Sakura sentia cada respiração como vidro cortando os pulmões.
Era como se saltasse de emoção a emoção, sendo estranhamente eletrificada ao mesmo tempo.
Era perturbador.
Sasuke disse que ela deveria se aquecer. Entre o constrangimento e a luxúria, ela poderia virar cinzas muito antes que alguém os resgatasse.
Ela ficou contente por se livrar das asas, feliz por ser capaz de se sentar, mas estava presa em um espaço pequeno, com Sasuke.
Ela apertou as mãos com força, mas as manteve no colo, onde deveriam ficar.
As mãos de Sasuke estavam pousadas nas próprias coxas. Ele as esticava, depois fechava. Enquanto ela o observava, ele fez tudo isso de novo.
Sakura o encarou e viu sua mandíbula tensa.
— Algo de errado com suas mãos?
As palavras saíram antes que ela percebesse.
Os olhos de Sasuke voaram para os dela.
— O quê? — perguntou ele.
Havia algo em sua voz.
— Você está se mexendo como se estivesse com dor.
Ele ficou em silêncio por um momento, examinando-as. Em seguida, deu de ombros.
— É tendinite. Eu deveria descansar as mãos, e não as bater no piano, como se fosse Jerry Lee Lewis.
— E por que você resolveu tocar?
Uma das sobrancelhas se ergueu.
— Eu poderia dizer não?
— Seria fácil. Você poderia ter dito: "Não, eu preciso descansar as mãos."
— Puxa, por que não pensei nisso?
O sarcasmo a pegou desprevenida, e Sakura levou um segundo para se recompor.
— Entendo... Você não quer que ninguém saiba.
— Bingo. — Ele apertou as mãos e as deixou descansar no colo. — Aliás, eu gostaria que você mantivesse essa informação em segredo.
Ele parecia tão sério que ela respondeu de pronto:
— Pode deixar.
Sakura o encarou para demonstrar que tinha sido verdadeira.
— E eu posso perguntar por quê?
— Porque sim.
Homens...
— Isso é uma lesão, não uma falha de caráter.
— É a minha carreira, Sakura. E eu não quero nada... por menor que possa parecer... me ofuscando.
— Você não pode suportar o ostracismo, certo? Tem de ser a estrela.
Sasuke lançou-lhe um olhar irritado, mas deu de ombros, em vez de retrucar.
Ela lamentou suas palavras na mesma hora.
A música era a vida de Sasuke, sempre fora. E justamente quando ele estava colhendo o sucesso de seu trabalho, enfrentava um problema que poderia comprometer tudo. Pedir que não tocasse piano seria como pedir que não respirasse. Se a situação fosse invertida, ela ficaria louca.
Sakura estava envergonhada de si mesma por ter insistido.
— Eu sinto muito. Foi desnecessário.
Mas velhos hábitos custam a morrer, ela pensou.
— Mas veja dessa maneira — disse ela, em um tom mais alegre: — Eu sou a única pessoa que você sabe que não gosta muito de você. Se eu pudesse deixá-lo triste, você sabe que eu não hesitaria... Mas não fiz nada. Se nem eu consegui, as pessoas que realmente gostam de você não fariam nada para prejudicá-lo.
Sasuke fez que não com a cabeça, em descrença divertida.
— O fato de você estar certa sobre isso parece incrivelmente errado.
— Você pensava que ter um inimigo mortal era uma coisa ruim? — Ela o encarou, com toda a inocência possível.
— Aliás, você quer ouvir todas as verdades duras que deveria ouvir? Se quiser, saiba que não tenho nada melhor para fazer, graças a você.
As sobrancelhas de Sasuke se ergueram
— Acho que também devo uma ou duas verdades duras... — disse ele.
— Não precisa, obrigada.
— Está com medo, Sakura?
— Não. Eu não preciso de você para me dar lições. Tenho Ino para isso.
Não vou morder a isca, ela pensou, pois não era estúpida.
— Faz ideia de quanto tempo nós estamos aqui? — perguntou ela.
— Não.
— Parece que ninguém percebeu que você está desaparecido.
— Só eu? Você não está exatamente incógnita esta noite, Santa Haruno.
