Seven minutes to live
House ouvia alguns murmúrios; alguém parecia falar bem baixinho, quase sussurrando.
Com muita dificuldade foi abrindo os olhos, esperando que a luminosidade lhe atingisse. Grande foi a sua surpresa ao perceber que o local estava na mais completa escuridã levantou-se e começou a se situar no local onde estava, observando aquela estranha zona.
Um cubículo.
Foi tudo que seu cérebro pode traduzir daquele local sem portas ou janelas ;não havia nada por ali, nenhuma corrente de ar, nenhum cheiro ou som conhecido; tudo parecia no mais completo vácuo.Só aqueles murmúrios é que não cessavam, e agora eles se aproximavam cada vez mais ;porem ainda assim, House não podia dizer de que direção aquilo vinha.
- Oi House! - falou uma voz estridente que lhe causou um arrepio na espinha. Ele conhecia aquela voz, se lembrava dela, mas não conseguia determinar de onde ela viera ou de quem ela era.
- Oi House - outra voz que ele conhecia também, mas não se lembrava se espalhou pelo ambiente.
As duas vozes falavam um mesmo nome. House. Era ele? Se era, porque estava
ali sozinho? E o que tinha feito para ter que ficar por ali?
Na mais completa escuridão, ele tentava raciocinar, precisava pensar em alguma coisa para não ficar maluco. Deu uma leve guinada na cabeça e olhou para trás e não vendo mais a cama que supostamente estivera deitado.
-Onde ela foi parar? – perguntou-se ouvindo sua voz ecoar pelo espaço vazio.
Num gesto de desespero House começou a tatear no escuro; mas não havia nada que ele pudesse pegar. Estaca zero. Sem direção, House decidiu trilhar seu próprio caminho,
andando ate que achasse alguém ou alguma coisa viva que lhe pudesse explicar o que estava acontecendo.
- Você vai declarar a hora da morte Dr. Cameron?
A médica estava lívida, branca como o cal. Olhou para o corpo sem vida dele ali na maca e segurou-se com força para não cair. Não podia acreditar o que seus olhos estavam vendo. Aquilo não podia ser verdade. Não estava acontecendo. Esfregou as mãos uma nas outras num intuito de ver se aquilo não era um sonho . Sentiu umas mãos quentes sobre a sua, tirando-as delicadamente da maca e aliviando a pressão entre elas. Levanto os olhos, reparou os igualmente assustados olhos de Chase. Ele também não conseguia acreditar naquilo que estava acontecendo.
Chase e Cameron olharam para fora e viram a Cuddy olhando para dentro sem entender o que ainda tinha acontecido. Tinha ficado muito nervosa ao ver aquela quantidade de sangue no carro e não tivera condições de entrar ali. Nunca havia ficado tão nervosa em ver sangue, mas ali não era um sangue de alguém que ela não conhecia, de um desconhecido. Era o sangue de alguém que ela partilhara uma grande parte de sua vida
Seus olhos leram as lágrimas de Cameron e aquilo que ela nunca quis imaginar parecia ter acontecido.
Com alguma dificuldade e o que parecera levar séculos, ela conseguira chegar ate a sala onde ele estava. Os aparelhos ainda continuavam ligados, esperando alguém anunciar.
- Ele esta... Está morto? - perguntou Cuddy com dificuldade de balbuciar aquelas poucas palavras.
Viu Cameron sacudir a cabeça, afirmando e sentiu as lágrimas molharem o seu rosto.
- Não...ele não pode estar...me passe o desfibrilador..
- Dra Cuddy - tentou Chase
- Me passe a droga do desfibrilador!
- Mas...
- Se você não me passar essa merda agora eu vou te demitir!Passe agora !! – falou já sentindo a garganta arder de ter que gritar tão alto com aquele loiro inútil.
Cuddy puxou as pás das mãos dele e colocou-as sobre o peito dele, vendo os médicos recuarem..
- Vamos seu desgraçado! Acorde! Resista...Eu não sou a mandona? Vamos me obedeça!
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- Ahhhhhhhh - gritou House sentindo o peito inflamar. Alguma coisa estava lhe queimando por dentro. Desesperado, começou a arrancar as roupas, procurando o motivo de toda aquela dor insuportável. Olhou para seu próprio peito e não viu nada. O que era aquilo? Ainda estava lhe queimando.
- No começo é assim, mas depois você se acostuma.. – falou uma voz que surgiu do nada
House levantou os olhos ignorando a dor e reconheceu imediatamente a dona daquela voz.
- Amber? – perguntou incrédulo
- Bem vindo...
- Eu estou morto?
