Os sobreviventes

Capítulo 6

Era algo em torno de 12 crianças. O mais velho precisava salvá-las e por isso, mesmo sem cuidado, as jogavam dentro daquele porão. Ali deveria ter vários tipos de animais peçonhentos, desde escorpiões a cobras, mas ele não tinha alternativa.

- Pra onde você vai? – ouviu a voz do irmão e s voltou nervoso.

- Fique com eles. São muito pequenos! Cuide especialmente dos dois bebês!

- Não vou deixá-lo sozinho!

- Não se importe comigo, já disse, fique com eles, vou ver se tem mais alguém.

O irmão mais novo se conformou, entrou no porão e fechou a tampa de madeira. Lá dentro acendeu uma lanterna e mirou cada rostinho assustado escondido ali.

- Shh... fiquem calados. – pediu, mas percebeu que isso seria impossível as duas crianças menores que contavam menos de um ano. Então, ele as pegou no colo e colocou cada qual sobre uma perna, começando a balançá-las como se fosse um adulto embora tivesse apenas 14 anos.

"Noite feliz, noite feliz, oh senhor, Deus de amor..."

Cantarolou a única canção que conseguiu se lembrar, aumentando a voz à medida que os sons de tiro do lado de fora se tornavam mais altos e freqüentes e gritos de desesperos eram ouvidos. Lágrimas começaram a descer por seu rosto.

"Pobrezinho nasceu em Belém...

Mais gritos, mais desespero e no meio de tudo aquilo, ele reconheceu a voz agonizante do seu irmão. Fechou os olhos fortemente, soluçando. Tinha vontade de correr até ele, salvá-lo, mas aquilo significaria por em risco a vida de todos aqueles pequeninos, e aprendera com seu irmão que proteger os mais fracos era dever dos mais fortes.

Depois de muito tempo os tiros cessaram. Ouviu os passos dos bandidos sobre sua cabeça e tapou os lábios dos mais jovens. Logo depois tudo silenciou. Soube naquele momento que eles, ali naquele porão, eram os únicos sobreviventes.

-OOO-

Shura estava na sala de reunião da DP 5 e mostrava as rotas de chegada a Happyshire a sua equipe. O agente havia se livrado do terno e enrolado a camisa até encima do cotovelo. Óculos de graus cobriam os astutos olhos negros enquanto ele explicava como se daria a ação contra os seqüestradores do promotor.

"Desceremos nos helicópteros aqui..." apontou para o mapa – "depois seguiremos de carro até Nova Orleans. Verifiquem que há três rotas para se chegar à extinta Happyshire, então será necessário cada equipe ir por uma delas."

Na plateia estavam Aiolia, Aldebaran, Sorento, Krishna que se ofereceu a ajudar no caso e mais quatro policiais, entre eles o velho James, amigo pessoal do comissário.

- Acho que não haverá erro, Shura. – falou Aldebaran – Caso nós não consiga alcançar o Leone, fechamos as passagens até Happyshire e armamos a arapuca.

Sorento passou as mãos nos cabelos grisalhos, preocupado.

- Meu único medo é que ele consiga matar o promotor antes que possamos evitar. – disse – Lembrem-se, nesse caso, a prioridade não é pegar Leone e sim salvar a vida de Shaka Phalke.

- Sei disso, chefe. – sorriu Shura – Mas os helicópteros nos darão uma grande vantagem, podemos chegar a Happyshire antes de Leone, e como ele quer ver o promotor morrer, ficará fácil salvá-lo.

- Espere um pouco, Shura. – interrompeu Krishna – Lembre-se que o promotor está nas mãos de matadores profissionais.

- Por isso faremos o rastreamento da área por helicóptero e por terra. – volveu Aiolia – Essa missão é minha, Krishna, tenha certeza que antes que eles possam dizer "olá", estarão com uma bala na cabeça.

- Isso é ótimo. – sorriu Krishna – E então? Quando partimos?

- Daqui a duas horas. – disse Shura – Agora se lembrem que minha informante está com o Leone, então muito cuidado na abordagem a ele.

Ouviu uma sucessão de "ok" enquanto os policiais deixavam a sala.

O espanhol sorriu.

"Ah, Leone é agora que pego você!" comemorou, saindo em seguida. Ele também precisava se preparar para a viajem.

-OOO-

Os primeiros sinais de cansaço e abatimento começaram a se manifestar não apenas nos reféns como também nos seqüestradores. Máscara da Morte não suportou dirigir por mais 300 km e pediu que Fênix assumisse o volante. Afrodite cansado e magoado preferia olhar pela janela sem nada dizer, e Shaka também seguia introspectivo ao lado do leonino.

A chuva que havia dado uma pequena trégua voltou a cair com violência tornando a estrada ainda mais perigosa e forçando os mercenários a diminuir a velocidade.

- Que merda! Teremos que parar de novo! – reclamou fênix.

- Isso fará a polícia nos alcançar. – resmungou o italiano – Nesse caso... nesse caso o que faremos?

O mais jovem trocou um olhar aborrecido com ele e pegou o celular, começando a discar um número.

- Minha única preocupação agora, Ângelo, são Shun e Saori em cima daquela porcaria daquela moto nessa estrada horrorosa!

- Eu disse que eles não deveriam vir pra cá, mas você não consegue dizer não a bicha do seu irmão!

- Se você disser mais alguma coisa...

