Cap. 5 – Jantar.

Disclaimer: Naruto não me pertence [ ainda x risada maléfica x ]

Tempo e Espaço: Uma Inglaterra "inovadora" no séc. XVIII


- Sim. E é uma boa ideia. Vamos aproveitar, sim, nem que seja por pouco tempo.

Eu olhei para ele e ele olhou para mim. Ambos olhávamos para aquilo que nunca na vida aguentaríamos perder: um ao outro.

Estava pronta. Lavada, vestida, penteada, calçada e perfumada, tal como a minha mãe quis. Olhei-me ao espelho. Estava ainda melhor trajada que no dia do baile, claro, jantar com Uchihas igual a concentração de matrimoniais, logo, eu teria que estar perfeita. Algo não me cheirava bem, e esse pressentimento adicionado ao entusiasmo da minha mãe enquanto me arranjava o cabelo, era óbvio: arranjar-me um noivo.

Tive que ouvir novamente o discurso rotineiro de que já tenho 19 anos, já não tenho idade para birrinhas e blá blá blá; mas desta vez, não liguei ao discurso, nem resmunguei com a minha mãe. Sinto-me melhor, depois de ter desabafado com Neji. E ele também acredita em mim. Isso faz-me sentir segura, sabendo que, de qualquer maneira, ele estará comigo para o que der e vier, pelo que tenho uma áurea de auto-confiança e certeza à minha volta, imperturbável pelo discurso dela.

- Pronto, estás perfeita filha! – disse-me, olhando orgulhosamente para o meu reflexo no espelho. Tinha o cabelo preso num coque, com efeitos brancos presos no meu cabelo. Usava um vestido comprido branco e prateado, bastante exagerado para um jantar, na minha opinião, mas enfim.

- Obrigada, mãe. – sorri-lhe, tentando parecer entusiasmada.

- Tenten, – ela fez uma cara feia. – com esse sorriso nem convences um cego.

Tive que me rir.

- Oh mãe, tu sabes como eu odeio estes jantares!

- Sim, mas tu sabes que é tua obrigação em como princesa…

- Ter que gostar de longos e enfadonhos jantares com gente arrogante e arranjar um noivo entre essas gentes. Eu sei mãe, tenho que me casar. – interrompi-a.

- Tenten, pondo as coisas nessas palavras, dá-te um ar muito impróprio para uma rapariga, sabias?

Admirou-me ela dizer rapariga e não princesa.

- Não quero saber. – e fiz beicinho.

- Mas devias. Como disseste, devias arranjar um homem, Tenten!

- Mas mãe, eu tenho 19 anos, não tenho ainda idade para casar, ainda por cima com um homem que eu nem conheço! Isso é injusto! Porque é que vocês me querem obrigar a fazer tal coisa?

- Pelas barbas de Merlin! – fiquei atónica quando ela utilizou essa expressão. – Filha, eu nunca na vida te obrigaria a casar! Apenas quero o teu bem, Tenten, e tu sabes isso! Se tu não queres casar com nenhum dos Uchihas, eu compreendo, tens tempo. Desculpa se te pressionámos, meu amor, mas tenta compreender que, quanto mais rápido arranjares um marido, melhor.

- Eu sei, eu sei. Até acredito em ti, mas tenho a certeza que o pai não pensa assim! Ele parcialmente mata-me com o olhar cada vez que digo que ainda não quero casar! Não é justo! – dito isto, levantei-me e pus-me a nadar no quarto de um lado para o outro.

- Oh, o teu pai… - e suspirou. – sabes, é essa a sua maneira de ser. Ele dá muita importância ao cumprimento das regras. E como ele é amigo dos Uchihas há bastante tempo, acha que o seu dever é juntar as famílias.

- Eu sei. Mas mesmo assim, será que para ele o que eu acho tem alguma importância? Será que eu lhe tenho alguma importância?

- Tenten! Não digas isso! – Ela estava com um olhar um tanto entre o desiludido e o magoado. – O teu pai ama-te, tal como à tua pobre irmã! Nunca suspeites disso! Como pudeste duvidar disso alguma vez?

