Capítulo VI

Sakura estava comendo e conversando com Tomoyo sobre seu futuro casamento e sobre o príncipe Shaoran. Nesse momento alguém bateu à porta de leve. A princesa que mastigava lentamente disse: 'Pode entrar!'

A porta de correr foi arrastada e o rei do Japão entrou no cômodo. Assim que Tomoyo e Sakura o reconheceram, se curvaram em honra a ele.

'Gostaria de lhe dar um presente, minha filha!' o monarca disse com um sorriso nos lábios.

Ao ouvir isso, Tomoyo que já estava de pé caminhou até a porta saindo dos aposentos da princesa curvando-se ao se retirar. Kero estava deitado dormindo, claro, depois de comer quase tudo que tinha dentro do sexto. Enfadado permaneceu deitado sem se mexer.

O pai sentou-se ao lado da filha e segurando em suas mãos delicadas começou um pequeno discurso:

'Sabe que você é o maior tesouro que tenho e a flor mais preciosa do Japão. Quero te deixar um presente. Sua saudosa mãe o mandou fazer para você, mas, infelizmente o destino não permitiu que o entregasse! Estou aqui em nome dela e lhe dou essa pequena jóia! Desejo que você seja muito feliz em seu novo lar e que sua nova família seja merecedora de ter como princesa um tesouro tão valioso e estimado como você, minha filha amada!'

Entregou a ela uma corrente muito tênue, feita em ouro, e um pingente cravado com uma bela esmeralda que fizeram os olhos da menina se encherem de lágrimas. Sakura segurando o presente com cuidado o elevou de maneira que a gema ficasse até a altura dos olhos cheios de lágrimas. Olhou o precioso objeto com ternura e depois de alguns segundos virou-se para o pai e o abraçou fortemente.

Desta vez deixou que lágrimas copiosas lhe cobrissem o rosto sendo seguidas de soluços. Dos olhos de seu pai caíram-lhe ralas lágrimas provocadas pela dor de uma futura separação.

'Papai, suas palavras me deixam comovida e fico muito emocionada com o presente. Eu te amo muito, e em nome desse amor aceitei essa união. Sei que estou fazendo a coisa certa e irei te visitar sempre que puder!' Disse isso ainda agarrada ao pai que ao ouvir essas frases curtas, mas carinhosas procurou controlar-se para não despencar de chorar.

Deixaram-se ficar assim, abraçados por essa emoção, por alguns minutos e só depois se afastaram um do outro se olhando profundamente.

'Permita-me' o cuidadoso pai disse, agora, olhando para a corrente, segura pela mão da menina de olhos verdes.

'Claro, papai!' Ela lhe entregou a jóia de valor inestimável. Ele se levantou e, andando até as costas da menina pendurou o cordão em seu pescoço dizendo:

'Sei que será feliz e também desejo a você que ame seu marido tanto quanto amei sua mãe e que seja correspondida nesse amor, minha princesa!'

'Também espero isso, meu pai.' Ela disse com um sorriso tímido.

'Agora, precisa se aprontar porque estamos quase chegando, podemos até ver o território chinês da proa do barco.'

A moça arregalou os belos olhos verdes assustada; seu coração acelerou. Seu destino se aproximava. Era o pensamento dela.

'Deixo-a aqui para se preparar!'

'Obrigada!' Foi a resposta meiga dela.

Segundos depois que ele saiu, Tomoyo entrou apressada.

'Vamos, princesa, precisa se aprontar. Chegamos!'

Tomoyo cuidadosamente arrumou a princesa, vestindo-a de maneira elegante, com um quimono, branco e uma estamparia de flores de cerejeira cobrindo todo ele. Tinha uma fita vermelha presa à cintura. Os cabelos cor de mel, compridos, estavam presos por adornos e grampos, fazendo um penteado delicado. Sakura usava o cordão de esmeralda por dentro do traje e depois de um longo suspiro disse:

'Estou pronta, vamos!'

As duas saíram acompanhadas de Kero que vinha caminhando folgadamente logo atrás de Tomoyo. Kero tinha uma gargantilha gravada com pedras preciosas em seu pescoço.

