Saudações a todos. Espero que vocês gostem desse capítulo, que é o último capítulo. Este capítulo será mais longo do que os outros, então, tenham um pouco de paciência e leiam, pois acho que vão gostar, pois agora é que a história chega no seu desfecho. Obrigada, e que tenham um bom entretenimento.

O acerto de contas

Por Soul Hunter

Tales se surpreendeu ao ver que Sylvan estava ali, calmamente sentado do seu lado. E Tales ficou ainda mais surpreso quando viu que ele havia desamarrado as cordas que o prendiam e que e que o carregou até apoiá-lo na parede do túnel.

- Sylvan, é você mesmo?- diz Tales.

- Claro que sou eu Tales. Por acaso eu teria motivo pra não ser?

- Pode ser. É que você era a última pessoa que eu pensava ver depois de despertar desse sono.

- Eu o compreendo. Fiquei tanto tempo sumido, que muitos pensaram que eu havia morrido.

- Você me salvou?- pergunta Tales, ainda não acreditando no que estava acontecendo.

- Lógico que eu te salvei, Tales.- responde Sylvan.- Afinal, colegas de gangue servem pra isso. Agora, venha comigo, nós não temos muito tempo.

- Vamos nessa.

Tales se levantou e começou a andar ao lado de Sylvan. Ele reparou o quanto o tempo mudara seu amigo. Sylvan tinha olhos cor de cristal, assim como Paloma, mas estes eram mais frios e cruéis, o que dava um certo medo para a pessoa que os olhava, porém, eles eram ocultos na maioria das vezes pelos cabelos ruivos. Era alto e magro, tinha uma pele muito branca, quase num tom pálido. Era muito silencioso e altamente controlado. Tales lembrava com exatidão do tempo em que Sylvan era um agente a mando dos Dragões Azuis para certificar que seus membros seguiam as regras determinadas. Sylvan era um profissional no que fazia, mesmo tendo apenas 16 anos quando estava na gangue. Sylvan também reparou na mudança de Tales. Tales era apenas uma criança quando entrou para os Dragões Azuis, tinha 13 anos quando conheceu Mikael, Caio e Sylvan. Foi separado cedo dos dois irmãos, e criado por um tio muito cruel. Ele cresceu isolado das outras crianças, recluso em seus próprios problemas. Aos 13 anos, fugiu da casa do tio e durante a fuga, foi testemunha de um juramento de fidelidade da gangue Dragões Azuis. Sendo notado por Sylvan e Caio, que avisaram a Mikael do "intruso", Tales conheceu o grupo mais temido de Tomoeda, e para eles contou o motivo de estar lá. Estava fugindo e acabou se perdendo. Mikael e Sylvan se compadeceram dele e prometeram ajuda-lo a achar os irmãos. Mikael o convidou a fazer parte do grupo. Como Tales não tinha para onde ir, ele aceitou o convite. Foi aí que toda a história começou, Tales aprendeu com Sylvan e Caio tudo o que ele precisava saber para ser da gangue. Apesar da amizade que tinha com Caio, Tales sempre ficava com Sylvan, a quem devotava um respeito profundo. Mikael conversava com Sylvan, e este o dizia que Tales seria um grande agente. Anos depois, Caio havia morrido e Sylvan sumira misteriosamente. Mikael só tinha a Tales para ajuda-lo a comandar a gangue. Foi assim que Tales entrou na polícia de Tomoeda e conheceu seus novos amigos.

- Faz tempo… - diz Tales.

- E como faz.- responde Sylvan sorrindo.- Nove anos podem mudar muitas coisas Tales… podem mudar a vida de todos as pessoas que conhecemos ou pensamos conhecer. Faz desgraças acontecerem…

- Mas também faz milagres acontecerem. E fazem enganos serem sanados.- explica Tales, sorrindo.- Você deve estar se perguntando o que raios que eu estou falando, mas eu vou dizer. Eu e alguns colegas da polícia nos enganamos. Acabamos achando que você era o assassino em vez de Orpheu. Desculpe-me.

- Que isso Tales, você não precisa se desculpar, você não estava errado. Você achava que eles é que estavam errados. Eu fiquei te seguindo essa tarde, desde que você saiu do quartel dos Dragões Azuis.

- Como é que é? Você ficou me seguindo?

- É Tales, fiquei. Senti que você estava estranho demais, por isso eu comecei a ir atrás de você. Foi assim que eu pude te salvar do cativeiro de Orpheu.

Tales sorriu envergonhado.

- Eu vivo me metendo em encrencas, desde do início.

- Não diga bobagens Tales, sabe bem que isso não é verdade.- Sylvan sorriu, pegando Tales de surpresa.- Sabe que nunca se meteu em encrenca, isso é apenas o risco de trabalhar junto com os Dragões Azuis. Agora, vamos andando, pois tempo é o que a gente tem de menos.

- Vamos sim.- respondeu Tales sério, se levantando num único salto.- Vamos encontrar os outros e prepararmos nosso contra-golpe para Orpheu.

- Bem ao estilo da ofensa, agente Tales.

Tales olhou para o túnel e diz, numa voz tão fria que faria qualquer um de seus inimigos tremer:

- A vingança é um prato que deve ser servido frio, para que o seu gosto se torne mais presente. Então, vamos logo, a vingança deve ser fria, não congelada.

- Eu entendo. Vamos estão.- responde Sylvan, e ambos começaram a correr pelo túnel.

Enquanto isso...

Gabriel e Yamazaki chegaram na porta do quartel da Fênix Negra. Anita observava ambos se aproximarem, e pergunta:

- O que houve?

- Paloma quer que a gente vá até o parque, raptaram Tales, um policial que é dos Dragões Azuis.- responde Yamazaki.

- Como assim? Não me digam que é aquele menino, Tales Black, que vive conversando com ela?

- Sim, é ele mesmo. Precisamos de ajuda.- diz Gabriel.

Anita olhou desconfiada para Gabriel, e depois observou Yamazaki, perguntando a ele:

- Devemos ajuda-lo?

- Sim Anita, devemos ajuda-lo.- responde Yamazaki.- Além do mais nós somos aliados. Paloma e Mikael se aliaram, para resolver o caso dos assassinatos.

- Entendo.- diz Anita.- Então, deixe-me chamar os outros. Estão aqui dentro.

- Venha Gabriel.- diz Yamazaki.- Vamos entrar.

Os três entram na casa. Anita condizia os dois jovens pela casa, até chegarem no grande salão. Anita diz:

- Olha só o que temos aqui pessoal. E, eles trouxeram notícias não muito boas.

Yamazaki explicou ao grupo toda a história, desde a aliança dos Dragões Azuis e da Fênix Negra até o seqüestro de Tales. Nessa parte, Tomoyo ficou pálida, e levantou-se num pulo, com os olhos brilhando como fogo.

- Eu entendi tudo, querem que a gente vá atrás dele. E o que estamos fazendo aqui parados? 

- Acalme-se Tomoyo.- diz Shaoran.- Temos que nos acalmar. Se estivermos desequilibrados emocionalmente, o inimigo achará uma brecha para atacar, entende o que digo? Primeiro, nós vamos até onde Paloma e Mikael nos esperam, e lá nós decidiremos o que fazer.

- Certo, mas, não é bom que todos vão.- comenta Anita.- Seria uma falha imperdoável.

- Exatamente.- responde Eikbar sombrio.- Não só seria uma falha imperdoável, como uma tremenda mão na roda de nosso inimigo.- ele fica um pouco sério.- Se todos forem e ele conseguir escapar, vai ser muito mais fácil a fuga, se é que você me entendem. Por precaução, deixe pessoas apostas nas vigias, e leve poucas pessoas. Poucas, porém confiáveis. Essa seria a melhor alternativa que nós temos disponível.

- Eu sei disso, por isso só irão alguns.- diz Yamazaki.

- Acho que já até estão definidas as pessoas que irão.- responde Eikbar.- Serão as nove pessoas que estão aqui.

- Você enlouqueceu Eikbar?

- Não, eu só disse a verdade Yamazaki, ninguém aqui vai querer estar de fora dessa caçada.

- Infelizmente Yamazaki, Eikbar está certo. Ninguém aqui vai querer ficar.- diz Anita.- Não depois de tudo que foi dito aqui.

- Não nesse momento, com a vida de Tales em jogo.- comenta Yukito.- Podem dizer o que quiser, mas nós vamos, nem que sejamos acorrentados.

- Eu não gostaria que todos fossem. Essa missão pode ser a nossa última, e espero que vocês não entendam que eu esteja sendo pessimista, mas, se o nosso inimigo for quem eu estou pensando, a nossa missão será a mais difícil que teremos.- responde Yamazaki sério.

- Pode até ser a última missão e ser a mais difícil, mas nós vamos enfrentar o que for para ajudar.- explica Kaho.- Sei que se preocupa conosco, mas nós temos que correr o risco.

- E... mesmo que algum de nós pereça durante essa missão, essa morte não será em vão.- diz Tomoyo.

Yamazaki sorriu a ouvir essas palavras. Ele se lembrou das missões que ele aceitava antes do afastamento de Paloma. "Eles são como eu, nunca desistem, nem quando a morte se interpõe no caminho deles." Pensou Yamazaki. "Eu também sou assim, então, se a morte nos espera, iremos até ela de cabeça erguida."

- E o que decidiu?

- Vamos todos.- respondem Yamazaki.- Caminharemos juntos, meus amigos.

- Então, o que estamos esperando?- pergunta Eikbar, pegando algumas malas.- Vamos logo, pois eles nos aguardam, e pelo o que sei, o tempo corre contra a gente.

- Vamos nessa.- responde Gabriel.

Todos prepararam suas reservas e saíram em direção ao parque onde encontrariam Paloma e Mikael.

De volta ao túnel...

Tales e Sylvan continuavam percorrendo o túnel, ou melhor dizendo, o labirinto de túneis que existiam no local. Como eles puderam perceber, era um intrincado de túneis muito bem escavados que tanto poderia ser uma rota de fuga, como uma perigosa armadilha que podia dar um ponto final na vida da pessoa que se distraísse durante um segundo. Apesar de andarem com extrema cautela, coisa que todos os membros dos Dragões Azuis sabiam e deviam muito bem fazer, Tales e Sylvan conversavam pelo caminho. Tales pergunta:

- Posso fazer uma pergunta?

