– Plano?

– Sim... precisamos recuperar a Melissa.

– Mas... será difícil agora. Eles até separaram-na em uma cela individual, tendo todo o cuidado com a futura mamãe. – Vergo explicava calmamente.

– Podemos atacar a Base onde estão os prisioneiros e você raptá-la. Já fizemos um ataque sucedido numa outra vez, lembra? – Doflamingo enrolava o fio encaracolado do den den mushi com certa força.

– Bom, atacar não é difícil. O negócio é recuperar Melissa.

– Investigue como anda a situação envolvendo-a e depois me fala.

– ...Doffy sempre se arriscando em situações quase impossíveis.

– Metas devem ser cumpridas com uma dose de risco. Não é o que diz Trebol?

– Ah... isso é verdade. Mas francamente... como farei para tirar Melissa sem ninguém perceber?

– ...ainda está em sua folga no trabalho?

– Sim, senão eu não deveria estar aqui falando com você.

– Ótimo. Escuta só, ...

...

Mais meses se passaram. Melissa estava perto de ter seu bebê e estava sendo bem cuidada, apesar de ficar encarcerada e sem poder ver a luz do Sol. Mas nada tirava a felicidade de ver a barriga cada vez maior. Tinha a impressão que um corpinho já formado se esticava e empurrava-lhe as paredes da barriga. Queria muito poder ver Corazon novamente, que já estava sem aparelhos e era mantida em segredo sua rápida recuperação. Sengoku só permitiria a volta dele para seu posto quando estivesse totalmente curado. Para o resto, ele ainda estava em um estado extremamente delicado.

Todas as ocasiões em que visitava ambos, eles sempre se perguntavam quando poderiam se ver. Sengoku queria esperar um pouco mais, até que Rocinante estivesse totalmente melhor. Deveria estar melhor para poder criar seu filho, já que sua mulher ficaria presa e longe da criança. Isso cortava um pouco a alma do Almirante-Chefe, mas não podia ir contra as leis. Melissa seria julgada como pirata dos Donquixotes. Torcia para que ela saísse julgada como inocente, porque se fosse julgada ao contrário, iria para Impel Down. E nada e nem ninguém poderia fazer, nem mesmo Rocinante. Mas estaria ao lado dele, apoiando-o. Acreditava que, com o filho, superaria a prisão dela (se fosse julgada como culpada pelos ataques à Marinha). Durante as visitas, Rocinante relatou sobre a falsa integração de Vergo na Marinha, porém nada poderiam provar que ele trabalhava secretamente para Doflamingo e seu bando.

Vergo estudava a situação proposta por Doflamingo em recuperar Melissa. O julgamento estava marcado após um mês do filho nascido. O jeito era raptá-la ainda com o filho na barriga, pois o Jovem Mestre mostrava interesse na criança também. Porém, foi decidido entre Melissa e o seu sobrinho.

– Minha prioridade é ela! Se não der para raptarmos antes dela dar à luz, quero que dê prioridade em pegar a Melissa, custe o que custar! – disse o loiro, convicto.

Em seu quarto no hospital, Corazon já suspeitava que o irmão – que agora só o chamava exclusivamente de Doflamingo - faria de tudo para resgatar sua amada. E em seu silêncio, bolava planos para poder viver longe com Melissa, sem sequer o conhecimento do irmão. Todos ali o julgavam como morto – era o que Rocinante achava -, e precisava continuar assim. Na visita mais recente, pediu que pudesse ver Melissa antes do filho nascer. Sengoku acabou concordando, ainda hesitando em contar a verdade sobre a pobre mulher.

E esta não pôde ficar mais feliz do que já estava ao saber por Tsuru que poderia ver Rocinante ainda antes de ter seu filho. E ele estava bem melhor – e sem aqueles aparelhos – quando pode receber a visita dela.

– Só me prometa uma coisa: não vai se emocionar demais, hein? Lembra-se como ficou sua pressão depois daquele dia! – Sengoku queria o fazer jurar aquilo.

– Ahhh... sempre me tratando como se eu fosse tão frágil! – Rocinante ria com a mão na testa. No fundo, sabia que aquilo não eram recomendações do almirante e sim, dos médicos – Pode deixar comigo... aliás, o que era para me emocionar antes, já me emocionei. Agora, só tenho uma missão a cumprir. – ele se referia seriamente ao filho.

– Fico feliz pela sua determinação. E esse menino que nem nasceu já está precisando de você. – ele piscou para ele, se levantando da cadeira ao lado da cama dele – vou chamar a moça lá fora.

Ele abriu a porta e entrou Melissa. Ambos trocaram aqueles olhares apaixonados como sempre faziam.