- Vocês dois querem parar de discutir? – irritou-se Shaka – Ikki, para essa porcaria desse carro! Com essa visibilidade e falando ao celular você só vai conseguir matar todos nós! Além do mais, se seu irmão está de moto ele não irá atender não acha?

O mais jovem bufou e guardou o celular, parando o carro no acostamento. Afrodite do seu canto prestava atenção à discussão do promotor com o mercenário de um jeito curioso.

Shaka ajeitou o cabelo, incomodado com o olhar do sueco.

- Estou exausto. – comentou se recostando no banco, ao lado de Afrodite – E você como está?

- Não me pergunte isso. – resmungou o pisciano – Estou me sentindo uma lixeira.

Shaka não soube o que dizer, e Afrodite continuou a conversa em voz baixa.

- Como eram seus relacionamentos, doutor Phalke? – indagou com um meio sorriso malicioso que não escondia a mágoa.

Ikki e Shaka trocaram um olhar pelo retrovisor e o loiro deu de ombros.

- Acho que só me interessei até hoje por gente teimosa, infantil e encrenqueira! – falou mais alto com a clara intenção de que o seqüestrador ouvisse – Meus relacionamentos não são do que mais gosto de falar.

- Por quê?

- Por que... bem, eu não tive muitos... – respondeu sem jeito, voltando a baixar a voz – Acho que passei minha vida inteira obcecado pela ideia de vingança e acabei me fechando num círculo...

- E você nunca amou ninguém?

Shaka deixou transparecer um meio sorriso.

- Eu não quero falar disso, senhor Laursen...

- Por quê?

- É uma história longa, antiga e que...

- Porra! – o palavrão de Ikki fez o loiro se interromper. Shaka odiava palavrões e fuzilou o moreno com o olhar. Fênix que já sabia disso riu baixinho – Precisamos voltar à estrada, Ângelo, ou nunca chegaremos a Happyshire.

Máscara da Morte olhou feio para o amigo, mas resignou-se.

- Tá bom, então toca essa lata velha, mas temos que esperar essa chuva passar em algum lugar.

- Já estamos perto demais para parar, Mask. – disse Ikki – Vamos arrastar esse carro até Avenue Flower.

- Você tem razão. – conformou-se o italiano olhando rapidamente para Afrodite e desviando o olhar.

Ikki ligou o carro novamente, seguindo a toda velocidade em direção a Avenue Flower.

-OOO-

- Chuva, chuva, chuva! Parece que só chove nessa porcaria de estrada! – reclamava Shina se fechando em seu casaco de pele e se abraçando mais ao braço de Leone, virando o rosto para disfarçar o nojo que sentia daquele homem e a vontade de gritar cada vez que ele a tocava.

- Calma, boneca, não demoraremos muito a chegar, mas se quiser podemos parar num hotel, o que acha? – indagou o gângster.

- Hum... eu gostaria sim, estou cansada, e você não deseja sua bonequinha cansada, não é? – fez charme.

- Claro que não. – Leone a beijou levemente – Depois que matarmos aquele vadio iremos para algum lugar da Europa em lua-de-mel, o que acha?

Shina mirou Leone, boquiaberta.

- Você está...?

- Te pedindo em casamento, bambina, o que acha?

A jovem empalideceu, mas tentou demonstrar alegria.

- Claro que sim! Eu... eu fico muito feliz, amore... – disse o beijando. Leone a derrubou no banco do carro começando a beijá-la e acariciá-la sem se preocupar com o capanga e o motorista que seguiam no banco da frente. Chegaram a um motel alguns minutos depois; já desceram semi-despidos do carro e entraram no quarto. Leone como um bicho no cio logo tomou Shina de forma rude. A "agente" virou o rosto para o lado enquanto ele estocava forte. Uma lágrima escapou dos seus olhos e ela os fechou, tentando esquecer aquilo, até que aquele homem desprezível gozou e caiu sobre si arfando.

- Gostosa... – murmurou Leone beijando seus cabelos.

- Você é que é maravilhoso... – sorriu Shina de forma forçada – Vou tomar um banho e já volto. – pulou da cama indo para o banheiro. Ligou o chuveiro se sentindo suja e estúpida enquanto a água molhava seu corpo e ela se esfregava com o sabonete usando toda sua força até a pele ficar vermelha. Sentou-se no boxe, abraçada aos próprios joelhos e chorou como nunca em sua vida. Sabia que aquele era seu trabalho, mas era terrivelmente cruel ter que suportar aquele homem desagradável, ter que aturar tudo aquilo.

Ergueu-se e se vestiu com um roupão. Quando chegou ao quarto, Leone já dormia profundamente, então caminhou até a varanda e discou o número de Shura.

- Oi... – disse acendendo um cigarro com as mãos trêmulas e não conseguindo evitar as lágrimas.

- Você está bem? – a voz fria do investigador falou do outro lado da linha.

- Não, droga! Não estou! Eu não suporto mais esse homem... – respondeu baixo depois de tragar o cigarro – Quando vocês vêm?

- Estamos saindo daqui agora à noite, eu, Sorento, Deba e Olia, Krishna e sua equipe. Agüente mais dois dias e eu lhe tiro daí, ok?

- Shura...

- Seja forte, Shina, você sabe que essa é nossa prioridade. Você aceitou o trabalho de informante, não fraqueje agora que a caçada está no fim.

- Ok, ok... Tudo bem. – respondeu nervosa – Eu agüento...

- Ok.

