Capitulo 5 –

Ao que vai chegar

"Draco me cobriu de cuidados e não queria que eu fizesse mais nada. Eu estava feliz. Ele era tudo que um dia eu sonhei para amar.

Os dias passavam quentes e o nosso amor era tão intenso quanto à ilha que nos abrigava, eu estava dividida. Será que fora dali, seríamos tão felizes? Será que o herdeiro Malfoy continuaria sendo o meu dragão lá fora?

Eu tinha muitas perguntas e nenhuma resposta. Ele era tão cuidadoso comigo que chegava a me sufocar..."

Voa, coração

A minha força te conduz

Que o sol de um novo amor em breve vai brilhar

Vara a escuridão, vai onde a noite esconde a luz

Clareia seu caminho e acende seu olhar

Vai onde a aurora mora e acorda um lindo dia

Colhe a mais bela flor que alguém já viu nascer

E não se esqueça de trazer força e magia,

O sonho e a fantasia, e a alegria de viver

- Draco querido, vamos combinar uma coisa. Eu não estou doente, embora de manhã esteja um horror, não preciso de repouso, e estou cansada de não fazer nada. Vou dar um mergulho e pescar. Só não sei se vou conseguir limpar o peixe.

- Mergulhar? Enlouqueceu? É perigoso. Você pode passar mal e... E...

- Não vou passar mal, meu querido. E duvido que vá sozinha...

- Claro que não! Eu irei com você... – Draco parou por um momento confuso, a garota tinha o dom de convencê-lo. – Você me confunde!

Draco estava irritado e Ginny gargalhava em direção ao mar. Vencido correu atrás dela. Ela também correu...

- Não corra! Oh! Céus. Eu não vou sobreviver a você.

- Vai sim meu amor. Acredite-me estou bem. Só preciso de espaço para respirar. – Disse parando já na água, enlaçou o pescoço do loiro furioso e depositou um doce beijo em seus lábios.

- Está farta de mim?

- Não! Claro que não! Eu vou continuar fazendo o que sempre fiz, tomando mais cuidado agora, não vou colocar a vida da nossa criança em risco. Contudo não ficarei deitada o resto da gestação. Não é saudável.

- Está bem vou deixar você respirar senhora sabe-tudo!

- Você é um fofo!

- Fofo não... Por favor...

- Sim. E o fofo não me pega!

Ginny disparou para o mar e nadou para a piscina natural que ali havia. Ela mergulhou por entre os cardumes de coloridos peixinhos. A diversidade marinha daquela costa era estonteante e não havia nada que encantava mais a garota... "Talvez um par de olhos grises que tinham um brilho estonteante agora!" Pensou a garota despreocupadamente.

Voa, coração

Que ele não deve demorar

E tanta coisa a mais quero lhe oferecer

O brilho da paixão, pede a uma estrela pra emprestar

E traga junto a fé num novo amanhecer

oOo

O Sea's Angel foi para o estaleiro, e Harry estava fora de perigo em um hospital de Puerto Rico. Arthur foi atrás de Harry assim que aportou. Rony estava com ele.

- Que susto garoto! Como está filho?

- Bem senhor... E o Sea's Angel? Não consegui... Acho que perdi o motor...

Uma lágrima rolou do rosto do garoto. Ele sabia o que significava aquilo. As buscas por Ginny teriam que parar. E Arthur deveria estar desesperado e tudo culpa dele.

- Olha garoto, não importa. O importante é que você está bem! Não suportaria perder você... Perder mais um filho.

Dizendo isso abraçou o garoto que amava como a um filho. Harry permitiu que as lágrimas saíssem. Arthur permaneceu com Harry no abraço por alguns minutos até que o rapaz se acalmou. O restante da tripulação estava ali ao lado da cama. Por fim se soltaram e Arthur deu um arremedo de sorriso.

- Vamos colocar o Sea's Angel no mar novamente. Trate de ficar bom preciso de você! – E olhando para os filhos presentes – De todos vocês!

- Sim capitão!

Os rapazes estavam esperançosos novamente. Arthur era o cerne daquele barco. E não podia se deixar abater.