– Vou deixá-los a sós! Com licença... – o almirante saiu, fechando a porta.

Ele estendeu as mãos, para que ela viesse ao seu encontro, assim fazendo. Abraçando-o bem forte, ela matava a saudade do contato físico com ele.

– Mesmo vendo tão pouco, sinto-me bem em saber que está vivo e cada vez melhor! – disse ela, ao pé do ouvido dele.

– Penso o mesmo sobre você... – tocou a barriga grande e redonda com as duas mãos – e ele? Ou ela...? Como está? Ele pesa muito dentro de você?

– Somente agora nos últimos meses...

– Oh, coitadinha! – ele puxou-a, fazendo-a sentar na cama ao lado dele – conta-me tudo... desde quando soube que ficou grávida... o que sentia...

– Nos primeiros meses foi difícil em viver naquele meio, você deve saber...

– ...mas eu falo de você e do bebê, apenas... é dele que quero saber, e não daquele bando. – disse ele, enrolando as mechas dos cabelos dela entre seus dedos.

– Ah... – ela sorriu um pouco, abaixando a cabeça e olhando o ventre que já aparecia naquele vestido que era emprestado por uma das soldadas de Tsuru.

O loiro olhou para ela, cabisbaixa, e levantou-lhe a cabeça pegando no queixo. Achou ela triste a partir daquela pergunta. O que ela deve ter sofrido nas mãos daquele homem? Como ele deve ter reagido diante da gravidez dela? Será por causa de maus tratos que ela deve ter fugido?

– Não precisa falar sobre o que passou se isso te incomoda, pequena...

– Não, não é isso que me incomoda... é que... tenho medo do futuro.

– Medo? Estamos bem, conseguimos escapar daquele meio! E breve, vamos viver juntos!

Melissa sentiu um pouco de dó dele, pois este sequer imaginava que estava como presa e, se fosse julgada como culpada, se separaria do filho e deixando com ele. Ela sabia que isso não lhe agradaria nem um pouco. Queria muito falar a verdade logo, mas temia pela saúde dele e seguia recomendações dos almirantes que a protegiam.

– E então... me diz se ele se mexe muito aí dentro...

Tudo sobre o bebê ele queria saber. E Melissa teve um tempo até descontraído em comentar sobre aquela criaturinha até sossegada dentro de si, que só se mexia provavelmente para crescer ali dentro do útero dela. Depois de saber um pouco daquele filho que ela gerava, ele resolveu compartilhar algumas coisas acerca do que Doflamingo poderia fazer.

– Sabemos que Vergo trabalha secretamente para ele, fingindo-se de oficial da Marinha. Sinto que ele vai planejar em te recuperar.

– ...você acha, Corazon?

– Tenho certeza. E Vergo deve estar relatando tudo o que sabe para ele.

– E... o que planeja?

– Não sei se ele sabe que estou vivo aqui no hospital da Marinha... mas eu tenho que estar como morto, assim como você. Temos que enganá-los...

– Olha, acho que não necessidade... além disso, a Marinha é bastante poderosa e...

– E eles também são! Não é à toa que eles são um dos mais fortes piratas de todos os mares, Melissa! E eu nem sei como não te prenderam antes! – ele comentou, beijando-lhe as mãos delicadas.

– Mas... eu fui presa.

– Hum?

– Estou aqui presa mas sob a proteção de Tsuru. Ah, Sengoku também está me ajudando.

– Mas... você não está presa como os outros prisioneiros, não é?

– Não... mas estou sob vigia deles. E muito bem cuidada!

– Bem, vendo você assim, tão sadia... não posso duvidar de suas palavras.

– Eu devo muito a eles. Se Tsuru não me tivesse "prendido", – ela fez sinal de aspas ao falar isso – eu estaria andando por aquela ilha nevosa sem recursos para me virar e acabaria morrendo!

– Bom, isso é... mas... como você parou ali? Como saiu do navio? – ele continuou a querer saber mais como ela tinha chegado até ali, sem soltar as mãos dela. As mãos que sempre eram frias que nem as dele, mas ambas ficavam mornas ao ser seguradas.

– Fugi com ajuda de um médico que se sacrificou em me ajudar sem nada em troca sem sequer fugir... ele quis manter a confiança de todos ali pra me ajudar... e não sei o que deve ter acontecido com ele...

– Médico? Doflamingo conseguiu um membro que é médico?

– Só por minha causa...

– Entendo... e o Law? Você chegou a vê-lo na ilha?

– Não... eu sinto... ele já tinha conseguido curar-se daquela doença?

– Sim! Ele teve que comer uma dessas Frutas do Diabo, a Ope Ope no Mi. Essa fruta tem o poder infinito da cura...