O espanhol desligou o celular, e Shina se encolheu na cadeira de palha em que estava sentada enquanto observava os trovões explodindo no céu. Não deveria ter aceitado aquele trabalho. Não deveria mesmo.

-OOO-

- Um carro de polícia. – informou Afrodite com um sorriso provocador para Ângelo – E como eu não estou nem aí se vou morrer agora ou depois, dane-se!

O sueco se pendurou na janela gritando a pleno pulmões.

- Socorro! Isso é um seqüestro!

- Merda! – gritaram Fênix e Máscara da Morte ao mesmo tempo. O motorista, Ikki, freou abruptamente e o carro deslizou na pista molhada girando de forma perigosa.

Seguiu em alta velocidade em sentido oposto a viatura, ouvindo a sirene alta enquanto o carro os seguiam.

- Ah, seu veado escandaloso, eu vou matá-lo! – grunhiu Máscara da Morte.

- Você faria isso de qualquer jeito, não foi isso que disse? – provocou o loiro – Eu não trepo tão bem, esqueceu? – berrou magoado.

Máscara da Morte saltou em cima dele, apertando o pescoço de Afrodite com as duas mãos. O sueco começou a tossir desesperado.

- Ângelo para com isso! – pediu Ikki olhando pelo retrovisor, enquanto Shaka tentava fazer o italiano soltar o modelo, se pendurando no banco da frente e tentado livrar o sueco das mãos fortes do italiano.

- Seu louco, você vai matá-lo! – falava o promotor tentando libertar o pescoço do rapaz.

- É isso mesmo que quero, fica fora disso, Shaka!

- Não! – com muito esforço, o indiano conseguiu empurrar Máscara da Morte pra trás, e ele soltou o pescoço de Afrodite que já estava ficando roxo pela asfixia.

O modelo arfava e tossia com os olhos arregalados de pavor.

Ikki tirou o carro da estrada, o levando pela planície desértica, escondendo-o atrás de uma encosta; conseguindo despistar temporariamente a viatura que os seguiam.

- Para essa merda desse carro, Ikki! – gritou Ângelo totalmente descontrolado enquanto Shaka tentava fazer Afrodite voltar a respirar. Ikki fez o que ele disse. O italiano deixou o carro bufando de revolta, saindo na chuva e parando ao lado da estrada respirando forte, completamente desolado.

Fênix saiu do carro também.

- Ângelo, volta ou vai pegar uma pneumonia... – pediu.

- Não enche! Se eu voltar pra esse carro agora, mato esse veado! – grunhiu sentindo os pingos de chuva escorrerem por seu corpo.

- E se você não voltar, daqui a pouco aquela viatura nos encontra. Que porra, cara, o que há com você?

- Essa bicha me torra a paciência! – irritou-se o italiano.

Ikki deu a volta em torno do companheiro e o encarou.

- Parece que não é bem isso. Você está gostando dele não está?

- Para de falar merda, seu pirralho estúpido! – rosnou o mais velho e despejou mais um monte de palavrões em italiano pra cima do mais jovem.

Shaka saiu do carro, irritado.

- Vocês dois dá pra discutir a relação outra hora? – indagou – Essa encosta está cedendo, se ficarmos aqui seremos soterrados!

Os dois morenos observaram que a chuva realmente começava a movimentar o barro da encosta onde o carro estava parado.

- Que grande merda! – gritaram ao mesmo tempo voltando para o carro que... NÃO PEGOU!

- Eu surfei nas tábuas dos dez mandamentos, não é possível! – resmungou Ikki girando a chave pela milésima vez.

- Agora, fudeu! Vamos morrer mesmo! – riu Afrodite já recuperado (sim, o sueco não tinha mesmo noção de perigo).

Shaka, Ikki e Máscara da Morte se entreolharam.

- Senhor Laursen, se não calar essa boca, serei eu a perder a paciência e esganá-lo, entendeu? – disse Shaka e o olhar que ele lançou ao outro loiro o fez estremecer.

- Tá bom, desculpa. – pediu baixando o olhar. Já estava desacostumado com aquele jeito sério e autoritário do promotor.

- Pega porcaria... – resmungava Ikki até que conformado, bateu com força no volante – Teremos que ir até Avenue Flower a pé.

- Quê? – exclamaram todos.

- Isso é loucura... – reclamou Shaka.

- De qualquer forma temos que achar um hotel para passar a noite. DE NOVO! – irritou-se o leonino – E tudo por culpa desse...

Afrodite se encolheu com o olhar do assassino. Ikki só não sacou a pistola e atirou nele ali mesmo, por que... Ele nem sabia por quê!

- Vamos. – disse Ângelo, já recuperado do excesso de fúria.

Saíram andando pela chuva, os reféns andavam na frente, sendo vigiados de perto pelos mercenários. Fênix e Máscara da Morte se entreolharam desolados, ainda faltava pelo menos dois quilômetros para que chegassem a Avenue Flower.

Caminharam por pelo menos um quilometro até chegarem a uma loja de conveniência perdida na estrada.

- Preciso parar um pouco. – disse Shaka sentindo um aperto no estômago com o que iria fazer.

Ikki ergueu uma sobrancelha, ele não parecia cansado.

- Não dá. – disse seco – Continua andando.

- Eu só preciso ir ao banheiro, é rápido. – pediu olhando a loja de conveniência e lançando um olhar para o assassino mais novo – Por favor.