- Claro que pode Tales.

- Você e Caio nunca se deram bem, certo?

- Realmente.

- Mas, por que você e ele tentavam ser amistosos do lado de Mikael?

- Mikael nos acolheu e nos ensinou muitas coisas. Foi ele quem nos ensinou a sobreviver nas ruas, e sobreviver às gangues que podiam acabar com a gente. Ele é mais do que um líder, é um irmão e um tutor. Mas, para dizer a verdade Tales, o motivo que fez com que eu e Caio passássemos por cima de todos os problemas que tínhamos um com o outro foi por causa de outra coisa.

- E foi por causa do quê?

- Tem certeza que você quer saber tal motivo? Eu não sei qual será a sua reação ao saber disso.

- Conta logo Sylvan. Você sabe muito bem que eu sou muito curioso. Pode contar, eu agüento a bucha.

- Agüenta mesmo? Eu não sei não Tales, o choque pode ser bem forte.

- Fala logo. Assim você me deixa além de curioso, preocupado. Eu já disse que eu agüento o choque.

- Já que você insiste tanto, eu vou lhe contar.- diz Sylvan.- O motivo para que eu e Caio passássemos por cima de todos os problemas e rivalidades que nós tínhamos um pelo outro, foi por causa um uma única pessoa Tales, e essa pessoa não ninguém mais do que você mesmo.

Tales ficou mais branco do que uma fina folha de papel. Ele nunca pensou que alguém fizesse isso. Nunca ninguém, além de Paloma, Tomoyo e Mikael passaram por cima de várias diferenças para o ajudar.

- Por causa de mim?- pergunta Tales, assustado.

- Sim, foi por causa. Eu e Caio sempre gostamos de você, desde que você entrou na gangue, quando você tinha apenas seus alegres 13 anos. Foi dois dias depois de eu ter um dos dias mais felizes e mais tristes da minha vida. Se não fosse você, eu iria jogar tudo pro alto e sairia mundo afora como um doido a procurar o único laço que tenho com a realidade.

- Que bom que você não fez isso.- diz Tales.- Senão estaria entregue as trevas da sua alma e talvez nem mesmo a gente teria resgatado você.

- Realmente, você está certo. Eu não estaria aqui, e as coisas poderiam tomar um rumo totalmente inesperado.

- Eu já não sei se tomariam o mesmo rumo do atual ou o sangue seria mais intenso no novo rumo. Minhas certezas não são absolutas, mas sombrias e sem destino certo.

- Tales... eu vou te dizer uma coisa. Eu não tenho certeza de nada. Aprendi que nunca se pode ter certeza absoluta de qualquer coisa que faça ou acontece, pois até as coisas mais certas podem mudar de uma hora para outra.- comenta Sylvan.- Mas... para toda regra existe sempre uma exceção, e de uma coisa eu tenho certeza, Caio iria gostar muito de vê-lo se estivesse vivo.

Tales sorriu como há muito tempo não fazia e surpreendeu Sylvan, dizendo:

- Agradeço pelo elogio mas creio que não temos tempo a perder.

- E mesmo.- responde Sylvan.- Vamos nessa.

E continuaram a andar dentro do túnel, rápida e silenciosamente, pois o inimigo logo daria a falta do refém. E a esperança deles era que ele só se desse conta do fato quando ambos estivessem bem longe do alcance de seu bote.

Enquanto isso…

Paloma estava sentada na fonte e Mikael estava ao seu lado quando viram Gabriel e Yamazaki voltando. Mas, a reação de ambos foi totalmente diferente. Mikael olhou confuso para o grupo e Paloma sorriu, aliviada com a situação. "Eles não deixaram muitos virem, mas devo admitir que eles sabem o que fazem, até mesmo quando eles não cumprem o que lhes és pedido." Pensou. "O tempo é curto, e nós temos muito o que fazer, mas... eu confio neles e sei que vamos conseguir, nem que custe a vida de alguém, o que espero que não aconteça."

- Só nove pessoas?- diz Mikael confuso.- Por que isso pessoal?

- Vocês não me enganam em nada. Já era previsível que vocês iriam fazer isso e parece que eu acertei nas minhas previsões.- sorri Paloma.- Bom, agora vamos. O tempo é escasso. E a vida de Tales depende unicamente de nosso plano.

- Como assim?

- Eu sabia que não viriam todos, pois eu mesma lhes disse para as vezes não confiar nem em suas próprias sombras. Sei o que vocês pensaram, e foi o correto, pelo menos para a gente.- explica Paloma.- Porque para o lugar onde vamos é o único lugar em toda Tomoeda onde eu suspeito que Tales pode estar.

O único lugar que Paloma tinha a certeza absoluta de que Tales estaria escondido, era no galpão abandonado da Rua Primavera. Aquele local era o único onde os seqüestradores levavam suas vítimas, e era o último lugar onde a polícia procuraria um seqüestrado ou um cadáver e Paloma tinha a plena consciência desse fato. "Se eu fosse uma seqüestradora e seqüestrasse alguém, essa seria a minha primeira alternativa de esconderijo." Pensou Paloma friamente. "Mas, eles não entendem o que ocorreu aqui antes de se tornar o melhor abrigo para os criminosos. A verdade é que não são muitos que sabem disso."

- E qual é o lugar para onde você acha que Tales foi levado?- pergunta Mikael, quebrando a concentração de Paloma.

Paloma não respondeu. Ao contrário, pegou uma caneta e uma folha de papel e começou a escrever algumas linhas silenciosamente. Depois de ter anotado tudo, dobrou o papel e o entregou a Mikael, dizendo:

- Tome Mikael, é esse o endereço em que você deve ir. Lá é o local.

- Certo Paloma.- responde Mikael, abrindo o papel e lendo o conteúdo do mesmo.- Mas... você tem certeza que é nesse local mesmo?

- Certeza absoluta, meu amigo. E você sabe tão bem quanto eu o motivo de ser aquele local.

- É... pela grande chacina. Mas que coisa.

Ambos se calaram e olharam para direções opostas, pensando nas últimas palavras. Não havia uma pessoa em Tomoeda que não soubesse a história da grande chacina e do galpão abandonado da Rua Primavera. Antes de tudo acontecer, uma grande fábrica que funcionava no mesmo local onde hoje era o galpão abandonado. Mas, há cinco anos, houve uma grande chacina que das 31 pessoas que estavam no local, morreram 27 pessoas na hora e um morreu ao chegar a um hospital. No ponto de vista de Paloma, aquilo mais parecia ter sido um massacre do que uma chacina. Mesmo se fazendo uma missa pelas almas das pessoas mortas naquele lugar, ninguém ousou entrar lá dentro sozinho de novo, pois o ambiente havia se tornado macabro demais para uma pessoa suportar. Paloma foi apenas poucas vezes sozinha no local, e sempre falava que o ar era muito pesado e sempre podia se ouvir gritos e gemidos de desespero das pessoas que morreram lá. Os três sobreviventes, Paloma, Anita, e um rapaz chamado Daniel, por sorte se salvaram quando entraram debaixo de uma mesa. Porém, Paloma não teve tanta sorte quanto os outros.

- Mas lá é um lugar muito perigoso.- diz Gabriel.- Depois daquela chacina, não é fácil entrar lá.

- A pessoa que quiser entrar lá sozinha tem que ter uma mente forte e teria que saber muito bem o que faz.- responde Anita.- Mas, você não sabe o que sentimos naquele lugar Gabriel.

- Isso seria como enfrentar seus medos de frente, não é Anita? - diz Tomoyo.- Pelo menos foi isso que eu entendi.

- Sim, seria isso Tomoyo.

- Anita, a porta da morte sempre está aberta para todos, pois como mortais, um dia conheceremos a morte em pessoa.- explica Shaoran.- O que você tem é um trauma daquele local, pois lá você quase perdeu a vida.

- Tem razão no que diz. Mas não é só isso.- respondeu Anita.

- Sabemos que não é só isso que lhe aflige, Anita.- diz Paloma.- Mas agora, nós temos que ir. Gastamos muito tempo aqui.

- Sim. Então, vamos até o galpão da Rua Primavera.- diz Mikael.- Enquanto vocês estiveram fora, eu e Paloma planejamos o resgate de Tales. Então, eu tentarei resumir o plano para vocês.

- Explique para eles Mikael. Bom gente, eu vou indo na frente.- decide Paloma.- Vou ver se acho alguma pista.

- Paloma...- diz Eikbar.

- O que foi?- pergunta Paloma.

- Tome cuidado.- responde Eikbar.- Nunca se sabe o que você vai encontrar por aí.

- Não se preocupe Eikbar, eu tomarei.- diz Paloma.- Bom, eu vou nessa. Encontro vocês aqui.

- Vá com cuidado.- recomenda Mikael.

Mikael então começou a explicar o plano que havia arquitetado com Paloma. O plano seria constituído de um ataque surpresa e um resgate rápido. Teriam que ser muito rápidos para executar o plano com perfeição e sem causar suspeitas. Mas, será que eles iriam conseguir realizar esse plano sem nenhum imprevisto? Isso ninguém podia saber ao certo.

Voltando ao túnel…

Sylvan caminhava decidido pela túnel. Tales não estava muito atrás dele, estavam quase que lado a lado. No começo, seguiram quietos, mas, depois de algum tempo, ambos voltaram a conversar.

- Sylvan…

- O que foi Tales?

- Será que eu posso fazer uma pergunta para você?

- Claro que pode. Diga-me, o que você quer me perguntar.

- E o que você pretende fazer agora, além de capturar Orpheu?

- Eu?- pergunta Sylvan.- Eu pretendo descobrir quem foi o assassino dos meus pais, que me impossibilitou de ver a minha irmã mais velha, Paloma. Eu quero encontra-la novamente. E também quero encontrar meu outro irmão, que eu nem cheguei a conhecer.

- Quem diria que você tinha um propósito tão nobre quanto esse?- sorri Tales

- Por favor, maneire nas palavras por enquanto.- diz Sylvan, em voz baixa.- Orpheu não deve saber que você escapou.

