Aviso:Pequena parte de estupro. Não leia caso não se sentir bem!


Descobertas

Cap 6 – Sozinho nunca mais

"Você demorou. Onde estava?"

A voz cortante do loiro penetrou os ouvidos do japonês ao entrar no quarto. A figura a sua frente estava sentado em uma poltrona, que não definiu muito bem a cor, por causa da pouca iluminação do local.

"Estava colocando Holly pra dormir"

Heero falou, desconfortável, ao notar o sorriso do maior sobre o seu corpo. Aquele tarado idiota, como odiava aquele loiro maníaco.

Queria poder se afastar dele, mas era impossível. Fugir dos planos dele era inevitável...Das mãos dele.

"Garota idiota. Atrapalhando minha diversão."

O olhar sombrio analisou o menor a sua frente. Nunca teve só a intenção de fazer a irmã feliz trazendo o japonês para o Reino.Aquele corpo maravilhoso a sua mercê fora o motivo principal. Ter aquele corpo só para ele, para poder brincar a hora que quisesse, sem nenhuma reação do outro.

Afinal, caso este descordasse, sangue seria derramado, além de traumas.

"Eu estou tão duro hoje"

Heero se contorceu em nojo, vendo o maior baixar o zíper da própria calça, colocando o membro a mostra.

"Venha me chupar, meu putinho"

A voz saiu maliciosa e cheia de possessividade. Os olhos azuis fraquejaram em olhar aquele homem repugnante. Era um brinquedo nas mãos dele. Sentia-se um lixo, um fraco. Imaginem, o grande soldado perfeito sendo chamado de puto.

Era um inferno.

"Ouvi dizer que os dois filhotes dos Winners estudam no colégio Santa Serena. Como seria bonito, os dois mortos por tiros, ou talvez serem estuprados até a morte. Seria lindo, não seria Heero?"

Desgraçado.

Heero o olhava espantado. Já não bastava ameaçar seus amigos, agora também usava as crianças contra ele. As pobres crianças não tinham nada haver com os problemas dele, por que então estavam metidos nisso.

Nojo.

Sentia Nojo dele.

"Venha rastejando, meu putinho"

O que podia fazer? Nada! Era um mero utensílio. Um objeto de prazer do outro. Via o olhar dele, sabia que não estava mentindo. Sabia muito bem que ele poderia ferir os pequenos se não obedecesse. Teria que se sacrificar por aqueles que amava?

"DE QUATRO AGORA"

O loiro gritou e Heero caiu de joelhos no chão. O olhar vazio, sem esperanças, aquela não era uma vida que desejara ter no final da guerra. Depois de tudo que passara, ainda tinha que agüentar um maníaco sexual o manipulando para o próprio prazer?

Não era justo.

"Fique aí parado e eu prometo que vai doer bem muito"

Dor

Doía sim, e muito. Mas a dor maior era não poder estar com Duo. Era ter que ser um escravo daquele diabo. Essa era a dor maior e não a física.

Não havia esperança.

Derrotado, começou a rastejar até onde o maior se encontrava. Viu ele sorrir quando aproximou a boca daquela carne asquerosa. Era repugnante. Mas não tinha escolha.

Engolia o membro de Zechs. Chupando-o sem vontade nenhuma. Uma dor dilacerou seu peito enquanto fazia essa tarefa asquerosa. O que Duo diria dele? O que seus amigos pensariam dele? O grande Heero Yui, que havia salvado as colônias, ali, de quatro, um puto.

"Vamos! Chupe mais forte!"

Zechs pressionou sua mão contra a cabeça de Heero, fazendo este engolir até o limite o seu membro.

Teve que se segurar para não engasgar com aquela carne dentro de sua boca, o dificultando de respirar. Sentia-se frágil, sujo, imundo. Um verdadeiro puto. Lágrimas desciam pelos olhos azuis. Lágrimas de dor, da dor de ser quem era, da sua situação.

Foi quando ouviu o barulho do seu short sendo rasgado.

Merda.

Sentiu as mãos grandes do monstro em sua indefesa bunda. Medo. Estava com medo. O Soldado Perfeito estava com medo, com nojo, frágil, sozinho.

