EU FINJO, TU FINGES... QUEM FINGE?
Autoria: Kry21 (fanfiction(ponto)net/u/788892/Kry21)
Tradução (autorizada): Inna Puchkin Ievitich
Publicada originalmente em: www(ponto)fanfiction(ponto)net/s/4164348/1/
Eu finjo, tu finges... quem finge?
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O sorriso perfeito de Alan, esse que não vira ao longo de sete anos, esse que sempre me reconfortava quando algum idiota dentre nossos companheiros me incomodava, esse que se esvaia para dar lugar a um cenho franzido quando as professoras me repreendiam, que se convertia em uma careta engraçada cada vez que algo estranho ocorria ao meu redor, surgiu novamente ao mesmo tempo em que meu amigo se inclinava e me beijava a face. - Quando chegou? Por que não me disse que viria? – foi a primeira coisa que lhe perguntei logo após deixarmos de rodopiar.
- Cheguei há três dias. Fui a sua casa procurá-la, mas não havia ninguém, e hoje a tarde tentaria de novo. – me respondeu e apertou meu nariz.
Alan e eu nos conhecemos quando tínhamos seis anos de idade, na escola primária. Eu era a garota diferente e ele o calouro. Tinha acabado de se mudar para Londres e havia deixado sua escola mais por comodidade que por questões práticas: a escola ficava a três quadras da sua, nada humilde, residência. Seu pai era uma espécie de design de automóveis e sua mãe, uma ilustradora de livros infantis. Creio que o dia em que conheci sua família foi o dia em que descobri que meu coração era muito saudável, pois tive meu primeiro infarto quando ele segurou minha mão, depois tive outro infarto quando vi sua casa, e por último quando conheci seus pais, ambos muito bonitos – obviamente, não me restou qualquer dúvida do porquê de Alan ser tão bonito. Estava nos genes!
Nunca soube, nunca perguntei e ele nunca me disse a razão de ter se aproximado de mim desde o início, e não dos demais colegas. Conforme o tempo passou nos tornamos bons amigos, eu sempre o via como um irmão mais velho, esse ao qual se pode recorrer sempre que se tem um problema e aquele que o defende quando alugém o molesta. A amizade que compartilhamos até certo ponto se parecia um pouco com esse que tenho com Harry e Ron, claro que com uma diferença muito grande: minha vida e a de Alan nunca estiveram em perigo.
Desafortunadamente, um dia seu pai foi promovido e transferido para uma filial na Califórnia, por isso ele teve que ir. Meses mais tarde uma carta foi levada até minha casa por um homem alto, de barba longa e roupa diferente. Era o professor Dumbledore, que me disse que eu havia sido aceita em Hogwarts, que era uma bruxa e tudo mais. Dessa forma, a comunicação quase se fez inexistente entre mim e Alan. Não podia mandar uma coruja até a Califórnia, apenas, e muito de vez em quando, um e-mail.
E agora, após anos sem nos ver, encontro-o no centro comercial.
- Você está muito mudado. – disse – Onde foram parar a magreza e os cabelos rebeldes...?
- No mesmo lugar onde estão seus dentes de coelho e seu cabelo emaranhado – me respondeu, com um sorriso que eu, nem lenta e nem preguiçosa, lhe respondi. Era tão lindo! Agora que lembro, creio que em algum momento de minha infância achei que estava apaixonada por ele. Depois de tudo, Alan era como meu cavaleiro de armadura brilhante, sempre pronto e disposto a acabar com todos e cada um de meus "dragões" pessoais.
- Ehem, ehem... – Creio que o fato de eu ter convivido com aquela que foi, em seu devido momento, nossa Suma Inquisidora, mais que nos marcar nos traumatizou, tanto que até posso ouvir sua tosse. Voltei-me para ver quem a imitava tão bem. Ora, que surpresa tomei ao ver que era Harry.
Estava parado a escassos dois metros de nós, com um olhar que pretendia ser de indiferença, mas que parecia mais com uma careta de fastio ou fúria, ou isso achava eu. Era tão estranho que o fitei franzindo o cenho. Creio que tampouco passou despercebido para Alan o olhar que Harry nos lançava e, suponho eu, que ele detectou apenas a fúria, pois passou seu braço por sobre meus ombros, ergueu o queixo e olhou para Harry entrecerrando os olhos. Quer dizer, com a típica postura de: Quem é você e o que quer?