"Ele ainda se lembra de Paloma." Pensou Tales. "O desejo dele é apenas rever os irmãos, que o destino fez questão de separar dele. Agora eu finalmente entendo a amargura dela."

- Ela também quer te encontrar Sylvan.- diz Tales.

- Paloma quer me encontrar?- pergunta Sylvan.- Diga-me Tales, como você sabe disso?

- É muito simples Sylvan, Paloma trabalha comigo na delegacia de Tomoeda. Ela está deprimida, você tem que ver. É uma cena desanimadora.

- Como ela está?

- Paloma está bem. Ela mora junto com a minha namorada, que tem um tumor no cérebro. Paloma tem dois propósitos na vida dela, um é te encontrar e não ter nada para impedir, o outro é ver Tomoyo livre desse tumor.

- Quem diria que você está ficando mais informado do que eu Tales.

- Que isso Sylvan, eu só tenho minhas fontes na polícia.- sorri Tales.- São poucas, mas bastante confiáveis.

- Você está aprendendo muito Tales, e isso me deixa muito satisfeito. Quando o vimos pela primeira vez, eu e Mikael fizemos uma promessa, faríamos que você aprendesse tudo sobre as gangues, para que você soubesse sempre como se defender deles. Acho que uma coisa está bastante clara para mim Tales, além do treinamento dos Dragões Azuis, Paloma e seus amigos da polícia o ensinam muitas coisas que talvez você não aprenderia numa gangue.- comenta Sylvan, com um sorriso no rosto.- Isso está além do meu conhecimento. E pensar que ele conversava mais com Paloma do que comigo.

- Ela não gostava de Caio?

- Ela bem que tentava ser amistosa, mas ela também não morria de amores por Caio, assim como eu. Ela o suportava por causa de Alexsia.

- Ele sabia que Paloma é sua irmã?

- Sim, Caio sabia disso, mas ele conversava mais com Paloma do que comigo. Ela e Mikael eram mais velhos do que ele, por isso Caio respeitava Paloma, mesmo não sendo muito amigo dela.

- Não eram, ainda são ou você matou os dois.

- Vira essa boca pra lá.- respondeu Sylvan.- Afaste esse mau agouro daqui.

Tales soltou uma risada.

- Você não tem jeito mesmo Tales.- diz Sylvan.

- Nem você Sylvan, saiba disso.- replica Tales.

Ambos acabaram chegando a uma bifurcação.

- E agora, qual caminho será o certo?- pergunta Tales.

- Bem, agora nós vamos ter que arriscar um pouco. Vamos nos separar Tales. Eu acredito que você esteja bom o suficiente para usar isso e se defender.- responde Sylvan, entregando a Tales uma arma e três cartuchos de munição.- Eu vou pegar o caminho da esquerda. Pegue o caminho da direita. Caso tenha problemas, atire pro alto, pois eu vou escutar os tiros pelo eco que eles causam. Cuide-se, nós nos encontraremos no fim destes túneis, se nós não nos encontrarmos antes.- e sai correndo para o caminho escolhido.

- Está bem.- diz Tales, colocando os cartuchos de munição e a arma num compartimento de sua jaqueta.

Tales entrou pelo outro caminho. "Espero que eu consiga chegar antes que seja tarde demais para agir." Pensou Tales, sumindo na escuridão dos túneis.

Na fonte, algum tempo depois…

Já fazia bastante tempo desde que Paloma havia saído. Mikael estava sentado num dos bancos do parque. Seu semblante era pensativo, em certo ponto melancólico. Ele estava preso a uma decisão, teria que ir até o local ou esperar a volta de Paloma. E o pior é que ele tinha que tomar aquela decisão rápido, antes que fosse tarde demais. Depois de vinte minutos, Mikael diz:

- Já me decidi amigos.

- E qual é a sua decisão?

- Vamos sem a Paloma.- responde Mikael.- Ela não tem nada a ver com isso.

"Você é que pensa, Mikael." Pensou Yamazaki. "Ela tem mais coisas a resolver ali, do que sua vã filosofia pensa."

- Ao contrário do que pensas Mikael, Paloma tem muitas coisas a resolver ali.- diz Yamazaki secamente.

- Yamazaki tem razão Mikael.- concorda Yukito.- Esse caso é dela, e sabes melhor do que ninguém que ela nunca deixa uma investigação inacabada.

- Tem razão, mas ela está demorando muito e sabem que tempo não é uma coisa com que nós temos.

- Mikael, você pode me fazer um pequeno favor?- pergunta Eikbar.

- Posso, dependendo do favor.

- Então, me faz o favor de calar a boca, pois isso já está ficando irritante demais. Você nunca mudou, sempre está trocando os pés pelas mãos. Sabe que não é assim que vamos poder ajudar o Tales. Lembre-se que Paloma conhece aquele lugar com a palma da mão e sabe que se fizer o que pensas, pode ser que o fim desse resgate vire uma grande tragédia.- diz Eikbar.

- Me mantive aquele atrapalhado da faculdade, mas você parece mudado Eikbar.- responde Mikael.- Antes, você era mais sangue-quente do que eu e agora fala calmamente, como um estrategista nato.

- A convivência na Fênix Negra mudou muito do meu comportamento. Eu aprendi muitas coisas com Paloma e com os outros membros da gangue, e foram essas coisas que mudaram essa parte do meu comportamento.

- Pessoal, e se por acaso a Paloma conseguiu achar algo, e resolveu esperar por lá mesmo?- pergunta Sakura-.É uma probabilidade.

- Pode ser estranho, mas tem algum fundamento.- concorda Gabriel.

- Então, vamos lá. É melhor averiguar essa história.- diz Anita.

Todos eles se encaminharam para o galpão. Durante o caminho, poucas palavras foram trocadas. Em suas mentes, sabiam que não iriam só resgatar Tales, mas também, enfrentar seus medos mais profundos e abomináveis. Porém, havia algo mais naquela história, algo que poucos sabiam, e temiam por essa descoberta, pois essa seria a causa de algo terrível. Mas o que poderia ser? Vingança, será que ela seria capaz de destruir os últimos vestígios do controle de uma pessoa? Isso... ninguém sabia ao certo. Todos estavam muito concentrados, até chegaram ao local. Por fora, o lugar já dava arrepios. Havia manchas de sangue por toda a parede, acompanhadas por buracos de bala dos mais variados tipos de armas.

- Nossa... esse lugar já é macabro por fora, imaginem como é dentro.- diz Tomoyo.

- Não é tão macabro. Acreditem, lá dentro é bem pior do que fora.- responde Anita.

- Isso é normal.- comenta Eikbar.- Massacres, chacinas, guerras, mortes e sangue sempre estiveram presentes. Não é a toa que falam que as pessoas escrevem suas histórias com o seu sangue. A morte é uma realidade e sabemos bem disso.

- Realmente.- diz Yamazaki.- Quando entramos numa gangue sabemos que encararemos a morte de frente por várias e várias vezes, mas... fazer o que, não é?

- E a única coisa que sabemos com certeza é que um dia nós morreremos.- conclui Yukito.

- Tem razão. Agora vamos entrar.

Todos seguiram para a entrada. Ao abrirem a porta, todos sem exceção, pararam em estado de choque. O galpão era muito iluminado, mas todos gostariam que este fosse escuro. Havia muitas ossadas pelo chão, alguns corpos em estágio de decomposição, outros ainda recentes. Havia sangue seco por todos os lados. Até o ar lá era pesado. Realmente era um local macabro.

- É agora pessoal. Vamos agir.- diz Mikael.

Mas, ao mesmo tempo que Mikael falava com o grupo, a figura sombria de Sylvan aparecia, saindo de um túnel muito escuro. Ele seguia de olhos fechados, sem notar a presença de Mikael e dos outros. Seu semblante era de preocupação, mas, o mais estranho era que ele quase tocava o chão. Parecia que ainda se lembrava dos tempos dos Dragões Azuis.

- Enfim, nos encontramos de novo, Sylvan Denver!- diz Mikael.

Sylvan reconheceu a voz de imediato, e abriu os olhos lentamente, piscando várias vezes até se acostumar com a luz novamente. Quando ele abriu os olhos e viu a sala onde havia parado, ele realmente se assustou. Ele também notara que Mikael estava na sua frente, e isso foi o suficiente para ele ter certeza de onde ele estava. "Mas que droga, parece que esse caminho me levou a sala da execução. E com Mikael aqui, eu estou começando a acreditar na lenda de que é aqui que os traidores são mortos." Pensou Sylvan. "Espero que Tales tenha mais sorte do que eu nesse quesito. Que ele consiga sair pela sala secreta."

- Há quanto tempo Mikael, mas o que você está fazendo aí sozinho junto com os membros da Fênix Negra. Por acaso, você já derrubou Mia Jaelish do poder?- diz Sylvan.

- Há quanto tempo mesmo que não o vejo Sylvan. Mas, quem diria que você não sabe do que está acontecendo. Pensei que sabia da minha aliança com Mia Jaelish e a Fênix Negra.- comenta Mikael friamente.

- É uma pena, mas eu não fiquei sabendo. E por falar nisso, cadê ela? Não veio junto com você?

- Ao contrário Sylvan, eu que não a deixei vir.- responde Mikael.- Agora vamos, nós temos assuntos muitos importantes para resolver, aqui e agora.

- Que assuntos Mikael?- pergunta Sylvan, cada vez mais curioso.- Eu não sei do que você está falando.

- Você não sabe? Os assassinatos de Caio, Alexsia e Touya.

- Eu não sei sobre nada disso.

- E a onda de assassinatos que estão ocorrendo? As pessoas que você matou.

- Mikael, por acaso você pirou? Eu não matei nenhum deles. Apesar de eu não gostar do Caio, eu não seria tão baixo

ao ponto de mata-lo, e você sabe muito bem disso. E nem a nenhum desses jovens, os quais eu não conheço. Se você acha que eu faria isso, sabe que estaria me ofendendo da maneira mais cruel que poderia existir.

- Você ainda é um bom ator. Mas vai morrer hoje, aqui e agora.