— Mas você é a atração principal.
— Está com ciúmes?
— Nem um pouco. — E ela realmente acreditava nisso. — Você ganhou a adulação e todas as vantagens que vêm com isso. Nós, meros mortais, apenas fazemos o melhor que podemos.
A risada de Sasuke era afiada e zombeteira.
— Meros mortais? Por favor. Já que nós estamos compartilhando verdades duras hoje à noite, eu gostaria de dizer uma coisa: se eu tiver de ouvir mais uma pessoa fazendo elogios a você, vou vomitar.
— Elogios a mim? Sei...
— "Sakura é tão generosa, altruísta e trabalhadora" — disse ele com uma voz cantante. — "Ela faz tanto para a comunidade. Não sei o que faríamos sem ela." Blá-blá-blá. Não sei como eles não construíram uma maldita estátua em sua homenagem.
— Sério?
— Sério. Nós, meros mortais, que não temos sua perfeição santa, ficamos um pouco cansados disso.
Um brilho feliz tomou o peito de Sakura.
— Nossa! Obrigada.
— Isso não foi um elogio — resmungou ele.
— Mas eu estou tomando como tal e não vou deixar você me tirar isso também!
— Só você mesmo...
— Só eu o quê?
Sasuke apenas deu de ombros.
— Eu sei que você não gosta de mim, mas não deveria ficar tão chocado com o fato de os outros gostarem.
Ele cruzou os braços.
— Você certamente parece chocada com a ideia de as pessoas gostarem de mim, mesmo que você não goste.
— Não, sei exatamente por que as pessoas gostam de você. Você é encantador, simples e talentoso. E também é muito bonito.
— Obrigado, Sakura.
Sasuke disse isso tão a contragosto que ela quis bater nele.
— Como eu disse, há muitas razões para as pessoas gostarem de você. Mas não sou tão superficial. Eu sei que você é melhor do que isso.
— Ah, sério?
— Sério. Você é encantador porque isso garante que consiga o que quer das pessoas e é simples porque realmente não se importa muito. Você é incrivelmente talentoso, eu não vou negar. Sei que trabalhou duro e darei o devido crédito a isso também. Por outro lado, também sei que você pode ser muito mesquinho, extremamente superficial e narcisista. Ah, e seu ego é imenso e sufocante.
Dizendo tudo isso, ela se sentia incrivelmente bem.
— Já você, Srta. Sakura, é hipócrita e arrogante. Você desconsidera qualquer pessoa que não atenda às suas normas. E não sei o que é mais insuportável, seu orgulho ou seu complexo de superioridade.
Eles estavam trocando insultos, mas ainda doía.
— Você é insuportável. Além disso, você é... mau.
— Mau? — Ele bufou. — Ótimo, agora estamos com 10 anos novamente.
— Não, quando tínhamos 10 anos éramos uma espécie de amigos. Você se tornou um babaca na puberdade.
— Todos os adolescentes são idiotas. Dizem ser culpa da testosterona.
Ela quase engasgou de raiva.
— Essa é a sua desculpa? Testosterona?
— É uma explicação, não uma desculpa.
— Você é um idiota, não consegue nem sequer pedir desculpas.
— Oi, Bule. Eu sou a Chaleira. Acho que estamos lutando de igual para igual, meu amor.
Aquele "amor" condescendente acabou com o que restava de sua paciência.
— Duas palavras: Naomi Tsuyoshi — disse ela.
— Quem?
— Nossa, você nem lembra. Lamentável. — Ela não se importava se parecia estar julgando, pois tinha razão para isso. — Naomi Tsuyoshi, a menina do interior, que se mudou para cá no primeiro ano.
— Ah, sim. Mas e daí?
— Você me usou para chegar até ela, e por nenhuma outra razão além de afagar seu ego. Você me fez de cúmplice. — Ela parou antes de soltar tudo: — Isso é uma falha de caráter que não pode ser atribuída à testosterona.
— Foi por isso que você me deu um tapa no baile de coroação?
— Foi. E você mereceu.
— E ainda está pensando nisso? Se estiver, trata-se de um rancor que você precisa superar.