Ela ouviu sobre essa Akuma no Mi, interessando-se um pouco sobre elas. Mas nada comentou sobre seu interesse por elas.

– Eu tive que fazer ele fugir sozinho, mas me mantive consciente até que ele pudesse fugir para bem longe. Depois... eu me entreguei a morte...

– Ah, não fala assim!

– Mas eu nem sabia que... sobreviveria a tantos ataques... acho que foi porque já sofre golpes terríveis em toda a minha vida...

Ela soltou as mãos dele e pegou em seu rosto, o fazendo olhá-la diretamente nos olhos. Ela pode ver melhor aquele rosto que só conhecia com a maquiagem típica que ele usava.

– É ainda mais belo assim...

– Ahh... não fala assim.

– Mas eu estou sendo sincera com o que penso. Tanto sua vida como sua beleza são invencíveis!

Ele abraçou-a, puxando-a com certa força.

– Chega de falar assim... fico encabulado... eu gosto, mas fico encabulado!

Ela ria com aquelas atitudes meio bobas, mas isso era coisa dele, principalmente com ela. Não havia mudado nada. Não importava o quão fosse injusta a vida com ele; ele jamais enfraquecia seu sendo de bondade diante dos infortúnios. Ela era assim também, entendia-o perfeitamente. Ninguém melhor que ele poderia aparecer em sua vida e conquistar-lhe o coração.

– Meu tempo aqui com você está quase terminando... mas quero uma coisa antes de ir embora.

– Tudo o que quiser!

– Quero que você fale com ele...

Ele a olhou confuso sem entender quem era inicialmente, até que entendeu quem era essa pessoinha que ela queria que ele visse: o filho dela. Ele ajeitou-a na cama e levantou-lhe o vestido cuidadosamente, sem nenhum tipo de pudor. Afinal de contas, não fazia isso por nenhum tipo de erotismo – embora sentisse falta de poder possuí-la como uma mulher. Ela se acomodou bem naquela cama, que por sorte era grande. Era bom se acomodar naquele travesseiro que tinha um pouco do cheiro dele. Ele levantou a barra do vestido até a altura dos seios, sem descobrir estes, e pode contemplar uma barriga grande, roliça e perfeita, sem nenhum traço de estrias por causa da pele esticada. Aproximou o ouvido da barriga dela, encostando-o ali.

– Você disse que... ele era muito parado, não é?

– É... ultimamente ele parece que está crescendo muito.

– Se pudesse escutar assim como estou fazendo... você perceberia que ele é barulhento!

– É mesmo?

– Sim, sim... – ele segurou a barriga como se segura uma bola nas mãos, sem parar de escutar – já são quantos meses, mesmo?

– Oito meses, quase nove... desde a última vez em que estivemos juntos, também! – completou a frase com um suspiro, que fez correr um leve arrepio pelo corpo – principalmente porque ele deslizava as mãos pela lateral da barriga, provocando-lhe cócegas.

– Nossa... passei então aproximadamente três meses me recuperando nessa cama... mas graças que já não preciso daqueles aparelhos chatos perfurados em mim! – e voltou a paparicar aquela barriga – e não vejo a hora de tê-lo em minhas mãos! – ele beijou um pouco abaixo do umbigo dela. De repente, ambos sentiram aquela sensação... mas não podiam fazer nada ali, e ambos não estavam com condições de se entregarem apaixonadamente como antes.

– Eu te amo demais... – ele alcançou-a até a altura dos lábios e a beijou apaixonadamente por quase um minuto. Pararam para pegar um pouco de fôlego.

– Eu também o amo! – ela abraçou-o forte.

– Ah, nossa... também está com uma força nesses braços! – ele reclamava amando vê-la tão bela e saudável – Isso me deixa feliz demais, Mel!

De repente, ouviu-se alguém bater à porta. Devia ser Sengoku. Eles se desfizeram daquele abraço tão aprazível. Ele endireitou o vestido dela, que saiu da cama em seguida. Ele a pegou na mão dela mais uma vez.

– Melissa... acho que agora só nos veremos depois que nascer nosso filho...

Ela sentiu os olhos ficarem úmidos ao ouvir aquilo dele: nosso filho. Eram muito bom poder desfrutar do que mais temia em não ter. Mesmo temendo não poder ficar com o filho se continuar presa, ela tinha certeza que o filho deles ficaria com o pai e teria toda a proteção. E pensando no que Corazon tinha lhe dito antes, sobre a suspeita dele sobre Doflamingo, era preferível para ficar presa e sob a custódia da Marinha que solta e correndo risco de ser raptada por qualquer um daqueles seres do bando do Doflamingo.

