Cap 4 – Hysteria
Hinata acordou no meio da noite com o corpo endurecido. Os músculos dos ombros e pescoço estavam tão tensos que ela mal conseguia virar a cabeça.
Naruto dormia esparramado pelo chão aparentemente em um sono tão profundo que o chão não era incômodo. Tinha um lado do corpo para fora da colcha com que Hinata havia lhe coberto. Uma das mãos jogada sobre o tronco da menina e o nariz fino a centímetros do pescoço da mesma.
O perfume dele era tão envolvente que a vontade da morena era ficar ali apenas sentindo-o. Queria continuar sentindo as sensações engraçadas que Naruto provocava a seu corpo, mas sabia que era melhor ir para o quarto. Separar-se dele, do seu calor, de seu perfume, de sua mão grande esparramada sobre ela.
O elegante relógio sobre a cômoda lhe informava que em breve amanheceria.
Ela se levantou, esticando bem os músculos. Olhou para a porta de seu quarto vazio e voltou o olhar para o homem deitado perto de seus pés.
Por mais que sua mente gritasse para ir para o quarto seu corpo se recusava a obedecer. O loiro lhe atraía como um imã.
Hinata se ajoelhou, encarando as pálpebras que escondiam os olhos azuis que tanto lhe atraía. Com as pontas dos dedos fez todo o contorno do rosto loiro, passando pelo nariz e parando sobre os lábios.
Enquanto brincava com os dedos sobre os lábios do rapaz, Hinata deteve sua atenção nas estranhas cicatrizes de cada lado do rosto dele. Seriam de nascença? Seriam de uma briga? A segunda opção fazia mais sentido.
Naruto resmungou algo incompreensível sob o toque dela, o que a fez rir.
Hinata depositou um selinho nos lábios e começou a arrastar a ponta do nariz pelo pescoço dele, enquanto suas mãos desciam para o peito.
Ele era tão quentinho e sua presença a deixava tão relaxada, que ela sentiria falta quando ele se fosse. Porque ele iria embora e essa era a única certeza que tinha no relacionamento forçado deles. E pensar isso a entristeceu.
A hyuuga parou imediatamente as carícias que estava fazendo, recompondo as idéias. O que, diabos, estava fazendo? Querer começar uma brincadeira da qual sairia sentimentalmente machucada era, no mínimo, masoquismo.
Se a relação com ele era estritamente profissional, fazer carinhos e se aconchegar nele não fazia sentido.
- Ahn, eu estava gostando – reclamou uma voz sonolenta, que fez Hinata paralisar de choque.
Ele estava acordado!
A mente de Hinata se esvaziou e de repente ela se esqueceu de como se respira.
- Hinata? – ele levantou um pouco a cabeça para encará-la – tudo bem? Você está pálida.
Ela assentiu com os olhos desfocados e não conseguindo pronunciar uma palavra sequer.
Ele tocou seu rosto preocupado e a face lívida de choque gradativamente deu lugar a uma face completamente rubra.
- Está com febre? – perguntou ele com a mão em sua testa.
- N-não. – ela afastou a mão dele – Estou bem. – se levantou com rapidez e seguiu para a cozinha.
Naruto perguntou novamente se ela estava bem. Ela fez que sim. Ele perguntou onde era o banheiro. Ela apontou com o indicador. Ele perguntou se ela morava sozinha. Ela confirmou com a cabeça. Evitava ao máximo falar e encará-lo, mas ele agia tão naturalmente que a fez pensar se ela não estava tendo mais uma de suas reações exageradas.
Hinata tirou uma garrafa de suco de laranja e tofu da geladeira e colocou em cima da mesa. Colocou pão na torradeira e seguiu para sua suíte enquanto Naruto ainda estava no banheiro.
Ela lavou o rosto várias vezes seguidas, escovou rapidamente os dentes e prendeu o cabelo num rabo de cavalo. Ainda vestia a roupa da noite anterior, mas achou melhor trocá-la somente depois de tomar banho.
Voltou a cozinha e Naruto já estava sentando em uma cadeira e lhe sorrindo. Ele estava descalço e sem camisa e com os cabelos levemente umedecidos.