Logo, os três estavam do lado de fora, olhando para o enorme continente. O coração de Sakura estava quase saindo pela boca. Suas pernas começaram a tremer.

'Calma, princesa, tudo dará certo. Você vai ver!' Disse Tomoyo, que estava logo atrás dela.

Em minutos o barco estaria ancorando e Sakura pisaria em solo chinês pela primeira vez. Todos estavam ansiosos e Sakura não cabia dentro de si tamanho o nervosismo. Levou as duas mãos até o peito como que quisesse se proteger. Aqueles minutos de espera eram intermináveis.

A primeira embarcação, que trazia a corte, ancorou primeiro, Depois a que trazia a realeza e por último o barco que trazia os presentes e coisas para o casamento. Três barcos enormes, vindos do Japão, trazendo a futura esposa de Shaoran e conseqüentemente futura imperatriz da China, causaram um burburinho no cais.

As pessoas se cotovelavam para poderem ver o que estava acontecendo. Queriam ver princesa Sakura, aprecia-la. Queriam ver os japoneses e todas as coisas que estavam carregando.

O monarca caminhava à frente seguido do herdeiro do Japão. Sakura, que vinha logo atrás abriu uma sombrinha para se cobrir do sol e Tomoyo a acompanhou, nunca andando ao lado da princesa. Kero teve uma entrada triunfal andando pelo cais da cidade como um marajá logo ao lado de Sakura. Ele realmente entendia o que estava acontecendo. Era um animal incrível.A família real estava sendo escoltada por Yue, Yukito, outros samurais e guardas reais.

Depois de alguns passos havia a espera deles Ériol que estava imponente como sempre e com um sorriso meigo nos cantos da boca. Curvou-se frente ao imperador assim que se encontraram.

'Seja muito bem vindo, senhor rei do Japão! É em nome do imperador da China que estou aqui dando as boas vindas ao povo Japonês. Podemos ir ao palácio onde todos os aguardam ansiosos.' Se curvou novamente frente ao imperador e seus filhos.

Ériol indicou conduções para todos os recém chegados. Havia várias carruagens que eram puxadas por cavalos e outras por quatro chineses fortes, um segurando cada canto.

O ministro mostrou para o rei e seu filho sua carruagem. Esta seria levada por quatro homens assim como a carruagem reservada para Sakura.

A doce menina sorriu para o Ministro e entrou no coche sendo logo acompanhada pela aia e por seu inseparável animal de estimação, Kero.

As pessoas que assistiam o desenrolar da entrada dos japoneses apontavam para Kero e levavam as mãos à boca impressionadas com o animal de Sakura.

Ériol e todos os samurais do rei seguiam a comitiva em cima de cavalos. Yue, vez ou outra, olhava para dentro do coche da sua princesa para certificar-se de que tudo estava bem com ela, hora ele olhava para a carruagem de seu imperador. Yukito logo percebeu o zelo e carinho de seu general.

Dentro de cada carruagem havia dois bancos, um de frente ao outro, Sakura e Tomoyo estavam apertadas, as duas sentadas no mesmo banco por causa de Kero que tomou o outro só para si.

'Você é muito espaçoso, Kero!' Sakura disse pra ele.

Ele, que estava deitado todo esparramado no banco admirando a paisagem, olhou para ela com um certo desdém e retornou a sua apreciação à cidade.

'Mas como é espaçoso...' Foi a vez de Tomoyo que, logo deu alguns risinhos vendo a postura do animal.

'Esse Kero é uma piada!' Esse foi o último comentário de Sakura.

Yue e Yukito que estavam ouvindo e vendo a cena do lado de fora começaram a rir. Isso fez Kero ficar um pouco irritado. Ele levantou a cabeça e rugiu para os dois.

Os dois apressaram as galopadas dos respectivos cavalos ficando ao lado da carruagem do Rei do Japão, talvez por não querer provocar um problema com o animal.

Depois de algum tempo todos estavam dentro do palácio. Ériol indicou os lugares e aposentos onde a família real se hospedaria. Aos outros convidados japoneses ele apresentou um criado que os levaria para seus quartos.