"Pare"

A voz bradou forte, com a mão, Zechs retirou seu próprio membro da boca do menor. Levantou da poltrona, indicando com a cabeça para Heero virar a bunda para ele.

Não era pra ser assim. Ia ser usado novamente e não podia fazer nada. Ia ser estuprado pelo canalha mais uma vez, sem poder se defender.

Nunca desejou que sua vida acabasse assim.

Nunca.

"Não quero que solte nenhum grito, ficou claro?"

Heero afirmou com a cabeça, mordendo os lábios. Por mais que desejasse ajuda, não queria que sua filha soubesse da sua condição. Principalmente agora que era tão pequena.

"Bom, você é muito lindo, meu putinho"

Putinho. Mais uma vez esse maldito nome.

Não era pra ser assim.

As lágrimas desciam livremente, quando Heero sentiu o outro se posicionar atrás de si.

E foi o fim.

Ele o penetrou de vez sem nenhuma preparação. A dor invadiu seu corpo, rasgando-o em dois. Sangue corria pelos lábios, para não gritar.

E as estocadas começaram, uma, duas, três vezes, enquanto o desgraçado o chamava de puto.

Não era para ser assim.

Sentia falta...

Duo.

– Duo. – Heero acordou, assustado, tremendo levemente, sentindo as mãos suadas. Abaixou a cabeça em desprezo, lembrando da dor que o alimentara nesse maldito dia em que o maníaco invadiu seu corpo. Por que afinal tivera que lembrar do seu passado com aquele nojento? Já não o aperreara bastante enquanto vivo? E agora estando morto fazia questão em não sair da sua mente, de seus sonhos. Como se não bastasse ainda tinha sua doença.

Holly

Duo.

Duo! Onde ele estava? Levou a mão até a cabeça, analisando onde havia dormido. Estava no sofá vermelho, mas, não se lembrara de ter dormido ali. Na verdade se lembrara de ter..

MEU DEUS

Arregalou os olhos, espantado, diante da lembrança. Havia dormido nos braços do americano, depois de ter praticamente desmoronado todos os seus problemas.

O que havia feito?

Será que Duo ficara chateado? Por que ele não estava com ele, devia ter ido embora. Será que contará sobre Zechs noite passada? O japonês tremeu antecipadamente, tentando lembrar do que realmente falara ontem, porém as idéias estavam confusas em sua mente e...

MEU DEUS...pela segunda vez.

Heero tocou os lábios com a ponta dos dedos. Duo o havia beijado. Ok. O que estava acontecendo afinal? Duo o beijara. Isso era claro.

Espera um pouco.

DUO O BEIJARA.

Pela segunda vez...

Agora era comprovado Ele o amava mesmo. Então por que não falava no assunto? Gostava de Duo, mas tinha medo de ter algo com ele, por que Zechs... Por que estava se importando tanto com Zechs? Afinal ele morrera Não era mais para teme-lo, mas por que sentia medo?

Não sabia.

O olhar azul foi atraído por um cheiro de queimado vindo da cozinha. Levantou, esquecendo a sua louca mente, adentrando no local.

Ok.

Era comprovado que nada poderia ser mais cômico e lindo que Duo, usando uma avental, com uma colher na mão, todo sujo de farinha e um bolo, ou pelo menos o que era para ser, queimado, em cima da mesa.

Ele realmente não servia para cozinhar.

– Heero – Duo percebeu a presença do menor, olhando para ele, com aquele sorriso genuíno. Como era linda, aquela visão de anjo, coberto de farinha, com chocolate no rosto. – Eu estava tentando fazer um bolo, mas...não deu muito certo.

Terminou de falar e o bolo tostado se desmoronou na mesa.

Será que ele sabia fazer ao menos um ovo?

– Eu sou um desastre. – Resmungou baixinho, voltando o olhar para Heero – Dormiu bem?

– Sim. – Não mentiu. Realmente havia dormido bem em seus braços, o sonho com Zechs foi o único pesadelo que tivera e isso era considerado uma dormida boa. Afinal, nunca conseguira dormir por mais de três horas seguidas, tamanho os pesadelos.

A não ser quando desmaiava.

– Agente vai ter que esperar a Holly acordar para ela fazer algo pro nossos estômagos. Eu comprei comida enquanto você dormia. – ele disse, remexendo em umas sacolas brancas de supermercado.