Hinata repreendeu o tremor interno que sentiu, como se brigasse com o próprio corpo por responder aos gestos de Naruto.
- M-me desculpe se eu o acordei.
- Não tem problema. – disse ele, procurando pelas pérolas que eram os olhos dela – Fique a vontade para me molestar enquanto eu durmo. – brincou, mas isso fez Hinata recuar um pouco mais.
A torradeira apitou e a jovem passou com um relâmpago pelo loiro para as torradas não queimarem e, claro, para evitar estar de frente para ele. Mas de repente ela sentiu duas mãos fortes se fecharem em sua cintura e um queixo firma se posicionar no topo de sua cabeça.
Ela se sentiu ainda mais baixinha perto dele.
- Você fica tão bonitinha quando acha que fez algo errado.
Sentiu o prato ser arrancado de suas mãos e abruptamente ser obrigada a estar de frente a ele.
- Não consigo mais me segurar – disse e tomou-lhe os lábios, que foram oferecidos sem resistência.
E ela queria tanto aquilo que não reclamou quando Naruto desceu as alças de seu vestido e depositou um beijo em seu colo enquanto as mãos passeavam sobre as suas coxas.
Sentindo todos os pêlos de seu corpo se eriçarem, ela prendeu a cabeça do loiro entre as mãos e mordiscou-lhe o lábio inferior várias vezes até tomar-lhe novamente os lábios num beijo ousado.
Naruto despiu-a completamente enquanto de beijavam e a ergueu pela cintura, sentindo seu quadril ser enlaçado pelas grossas pernas dela.
Seguiram esbarrando e derrubando tudo o que entrava na frente. Naruto se direcionava para a sala, mas ouviu um muxoxo de protesto da jovem.
- O quarto é para lá – apontou sem parar de beijá-lo e sentindo-o seguir para a direção que indicara.
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- Quer que eu faça um café?
- Não, obrigada.
- Quer... algo para comer?
- Não, obrigada.
- Quer... que eu faça carinho em você?
- Não.
Ele fez um biquinho frustrado.
- Não tem nada que eu possa fazer por você? – perguntou dengoso enquanto fazia rodinhas na barriga suada dela com a ponta dos dedos.
- Estou bem, Naruto-kun.
Hinata chegou a conclusão de que Naruto devia ser duas vezes mais carente que ela. Ela, pelo menos, tinha uma muralha erguida em volta si, assim escondia seus sentimentos perfeitamente bem. Já ele, clamava por atenção em todos os seus gestos.
Talvez se não fosse essa maldita carência ela não derreteria a cada roçar dele sobre ela e poderia se concentrar mais em seu trabalho.
- Eu queria ficar mais tempo com você. – disse ele abraçando-a.
- Tem mesmo que ir? – perguntou achando que seria a coisa certa a fazer. Estava tão confusa que não sabia realmente se queria que ele fosse ou que ficasse. Se ele ficasse, ela se sentiria aconchegada. Se ele fosse, seu coração pararia de martelar dolorosamente. As duas opções pareciam tão boas que se Naruto não decidisse o que queria, ela teria que apostar no "cara ou coroa".
Ele assentiu e se ergueu.
- T-tem tempo para ...err... um banho? – perguntou sem jeito.
Ele percorreu os olhos pelo corpo da pequena tão firmemente que fez com Hinata se cobrisse apressadamente.
- Não me olha assim – disse em protesto, com a face escarlate.
Suas feições e voz soaram tão infantis que Naruto lhe apertou as bochechas.
- Ei! – protestou com falsa irritação.
- Você fica muito bonitinha quando está com vergonha.
Naruto entrou para o banheiro da suíte e Hinata disse que iria pegar uma toalha para ele e logo o encontraria. Enquanto isso a jovem rapidamente foi até o guarda-roupa e retirou do fundo falso uma maleta preta. Destravou-a com o segredo do cadeado que possuía e tirou de lá um pinça e um pote de algum creme anti-rugas.