- Fred, Jorge, contatem Allan. Diga para ele que o Sea's Angel precisa de um motor novo... – Arthur respirou fundo, e continuou – Digam a ele que contate o Goyle. – Terminou a frase num tom firme e incisivo.

- Mas... – Ron até tentou entender, ou ter certeza de que o pai estava aceitando ajuda das Organizações Malfoy.

- Estão esperando o quê?

Todos no quarto estavam estarrecidos, não esperavam que ele tomasse uma atitude daquelas. Saíram do quarto correndo, afobados, ainda digerindo as palavras de Arthur, muito eufóricos com a notícia. Contudo Ron deteve os gêmeos antes de alcançarem a porta do hospital.

- São mais de quatro meses... Será que...

- Nem termine a frase, maninho! – Disseram os gêmeos em uníssono.

- Nossa Gin é dura na queda, não será uma tempestadezinha que... – Disse Fred.

- Iria nos tirar a Gin maninho! – Completou Jorge.

Ainda no quarto do hospital...

- O médico me disse que te dará alta amanhã pela manhã, já reservei um quarto no hotel, a algumas quadras daqui e... – começou Arthur meio cheio de dedos com o garoto na cama a sua frente.

- Por quê? Algum problema com a flutuação do barco? Vamos ter que trabalhar duro na reposição do motor, não vai sobrar tempo pra hotel. – Protestou Harry cortando Arthur na metade do caminho.

- Você estará de repouso até o fim dos tempos! Ou até eu achar que você está bem! – Tentou colocar um tom firme de comando na voz, mas Harry não engoliu. Conhecia bem o senhor Weasley.

- Nem pensar!

- Seu cabeça dura, não discuta comigo!

- Como se eu tivesse escolha!

- Harry-Cabeça-Dura-Potter!

- E de mais a mais, só eu entendo bem aquela banheira!

- BANHEIRA! Tem muita sorte de estar machucado!

- Foi mal. Mas ainda assim vai precisar de mim, senhor.

- Claro filho! Aquele barco não é a mesma coisa sem você!

- Então amanhã bem cedo, vamos começar o trabalho!

- Acho melhor não abusar mocinho, caso contrário, eu tranco você no seu camarote, e só abro no dia que encontrar a Ginny!

Harry não respondeu, já não tinha assim tanta certeza de encontrar a ruivinha, mas, seguiria Arthur até o fim da vida.

oOo

Os dias na ilha se passaram tranqüilamente. O amor entre Draco e Ginny explodia entre brigas e noites quentes de amor. Draco e Ginny eram opostos em todos os sentidos, assim se descobriram. Assim se amaram.

- DRACO! DRACO!

- O que foi? Onde dói? – Draco estava sempre preocupado, com sua garota dourada, ficava insano só de pensar que ela poderia sentir dor... E ele não poderia fazer nada para ajudar.

- Sente, sente seu filho está chutando!

- Não consigo... Sim... Eu senti... Outra vez!

Convida as luas cheia, minguante e crescente

e de onde se planta a paz,

da paz quero a raiz

E uma casinha lá onde mora o sol poente

pra finalmente a gente simplesmente ser feliz

Lágrimas escorriam dos olhos cor de prata, podia sentir seu filho ali, um turbilhão de emoções povoavam sua mente. Nunca imaginou que pudesse ficar tão feliz ao sentir seu filho. Depositou vários beijos no ventre de Ginny depois capturou seu rosto entre suas mãos e beijou-a docemente. Momento único na vida de ambos. Ginny secou as lágrimas dele que escorria pela bochecha.

- Bem, viu como seu filho é forte? – Ginny procurou colocar seu tom mais otimista. – Agora vê se me escuta quando eu digo que não é saudável ficar parada o dia todo!

- Sim, minha ruivinha. Só gostaria que não se aventurasse tanto!

- Eu não tenho medo! Tenho meu dragão para me defender!

- Você definitivamente é um caso perdido!

- Não sou não. E eu não coloco minha cria em risco!

- Está bem... – Draco abaixou-se e disse para a barriguinha de Ginny que já dava sinais de cinco meses de gestação. – Não se preocupe bebê Malfoy, seu pai aqui, estará sempre por perto para te proteger ouviu?