– ...e breve, quando ficar melhor por definitivo, vou pedir para que você more comigo aqui! Mas temporariamente... pois planejo algumas coisas...

– Por enquanto, vamos esperar a decisão deles...

– Eu sei que não vão te condenar, afinal eles viram que você não era uma pirata como eles!

– Apenas vamos confiar neles! – ela abraçou-lhe nos quadris, o máximo onde podia alcançar.

A porta bateu novamente.

– Terei que ir, agora. Concentra-se em sua cura definitiva! Prometa-me!

– Mais uma que me diz isso...

– Por que todos te amam e se preocupam com você, seu bobo!

Ele pôs a mão dele mais uma vez naquela barrigona.

– Por isso que faço o que posso por quem luta por mim!

Ele se despediu beijando a mãozinha dela e abriu a porta. Sengoku estava ali, esperando-a.

– Continuem cuidando dela, estou feliz em vê-la ainda mais saudável que eu!

– Pode deixar. Vamos, Melissa?

– Sim. Até mais, Rocinante!

– Até! – ele deu tchau para ela, que correspondeu da mesma forma enquanto caminhava com ele até Tsuru. Viu os dois desaparecerem na esquina que dava acesso aquele corredor e assim entrou no quarto. Na entrada do hospital, o mesmo ritual: Tsuru lhe acorrentou pulsos e tornozelos. Deveriam passar essa impressão aos outros oficiais da Marinha, de que ela estava sendo tratada igualmente como os outros prisioneiros, até que fosse julgada perante o juiz responsável que ainda não tinha sido escolhido. Mas a palavra de Sengoku tinha força ali, e tendo a boa impressão dela, poderia favorecê-la no julgamento.

Corazon foi até a janela em vez de ir para a cama. E viu Sengoku, acompanhado por Tsuru – que levava Melissa algemada – e mais dois soldados marinheiros. Ele esfregou os olhos para enxergar bem o que lhe parecia impressão: as mãos e tornozelos algemados. Fazendo uma careta, ficou tentando entender se aquilo era real. Então... ela estava sendo tratada como uma presa normal?

– E ela não me falou nada disso! – ele exclamou, vendo-a entrar num automóvel da Marinha.

Alguns quilômetros dali ficava a sede da Marinha, onde também ficavam prisioneiros temporários que esperavam julgamento que decidiam o destino deles. Mas ele tinha confiança que ela seria absolvida, jamais teriam a insanidade de mandá-la para Impel Down. Mas ela passava bem presa como se fosse uma criminosa? Ele não acreditava no que via e compreendia.

– Melissa... devia me contar ao menos isso...

...

Doflamingo observava da torre do castelo abandonado onde viviam em Spider Miles, observando o céu meio nublado e curtindo aquele frio que não era mais congelante que a distância dela. Havia contado seu plano para Vergo e depois, para os oficiais, que discordaram no início. Ele estava obstinado em recuperar Melissa, nem que fosse a pela última vez. Sentia que precisava tentar mais uma vez.

No dia seguinte, à noite, todos se prepararam para rondar a região onde ficava a base da Marinha. Não desobedeceram as ordens do líder do bando.

– Vamos buscar a Melissa? – perguntou Baby 5, animadamente.

– Vamos, sim. – concordou Doffy, colocando suas luvas de couro pretas.

– Ah, que legal! Mas vai ser difícil recuperá-la, se ela estiver presa! – disse Buffalo.

– Ela... está presa? – Baby 5 pareceu chocada em ouvir isso.

– Ué, se ela foi levada pela Marinha... então ela está presa!

– Mas é por pouco tempo... – disse Doffy, ajeitando a luva na mão com o auxílio da outra e dos dentes.

– Ééé! Vamos buscá-la! – a garotinha animou-se.

Foram dias de viagem, e sempre meticulosos e discretos pelos mares. Pelo visto, a Marinha tinha abaixado a guarda depois dos últimos incidentes. Isso já facilitava um pouco. Secretamente, Vergo informava como estavam as coisas.

– Acha que já está quase na hora de provocarmos o acidente? – perguntou Vergo.

– Diga-me como está a frota por aí.

– Com pouco serviço nos mares, as coisas por aqui estão tranquilas. Se eu tiver a autorização em fiscalizar pelos mares de barco, ficará mais fácil em colocar alguns de nós aqui. Com o acidente, distraímos todos e eu pegarei Melissa.

– Só apenas... peço que tenha cuidado com ela. Ainda quero ela viva. – alertou ele, que realmente se preocupava com ela. Sabia que ela teria que encarar riscos dentro desse plano.

– Ahh... então, beleza! Hehehehe... – ele sorriu, ansioso em colocar o plano em ação.