Não sei o que foi essa sensação que me assaltou quando senti o braço de Alan aproximando-me mais de si, mas foi incômoda, sobretudo vendo que Harry baixava o queixo e nos olhava, me olhava franzindo, ainda mais, o cenho.
- Você não nos apresentou. – me disse, erguendo as sobrancelhas e com uma voz um tanto áspera, como se estivesse se controlando para não fazer algo. Notei que comprimia a mão direita dentro da calça, segurando a varinha.
Fiz uma careta. Ele pretendia azarar alguém? Havia detectado perigo? Por que se comportava assim? Estava a ponto de abrir a boca, quando Alan se adiantou.
- Alan Parker. Melhor amigo de Hermione. - Se apresentou, esticou a mão e ergueu ainda mais o queixo. Harry apenas me fitou, erguendo as sobrancelhas.
- Harry Potter. NAMORADO de Hermione. – Sorriu, com o sorriso mais falso e irônico que jamais vira. Devido à surpresa que essas palavras causaram em Alan, o sorriso de Harry aumentou, porém nunca chegou aos seus olhos, os quais continuavam pousados na mão que estava sobre meus ombros. Apertou a mão de Alan e, por três segundos, me pareceu que ambos desejavam quebrar os ossos da mão um do outro. Sacudi a cabeça, era somente impressão minha.
- Então, você tem namorado, Hermione. Desde quando...? – Alan me apertou e me aproximou mais de si. Remexi-me incômoda.
- Desde uns... seis...? Sim, seis meses. – Não podia dizer que há três dias estava a ponto de contratar os serviços de um gigolô, até que Harry se ofereceu para ser meu namorado de mentira. Além do mais, o dissimulado olhar que Harry nos lançou convidava a fingir mais. Ou não?
- Eu não sabia que tinha um "melhor amigo"...? – agora me perguntou Harry – Achei que esse título correspondia apenas a Ron e a mim. – O que era esse tom de voz?
Outra vez esse incômodo. Sem saber por que me fiz forçada a me afastar um pouco mais do lado de Alan.
- Eh… sim, de fato ocuparão hoje, amanhã e sempre. Alan foi meu melhor amigo de infância. Apenas meu amigo. – Não sei por que me vi forçada a esclarecer esse ponto. Harry só ergueu as sobrancelhas.
- Você me substituiu? Ou por que fala no passado? – Alan me reprovou.
E de volta ao incômodo!
- Não, é... só que... – Não sabia o que dizer, é como se cada vez que abrisse a boca ficasse em maus lençóis com um dos dois. – A amizade não se perde com o tempo. E, se pode ter mais de um amigo. – lhes disse, com o melhor tom de mandona que possuía e desafiando com o olhar a que um dos dois refutasse minha declaração.
Ambos me conhecia o suficientemente bem para não arriscar-se a fazer algo do tipo.
Assenti satisfeita.
Mas o que acontecia com eles? Era como se estivessem lutando para chegar ao primeiro lugar, como se minha amizade fosse exclusiva. Tudo era bastante ridículo.
- Harry e eu íamos comprar um sorvete. Aceita? – perguntei.
- Sem dúvida. – me respondeu Alan, com um sorriso. Segurou minha mão e me puxou. Passei por Harry, que parecia a ponto de querer inflar uma pessoa aqui e outra acolá.
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Demônios!
Gritei interiormente.
"Conta até dez… 1…2…3…4…"
Jamais senti a angustiante necessidade de enfeitiçar alguém ou azarar ou ambas as coisas, como desejava fazer com esse imbecil.
Ah! Mas a cara que ele fez quando me apresentei...! Essa, sim, não tem preço!
"Sou Alan, o melhor amigo de Hermione". Como desejava lhe partir a cara. O fato de ser amigo dela não lhe dava direito de abraçá-la ou tomá-la pela mão. Nem sequer deveria colocar a mão em cima! Que mão, que nada! Nem um fio de cabelo! Acaso não se deu conta de que o namorado dela está na sua frente?
E o tipo parecia uma centopéia, com mãos por todos os lados. Pergunto-me se os inseticidas são realmente eficazes com toda classe de animal rasteiro.