Heero respirou pesadamente, olhando atentamente para o americano que tirava leite e algumas coisas a mais dos sacos. Mas não ficou só nisso. Pode ouvir a respiração do maior se elevar, enquanto esse próprio sentou-se na cadeira, mantendo o olhar na mesa, o olhar sério. Ele ia começar a falar novamente, Heero sabia que sim. Será que perguntaria sobre o desmaio novamente? Sobre o ocorrido de ontem?

– Eu não vou te forçar a nada. Não sei o que aconteceu no fim da guerra, mas...Eu quero que você saiba que eu sou seu amigo...- levantou a cabeça olhando no mar azul das íris de Heero – e que você pode me contar na hora que você quiser, certo?

Como ele podia ser tão compreensivo?

Duo era lindo, gostoso, inteligente, compreensivo e um péssimo cozinheiro, quer coisa melhor?

Heero sentiu-se feliz, mas ainda assim hesitou em responder, queria poder dizer a Duo. Mas ao mesmo tempo sua mente dizia que se o fizesse, Duo brigaria com ele, e um possível romance acabaria, além do que, o americano não estava pronto para a verdade.

– Não precisa responder se não quiser – Heero voltou sua atenção para as palavras do americano -..Mas mesmo assim eu preciso perguntar uma coisa.

O japonês o olhou nos olhos. As íris violetas sem desgrudar um segundo de si.

– Você amava Relena? – a voz saiu ferida.

Deus! Heero sentiu vontade de se chutar. Uma punhalada teria doido menos. Aquele olhar, aquela voz. Ele havia magoado Duo quando se casara com Relena. Tinha plena consciência disso, mais ainda assim, depois de tanto tempo, ele ainda se sentia ferido. Acabara com a sua vida e arrastara a de Duo junto. Podia ver ainda no olhar desse, a dor, a solidão do amor. Como queria abraça-lo e contar toda a verdade. Que nunca o abandonou por falta de amor, mas sim para protege-lo e aos seus amigos, proteger dele, do maldito maníaco sexual.

– Quando você casou com..

– Não. – respondeu sinceramente, olhando para o maior. Tudo foi culpa dele e por isso não podia deixar Duo sofrendo internamente por uma ilusão de amor entre Relena e si próprio, uma relação que na verdade, nunca existiu – Eu nunca amei ela. – os olhares se encontraram e Heero pode ver a alegria resplandecer no olhar do outro, mas também a confusão. Era certo o americano se perguntar do por que Heero se casara com ela, se não a amava. – Eu sempre te amei.

O Americano arregalou os olhos pasmo. Aquela simples frase o deixara com uma cara enorme de bobo. Será que ouvira direito? Ele o amava?

Espera. Vamos recapitular. Ele disse que o amava.

AMAVA.

Ok. Era muita emoção.

Heero o olhou nos olhos, e o que viu fez todo peso de suas costas voarem para longe. Queria rir da expressão do maior. Parecia uma criança feliz, com um sorriso enorme no rosto. Como se tivesse ganhado um presente de natal que tanto desejara.

Viu ele se levantar, caminhando em direção a si. Nunca podia esperar a reação seguinte. Mas foi o que aconteceu, quando os lábios do americano atacaram os de Heero.

O japonês se deliciou no beijo. Esquecendo todos os problemas.

Nota: Já era o terceiro beijo e uma declaração em menos de três dias. Aquilo era bom.

O americano passou as mãos pela nuca do menor, sentindo os fios arrepiados entre seus dedos. Escorregou as mãos para o pescoço de Heero, aprofundando mais o beijo, adentrando naquela mais naquela boca de desejos.

Aos poucos se afastou do japonês, abrindo os olhos, observando o anjo a sua frente. Aquele era o verdadeiro Heero. A pessoa que amava. Não havia mais máscaras, ele não precisava fingir para todos que era forte, não precisava mais de nada. Duo se perdeu nas íris azuis, adorando o brilho com que elas o olhavam. Beijou a pescoço do menor, dando leves mordidas, fazendo Heero se arrepiar com o contado.

Ele o amava.

Eles se amavam.

Chegou até onde queria, sussurrando sensualmente em seu ouvido:

– Eu também te amo.

E foi realmente o começo.