— Naomi era minha amiga e ela nunca me perdoou.
— Ela se mudou no ano seguinte.
— Essa não é a questão.
— E qual é a questão, Sakura?
— Eu ainda não vi nenhum motivo real para acreditar que isso não é parte de sua personalidade. Você me pediu um cessar-fogo naquela época, depois me levou ao cinema, me levou para casa... — Ela se engasgou com as palavras. — Mas eu descobri que essas coisas não passavam de um meio para um fim e nem naquela época, nem agora, você enxerga um problema nisso.
— Você está certa. Foi uma jogada idiota. Eu peço desculpas por tudo o que aconteceu dos nossos 12 aos 25 anos. Os adolescentes, especificamente os meninos, são uma raça diferente. Eu, provavelmente, era um idiota. No entanto, agora que o meu lobo frontal está totalmente desenvolvido, eu gostaria de parar de ser condenado por algo que aconteceu anos atrás.
Sakura estava prestes a aceitar e pedir desculpas, mas ele abriu a boca mais uma vez:
— Qual é a sua desculpa, Sakura?
Ele simplesmente não conseguia parar.
— Eu já tive o suficiente por hoje — disse Sakura, levantando e batendo na porta, clamando por socorro, até suas mãos latejarem e sua garganta ficar áspera. Ninguém apareceu. Ela se recostou na porta, derrotada e deixando a cabeça cair para trás. — Isso é um pesadelo...
Sasuke colocou as mãos atrás da cabeça e sorriu para ela.
— Para algumas mulheres, ficar trancada comigo seria um sonho que se torna realidade.
Deus, ele realmente se parecia com Satanás: era uma tentação.
Ela fechou os olhos.
— Elas são iludidas. E estúpidas. Essa não é exatamente minha ideia de diversão... — disse Sakura, esfregando as mãos sobre o rosto. — Meus Deus, isso vai ser ainda pior do que a festa do Kiba!
— Foi um acidente.
— Nós estamos escondidos em um armário no meio de uma festa. E como ficamos presos neste armário não importa? Ninguém vai acreditar que foi totalmente inocente, e serei motivo de piada de qualquer forma.
— Você está exagerando.
— Sério? — Seu gesto condescendente tinha feito suas unhas se enterrarem em suas palmas, enquanto ela mantinha os braços ao lado do corpo. — Ninguém vai acreditar que você me arrastou até aqui. Eu serei a arrastadora, em vez da arrastada. No entanto, se nada aconteceu após eu arrastar você para um armário, é óbvio que você é imune aos meus encantos. Mais risos à minha custa. Se inventarem que alguma coisa aconteceu, então serei vista como apenas mais uma das muitas groupies de Uchiha Sasuke. De qualquer maneira, você sempre ganha e eu perco. Voltamos aos tempos de escola. Agora, pelo menos, não tenho um namorado para me dispensar.
Ela bateu a cabeça contra a porta, mas com cuidado.
— Você está certa, Sakura. Eu peço desculpas, mas essa confissão não me enche de alegria e satisfação, como ocorreria normalmente. Vamos apenas dizer a todos que arrastei você aqui para seduzi-la, mas que você recusou a oferta.
— Como se alguém fosse acreditar nisso...
— Você pode me dar um soco na cara. O hematoma deve ser prova suficiente.
— Não me tente.
Ele se levantou e ergueu o queixo, desafiando-a.
— Vá em frente. Bata. E não me diga que não está morrendo de vontade de me bater. Eu vou parecer um imbecil e sua virtude será redimida.
Tinha de haver uma câmara escondida por ali, em algum lugar.
— Mas por que você faria isso?
— Porque um músico tentando seduzir uma bela garota não é uma notícia.
— E por que você decidiria me seduzir? E por que agora, depois de todos esses anos?
Houve aquele pequeno sorriso novamente.
— Talvez as groupies não sejam tão abundantes como você parece acreditar.
— Sei...
— Por que é tão difícil acreditar que não sou tão seletivo com minhas parceiras sexuais?
— Porque não foi isso que ouvi.
A mandíbula de Sasuke trincou. Ela atingiu um nervo.