- Será que conseguiremos protegê-lo do futuro?

Draco pensou no futuro, depois de meses ali naquela ilha, não fazia a menor idéia de como trazer aquela criança ao mundo, e não fazia a menor idéia do que o aguardava em terra. Uma aura negra pairou sobre eles naquele momento.

- Vamos viver um dia de cada vez meu anjo, apenas prometo que estarei sempre com você!

- Então para nós será o suficiente dragão.

Draco a abraçou fortemente como se aquele gesto pudesse dissipar todas as nuvens que pairavam sobre eles naquele momento. Na verdade preferia que não fossem encontrados nunca, mas, naquele momento para o bem de Ginny e o bebê era necessário que isso não demorasse nem mais um minuto. Ele não saberia viver sem os dois, não mais. E esse pesadelo o consumia, nem mesmo Lucius era capaz de aterrorizá-lo mais.

oOo

O motor novo para o Sea's Angel demorou um pouco a chegar. Burocracias de entrada em um país estrangeiro. Arthur Weasley não perdeu as esperanças verificando cada informação que chegava até eles via internet ou pelas autoridades locais. Era possível ver o senhor Weasley todos os dias à tarde na sede da guarda costeira, a fim de levantar novas informações. E sempre recebia a mesma resposta.

Os dias se arrastavam no convés e nos porões do Sea's Angel, mesmo com o entra e sai dos garotos, que trabalhavam o mais rápido possível. Harry era o esforço personificado, entendia bem de motores e aquele motor com certeza era uma beleza, poderiam navegar por anos sem nenhum esforço da máquina, mas, eles não tinham anos para navegar, o tempo se esgotava e todos ali sabiam disso.

Os aviões de Malfoy ainda sobrevoavam a região. Mais por insistência de Arthur, pois Malfoy estava a ponto de encerrar as buscas, mas ainda deu a Weasley uma ultima chance. Allan mantinha o contato com os garotos pela internet, e atualizava as informações que os sobrevôos traziam.

Quando finalmente o Sea's Angel saiu do estaleiro, Arthur se sentiu mais confiante, o mar aberto era sua casa, e ele voltara a rota anterior que tinha quase se transformado em uma tragédia. Saindo de Puerto Rico sua primeira parada seria Anguilla.

- O arquipélago é formada pelas ilhas: Anguila, Anguillita, Dog, Little Scrub, Prickly Pear, Sandy, Scrub, Seal, Sombrero, o pequeno arquipélago se localiza no Caribe, especificamente no extremo norte das ilhas de Sotavento nas Antilhas Menores; compreende a habitada ilha de Anguila e as desabitadas ilhas Scrub, Dog e Sombrero; e alguns ilhéus próximos, também desabitados. O terreno é em geral, rochoso e de pouca elevação. Não há rios, só algumas pequenas lagoas na ilha de Enguia. O clima é tropical com uma temperatura média de 27 °C. – Não encontrariam ninguém vivo ali com certeza sem água potável. Gui mostrava o mapa enquanto informava ao resto da tripulação que havia pesquisado.

Aportaram em Anguilla logo pela manhã, não tiveram problemas com a língua, pois a ilha era território Britânico e a língua oficial o inglês. Espalharam-se e mostraram as fotos de Draco e alguns de seus convidados. Mas, sem muito sucesso. A polícia local também não tinha grandes informações que pudessem levar a uma pista do Dragón del Mar.

Ficaram ali quase quinze dias entrando e saindo dessas ilhotas, e torcendo para não acharem nada. Certamente ninguém sobreviveria ali por mais de uma semana. Seis meses então? Impossível. Mas com um helicóptero sobrevoaram cada uma delas em busca de algo que pudesse lembrar algo humano ali. E ao mesmo tempo Arthur, Harry e Ronny torciam para que não encontrassem nada.

Ao fim daquela atordoada semana deram as buscas por encerrada ali na região e foi com certo alivio que Artur e os garotos deixaram o local. Nem mesmo a paisagem era capaz de distraí-los.

oOo

Nas Organizações Malfoy...