Mas o pior de tudo é que ela permitia! Agora eu entendia Ron com relação a Krum. Era algo insuportável e minha paciência tinha um limite. Senão, perguntem aos Comensais e ao seu "Grande" líder onde estavam agora. E ainda por cima de tudo, o idiota zombava de mim.
"2…4…6…8…" Contei de novo. Agora, além de eu ter que aguentar que o tal Alan bancasse o "chiclete" com MINHA namorada, tinha que suportar suas burlas e suas perguntas, que eram lançadas com toda a intenção de me tirar do sério.
- Como é possível que, sendo ela sua namorada, você não saiba qual sorvete pedir? - me questionou "Alansinho", com seu estupidozinho sorrisinho zombeteiro, quando eu não soube o que pedir para ela.
Eu entrecerrei os olhos. "5...10...15...20... Será pelo fato dela preferir comer a "Cereja que só faz rir a quem reza", produto patenteado dos Sortilégios Weasley?
- Será por que há tanta variedade de sabores que, talvez, ela queira experimentar algo diferente? Ou, talvez, por que a considero bastante inteligente e capaz para decidir por si mesma? – me limitei a responder e cruzei os braços enquanto sorri para a garçonete que, segundos antes, me piscara um olho. Meu sorriso alargou-se quando Hermione bufou. Possivelmente, não pelo fato de que eu tenha piscado um olho para a garçonete e esta se desequilibrar-se no processo de nos servir o sorvete, talvez seu enfado fosse pelo tom em que respondia minhas perguntas, porém, ainda assim, creio que senti-la enciumada foi bom para meu ego.
- Hermione e eu vimos nascer um passarinho. Quando você tinha sete anos, ambos fomos acampar, lembra? – olhou para Hermione, que somente concordou com a cabeça. – Numa manhã, enquanto caminhávamos pelo bosque em busca de algo, nos encontramos com...
- Pois Hermione e eu vimos nascer um dragãozinho. Que um meio-gigante, amigo meu, recebeu das mãos de um professor que estava possuído por um assassino psicopata que tentava me matar desde bem antes de eu nascer... - obviamente não disse isso em voz alta, apenas ergui a vista até encontrar os olhos de minha amiga que, ao que parecia, pensou o mesmo que eu, pois ambos sorrimos, embora essa tenha sido uma das tantas perguntas e respostas que tive que engolir juntamente com o sorvete de baunilha, o qual sequer estava saboreando. O melhor era me manter calado e à margem. Deixei que Hermione arcasse com elas sozinha.
Como poderia dizer a ele que nos conhecemos graças ao fato de Ron e eu termos encerrado um Troll no banheiro onde ela estivera chorando?
- Deseja algo mais? – perguntou, única e exclusivamente a mim, a garçonete. Graças a Morgana sua intervenção evitou que eu continuasse a pôr atenção na conversa de Alan.
- Não queremos nada. Obrigado. – respondeu Hermione, antes que eu pudesse sequer abrir a boca.
Bem dizem que quem ri por último ri melhor. Claro que meu riso não durou muito, sobretudo quando Hermione deu de comer na boca ao imbecil que tinha por amigo. O aludido, após me dirigir um sorriso triunfante, se dispôs a limpar os lábios da minha amiga com um guardanapo... onde havia usado sua boca...!
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Isso começava a se tornar frustrante. Por um lado, Alan não deixava de me tocar, é certo que lhe dei certa liberdade ao permitir que me tomasse pela mão e me abraçasse o tempo todo, mas tinha a absurda idéia de que Harry se irritaria e diria algo, depois de tudo sou sua "namorada" e é um pouco estranho deixar que um desconhecido abrace sua namorada, mas não meu adorado namorado de mentira, que não dizia absolutamente nada, melhor, nem sequer respondia as provocações que Alan lhe dirigia. O muito descarado preferia paquerar a garçonete morena desengonçada a ter que dizer ao Alan como nos conhecemos. Minha quota de tolerância já chegava a 186, se perto de 200 Harry não dissesse nada...
- Seus pais se dedicam a quê? – Alan perguntou a Harry.
- Não creio que... – comecei a falar. Sabia que esse tema era difícil para Harry, por questões pessoais e ainda mais por tudo que isso envolvia e que não podíamos dizer aos trouxas.
- Não tenho pais. – respondeu Harry, em tom frio.