Heero recomeçou o beijo, o que foi muito bem aceito por Duo, encaixando seu próprio corpo no do menor. Finalmente haviam se acertado. Não importava o que Heero fizera no passado, na burrice de se casar com Relena. Duo sabia que o japonês era muito confuso, mas não burro.

Ele fora à mente principal na guerra, sendo bastante inteligente, não poderia ter se casado com Relena apenas por um ato mal pensado ou burrice. Havia um motivo, mas agora, Duo não estava interessado em descobri-lo.

Na hora certa Heero o contaria. Sabia que sim.

Por falta de ar, os lábios já vermelhos se separam, dando inicio a um abraço acolhedor. Duo o abraçou, enquanto Heero mantia a cabeça em seu ombro.

Já não estavam mais sozinhos.

Não mais.

– Tousan? Tio Duo?

Ambos olharam para a porta da cozinha. O som era da pequena que provavelmente tinha acabo de acordar e não encontrado nenhum dos dois.

Heero se afastou do calor de Duo, dando um leve beijo nele, antes de sair da cozinha. Deixando o americano morto de raiva. Bendita seja sua mini shinigami. Era uma diaba que estava aprendendo rápido a atrapalhar casos românticos.

Riu do seu próprio pensamento. Agora que Heero ficaria com ele, Holly teria que saber. Mas afinal, o que seriam? Uma família? Por que Relena ainda estava bem viva e casada com Heero, e se Holly não aceitasse o relacionamento do pai? Sabia que a menina a amava, mas ter o Tio namorado com seu pai seria estranho até mesmo para ele.

Soltou um muxoxo, parando de pensar nessa alternativa. Deixaria essa questão para mais tarde, agora o que tinha que fazer era...

RONC

Heero entrou na cozinha, junto com a menina ainda sonolenta.

– Dona cozinheira, mãos a obra, que meu estômago já esta roncando. – Duo falou, acariciando a pobre barriga roncadora. Enquanto Holly ria do seu estado de limpeza, se voltando depois para o cujo fogão.

Arregaçou as mangas, pegando a panela e alguns ovos do saco plástico. Se não fosse por ela, os dois morreriam de fome até aprender a cozinhar.

ooo

– Senhorita Rany? – uma voz grossa bradou no ar, quando o homem entrou em uma sala escura.

– Aqui. – a voz feminina respondeu. Estava sentada uma poltrona no centro do lugar. O homem tentou enxergar a mulher a sua frente, mas era inútil, devido à escuridão.

– Yui está hospedado no apartamento de um tal de Duo Maxwell. – a voz grossa falou novamente. A criatura sentada na poltrona respirou pesadamente, levantando em seguida, andando, até ficar frente a frente com o seu subordinado.

– Quero todas as informações possíveis, quero ser informada de tudo que acontece com ele, e com a pirralha também.

– Como desejar.

O homem saiu do aposento, deixando o lugar na penumbra mais uma vez.

– Então você decidiu desrespeitar as regras Yui.- a jovem falou, andando de um lado para o outro – Zechs não íris gostar nada disso. – ela sorriu, lembrando do amado, vendo este em uma foto de OZ, com uma mulher de cabelos azuis, aparentemente chamada Noin.

– Você pode ter morrido meu querido, mas eu cuidarei que Yui volte para Relena. Nem que para isso tenha que usar os seus métodos.

ooo

– Podemos ir ao parque pai, podemos? – Holly perguntou pela centésima vez desde que acabaram de comer.

Duo rodou os olhos pela menina se perguntando internamente onde desligava aquela bola de energia. Ela estava muito agitada, na verdade mais que o normal.

– Agente vai pequena – Heero murmurou pensativo, olhando da filha para o americano. Agora que os sentimentos de Duo e dele estavam claros, eles ficariam juntos, não é mesmo? Não tinha para que esconder o a mor dos dois, fingir que nada estava acontecendo, era inevitável...

Mas...

O japonês olhou para a pequena filha que estava em cima de si, o beijando. Como contaria para sua filha que daqui para frente ia ficar com seu tio. Não tinha menor idéia de como ela reagiria.

Será que aceitaria a relação?

Duo olhou o menor, sabendo o por que da preocupação em seus olhos, era claro e bastante evidente, até por que ele próprio estava pensando no assunto.