— Pois saiba que muita gente já ouviu falar nisso. Não significa que seja verdade — disse ele.
— Só que você não era o pai do bebê daquela mulher.
— Não posso dizer com certeza que nunca conheci aquela mulher, porque eu conheço um monte de gente, mas acho que me lembraria se tivesse dormido com ela. Especialmente considerando a descrição dela do evento.
— Está me dizendo que tem dúvidas?
— Não posso ter certeza de que metade do que ela alegou seja verdade. E, se aconteceu, provavelmente não deve ser legal.
Ele parecia sincero.
— E por que fez o teste de paternidade?
— As recusas não a estavam afastando.
Sabe como é difícil provar que não fez algo assim?
É verdade. As pessoas gostam de acreditar no pior. Além disso, Sasuke não tinha nenhuma razão para mentir para Sakura. Ele não se preocupava com o que ela pensava dele. Estranhamente, porém, era diferente para ela saber que Sasuke não era um explorador de mulheres, independentemente dos rumores.
— Quer saber por que pessoas famosas costumam namorar outras pessoas famosas? — perguntou Sasuke.
— Para formar um casal fabuloso?
— Não. Por autoproteção, aniquilando-se mutuamente. Quando você não tem nada a ganhar e muito a perder, está mais propenso a manter a boca fechada.
Sakura não tinha nada a dizer sobre isso. Na verdade, ela sentiu uma pontada de compaixão. O que deve ter transparecido em seu rosto, pois Sasuke fez uma careta para ela.
— Mas isso não significa que alguém acreditaria que você tentou me seduzir. Não sou famosa, e todo mundo sabe que você não gosta de mim — disse ela.
— Mas eu não poderia tentar? Haruno Sakura é a menina mais querida da cidade. Inteligente, bonita... santa. Além de sexy. As pessoas questionariam minha masculinidade se eu não tentasse, certo?
Havia um pouco de sarcasmo por trás daquelas palavras, mas não o suficiente para conter o seu efeito jocoso. Ela tentou ignorá-las.
— Você está generalizando muito, não acha?
Sua voz baixou de tom.
— Você está presumindo que nada disso é verdade. Mas posso ser muito convincente quando preciso. Você atrairá a inveja de metade das mulheres da cidade, mas manterá o respeito de todos.
Um arrepio a perpassou.
— Menos dos que pensem que fui estúpida ao deixar passar essa oportunidade.
— Bem... todos vivemos com arrependimentos.
A voz de Sasuke era hipnótica e seus olhos eram sombrios enquanto a observavam.
— Você é linda, Sakura. Seu cabelo... seus olhos... sua pele. — E os dedos de Sasuke seguiram suas palavras. — Sua boca... incluindo sua língua afiada, é suficiente para deixar um homem louco — Os lábios de Sasuke arquearam — Em vários sentidos.
Aqueles dedos talentosos passaram por cima do ombro de Sakura e por baixo de seu braço. Podia não ser real, mas seu corpo não sabia a diferença e sua mente estava feliz. O ar era pesado, e ela não conseguia ouvir os motores, além de seu próprio pulso. Ela observou o peito de Sasuke subir e descer, enquanto o peso de seu olhar e o silêncio colaboravam para que os joelhos de Sakura fraquejassem.
Sasuke se inclinou para a frente e seu peito roçava o dela cada vez que respirava. Sua cabeça virou, até os seus lábios estarem ao nível do ouvido de Sakura. A leve brisa de seu fôlego sobre o lóbulo da orelha enviava um arrepio por todo o seu corpo, enquanto uma das mãos serpenteava em volta da sua cintura. As linhas duras do corpo de Sasuke se encaixavam às dela. O ar ficou espesso, cada respiração enchia seus pulmões com o cheiro daquele homem.
— Você seria uma tentação para um santo, Sakura, imagina para um pecador como eu. A resistência é uma batalha. E eu não tenho certeza se quero vencê-la...
Ele fez uma pausa e sua mão flutuou por vontade própria, para depois pousar em seu peito. Ela sentia o baque de seu coração contra a palma de sua mão.
— Pronta para me dar um soco agora?