- Onde eu coloco isso? – disse abrindo o pote e tirando de lá um pequeno chip, um micro GPS. – a blusa e a calça ele deve lavar quando chegar em casa... o sapato... o celular – quase gritou, quando avistou o objeto jogado ao pé da cama.
Com a ajuda da pinça, grudou o pequeno aparelho, parecido com uma pedrinha cinza, na parte inferior do aparelho, próximo a abertura do flip. Mexendo rapidamente pelo menu, achou o número do celular e o anotou em um de seus 5 celulares guardados na gaveta, também protegida com senha. Anotou também as últimas chamadas efetuadas e recebidas.
Quando entrou no banheiro deu de frente com uma cortina de vapor e viu um Naruto muito relaxado sentindo a água do chuveiro percorrer seu corpo.
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- É uma pena mesmo eu ter que ir. – disse ele com dificuldade, pois tinha uma torrada pendendo na boca.
- Eu entendo. – respondeu Hinata em frente a ele na soleira da porta.
- Ah, já ia me esquecendo... sua faca – disse mostrando o objeto que usara para passar geléia na torrada e momentaneamente esquecera que estava em sua mão.
Hinata levantou as mãos alguns centímetros para pegá-la, mas Naruto foi mais rápido. Jogou a faca como se fosse um dardo, acertando em cheio o pedaço de tofu imponente em cima da mesa.
Imediatamente Hinata enrijeceu. Estavam a uma distância razoável da mesa e mesmo assim ele acertou.
Uma pontaria perfeita e uma precisão quase cirúrgica é motivo suficiente para entrar em alerta. Sentiu os músculos eletrizarem, a respiração falhar e o suor se formar em sua testa.
- Ah, já ia me esquecendo. – disse ele novamente, com um sorriso de canto que a menina não identificou e dando-lhe um selinho. – tenha um bom dia.
Hinata o olhou desconfiada até o mesmo sumir pelo corredor.
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Estava inquieta demais para ficar em casa e resolveu visitar a amiga, já que esta não dava sinais de vida. Ao chegar a casa viu que a porta estava aberta. E quando entrou a primeira reação que teve foi de choque.
- Sakura? – chamou receosa, olhando a casa revirada.
Tudo estava ao chão, objetos, móveis. Havia estilhaços de vidro em todos os lugares e as costumeiras fotos que enfeitavam a sala da amiga estavam todas rasgadas.
Hinata sentiu um aperto no peito ao juntar pedaços de uma das fotos. Era ela e Sakura rindo abertamente para a câmera. Um sorriso de orelha a orelha que Sakura direcionava a poucos. Estavam comemorando o ano novo na casa do irmão de Sasuke, como costumavam fazer. Apesar de se sentir um pouco deslocada, era divertido. Itachi e sua "trupe" sempre tentavam embebedar Hinata e dar em cima dela. Sakura sempre vinha em proteção da amiga e sempre ouvi horas de reclamação de Itachi por isso.
- Sakura-chan? – chamou mais alto, com os músculos endurecidos e um aperto doloroso na garganta.
Saiu da sala em direção ao quarto e não viu ninguém. Chamou repetidas vezes pela amiga e nada. Aquela voz doce, autoritária e alta que adorava ouvir pelas manhãs estava calada. Só havia o silêncio. Pavoroso. Pavoroso, demais. Esse maldito silêncio fazia Hinata imaginar mil coisas que poderia ter acontecido à amiga. E imaginar isso aumentava o aperto na garganta, fazendo-lhe sufocar.
Quando entrou no banheiro viu a amiga sentada a um canto. As pernas encolhidas, o corpo arranhado, o cabelos sempre tão bonito e arrumado estava embaraçado e olhar perdido fitava a janela desfocadamente.
Hinata a envolveu cautelosa com seus pequenos braços.
- Sakura-chan? – chamou preocupada.
- Oi Hinata – sorriu dolorosamente – não vi você chegar.
- O que houve?
- Nada. Só preciso de tempo para me reerguer.
- Não! – Hinata a cortou – quero saber o que está acontecendo.
Novamente não obteve resposta.
- Alguém entrou aqui?
A amiga negou para o alívio da menina. Ela não havia sido atacada.
- Então... foi... foi você quem fez isso?