E com isso, Mikael partiu para cima de Sylvan, tentando desferir-lhe um soco no rosto. Porém, Sylvan era muito ágil e se esquivou com facilidade.

- Lembre-se Mikael, eu era muito bom em lutas corpo-a-corpo. E ainda continuo sendo, se quer saber.- sorriu Sylvan.- Mas vejo que você também treinou muito. Foi difícil me esquivar desse golpe tão rápido.

- Agradeço os elogios, mas isso não vai te salvar agora.

- Talvez me salve sim. Você deve saber disso.

Todos estavam vendo a luta entre os dois. Porém, Yamazaki e Shaoran pareciam mais tensos do que de costume.

- Mikael está descontrolado.- diz Yamazaki.- Sylvan tem que tomar muito cuidado com ele.

- Pelo o que percebi, Sylvan é muito bom em lutas corpo-a-corpo, até posso dizer que ele tem muita vantagem nessa luta.

- Mas Mikael está o atacando furiosamente.

- E é aí que reside a maior vantagem de Sylvan.- responde Shaoran.- Mikael está cego pelo ódio e pela raiva, enquanto Sylvan está calmo e concentrado. Isso dificulta o ataque de Mikael. Se Sylvan não der brecha para Mikael atacar, ele o vencerá pelo cansaço.

- E se acontecer de Sylvan dar uma brecha para Mikael e ele aproveitar?

- Aí Sylvan teria que se recuperar rápido, senão, Mikael tomaria o controle dessa luta e aí a sua preocupação teria muito fundamento, meu amigo.

Yamazaki se calou rapidamente. Seus pensamentos estavam o atormentando. Porém, o que ele não notara é Sylvan havia se desequilibrado por alguns segundos, o que o deixou vulnerável. Mikael aproveitou a chance e deu um chute tão forte, que Sylvan foi empurrado para longe, batendo com as costas na parede. Sylvan limpou um filete de sangue que escorria do canto de sua boca, e estava tentando recuperar o mínimo de força e ar para prosseguir. Apesar da batida ser de uma intensidade média, Sylvan bateu as costas em cheio, o que o fez ficar sem ar algum em seus pulmões. E qualquer pessoa sabe bem que tem que recuperar o fôlego antes de qualquer coisa. Mikael percebera isso, e iria aproveitar que Sylvan estava caído e sem defesa e daria um segundo chute nele, mas, ao fazer isso, Mikael tem uma grande e inesperada surpresa. Seu ataque é bloqueado por Shaoran, que o empurra para longe de Sylvan.

- O que está fazendo?- diz Mikael.

- Você sabia que não é nem um pouco justo atacar um inimigo caído e ainda por cima sem ar?- pergunta Shaoran em resposta.- Isso não é uma coisa justa.

- Nunca se deve responder uma pergunta com a outra, ou não sabia disso?

- Ao contrário de você Mikael, eu sabia disso. Mas isso não te dá o direito de atacar um inimigo desprevenido. Saiba que isso não é nem um pouco honrado, e você devia saber muito bem disso, já que é um líder de gangue.

- Mas eu sei do que fala.

- Porém, eu creio que não. Se você soubesse disso, não teria sido empurrado para longe, ou seria?

Mikael não respondeu.

- Isso responde a minha pergunta.

- Por que me impede de ataca-lo?

- Porque eu sinceramente eu acho que isso é uma grande besteira, e creio que ambos também saibam disso.- responde Shaoran, levemente sombrio.

- Talvez seja uma besteira... mas essa vingança é minha, e não vou parar até punir esse indivíduo.- diz Mikael furioso.- Então, saia da frente ou vai sofrer junto com ele.

Ele repara que Mikael tem uma arma escondida.

- Que coisa. Sai logo da minha frente menino!- grita Mikael.- Eu não quero ter que te matar para que você impeça a minha vingança.

- Me desculpe Mikael, mas eu não vou sair daqui. Se quiser me matar, faça isso logo.

- Não vê que pode morrer aqui? Por que está fazendo isso?

- Sei. E eu já respondi a essa pergunta, mas acho que vou ter que dizer tudo de novo, eu sinceramente eu acho que isso é uma grande besteira.

Sylvan, que a esta altura já estava recuperado, levantou-se num único salto e notou o jovem que bloqueara o golpe de Mikael. "Mas por que alguém faria isso?" Pensou Sylvan. "Será que ele está do lado de Paloma? Quem sabe... eu terei a chance de vê-la de novo, mas, primeiro eu tenho que mostrar a Mikael que ele está se confundindo." Ele tinha certeza absoluta que não conhecia esse jovem, e estranhou o fato dele ter o ajudado, mesmo estando junto com Mikael. Talvez... fosse algo que devia acontecer.

- Muito obrigado.- agradece Sylvan.- Mas posso continuar a luta sozinho, se não for se incomodar.

- Não há o que agradecer.

- Então, foi por isso que me deteve?- pergunta Mikael.

- Sim, não posso negar que foi por isso, mas também tinha outros motivos.

- Pode sair da nossa frente então.

- Eu sairei, mas não é porque eu concordo com essa vingança, mas porque acho que cedo ou tarde você vai parar para pensar e verá que está fazendo uma grande besteira.-explica Shaoran.- Afinal, eu ainda não tenho o poder de parar essa luta, mas em breve... quem sabe?

Shaoran se afasta dos dois e deixa que ambos prossigam com a luta.

- É... esse jovem não tem medo do perigo que é exposto.- sorri Sylvan.- Talvez por isso que se machuque tanto, por uma qualidade que também pode ser um defeito.

Essa talvez tenha sido uma decisão muito questionável, mas, o que ele poderia fazer? Entrar na frente dos combatentes impedindo a luta? Tarefa muito difícil quando se tem um assassino furioso e sedento de vingança no jogo. Sem contar o fato de que Mikael não estava diferenciando muito bem amigo de inimigo nessa batalha. Ele já sabia disso, mas quando impediu de atacar Sylvan  "Talvez isso seja uma besteira, mas quem sabe? Agora, não está em minhas mãos deter esse combate. Mas pode estar nas mãos de outras pessoas, que nesse caso, só podem ser Tales e Paloma. Mas, será que estou fazendo a coisa certa?" Pensou Shaoran. "Espero que o que esteja fazendo seja o mais certo." Pelo visto, Sylvan queria que Mikael fizesse algo, mas ninguém fazia a menor idéia do que seria. Então, só vendo mesmo para saber.

Enquanto isso…

Paloma estava correndo pelo labirinto. Tinha que encontrar Tales a qualquer custo, pois sua intuição dizia que ele seria uma peça chave para a resolução de um conflito. Mas qual conflito, Paloma não sabia ao certo.

- Aonde você pode estar Tales?- perguntava Paloma para si mesma.

Enquanto corria pelos túneis, ela esbarrou em algo. Ela ficou tensa de repente, parecia que seu coração iria explodir a qualquer momento.

- Você não enxerga não?- pergunta uma voz.

Paloma se acalmou logo que reconheceu a voz. "Graças a Deus que encontrei o Tales."

- Se eu estivesse enxergando algo, você acha que eu pisaria no seu pé?

- Talvez, Paloma. Eu não sei do que você é capaz.

- Tales, que bom que o achei.

- Paloma, nós não temos tempo, temos que alcançar Mikael e os outros, rápido.

- Eu conheço um atalho. Por aqui, vamos.

Tales e Paloma começaram a correr.

- Você tem muito a me contar.

- Você também tem muito para me contar, mas não se preocupa Paloma, eu começo a lhe contar toda a minha parte agora.

- É bom mesmo que me conte tudo, pois estou com um pressentimento ruim e talvez com a sua narrativa eu saiba se ele tem fundamento ou não.

- Bom, eu segui o seu conselho e fui investigar mais coisas sobre o assassino, baseado em meus pressentimentos. E acabei descobrindo que os meus pressentimentos tinham fundamento.

- Em outras palavras, eu estava enganada.

- É. Mas, da missa você não sabe o terço. Advinha quem planejou o meu seqüestro e obrigou vocês a virem aqui?

- Quem?

Paloma se calou depois da pergunta, tentando imaginar quem poderia ser até que ela mesmo responde, muito incrédula.

- Não me diga que Orpheu Galegari que planejou o seu seqüestro. As coisas não poderiam estar mais claras do que estão agora. A vingança sobre as gangues... as mortes em série... tudo se encaixa perfeitamente. Ele é um assassino que sente prazer em matar pessoas indefesas, e o seu ódio pelos Dragões Azuis era mais do que obsessivo, era doentio. Mikael, Caio, Alexsia, Sylvan, Yukito, Kaho e... você Tales. As sete vítimas representavam vocês, e a cruz feita a balas, lembra... um caso mais antigo ainda. É Tales, eu realmente me enganei e esse engano pode ser fatal. Se não fosse você, talvez eu iria cometer a maior burrada de todos os tempos.

Ele sabia sobre as capacidades de dedução de sua amiga, porém aquilo foi tão rápido, que foi de assustar. Só foi preciso uma única pergunta e Paloma praticamente desmembrou todo aquele mistério.

- Nossa Paloma, isso foi surpreendente.- responde Tales.

- Eu que o diga Tales, eu que o diga.- diz Paloma.- Mas, dessa vez, foi você que resolveu todo o caso. Eu devo provavelmente ter apenas repetido suas palavras... e suas conclusões.

- Você também fez suas conclusões. Tudo o que eu fiz foi abrir os seus olhos, minha amiga.

- Então vamos Tales. Temos um assassinato para impedir.

- Certo, mas temos mais coisas a revelar.

- Faremos isso correndo, meu amigo.

E os dois voltaram a correr pelos túneis, enquanto contavam tudo o que fosse necessário ao impedimento da vingança de Mikael.

Voltando aos outros…

Mikael jogou as armas para o alto e voltou a bater em Sylvan.

- Isto é por Caio.- diz Mikael, dando uma joelhada no estômago de Sylvan.

Sylvan não reagia de maneira nenhuma.

- E isto é por Alexsia.- continua Mikael, dando um chute no rosto de Sylvan.

A seqüência de golpes que Mikael aplicava era impressionante, mas Sylvan reagira bem a isso. Ele se esquivava da maioria dos golpes, sendo que somente um ou outro o acertava de verdade.

