Encontramo-nos com Lily para tomar um café na Starbucks e logo após caminhamos pela cidade. Enquanto ela, Remus e Sirius conversavam, comecei a pensar sobre seu pai. Lily era uma boa garota, não arrumava encrenca, então não precisava de alguém para proteger dela mesma. A única coisa que me vinha em mente desde o primeiro dia é que ele tinha medo que fizessem mal a ela por ela ser filha de um chefão de Londres.

- Agora eu estou pensando... se vocês vão ser dispensados do serviço militar, vão trabalhar no que? Vão morar onde? – perguntou Lily.

- Sabe Lily, boa pergunta! – falei – aguentar esses dois na minha pequena quitinete não vai dar certo.

- Tenho uma proposta então seu safado – Sirius falou – Eu deixo você com o Remus e moro com a Lily.

- Porque você mora com ela? – falei instantaneamente – quer dizer, você que cuide do seu próprio nariz!

Depois de muita discussão, comecei a pensar no que Lily tinha dito. Era verdade que Sirius não se dava bem com a família, e com certeza moraria sozinho. Remus era muito solitário na verdade. Lily também se sentia sozinha, e eu... Bom, eu gostaria de morar com meus amigos. Seria algo divertido, e eu poderia ter mais controle sobre os movimentos de Lily. Ajudaria nas contas, que não são baratas, e seria como no treinamento do exército, todos juntos, tirando a parte em que tínhamos que acordar as 5 da manhã e também não participaríamos de treinamentos e missões suicidas.

- Se eu achasse um apartamento grande e barato o bastante pra aguentar nós quatro, vocês topariam morar todos juntos? Os quatro? – perguntei depois de pensar um pouco.

Enquanto estávamos sentados de baixo de uma marquise de uma cafeteria e saboreávamos nossos cappuccinos e mocaccinos e tudo o mais, observei as reações que abrangiam os rostos dos meus amigos. Os olhos de Remus passaram por nossos rostos, depois ele abriu um sorriso tímido e focou em sua xícara sem dizer nada por enquanto. Sirius ficou com o olhos brilhando e instantaneamente disse que apoiava a minha ideia. Lily por outro lado olhou o céu nublado daquele dia, com as sobrancelhas levemente franzidas e mexia seu café constantemente sem ao menos perceber.

Por fim Remus aceitou a ideia, e Lily disse que pensaria no assunto. Mantive meu olhar nela durante todo o dia, tentando ler sua expressão. Apesar de todos nós estarmos rindo e conversando alegremente enquanto demos uma volta pela London Eye e imitávamos os Beatles na Abbey Road, Lily ainda sim parecia distante.

O céu acabou abrindo mais pro fim do dia, as tão costumeiras nuvens que encobriam a cidade deram lugar a uma noite estrelada, mas as estrelas não interessavam a Sirius. A única coisa que ele queria saber era pra onde iriamos sair.

Por volta das 7 horas voltamos para o apartamento, todos cansados e famintos. Enquanto Lily iria se arrumar, preparei um espaguete para os marotos e comemos tranquilamente. Sirius foi o primeiro a querer se arrumar, e do jeito que eu conhecia aquela peça, ele demoraria horas no banho.

Saímos de casa pouco antes da meia noite, graças a demora do Sirius para escolher uma roupa. Ele mais parecia uma criança indo para um parque de diversões, ou algo assim. Empolgadíssimo. Como em todas as ocasiões em que ele queria conhecer novas mulheres, ele colocava a tão conhecida calça jeans escura, junto com a camisa vermelha (segundo ele atrai mais mulheres) aquela jaqueta de couro velhíssima, que eu tinha que concordar que era estilosa e o que segundo ele era a chave de ouro, uma borrifada leve de um perfume que nem eu mesmo me lembrava do nome. Sirius só usava esse perfume para ocasiões especialíssimas, o que, sem duvida hoje era um desses dias.

E aí ouvi o portão de Lily sendo aberto com um click do porteiro. O que vinha de lá era algo que eu nem se quer imaginara em todos os meus sonhos.

Lily vinha descendo as escadas pro prédio com um lindo vestido preto encoberto por um casaco branco, em saltos altos e com um lindo sorriso no rosto. Eu percebi que nunca tinha visto essa ruiva maquiada. Não que eu não gostasse do que estava vendo, mas naturalmente ela já era muito bonita, e com aquele sorriso, os olhos emoldurados por cílios perfeitamente curvos, os cabelos caindo de lado, cuidadosamente arranjados com cachos caprichosos. Remus me deu um cutucão e quando tirei meus olhos dela percebi como estava encarando-a com uma cara de bobo.

O carro foi estacionado a alguns metros da boate chamada Kingdom. De longe já podíamos ver uma grande quantidade de pessoas esperando entrar no lugar. Já estava até me guiando para o fim da fila quando Lily deu um sorriso para nós três com cara de quem iria aprontar.

- Lily, onde você pensa que vai? – Remus perguntou – O fim da fila é aqui

- Para de fazer perguntas Remus, venham vocês três. Sou um tanto quanto conhecida aqui – falou enquanto nos puxava para a entrada.