- Acaso você foi concebido pelo Espírito Santo? – zombou Alan, eu levei minha mão direita à varinha pronta para convertê-lo em sapo.
- Não. – o sorriso e o tom que Harry empregou para responder gelavam o sangue. – Assassinaram ambos quando eu tinha um ano de idade. Sou órfão.
- E como é que você pode ir ao colégio particular? – insistiu Alan. Sua pergunta até certo ponto tinha algum sentido se levássemos em conta que eu disse a ele que freqüentava uma escola exclusiva da Inglaterra.
- Porque São Potter é asquerosamente rico. – respondeu uma voz que arrastava as palavras. Harry e eu nos voltamos para ver o recém chegado, com uma expressão de surpresa em nossas faces.
- Você não deveria estar fora do país? Supõe-se que os Malfoy não possam estar... aqui. – lhe questionou Harry, com o cenho franzido e fazendo um gesto com a cabeça a modo de saudação. Seria um milagre que os dois se cumprimentassem com um tradicional "Bom dia". – Você pode se contaminar.
- Isso de pureza ficou no passado. E, bem, o fato de eu estar aqui atribuo a Granger. Merlin! Se ela ao menos parasse de falar dois segundos do seu lugar de origem eu não teria tanta curiosidade!
- Mas você ainda se envergonha de mostrar-se interessado, caso contrário... por que disse a todos que iria para Roma? – sorri.
Que teria imaginado que aquele que fora um de nossos maiores inimigos desde o primeiro ano do colégio, havia se convertido não em um amigo "amigo", mas em alguém como quem ter uma conversa amena? Tudo mudou depois da batalha final. Para não tornar a história muito longa – a verdade é que não tenho vontade de recordar tudo o que passamos – direi apenas que Harry salvou a vida de Draco e Draco salvou a vida de Harry, salvando, ao passo, a minha e a de Ron. Desde então ambos se limitavam a tratar-se com cortesia e a intercambiar um e outro comentário. Era possível que se suportassem mutuamente quando tinham que trabalhar juntos e, bom, McGonagall agradecia que não houvesse duelos em cada corredor onde se encontravam. Obviamente com Ron era outra história, tal parecia que seu antagonismo já vinha em seus genes. Inclusive o tratamento que Draco dispensava comigo havia mudado, deixou de me chamar "Sangue-Ruim" e agora se limitava a me chamar de Granger. De fato, antes de sair de férias tivemos um tipo de conversa sobre o mundo trouxa, pelo qual Malfoy parecia muito interessado.
- Um Malfoy sempre cuida da sua reputação – respondeu. E penso ir a Roma. Você deveria fazer o mesmo – disse a Harry.
- Ir a Roma ou me interessar por aqui?
- O primeiro. Há dois dias descobri o caixa-forte de meu pai...
- Eu sinto – respondi de imediato. Os pais de Draco haviam perecido na batalha, talvez não ele não fosse uma grande pessoa ou amigo, mas isso é algo que não se deseja a ninguém. Estar só e não ter ninguém no mundo é horrível até para ele. Agradeceu-me com o olhar e tomou assento.
- Como dizia, descobri o cofre de meu pai e encontrei uma série de documentos que resultaram ser contas de bancos no estrangeiro. Contatei o... – olhou para Alan, que não perdia detalha da conversa e olhava inquiridoramente para Draco, e em seguida olhou para Harry, que fez um gesto afirmativo com a cabeça, respondendo assim silenciosamente a pergunta sobre Alan ser trouxa. – ... o banco, para lhes perguntar o porquê de não terem me informado sobre essas contas e me responderam que isso não era assunto deles, tudo o que estivesse em outro lugar não lhes incumbiria.
- Então, felicidades – respondeu Harry. – Mas o que isso tem a ver comigo?
- A família Potter e a família Black, das quais você é o herdeiro universal, foram, segundo meu pai, as mais estáveis, importantes e renomadas em seu tempo, sem mencionar que são das poucas famílias de sangue-puro, portanto não é de se estranhar que tenham investimentos fora do país ou algum cofre em algum banco. Talvez os Potter não, mas os Black...
- Espera, você já não havia revisado a Mansão? – perguntou Harry.
- A que está a seis quadras da sua, não, até três dias atrás. Encontrou algo?