Essas palavras foram um balde de água fria que apagou o calor que subia pelo corpo de Sakura, trazendo a vergonha em seu lugar. Ela o empurrou para longe.
Sasuke tropeçou e se segurou na parede. Endireitando-se, ele tremia como vara verde.
— Você deveria ter me dado um soco. Um empurrão não vai deixar marcas.
— Cale a boca.
Sakura engoliu em seco. Ela nunca batera em outro ser humano antes e não achava que seria capaz disso, mas Sasuke podia ser o único a mudar essa história. E não por conta do que ele tinha feito, mas por conta de sua reação a ela.
Ela respirou fundo, e um ar frio entrou correndo assim que a porta se abriu. O mesmo membro da tripulação que antes saíra por aquela porta apareceu por lá, ficando boquiaberto.
Sasuke se recuperou primeiro.
— Nós pensamos que você nunca mais fosse voltar!
— Eu preciso pegar alguns copos... — disse ele, se preparando para sair rapidamente.
Sakura examinou o convés. Vazio. Felizmente, só eles estavam por ali. Não havia ninguém mais para testemunhar o que acontecia. Ela limpou a garganta e sorriu para o homem.
— Sasuke e eu entramos aqui para conversar em particular, longe do vento, mas não sabíamos que alguém fecharia a porta. Ficamos gritando, mas ninguém nos ouviu.
Seu rosto ficou vermelho.
— Eu sinto muito, Srta. Haruno e Sr. Uchiha.
— Não se preocupe. Não vamos mencionar isso se você não o fizer...
A ameaça foi sutil, mas o jovem entendeu e fez que sim com a cabeça.
— Claro. Muito obrigado. Eu não quero ter problemas com o capitão.
Sasuke agarrou as asas de Sakura e segurou a porta para ela passar. O homem ficou parado, provavelmente em estado de choque. O vento aumentou enquanto eles estiveram trancados e soprava o cabelo de Sakura em seu rosto. Embora isso fosse chato, Sakura não tentou ajeitar o cabelo.
— Pode ir na frente — disse ele enquanto caminhavam — Vou entrar daqui a pouco. Se alguém perguntar, não negue que esteve comigo. Só não diga onde. — Ela fez que sim com a cabeça, e ele lhe entregou as asas. — Não se preocupe. Isso não será um problema. E, se for, pensaremos em outro plano.
— Está falando sério?
— Sakura, eu nunca digo nada que não queira dizer. Agora, vá.
O barulho da festa parecia dez vezes mais alto depois de ficar presa por tanto tempo. Mas ninguém lhe deu uma segunda olhada enquanto ela deixava as asas ao lado da porta e seguia para o bar a fim de pedir um copo de água. As pessoas falavam com ela enquanto passava pela multidão, mas era a mesma conversa básica de sempre. Ninguém parecia ter notado que ela e Sasuke ficaram ausentes um bom tempo. Um alívio a percorreu enquanto ela abria a porta para o banheiro das mulheres, olhando-se no espelho. À exceção de uma ligeira coloração rosada em suas bochechas e um penteado bastante caótico, que poderia ser atribuído ao vento no convés, nada parecia errado em sua imagem.
Eu nunca digo nada que não queira dizer. Ela pensava em tudo que Sasuke tinha dito, e essa declaração começou a soar vagamente sinistra. Repassando esses momentos em sua mente, seus mamilos apertaram contra o forro de seda de seu vestido e suas coxas enrijeceram.
Isso não é bom. Não é nada bom mesmo.
Ela colocou a mão na barriga para acalmar o nervosismo. Poderia não ter um problema junto ao público da festa, mas com certeza tinha um problema privado.
Eles ficaram trancados no armário por mais de uma hora. Contudo, e provavelmente pelo constante fluxo de coquetéis no salão, ninguém achara estranho que ele e Sakura tivessem ficado fora de vista por um tempo. Todo mundo sabia que os dois estavam em outro lugar, mas não necessariamente juntos, porque... bem, por que estariam? Sasuke não se preocupou em corrigir tais suposições.
Quando finalmente atracaram, ele e Sakura foram forçados a voltar à ribalta.
