Capitulo 6
Uma Misteriosa e Sensual Ruiva
Todo ano em Atenas no fim de julho acontecia o Festival em homenagem a Zeus. Pessoas vinham de todos os lugares da Grécia e de suas ilhas para homenagear o Senhor do Olimpo, era apenas uma noite de alegria e musica antes de mais um dia de trabalho ou aulas.
Por conta disso, as principais ruas de Atenas estavam interditadas e pessoas das mais variadas aparências e classes sociais andavam de um lado para o outro com fitas e enfeites.
E foi exatamente com uma dessas ruas interditadas que Meijin se deparou quando voltava ao Santuário.
- Ah não! Assim não tem graça! – a amazona reclamou quando deu de cara com a barreira.
- Por que não? Ali tem uma entrada, da para ir por uma rua paralela – disse Annie.
- Talvez, mas essa era a única rua de Atenas que eu podia passar de 120. – bufou manobrando o carro para ter acesso a uma rua paralela.
- Não podia simplesmente abrir uma passagem dimensional e pronto! Estamos no Santuário?
- Mas que graça teria? – Meijin perguntou pisando fundo, fazendo o veiculo arrancar feito um louco.
- A de não morrer! – Annielle disse afundando no banco – Você não disse que aquela era a única que podia passar de 120?
- Disse, mas quem falou que eu sigo regras de transito?
- Parece que você não tem amor a sua carteira de motorista – Annie comentou com uma gotinha.
- Que carteira? – Meijin perguntou com o sorriso sádico – Desconheço tal coisa.
- Que Athena nos ajude – disse a menina conferindo o cinto de segurança.
Santuário de Athena
Casa de Peixes...
Uma cabeça loira encontrava-se caída sobre uma mesa. Um vaso com uma rosa vermelha estava mais a frente, mas o dono da cabeça já tinha a muito parado de pensar no por que tinha falhado pela sexagésima terceira vez. Ao invés disso, tecia teorias e planos sobre algo que ele não tinha riscos de falhar.
- Isso não esta certo, Hecuba – choramingou para a senhora que afagava seus cabelos – É tudo tão obvio... Por que ninguém toma uma iniciativa?
- Talvez, menino Haku, seja por que não é tão obvio assim... – disse a senhora com a voz enrouquecida - O menino tem mais facilidade do que os outros com essas coisas.
Ela era uma mulher de cabelos brancos e pele enrugada pelo tempo. Vivia em Rodorio e trabalhava no Santuário desde os 14 anos, era uma verdadeira matrona grega e todos os outros servos a respeitavam. Tinha uma filha de 31 anos que trabalhava em Libra, um filho de 27 anos que trabalhava em Sagitário e mais doze filhos espalhados pelo mundo.
Gostava imensamente de Haku, apesar de achar que quase sempre dramatizava demais algumas situações simples.
- Minha missão é abrir os olhos desse povo! – ele disse sentando-se ereto com os olhos brilhando como estrelas – E preciso de uma equipe.
- Francamente, menino, não creio que alguém va perder tempo com isso – às vezes, Hecuba podia ser bem dura com as pessoas, mas Haku já aprendera a ignorar. – E também não é saudável forçar algo, o melhor a fazer é deixar que as pessoas tomem seus rumos sozinhas.
- Oh não, eu preciso fazer algo. – ele disse com um sorriso maligno desenhando-se em seu rosto – E o que mais tem são pessoas loucas para não morrer de tédio nesses tempos de paz... E eu conheço as pessoas perfeitas para me ajudar!
Dito isso, o cavaleiro com animo restaurado saiu feliz pela porta da estufa, fazendo a senhora de cabelos brancos suspirar cansada e começar a espanar a mesa.
Casa de Virgem
Depois de prestar as devidas explicações a Elizabethy, Kaname retornou ao seu lar, onde um pequeno felino preto o esperava deitado no tapete da sala.
- Esta tudo bem, Caos. – o cavaleiro disse afagando a cabeça felpuda – Ela vai ficar bem, mas a Liz disse que você não pode ir ate la, ela e alérgica, você sabe.
Caos piscou seus grandes olhos vermelhos, e com certa dificuldade, tentou se por em pé, mas foi impedido por Kaname.
- Fique aqui ate se recuperar, Selene não voltara a Escorpião por algum tempo.
E como se pudesse entender o cavaleiro, o felino deixou-se cair pesadamente no tapete felpudo.
Estava certo, afinal, pensou cavaleiro venço o gato fechar os olhos lentamente. Tinha certeza de que nenhum golpe de Ruisu e nem o Kahn tinham atingido Caos, no entanto o gato parecia estar sentindo muita dor na perna direita, bem como nas costelas.
Haviam duas explicações: ou o felino tinha sofrido algum tipo de acidente na volta ao Santuario, o que não era provável, pois se assim fosse Selene certamente não teria deixado ele voltar andando, ou as ligações dele com a dona eram bem mais complexas do que qualquer um poderia imaginar, algo bem alem da mera fidelidade, afeição ou amor.