- Não era o que você queria? - perguntou o dono da segunda voz que ele não tinha reconhecido mais cedo.
- Não...quer dizer..eu só queria que ela fosse embora- disse se virando na direção da segunda voz - Kutner...é bom ver você...
House parou para observar aqueles dois a sua frente e começou a juntar as peças daquele estranho quebra cabeça.
- Eu estou morto... - falou com só entendesse daquilo agora
- Digamos que ainda não - ponderou Kutner - É claro que você fez um grande estrago, mais eu acho que você ainda tem uma pequena chance...Talvez..digamos
- Pequena? Eu não teria tanta certeza assim - falou Amber cética.
- O que eu tenho que fazer?- perguntou House entre assustado e já arrependido.
- Jáaa???? Você mal chegou e não quer nos dar essa honra de ter você por aqui? - disse Amber mais uma vez, fazendo Kutner rolar os olhos de impaciência.
- Você não precisa fazer nada... -murmurou Kutner sem olhar para Amber.
- Nada?Qual é Kutner..você tem idéia de quantas pessoas podem sofrer se ele desistir??
" O quê??? Pára tudo!!! - pensou House, jurando ter ouvido um som de freio de carro em sua cabeça - Amber? Boa? E querendo que eu volte para ninguém sofrer???Com certeza ele estava morto"
- Que foi? Eu preciso fazer uma boa ação ainda hoje né?Não completei o meu quadro – disse sorrindo abertamente. Ela parecia feliz.
- Então quer dizer que Kutner é o diabinho e você a anjinha?- perguntou House sarcástico.
- Digamos que é melhor você não saber - disse rindo maliciosamente. -Mais essa decisão é séria House, sua atitude pode estragar milhares de vidas..
- Milhares? Quem sou eu? A reencarnação de J..
- Cala a boca House..aqui não.. - disse Kutner olhando para os lados.
Por um momento, House ficou sério, olhando para a cara assustada de Kutner, mas depois de meio segundo de silêncio ele gargalhou não acreditando que ele realmente dissera aquelas tais palavras.
- Isso é serio House - falou Amber.
- Eu também estou falando sério... Não creio que alguém vá sentir minha falta..e depois..milhares? De onde você tirou isso?
- Sim... Milhares de pacientes vão passar por lá e não vão ter você para fazer seus diagnostico malucos e salva-las....
- Claro - falou interrompendo-a meio desanimado - Os pacientes..
- Seus "escravos" vão sentir a sua falta - disse meio rindo e continuando - Wilson, vai sentir bastante a sua falta e...a Cuddy, principalmente...
- Principalmente? Como assim? – perguntou rápido como sentisse um choque percorrer o seu corpo
- Você sabe o que significa principalmente né? Você acha que eu tenho cara de dicionário? Principalmente quer dizer principalmente oras!!
- Ele é o único que não enxerga - disse Kutner fazendo deboche.
- Então eu não morri !
- For God House!! Você é burro ou estúpido?
- Acho que você deixou ele sem muitas opções Amber...
-Eu ainda não sei se você morreu...Que horas são Kutner?
- 8h49...
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- Dr. Cuddy... - murmurou Chase, sem noção do que fazer para acalmá-la
- Droga House!!! Por favor... – disse sentindo as lágrimas descerem em seu pescoço – Você não pode me...
- Hora da morte... - iniciou Chase, delicadamente.
- Hora da morte... - Cuddy suspirou levemente. Sentiu a mão de Cameron sobre a sua e mais uma vez puxou o ar - Hora da morte 8h56mim - falou passando uma das mãos sobre o rosto dele.
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- 7 minutos...
- 7 minutos? - repetiu House sem entender.
- Você vai morrer daqui a sete minutos.. - falou Kutner, olhando para uma tela branca.
- Então 8h56 eu vou morrer?
- Provavelmente... Mas isso vai depender de você... Do que você realmente quer..
- Se for para continuar te vendo..eu prefiro ficar por aqui - disse olhando para Amber.
- Você vai continuar me vendo por aqui...- disse sorrindo ironicamente .
- Pelo menos não serei tratado como louco..
- Que meigo..isso foi um elogio?
- Ok..muito lindo essa interação de amor de vocês dois..mas seu tempo esta passando House - disse Kutner mais sério.
" Você não vai desligar os aparelhos?"
- O que foi isso? - perguntou House, olhando em volta.
- O que faremos com ele? - perguntou Amber ignorando a pergunta dele e se virando para Kutner.
- O que? Vocês decidem se eu fico ou não?