- Mãe, eu vejo-o com os meus próprios olhos! De tudo o que falamos é Regras, Disciplina e Casamento!

- O teu pai não é uma pessoa que fale muito. Para ele é lhe difícil ter uma conversa descontraída com alguém. Ele não gosta de falar, tu sabes disso.

- Uff, eu sei. Mas mesmo assim. – parei de andar e virei-me para a minha mãe. – Anda, é melhor despacharmo-nos, se não o pai passa-se.

- Sim, nisso até podes ter razão. – disse, e sorriu.

- Hum, mãe, sabes, eu gostava de te perguntar uma coisa.

- Pergunta!

- Tu… tu e o pai, vocês, hum, casaram porque vos obrigaram ou porque se, hum, amavam? – tentei dizer isto com um ar natural, como se falássemos sobre o tempo, por isso virei a cara a o lado contrário da dela.

Para meu grande espanto, ela riu-se.

- Mas que tontinha que a minha filha é. Tenten, creio que isto responde à tua pergunta: o teu pai é a coisa mais importante para mim, depois de ti, e da tua irmã – dito isto, ela sorriu carinhosamente e foi andando.

A minha mãe continuava a amar a minha irmã, e o mesmo acontecia comigo, e aparentemente com o meu pai também. Mas não quero pensar nisso agora. Portanto, isso quer dizer, que eu não sou o fruto de duas almas que foram obrigadas a casar? Isso quer dizer que eu fui um presente bem-vindo aos meus pais?

Bem, tenho que admitir que isso me deixa feliz, saber que não fui um "acidente" indesejado, fruto de almas condenadas até ao fim das suas vidas com a presença um do outro.

- Vais ficar aí a plantar raízes ou vens? – disse a minha mãe, interrompendo os meus devaneios.

- Hum? Ah, sim, eu vou.

Caminhámos as duas até chegarmos à enorme sala de jantar. Inspirei fundo, olhei para a minha mãe, ela sorria, e abri as portas.

Como era de esperar, o meu pai estava sentado ao topo da mesa, sendo que os lugares à direita e à esquerda dele estavam vazios: eram para a minha mãe e para mim. A seguir ao lugar do lado esquerdo estava Sasuke Uchiha, e ao lado deste estava Itachi Uchiha. Em frente ao Sasuke estava o Sir Uchiha ponto-grande e ao lado a sua mulher, Madame Uchiha, (N.A. desculpem, mas não sei que prefixo davam às condessas antigamente, e estou sem net, pelo que não posso ir pesquisar :/) uma mulher de cabelos lisos negros e olhos azuis.

- Boa Noite. – dissemos eu e a minha mãe ao mesmo tempo.

- Boa Noite. – responderam em uníssono.

Fomo-nos sentar nos nossos respectivos lugares, e logo o meu pai mandou servir o banquete.

- Como estais, alteza? – pergunta o Uchiha à minha mãe.

- Estou bem, obrigada. E vós, como estais?

- Como podeis ver, estou de boa saúde.

- Ainda bem.

- Então alteza, como estão aqueles duques do Norte, há muito tempo que não os vejo. - perguntou ao meu pai, sempre num tom frio.

- Estão bem, o filho mais velho já casou – ele olhou para mim – e foi viver para Londres… - Deixei de prestar atenção à conversa e concentrei-me no comer. E a minha mãe ainda me dizia que ele só quer o meu bem. Ora, não foi exactamente isso que ela disse, mas disse que ele me amava, logo não me deveria pressionar para casar, bolas!

Olhei de relance para os dois mongolóides sentados ao meu lado. Bem, coitados, não os deveria ofender assim, afinal, eles com certeza também devem ser obrigados a vir a estes jantares. Aposto que o Sasuke preferiria mil vezes estar agora com a Sakura que estar aqui. Enfim, estamos todos no mesmo barco. Suspirei, e continuei a minha refeição em paz.