- Eu também vou. – disse Afrodite que queria evitar ficar a sós com Máscara da Morte – Eu acompanho o Shaka.

Os morenos não ofereceram resistência. Entraram com os dois na pequena loja e cumprimentaram o jovem atendente. Ikki aproveitou para pegar alguns pacotes de salgadinhos e cerveja, e Ângelo se postou na porta do banheiro esperando os reféns com a mão na pistola.

Dentro do banheiro, Shaka trancou a porta e mirou Afrodite.

- Laursen é o seguinte... – começou – Não há jeito de nós dois fugirmos, certo? Então você vai fugir agora por essa janela enquanto eu os distraio?

Afrodite olhou o promotor e depois a pequena janela de vidro.

- Está louco? – indagou – Primeiro, eu não passo ali, segundo, não vou fugir e deixá-lo com esses marginais!

- Não discute, faz o que estou mandando, certo? – insistiu Shaka em voz baixa – A janela está solta, eu sei por que conheço esse lugar.

O indiano caminhou até a dita janela e a arrancou com facilidade.

- Agora, pula e dá o fora daqui! – ordenou com seu tom imperativo de voz.

- Shaka, eu não vou deixá-lo... – disse Afrodite com angústia.

O mestiço hindu respirou fundo.

- Afrodite, me faz um favor. – pediu e encarou os olhos azul piscina angustiados do sueco – Você vai embora daqui e sumir! Esqueça o Leone, esqueça essa história de ser testemunha. Desapareça sem deixar vestígios, essa é sua única chance de se livrar desses bandidos.

- Mas... e você? – gaguejou o modelo – Eles vão matar você!

- Não se importe comigo, já falei! Agora vá... Vá Afrodite!

O mais velho obedeceu. Com certa facilidade se pendurou pela janela, caindo na terra molhada do lado de fora da loja. Com o coração ainda aos pulos começou a correr. As lágrimas molhavam seu rosto ao pensar que Shaka morreria sozinho depois de toda dor que Leone já o fizera passar na vida.

Shaka ficou parado por um tempo no banheiro olhando de forma vazia para a janela. Até que algumas batidas na porta o despertou. Esperou alguns minutos até que as batidas se tornaram mais fortes, e Ikki que a essa altura já fazia companhia a Ângelo ameaçar arrombá-la. Então, muito lentamente, ele a abriu.

- Cadê o vadio? – indagou Fênix entrando no banheiro e procurando com o olhar.

- Fugiu. – disse Shaka de forma calma – Eu o ajudei a fugir.

- Quê? – exclamaram os assassinos ao mesmo tempo e miraram a passagem da janela.

- Maledito! – grunhiu Máscara da Morte e saiu no encalço de Afrodite.

Ikki e Shaka ficaram parados no banheiro, o promotor com a cabeça baixa e o assassino tentando controlar a respiração.

- Eu... – o promotor tentou falar, mas recebeu uma bofetada que tirou sangue dos seus lábios. O matador estava furioso.

Ikki pegou Shaka pelo braço o arrastando para fora da loja sob o olhar pasmado do atendente que assim que os viu sair, ligou para a polícia, achando tudo muito estranho.

- Reze para que o Ângelo o encontre, loiro... – grunhiu o mais jovem – Ou...

- Ou o quê? Vai me matar? – vociferou Shaka sob a chuva que o ensopava por inteiro – Então mata logo, Ikki! Mata agora! Estou cansado de tudo isso, estou exausto!

Depois da explosão, o loiro baixou o olhar para o asfalto, os punhos crispados a respiração ofegante.

- Eu não agüento mais essa história... – murmurou – Queria que o Leone tivesse me matado também há 20 anos... – soluçou não conseguindo mais segurar as lágrimas.

Ikki respirou fundo, baixou a cabaça e colocou as mãos no quadril, perturbado em ver o frio promotor daquela forma. Depois de um tempo e vendo que Shaka não se mexia, o puxou pra si o envolvendo nos braços com carinho. A vítima encaixou o rosto na curva do pescoço do algoz e se deixou ficar ali, descansado sob a chuva enquanto a mão do mais jovem afagava seus cabelos.

- Não repita mais isso... – pediu Ikki condoído – Não diga isso nunca mais...

-OOO-

Afrodite estava meio perdido entre as árvores que cercavam aquele bosque, não sabia muito bem qual direção tomar. Tinha que chegar a rodovia, tinha que fazer valer o esforço de Shaka. Parou ao pensar no promotor, estava indeciso e se sentindo horrível por deixá-lo.

"Ah, Afrodite Laursen, por que você tem que ter esse coração de manteiga? Onde ficou seu egoísmo, homem?" Falava pra si mesmo.

Pensou melhor e achou que o mais importante era achar um telefone onde pudesse ligar para a polícia, então precisava encontrar a rodovia.

Estava correndo ainda quando ouviu a voz de Máscara da Morte.

- Parado aí, belo! Nem mais um passo ou estouro seus miolos!

O loiro gelou, pensou em continuar correndo, mas não duvidava que aquele monstro fizesse o que estava dizendo. Se amaldiçoou por ser tão idiota e tê-lo deixado alcançá-lo. Como ele conseguiu? "velocidade da luz"?

Virou-se com as mãos na cabeça e um meio sorriso irônico.

- Como me alcançou? – indagou enquanto o italiano se aproximava e o tomava pelo braço.