Sakura entrou em seu quarto sendo acompanhada por homens carregando baús que traziam seus pertences. Assim que tudo já estava acomodado e em seus devidos lugares ela sentou-se olhou para a cama e viu Kero todo esparramado nela. Imediatamente foi logo pedindo uma almofada para seu animal preguiçoso se deitar porque ele logo que entrou no cômodo deu uma olhada ao redor e não vendo um lugar para se deitar aproveitou que Sakura estava entretida com sua bagagem subiu na cama. Vendo isso, ela imediatamente pediu uma almofada para ele.

'Você devia se chamar bicho preguiça, viu? Pode ir saindo da minha cama!' Disse apontando o dedo indicador na cara do leão com a mão na cintura. Tomoyo começou a rir, sentada num banquinho próximo à porta.

Ele se levantou vagarosamente se virou de costas pra ela e andando pata ante pata foi até um canto do quarto e sentado ficou esperando sua almofada.

'Esse Kero... Olha só!'

'Hihihi, Ele é muito engraçado! Que bonitinho, está esperando a almofada!' E começou a rir. Sakura não se agüentou e riu também. As duas foram interrompidas por batidas fortes à porta.

'Quem é?' Perguntou Sakura.

'Trouxe-lhe a almofada, alteza!'

'Ah, pode entrar.' Ela respondeu.

Um homem alto e elegante entrou trazendo uma enorme almofada vermelha com pingentes dourados caídos nas quatro pontas. Assim que ele entrou e se deparou com Kero no outro lado da sala, ficou com o rosto pálido, parado e estático à porta.

'Não fique assim, ele é inofensivo!' Sakura disse. 'Você pode colocar a almofada ali?'

Ela apontou um lugar para ele deixar a almofada. Ele logo quis sair dali, estava amedrontado com o leão.

Kero andou até o local e se deitou vagarosamente na sua nova almofada. Abriu a boca e fechou os olhos.

'Hum! Não sei como consegue dormir tanto.' Tomoyo disse.

'Nem eu! Mas, mudando de assunto, o que precisamos fazer agora?' Sakura perguntou.

'Não sei, talvez devêssemos esperar aqui até alguém nos chamar!' A aia disse.

'Tem razão! Enquanto isso tomarei um banho bem gostoso! Estou com a pele salgada!'

Tomoyo preparou o banho dela e rapidamente Sakura já estava submersa na água quente e perfumada. Deixou ficar assim por alguns minutos até que por fim se levantou, se cobriu com um roupão e saiu da banheira.

Tomoyo a ajudou com a vestimenta. Estava usando um quimono de seda vermelha com bordados dourados. Tinha o cabelo preso por fitas vermelhas caindo-lhe para trás da cabeça.

'Sabe, estava querendo conhecer o palácio! Quer vir comigo?'

'Claro, princesa! Mas não seria perigoso?'

'Ah, deixe de ser medrosa Tomoyo! Vamos. Quero conhecer os jardins. Sabe o quanto gosto de jardins.'

'Eu sei! Então o que estamos esperando?' A amiga perguntou.

'Quer vir, Kero?' Sakura perguntou e o leão que nem lhe deu ouvidos, continuava dormindo.

'Então até mais!'

E saíram do quarto sorrateiramente para não serem notadas por ninguém, o que foi quase impossível. Os criados que andavam pra lá e pra cá, sempre inclinavam a cabeça fazendo reverência para a princesa. Ela retribuía sempre com um sorriso nos lábios até que uma garotinha parou e ficou olhando pra ela. Sakura se abaixou e acariciou a cabeça da menina.

'Qual seu nome?' Disse em chinês. Sakura sabia o idioma, assim como Inglês e Francês.

'Xueing!

'Que lindo seu nome!'

'Obrigada!'A menina respondeu. 'A senhorita é a moça mais linda que eu já vi!' a garota disse e Sakura sorriu pra ela.

'Obrigada!' Sakura disse. 'Você sabe onde tem um jardim para que eu possa me refrescar?' A menina balançou a cabeça alegremente dizendo que sim. 'Então, você gostaria de me mostrar?' A menina deu pulinhos de felicidade.

'Que bonitinha!' Tomoyo disse com as mãos na bochecha.