- Eu me lembrei de Sasuke e... me irritei. – ela hesitou na última palavra.
Sakura e Hinata sempre trocavam ofensas, mas era brincadeira. Sakura sempre a chamava de anti-social e a morena sempre a chamava de histérica. Mas nunca, nem por um momento, passou pela cabeça de Hinata que a amiga teria realmente um ataque de histeria.
Ela estava tão bem nos últimos dias, apesar de visivelmente sentir falta do ex-namorado. Mas isso era normal, certo?
De repente a culpa fez a hyuuga sentir o estômago despencar e sentir um gosto amargo na boca.
Hinata era a melhor amiga dela e não reparou uma única mudança no jeito da amiga. Estava sempre a incomodando com a história de Naruto e nem uma única vez perguntou à amiga como a mesma se sentia.
Será que Hinata não acertaria nunca?!
Sentiu a amiga encostar-se em seu ombro.
- Me desculpe por não ter te ajudado. – disse à amiga.
- Não foi sua culpa.
- Mas... eu... se eu soubesse que você não estava bem... eu passaria uns dias com você aqui...
- Talvez sim, talvez não... quem sabe?!
Hinata a encarou decepcionada. Aquela não era sua amiga. É impossível alguém ficar nesse estado por causa de um homem, não é?
- Sakura-chan, você tem que sair e conhecer outras pessoas.
Esse a típica frase clichê que Hinata odiaria ouvir se a situação fosse inversa, soa como "você está horrível e estou com pena de você". Mas no momento foi a única coisa que conseguiu pronunciar. Nunca fora boa em consolos.
- As outras pessoas são sem graça perto dele.
De repente Hinata se ergueu irritada.
- Vou falar com ele.
- O quê?! – exclamou Sakura assustada. O que causou um certo alívio em Hinata, pois essa foi a primeira expressão "viva" que a amiga esboçou. O estado catatônico da rosada estava deprimindo as duas.
- Vou conversar com Sasuke.
- Não, Hinata. Ele não vai te ouvir.
- Eu vou tentar. – falou decidida – Você não pode continuar do jeito que está e já que é somente ele que você quer...
- Eu pensei bastante sobre isso. Vou tentar uma última vez antes de desistir.
Hinata sorriu e abraçou a amiga.
- Se esforce bastante. – disse à amiga, mas essa não devolveu sorriso nem respondeu.
Passou o resto do dia com a amiga e a noite foi para casa. Sakura insistia que estava tudo sobre controle. Até aparentava estar mais animada.
Quando chegou a casa, verificou com o notebook se o GPS de Naruto ainda respondia. Sim. E o mesmo indicava que o rapaz vagava pela região norte da cidade de Tóquio. Um lugar não muito convidativo e amigável, o que fez a jovem pensar que assuntos o loiro teria naquele tipo de lugar.
Pela manhã, antes de trabalhar, Hinata ainda revisou metade dos relatórios que pegara antes do fim de semana. A hyuuga acordou por volta das 4h da madrugada e não conseguira voltar a dormir. Então decidiu adiantar parte de seu trabalho.
A metade do dia que passou no "escritório" fora aproveitado para analisar as informações que tinham sobre seu alvo.
Pelo que Hinata leu, ele não era réu primário.
Continuou a leitura, observando atentamente o loiro pelas fotos tiradas do banco assaltado no último mês. Era seu loiro, sem dúvida.
Seus crimes incluíam assalto a bancos, sonegação, falsificação ideológica. E conseguiu ser absolvido de todas as acusações.
Malditos bandidos. Dava um trabalho imenso prendê-los e depois de tudo ainda conseguiam subornar, fugir ou ser absolvido. A verdade, por mais injusta que seja, é que os ricos não ficam presos.
A Hyuuga leu o nome do juiz envolvido com o caso de Naruto e concluiu que houve "troca de favores" em todos os casos. O juiz em questão era bastante suspeito e também estava sob investigação.