- Vamos lá Mikael, eu sei que não é isso o melhor que você pode fazer. Vamos lá, me acerte com raiva, isto é, se você estiver com raiva o suficiente para isso.- provoca Sylvan.

- Cale-se.- brada Mikael.

Mas ao dizer isso, Mikael tomou uma atitude drástica. Ele sacou uma pequena arma escondida e apontou para a cabeça de Sylvan. Sylvan nem se moveu, sabia que ser fizesse algum movimento suspeito, Mikael descarregaria todas as balas em sua cabeça. "É melhor eu começar a tirar o atraso das minhas rezas, pois provavelmente vou precisar muito disso." Pensou Sylvan aflito.

- Eu vou te matar.- diz Mikael.

Ele sabia que Mikael iria cumprir com o que dizia. Sylvan rezou todas as orações que sabia e até as que não sabia ele rezou. Mikael estava com a arma apontada para a cabeça de Sylvan. Ele estava pronto para acabar com a vida de Sylvan, quando ele ouviu um grito angustiado, cuja a voz ele reconheceria a quilômetros de distância.

- Pare Mikael!

Paloma gritou desesperada, o que fez Mikael abaixar sua arma. Sylvan olhou fixamente para sua irmã. Como ela havia mudado nesses nove anos que ele não a via. Mantinha-se fria e séria, mas, não pôde segurar um sorriso de alegria por reencontrar o seu irmão mais novo.

- O que você pensa que vai fazer Mikael?

- Eu vou matá-lo, Paloma.

- Ah, você não vai mesmo.- responde Paloma, levantando a arma.- Não se pode acabar com a vida de alguém, por mais cruel que ela seja. Não há honra nenhuma em matar ou morrer.

- Mas você já matou.

- Por isso posso dizer com certeza que não há honra em matar ou morrer. Você devia agradecer a ele.

- Agradecer por que?

Tales apareceu do lado de Paloma.

- Porque Mikael, foi Sylvan que me libertou do cativeiro do Orpheu.- completa Tales.

- Algo mais contra?- pergunta Paloma.

- Paloma, foi ele que matou Alexsia, e todos os outros. Você não entende, ele tem que morrer.

- Mikael, se você matar Sylvan, a única coisa que você estará fazendo é condenando a vida da pessoa errada. Mikael, ele cometeu apenas um assassinato.

- Um assassinato?- pergunta Shaoran.- Então ele matou apenas uma pessoa?

- Sim, ele só matou uma pessoa.- responde Paloma.- No fim, Tales é quem estava realmente certo e que me fez perceber que eu estava condenando a pessoa errada. Ele não matou Alexsia e nem Caio, mesmo eles sendo inimigos. Na verdade eles descobriram que um rapaz pretendia te assassinar e se uniram para acabar com ele, passando por cima de suas diferenças. Não estou certa, Sylvan?

- Você está certa sim, Paloma. Eu nunca gostei de Caio, e todos aqui sabem bem que isso era recíproco. Mas, um dia, o acaso nos fez testemunhas de algo que mudaria tudo. Seis homens estavam conversando, planejando como matá-lo e como matar Tales. Eu e Caio, apesar de tudo, sempre nutrimos um grande respeito a você e uma grande preocupação com Tales. Orpheu Galegari era o líder desse bando, que queria a sua destruição e o seu posto de líder dos Dragões Azuis.- diz Sylvan.- Caio matou um deles, chamado Ricardo e o outro foi morto por Mikael e Paloma, chamava-se Isaak. Exatamente como pensam, este homem matou Alexsia e Caio. Eu prendi dois, um chamado Guilherme e o outro chamado Otávio. Porém, eu tive que matar um deles, chamado Ivan. Mas foi por que eu precisava me defender. Ou eu o matava ou eu morria. Acabei optando por mata-lo, porém, aquilo era uma armadilha, por isso, fui ferido mortalmente por Orpheu, o que me deixou em coma profundo. Durante 1 ano e 3 meses, eu estive lutando na linha da vida e da morte. Quando eu acordei, os médicos não acreditavam em minha recuperação. Eu devia ter morrido com todos os ferimentos que eu tinha, foi o que disse o médico que cuidou de mim, mas ele disse que talvez aquela não fosse a minha hora de partir. Daí eu me recuperei, levei 9 meses para me recuperar. É, eu nasci de novo naquela época, e quando eu me recuperei, retomei a minha caçada a Orpheu. Foi assim que eu voltei a Tomoeda para poder terminar a minha caçada, que tomou 7 de anos de minha vida, e que eu pretendo acabar hoje mesmo.

- E o que estamos esperando?- pergunta Gabriel.- Pessoal, vamos caçar alguns traidores, e desta vez não será tão fácil Orpheu escapar de nós.

- Vamos nessa Gabriel.- responde Tales.

Anita parou na frente de um dos caminhos. Parecia murmurar alguma música, enquanto suas lágrimas regavam o chão abaixo dela.

haritsumeta yumi no furueru tsuru yo

tsuki no hikari ni zawameku omae no kokoro

(A tremula corda puxada de uma curva

Martelando no luar, seu coração)

Tomoyo e Sakura se aproximaram de Anita e se comoveram com a música. Parecia que Anita aproveitava para por para fora tudo o que sentia e sofria. Era como uma densa aura de mágoa e raiva rodeasse a jovem que cantava.

togisumasareta yaiba no utsukushii

sono kissaki ni yoku nita sonata no yokogao

(A beleza de uma lâmina afiada

O perfil de Thy olha muito bem como esse ponto da espada.)

A cena era por demais melancólica para os membros ali presentes, que lembravam de suas tragédias pessoais. As jovens que estavam junto com Anita agradeceram aos céus por conseguirem manter-se de pé sem fraquejar. Até os corações mais frios, como o de Mikael e de Gabriel não deixaram de sofrer pelas lembranças trágicas que vinham em suas memórias mais profundas e obscuras.

kanashimi to ikari ni hisomu

makoto no kokoro wo shiru wa mori no sei

(Escondendo-se na tristeza e raiva

Os únicos que sabem que seu coração é verdadeiro são os espíritos da floresta)

Paloma e Sylvan eram os que mais se reconheciam naquela melodia. Ambos haviam vivido diversas tragédias durante suas vidas, tanto juntos quanto separados. Aquelas lembranças doíam, sangravam, porém não eram sentidas, ou eram ignoradas. Sabiam que muitas das feridas nunca se cicatrizariam, então, tinham que aprender a conviver com elas.

mononoke-tachi dake mononoke-tachi dake

(somente os espíritos, somente os espíritos...)

Paloma se lembrou da história de Anita e lembrou-se também da tragédia. Anita perdera a irmã gêmea dela, Morgana na chacina. Quando ela soube da morte da irmã, Anita tentou se matar, porém Daniel e Paloma impediram tal ato. Porém, mesmo convencendo Anita a desistir do suicídio, ela nunca mais se perdoou pela morte de sua irmã.

- Anita...- diz Paloma.- você não devia se culpar pela morte da Morgana, pois sabe que não foi sua culpa. Essa cantiga só te faz ficar mais deprimida Anita. Não dá pra virar a página não? Pelo menos por ela, tenta fazer isso Anita, senão, eu não sei o que você será capaz de fazer.

- Você não entende, essa é a minha penitência.- responde Anita.

- Eu posso não conhecer a senhorita, mas posso garantir que minha irmã e eu entendemos o que sente. Perdemos nossos pais e um outro irmão muito cedo. E, sei que não é uma coisa boa. Eu nunca me perdoei por isso, até pelo meu irmão, que nunca cheguei a conhecer.- comenta Sylvan.- Mas, temos que seguir em frente, pois permanecer no passado não faz a pessoa feliz, mas a torna mais amarga. Não peço para que engula todo o sofrimento, pois eu sei que não é possível fazer isso de uma vez, mas que você se perdoe e dê mais uma chance para tentar compensar isso de outra forma.

- Mas como eu faria isso?- pergunta Anita.

- Eu não posso dizer como.- responde Sylvan.

- Mas por que não?

- Porque é você que tem que descobrir o seu próprio caminho e trilhar sua estrada a partir desse caminho.- responde Shaoran.- Pois você só vai seguir em frente se você quiser seguir, não se outros seguirem essa trilha por você.

- É isso mesmo Anita. Tente seguir um rumo novo. Não garanto que será um caminho fácil, nem que não irá se machucará nessa trilha, mas mesmo assim, tente.- diz Paloma.

Anita sorriu.

- E eu que não acreditava em anjos da guarda.- diz Anita sorrindo.- Mas eu me enganei, pois sempre estive cercada por eles. Vamos subir por esse caminho, pois para baixo não haverá nada e para frente será um beco sem saída.

- Vamos sim.- dizem todos.

E seguiram subindo pelo caminho indicado por Anita. Mikael, Tales, Sylvan e Eikbar seguiam na frente, seguidos por Yamazaki, Paloma e Shaoran. Atrás deles vinham Anita, Sakura, Tomoyo e Kaho, e por fim vinham Gabriel e Yukito, dando cobertura ao grupo. Seus passos eram muito leves, quase imperceptíveis. Mas um barulho chamou a atenção de Tales, que virou para ver se Paloma também havia notado e a resposta foi silenciosa. Paloma olhou para ele e apontou para uma plataforma acima deles. Com um gesto, pediu a Tales para que eles se afastassem um pouco e formassem um semicírculo. Os lábios dela se curvaram num pequeno sorriso.

- Idiota, acha que eu cairia no seu logro? Só sendo muito estúpida.- diz Paloma, observando a plataforma.

Ela pegou uma arma e disparou três vezes na viga que sustentava a plataforma. A plataforma se curvava para a esquerda, graças aos tiros.

- Eikbar, dinamite, por favor.- pede Paloma.- Acerte na viga mais frágil.

Eikbar só precisou de poucos segundos para realizar tal tarefa. Com uma rapidez incrível, ele lançou a dinamite na viga, que explodiu, causando a queda da plataforma no meio do grupo. Todos formaram um círculo em volta de Orpheu. Ele se levantou dos escombros, mas havia se ferido na queda.