Olhou para Holly, imaginando como seria se um "não aceito isso" saísse da boca dela. Heero ficaria arrasado, e talvez Duo tivesse que se afastar para não comprometer a relação dos dois.

Era uma situação difícil. Mas Holly tinha que entender e aceitar.

– Por que você não vai tomar banho Holly – Duo sugeriu, tentando tirar a menina de cima do pai.

Vu a garota beijar Heero mais umas três vezes e correr para o banheiro, provavelmente tomar banho. Deixando os dois sozinhos mais uma vez.

Aliviado pela deixa, Duo aproximou-se do japonês, sentando-se ao seu lado no sofá. – Ela vai ter que entender Hee. – ele olhou para as íris azuis, vendo a compreensão do assunto – vai ser difícil no começo, mas ela vai ter que nos aceitar, do jeito que somos. Já perdemos tempo de mais.

– Aa...

Tempo demais.

Heero suspirou, concordando com o americano. Haviam perdido nove anos, muito tempo sem amor, sem nada. Tempo. Fechou os olhos pensando agora em sua doença, tinha que se tratar, se não nem o amor o salvaria. Merda! A sua vida estava coberta de problemas, queria poder contar tudo para Duo, mas não queria desabar tudo em cima de suas costas.

Suspirou, cansado, foi quando sentiu a mão de Duo entrelaçada a sua. Olhou para ele, vendo todo amor e compreensão naqueles olhos.

Os lindos olhos violetas que o faziam esquecer dos seus problemas.

Sorriu, sentindo Duo o puxar, envolvendo-o em um abraço aconchegante. Sentia-se protegido, era como tivesse dentro de um casulo onde ninguém o machucaria, onde nenhum pesadelo ou problema o atormentasse.

Era irônico pensar que o grande soldado perfeito estivesse tão desolado e carente. Mas quando Zechs quebrou sua máscara, todos os medos, toda a fragilidade veio de uma vez.

Duo moveu as mãos entrelaçadas para perto de sua boca, beijando a mão do menor, dizendo um "eu te amo" a cada beijo que dava.

Estava carente e com muitos problemas.

Mas Duo parecia acalmar tudo.

Afastar tudo.

Aproveitou a sensação de carinho e amor por parte do americano. Amava aquele baka. Sabia que no fundo, Duo tinha muito medo de perde-lo como antes, tinha medo de sentir o vazio na vida novamente.

– Eu também te amo. – Heero sorriu, fechando os olhos, deixando-se perder naquele calor intenso de amor. Podia sentir a felicidade vinda de Duo. Ele proporcionara felicidade em alguém. Era algo que nunca poderia esquecer.

O telefone começou a tocar no mesmo instante em que o barulho do chuveiro cessou. Doía sair dali, do conforto, mas era necessário.

Saiu do aconchego do americano, recebendo um beijo em sua testa pelos doces lábios, indo atender o telefone.

Duo o olhou e conseguiu pensar em algo nada adequado, na sua mente pervertida, mas ignorou, pensar em perversões agora estava fora de cogitação.

Sentia que Heero ainda não estava bem. Sabia que ele estava passando por problemas, via isso em seu olhar. Tinha que esperar que Heero se abrisse completamente para ele, mas às vezes parecia tão difícil para o menor.

Heero olhou para ele e Duo sorriu carinhosamente.

Com o tempo Heero diria a ele, na hora certa.

Tempo.

ooo

– Holly? – Duo a chamou, batendo na porta do banheiro.

– Estou pronta, já podemos ir. – ela se revelou, vestida com uma blusa verde e um short jeans. O sorriso maior que tudo.

Duo sorriu vendo a menor toda animada. Bendita seja a diaba linda! O sorriso de Heero sem seus lábios, os olhos de Heero.

Linda

– Deixa só eu e seu pai nos trocarmos, que agente vai.

Ela afirmou com a cabeça, contente, logo depois saindo da frente do maior, provavelmente invadindo o escritório, para usar o computador.

– Duo.

Heero apareceu por detrás desse, com o telefone já desligado na mão. – Quatre nos convidou para almoçar na casa dele, vamos dar uma volta e depois iremos para lá.

– A Lana vai pirar e nós também. – pensou alto e Heero teve que levantar a sobrancelha, não entendo muito bem.

