubera-o instintivamente, do fundo do coração. Olhando-o, era a si mesma que via. E isso só fizera aumentar o amor que sentia por ele. E o desejo de ajudá-lo de alguma forma.

Ao contrário do que a mãe dele havia dito, James precisava de ajuda. Apesar de tudo o dinheiro que possuía, apesar de todo o seu prestígio profissional, ele era um ser solitário. Por escolha, sem dúvida, pois devia existir uma infinidade de mulheres que teriam dado qualquer coisa por um homem assim. Mas, fosse por escolha ou não, o fato era que ele erguera um muro intransponível em torno de si.

Sabia disso, porque fizera o mesmo. Encerrara-se numa concha protetora onde havia apenas um calmo vazio. Entre aquelas frágeis paredes, que haviam feito recuar para bem longe o resto do mundo, mantivera-se a salvo de muitas coisas: dissabores, decepções, humilhações.

Mas qual seria o motivo de James Potter? Do que ou de quem ele estava se protegendo? Sentia, talvez por intuição, que uma verdade lhe havia escapado...

Procurou imaginar o que poderia ser. Mas não adiantava. Jamais iria adivinhar. Tomou mais um gole de vinho e de repente a noite ficou cheia de paz. Esqueceu-se de James e de si mesma e abriu a alma à mágica felicidade de não pensar.

Sentia a melodia escorrer por seu corpo como se fosse água fresca. Estendeu os braços e pôs-se a girar lentamente pela sala. Estava tão mergulhada em seu mundo particular, que não ouviu a porta da frente abrir-se, nem passos escoarem pelo corredor. Não sentiu a presença dele.

A luz das velas era suave, a música doce e ela deslizava lentamente, como se estivesse num mundo de sonho, muito distante. James permaneceu no corredor em penumbra, os olhos cravados nela.

Estava ansioso. Estivera-o o dia todo. E isso o levara a cancelar um jantar de negócios e a deixar Boston precipitadamente. Conseguira um lugar no último vôo e viera diretamente do aeroporto para casa, como se algo urgente, muito importante, algo que não podia esperar até o dia seguinte, estivesse aguardando-o.

Era a primeira vez que se sentia assim tão exaltado. Durante a viagem de volta, sentira no ar uma estranha excitação, que não contribuíra absolutamente para acalmá-lo. Essa sensação acompanhara-o até o pórtico da entrada e acentuara-se antes mesmo de abrir a porta, quando ouvira a música. Só então descobrira a fonte de seu nervosismo.

Agora não tinha mais dúvidas. Sabia pelo que estivera ansiando. Lily.

Tornou a olhá-la. A camisola era tão reveladora que nada ficava para ser imaginado. Os bicos erguendo a seda sobre os seios eretos, a curva suave do estômago, o púbis em evidência... Os longos cabelos se derramavam pelos ombros e o vinho acendia-lhe no rosto uma expressão sensual. Era uma visão de encher os olhos.

Lily tinha a impressão de estar flutuando. Havia um zumbido agradável em seus ouvidos. Tomou mais um pouco de vinho e sentiu o efeito da doce ilusão da embriaguez. Era como se James estivesse ali, beijando-a, acariciando-a...

"...Vem amor... sou toda sua...", cantou, dando à interpretação um calor todo especial.

James sentiu um aperto na garganta. A bela dama cantava coisas quentes. Quando ela passou girando, os olhos semicerrados, seu perfume invadiu-lhe as narinas. Aspirou-o profundamente. Limpo. Fresco. Incomparável. O coração batendo-lhe doidamente no peito, saiu das sombras e transpôs o limiar da sala.

Havia um perfume diferente no ar. Musgo... almíscar... Lily sentiu um arrepio e abriu os olhos. Quando teve total consciência das coisas, foi invadida por uma felicidade completa.

— James...