- Harry e eu estamos tornando-a habitável nestes últimos dias e não encontramos nada – intervi.
- Por que não pergunta ao seu... mordomo? ... Talvez ele saiba de algo.
- Em quanto a fortuna Malfoy está estimada? – perguntou Harry, com divertida provocação. - Porque se é verdade o que você me diz, creio que vou superá-lo com folga...
- Digamos que posso me permitir comprar todo o necessário para os times de quiddich das quatro casas do colégio... incluindo as vassouras. Tudo como presente de Natal.
- Ora, obrigado. Você é o patrocinador do esporte enquanto eu pago becas e a manutenção do colégio.
- Foi isso o que herdou? – perguntou Malfoy.
- Sim, Dumbledore me deixou sua fortuna, mas Hermione e eu decidimos usá-la para isso. Quando um aluno "impuro" não dispor dos recursos econômicos ou quando seus pais o desprezarem por ser diferente, utilizaremos os fundos de Dumbledore. E, claro, também é preciso pagar os empregados.
- Você deveria se unir F.A.L.E – lhe disse.
- Conte com minha doação. – Draco olhou de relance e se pôs de pé. – Foi um agradável diálogo, mas tenho que assistir "Iron Man". Você sabia que há umas salas grandes com muitas cadeiras, e de cujas paredes se projetam pessoas para narrar uma espécie de conto? – me perguntou.
- Sim – lhe respondi com um sorriso. – Chama-se cinema e exibe filmes.
- Bom, isso é brilhante. – Deu dois passos e voltou-se para nos ver. – Decerto, Potter, por que não vai dar uma volta pela loja de um tal "Armani"? Isso que está vestindo não cai bem.
- Não se preocupe, passarei por lá. Embora duvide que Calvin Klein vá desgostar da minha aparência.
Draco soltou uma risada e se foi.
- É necessário comprar Armani? – me perguntou. – Veja, não vou permitir que aquela asquerosa serpente ganhe de mim.
Homens! Por tudo têm que brigar.
- Tranquilo, a roupa que você comprou e algumas camisas são Armani. – lhe respondi e tive que dissimular meu sorriso com uma colherada de sorvete, ao ver que suspirava e relaxava. – Ele realmente mudou, não é?
- Ficar sem os pais muda qualquer um – foi sua resposta. Já não era estranho o fato que soubéssemos o que o outro pensava.
- Acha que seja possível...?
- ... que eu tenha contas no exterior? – Harry concluiu a pergunta por mim. Repito, não era estranho.
- Sim. Finalmente estamos falando da "antiga casa da família Black". Não me surpreenderia se houvesse passagens secretas e coisas do tipo – lhe sorri e ele me devolveu o sorriso, esse exibido em comercial de pasta de dente e que fez não apenas a mim e a garçonete, mas também a três outras garotas, suspirar.
- Você vem comigo? – perguntou ao se pôr em pé e enquanto tirava do bolso um par de notas para pagar.
- Hermione vai para casa comigo. – Ora, vejam! Alan estivera tão calado que inclusive eu me esquecera de que ele estava conosco. E também estava pálido, o que era compreensível, pois estivera se arrogando diante de Harry e acabava de se inteirar que ele era um herdeiro. – Depois de tudo fica a caminho da minha casa e sei onde é.
- Não acha que ela tem a capacidade de decidir? – o olhar de Harry agora, sim, mostrava seu descontentamento com Alan, praticamente o estava desafiando com o olhar a dizer outra coisa. Eu me senti nas nuvens. Sei que ele havia me protegido em inúmeras ocasiões, de objetos e criaturas muito mais perigosas que um simples ex-amigo, mas ainda assim o sentimento que inundou meu corpo foi incrível.
-Eh... sim... Hermione é inteligente – tartamudeou Alan. Incrível! Jamais imaginei que uma pessoa pudesse mudar tanto. Esse não era o Alan que eu conhecia e que considerava meu melhor amigo.
- Bom. – Harry assentiu com a cabeça. – Você vem comigo? – me estendeu sua mão e sorriu.
- Para sua casa? – lhe perguntei de volta, respondendo-lhe o sorriso e pondo-me em pé.
Harry negou com a cabeça e sorriu ainda mais. A garçonete derrubou o sorvete, as tipas que estavam atrás suspiraram, enquanto eu me limitava a segurar sua mão.