- Você vai saber. – disse Ângelo o puxando pra si, o prensando contra seus músculos molhados. Afrodite o encarou confuso, não entendia as reações daquele carcamano, enquanto o moreno afastava uma mecha do seu cabelo molhado do rosto.

- Nunca mais fuja de mim, belo... – sussurrou antes de tomar-lhe os lábios num beijo lento e sensual.

O loiro sentiu as pernas virarem gelatinas e mesmo sob a chuva gelada seu sangue ferveu ao passo que o moreno vasculhava sua boca e sugava sua língua de uma forma que nenhum outro homem havia conseguido até então. Depois de alguns minutos o italiano se afastou lentamente. Afrodite continuou com os olhos fechados e os lábios entreabertos como se esperasse por mais, isso, porém, não aconteceu.

O loiro abriu os olhos azul piscina piscando confuso.

- O que você quer, Ângelo? Me enlouquecer? – indagou profundamente magoado, as lágrimas insistindo em umedecer seus olhos – Quer que minha morte seja ainda mais humilhante é isso?

O moreno não falou nada. Suspirou pesadamente e colocou a pistola no coldre.

- Vamos, Afrodite. – disse segurando o braço do sueco e começando a sair daquele bosque enlameado. Chegaram próximo a uma moto. Afrodite amaldiçoou-se mil vezes por não saber fazer ligação direta, como aquele marginal. Máscara da Morte montou na moto e fez sinal para que o loiro fizesse o mesmo. O sueco obedeceu resignado, afinal não havia como escapar dele, e ambos voltaram em direção à loja de conveniência a tempo de encontrar Ikki e Shaka abraçados no meio da rodovia.

O loiro sueco franziu as sobrancelhas, estranhando toda aquela intimidade. Quase se podia tocar nos sentimentos deles, e Afrodite não gostou nada daquilo.

- Vamos parando a veadagem! – disse o italiano descendo da moto – Temos um quilometro para andar até Avenue Flower.

-OOO-

O aparato policial era composto de um carro aonde iriam Shura e Sorento. Uma pick-up que abrigaria Krishna e Aiolia. Aldebaran e mais dois policiais iriam em outro carro. Todos seguiriam fortemente armados e se fosse necessário, teriam apoio aéreo de um helicóptero. Mas naquele momento essa ajuda foi dispensada.

- A Shina fez contato comigo ontem. – disse Shura fechando o colete à prova de balas sob a camisa preta justa – O Leone está a seis quilômetros de Happyshire, ainda podemos alcançá-lo antes que mate o promotor.

- Você acredita mesmo nisso? – indagou Sorento verificando uma pistola.

- Sim, ele é um louco, um sádico, com certeza vai querer brincar com os reféns um pouco antes de matá-los, e ainda tem que pagar os seqüestradores. – a voz fria do espanhol falou enquanto ele engatilhava e desengatilhava a pistola várias vezes.

- Os demais já estão prontos? – indagou o comissário.

- Sim. Cada carro seguirá por uma rota, fecharemos a cidade.

- Ótimo, então a diversão vai começar?

- Isso mesmo chefe. – piscou Shura – Vamos nessa!

-OOO-

A moto estacionou em frente ao sitio que ficava no final de Avenue Flower. Saori desceu e aspirou o perfume que as flores do jardim da casa do irmão jogavam no ambiente mesmo sob a chuva intensa.

- Que droga! Estou toda molhada! – resmungou abrindo o pequeno portão de madeira e sendo seguida por Shun.

- Você só sabe reclamar, reclamar, reclamar! – irritou-se o rapaz.

Saori fez uma careta e disparou para dentro da harmoniosa casa.

- Mu! Mu, chegamos! – saiu gritando atrás do irmão na casa semi-escurecida.

Shun entrou devagar procurando também. O ariano apareceu minutos depois com uma cara de sono daquelas.

- Saori, Shun? – estranhou – Vocês não viriam depois do Ikki?

Os dois mais jovens se entreolharam.

- Eles ainda não chegaram? – indagou Shun sentindo um aperto no peito.

Mu balançou a cabeça negando, nesse momento um homem chegou à sala numa cadeira de rodas, seus olhos verdes miraram todos em confusão.

- O que está acontecendo aqui? – indagou.

- Oi, Saga. – disse Saori se inclinando para beijar o rosto do cunhado.

- Oi, Saori, mas o que estão fazendo aqui? – insistiu o mais velho e mirou o namorado – Mu?

- Não tenho nada a ver com isso! – o ariano ergueu as mãos – Coisa dos terríveis! Eu não concordei que viessem pra cá, mas o Ikki nunca me escuta.

- Dos terríveis com o seu apoio, não? – ironizou Saga.

O mais jovem pareceu indignado, seus olhos verdes claros miraram os verde escuro do amado.

- Saga, não acredito que você achou que compactuaria com essa loucura? Você sabe que aqui é nosso lugar sagrado, nosso canto de paz e eu nunca, mas nunca mesmo, concordaria com isso.

- Saga... – Shun interrompeu a discussão – Meu irmão precisa descansar. Eles estão exaustos. Avenue Flower é o lugar mais próximo antes de Happyshire e o mais seguro também. Só aqui eles poderão descansar um pouco antes de seguir com esse maldito trabalho!

Saga suspirou pesadamente.

- E se o Dohko...

- Não vamos demorar aqui. – interrompeu Saori – Não haverá tempo dele perceber nada de estranho.

- Amor, fique calmo, nada de ruim acontecerá em nosso lugar de paz. – Mu fez um carinho nos cabelos do namorado.