- McAlister, tenho péssimas notícias...

- Encontraram algo, Goyle?

- Muito pior, Lucius Malfoy deu as buscas por encerradas. Ele quer essa sala desocupada até o final do dia...

- Mas...

- Sinto muito Allan.

O silêncio ficou sufocante na sala, Allan tinha uma equipe de cinco pessoas que não saiam de frente do computador e do telefone. Eles não tinham mesmo nenhuma esperança de achar nada aquela altura, contudo ninguém tinha coragem de ser o primeiro a desistir.

- Voltem a seus antigos afazeres. – Disse Goyle ao ver que todos estavam paralisadas e voltando a Allan. – Pode ficar com os computadores da sala, ou o que achar que possa ser útil, sei que o Weasley não vai desistir.

Hermione e Angel que entraram na sala naquele instante assistiram o final da conversa.

- O que está acontecendo papai?

- Angie... Malfoy encerrou as buscas...

- Eles não podem! Ainda não encontramos os dois!

- Ele pode. Já o fez senhorita, eu sinto muito. Tem até o final do dia.

Dizendo isso Goyle se retirou, não concordava muito com a ordem do patrão, mas também não ousava desafiá-lo, deu de ombros, até que aquele showzinho durou muito, pensava. Deixou para traz duas garotas que choravam e uma sala mergulhada em silêncio.

- Vamos meninas, podemos levar o que for nos ajudar nas buscas, escolham o que quiserem. E vamos embora. – E voltando a equipe. – Foi uma honra trabalhar com vocês, em nome de Arthur Weasley eu agradeço!

Allan e as meninas saíram das Organizações Malfoy direto para a casa de Allan, ali montaram os computadores que trouxeram da sede de comando. A parte mais triste começaria agora: contar a Arthur as ultimas notícias.

Lucius Malfoy em uma coletiva no salão de imprensa das Organizações Malfoy anunciou o fim das buscas e o falecimento oficial de seu único filho e herdeiro das Organizações Malfoy.

- É com grande pesar que dou por encerrada as buscas pelo Dragão Del Mar, e oficialmente as autoridades dão como mortos os três desaparecidos no naufrágio. Draco Malfoy, Capitão Nott e Ginevra Molly Weasley.

Dita essas palavras ele saiu da sala com sua máscara fria no rosto, nenhuma emoção, nada. Apenas a informação, que correu pela internet feito um rastilho de pólvora. Harry leu em primeira mão. Enquanto Arthur recebia a notícia via rádio de Allan.

- Arthur, eu não sou portador de boas noticias... – Houve um silêncio no rádio. – Malfoy encerrou as buscas oficialmente. Cambio.

- Não! Jamais vou desistir de Ginny! Nunca!

Arthur jogou o microfone sobre o rádio, espatifando a máquina. Os gêmeos que estavam por perto tentaram acalmar o pai, Harry chegava com a noticia, mas percebeu que essa já era velha. Arthur já sabia. Os outros garotos atraídos pela gritaria do pai que repetia aos berros que jamais desistiria da filha. Por fim, silêncio, e lágrimas, muitas lágrimas. Arthur finalmente parecia aceitar que era uma busca sem nenhuma esperança. Contudo, não poderia desistir. Só não sabia como iria fazer isso sem o patrocínio de Malfoy, ele não tinha muitas reservas, e a manutenção do barco custava caro. Ginny não poderia ser perdida por falta de dinheiro, isso não!

Limpou as lágrimas, foi para a sua cabine, precisa pensar no que fazer. E rápido, tempo era um luxo que nunca teve e agora o dinheiro era mais um problema relacionado ao tempo, quanto mais eles ficassem parados ali, mais gastariam inutilmente. A noite veio e envolveu o velho homem do mar em mais tristeza e melancolia.

Já amanhecia quando ele pegou o rádio (já consertado por Harry) e chamou Allan, o amigo respondeu prontamente, o que denunciava que não só Arthur havia virado a noite, Allan também.

- Allan quero que consiga um empréstimo, pode colocar o Sea's Angel como garantia. Eu não vou desistir agora.

- Mas Arthur...