Nenhuma das explicações era muito plausível, no entanto so existiam essas.
Casa de Sagitario...
- Tudo bem, por que você nos chamou aqui? – Indagou Annabelle sentando-se na cama de Manu.
- Eu também queria saber – disse Manu – Tive que vir correndo de Áries. E por que a minha casa? Devia ser a sua.
- Calma, gente, deixem ele falar – disse Daniel.
- É o seguinte... Eu tenho percebido alguns... Comportamentos diferentes no Santuário – disse Haku cautelosamente.
- Você já tinha me dito, mas eu não vejo nada de diferente em ninguém. Acho que você que esta ficando complexado – disse a sagitariana.
- Eu não estou complexado, sei exatamente do que estou falando e posso provar! – o pisciano rebateu.
- Como vai provar se tudo é baseado nas conclusões e pareceres da sua mente complexada? – disse a ruiva calmamente.
- Vamos perguntar para quem sabe das coisas então – disse o cavaleiro de peixes virando-se para uma amazona que ate então estivera calada. – O que você viu nas estrelas.
- Por isso você me chamou então? – disse a amazona mascarada – As estrelas não mostram esse tipo de coisa, Haku, isso não faz parte de um destino já traçado e sim de uma escolha livre. O melhor que você tem a fazer é seguir o conselho da Hecuba e deixar tudo fluir naturalmente.
- Como você... – Ele a olhou espantado – Ah, esquece. Eu já deixei por tempo demais, faz meses que eu estou observando e ninguém toma coragem. Quer saber? Eu vou agir, começando por você! – ele disse apontando para a amazona de Sextante.
- Eu? Eu não tenho nada a ver com isso, não me meta nas suas insanidades. – Hellsing respondeu.
- Pois tem sim senhora – disse o pisciano. Os outros os observavam curiosos. Estaria a amazona de Sextante escondendo algo alem do rosto? – Eu fiquei sabendo o que aconteceu no atalho para as doze casas durante a invasão do Santuario pelos enviados do Olimpo e eu sei que uma pessoa te salvou, desde então você...
- Não é esse o ponto e você não tem o dom de ler pensamentos. Tenho uma divida com essa pessoa e nada mais. E o seu método para esses seus casaizinhos é bastante falho. – disse Hellsing.
- A Hell tem razão afinal de contas – disse Anabelle – Para fazer algo desse tipo, precisamos de algo concreto e não so a sua anteninha pisciana apitando.
- Vocês não estão me levando a serio mesmo, não é? – disse Haku com uma mão na cabeça.
- Não. – disse Hellsing.
- Definitivamente. – disse Anabelle.
- De jeito nenhum. – disse Manu.
- Eu levo. – disse Daniel com um sorriso de orelha a orelha.
- Não é o que eu esperava, mas já é algo – Haku disse suspirando – Vou provar pra vocês que eu estou certo e vou ser o responsável por muitos finais felizes. – terminou com uma pose heroica. – Me aguardem. – Terminou dando as costas aos outros e caminhando ate a saída.
- Ei Haku – a voz de Daniel soou seria – Eu estava falando sério, estou do seu lado, então, se precisar, conta comigo pra [i]qualquer[/i] coisa. – terminou com uma piscadela marota, que fez as mulheres (inclusive Hellsing) rirem.
Haku resolveu ignorar a piscadela, era provável que precisasse de ajuda em algum momento e quando assim fosse, procuraria quem quer que fosse que pudesse ajuda-lo, mas por enquanto, trabalharia sozinho.
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Fenrir caminhava tranquilamente por Rodorio. Seu humor tinha melhorado potencialmente e precisava comprar alimento. As casas de Aquário, Leão e Touro eram as únicas que dispensavam as servas do Santuário e eram cuidadas por seus guardiões por vontade dos próprios.
- Veja só, Fenrir de Aquário, certo? Quem diria que aquele garotinho impertinente e sem graça ia se tornar esse homem com tanta saúde. – O comentário veio de uma mulher sentada em uma das mesas da lanchonete mais famosa de Rodorio (o que não era la muito difícil de ser). Ela era ruiva, seus cabelos caiam em uma cascata ondulada por suas costas e seus olhos verdes eram tão profundos quanto o mar. Ela vestia uma camiseta branca de manga ¾ e botões, cujos superiores estavam soltos em um decote provocante, sua saia era em tons de cinza cujo comprimento era ate a metade das coxas e ela usava scarpins pretos de salto Luis XV.
Ela parecia bem a vontade com uma xícara de café a sua frente e um livro bastante espesso de capa roxa com detalhes em dourado no colo.
- Desculpe-me, eu te conheço? – perguntou o cavaleiro tentando ignorar que acabara de ser chamado de impertinente e sem graça.
- Não, claro que não. Mas eu te conheço a muito tempo – Ela respondeu calmamente dirigindo a ele um olhar malicioso – Meu nome é Belinda. Por favor, sente-se, tome um café comigo.