Seus crimes ainda eram pequenos. E isso fez algum sentido em sua mente. Não era possível alguém carinhoso e tranqüilo como ele cometer crimes cruéis. Hinata se concentrou na ficha em suas mãos para parar de pensar no que não devia. Se tem uma coisa que aprendeu na pouca experiência de vida que tinha era que as aparências podiam enganar.
Hinata afastou a franja para "deixar a testa respirar". A testa estava pingando de suor. Apesar do frio que aumentava gradativamente enquanto novembro ameaçava entrar.
A jovem desceu o olhos pela ficha até chegar em um ponto que lhe chamou a atenção. Ao lado de uma foto 3x4 com a face que já conhecia estampada estava algo que deveria ter dado mais atenção, mas em sua primeira leitura, Hinata fez questão de pular por pensar não ser importante.
Nome de batismo: Uzumaki Naruto.
Uzumaki. Conhecia esse sobrenome. Sim, tinha certeza. Ouvira muito esse sobrenome em sua infância.
Pai, dono de uma empresa peças para armamento bélico.
Hinata se interessou. Era o mesmo ramo da empresa de seu pai.
Na cidade de Chiba.
Seu interesse se transformou susto. Era o lugar onde morava com a família antes dela se emancipar aos 18 anos e se mudar para Tóquio.
O rosto da jovem se tornou instantaneamente lívido.
Sim, agora se lembrava. Os Uzumakis eram amigos de seu pai. Trabalhavam juntos, mas Hinata era muito pequena para se lembrar de detalhes, além do que nunca se interessou por assuntos da empresa.
Sua história e de Naruto estavam mais entrelaçadas do que ela jamais imaginou.
Mas quem era ele? Nunca vira Naruto antes. Se conhecia os pais, porque não se lembrava do filho?
Hyuuga Hisashi, seu pai, saberia lhe contar mais detalhes.
A jovem arrepiou dos pés a cabeça. Há mais de 5 anos não aparecia em casa e agora teria que fazê-lo se quisesse saber de mais detalhes. E a última vez que ligou para a casa foi há meses atrás para dar notícias. Nunca prolongava as conversas.
Olhou rapidamente o porta-retrato em sua mesinha. Na foto estava uma Hinata muitos anos mais jovem com uma impaciente menina no colo e ao lado de um menino um pouco mais alto com cabelos castanhos e compridos. E atrás de todos estava um homem sério e imponente. Todos possuíam os mesmos olhos que lembravam uma lua cheia.
Aquela foto foi o único consolo que teve nas solitárias noites de Tóquio.
- Hinata-san, Tsunade-sama quer vê-la. – uma voz masculina a tirou de seus devaneios.
- Ahn, já vou. Obrigada, Sai-san.
Hinata o observou sair e fechar a porta. Ele possuía um sorriso cínico que Hinata odiava, além de ser pretensioso. Sempre tomava cuidado para seu contato com Sai ser o mínimo possível.
Ela passou pelos corredores cheio de portas que davam a "escritórios" de outros agentes como se desfilasse, virando a esquerda no fim do mesmo se deparou com uma imensa sala com várias mesinhas e pessoas por detrás delas. Olhou Sai sentado em uma das mesas com os olhos apertados. Ele riu de lado e acenou.
Sem retribuir ela seguiu para o elevador e em pouco tempo estava na sala da chefe.
Assim que entrou deu de frente com a chefe a observando atentamente com os olhos castanhos e Sakura a olhando apreensiva com as mãos ao lado do corpo. Estava tensa.
- Ela não tem culpa. – Sakura se limitou a dizer.
- É tão irresponsável quanto você. – disse rudemente a chefe.
As duas jovens se encolheram.
- Então o que tem a me dizer – a loira virou-se para Hinata.
A menina abriu e fechou a boca várias vezes sem saber o que responder.
- Eu insisti para que ela trocasse de missão comigo. – Sakura disse novamente.
- Vocês duas tem noção da confusão que podem arrumar?! – vociferou a chefe.
A chefe brigou tanto que Hinata se perdeu no meio da bronca dela. Só voltou a si quando a palavra "suspensão" foi dita.
- Eu deveria mesmo suspender vocês. – continuou a loira – Contudo, perderia duas agentes e dias valiosos no caso.