- Por favor, velho amigo, não discuta, apenas faça.

- Ok! Considere feito.

Arthur baixou a cabeça, respirou fundo e encarou os garotos a sua frente.

- É isso, não vamos abandonar a sua irmã. Deveria ter trocado essa banheira por um veleiro. Pelo menos o vento é de graça. Mas temos combustível para vasculhar Antigua, e é o que vamos fazer agora. Vamos lá, Gui o que você sabe sobre Antigua?

Gui hesitou por um momento, mas a sua pesquisa já estava pronta há dias e em sua opinião era mais uma perda de tempo, inútil por assim dizer. Mas, não seria ele a dizer isto ao pai, mas em algum momento alguém teria que dizer isto a ele, Gui sentiu um aperto ruim, respirou fundo e começou a informar o pai sobre a ilha em questão.

- A língua oficial é o inglês, não teremos problemas de comunicação então. A área total compreende a ilha maior, Antígua, a mais populosa, com 280 km² e suas dependências: Barbuda, com 160 km², e Redonda, com 2 km². As ilhas pertencem ao grupo de Sotavento das Pequenas Antilhas ou Antilhas Menores. Antígua possui baías com recifes de coral e grandes dunas. As amplas baías, que oferecem portos seguros, a diferenciam do resto do Caribe. Barbuda tem origem coralina, com uma grande lacuna no lado ocidental. Ela se compõe de um pequeno vulcão unido a uma planície calcária. Praias de areia fina completam sua paisagem. Redonda é uma pequena ilha rochosa desabitada, reserva da fauna e flora. Improvável de encontrá-los aqui. – Gui apontou para o mapa que acompanhava sua fala sobre a mesa. – A ilha é bem visitada por biólogos e empresas de Ecoturismo... – Fez uma pausa e continuou. – As ilhas têm um clima tropical, com temperaturas bastante constantes ao longo de todo o ano e chuvas abundantes. Os furacões são habituais de julho a outubro. As ilhas são em geral baixas. O ponto mais elevado é o Pico Boggy, com 402 m de altitude. E isto é tudo senhor.

- Vamos para a terra, fazer algumas perguntas, vamos ver se eles passaram por aqui. – Arthur deu as ordens se encaminhando para a sua cabine.

Em terra eles usaram o mesmo procedimento da ilha anterior, andaram pelo porto mostrando fotos e fazendo perguntas. Foram aos hotéis mais finos e aos outros também. Começaram a economizar, pois o dinheiro deveria durar bem mais agora.

A semana voou para eles, e descobriram que eles passaram por ali sim, mas ficaram só o tempo de abastecer no porto, o escritório ainda tinha as notas. Mas nenhuma informação sobre tripulação ou de Draco e seus amigos. Então uma coisa era certa eles não estavam ali. Seguiram com o barco.

Harry voltou correndo ao Sea's Angel, pela data em que aportaram para abastecer, ele procurou nos sites de metereologia por tormentas naquela localização, poderiam até traçar uma rota e procurar ali perto. Mas aí veio a péssima notícia. Angel estava on-line.

- Os créditos estão fechados para o senhor Weasley. Fui com papai a vários bancos, e nenhum deles aceitou o Sea's Angel como garantia. Até mesmo o senhor Granger tentou ajudar. Harry, meu bem, tem certeza que vale a pena continuar? – Perguntou Angel com uma voz quase chorosa, que Harry conhecia bem, ao vivo, por telefone, ou pela internet.

- Eu não sei meu anjo, mas, essa notícia vai ser dura demais para dar para o senhor Weasley. – Respondeu Harry ainda mais desanimado que a garota a milhas de distância dali.

- E eu não agüento mais de saudade, a Mi então... Não tira os olhos do PC, em busca de qualquer notícia. Também não tira os olhos daquela foto que você tirou dos dois o verão passado. Queria estar aí com você meu amor... – uma lágrima percorreu a bochecha da morena que logo a limpou. Mas, que não passou despercebida por Harry.

- Não chore Angie querida, em breve estaremos todos juntos. Eu prometo. Não posso deixar o senhor Weasley agora. – Harry estava dividido naquele momento, não acreditava mais poder achar Ginny com vida, mas ainda não estava pronto para desistir.