Embora estivessem lado a lado, Sakura manteve a atenção sobre os convidados, lançando apenas um único olhar na direção dele.
Mais tarde, com um simples "até mais", Sakura acompanhou o último convidado pela prancha de desembarque.
Normalmente, Sasuke não teria pensado nisso, mas Sakura não saía de seus pensamentos.
Depois daquela noite... Sakura era praticamente tudo em que ele pensava e nada parecia fazer sentido.
O motorista o deixou na frente do prédio de Neji. Havia muitos foliões nas ruas, mas a maior parte das pessoas estava muito embriagada ou muito focada em se divertir para prestar atenção em outras pessoas.
Ótimo, porque eu realmente não estou de bom humor hoje.
Todo o seu corpo vibrava de desejo, mas era um desejo específico: Sakura. E isso não fazia nenhum sentido.
Por que agora? Por que, depois de todos esses anos, ele, de repente, sentia tesão por Haruno Sakura? Sasuke ultrapassara os limites, levara tudo longe demais...
Enquanto ele tentava se lembrar de que Sakura era sua inimiga mortal, enquanto tentava lembrar a si mesmo que não gostava de Sakura, que nunca tinha gostado de Sakura, seu corpo foi rápido ao argumentar que isso não era inteiramente verdade.
Insanidade era a única explicação que fazia sentido.
Ele deixou cair as chaves sobre a mesa e apoiou as asas contra a parede. Até a terça-feira gorda, pelo menos, ele não teria de usar aquela roupa novamente. Tirou uma cerveja da geladeira, bebeu a metade em um longo gole e depois foi ao banheiro, livrando-se das calças de couro e do colete.
Uma chuveirada longa, um pouco mais fria que o normal, o ajudou a clarear a cabeça e o foco.
Dormir estava fora de questão, por isso ele foi à cozinha para tomar outra cerveja.
Se o replay mental não pudesse ser interrompido, outra chuveirada seria necessária, dessa vez muito mais fria.
O interfone tocou bem alto. Era mais provável que fosse um turista perdido ou um bêbado aleatório, mas ele atendeu.
— Sou eu, Sakura.
Sua mão apertou o botão para abrir a porta antes que as palavras estivessem completamente fora de sua boca. Ele não se preocupou em questionar por que ela aparecera de repente, e isso não importava. Quando ele abriu a porta do apartamento, ouviu a porta fechar-se do lado de fora, e ouviu sons de passos. Era o som de uma subida lenta, mas decidida. Quando Sakura deu o último passo, ela olhou para cima e o viu. Seus pés pareceram parar, mas ela subiu o último lance em um ritmo lento, sem o encarar, mas sem olhar para baixo. Ela trocara o traje de cetim por um jeans e jaqueta surrada, fechada até o pescoço.
Ela soprou o cabelo para fora do rosto.
— Obrigada por me deixar entrar. Eu não tinha certeza se você abriria...
— É uma hora da manhã. Eu não poderia deixá-la na rua.
Foi uma explicação boa o suficiente. Até que ele soubesse o porquê de ela ter vindo no meio da noite...
Sasuke percebeu que estava prendendo a respiração.
No topo da escada, Sakura parou. E ele notou que os nós dos dedos dela estavam ficando brancos enquanto ela agarrava o corrimão. Sakura estava imóvel, exceto pela rápida ascensão e queda de seu peito. Estaria sem fôlego por causa da subida ou...
Ela não se mexeu e Sasuke também não. Ele ficou parado na porta, encostado no batente. O silêncio se estendeu. Até que ele não aguentou mais:
— Por que está aqui, Sakura?
Sakura o encarou. Droga! Suas palavras tinham saído mais fortes do que ele pretendia.
— Eu... eu realmente não sei. — Ela suspirou, e ele pensou ter ouvido um pequeno xingamento. — Bem, eu provavelmente não deveria ter vindo. Sinto muito por ter incomodado você.
Ela se virou e começou a descer as escadas devagar.
Deixe que ela vá embora. Será melhor assim... No entanto, ele estava no topo das escadas antes que ela tivesse dado mais de dois passos.
— Sakura...