- Para Roma – respondeu.
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Dava graças a Merlin por nos permitir deixar Alan para trás. A euforia que eu sentia porque Hermione preferira vir comigo, embora não fossemos para Roma hoje, ainda não sai do meu sistema. Franzi o cenho conforme nos acercávamos da saída, pois havia muita gente detrás das portas automáticas de vidro, que não se atreviam a sair pois, ao que parecia, havia começado a chover. Amaldiçoei interiormente, a única coisa que mais queria fazer era chegar em minha casa, acender a chaminé, sentar-me no sofá com Hermione nos meus braços e beijá-la até deixá-la sem fôlego. Tinha um desejo tremendo de comer torta de abóbora...!
Estava pensando nos lábios de Hermione e seu delicioso sabor, quando de repente me bateram no meu braço direito. Chateado, me voltei para ver quem fora o responsável. Abrir os olhos com surpresa ao ver que era minha namorada postiça quem tinha a mão erguida.
- Por que fez isso?
- Porque você mereceu por estar paquerando a garçonete.
- Eu não...
- Sim, você sim. Olha que sorrir para ela daquela maneira... – negou com a cabeça e entrecerrou os olhos.
- Por Deus, Hermione! Eu não sorria para ninguém... Ai! – me bateu de novo.
- Isso foi por deixar que outro paquerasse e tocasse sua namorada debaixo de seu nariz.
- Pensei que era o que você queria – me defendi.
- Acha que eu gosto que me toquem?! Quem pensa que eu sou? – Agora estava usando os dois punhos.
- Chega, sim? – segurei as mãos dela e sorri ao ver sua cara aborrecida e ruborizada.
- Não se atreva a rir – me ameaçou.
- Ou o quê? – Por que eu não me dera conta do quão linda ela parecia ao estar assim toda irritada?
- Ou sequer saberá qual feitiço vou lançar. Deixar que me toquem!
- Ei! Você me apresentou ele como seu amigo, e me disse que não o via há muito tempo. E, caso tenha esquecido, foi você que saiu correndo para se jogar nos braços dele.
- Sim, mas...
- Além do mais, o que faz você pensar que eu não estava desejando cortar as mãos dele?
- O fato de não ter se dirigido a ele e não ter feito nada – me disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
- Pensei que você não gostaria que eu fizesse algo.
- Mas, por mais que ele tenha provocado, você não se alterou. E me deixou sozinha para que respondesse suas perguntas! Sabe o quanto me custou inventar como nos conhecemos?
- Eu teria dito a verdade.
- Sim, claro – rodou os olhos – "Tenha em mente que ele me salvou de um trasgo que havia se metido no banheiro das meninas".
- De fato, Ron e eu o aprisionamos lá – disse à ela, como quem não quer nada.
- Viu!
- Não disse nada porque estava muito ocupado contando até dez para controlar minha raiva. Cheguei até 500. – Ela abriu os olhos em surpresa. – Claro que contei de 10 em 10.
- Então...
- Então... – acerquei-me dela e tomei-a pela cintura. – Se da próxima vez alguém tocá-la lanço-lhe um Crucio...? – aproximei meu rosto do seu.
- Não o impedirei sempre e quando eu possa lançar um Crucio em qualquer garçonete que sorrir para você.
- Feito.
- Feito. – E a beijei. E o mundo começou a girar, mariposas dançavam em minha cabeça, meus olhos tremiam e o desejo de me aproximar mais e saboreá-la intensamente cresceu. Poderia passar o resto da minha visa saboreando-a. Estava a ponto de explorar sua boca com minha língua quando um trovão nos devolveu à realidade e ao lugar onde estávamos. Ruborizados e com a respiração entrecortada nos separamos.
Sorrimos um para o outro e caminhamos até as portas. A chuva que caia não era tão forte, era constante e de gotas finas. Segurava a mão de Hermione na minha e me voltei para lhe perguntar o que queria fazer, se ficarmos onde estávamos ou procurar um lugar dentro do centro comercial para poder aparatarmos. Ela ergueu os olhos para encontrar os meus e um brilho malicioso e divertido cobriu seu olhar.
- Você já brincou alguma vez na chuva, Harry? – me perguntou com um sorriso.