Ele estava ali, o blazer azul-marinho jogado displicentemente sobre o ombro, mais bonito do que jamais lhe parecera. Insensivelmente, seus olhos fixaram-se no peito amplo. Depois deslizaram para os quadris, pensando como seria excitante correr os dedos pela trilha de pêlos escuros que desaparecia sob o cinto, até encontrar a parte mais sensível daquele corpo soberbamente viril e acariciá-lo, acendendo-lhe os desejos. Prendeu a respiração, ao imaginá-lo crescer em suas mãos. Podia quase senti-lo dentro de si...

Respirou fundo e ergueu os olhos para James. Sua fantasia durara alguns segundos e ele continuava ali, imóvel. Não havia dito uma palavra. Ótimo! A batalha seria travada em condições mais favoráveis para ela.

James sabia o que queria dizer aquele olhar e sabia também que estava metido numa grande encrenca. Fitou-a. Ela sorria, desafiadora, consciente de seu poder.

E parecia dizer: "Eu sei que você me deseja. Não estaria me oferecendo, se soubesse que não me desejava".

Mas isso podia ser atribuído ao vinho. E, se ele tivesse um pouco de bom senso, pediria desculpas, diria boa-noite e iria direto para a cama. Sozinho. Seria muito fácil apanhar o que ela estava tão ousadamente lhe oferecendo. Seria muito fácil deixar-se levar pela magia da noite. Mas não seria justo.

Devia ir embora naquele exato momento, antes que fosse tarde demais. Antes que ela o envolvesse em sua rede de sedução. Antes que ele capitulasse. Mas quando quis dar um passo, não pôde. Já era tarde demais.

— Lily — murmurou com uma voz que soava como se fosse de outro.

Ela aproximou-se, insinuante.

— Você antecipou sua volta.

— Pois é...

— Algum motivo especial? — ela perguntou com a voz mais doce que lhe era possível.

— Queria estar em casa.

— Por quê?

James não respondeu logo. Ficou um momento a olhá-la, com um esboço de sorriso nos lábios.

— Senti sua falta — murmurou por fim, quase a contragosto,

Um doce calor cresceu dentro do peito de Lily. Não esperava que ele fosse dizer isso. Mesmo que fosse verdade. O que, tinha certeza, não era.

— Está falando sério?

— Você me conhece. Sabe que estou. — Ele sorriu de súbito, quase maliciosamente. — Você não devia estar na cama?

Lily tomou um gole de vinho para esconder seu nervosismo.

— Deu-me uma coisa, não sei bem o que foi. Resolvi ouvir um pouco de música e dançar.

— E tomar vinho.

— Está zangado comigo? — ela perguntou em voz baixa e hesitante.

— Que motivo tenho para isso? ― Ela suspirou.

— Vou acabar ficando alta. Acho que já estou — admitiu. Depois chegou mais perto e levou o copo aos lábios dele. — Tome um gole. É um vinho delicioso — disse com uma voz clara, de quem não estava de modo algum alta.

James fitou-lhe os lábios úmidos e depois os olhos. Estavam límpidos. Ela parecia resistir bem à bebida. Mas estava fazendo um jogo perigoso. Teria consciência disso? Experimentou o vinho, embora sua vontade fosse sentir o gosto dos lábios dela, rubros e convidativos.

— Mouton Rothschild — reconheceu de imediato.

— Seu vinho preferido. Tome — ela disse, entregando-lhe o copo. — Vou buscar outro para mim.

James viu-a desaparecer no corredor e voltar instantes depois com um copo, que encheu de vinho até a borda.

— Saúde!

Ele acompanhou-a no brinde.

— Saúde.

Ela aproximou-se lentamente.

— Bem-vindo ao lar — murmurou e beijou-lhe o rosto. Foi um beijo rápido e leve como o esvoaçar de uma borboleta.

James sorriu. Não podia deixar de fazê-lo. Ela era adorável.

— Você está muito bonita esta noite.

— Você está se referindo à camisola? É linda, não é? — ela disse, rindo e dando um giro para que ele a apreciasse em toda a plenitude de sua beleza.

