Ponteiros desajustados


Capítulo 6


- Neji, onde estava? – A senhora Hyuuga perguntou assim que Neji pôs os pés para dentro da casa.

- Ai, dona Himawari, eu só estava com Tenten e a mãe dela – respondeu despreocupado.

- Tenten? É a garota do dia da corrida, não? A mocinha que mexe com carros...

- Essa mesmo – deixou os materiais na sala de estar e dirigiu-se para a cozinha, com a mãe em seu encalço.

- E como está a jovem? – A mulher se interessou.

- Está bem encrencada.

- O que houve? Ela está bem, querido?

- Sim, está, mãe. Mas foi por pouco que não se arrebentou antes de ir para casa.

- Por quê? Houve algum acidente?

- Não, acidente nenhum. Uns quatro caras estavam comprando briga com... Ah, com ela.

- O quê?! Mas por quê?

- Ah, acho que não vão com a cara dela, sei lá – disse, já preparando seu prato de comida para jantar.

- E desde quando isso é motivo?! – A mulher espantou-se.

- Ah, mãe, você conhece o tipo. Qualquer coisa é motivo.

- Ainda acho muito errado - ela comentou, também se servindo da própria comida. – Mas, então, o que exatamente aconteceu?

Neji começou a contar em que situação havia encontrado Tenten e toda a história. No meio da narrativa, o pai chegou do trabalho e, ao juntar-se à conversa, quis saber mais sobre o assunto, obrigando Neji a recomeçar.

Ao fim da historieta, os pais estavam inconformados.

- Mas é realmente muita covardia enfrentar uma pessoa sozinha quando se está em quatro – Hizashi comentou.

- E tudo isso é pela forma como ela se veste? – Himawari parecia ainda não acreditar naquilo.

- Acho que é, mãe – Neji respondeu, prestes a levar o garfo à boca. – Mas acho que também é pelo jeito dela e o tipo de coisa que faz.

- Você disse que ela é extremamente educada na escola e que ela raramente conversa com alguém. Como podem se incomodar com o jeito dela? Parece-me uma pessoa pacífica – o pai defendeu.

- Ah, eu sei lá, pai. Ela é diferente...

- Neji – a mãe o chamou. – As pessoas são diferentes umas das outras. O mundo seria chato se fôssemos iguais. Ser diferente não é razão para ser maltratado.

- É, eu sei... – Estava ficando já sem graça com aquela conversa. De alguma forma, sentia que o sermão não era só para os outros, mas para ele também.

- Eu queria conhecer essa moça – a única mulher da casa comentou alegremente.

- Também fico curioso sobre ela, Hima – o patriarca concordou.

- Deveríamos convidá-la um dia, não é, Hizashi? – Divertiu-se com a possibilidade.

- Ei, eu ainda estou aqui! – Neji elevou um pouco o tom, ligeiramente transtornado.

- Algum problema com isso? – A mãe perguntou.

- Eu nem conheço ela direito! Como é que eu vou explicar que os doidos dos meus pais querem conhecê-la do nada?!

- Não estamos dizendo para chamá-la hoje mesmo. Só estamos sugerindo que, se houver oportunidade, não a perca – a mãe sorriu delicadamente.

- Ai, tudo bem, tudo bem – deu-se por vencido.

~0~

Ela estava sentada nos degraus da entrada da escola, sem os materiais escolares, já os tinha deixado no lugar. Chegara cedo naquele dia e, sem mais o que fazer, mirava o chão sem muito interesse. Tentava lembrar quantas vezes se vira obrigada a fazer o que tencionava fazer. Poucas, essa era a resposta.

O dia estava quente, mas ela não abriu mão da jaqueta grande que escondia seus dotes femininos e da calça moletom que não deixava nem o contorno das pernas à mostra.

Estava distraída, então não percebeu quando uma jovem loira inclinou em sua direção, derramando parte do conteúdo de um copo nela.