– Ryan e Holly juntos vai ser a maior baderna. – explicou melhor, acariciando a bochecha do japonês, deixando esse levemente corado pelo contato. – Vá tomar banho, que eu tomo depois, certo?

Heero assentiu com a cabeça, indo para o banho, deixando o americano com seus pensamentos.

Duo ainda estava preocupado com o desmaio do japonês, da sua condição assustadora de ontem e o súbito pensamento de tomar Heero dentro do banheiro o fez pensar seriamente. Não tinha certeza ao certo se Heero estava preparado para isso.

Até por que pelo que se lembrara o japonês era virgem, pelo menos sendo passivo.

Remoeu seus pensamentos, tentando achar uma resposta. Realmente Heero ainda era virgem quando casara com Relena. Lembrara dele ter dito.

Então Relena fora seu primeiro? Nossa. Isso era bastante ruim para o americano. Uma estranha sensação de desconforto.

Mas afinal o que estava pensando?

Deu um tapa sem si mesmo, deixando os pensamentos de lado, trataria disso depois, por hora era evidente que o outro precisava sentir que não estava sozinho.

ooo

Heero abriu o chuveiro, deixando a água deslizar pelo seu corpo nu. Estava pasmo com o pensamento que tivera. Pensara em convidar Duo para tomar banho com ele, mas o que o fez desistir não foi Holly, foi medo.

Deus!

Heero suspirou, encostando a testa na parede do Box, deixando a água quente queimar em sua pele.

Ele estava com medo de ter uma relação mais íntima com Duo? Era isso? Não podia ser. Em seus sonhos com o americano ele o levava para um lugar na montanha e o tomava. Mas agora, não era mais um sonho, era real, e a dor de ter sido violado dia após dia por Zechs o deixava inseguro.

Duo não era Zechs. Mas era inevitável pensar em Duo e não lembrar da violência e da dor que o loiro o proporcionara. Doía muito.

Fechou os olhos tristemente, sentindo-se um perfeito idiota por estar se comportando dessa maneira, mas o que podia fazer afinal. As más lembranças ainda estavam lá, empaladas no fundo da sua mente. Em seu corpo, pequenos arranhões dos estupros mais violentos.

Estava tudo lá. Não podia fazer sexo com Duo ignorando o fato de ser sido exposto a uma grande violência. Não podia simplesmente ir para cama com ele e pensar que tudo estava bem, que não ia olhar o loiro idiota quando estivessem fazendo. Sabia que sim.

Mas Duo não faria sexo com ele, faria amor.

Não é mesmo?

Heero olhou para o próprio corpo, tocando em uma pequena cicatriz em sua coxa. Duo não o machucaria como ele, não o cortaria nem nada.

Por que ele o amava.

Suspirou, pegando o sabonete, começando a tomar o banho.

Para merda a fragilidade, aprenderia a lidar com mais um problema.

ooo

– Meu Deus. -Duo arregalou os olhos quando o carro parou em frente à mansão dos Winners. – Eu nunca vou me acostumar com essa mania de rico ter casa enorme.

– A minha casa é maior. – Holly sorriu para o tio que se perdia em memórias tentando lembrar da mansão de Relena. Era realmente um mundo fora do comum o dos ricos.

Duo voltou seu olhar para todo o jardim, enquanto ele, Holly e Heero adentravam no local. Já leram a história do tio patinhas em algum gibi nas bancas? Era exatamente igual, só que Quatre não era um pato e nem um louco por dinheiro.

– Duo! Heero...Minha sobrinha linda. – Quatre apareceu na porta da casa, abrindo os braços para a pequena Holly, que mesmo tendo seus nove anos não resistiu em correr para os braços do tio.

Duo olhou a cena adorável, vendo o loiro beijar a menina. Olhou para Heero, que estava ao seu lado, com um sorriso bobo no rosto. Ele amava de mais aquela diabinha. Podia ver em seu olhar, em seu sorriso a felicidade, só de ver a felicidade da pequena.

Heero a amava tanto

E se Holly não aceitasse...Duo teria que abandonar toda a felicidade com Heero...

– Pensativo? – Heero perguntou, olhando nas íris violetas. Este apenas sorriu, tentando mais uma vez parar de pensar nisso.