James teve vontade de colhê-la pela cintura, apertar seu corpo de encontro ao dele, afogá-la com um beijo ardente.

— Linda! — exclamou, demorando-se na contemplação dos seios, que ofegavam sob a seda.

Lily sorriu para aliviar a tensão. Queria aparentar segurança, mas estava confusa. Não esperava James aquela noite, caso contrário não teria vestido aquela camisola tão transparente. Sentia-se exposta, vulnerável. Porém as coisas tinham acontecido ao acaso.

Agora, a questão era saber o que fazer. Pensamentos contraditórios passaram-lhe pela cabeça. Poderia pôr um fim àquela situação constrangedora desejando-lhe boa-noite e correndo para o quarto. Ele não tentaria impedi-la. Mas não estava disposta a isso. Podia ainda oferecer-lhe um café, sentar-se com ele à mesa da cozinha e perguntar-lhe se a viagem fora produtiva. Mas daquele jeito, praticamente nua, seria impossível manter uma conversa séria.

O que lhe consentia uma única alternativa: deixar que a natureza seguisse seu curso. Seria uma boa oportunidade para testá-lo e testar a si mesma. Nunca havia tentado isso antes. Nunca avançara tanto que lhe fosse impossível conter-se. Fora sempre capaz de recuar no momento oportuno.

O que aconteceria se não recuasse, se o excitasse até a exasperação? Estava segura de sua força. Mesmo imóvel, observando-o, percebia que James não se mostrava indiferente à sua quase nudez. Os olhos castanhos percorriam seu corpo com desejo intenso, embora controlado. Ele não resistiria por muito tempo.

James sabia que ela o estava observando. Aquilo fazia parte de um jogo. Um jogo antigo como o tempo. Tinha a intuição exata disso. Como tinha a intuição de que todas as suas boas intenções corriam o risco de naufragar. E por uma única razão: desejava-a loucamente, como nunca desejara mulher alguma, mais do que a desejara naquela noite de nove anos atrás. E bastava querer para tê-la, sabia.

Mas deixar-se envolver por aquela atmosfera de sedução seria complicar outra vez a sua vida, seria meter-se em novos apuros. Coisa que absolutamente não queria. Olhou-a. Ela esperava tranqüila, numa atitude graciosa. Seus olhos estavam cheios de esperança, seus lábios tremiam. Hesitou um instante. Podia ainda recuar e dar por encerrada aquela pequena representação erótica.

— Lily... — começou.

— Você me parece tão pouco à vontade — ela murmurou, aproximando-se.

— Nunca me senti melhor — disse James, admirando-se da observação.

Lily chegou mais perto e afrouxou-lhe o nó da gravata.

— Toda vez que vejo você vestido tão formalmente, tenho a vontade de fazer uma coisa.

— Que coisa?

— Despi-lo!

James ficou quase estatelado de surpresa. Obviamente, ela já se decidira. Permaneceu imóvel, enquanto ela desfazia o nó da gravata, deixando as duas pontas livres. Também não se mexeu, quando ela desabotoou o primeiro botão da camisa, o segundo, o terceiro. Não fez caso ao aviso que se acendia num canto remoto de seu cérebro e permitiu-lhe escorregar a mão brandamente para dentro de sua camisa. Sabia que tinha de resistir mas, incapaz de lutar contra a lassidão que o invadia, fez exatamente o contrário. Abandonou-se àquele contato sem pensar em mais nada.

Os dedos delicados deslizavam sobre sua pele, suaves e macios, deixando uma trilha de fogo por onde passavam.

Era como se uma corrente elétrica saísse deles, inflamando-o, enchendo-o de um prazer sensual,

— Lily... — murmurou, sentindo a excitação crescer. Ela se achegou mais, feiticeira.

— Seu coração está batendo forte — disse maciamente, beijando-lhe o peito no ponto em que a camisa estava aberta.