- Eu espero realmente. – disse o mais velho – Dá pra pegar minhas muletas? Estou cansado de ficar sentado nessa cadeira.

Shun não deixou Mu se afastar, se adiantou pegando as muletas de Saga que estavam apoiadas atrás da porta. O geminiano se ergueu com a ajuda do namorado e logo depois se apoiou na janela, mirando a noite escura.

- Agora gostaria que os três começassem a me dizer o que de fato está acontecendo. – pediu com sua calma autoritária tão característica. – Alguma coisa deu errado não foi?

Mu suspirou e se aproximou dele pondo a mão em seu ombro com carinho.

- Ikki e Ângelo já estão a caminho, logo eles mesmos explicam. – disse e se virou para os dois jovens parados no meio da sala ensopando seu tapete de água – Vocês dois vão se trocar e dormir, já está muito tarde.

Shun concordou. Saori saiu resmungando dizendo que Mu a tratava como criança, mas obedecendo.

Saga mirou os trovões que explodiam no céu, Mu fez o mesmo, pedindo para que aquilo tudo realmente os levassem a algo de hora depois, Ikki, Shaka, Máscara da Morte e Afrodite chegavam ao sítio em Avenue Flower, totalmente ensopados e mortos de cansaço.

Mu saiu para recebê-los.

- Meu Deus! Vocês estão bem? – indagou o ariano assustado, embaixo de um guarda chuvas.

Ninguém respondeu, continuando a andar para dentro da casa. Afrodite antes de entrar olhou de forma estranha para a placa na frente do local e sentiu um frio percorrer-lhe a espinha, mas nada falou.

Entraram em um nervoso silêncio. Mu resignado acomodou a todos. A casa era imensa e tinha vários quartos, além de outras casas menores espalhadas pelo terreno vasto. Fênix levou Shaka para seu quarto, e Máscara da Morte mostrou onde Afrodite deveria se banhar e descansar. Antes de sair do quarto advertiu o sueco para que não tentasse "nenhuma gracinha" e fechou a porta.

Quando se viu sozinho no quarto, Afrodite se deitou na cama e chorou como há muito tempo não fazia. Sentia-se sozinho, traído, humilhado como não achou que se sentiria mais. Deixou que toda a sua indignação se manifestasse em formas de lágrimas, até que exausto resolveu tomar um banho quente e dormir um pouco antes de qualquer coisa.

-OOO-

Chovia muito. Prosseguir por aquela estrada era insano. Shura estava ao volante e não tinha nenhuma visibilidade. Tentou se comunicar com os outros membros da equipe pelo rádio, mas não conseguiu. Sorento seguia preocupado ao seu lado e não parava de fumar, parecia profundamente temeroso com aquela missão.

- Teremos que parar... – declarou o espanhol – Não consigo ver nada, que merda!

- Sim, sim, há um motel logo ali em frente, entramos e esperamos a chuva parar e então reagrupamos a equipe e seguimos.

- Sim, sim, vamos logo. – disse o investigador.

O comissário concordou, e Shura manobrou o carro para o pequeno hotel com um letreiro luminoso e chamativo. O espanhol quase riu com o nome brega do lugar. Entraram rápido, carregando notebooks e equipamentos.

- Um quarto por algumas horas! – pediu o espanhol – Só até a chuva passar.

O homem grisalho atrás do balcão os olhou com desconfiança antes de falar o valor e jogar a chave. Quando os dois policiais se afastaram ele não deixou de soltar um resmungo:

"Mais bichas! Eu joguei pedra em nosso senhor!"

-OOO-

Shaka estava sentado na cama, Ikki estava ajoelhado entre suas pernas limpando com uma toalha molhada o pequeno corte que o loiro tinha nos lábios.

- Eu não deveria ter batido em você... – murmurou envergonhado.

- Não tem problema, o Ângelo me deu um murro na cara, meu olho ainda está meio roxo por isso. Acho que foi bem pior. – devolveu cansado e espirrou, escondendo o rosto com as mãos.

- Não vai ficar doente, loiro. – volveu Ikki pegando uma toalha maior – Deixe-me enxugar seus cabelos.

O loiro suspirou e fechou os olhos quando o moreno sentou-se atrás de si, de modo que ele ficou entre suas pernas e começou a enxugar seus cabelos delicadamente. Fênix vestia apenas um short azul e o indiano um short cinza e uma camiseta branca de algodão. Shaka apoiou as costas no peito do mais jovem, sentindo-se relaxar sob o toque suave de suas grandes mãos. Ikki aspirou o cheiro que saía dos cabelos e do corpo do loiro, era incrível o quanto ele era cheiroso, como sua pele era macia. Não podia negar, adorava tocá-lo; adorava sua pele, seus cabelos, seu cheiro. Adorava a forma autoritária como ele proferia toda e qualquer palavra; adorava o jeito que ele agitava de forma blasé suas mãos grandes e magras, e adorava sua voz grave e levemente rouca...

Suspirou parando a carícia na nuca do loiro e o envolvendo forte nos braços. Shaka suspirou também, estava com frio e o corpo do moreno era tão quente, tão gostoso...

- Vou sair um pouquinho. – disse Ikki e beijou delicadamente os lábios cortados do promotor, para não machucá-lo – Descanse.