- Tudo bem Harry querido, faça o que tem que fazer. Eu sempre estarei aqui pra você, não se preocupe amor. Só não vai dar uma de engraçadinho com as caribenhas por aí!

Angel continha suas lágrimas frente a webcam e tentava colocar um tom firme na voz, para que Harry não sofresse tanto, mas, ela sabia que isso era missão quase impossível, Harry a conhecia melhor que ela mesma.

- Obrigado pela força anjo. Não sei o que faria sem você. Eu te amo muito!

- Eu também! Viu o enterro do Malfoy ontem?

- Lucius morreu?

- Infelizmente não. Ele fez uma cerimônia reservada para poucos convidados na Catedral de St. Paul.

- Ah! Pena mesmo... Er... Não sabia que Malfoy era católico.

- Nem eu, mas, foi muito badalado, tinha um exército de homens de segurança na porta da Catedral para segurar os 'Paparazzi'. Saiu em todos os jornais e noticiários de televisão.

- Então agora é oficial a doninha está morta!

- Harry James Potter! Não deveria fazer piadas com a morte, nem mesmo a dele!

- Foi mal...

- Olha tenho que ir, Papai pediu que eu fizesse compras, estamos voltando pra casa. Vamos fechar a Toca. As aulas vão começar e a Mi também vai voltar para casa. A Toca fica muito fora de mão para a Universidade.

- Nos falamos amanhã então. Te amo anjo da minha vida!

- Também te amo! Volta logo pra mim!

Mais tarde quando os Weasleys chegaram, Arthur foi direto para o rádio e conversou alguns minutos com Allan. Dessa vez ele não quebrou o rádio, apenas finalizou a comunicação com o amigo. No convés Harry contava aos meninos as novidades.

- Esse enterro eu queria comparecer! – Disse Ron sem muita convicção.

- Se liga maninho, a coisa agora tá muito séria! – Gui nem se importava mais com Malfoy. O assunto em pauta era: como iriam se virar sem o patrocínio das Organizações Malfoy. E sem dinheiro?

- Papai será obrigado a desistir, mais um pouco vamos voltar pra casa pedindo carona de cais em cais. A nossa sorte é que sempre tem muito turista por aqui...

- É isso maninho! Você... – Fred abrira um enorme sorriso.

- É um Gênio! – Jorge sabia bem do que se tratava.

- Eu tenho até medo de perguntar o que esses dois estão pensando agora. – Charlie revirou os olhos e se levantou do seu lugar, debruçando-se no borda do barco.

- Vamos fazer turismo com o nosso barco, ele não é cinco estrelas... – Respondeu Fred.

- Mas dá pra arrumar alguns trocados. E podemos pescar, comida é que não vai faltar. – Completou Jorge.

- E acham mesmo que o pai vai dar ouvidos a essa idéia insana? Encarem a realidade, Gin está morta, está no fundo do mar com Poseidon agora! – Gritou Charlie.

- Não, ela não está... E a idéia não é tão ruim assim. Se todos vocês estiverem de acordo, é claro. – Arthur deixou que os garotos soubessem que ele estava por ali, e ouvindo a conversa deles.

- Pai, eu sinto muito... – Charlie mirava o chão do convés.

- Tudo bem meu filho. – Arthur se aproximou do filho e levantou seu rosto. – Sua irmã está bem, é o que meu coração grita a todo instante. O que me dizem então?

- Claro que estamos com o senhor pai!

oOo

Os dias na ilha se passavam preguiçosos, Ginny via o tempo passar conforme sua barriga crescia. Alguns dias ela estava otimista, outros nem tanto, mas nesses dias sombrios encontrava os olhos grises de Draco e tudo parecia melhor. O garoto assumira uma postura protetora e companheira, Ginny sentia o amor dele. Algo quente e intenso.