Sakura e Hinata trocaram um olhar cúmplice antes da chefe voltar a falar.
- 023, conte-me o que descobriu.
- Bem, ainda é muito cedo para suposições. Não descobri muita coisa sobre ele. – respondeu a Hyuuga. – mas estou monitorando seus passos através de um GPS e anotei alguns números para pedir quebra de sigilo telefônico.
- Agiu sem ordens superiores. – Tsunade a encarou séria e penetrantemente.
- Desculpe, mas não podia desperdiçar a oportunidade. – respondeu a morena, sustentando o olhar da chefe o máximo que podia.
- Entendo. – continuou a loira – Nesse caso, agiu muito bem. Não me interessa quem esse rapaz seja ou o que faz, já temos a ficha dele por não ser réu primário. O que importa é que ele é a chave para o resto da quadrilha. Já tentamos prendê-lo, mas ele foi absolvido. E quando ficou preso foi por pouco tempo, não conseguimos arrancar informações dele.
Preste atenção no que quero que você faça, Hyuuga. Juntar provas para tentar prendê-los se mostrou inútil, quero que você descubra a próxima ação deles e então o pegaremos em flagrante. Os que conseguirmos prender nos darão informação sobre os outros.
A jovem assentiu.
- Shizune, mande-a entrar. – Tsunade disse ao telefone, apertando um dos botões no aparelho em cima da mesa.
Logo uma jovem de cabelos negros e ondulados até a cintura e que margeavam o rosto de porcelana entrou para a sala. Estremeceu ao encontrar três pares de olhos a encarando, mas logo voltou a sua postura ereta e o olhar focado a frente.
- Essa é Kamya Yumi e será sua secretária, por assim dizer.
Ambas se cumprimentaram com um aceno de cabeça e se retiraram. Hinata caminhou de volta a sua sala com Yumi em seu encalço.
Hinata sentou-se e apoiou a cabeça nas mãos à procura da linha de raciocínio que perdera.
- Peça quebra de sigilo telefônico para esses números – estendeu um pedaço de papel a sua nova secretária – e me traga apenas informações significativas, por favor. E pesquise informações na internet sobre a empresa citada aqui – entregou a ficha que lia anteriormente.
- Sim, Hyuuga-san.
A jovem se retirou deixando Hinata a sós com seus pensamentos.
Saber sobre Naruto não era importante para a corporação, Tsunade havia deixado claro. Mas não era contra as regras saber mais sobre com quem estava se envolvendo.
Procuraria seu pai. Sim, procuraria por detalhes mesmo que eles não influenciassem nas investigações.
A semana passou rapidamente. Naruto não deu sinal de vida, o que por um lado era bom, pois voltava tarde do trabalho todas as noites. Ficava praticando tiro depois do expediente. A pedido da chefe, a Hyuuga carregava consigo duas pistolas 9mm com silenciador. Passou bem nas aula de tiro, mas ainda sim queria treinar um pouco mais.
Mas por outro lado... Naruto ainda não havia dado notícias. Será que teria se esquecido dela? Era um comportamento típico de gângsteres, mas Naruto não parecia ser assim. Pelo visto, tinha o julgado mal. Isso dificultaria um pouco as coisas.
A tarde passou estranhamente rápida naquela sexta-feira. Logo estaria em sua casa, vestida, penteada e perfumada uma hora antes do combinado. Resolveu ignorar os conselhos da amiga de se atrasar para deixá-lo ansioso e pegou o táxi rumo a seu encontro, seu pesadelo em forma de socialização.
Hoje era o dia que iria ao teatro com Kiba.
Assim que chegou localizou o rosto do amigo vindo abrir a porta do táxi para ela.
- Desculpe Hina. Eu tentei passar em casa pra te dar uma carona, mas meu chefe me segurou até mais tarde hoje.
- Não tem problema.
A noite foi agradável. A peça de teatro foi uma comédia muito boa e depois foram até o outro lado da cidade para comer "o melhor cachorro quente de todos" segundo Kiba. Hinata já sabia o quanto o vizinho era engraçado, ele contou casos e piadas a noite toda e a morena já começava a sentir dores nos músculos do abdômen de tanto rir.