A dada altura no jantar, reparei que a Madame Uchiha lançava olhares circunspectos ao filho mais novo, sentado a meu lado. Este apenas suspirou leve, quase imperceptivelmente, e virou-se para mim.

- Então, hum, como tem passado, alteza? – perguntou-me, indiferente mas constrangido.

- Bem, obrigada…

Fui apanhada de surpresa, pelo que não sabia o que dizer.

- E o senhor? – acrescentei rapidamente, vendo que estava a ser mal educada por não retribuir a pergunta, mas sentindo-me uma completa idiota por o estar a tratar por "senhor", quero dizer, nós temos a mesma idade, para que é isso?

- Também, obrigado.

Silêncio…

- Gostou do baile, alteza? – perguntou-me novamente.

- Gostei, sim. E vós?

Tenho que confessar que os nossos tons de voz eram bastante parecidos: indiferentes, e, de certa forma, contrariados. Não que eu me importasse de falar com Sasuke Uchiha, mas é que praticamente não o conheço, é como se nos obrigassem a estabelecer uma conversa com um homem que nunca vimos na vida.

- Também.

- Oh, o baile. – pronunciou a Madame Uchiha. – Tenho que confessar, foi belíssimo! Apreciei imenso a música, a comida, o ambiente! Tudo estava óptimo!

A mulher Uchiha era a única que não possuía o tom frio e indiferente naquela família.

- Ainda bem que gostou, Madame. Faremos mais bailes assim. – disse a minha mãe.

- Oh, ainda bem. Então e conte lá, a nossa bela Princesa já tem algum pretendente, poderemos esperar por um casamento em breve? Afinal, ela já tem idade para casar!

Engasguei-me ao ouvir as palavras casamento e em breve na mesma frase, pelo que o meu pai me deu umas palmadinhas nas costas, para meu espanto.

- Bem, ainda não temos nada de concreto, mas decerto arranjaremos algo em breve. – respondeu o meu pai, olhando para mim e de seguida para Sasuke. Não me admirei, quando ambos suspirámos baixinho.

- Esperemos que sim. Sabe, Itachi já está noivo de uma donzela chamada Karin Nakoro. Conhecemo-la a ela no baile, mas o Clã Nakoro já faz negócios com a nossa família há anos, pelo que ficamos muito satisfeitos com a aliança.

Afinal era essa a rapariga que estava a dançar com ele no baile. Pobre Itachi!

- Que notícia agradável. – respondeu o meu pai.

- Pois. Mas olhe que o Sasuke está solteiro, quem sabe ele e a sua adorável filha…

Desta vez, quem se engasgou foi o Sasuke. Se não fosse o pânico pelo tema da conversa, até me teria dado vontade de rir. Estávamos exactamente na mesma situação.

- Mãe. – disse ele, numa voz muito controlada. – Eu já lhe disse, eu vou fazer uma proposta a outra pessoa, por isso, por favor, pare de dizer essas coisas…

- Oh meu rico filho, mas não tem comparação. Presumo que estás a falar daquela rapariguinha que dançou contigo no baile, como é que ela se chamava? … Ah sim, Sakura Haruno. Bem, ela é de uma família importante, mas mesmo assim…

- Falamos disso que casa. – cortou o Sir Uchiha numa voz fria.

- Com certeza… - foi tudo o que a mulher respondeu.

Será que ouvi bem?

Sasuke Uchiha, o Super-Anti-Social, vai fazer uma proposta de casamento, à minha melhor amiga, Sakura Haruno, a miúda sonhadora, descontraída e faladora…

Que bomba.

Ela vai-se passar quando acontecer. Amanhã de manhã vou logo ter com ela, quero saber tudo. Será que eles estiveram mais tempo juntos? Encontraram-se depois do baile? Será que os pais dela vão aceitar? Mas que pergunta, Tenten! Estamos a falar dos Uchihas, quem é que não aceitaria? Bem… quem diria.