Enquanto passávamos por todo mundo, Lily ia cumprimentando muitas pessoas, dando beijinhos e abraços que raramente os londrinos estão acostumados. Assisti um tanto quanto contrariado os homens a olharem com expressões significativas e insistivamente passei minha mão por sua cintura, afinal, eu era seu guarda-costas, estava ali primeiramente com o objetivo de protegê-la. Assim que coloquei minha mão em sua cintura, senti que ela se retesou, os olhos deixaram de brilhar e o sorriso se apagou. Remus e Sirius que vinham conversando atrás nem se quer perceberam quando ela tirou minha mão de sua cintura e voltou a caminhar para a porta, mas dessa vez sem sorrir.

O segurança da boate sorriu quando viu Lily e ela correu falar com ele.

- Daniel, quanto tempo! – ela falou com seu sorriso de volta

- Fogo! O que vai ser essa noite? – Ele perguntou. Notei o apelido que ele usou e imaginei que fosse por seu cabelo.

- Hoje só 4 – ela falou. Então ele olhou pra nós três, sorriu e nos deixou entrar sob reclamações de todos na fila.

Sirius entrou na boate sem nem sequer olhar pra nós, pegou um cartão de consumação e sumiu boate a dentro. Eu, Remus e Lily fomos em direção ao bar, onde tinha alguns bancos. Sentamos e eu tentei atrair a atenção de um barman, e nada. Lily simplesmente deu um sorriso e apareceu um cara.

- Como ela fez isso? – perguntei para Remus

- Ela é mulher James, mulher consegue tudo – ele respondeu no momento em que ouvimos o cara falar.

- Uma Double, Fogo? – ele perguntou

- Hoje quero só uma Cuba, Jack, obrigada – respondeu

- Não acredito nisso! É a primeira vez em dois anos!

Ela só riu

- O que é uma Double? – Remus perguntou ao mesmo tempo em que eu me sentia velho e responsável demais para estar naquele lugar.

- Double Tequila – falou ela – Duas doses pelo preço de uma. Mas hoje não vai rolar, vou ficar só na coca com rum. Vão querer algo?

- Quero um whisky – falei.

- Eu também.


Por volta das duas horas da manhã, Remus tinha saído de perto de nós e encontrara duas mulheres muito bonitas, e parecia estar tendo uma conversa agradável. Achei engraçado o fato de uma delas ter o cabelo rosa - chiclete e gesticular constantemente enquanto falava empolgada. A outra tinha cabelos negros e pelo o que eu podia ver através das luzes coloridas que piscavam sem parar, tinha a pele muito clara. Ela passava um ar de mistério, e pouco sorria.

- Remus não conversa com uma mulher permitida há séculos – disse ainda sem tirar os olhos dele.

- Ele tem conversado comigo – Lily disse em resposta

- Você não é exatamente permitida

- E porque não? – ela perguntou rindo – Afinal, o que seriam exatamente essas mulheres permitidas?

- Eu, Sirius e Remus temos um acordo, que fizemos quando entramos para o exército. As vezes acidentalmente quebramos ele, mas não sempre. O que chamamos de mulheres proibidas são aquelas comprometidas de qualquer forma com outro homem, seja casada ou só dando uns beijinhos. Filhas de comandantes, cadetes, chefes ou amigos. Não podem ser mais novas ou do exército. O que deve restar é sua mulher permitida. Você é mais nova, e normalmente a regra que mais quebramos é essa, porque hoje em dia meninas parecem mulheres, tem mais atitude e se comportam diferentemente.

- Acho isso completamente ridículo – Lily falou – Não é porque sou mais nova que não posso me relacionar com qualquer um dos três.

O modo com que ela falou sobre isso me deu um solavanco no estômago. Então ela pensava em se relacionar com algum de nós. Ao mesmo tempo em que sentia uma animação dentro de mim, fiquei preocupado. O que um cara feito Sirius poderia proporcionar a ela? Ele só se interessava por mulheres que desaparecessem na manhã seguinte. E Remus? Sempre indeciso, sempre em seu canto. Não acho que combinaria com alguém feito ela.

- Sabe – ela disse colocando o copo na bancada do bar – acho que vou dançar. Você vem?

Não tive chances nem de responder, já que ela me puxou pela mão e me arrastou em direção a pista de dança lotada. Vi Sirius de relance ao beijos com uma mulher loira e ri para mim mesmo. Se ele continuasse naquela empolgação, logo teria que procurar um lugar melhor. Passei por um homem que eu me lembrava vagamente de algum lugar, mas logo minha atenção foi parar na ruiva a minha frente. Ela dançava no ritmo da musica, impactante, mas ao mesmo tempo, delicada. Passou seus braços em volta de mim e fechou os olhos como se apreciasse cada momento, assim como eu.

- Sirius deve estar querendo ir pra casa, ele fez um sinal pra mim – Remus falou. Sua voz sobrepunha-se à musica alta que tocava na boate. Já era 5 da manhã, poucas pessoas restavam no local e muitas delas eram só casais. Eu e Lily estávamos sentados no bar conversando sobre nada e sorvendo grandes goles de água depois de muitas danças.

- Por mim podemos ir – Lily falou – meus pés estão me matando.

- Vou chamá-lo – Remus disse indicando um canto em que a loira tentava agarrá-lo e ele fugia – parece que ele já se cansou dela. – e saiu.