– Finalmente vocês apareceram, ainda lembram de mim, ou vou ter que me apresentar de novo?

Duo sorriu abraçando o amigo que soltara Holly no chão. Quatre correspondeu o abraço, feliz por estarem se vendo novamente.

– Quatre – Heero o cumprimentou, erguendo a mão que foi ignorada pelo loiro, dando um abraço no japonês.

– Depois de tanto tempo e você me vem com um aperto de mão. – Heero riu, vendo que realmente eram amigos, soltando-se do loirinho, para cumprimentar Trowa que aparecera.

– Finalmente não é Heero. – Trowa o abraçou, levando os queixos de Duo e Quatre para o chão.

Era normal Heero e Trowa se abraçarem? Aceitável seria um aperto de mão, e normal uma troca de olhares, silenciosa. Duo olhou para Quatre em confusão, parecia que os dois haviam se tornado amigos, mesmo com a distância.

– Paiiiiiiiii – Um grito agudo de um menino trouxe a atenção de todos. Ryan veio correndo, todo molhado, provavelmente estava na piscina. Rodou os olhos pelos convidados, analisando cada um, parando em uma certa garota japonesa.

– Holly? – ele chamou meio confuso pela garota. Fazia tempo que não via sua companheira de malandragens.

– Ry? – Holly piscou os olhos, reconhecendo o "primo", que assim considerava. Afinal para ela, seus tios eram todos irmãos, mesmo sabendo que era só uma fantasia da sua cabeça.

– Meu Deus. – Lana apareceu, em seu traje de piscina rosa choque, olhando espantada para os dois a sua frente. – To perdida.

– Ryyyyyyyyyy eu tava com saudades.

Holly gritou animadamente, abraçando o menino que fazia o mesmo. Deus! Como gostava daquele moleque lindo e brincalhão. Não tinha idade para se apaixonar, e nem isso era, seria mais um gostar de primo, seu maior aliado contra as loucas frescuras de Lana.

– Diz que isso é um pesadelo. – a pequena patricinha olhou chorona para os pais e seus tios. Não podia estar vendo o que realmente seus olhos mostravam.

Holly não estava ali agarrada com seu irmão. Não! Já não bastava um a abusando, agora seriam dois.

DUAS VEZES MERDA

– Lan querida, você tem que se acostumar. – Quatre falou com sua voz compreensível de pai e a pequena teve vontade de chorar. Se acostumar? Como ela podia se acostumar com dois seres da caverna em seu quintal? Deus! Holly deveria assistir Barbie, mas preferia ver X-men. Algum dia ensinaram a ela o que era ser menina cor de rosa?

– Eu mereço.

E saiu bufando pelo jardim, olhando os dois doidos, falando provavelmente de coisas nada apropriadas para uma típica patricinha.

– Heero eu posso falar com você?

O japonês olhou para Trowa, já sabendo sobre o que o assunto se tratara. De relance olhou para Duo que conversava freneticamente com Quatre, provavelmente contando a nova novidade.

Suspirou, tendo que se entregar a esse problema da vida.

– Claro.

Trowa sorriu e conduziu o menor até uma sala, bem pequena na realidade.

– Eu...- o latino fechou a porta atrás de si, se voltando para Heero que mantia a cabeça baixa. – Eu estou com os exames. – respirou fundo, mexendo em uma gaveta da mesa, tirando papeis dela – Ou você decide fazer essa operação, ou você morre.

Heero o encarou, não se espantando muito com a notícia, sabia disso. Sabia que tempo era uma coisa que não tinha mais. Só que...Parecia tudo tão confuso.

Agora que Duo estava com Holly, poderia fazer a cirurgia, deixando a garota em seus cuidados, mas...

Teria que explicar a Holly, teria que contar a Duo, a Wufei, Quatre...não estava pronto para ser o alvo das atenções de ...pena.

– Contou para Duo? – Trowa olhou o menor e Heero apenas negou com a cabeça, sentindo a raiva transparecer no latino pela resposta. Queria contar...Mas ao mesmo tempo...Não sabia ao certo o que deveria fazer, estava confuso. Alguém ao menos considerara que ele era uma pessoa muito confusa em relação aos sentimentos? Ele não sabia se Duo...