Ela se virou e ele estendeu-lhe a mão. Fora a escolha dela. Ele não poderia fazer isso por ela, mas Sakura o procurara, e ele sentiu que precisava encontrá-la no meio do caminho.
Ela hesitou, mas em seguida pegou sua mão.
Ele a puxou para cima e colou o corpo contra o dela. Podia sentir sua tensão, mas seus corpos pareciam se encaixar como peças de uma quebra-cabeça, e a sensação era elétrica.
Os olhos de Sakura se arregalaram com o contato. Ela engoliu em seco, então ele sentiu o deslizamento lento de seu peito enquanto ela ficava na ponta dos pés, alinhando sua boca à dele.
Houve um pequeno momento de hesitação, um fôlego apenas. Em seguida, seus lábios tocaram os dele.
Ele nunca soube o que esperar de Sakura e aquilo não foi diferente. Sua boca era flexível e acolhedora, mas cuidadosa, movendo-se suavemente contra seus lábios.
Todos os seus pensamentos racionais gritavam para que ele parasse. Aquela mulher era Sakura, e ele não ganharia nada beijando-a. Ele não deveria querer beijá-la.
Mas não poderia ter parado, mesmo se tentasse. Ela era fresca, doce e... parecia a mulher ideal. Sua língua deslizou por seus lábios e o toque experimental despertou algo primitivo dentro dele, vencendo todos os pensamentos racionais.
Os dedos de Sakura penetraram-lhe os cabelos, enquanto as mãos espalmaram sobre suas costas.
Sem quebrar o contato, Sasuke recuou poucos metros para dentro do apartamento e deixou a porta se fechar. Ele não podia dizer o que exatamente tinha mudado entre eles, nem quando, nem por quê, mas o beijo o reduzira a pedacinhos. Isso desafiava a razão, mas, de alguma forma, fazia todo o sentido.
— Sakura...
Ela parou, pressionando o dedo contra os lábios de Sasuke, e ele perdeu a linha de pensamento quando os olhos azuis dela encontraram os dele.
A evidência clara de desejo naqueles olhos só jogou gasolina sobre a fogueira.
Ela engoliu em seco e sua voz era quase um sussurro.
— Poderíamos... na verdade... não dizer nada? — perguntou ela. — Estou prestes a perder a coragem, mas não quero...
Ele deveria se segurar, mas Sakura estava beijando-o de novo, e nada mais parecia importar.
Sakura não queria pensar, não queria examinar isso muito de perto. Se o fizesse, perceberia que estava bancando a idiota. Ao mesmo tempo, ouvia as palavras de Ino: Carpe diem,Vivi. Seja má!
Seus nervos quase tinham falhado, uma dúzia de vezes, na curta caminhada de sua casa até ali, mas agora...
Ela não poderia se arrepender da decisão. No entanto, seria incapaz de dizer por que tinha feito essa escolha. Havia algo na sensação da boca de Sasuke em seu pescoço, na carícia de suas mãos sob o casaco, passeando pelas suas costas... tudo isso lhe fazia bem. Havia algo de libertador... algo muito mais forte do que um simples carpe diem. Era um território novo e assustador para ela, mas a sensação era ótima.
As mãos de Sasuke eram verdadeiramente talentosas, alternando entre toques leves, que causavam arrepios, e fortes carícias, que deixavam seus joelhos fracos.
Não era como se Sasuke fosse um estranho, embora que não fosse o que ela chamaria de amigo. Aliás, a estranheza que compartilhavam parecia perfeita justamente por isso.
Aquilo não deveria fazer sentido, mas fazia. E Sakura não se importava.
Para piorar a situação, Sasuke abrira a porta sem camisa.
Como se fosse capaz de ler sua mente, Sasuke abriu o zíper de sua jaqueta e deslizou-a pelos ombros. Ela sentiu sua camiseta subindo, até que parou em seus seios. Sakura levantou os braços, enquanto Sasuke interrompia o beijo para tirar a camisa sobre a cabeça. O contato era chocante, mas Sakura queria mais...