— Como um louco — ele suspirou.

— O meu também.

Num ímpeto, Lily agarrou as duas pontas da gravata e puxou-o para si. O movimento fez cair a alça da camisola e ela a largou por completo, deixando-a escorregar pelo braço.

— Dance comigo — exigiu.

Os braços dele cingiram-na involuntariamente. Ela o abraçou, num assomo de emoção, e descansou a cabeça em seu ombro. Tomados de uma lenta, doce febre, flutuaram pela sala ao som das notas sensuais do saxofone. James sentiu o calor dos seios dela através da seda da camisola e suas emoções atingiram um grau inconcebível de intensidade.

Quando a música terminou e ela ergueu a cabeça, tomou seu rosto entre as mãos e beijou-a. Ela abriu a boca ardente e colou o corpo ao dele. Abraçou-a, tirando-lhe o fôlego. Depois, largou-a tão subitamente quanto a agarrara, dando-lhe a oportunidade de afastar-se. Ela não o fez e ele tornou a beijá-la, mas com beijos profundos e possessivos, que a faziam ofegar.

Lily sentiu um tremor no corpo e fechou os olhos por um instante. O tremor espalhou-se rapidamente, suas pernas se enfraqueceram e ela apoiou-se nele, toda lânguida.

— James... — murmurou, com um fio de voz.

Ele a agarrou pelas nádegas. Sentiu-lhe a nudez através da seda e seu sexo começou a pulsar. Aninhou-o entre as pernas dela e ela não afastou o corpo. Aceitava-o.

— Quero você — murmurou-lhe ao ouvido. Lily abriu os olhos. Encarou-o por um momento e então sorriu. Depois, com um movimento leve, fez a camisola cair no chão, aos seus pés. As chamas das velas envolveram com um clarão dourado seu lindo corpo nu. Não havia mais barreiras entre eles.

James ergueu-a de um golpe e carregou-a no colo até o sofá. Depois recuou um pouco para olhá-la. Seus lábios estavam entreabertos, numa inconsciente antecipação de posse, e os bicos dos seios desabrochavam para ele como duas rosas vermelhas. Roçou-os com os dedos e inclinou-se para beijá-los.

Lily trouxe-o para mais perto de si e prendeu-lhe as coxas com os braços.

— Quero lhe dar prazer — ela murmurou, puxando-lhe o zíper da calça.

Fitaram-se por um instante, enquanto ela introduzia a mão para dentro da abertura e capturava-lhe a virilidade. Quando começou a acariciá-lo com movimentos que se tornavam cada vez mais frenéticos, James fechou os olhos, atordoado com a onda de sangue que lhe subiu à cabeça.

— Beije-me — foi tudo o que conseguiu dizer, falando com esforço.

Ela passou-lhe os braços pelo pescoço e colou a boca na dele. Beijou-o longamente, mordendo-lhe os lábios e o queixo, um beijo ávido que terminou num murmúrio urgente:

— James!...

O corpo vibrando de paixão e desejo, ele desceu a mão até o macio e sedoso púbis, à procura do ponto mais sensível de seu sexo. Sentiu-a estremecer de prazer quando, delicadamente, pôs-se a massageá-lo, as suas coxas se separando aos poucos. Debruçou-se mais e ela puxou-o para si desesperadamente, apertando-lhe o rosto de encontro aos seios.

— Venha, James! Não seja tão delicado. Eu sou uma mulher!

Ele ergueu-se e estendeu os braços para ela.

— Aqui, não. Vamos para o quarto.

— Agora mesmo! Não agüento esperar. Já esperei demais.

Ele falou com calma:

— Já disse que não aqui.

— Por que não, James?

— Capricho meu.

Lily sentiu um tremor repentino que não tinha nada a ver com o frio da noite.

— Quero saber o motivo. Você sempre tem uma explicação para tudo.

Ele lançou-lhe um olhar exasperado e afundou os dedos nos cabelos.

— Não percebe que está complicando as coisas?