Shaka assentiu com a cabeça e se deitou na cama, envolvendo-se no lençol cheiroso e fechando os olhos, estava mesmo cansado e pensava em dormir, mas não negaria pra si mesmo que se pudesse ficaria o rosto da vida abrigado nos braços do moreno.

-OOO-

O dia amanheceu. O odor de sangue e pólvora era tudo que se sentia em Happyshire. A policia chegou cedo, alertada por moradores de uma comunidade vizinha que ouviram os tiros durante a noite.

O jovem policial não acreditou no que viu: uma chacina. Nunca presenciara uma barbaridade como aquela: adultos, idosos e crianças, todos mortos a tiros. Seu coração gelou quando reconheceu entre as vítimas um velho amigo.

-"Ah, Deus..." – murmurou desolado. Aquele era o paraíso que o companheiro dizia ter encontrado?

"Deixarei a cidade, não suporto mais essa violência. John está fundando uma comunidade agrícola e é pra lá que vou..."

As palavras ainda se repetiam em sua cabeça. O paraíso havia se tornado um inferno de sangue.

Um movimento no chão chamou a atenção do policial. Um corpo se moveu, e ele rapidamente se agachou virando a criança que estava caída. Percebeu chocado que sob o corpo do maior estava um menino pequeno, acomodado e protegido. Rapidamente o pegou no colo verificando se ele estava ferido, não havia nenhum ferimento nele, mas o mais velho estava com vários tiros pelo corpo, inclusive um na cabeça.

-"Chamem uma ambulância!" – gritou o jovem policial desesperado. Então mirou os olhos da criança assustada que tinha nos braços e logo verificou que não havia como se enganar, aquele era o filho de seu melhor amigo que estava morto.

-OOO-

Shura conseguiu falar com os companheiros de missão e informar que estavam parados num motel. Soube por Aiolia que Aldebaran ainda não havia saído de Nova York e se preocupou, mas depois pensou que o gigante brasileiro deveria ter seus motivos para esperar.

Sorento havia ligado o notebook e estava pesquisando sobre o tal massacre de Happyshire enquanto o moreno fumava um cigarro em silêncio, mirando os relâmpagos pela janela.

- Que noite tenebrosa! – exclamou Shura com um suspiro pesado, pensando em toda aquela terrível história – Não vejo à hora disso tudo terminar, estou cansado dessa caçada.

- Imagine o que estou sentindo? – resmungou o loiro – Eu estou preste a me tornar o secretário de polícia de Nova York e agora estou no fim do mundo a caça de bandidos...

Shura lançou um olhar inquisidor para o chefe.

- Eu realmente não entendi por que veio pessoalmente. – disse tragando o cigarro.

- Quero deixar o DP 5 com esse caso solucionado. Quero fechar a minha carreira de comissário com chave de ouro, prendendo um gângster e salvando um inocente promotor público. – Sorento suspirou – Pura vaidade, Shura...

- Vaidade... – repetiu o mais novo com amargura apagando o cigarro – Vou pegar um café, você quer?

- Sim, seria bom! – disse o comissário. O investigador já estava saindo quando a voz do chefe o impediu – Shura, você sabia que tiveram outros sobreviventes do massacre de Happyshire além do promotor?

O policial se voltou mirando o chefe.

- Sim, eu já sabia disso. – disse – Mas não consegui contatar nenhum deles, parece que todos viraram fantasmas.

- Estranho... – ponderou Sorento passando a mão no queixo.

- Eu também acho, mas agora é tarde para descobrir o que aconteceu com os sobreviventes de Happyshire. Vou pegar o café!

O moreno saiu, e o loiro voltou a mirar a tela do notebook. Aquela história ainda lhe causava arrepios.

-OOO-

Afrodite saiu do quarto. Já era altas horas da noite e a casa estava escura. Fugir não tentaria, pois nem sabia mesmo onde estava. Andou pelo corredor mal iluminado pelos raios e trovões. Ao passar por uma porta, viu algumas pessoas reunidas conversando em voz baixa; tentou ouvir algo mas não conseguiu então continuou a andar, abrindo algumas portas e procurando o promotor.

Chegou ao quarto ao final do corredor, era a última porta, ele só poderia estar lá.

- Shaka? – sussurrou o nome do loiro e ele se moveu na cama. O sueco se aproximou dele puxando levemente o lençol, expondo o indiano que abriu os olhos e piscou ainda confuso pelo sono.

- Afrodite, o que...

- Deixe-me ficar aqui com você... – pediu já deitando na cama e se aninhando junto ao corpo do loiro – Está muito frio...

Shaka gelou. Afastou-se e se sentou na cama num pulo.

- Não, Laursen, volte para seu quarto, por Buda! Pare de arranjar confusão. Já não basta nas que me meti por sua causa!

Os olhos azul piscina se voltaram para os do promotor, tão azuis quanto os seus. De súbito, Afrodite empurrou Shaka na cama e subiu em seus quadris, sob o olhar espantado do mestiço hindu.

- Afrodite...

Não terminou a frase, sua boca foi tomada com fome e sensualidade na medida certa; Shaka não conseguiu deter o sueco que segurou seus braços no alto da cabeça enquanto descia os lábios por seu pescoço.

- Pare já com isso... – murmurava o indiano aflito e também não querendo chamar a atenção dos "moradores" da casa.