- Mas o que temos aqui? Quem diria que nos veríamos novamente, Orpheu Galegari.- diz Mikael.- Faz muito tempo que eu não o vejo. Desde que tentou me assassinar. E já se fazem 5 anos.

- Então, Mikael McQuinn, você caiu em minha armadilha. Tenho um trunfo na manga, um de seus preciosos companheiros.- responde Orpheu, não reparando que Tales estava atrás dele.

- Eu acho que você devia olhar melhor.- diz Tales.- Pois, cá estou, pronto para a batalha.

- Mas como? Eu mesmo o deixei inconsciente com aquele sonífero.- pergunta Orpheu.- Você ainda deveria estar dormindo.

- Só que você se esqueceu de dois detalhes muito importantes a respeito desse assunto.- diz Sylvan.- Primeiro, você se esqueceu de vigiar sua presa e segundo, e mais grave, você se esqueceu que um verdadeiro membro dos Dragões Azuis tem conhecimentos básicos de medicina e primeiros-socorros e sabe como anular os efeitos de qualquer tipo de droga que tenha como objetivo paralisar ou deixar fora de combate.

A voz de Sylvan soou como uma pena de morte para Orpheu. Ele já não colocava Sylvan em seus planos de vingança, já que acha ter o matado a 3 anos. "Então ele sobreviveu a minha armadilha, mas como?" Pensou Orpheu. Será que ele fora tão estúpido de deixar uma brecha, uma falha em toda a sua intricada estratégia que pudesse ter beneficiado a sobrevivência de Sylvan? Como ele pudera sobreviver a tantos ferimentos mortais? Isso, Orpheu não sabia e talvez nunca ficasse sabendo.

- Você ainda não morreu?- pergunta Orpheu.- Pensei que eu finalmente havia o matado.

- Orpheu, eu sou vaso ruim, e vaso ruim não quebra de jeito nenhum, se você não sabe.- responde Sylvan.- Você me feriu gravemente na última vez que nos encontramos, há três anos atrás. Você deve se lembrar muito bem disso.

- Era para você ter morrido naquele dia. Mas, você não aprende que quem está contra mim deve estar morto.

- Mas que coisa surpreendente. Então Orpheu, andou estudando enquanto esteve na cadeia? E também quando fugiu de lá.- diz Paloma, especialmente irônica.

- Só podia ser mesmo você, detetive Liqueur.- responde Oprheu.- Pois, é mesmo do seu feitio fazer tais aparições.

- Só se você fosse louco de achar isso.- comenta Paloma.- Afinal, você acha mesmo que eu te daria tal privilégio depois de tudo que aprontou com a toda sociedade de Tomoeda e com a minha família? Não mesmo... pode pensar ao contrário, pois eu não me esqueço do que você fez, seu bastardo.

- E o que ele fez de mal a você mana?- pergunta Sylvan.

- Ele não fez mal somente a mim, mas a nós Syl. Foi esse bastardo que matou nossos pais quando éramos pequenos.- responde Paloma.- Não pense que eu me esqueci do que você fez a eles, pois isso não sai de minha cabeça seu monstro. Você os matou sem piedade, os mutilou e ainda riu ao fazer isso e fez com que cada parte da família culpasse o outro lado. Bem sádico e cruel como eu vim a presenciar.- a jovem detetive fez um gesto de ameaça tão cruel ao assassino, que ele mesmo gelou perante a esta ameaça silenciosa enviada pela jovem a sua frente..- Pensou que eu não iria suportar tal coisa por eu ter apenas 7 anos naquela época? Mas, cá estou eu pra te provar justamente o contrário. Eu consegui sobreviver, com um novo sentimento dentro de mim, chamado ódio. E estou aqui para vingar tanto a morte de meus pais, mas para vingar por todas as famílias, amigos e pessoas conhecidas de todas as pessoas que você matou sem piedade e com o mesmo riso sádico em seus lábios.

- Ele fez isso mesmo, mana?- indaga Sylvan, surpreso.

- Sim, ele fez tudo isso e eu acabei presenciando tal cena. Por isso eu jurei sobre o túmulo deles que eu me vingaria.- diz Paloma.- E renovei o meu juramento sobre o túmulo de Alexsia.

- Orpheu, seu cretino! Como pode você fazer algo desse tipo?

- Ora Sylvan, você está sendo um incomodo pior do que desses dois policiais de merda.

- Você pode dizer ou fazer tudo pra me ofender, mas você ousou ofender a minha irmã e ao meu melhor amigo na minha frente, e isso eu não vou perdoar. Por mim, por eles e por Caio, eu vou terminar com isso hoje mesmo.

- Ah, é mesmo? Isso nós vamos ver.

Orpheu apontou a arma para Sylvan, mas ele desviou a arma e atirou três vezes contra Paloma. O primeiro tiro acertou no braço esquerdo de Paloma, o segundo acertou sua perna de raspão e o terceiro tiro acertou na altura do pulmão. Nos dois primeiros tiros, Paloma se manteve de pé, firme e forte, mas, no terceiro tiro, não resistiu e caiu, sendo amparada por Tales e Eikbar.

- Eu te perdôo Orpheu.- diz ela antes de cair.- Pois eu sei que você vai pagar o que tem que pagar aqui.

Sylvan estava com os olhos injetados de sangue, olhando furiosamente para Orpheu. Todos levantaram suas armas logo após Sylvan ter levantado a sua própria arma contra Orpheu.  

- Por que você fez isso com a Paloma?- pergunta Anita.- Por acaso você não tem coração não?

- Eu não respeito meus inimigos. E, essa policial tem sido um incomodo desde que entrou na polícia.

- Como eu já lhe disse uma vez, Orpheu Galegari, se você tivesse força e coragem o suficiente para desafiar Paloma para um duelo, seria o mais certo. Se você fosse forte como diz, não precisaria nem fazer isso. Agora, você está em maus lençóis.- diz Tales, distraindo Orpheu enquanto Eikbar se movia furtivamente até o local.  

- Você deve ter ficado durante muito tempo próximo de Paloma, Sr. Black, pois você tem a mesma petulância dela.

- Ah é?- perguntou Tales.- Então, acho que você devia se preocupar com isso, afinal, atrevimento é uma marca registrada minha.

Orpheu ia retalhar contra Tales, quando Eikbar atacou-o por trás, dando uma cotovelada em seu pescoço. Ele tinha se esgueirado furtivamente, para surpreender Orpheu. Orpheu caiu de joelhos.

- Obrigado Tales.- agradece Eikbar.- Você não merece nem pronunciar o nome dela, cretino. Todos que tratam a mestra Paloma desse jeito, se tornam meus inimigos.

- Mantenha ele desse jeito, Eikbar.- diz Sylvan.- Vamos acabar com isso agora.

Sylvan ia atirar em Orpheu, quando Tales diz:

- Não atire Sylvan. Ele tem que viver.

Sylvan não ouviu as palavras de Tales. Mas, quando ele olhou pra frente, viu que Shaoran se interpôs entre ele e Orpheu.

- O que você está fazendo? Saia da frente, antes que você se machuque.- diz Sylvan.

- Eu não vou sair da frente Sylvan.- responde Shaoran.- Tales está certo, ele tem que viver para poder pagar pelos crimes que cometeu. Isso é o que Paloma faria e faz com pessoas desse tipo. Pode ser que ele tenha tornado a vida de vocês num inferno, mas ela iria fazer a mesma coisa que estou fazendo e que fez quando Mikael ia te matar, impedir.

- Isso é verdade.- concorda Yukito.- Paloma sempre faz isso, sempre.

- E ela com certeza não quer ver que você acabou com ele quando ela despertar.- completa Kaho.

- Se ela despertar, não é?- pergunta Sylvan.

- Ela vai despertar Sylvan. Pode escrever as minhas palavras para me tirar a prova depois.- diz Eikbar.- Paloma escapou de muitas coisas piores do que isso. Ela já ficou mais ferida do que agora, e Anita e Yamazaki estão de prova do que eu estou dizendo.

- É verdade.- concordam Anita e Yamazaki.- Houve uma vez que foi pior. Ela morreu e foi reanimada as pressas.

- Sylvan, lembre-se das últimas palavras que Paloma pronunciou aqui. Ela perdoou o assassino para que ele pague por seus crimes aqui. Então, pense bem, e verá que sua irmã está certa.- diz Mikael.- Então, não suje suas mãos de sangue. Em vez disso, vamos levar Paloma para o hospital, antes que ela piore.

Sylvan assentiu com a cabeça e fez alguns curativos, para abrandar a hemorragia. Feito isso, ele e Eikbar carregaram o corpo de Paloma até ao carro e de lá partiram para o Hospital Central de Tomoeda.

No hospital, algum tempo depois...

Todos estavam na sala de espera. Paloma já havia entrado no centro cirúrgico, para a retirada da bala alojada em seu pulmão. A cirurgia era delicada devido a grande perda de sangue. Paloma teve que receber uma transfusão de sangue para poder fazer a cirurgia. Duas horas depois, o médico apareceu, avisando que a cirurgia havia terminado a poucos minutos.

- E qual o estado da minha irmã, doutor?- pergunta Sylvan.

- Bem, conseguimos retirar a bala alojada no pulmão dela sem muitos problemas, porém, ela ainda continua em coma.- responde o médico.

- E quanto tempo ela vai ficar assim?

- Isso eu não posso dizer com certeza, pois depende de quanto tempo o organismo dela vai levar para se recuperar desse estado.

- Entendo.- comenta Sylvan.

- Não fique assim, tenho certeza que ela sairá dessa.- diz Yamazaki.

- Seu amigo tem razão. É verdade que a maioria das pessoas que leva um tiro a queima-roupa morrem, porém sua irmã está lutando muito para sobreviver. - diz o médico. - Daqui a pouco você pode ir vê-la, pois estamos a transferindo para um quarto na unidade de tratamento semi-intensivo.

- Obrigado doutor.- agradece Sylvan.

- Não há de que.- responde o médico, se afastando do grupo.

Sylvan abaixou a cabeça e esperou calmamente. Longe dele, Yamazaki, Yukito e Mikael conversavam. Os três resolveram muitos assuntos ali, até o médico avisar que podiam ver Paloma no quarto.