No caminho de volta para casa ele a entretinha com o caso da síndica de meia-idade do condomínio onde moravam. Kiba contava que a síndica fora em seu apartamento reclamar do som alto e quando o rapaz abriu a porta somente com uma toalha amarrada à cintura a velha quase desmaiou.
- Ela é uma coroa inteirona... dava uma pimbada com ela fácil.
- Kiba! – repreendeu Hinata sem jeito.
- Brincadeira, Hina, calma. – ele gargalhou – Afinal, ainda estou tentando levar você pra cama.
- Kiba. – repreendeu novamente, encarando o vidro fechado do carro e com o rosto em chamas.
- Brincadeira, estou só brincando. Não precisa ficar emburrada.
- Eu não estou emburrada. – respondeu rude.
- Ahn sei... Conheço-te, menina. Vai ficar me ignorando a noite toda agora.
Hinata cruzou os braços e involuntariamente fez bico ainda encarando a paisagem pelo vidro fumê. Teria mesmo o ignorado o resto da noite, mas o amigo iniciou uma conversa que a fez entrar em alerta.
- Até que ele é... pintoso.
- Quem, kiba-kun?
- O cara loiro... não, não adianta sacudir a cabeça... eu vi vocês entrando no seu apartamento outro dia a noite. Sou seu vizinho desde que você se mudou para Tóquio e posso contar nos dedos quantas vezes eu vi você levando um cara pra casa... não precisa argumentar, eu sei que isso não é da minha conta... mas... eu me preocupo com você.
Hinata se mexeu desconfortavelmente no banco do carona e procurou em sua mente para dizer.
- Realmente não me importa o que você tem com ele. Mas como representante da espécie masculina devo dizer que homens não prestam. Temo que você... bem, que você saia machucada dessa relação.
A morena se assustou e encarou o amigo brevemente. Que instinto protetor era aquele que ela nunca vira em Kiba antes? Talvez esse instinto tenha aflorado agora que, depois de anos, ela estava se envolvendo com um sujeito.
- Olha... Realmente não tem motivos se preocupar Kiba-kun. Eu e ele não temos... nada. – disse a última palavra com hesitação.
- Por que o convidou para ir a sua casa? Se eu a conheço bem você não daria trelha para estranhos.
Ela não sabia responder. A única coisa que sabia que Kiba estava exagerando os fatos. Foi apenas simpática.
- Eu o conheci a pouco tempo.
- Já ouviu falar em paixão a primeira vista?
- Sim, e soa quase tão estúpido quanto eu estar apaixonada. – disse firmemente encerrando o assunto.
Remexeu-se desconfortavelmente no banco outra vez. Manteve-se ereta e com os olhos perolados vidrados a frente.
Estar apaixonada por um cara que conheceu a menos de uma semana parece roteiro de novela ou então alguma história de adolescente. Se Kiba conhecesse a verdade por trás de tudo não diria tanta bobagem de uma vez só.
De repente o moreno encostou o carro no acostamento e o desligou.
- Não vou mais te encher com isso. Só toma cuidado, okay?! Os homens são regidos somente por hormônios.
- Nem todos. – ainda não o encarava – Você nunca tentou me agarrar – disse inocente sem pensar no poder que aquelas palavras teriam.
- Você nunca deu oportunidade.
Hinata o encarou assustada e viu os olhos castanhos se estreitarem, observando cada detalhe de seu corpo. Viu os pêlos do corpo atlético do amigo se eriçarem e ele morder o lábio inferior num movimento contido. Ele esperava por uma resposta. Ela sabia que o Inuzuka seria incapaz de fazer qualquer coisa contra a vontade dela.
Sakura vivia dizendo se estivesse no lugar da Hyuuga já teria caído dos braços de Kiba há muito tempo. E analisando a situação agora, Hinata não soube responder por que, diabos, ainda não havia experimentado o pedaço de mau caminho que era o vizinho.
Pensar no amigo de outra forma fez todos os músculos do seu corpo se enrijecer e sua respiração falhar. Isso não é certo, sua vozinha sensata gritava em sua mente.