O deixaria

– Nós somos seus amigos Heero. – Trowa levantou a cabeça do japonês, vendo o medo em seu olhar. Não havia o medo de Duo ter que agüentar esse fardo com ele, só havia o desespero de ser abandonado pelo americano, mesmo sabendo que esse o amava muito – Nunca vamos te abandonar, você sabe disso.

Heero baixou a cabeça novamente, deixando o corpo exausto sentar em uma cadeira que havia na sala. Podia sentir que Trowa compreendia seus pensamentos. Precisava de ajuda. Precisava de ajuda para tirar todo o peso de suas costas.

Dizer de uma vez que estava com câncer. Que não agüentava ver Holly sofrer cada vez que lembrava de Relena, e que se culpava por isso. Por não agüentar mais ter tantos pesadelos com aquele bastardo loiro. Por ter ficado anos a sua mercê e o medo de ter algo com Duo interferir em seu relacionamento. O medo de perder o americano e voltar para o reino, ficar desmaiando a toda hora, sentindo-se vulnerável e perdido, achando que Zechs viria pagá-lo e que de brinque mataria todo mundo, inclusive seus amigos e Holly.

Tinha medo.

Trowa viu o menor se desmoronar em pensamentos, o rosto contorcido em certas lembranças, porém nada fez.

Deixou-o sozinho, com suas dores, apenas o fitando.

Heero era um poço de problemas e mistérios.

Que precisavam ser postos para fora, antes dele próprio sucumbir na dor.

– Talvez seja a hora de contar Heero.

– Não.

Trowa o olhou, espantado. Será que ele não entendia o quanto aquilo estava perigoso? Será que não entendia que podia morrer se não se cuidasse?

– Eu estou me acertando agora com Duo, não quero que ele saiba disso agora.

– E quando ele vai saber? – Trowa bradou forte – Quando você vai decidir contar para ele que você esta morrendo?

– Eu...- céus, a verdade doía muito – eu não quero contar, não agora.

As lágrimas vieram junto com uma dor em seu lado direito. Trowa havia batido nele?

Tocou a bochecha, sentindo-a doer. Será que ele não entendia? Trowa não podia ficar do seu lado por algum tempo, se colocar no seu lugar e ver que o medo o estava atormentando mais que tudo?

– Você nunca vai estar sozinho..

– Mas..Duo...

– Duo nunca vai abandona-lo.

Não ia? Duo não ia abandona-lo? Heero deixou a cabeça cair pesadamente no ombro do latino. Estava sendo vulnerável, sabia. Mas mesmo assim estava tudo tão confuso.

Arrepiou-se quando sentiu os braços fortes o abraçando. Não. Ele não estava sozinho. Seus amigos estavam com ele, Duo também estaria.

– Hoje à noite...Eu conto.

Trowa assentiu, feliz por ter conseguido ao menos uma resposta concreta. Afastou-se de Heero e teve que fazer uma cara feia quando viu a mancha avermelhada em seu rosto.

Havia passado dos limites;

Duo não ia gostar nada disso.

– Limpe o rosto e me desculpe pelo soco..

– Não. – Heero levantou, limpando as lágrimas - Eu estava precisando disso. Obrigado.

Trowa teve que sorrir, quando viu que realmente as coisas iam começar a tomar seus rumos. De uma vez por todas.

Continua...

Minha gente! Isso está se tornando repetitivo, mas realmente esse cap foi uma complicação! Me desculpem mais uma vez !

Reescrevi muitas vezes esse cap, perdi a inspiração...rodei muito para conseguir termina-lo.

Na verdade eu ia escrever mais, só que estou sem inspiração nenhuma! As idéias estão todas embaralhadas na minha cabeça e eu não queria ferrar essa fic mais do que já ferrei com esse porcaria que escrevi.

Eu realmente achei um lixo. Por favor, me digam que eu não acabei com a fic com essas linhas odiosas, por favor?

Well...to tão desanimada que nem responder aos coments eu vou...só agradeço muito mesmo as pessoas que comentaram, (Yuukii, Darksoul,Arashi Kaminari,MaiMai,Ilia-chan,Litha-chan) por que foram vocês que me deram o pouco de coragem que eu precisava para escrever esse cap!

Fico por aqui!

Beijos Karin-chan