- Pois é...o cara que pesa seu coração na balança e compara ele com uma pena, foi almoçar e a gente ficou no lugar dele... - falou arrancando risadas de Kutner que logo ficou sério ao ver a cara fechada de House.
- Tem coisas que nunca mudam - murmurou Amber se sentando em alguma coisa que House não conseguia enxergar.
" Olhe!!"
- Que horas são Kutner..?
- 8h51 - disse desanimado - Faltam 5 minutos para você tomar uma decisão
- E como eu faço isso...- falou sentindo a respiração pesada.
- Desculpe - lamentou Amber - Eu realmente não sei como se faz isso. Eu só recebo as ordens, mas isso tem que vir de você...
- É como se fosse uma escolha? - perguntou tentando entender aquela situação e resolver seu novo mistério.
- Exatamente. – pontuou Kutner
- Acho então que eles serão mais felizes sem mim...
- Acho então que eles serão mais felizes sem mim...- falou fazendo escárnio e imitando a voz dele - Você acha?Você realmente acha isso? - perguntou Amber séria.
- Acho! - disse com tanta convicção que por um momento fez Kutner arregalar os olhos.
- Mostre... É melhor que ele veja e se decida depois...
- Mais ai..a gente vai forçar ele a ...
- Mostrar o quê?
- Vai Kutner..mostra logo!Ele não precisa que a gente decida por ele..
- Ok...
No meio daquele cubículo negro, um facho de luz apareceu de repente. Nele uma garota de aproximadamente 15 anos andava pela casa descalça, com uma taça de sorvete na mão e um livro de romance policial na outra. Inesperadamente um garotinho de 12 anos com o boné virado para trás e cara de sapeca apareceu correndo, e propositalmente se esbarrou nela.
- Aiiii moleque! Você não olha por onde anda não é???
- Ihhh sua chata! Você fica com os olhos ai nesse livro cheio de romance fresquinhos..ohhh amor isso...aiii amor aquilo.
- Ahhh eu vou rachar a sua cabeça com isso aqui se você não sair da minha frente!
- Eiii vocês dois querem parar com isso? Por favor, né? Hoje é domingo!
- A mãe. - falaram os dois ao mesmo tempo
- Eu não quero saber..se vocês continuarem eu vou deixar os dois de castigo.
Os dois jovens se mediram e passaram na frente um do outro fazendo birra. O menino ainda mostrou a língua para a irmã numa vã tentativa de provocá-la.
- Greg...eu to vendo..- avisou Cuddy.
-Pardon maman- disse o menino dando um beijo na mãe, se fingindo de inocente e pegando a bicicleta, desaparecendo da vista dela.
- O que você esta lendo querida?
- Sidney Sheldon...A ira do Anjos...
- Rachel! Você não acha que esse livro tem muita "informação"? - perguntou arqueando uma das sobrancelhas.
- Mãe..deixa de ser careta...sexo...pode dizer para mim essa palavra- disse fazendo bico e pronunciando a palavra sexo com a boca observou a mãe fazer um muxoxo e não falar mais nada. "Aquilo sim era estranho"observou a menina, olhando para o rosto da mãe. - Mãe?
- Diga meu amor- falou com calma e sem levantar os olhos para a filha.
- Mãe olha para mim... - falou a menina docemente.
Cuddy demorou a fazer o que a menina pedia e com muito esforço levantou o olhar para ela.A menina prendeu os cabelos pretos em um coque mal feito e se aproximou mais de olhos de Cuddy estavam meio chorosos e avermelhados, como se ela tivesse passado um bom tempo chorando.
- Porque você esta assim? Essa semana toda eu percebi..o que aconteceu mãe?
- Nada meu amor... – disse fugindo dos olhos da filha
- Nada? Você tem certeza? - disse a menina fixando seu olhar em Cuddy. Viu a mãe
inspirar lentamente e depois soltar todo o ar, percebendo que Cuddy ia falar alguma coisa e se preparando para ouvir se aconchegando mais à mãe.
-Poeira...maldita hora que eu fui pegar em umas coisas velhas lá do hospital.
- Mãe...Eu sei que você não tem alergia e outra..me diz..eu não sou mais
aquela garotinha que você precisava proteger de tudo...confia em mim..me conta vai...
Rachel viu a mãe deslizar para o seu colo e chorar abertamente como nunca havia gesto fez a menina abrir os olhos com surpresa
- Há 15 anos eu perdi aquele que era o amor da minha vida..- começou Cuddy falando baixinho e deixando as lágrimas tomar conta de seu rosto.
A menina afagava os cabelos da mãe, esperando que ela continuasse com a história.
- Como ele se chamava? - perguntou.