O jantar continuou a decorrer: o meu pai a falar com o Sir Uchiha sobre aqueles duques do Norte e a Madame Uchiha a contar à minha mãe pormenores sobre o casamento de Itachi com Karin, enquanto este apenas as ouvia com uma ruga entre as sobrancelhas. Como todos estavam entretidos e absortos nas suas conversas, aproveitei para tirar as minhas dúvidas ao Sasuke.

- Entao, estais mesmo com intenção de fazer uma proposta de casamento à minha amiga Sakura?

- Sim, é essa a ideia. – disse, e mostrou um sorriso de canto, capaz de fazer qualquer rapariga suspirar: qualquer rapariga que não estivesse apaixonada.

- Fico feliz por ouvir isso. – respondi, sorrindo. – Muito feliz mesmo.

- Mas não lhe conte nada! Por favor. – ele parecia um pouco alarmado.

- Hum, claro, claro. Não tinha intenções de o fazer.

- Obrigado alteza.

Assenti uma vez com a cabeça.

Já tínhamos todos terminado a refeição quando acabámos a conversa, pelo que agora os "adultos" procediam com as suas conversas com mais entusiasmo. Fiquei aliviada, ao saber que ambos os Uchihas já estavam comprometidos, quero dizer, um noivo e outro semi-noivo. Assim, o meu pai já não me podia comprometer com nenhum deles. A minha áurea de auto-confiança aumentou ainda mais ao saber disso. Talvez a minha mãe tivesse razão, e afinal o meu pai também só quer o meu bem, pelo que agora provavelmente me vai deixar em paz, acerca dos assuntos sobre casamentos.

Já havia passado mais uma hora após o término da refeição e já se estava a fazer tarde, pelo que o Sir Uchiha se levantou e fez uma vénia.

- Agradecemos imenso o convite, foi-nos uma honra. O jantar estava esplêndido. Espero que nos encontraremos de novo em breve. Agora se nos der licença, vamos retirar-nos.

- Com certeza, o prazer foi todo nosso. Até breve.

Dito isto, todos nos fizeram uma vénia e retiraram-se do salão. Fiquei aliviada. Já passou. E nem foi tão mau como pensei. Agora, até tenho vontade de rir, ao saber que me engasguei com um pedacinho minúsculo de carne.

- Então, foi tão mau assim, Tenten? – perguntou o meu pai, sorrindo-me.

- Hum, para ser sincera… Não sei, bem, acho que não, não foi tão mau assim. – odiava admitir que estava errada à frente dos meus pais, e ainda por cima eles sorriam ambos. – Mas mesmo assim, não gostei do jantar! Não pensem que isto foi do meu completo agrado, pois não foi! Preferia de longe… – mas os meus pais já não me ouviam, mantinham os seus sorrisos vitoriosos, e seguiam para fora do salão. – Bem, preferia que não tivesse havido jantar! Ouviram?!! – desisti. Não valia a pena, já nem os tinha em campo de visão.

Segui silenciosa para o meu quarto. Um sorriso involuntário formava-se nos meus lábios. Enfim, a melhor parte do jantar foi quando Sasuke Uchiha se engasgou. Revivendo a cena agora, foi hilariante!

Cheguei ao meu quarto, despi-me e arranjei-me para me ir deitar.

Já pronta, atirei-me para a cama, sentindo o sono apoderar-se de mim.

Estava num estado de semi-consciência, onde os sonhos se confundiam com a realidade, pelo que já não sei se estava ainda a pensar no meu momento com Neji esta tarde, ou se este já fazia parte de um dos meus sonhos.


Olaa genteee :D

Bem, desculpem, sei que não tenho deixado a minha nota no final dos outros capítulos, mas é que não tenho tido muito tempo - testes, trabalhos, testes intermédios -.- - e postei os capítulos à pressa, enfim... vida de estudante é foda.

Muito obrigada pelas reviews e por quem anda a acompanhar a fic, realmente são a força de uma semi-autora *-*

Não vou demorar muito a postar os capítulos seguintes, além disso estou de mini-férias de carnaval, por isso -

Astalapasta!