- Receio ter que recusar o seu convite – disse o aquariano – Como a senhorita mesmo disse, eu não te conheço e preciso me apressar.
- Sente-se, Fenrir, ou nunca vai entender o por que você tem se sentido mal ultimamente – Belinda disse com uma voz grave.
O cavaleiro ficou realmente surpreso. Como aquela mulher, que ele nunca via na vida sabia do que ele guardara para si mesmo.
- Como você...
- Ora, vamos, sente-se – insistiu a ruiva apontando uma cadeira vazia. Sorriu vitoriosa quando viu o cavaleiro lhe obedecer – Certo. Você esta seriamente doente e lamento informa-lo, não tem cura.
- Eu nem ao menos sei o que é. Não existe explicação lógica...
- E claro que não! Isso não tem nada de lógico, é bem diferente das doenças comuns.
- E o que você recomenda?
- Leia uma historia.
- O que? – o aquariano perguntou pensando não ter ouvido direito. Aquela mulher estava brincando com ele?
- Leia uma historia – Belinda disse estendendo o livro de capa roxa – Eu marquei uma especial para você.
Fenrir folheou um pouco o livro e percebeu que se tratava de um livro de contos de fadas. Finalmente foi ver a historia marcada e deu um meio sorriso. Aquilo era ridículo.
- Eu já conheço essa historia, Belinda, não e necessário que eu a leia novamente.
- Acredite, essa versão é diferente. – ela disse levantando-se – Ate logo, quando terminar de ler, sabe onde me encontrar para devolver o livro.
- Espere, eu...
Eu...
Eu...
As palavras foram morrendo e então...
Fenrir acordou em sua própria cama na casa de aquário. O suor banhava o seu corpo e seus pensamentos estavam turvos.
- Mas o que... – apoiou a mão no colchão para se levantar, como sentiu algo liso e duro entre seus dedos. Olhou para o lado e viu o livro.
O jovem cavaleiro não sabia no que pensar... Ou acreditar.
Em algum lugar de Atenas...
- Ei Meijin, por que aquela rua estava interditada? – Annie perguntou olhando para as construções antigas pelo vidro do carro.
- Por causa da festa em homenagem a Zeus. Acontece todo ano.
- Sera que podemos ir?
- Precisamos da permissão da Vacaori – a geminiana torceu o nariz como se pedir permissão para algo ferisse o seu ego – Mas eu posso ver.
- Seria ótimo...
- Chegamos!
Annielle mal teve tempo de olhar para frente. Um portal abriu-se e o carro foi tragado para outra dimensão.
"Aterrissaram" e um campo, com gramado verde e arvores por todos os lados.
- Onde estamos? – a menina perguntou saindo do automóvel.
- Na minha dimensão favorita para guardar o carro – disse Meijin, e logo chegaram alguns serezinhos deveras estranhos. Eram pequeninos, pareciam duendes e tinham vozesinhas irritantes – Ola, amiguinhos, vocês vão cuidar do meu carro? – a geminiana perguntou fazendo A voz que normalmente os adultos fazem quando vão mexer com bebes.
- E sempre um prazer lhe ser útil, bela dama – disse um dos serezinhos que parecia ser o líder.
- Isso é ótimo. Não se esqueça de barrar o Asashi caso ele venha aqui.
- Não se preocupe, bela dama, cuidaremos bem da sua carroça metálica.
- Isso e ótimo. Vamos Annie, vamos voltar para casa.
Mais um portal se abriu e elas estavam de volta aos aposentos de Meijin em Gêmeos.
- Acho que agora você pode me explicar que diabos foi aquilo. – a menina exigiu.
- Ah, eles não eram fofos? Fazem de tudo por mim por que uma vez eu livrei a terra deles de um malvado.
- E o que aconteceu com ele?
- Mandei ele para uma dimensão paralela a essa, la eles estão no futuro. Esses dias eu fui la e soube que ele se mudou para um pais chamado Brasil, assumiu forma humana, montou uma banda extravagante e continua com seus planos malignos de fritar o cérebro da humanidade.
- Cruel. Bom, vou procurar a minha tia. – a menina disse passando pela passagem interdimensional e sumindo.
- Pensei que ela nunca iria embora – disse uma voz nas sombras – Precisamos ter uma conversinha, minha cara irmã.
Continua...
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N/A: Creio que ninguém tenha entendido a da Belinda. Na verdade ela é uma personagem de outra serie, a Grimm Fairy Tales pela editora Zenescope.
Vai ter um pouco de crossover, apesar de não fazer sentido ainda, achei uma boa explicação e preferi colocar um pouco de originalidade, esse negocio de Deus maluco querendo dominar o mundo, lutas sangrentas ate o limite e bla bla bla é tão clichê que eu já não aguento mais ler historias assim.
E eu sei, eu viajo.
Se alguém estiver interessado nessa serie, eu tenho o link das revistas traduzidas incluindo os especiais, quem quiser e so me mandar MP
Beijos!