- Gregor...- disse não conseguindo completar a frase.
- Hum...Greg..igual ao nome daquele pirralho - disse se referindo ao irmão.
- É.- disse rindo um pouco, porém seu rosto logo se contraiu e se entristeceu - naquele dia eu percebi que perdia parte da minha vida e se não fosse você ou o Dominic eu não teria resistido...
A menina abriu os braços e segurou a mãe em seu colo, ninando-a como ela fizera tantas vezes com ela quando era pequena.
- Eu te amo mãe..saiba que você sempre poderá contar comigo viu?
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- Dominic? E o Wilson?
- Você tem certeza que quer saber? Não lhe resta muito tempo - disse Kutner olhando para o relógio- Você tem 3 minutos.
- O que aconteceu com o Wilson? – perguntou irritado
- O fato House, não é o que aconteceu...mais o que eventualmente pode acontecer com
a vida pode ser que realmente não aconteça, talvez seja a parte de seu córtex cerebral incitando para que isso aconteç mais uma fantasia de sua mente...
- Eu não quero saber sobre isso, sou médico esqueceu? Eu quero saber o que aconteceu com ele..
- Ele morreu há 15 anos também..
- Morreu? Como assim? – disse assustado mais com a perspectiva de ter seu amigo morto do que com sua própria vida.
Kutner respirou profundamente e olhou para Amber, num olhar que pedia para ela não lhe revelar aquela informação..
- Acidente de carro..quando Cuddy lhe informou que você tinha "morrido" ele foi para o hospital correndo, avançando vários sinais, porem numa curva que ele não pode ver que vinha um caminhão do exercito e imprensou o carro dele contra outro que vinha na direção contraria.
House soltou um suspiro pesado, não podia acreditar que a sua simples vida, a vida que ele considerava inútil e miserável, havia mudado a vida de tantas outras pessoas, incluindo aquelas que ele mais amava.
- E onde ele está? Esta aqui também?
- House..aqui não é o céu!
- Descarado! Aquele safado conseguiu ir pro céu e eu to aqui..? – disse mais aliviado
- House...você tem que se decidir..o tempo aqui pode passar
bem rápido também...
- Eu quero!
- Quer o que? - perguntou Amber e Kutner em uníssono.
- Quero voltar!
- Mesmo que você possa sofrer pelos seus atos cometidos? Eu não lhe disse nada,
mas você pode ter serias seqüelas pelo que fez..
- Eu quero!
- Por quê? - perguntou Amber curiosa - Não é só porque você quer viver não é?
Porque aqui você poderia ter uma vida similar a de lá, imagine você aqui, sem dores na sua perna, seu ter que enfrentar aquela vida dura e desgostosa de lá..aqui você poderia
ter tudo que quisesse só ê esta sentindo dor nesse momento?
House olhou aliviado para a perna, não sentir aquela dor era como se houvessem ]lhe dado uma segunda que talvez demoraria para ter aquela oportunidade de volta.
- Não estou sentindo nada. – disse num misto de tristeza e felicidade
- Então? Para que voltar? - perguntou Kutner se aproximando dele.
- Porquê eu não estou sentindo nada...aqui não é vida! Eu não sinto raiva, não sinto dor, amor não sinto absolutamente nada... Quer dizer..eu sinto falta..um buraco em meu peito!É isso! Eu sinto um vazio na minha vida..sinto que ela precisa ser preenchida!
Kutner e Amber olharam um para o outro e sorriram aliviados.
- O que foi? - perguntou assustado.
- Você tem 60 segundos...
- Mais eu não sei o que fazer para voltar..! - disse olhando para os lados e como se esperasse que uma porta se abrisse para que pudesse sair daquele lugar.
- E não precisa..você já disse...já falou a senha secreta- disse Amber num tom brincalhão.
- Adeus House...- disse Kutner lhe dando um sorriso sincero
- Tchauzinho honey..cuide de meu amor la para mim ta? E ahhh..não se preocupe eu não vou lhe importunar..não tão cedo. Contanto que você não faça mais besteiras - disse dando um sorriso malicioso.
- E House – chamou Kutner – Seja mais humano...não deixe que sua vida seja mais uma no meio da multidão...você não merece isso e nem aqueles que estão a sua volta...
- É House.. – falou também Amber – Se lembre que você ganhou uma segunda chance, não a desperdice...agora..saia daqui antes que a gente mude de idéia...
Ahhhh...se lembre que...
House não ouviu mais nada , sentiu como se estivesse sendo puxado por um vórtice de energia.
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- Ele voltou –disse uma voz que ele tentava reconhecer...
TBC ^^