Mas, ainda mantinha a esperança de serem encontrados antes do parto, isso sim a assustava, sua mãe havia morrido no parto. Apesar de que os enjôos não a incomodavam mais, ela tinha medo. Não queria perder o bebê, nem tão pouco morrer. Esses pensamentos às vezes consumiam a mente da garota, nessas horas ela corria para o mar. E se perdia em meio aos cardumes coloridos. Ou simplesmente se aconchegava a seu dragão, que sentia o seu medo e tentava mostrar a ela que ainda havia esperança.

Contudo a ilha ainda tinha uma surpresa, tudo ia bem demais, Ginny se pegava pensando, mas logo balançava a cabeça e mandava aquele pressentimento, e ocupava a mente com outras coisas. Naquela manhã seu humor não estava dos melhores, algo pressionava seu peito.

- Draco viu minha faca? Vou mergulhar.

- Por que não fica por aqui, só mais um pouquinho... Draco resmunga se virando na cama.

- Viu a maldita faca? – Ginny remexia nas coisas na cabana que estava na mais pura desordem.

Draco ficou alerta e se levantou. Sua sereia não estava no seu normal. Com muita paciência, forçada na verdade, ele se aproximou da garota e tentou abraçá-la. Ela se esquivou dele o encarando com certa fúria no olhar.

- Ei, calma, o que...

- Não Draco, você não colabora, olha essa cabana está um horror! Eu estou cansada de arrumar e você desarrumar tudo! E ficar aí dizendo o que devo ou não fazer, não agüento mais essa maldita ilha...

- Faça como quiser!

Draco estava atônito, saiu porta afora deixando Ginny falando sozinha. Saiu pela praia sem um rumo especifico. A garota por sua vez, muito irritada, se jogou na cama, não queria pensar. Entretanto, as horas foram se passando, seu estomago reclamou e o herdeiro Malfoy em seu ventre também. Levantou-se e começou a fazer uma refeição leve a base de frutas. Não tinha a mínima vontade de fazer nada. Pela primeira vez naquele dia saiu da cabana mediu o céu, pela posição do sol, meio dia ou mais, onde será que estava Draco? ele nunca havia se ausentado por tanto tempo. Começou a ficar preocupada, na verdade lembrou-se da briga, que infantilidade! Por que disse aquilo pra ele? Viu a trilha meio apagada das passadas do rapaz na areia, voltou para dentro pegou sua mochila sentindo raiva dela mesma. Na verdade não queria ir atrás dele, mas, seu coração estava apertado, algo estava muito errado ela podia sentir nos ossos.

Seguindo os rastros que seu dragão deixou pela praia, ela tentava deixar sua mente limpa, não queria pensar em nada, tão pouco sabia o que diria a ele, estaria muito irado? Draco nunca fora uma flor de pessoa, tinha o gênio difícil, que ela aprendeu a conhecer e a conviver. Riu. Ela amava desesperadamente aquele cabeça dura e não poderia ficar sem ele nem mais um minuto. Andou por algum tempo, os rastros terminavam na trilha para a cachoeira, onde fizeram amor pela primeira vez, a lembrança fez com que um arrepio de prazer percorresse sua espinha e o arrependimento daquela manhã começava a cobrar seu preço.

Parou a margem da cachoeira na prainha que ela formava. Olhou em volta em busca de sinais da presença dele, nada. Gritou:

- DRACO!

Os pássaros fugiram assustados. O vento apenas beijou sua face banhada de suor. Retirou a mochila das costas, precisava descansar. Entrou na água, fechou os olhos e tentou se acalmar. Quando abriu os olhos pode distinguir na margem oposta um brilho, forçou o olhar e pode ver algo parecido com uma mão. Nadou até as pedras do outro lado, e quanto mais perto chegava mais tinha certeza de que era Draco, subiu com certa dificuldade em uma pedra para sair da água. Aproximou-se seu coração falhou uma batida, era Draco, num emaranhado de lama e vegetação que cobriu o seu corpo que estava caído em desalinho ao pé do barranco...

"Eu nunca imaginei que pudesse me sentir tão mal por alguém. Minhas palavras e as palavras dele ecoavam em minha mente à medida que eu tentava chegar a ele. Não sei até hoje onde encontrei forças para fazer isso. Ele era tudo que eu tinha ali naquela ilha.

Que no momento parecia ter sido esquecida por Deus... "