Seus lábios traçaram o cume do músculo do ombro dele e Sasuke grunhiu. O mundo mudou de repente, fazendo sua cabeça girar, mas Sasuke a carregou pelo corredor até o quarto. Poucos segundos mais tarde, ela sentiu os lençóis frescos sob o corpo.
Sasuke pairava sobre ela, com aqueles braços poderosos, os olhos quentes em seu corpo e rosto. Quando ele finalmente encontrou seu olhar, Sakura percebeu que ele lhe dava uma última chance de acabar com tudo aquilo antes que fosse tarde demais.
Ela enganchou o pé em torno de sua perna e deslizou-o sobre sua panturrilha.
Sakura deixou as mãos traçarem os contornos do peito de Sasuke e sentiu o aperto dos músculos sob os dedos.
— É tarde demais... — sussurrou ela.
O canto da boca de Sasuke se curvou.
— Mas eu estou apenas começando.
O sangue de Sakura tomou as palavras como uma promessa, uma promessa surgida através de suas veias. E Sasuke cumpriu-a, explorando cada centímetro de seu corpo, sem pressa, com intensidade metódica, até que ela estivesse choramingando, incoerente. Ela queria trazê-lo para o mesmo lugar, mas suas mãos estavam agarradas aos lençóis quando Sakura tentou manter os últimos resquícios de sanidade.
Nem um centímetro de sua pele ficou sem o toque de suas mãos, de seus lábios, língua e dentes. Ela queria implorar por mais, mas não conseguia encontrar as palavras certas. Quando Sasuke desceu até sua parte mais intimida, a explorando com cuidado, lambendo, sugando e mordiscando sua carne mais sensível, Sakura achou que iria explodir, se sentia em chamas. E eram chamas quentes, vivas e perigosas.
Sasuke mal podia se controlar, as reações de Sakura eram cruas, honestas. Ela parecia desenhada expressamente para ele: suas curvas se encaixavam perfeitamente contra ele, sua pele respondia ao seu toque, exigindo mais. As mãos de Sakura continham eletricidade.
E sua boca... sua boca fez coisas para ele que desafiavam as palavras. Ele nunca pensou na Santa Haruno daquela forma antes, nem em seus melhores sonhos esperava ter a visão que estava tendo no momento, a de Sakura entre suas pernas, abocanhando seu membro com tanta vontade e o mais espantoso é que era boa naquilo, ele sentia ondas de prazer por todo o corpo a cada nova lambida ou sugada de Sakura em seu membro.
Quando a puxou para cima e voltou a se colocar por cima dela a necessidade de perder-se nela era avassaladora, e só as unhas de Sakura entrando em seus ombros o mantiveram ligado à terra no momento em que ele deslizou para dentro do corpo dela.
Quente... apertada... molhada... As sensações embaçavam seu cérebro.
Logo em seguida, Sakura se arqueou contra ele, pressionando os quadris com força contra o dele, buscando mais, buscando o ritmo. As mãos de Sasuke se fecharam em seus cabelos sedosos e Sakura arranhou suas costas sem piedade, logo o moreno começou a investir contra a intimidade de Sakura, gemendo rouco ao sentir o aperto em volta de seu membro, a intimidade dela o acolhia e o fazia ansiar por cada vez mais. A boca de Sasuke pousou sobre a dela quando ele acelerou o ritmo, mas logo desceram a seus seios, os sugando e mordendo os mamilos sem pena, buscando a levar ao limite do prazer. Sakura gemia e buscava acompanhar o ritmo dos quadris de Sasuke, sentindo o orgasmo se aproximar a cada nova estocada poderosa do moreno em seu corpo, podendo o sentir fundo dentro de si, se sentindo completa como nunca antes, logo o raciocínio fugiu.
As contrações e os tremores de seu orgasmo foram avassaladoras, ela sentia como se os músculos estivessem virando gelatina e fechou os olhos sentindo Sasuke continuar investindo com violência contra sua intimidade
Logo foi a vez de Sasuke de chegar ao seu limite, as estocadas foram ficando mais lentas e profundas, ele enterrou o rosto na curva de seu pescoço e gemeu rouco no momento em que se derramava dentro dela.
Ele percebeu vagamente que ela gritava seu nome.