- Vão na frente.- diz Mikael.- Eu vou tomar um café e encontro vocês lá.

Todos olharam para Mikael. Sylvan se aproximou dele e pergunta sério:

- E você não vai ir?

- Eu já vou.- diz Mikael para Sylvan.- Enquanto isso acho que é melhor vocês irem vê-la.

- Ta falando sério?- comenta Sylvan.

- Estou falando sério sim. Realmente estou precisando de um café para relaxar um pouco.

- Certo, então vejo você no quarto de minha irmã.

Mikael se afastava do grupo, até ouvir Sakura dizer:

- O quarto de Paloma é o 321. Só para você saber onde nós estamos.

- Obrigado Sakura.- agradece Mikael.

Todos entram pela porta que leva aos quartos, enquanto Mikael vai até uma das máquinas de café que tem na sala. Enquanto espera café ficar pronto, Mikael refletia sobre muitas coisas. Ele chegara a conhecer Paloma na faculdade, graças a seu único amigo da turma de Artes Gráficas, Eikbar. Ambos ficaram amigos por serem do Clube de Motociclismo. Mikael também entrara no grupo e conhecera muita gente, que não se importavam com sua origem, provida de um amor proibido. Isto fazia Mikael esquecer o preconceito que ele sofria por ser um filho bastardo. Porém, foram Eikbar e Paloma que mais mudaram seu jeito de ser. Ele até se lembrava de um dos desenhos que fizera, desenhando todos os amigos do Clube.

- É, faz muito tempo mesmo...

Quando o café ficou pronto, Mikael tomou um gole do café puro, sem nada. Mikael fazia isso quanto precisava enfrentar algo difícil. Ele se endireitou e colocou açúcar no resto do café.

- Espero que você realmente sobreviva Paloma, se não eu não sei o que acontecerá aos outros.- sussurra Mikael para si mesmo.- Não sei o que eles fariam sem você.

Mikael pegou o copo e se encaminhou até o quarto de sua amiga recém-antiga descoberta.

Dias depois...

Paloma começou a recobrar os sentidos. Ela abriu os olhos e acordou em um quarto. As paredes eram claras, de um tom pêssego. Podia-se ouvir o vento batendo de leve nas cortinas brancas da janela.

- Até que enfim você acordou.- diz uma voz.- Sabe o que aconteceu?

Paloma reconhecera a voz de Tales. Ela soltou uma risada, que logo teve que controlar, por sentir algumas dores ao rir.

- Deixa eu ver.- diz Paloma alegre.- Das duas alternativas que tenho, com certeza é uma delas. Ou eu morri ou eu fiquei em coma. Qual das duas coisas aconteceu realmente Tales?

- Para ser sincero...- Tales forçou uma pausa para rir.- foi a segunda alternativa. Você entrou em coma logo após levar o terceiro tiro.

- E por quanto tempo eu fiquei inconsciente?

- Você ficou exatamente dez dias em coma.- responde Tales.- Dez dias muito difíceis por sinal. Veja por si mesma.

Paloma notou que Tomoyo dormia tranqüilamente.

- Ela não agüentou o cansaço.- diz Tales.- Ela ficou 3 dias sem dormir. Eu comecei a me preocupar com ela e até pedi para que ela fosse dormir um pouco. Ela relutou, mas... realmente ela precisava de um descanso.

- E os outros?

- Nós revezamos para ficar aqui.- explica Tales.- Formamos sempre grupos de duas ou três pessoas, dependendo do grupo que nos precede. Cada turno é de cerca quatro horas e sempre depois desse período, nós trocamos de grupos. Assim, temos como descansar.

- Entendo.

A porta se abriu, e Sylvan entrou no quarto. Quando viu Paloma sentada na cama, ele correu até o local e abraçou a irmã com força.

- Hey Syl, não aperta muito não, ainda está doendo.- diz Paloma, rindo.

- Desculpa mana. É que eu fiquei muito preocupado com você.

Paloma sorriu e viu que, por mais que ela pensasse que podia resolver seus casos sozinha, ela nunca estaria sozinha, pois haviam pessoas que se preocupavam com ela.

Cinco dias depois…

Paloma saiu do hospital, depois de fazer os últimos exames. Os resultados dos exames mostravam que apesar do tiro ter sido a queima-roupa, os danos foram mínimos. Tomoyo, Tales e Sylvan foram buscar Paloma e a levaram para casa. Todos conversavam com animação, mas algo estava estranho para Paloma. Nenhum deles quis comentar muitos detalhes o que houve antes de eles a levaram para o hospital. "Tem coelho nesse mato." Pensou Paloma, séria. Tales dirigia com cautela, olhando para o caminho que fazia, mas sabendo que Paloma desconfiava de algo. "Ela sabe que omitimos detalhes muitos detalhes, mas acho que não será por muito tempo... afinal, ela é especialista em conseguir confissões." Pensou Tales. "É... vamos ver o que vai acontecer."

- Vamos fazer uma pausa.- diz Tales.

- Já desconfiava disso.- responde Paloma sorrido.- Acha que me pegam de surpresa?

- Eu sei que não. E há muito tempo sei disso.- comenta Tales, estacionando o carro.

Paloma sorriu e desceu do carro. Ela caminhou até a moto e a analisou.

- É minha amiga, até que você está bem.- diz Paloma.- Pelo menos você está melhor do que sua condutora.- se virou para o trio.- Bem, se me permitem, eu vou voltar de outro jeito.

- Tudo bem.- responde Sylvan.- Só tome cuidado.

- Sylvan, não inverta as posições. Eu ainda sou o mais velha aqui.

Todos começaram a rir. Paloma pôs o capacete e saiu na moto.

- Ela não vai voltar cedo.- diz Tomoyo.

- Nós sabemos.- responderam os dois rapazes.

E realmente eles sabiam do que falavam. Paloma iria ao cemitério e quando ela ia até lá, ficava muito tempo. Quando Paloma chegou até o cemitério, foi até o túmulo de seus pais. Ela se ajoelhou e começou a rezar, até um vulto aparecer atrás dela. Paloma reconheceu quem estava atrás dela, por isso, continuou sua prece.

- Sabia que eu te encontraria aqui.- diz Mikael.- Preciso conversar com você.

- Mikael... o vai ganhar me vigiando?- pergunta Paloma.

- Nada. E nem estava te vigiando.- responde Mikael.

- Não... imagina. Quem mais estaria? Minha avó?- comenta Paloma.

- É sobre o que não te contaram.

- Ah...- diz Paloma.- finalmente alguém se dignou a responder o que escondiam.

- Acho que este não seria o melhor lugar para conversarmos sobre isso.- comenta Mikael.

- Também não acho. Afinal, pra que atormentar os mortos com os problemas dos vivos?- pergunta a detetive.

Paloma seguiu para a saída do cemitério e Mikael a seguia. Quando saíram de lá, Mikael contou tudo o que aconteceu depois de Paloma ter levado o terceiro tiro. Paloma sorriu ao ouvir toda a narrativa de Mikael. Ela sabia que eles haviam omitido muitas coisas, mas, eles não omitiram tantas coisas quanto ela pensava. Ambos conversaram muito e Paloma descobrira o motivo de tal atitude dos amigos. Eles não queriam que Paloma se esforçasse mais, pelo menos até, que ela se recuperasse de suas feridas.

- Obrigada por me contar tudo Mikael, não sabe o quanto eu precisava ouvir tudo isso.- diz Paloma.

- Não há de que. Só não os culpe, eles só queriam que você estivesse melhor.- responde Mikael.

- Não tema, eu não farei isso. Bem, até algum dia.

- Até.

Paloma saiu de lá e voltou para o apartamento. Quando entrou, ela foi até a cozinha, onde Tales, Sylvan e Tomoyo jantavam. Ela sorriu para os três e pegou um pequeno pedaço de torta que estava separado. Quando Paloma estava na porta, de costas para eles, ela diz:

- Muito obrigada, por se importarem tanto comigo.

Os jovens iriam responder, mas Paloma saiu antes que qualquer um deles falasse.

Uma semana depois…

Paloma estava esperando Tomoyo na faculdade. Tomoyo estava correndo para encontra-la.

- Você está atrasada para a consulta no médico.- comenta Paloma.

- Eu sei.- responde Tomoyo.- Vamos?

- Vamos sim. Entre no carro.

Tomoyo entrou no carro. Paloma dirigiu até o hospital central, onde Tomoyo teria uma consulta com o neurologista, que lhe explicaria os detalhes da cirurgia que tinha que fazer. Quando a enfermeira a chamou, Tomoyo foi até a sala do médico, enquanto Paloma ficava na sala de espera. Depois de alguns minutos, Tomoyo apareceu de novo na sala.

- O que houve?- pergunta Paloma.

- Paloma, é melhor que você fale com o Dr. Darrell.

- Por que Tomoyo?

- É melhor que você fale com ele para entender os detalhes da cirurgia.

- Certo. Vamos lá.

Paloma se levantou e foi até a sala do neurologista. Porém, quando Paloma entrou na sala, ela tomou um susto. Então, o médico que faria a cirurgia de Tomoyo, não era ninguém menos do que seu amigo Leonardo Darrell?

- Leonardo, e você?- pergunta Paloma.

O rapaz se virou e olhou nos olhos de Paloma. Havia uma expressão de surpresa no rosto dele, o que o fez perguntar:

- Paloma, que bons ventos a trazem aqui minha amiga?

- Vim por causa de Tomoyo, a jovem que estava aqui agora pouco. Sou a acompanhante dela e vim saber sobre os detalhes da cirurgia.

- Entendo. Então sente-se por favor.

Paloma se sentou na cadeira. Leonardo explicou a ela que a cirurgia que Tomoyo teria que fazer era de médio risco. Ele explicou todos os detalhes, desde do pré-operatório até o pós-operatório.

- E o preço?- pergunta Paloma.- Fiquei sabendo que é quatro mil e seiscentos ienes.

- Esse é o real preço da cirurgia, mas nesse hospital é cobrado apenas a metade do preço. Então, são dois mil e trezentos ienes.

- Eu entendo.- diz Paloma.- Obrigada, Leonardo.