- Ah! – Assustou-se e levantou rápido, observando o líquido já ser absorvido pelo tecido.

- Ora, perdão – Nika falou, buscando o máximo de contato visual. – Que descuido o meu, tropeçar e derrubar todo esse suco em você. Ah, mas veja o lado bom, pelo menos agora deve estar mais refrescada.

Tenten não respondeu nada, somente devolveu o olhar à outra, sem raiva ou rancor, apenas incompreensão. Ficou ali parada ainda um tempo, aquietando a respiração afoita, enquanto Nika e seu salto fino adentravam no colégio, fazendo um barulho alto a cada passo.

Balançou a cabeça e seguiu também para o interior do prédio, rumo ao banheiro feminino. Lá, fez o que pôde para lavar e secar o estrago feito.

Tirou o boné e deixou o cabelo escorrer pelos ombros, enquanto tirava o melado da peça. Olhou no espelho e puxou umas mechas molhadas do cabelo. Suco. Se não tirasse aquilo, logo secaria, fazendo os fios grudarem-se uns aos outros. Mas, se lavasse, teria que usar o cabelo molhado por debaixo do boné e ele acabaria mofando ali. Acariciou os fios, completamente desgostosa. De qualquer forma estragaria o cabelo e ela não queria isso. Gostava dele. Era tão simples, tão castanho, mas ainda assim gostava tanto dele. Suspirou, fechando os olhos. Quando os abriu, assustou-se com uma garota que apareceu atrás dela.

A garota, pelo que notou, também se assustou com ela, pois estava com os olhos arregalados. Resolveu conversar para quebrar o clima estranho.

- Oi, desculpe ter te assustado – começou, com um sorriso alegre enfeitando a face.

A garota ficou sem graça, mas se apressou em falar.

- Não, não. É culpa minha mesmo. Me assusto fácil.

- Eu deveria mesmo ter escolhido um lugar menos usado para me limpar – sorriu.

- O que houve? – A outra perguntou sem pensar.

- Derrubaram suco em mim... Molhou até o cabelo que estava por baixo do boné – olhou mais uma vez com tristeza para os fios.

- Precisa lavar.

- Não daria tempo de secar para pôr o boné de volta.

A outra pareceu pensar uns instantes e logo saiu apressada do banheiro:

- Não vá embora! – Disse ao fechar a porta.

Tenten olhou para o lugar por onde a jovem saíra. Pelas crateras na Lua, o que teria sido aquilo? Mas, antes que pudesse pensar de verdade sobre o fato, a garota estava de volta, abrindo a porta com um estrondo absurdo.

Ela segurava uma mochila, estava um pouco suada e arfava levemente. Tenten ficou confusa por uns segundos, até que a moça se aproximou da pia do banheiro e começou a revirar dentro da mochila, que apoiou ali. Em segundos, seu rosto se iluminou.

- Agora dá tempo – sorriu, tirando um secador pequeno da mochila.

Tenten só pôde rir e agradecer.

Saiu do banheiro de cabelos limpos e secos, feliz por aquela moça louca ter aparecido com o secador. Com certeza não havia muitas pessoas com o hábito de carregar aquele objeto entre os pertences da escola.

Os corredores estavam cheios, mas ela logo viu quem esteve esperando.

- Neji! Ei, Neji!

Ele precisou olhar um pouco em volta até encontrar quem o estava chamando.

- Tenten – ele a cumprimentou, simplesmente dizendo seu nome. – O que foi? Estava me procurando?

- É, eu acho que estava...

- Agora me encontrou. Pode falar – ele voltou a andar, sendo seguido por ela.

- Bem, eu estava pensando, não me sentiria bem se você me levasse para casa de graça, então eu só queria dizer que prefiro pagar pelo menos a gasolina.

Ele pensou um pouco antes de responder:

- Você é orgulhosa, não é?

Ela corou. Não era o tipo de coisa que esperava ouvir.