- Não – lhe respondi. E era verdade, as vezes em fiquei na chuva foram porque, de alguma forma, meu primo dava um jeito de me deixar do lado de fora, e quando conseguia entrar, tia Petúnia não me permitia trocar de roupa, então eu passava o tempo todo com a roupa úmida e tremendo de frio.
- Bem, pois esta é sua oportunidade. – Ela me sorriu e me puxou para fora, e, correndo, chegamos a um parque a duas quadras de onde estávamos.
- Vem. – me puxou pela mão e paramos em meio de um espaço iluminado, ela fechou os olhos, jogou a cabeça para trás e esticou os braços, deixando que a chuva a empapara. Eu me limitei a vê-la.
A água fez com que a roupa e o cabelo colassem no rosto e no corpo. De repente, ela começou a rir a dar voltas, foi inevitável e comecei a rir também; ela parou, me fitou, segurou minhas mãos e me fez girar com ela. Com cada volta que dávamos os risos se faziam mais fortes e eu me sentia em paz, livre, feliz...
Ela me puxou pela mão e me fez pular nas poças, os sapatos se enchiam de água, assim como as meias, mas não importava... não importava em nada. Pusemo-nos a esparramar a água das poças, rindo todo o tempo. Em uma tentativa de tirar a água do meu rosto, sacudi a cabeça como o fazem os cachorros.
- Está errado – me disse. – Você tem que fazer com estilo. Assim... – sacudiu sua cabeça como se seguisse o ritmo de uma canção.
- Está louca – lhe disse entre risos.
- Então... – me estendeu a mão – Torne-se louco comigo. E vamos dançar.
Gritamos. Corremos. Dançamos. Saltamos. Rimos...
E enquanto a via rindo, com o cabelo, liso pela água, colando na face, com seus olhos café brilhando, com suas mãos estendidas em um mudo convite para que me aproximasse... meu sorriso apagou-se de golpe... Lentamente me acerquei à ela, tomei seu rosto em minhas mãos e a beijei.
Beijei-a de uma forma totalmente diferente. Não foi terno como outras vezes, não foi lento... a obriguei abrir a boca e a beijei o mais profundamente que pude... foi forte, intenso... pois me dera conta de algo.
Enquanto ela ria e eu esquecia do mundo e da minha vida, enquanto não me importava com mais nada e enquanto a chuva caia lentamente e me encharcava a roupa... me dei conta...
De que estava total e completamente apaixonado pela "Minha Namorada Postiça".
Lluvia cae lentamente sobre mí
Que más da si contigo soy feliz
Ay ay ay ay ay me estoy
Enamorando
Lluvia cae lentamente sobre mi
Es igual tengo ganas de reír
Ay ay ay ay ay me estoy
Enamorando
Nota da Tradutora: Et voilà! O capítulo seis deu o ar de sua graça! Então, o que acharam da versão Draco-chegou-na-hora-mais-que-oportuna-Malfoy? E Harry-quase-sempre-tapado-Potter percebendo que arriou as quadro trações por Hermione? Agora sim! Ou será que não? Essa e outras dúvidas serão respondidas, a seu tempo, nos próximos episódios de sua novela mexicana favorita. Não perca!
A saber: a música acima é do Enrique Iglesias, "Lluvia cae".
Abração e agradecimento aos reviewsadores Kah Aluada, Nickley, jessicajosino, Irah-After-All-This-Time (Também me pergunto por que assistimos The Walking Dead depois de tanta derrapada roterística nessa terceira temporada, mas aí eu lembro que preciso colocar o Rick no tronco, dançar gangnam style com o Daryl e paquerar a katana da Michonne, e volto a 'zumbizar' a série. Né só isso, tem mais alguma coisa do tipo "série de macho com M de mulé", mas tá valendo, ahuahaua!), Anônimo-que-adora-novelas-mexicanas, Jessy Pinheiro, Nick Granger Potter, L. Midnight, Mrs Granger Potter, Rizz, GabiBocardi, Lis Martin e Shmara Stefany... esqueci alguém mais? Acho que não (?). E a você, leitor que acompanha a história, embora não comente, o meu muito obrigado e abração.
Até o próximo capítulo!
P.S.: Não revisei, estou com preguiça de revisar e, no que depender da minha "empurração de barriga", jamais revisarei. Logo, esqueçam que viram qualquer errito. ;)
Inna Puchkin