— Não sei por quê.

Ela sentou-se no sofá, com os seios magníficos a ostentar-se vitoriosamente. James olhou-a e pensou que nunca em sua vida havia conhecido uma mulher mais bonita. Mas disse:

— Nesse sofá, não.

— Que há com ele? — insistiu Lily, já humilhada pela resistência dele.

Ele a fitou demoradamente.

— Não se lembra?

— De que eu deveria me lembrar?

— Esse sofá... era o sofá da casa de meus pais.

— Foi por isso que você o conservou? — ela perguntou, ainda sem saber o que ele estava querendo dizer.

— Não exatamente, embora tenha um certo valor sentimental.

Lily teve um súbito lampejo de compreensão. Lentamente, ergueu as pálpebras e fitou-o nos olhos.

— Esse sofá... foi onde nós... — disse apenas, sentindo o coração dilatar-se, como se fosse sufocá-la.

James assentiu lentamente.

— E por que você não me disse nada até agora?

— Não sei. Talvez estivesse esperando o momento certo — ele murmurou, sentindo o desejo esfriar.

Um soluço quebrou-se na garganta de Lily, enquanto ela murmurava:

— Oh, James...

O ímpeto apaixonado que estava dentro dela abandonou-a, deixando tudo frio e silencioso ao seu redor. Tornou a fitá-lo até que, envergonhado, ele desviou a vista. Desesperada, os olhos úmidos, a ponto de chorar, sentiu que precisava fugir dali. Erguendo-se, apanhou a camisola e cobriu-se com ela. Depois virou-se para sair. Afastar-se três passos e de repente voltou-se e jogou-se nos braços dele.

— Não me deixe, James!

— Não a estou deixando ir — ele disse, desprendendo-se delicadamente dela. — Só não quero que o passado se interponha entre nós.

— Você está cometendo outro erro. Fugir do passado não é a solução.

Ele observou seus olhos marejados de lágrimas e sucumbiu ao apelo. Dessa vez, abraçou-a e beijou-a durante muito tempo. Mas o passado, o irremediável passado, ainda o assombrava. Segurou-lhe os braços e afastou-a de si.

— Não adianta, Lily.

Ela o olhou como se fosse dizer alguma coisa, mas deu-lhe as costas de repente e saiu da sala.

James viu de relance os olhos dela, antes que ela se virasse. Mesmo que vivesse cem anos, nunca se esqueceria do abismo de dor e angústia que havia neles.

Lily tirou forças do desespero e, mal enxergando através das lágrimas que lhe enchiam os olhos subiu as escadas de um só fôlego e fechou-se no quarto. O amargo e inesperado repúdio de James aos momentos de paixão que haviam compartilhado ferira-a profundamente.

Jogou-se sobre a cama e cobriu-se com uma manta de lã. Mas continuou tremendo. Cerrou os olhos com força, procurando esquecer a cena humilhante. Porém as palavras dele voltaram a ecoar em sua mente, a princípio quase sussurradas, depois num alarido ensurdecedor: "Não quero que o passado se interponha entre nós"...

"Preciso ir embora", pensou. Dessa vez, a rejeição seria ainda mais difícil de suportar.

De um salto, ergueu-se da cama e correu para o closet. Agarrou a mala e pôs-se a enchê-la de roupas, a esmo, sem ver direito o que estava apanhando. Parou de repente. Ir para onde? Para viver de um lado para outro, sem rumo, sem lar fixo?


James dirigiu-se para o pequeno bar e serviu-se de um uísque reforçado. Bebeu de uma só vez e encheu de novo o copo. Sentou-se no sofá estirando as longas pernas musculosas e com fria determinação, pôs-se a beber um copo atrás do outro. Mas não deu resultado. Só ouvia a voz dela em seus ouvidos e só lhe via a expressão, quando ela o deixara.


Como prometido aqui está o 2º cap de hoje. Espero que gostem. Beijos e até próximo cap.