- Que isso. Afinal, uma amiga de meus amigos também é uma amiga minha.- responde Leonardo sorrindo.

Ambos caíram na risada. Paloma pergunta:

- O que você veio fazer em Tomoeda, Leonardo?

- Vim passar um tempo em casa. E também, estou de intercâmbio médico aqui.- responde Leonardo.- Afinal, não são muitos neurologistas que aceitam vim para cidades pequenas, se bem que Tomoeda deixou de ser uma cidade pequena há algum tempo.

Paloma concordou com cabeça. Ela pergunta:

- Dez anos. Dá pra acreditar que estamos sem nos ver a dez anos?

- Não, não dá mesmo para acreditar. Você ainda está com ele?- pergunta Leonardo.

- Se você quer dizer o diário que você me deu, estou sim. E, tudo o que você escreveu nele deu certo.

- Que bom que tenha dado tudo certo.

- Tem razão. E quem é está linda jovem na foto?- pergunta Paloma, apontando para uma jovem ruiva de olhos verdes.

- Essa é a minha esposa, Júlia.- responde Leonardo.- Eu a conheci no terceiro ano da faculdade. Ela fazia faculdade de Jornalismo. Eu a conheci numa feira da faculdade, e, creio que foi mais do que acaso, foi o destino.

- Nossa. E parece que você estava certo nisso.

- Mas, acredite, não foi fácil. Júlia tinha muitos admiradores.- comenta Leonardo.- E, você sabe que eu não posso usar a minha força normal, pois eu machucara muito fácil qualquer um deles. Sabe que isso sempre foi o meu grande problema.

- Eu sei disso.- diz Paloma.- Afinal, quem que tinha que te segurar quando você partia para a briga?

- É, e você era a única que conseguia agüentar quando eu estava desse jeito. Mas Júlia acabou descobrindo sobre a minha força descomunal. E acabou aceitando, pois ela não conhecia ninguém que fosse capaz de a proteger. Ela não tinha ninguém com quem contar. Isso é triste, mas nos consolávamos, e acabamos por amar um ao outro. E é um sentimento verdadeiro.

- Caramba...

- Nessa época eu contei a Júlia sobre você Paloma. Contei sobre nossa amizade. No início, ela não gostava disso, mas com o tempo, ela percebeu que nós dois só tínhamos uma amizade muito forte, e que eu amava você como uma irmã. Isso a acalmou.

- Que bom, pois eu não suportaria ver alguém querendo acabar com a minha raça por ciúmes.

Leonardo riu.

- Qualquer dia desses, vai lá em casa com a Júlia. Eu quero a conhecer.

- Certo. Pode ser no sábado? Eu não trabalho nesse sábado.- responde Leonardo.- E avise a sua amiga que a cirurgia está marcada para daqui 13 dias. Fale para ela vir se internar um dia antes, para se preparar.

- Pode deixar. Até a próxima.

- Até.

Paloma saiu do consultório e explicou todos os detalhes para Tomoyo. Ela entendeu tudo e ambas foram para casa.

Quatro dias depois...

Leonardo e Júlia estavam indo para o apartamento de Paloma. Júlia estava feliz

- Quem diria que eu finalmente irei conhecer sua melhor amiga?- pergunta Júlia.

- Eu que não o diria.- responde Leonardo.- Até eu me assustei quando eu a vi no meu consultório na terça-feira.

- Você achou que não a veria lá?

- Achei.- diz Leonardo, olhando um pedaço de papel.- É aqui.

Júlia sorriu e saltou do carro. Leonardo desceu logo depois. Quando Leonardo e Júlia estavam entrando no prédio onde Paloma morava, eles deram de cara com Sylvan. Sylvan sorriu cordialmente e diz:

- Boa tarde. Esperando por alguém?

- Apenas estamos esperando uma amiga. E você, está esperando alguém?

- Sim. Eu estou esperando a minha irmã. Qual é o seu nome?

- Meu nome é Leonardo Darrell, e essa é minha esposa, Júlia. E qual o seu nome?

- O meu nome é Sylvan Denver. Prazer em conhece-los.

- O prazer é nosso.- disse Leonardo.- Mas, esse nome não me é estranho.

- O seu também não é estranho aos meus ouvidos.

- Ah sim, agora tudo faz sentido. Você está esperando a mesma pessoa que eu. Você está esperando Paloma Liqueur.

- Você está certo. Ela é minha irmã mais velha. E você deve ser o amigo de que ela tanto me falou e que queria que eu conhecesse.

- Sim.

- Que bom que vocês se encontram.- diz Paloma, aparecendo atrás deles.

Todos ali riram. Paloma virou-se para a mulher que acompanhava Leonardo e pergunta:

- Você deve ser Júlia. Estou certa?

- Sim, sou eu.- responde Júlia.- E você deve ser a Paloma.

- Exato. Prazer em conhece-la.

- O prazer é meu. Leonardo fala muito de você, que eu estava doida para te conhecer.

- Eu também estava ansiosa para conhece-la. Queria conhecer a pessoa que conseguiu dobrar o coração do meu amigo.

- Acho que não devia me subestimar, senhorita Liqueur.- diz Júlia.

- E o você faria o que se eu a estivesse subestimando Júlia?- pergunta Paloma, mostrando sua frieza natural para lidar com indiretas.- Acho que estamos bem crescidas para entender quando alguém lhe manda uma indireta, não acha? E, mais uma coisa, se eu quisesse roubar o Leonardo de você, você não acha que eu o já teria roubado de você a muito tempo, antes mesmo de você o conhecer.- mas ela abre um sorriso e diz:- Mas, acho que com isso você não precisa se preocupar. Eu não seria tão baixa a cometer tal absurdo.

- Realmente, Leonardo tinha razão quando me dizia que você podia dar uma indireta, com uma frieza pior do que a de um inglês.

- Mas você não é inglesa?

- É, fazer o que, não é? Esse é o meu maior trunfo.

Todos sorriram.

- Vamos?- pergunta Paloma, como uma boa anfitriã.

- Vamos sim.- respondem os demais.

Os quatro subiram e ficaram conversando até tarde da noite, quando Leonardo e Júlia a se despediram dos irmãos e voltaram para casa.

Nove dias depois...

Tomoyo estava indo para o centro cirúrgico, onde dentro de alguns instantes, seria operada. Leonardo estava na porta, conversando com Tales e o resto do grupo.

- Não se preocupe, eu vou me esforçar para que ela saia bem dessa cirurgia.- diz Leonardo.

- Espero que dê tudo certo.- comenta Yamazaki.

- E vai dar tudo certo.- responde Júlia.

- Bom, eu vá vou, a cirurgia está para começar. E não posso deixar os pacientes esperando.- diz Leonardo, se despedindo.

Ele entrou pela porta que dava para o centro cirúrgico, deixando o grupo ali. Tales estava visivelmente preocupado.

- Não tema, Tomoyo vai sair bem dessa.- diz Sakura.- Afinal, ela teve a quem puxar.

- É Sakura, Tomoyo realmente teve a quem puxar.- responde Tales.

Paloma estava sentada, lendo calmamente um livro. Todos iriam ficar até a hora que a cirurgia acabasse, ou até mais tempo.

Quatro horas depois...

A cirurgia de Tomoyo finalmente havia acabado. Leonardo explicou que a cirurgia tinha sido um sucesso e que até se impressionou com a capacidade de recuperação dela.

- Afinal, ela teve a quem puxar, sem dúvida nenhuma.- comenta Leonardo.

Todos se levantaram e foram até o quarto de Tomoyo, sempre em duplas. Paloma foi a última a entrar, pois sabia que ele se preocupavam muito com Tomoyo.

Quando Tomoyo foi liberada, três dias depois da cirurgia, todos resolveram descansar e curtir um pouco do verão em Tomoeda. Todos viajaram para lugares diferentes, para poderem aproveitar melhor as férias. Porém, Paloma resolvera ficar na cidade, alegando que precisava de um tempo sozinha. Ela estava admirando o pôr-do-sol, com uma pequena cesta na mão.

- Uma coisa eu aprendi nisso tudo...- comenta Paloma para si mesma.- é você nunca está sozinho nessa vida. Sempre há alguém junto de você, vivo ou não, mas sempre há. No meio caso, eram os meus pais, meu avô, Caio e Alexsia. Além de todos que estavam aqui me ajudando.

Ela virou o conteúdo da cesta. Eram pétalas de flores diversas, que foram carregadas pelo vento fresco daquela tarde.

- Obrigada por tudo.

Paloma sorriu e foi embora.

Fim

Ps: A música que aparece nesse capítulo é o encerramento do filme Mononoke Hime. (que também se chama Mononoke Hime). Só não garanto que a tradução esteja das melhores, pois eu usei a tradução em inglês como base e também por essa ser a minha primeira tentativa de usar música numa fic.

Bem, terminamos a série (Finalmente!!!). É meia noite e meia e estou quase capotando no teclado. Nossa, adorei fazer essa série. E vocês, gostaram de ler essa série? Espero que tenham gostado, e se não gostaram de algo, me avisem. Bom, eu queria dedicar esse capítulo para algumas pessoas:

Miaka Hiiragizawa: O que essa fic não seria sem você, minha leitora mais assídua? Muito obrigada por ter me incentivado a continuar essa série, pois, por vários momentos eu estive prestes a desistir de tudo, mas você sempre me incentivava a seguir em frente. Esse fic também é seu, minha amiga. Espero que esse final tenha agradado. Valeu por todo o esforço.

Simbiot: Meu grande amigo. Esse capítulo também é seu, pois você me deu muitas idéias do que eu poderia fazer. Fico feliz que você tenha começado a publicar suas fics. E também agradeço por ter me dado tantas idéias nas conversas que sempre temos. Muito obrigada por tudo.

Naru-L: Agradeço por você ter deixado um comentário aqui. Fico muito feliz por ter me incentivado. E eu também espero a continuação de seus fics.

: Agradeço por gostar dessa pequena confusão que é esse fic.

E também vale agrade a todos que leram e não deixaram seus comentários. Só de saber que alguém leu essa história, já me deixa feliz. Valeu gente, eu fico muito agradecida.

Até o próximo fic, se Deus permitir.

Um abraço,

Soul Hunter.