Se fosse Naruto que estivesse com ela naquele momento, ele já teria a acariciado e agora estariam se beijando. Era vulnerável ao loiro e aos olhos cristalinos dele de uma forma revoltante. Mas Kiba a observava ansioso, com um brilho diferente nos olhos. Talvez se... tivesse mais opções poderia separar melhor o envolvimento pessoal com o profissional em relação a seu gângster. Talvez se tivesse mais sexo, não derreteria tão facilmente aos toques de Naruto.
Cautelosa e tensa, a Hyuuga juntou seus lábios aos dele levemente, deixando que ele fizesse o resto do trabalho.
Em poucos minutos Hinata estava no colo do rapaz sentada de frente para ele com o dedos prendendo firmemente os fios castanhos e as costas no volante enquanto o pescoço era todo beijado ferozmente por Kiba, que fazia um barulho estranho com a garganta, parecia um rosnado.
Sentiu o cheiro do moreno. Ele usava um perfume que ela adorava, embora o cheiro de Naruto fosse mais inebriante. Sentiu as mãos grossas tocar-lhe a pele por debaixo da blusa e arrepiou, embora gostasse de mãos fortes com as palmas macias, como as de Naruto. Sentiu Kiba passar o dedo por seu lábio e sentiu um frio no estômago, embora os dedos finos de Naruto a atraísse mais.
De repente seus pensamentos e suas fantasias se esvaíram, dando vez para razão. O que estavam fazendo?
"Isso não é certo", a vozinha sensata agora parecia mais distante, mas Hinata se agarrou a ela.
Eram amigos, não era justo usá-lo daquela forma. Não era esse tipo de garota, então por que estava sentado no colo dele?
Ambos pararam o que estavam fazendo e se encararam assustados.
- Desculpe. – disse o moreno numa voz rouca.
Hinata sentou novamente no banco do carona e vestiu o casaco que usava anteriormente enquanto Kiba abria os vidros, deixando um vento quase congelante entrar.
- Eu não... Era pra ter sido uma brincadeira... Desculpe, Hina.
- Não, eu também tive culpa. – disse sem jeito apertando mais o casaco ao corpo – Nunca sei quando você está brincando.
Ele sorriu amarelo e deu a partida com o carro em direção ao condomínio onde moravam.
- Não vai me evitar nos corredores, vai? – perguntou ele.
- Eu não faço isso.
- Faz sim.
- Ta, ta. Faço só quando você insiste em me chamar pra sair.
- Corrigindo... quando insisto para que minha vizinha tenha vida social.
- Que seja – ela torceu o nariz e ambos riram. Mas ainda sim demoraria um tempo para o clima tenso que se instalou dissipar completamente.
A jovem desabou na cama assim que chegou a casa. Era melhor dormir logo, pois pela manhã estaria em um trem a caminho de Chiba.
Parecia que havia dormido apenas por minutos quando abriu relutantemente os olhos e com os mesmo ainda ardendo observou o relógio digital ao lado da cama. Três horas da madrugada. E amaldiçoando o infeliz que ousava lhe acordar caminhou até o interfone.
- Hinata-san, um jovem chamado Naruto quer vê-la. – lhe disse a conhecida voz do porteiro pelo interfone.
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N.A.:
1- Esse capítulo ficou grande, né?! XP
2- E no próximo capítulo... Outro Extra o/ não sei pq mais to adorando esses extras hasudhasudhau
3- Acho que não tem problema eu contar... o motivo da Hinata ter entrado na polícia é uma coisa bem besta, se querem saber xD E eu optei por não fazer o Naruto traficante dumal of darkness porque a idéia da fic era somente uma shortfic de presente para um amigo. Era pra ter no máximo 3 capítulos, mas o pessoal foi gostando e eu fui aumentando. Mas logo as coisas vão começar a fazer mais sentido.
4- Alguns persongens vão aparecer, mas infelizmente vai ser pouco =/ A história é centrada na Hinata. Até o Naruto é coadjuvante.
5- O Sasuke safado seria beem interessante, né? Muaahaha
6- OBRIGADA mesmo pelos reviews! =3