- Não é essa a questão... – respondeu cabisbaixa.

- Eu aposto que é – ele retrucou. – Olha, eu acho que tenho uma ideia melhor do que você pagar.

- E o que seria? – Perguntou curiosa.

- Você não tem com quem fazer os trabalhos, certo?

- Ah, mais ou menos. Eu não tenho com quem fazer, mas porque eu preferi fazer sozinha.

- Pois bem, geralmente eu também prefiro fazer sozinho, mas ultimamente tem ficado difícil. É muita coisa para uma pessoa só.

- E daí?

- Se você for meu par nos trabalhos, vai estar me fazendo um favor maior do que se me pagasse.

- Mas eu também estaria me beneficiando desse pagamento.

- Ossos do ofício. Vamos, eu preciso de ajuda com isso. Outras pessoas já têm com quem fazer e não vão desmanchar seus grupos. E, bom, tem gente com quem eu não quero fazer.

- Ah, se é assim... Tudo bem.

- Ainda bem, achei meu parceiro.

- Parceira, Neji – ela o corrigiu.

- Ah, desculpe.

- E tem mais uma coisa.

- Pois diga.

- Realmente obrigada por ontem. Eu estava mesmo cansada daquilo, se você não tivesse aparecido...

- Se eu não tivesse aparecido, aqueles caras iam levar uma surra e você ia ter alguns arranhões pra sua mãe cuidar. Eu não sei de quem foi a pele que eu salvei de verdade.

Ela sorriu e eles foram para a sala de aula, onde Neji pôde mudar de lugar, para ficar mais próximo da janela e das coisas próximas da janela.


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Olá, você :3! Tudo bem?

Eu estou um caco! Cada professor vem com um textinho de cem páginas para a semana seguinte e isso já está me matando. Enfim, ninguém quer saber da minha vida pessoal, o causo aqui é outro.

Ah, eu acho a primeira parte deste capítulo completamente inútil, mas, por alguma razão que Freud não explica, eu acho fofinha e acabei, apesar das minhas ganas de mandá-la para o limbo, mantendo-a viva. Sim, eu fui fraca. Paciência, né? Até porque se alguém desgostar agora é tarde para eu me arrepender mesmo xD!

Eu não sei se alguém se incomodou com isso, mas eu fiz uma cosita nesta fic que talvez possa ser chata para alguns: eu criei personagens secundários OC ao invés de aproveitar os personagens do anime/mangá. Eu sei que é uma coisa que parece sem nexo já que tem opções até demais para escolher, mas eu simplesmente não achei ninguém que correspondesse exatamente ao que eu queria, então eu tive que inventar mesmo. Sinto muito se vocês não gostaram da Nika, da garota do banheiro (mais tarde ela volta e com nome) e outras possíveis aparições. Eu espero que eles possam conquistar vocês com o tempo, mas, como ele é curto no caso dessa história, já vou adiantando as desculpas.

Isso me lembra: sim, eu mudei o sobrenome padrão que dão para a Tenten. Motivo: eu detesto aquele Mitsashi. Quatro anos estudando japonês e eu nunca ouvi o fonema TSA. Ainda bem, porque eu detesto o som que isso tem... Tsa, nossa, para mim parece aquele som cuspido que as pessoas fazem quando estão contrariadas. Enfim, eu acabei escolhendo um sobrenome chinês que, segundo minhas fontes, tem um significado que, na minha opinião, caiu bem para a Tenten da fic: velocidade. Só posso me desculpar caso ele não tenha colado para vocês. Mais uma vez vamos exercitar a fina arte da paciência.

E aqui estou eu de novo escrevendo mais para mim mesma do que para quem quer que esteja lendo. Ah, maus hábitos, por que vocês não me abandonam? Enfim, acho que vou sair de fininho agora... Sabe como é, trabalhos para terminar, textos grandes para ler, resumos por fazer, essas coisas.

Besitos