Sakura segurou a mãozinha delicada da criança que seguiu pelo corredor. Chegando ao fim dele virou para a direita e seguindo por um salão de festas. Assim que o atravessaram por completo a garota abriu as portas para um enorme jardim. A pequena ficou em pé e disse:

'Pronto! É um lindo jardim. Preciso voltar. Com licença...'

'Obrigada, querida!' A jovem princesa agradeceu.

'Nossa, que lindo!'. Tomoyo comentou.

'É mesmo!' Sakura concordou com a boca entreaberta.

Era um lugar agradável com árvores maravilhosas e plantas que Sakura não conhecia. Haviam caminhos que seguindo davam para um riacho.

'Que maravilha, um riacho!' Sakura disse com entusiasmo. Ela adorava córregos, cachoeiras e riachos.

'Viu, princesa? Eu não disse que iria gostar?' A aia comentou. Sakura a abraçou em gratidão e molhou os pés na água.

'Está uma delícia!' Ela disse, balançando os pés.

Nesse momento as duas ouviram um barulho. Sakura olhou para Tomoyo que a acompanhava e arregalou os olhos. "O que eu faço agora?" pensou.

'Venha, vamos nos esconder aqui.' Tomoyo disse.

As duas se esconderam atrás de uma moita verde e ficaram observando. Puderam ver dois homens se aproximando. Ambos eram altos e assim que se aproximavam puderam ver seus rostos.

'É o senhor Ériol!' Tomoyo disse baixinho, mas Sakura tapou-lhe a boca. Não queria ser encontrada pelos dois.

'Psiu, não quero que nos encontre!' Sussurrou.

'Que droga!' o outro rapaz bateu a mão na água.

'Calma, meu príncipe!' Ériol disse.

Ao ouvir essa pequena conversa Sakura se atentou ao belo homem que estava ao lado de Ériol, afinal esse era seu noivo. Ele era alto, porte atlético, cabelos revoltados e olhos castanhos. Usava um traje de seda azul marinho com as bordas em linha preta.

"Uau! Que lindo ele!" Sakura pensou, mas nem deu muito tempo porque o príncipe revoltado logo continuou o que estava dizendo e Sakura queria ouvir e saber o motivo de tamanha revolta.

'Isso é impossível! Tenho que conhece-la a sós, sem ninguém olhando e querendo nos controlar todo o tempo! '

'Eu a trarei aqui às escondidas e logo conhecerá sua noiva! Se me permitir irei até seus aposentos e a trago agora mesmo!'

Sakura tinha o coração saindo pela boca de agonia. O que ela faria agora? Como sair dessa enrascada!

'Espere!' Shaoran disse. 'Primeiro me conte como ela é. Já o ouvi narrar isso, mas quero que seja completamente sincero comigo. Preciso saber se ela é alguma menina mimada ou coisa do gênero'

'Oh, não! Se ela fosse mimada e não pensasse em seu país acha que aceitaria se casar com um príncipe sem nem ao menos conhece-lo?'

'Tem razão! Fale-me mais sobre ela!'

Enquanto Ériol contava fatos a respeito de Sakura para Shaoran, as duas moças recuaram e vagarosamente foram saindo para não fazer nenhum barulho. Se elas ouviram bem Ériol estaria indo buscar Sakura e ela deveria estar em seus aposentos.

Assim que conseguiram se distanciar deles, saíram em disparada direto para os aposentos da princesa. Percorreram toda a trajetória de volta e abriram a porta, apressadas.

Sakura bebeu alguns goles de água para se acalmar da correria sentando-se numa poltrona com a mão no peito.

'É...' Tomoyo que também sentara na poltrona disse 'Foi por um triz!'

'Nem me diga. Imagina se nos pegam lá?' Seria uma vergonha.'

'Mas pelo menos pôde ver o príncipe Shaoran! E se me permite, princesa! Ele é muito bonito!' Sakura corou e baixou os olhos. 'Viu não te disse que tudo daria certo!'

'Obrigada, Tomoyo! Não sei o que seria sem você, minha amiga!'

'Fico feliz se minha princesa estiver feliz!' Tomoyo respondeu.

Nesse momento Sakura ouviu batidas fortes à porta, arregalou os olhos para Tomoyo pois já sabia quem era.

'Pode entrar!'

CONTINUA