- Relaxa, você vai gostar, eu quero fazer isso desde que o vi... – murmurou o modelo de modo sensual, enfiando as mãos por baixo da camiseta que o indiano vestia e tocando-o nos mamilos. Shaka não conseguiu evitar um gemido, e se odiou por isso. Voltou a se mover, tentando tirar aquele louco de cima de si, mas o que conseguiu com a manobra foi derrubar o abajur, única iluminação do quarto. Afrodite descia os lábios, molhando sua barriguinha perfeita de mordicando os ossinhos dos seus quadris; Shaka suspirou aflito, por mais controlado que fosse, aquilo seria de enlouquecer qualquer mortal. As mãos do sueco deslizaram para o elástico do short folgado que ele vestia, o descendo sensualmente. Shaka estava quase suando de aflição quando sentiu a língua ousada deslizar por sua virilha, gemeu levemente, mas estava muito mais apavorado que excitado. Afrodite já estava com a boca em sua parte mais sensível quando ambos ouviram o "click" do interruptor.

Shaka arregalou os olhos, mirando o rosto meio estarrecido de Ikki. Afrodite se afastou lambendo os lábios e encarando o moreno de forma maliciosa.

Alguns minutos de silêncio até o mais jovem naquele quarto berrar:

- Que merda você está fazendo, Shaka?

O indiano engoliu em seco e tentou recuperar a presença de espírito.

- Não é da sua conta, você vai me matar, é um seqüestrador, lembre-se... não é meu... dono, certo? – gaguejou incerto.

Ikki franziu as sobrancelha, apertou os punhos e grunhiu como um cão raivoso.

- Isso não vai ficar assim... – rosnou - Vocês dois... vocês não devem ficar fazendo essa coisas, aqui! – continuou com todo o esforço do mundo.

- Não é da sua conta...

- Ora, Shaka, isso já está indo longe demais e...

O moreno se interrompeu ao escutar as palmas debochadas do sueco.

- Vocês são bons, tenho que admitir! – disse Afrodite de modo sarcástico.

- O... o que quer dizer? – indagou Shaka empalidecendo.

O modelo o mirou magoado.

- Sabe que cheguei mesmo a gostar de você? – disse amargo.

- Do que você está falando, seu idiota? – grunhiu Ikki perturbado.

- Parem com a encenação! Eu já desmascarei vocês! – gritou Afrodite e olhou pra Shaka – Vocês estão juntos!

Shaka pensou em negar, mas ao invés disso baixou o olhar e sorriu, antes de voltar a encarar o sueco.

- Xeque mate, senhor Laursen. – disse calmamente – Você me descobriu.

Ikki continuava parado sem saber o que dizer. Shaka se ergueu da cama, ajeitando as roupas e caminhando até o moreno, segurando-lhe a mão.

- Estamos mais que juntos, Afrodite. – o loiro beijou a mão do assassino – Estamos unidos de uma forma que você nunca poderia imaginar. Mas isso farei questão de lhe explicar, detalhe por detalhe...

- Shaka... – Ikki tentou intervir, mas o loiro o mirou nos olhos e balançou a cabeça negando.

- Ele merece saber...

- Mereço sim! Mereço uma explicação do porque de tudo isso! – revoltou-se o sueco.

- Pois bem... – Shaka respirou fundo e pesadamente – Vou lhe dizer tudo que aconteceu desde que sobrevivemos ao massacre de Happyshire...

Ikki coçou a cabeça nervoso, aquilo não era para acontecer. Mirou o sueco.

- Quando você descobriu? – indagou.

- Já estava desconfiado, mas tive a certeza quando cheguei aqui.

- Por quê? – O "mercenário" e o promotor perguntaram juntos.

Afrodite sorriu vaidoso com sua perspicácia.

- A placa de madeira com o nome do sitio dizia:

"Morangos selvagens".

Continua...

Notas finais: Ah, eu espalhei pista pelo texto a respeito do envolvimento deles, não espalhei?

Cap. 1 – A revolta do Ikki quando o Dite atacou o Shaka no estacionamento. Os olhares do Shaka para o Mustang.

Cap.2 – O Ikki ficou irritado quando o Mask bateu no Shaka. O MDM chamou o Shaka de moranguinho e bateu no traseiro dele.

Cap.3 – Happyshire era um centro de imigrantes: Mask italiano, Shaka indiano, etc. A frase do Mask sobre as "barbies". Hehehehehe.

Cap.4- O Ikki não algemou o Shaka quando foi buscar o analgésico e o loiro nem tentou fugir. O olhar do Ângelo para o Shaka por causa dos ciúmes do Ikki, sem contar todo o cuidado que o moreno tinha com o loirinho né? XD! O resto era tudo encenação. Essas foram só algumas das pistas, espalhei muitas pelo texto.

Sei que há aqueles que já tinham juntado os fatos e aos que não, espero que a surpresa tenha sido boa. E não pense que eu decidi fazer do Shaka cúmplice de uma hora para outra, sempre que começo uma história já planejo tudo e da forma que irá acontecer, algumas crescem, mas no final o resultado é o mesmo que já foi planejado.

Relevem erros gramaticais, ortográficos e outros. Não mandei para a beta, pois estou ansiosa demais para postar esses dias.

Kitsune Youko, MillaSnape, ShakaAmamiya, Neko-sama, vivisctn, Vagabond, Ikki Amamiya, Keronekoi, Sica-kun, Arcueid, Sandrini, Meguari Uchiha, milaangelica, Giiuliaify, Virgo Nyah, Silvana.

A vocês acima beijos mil, muito obrigada pelo carinho que deixaram! Obrigada aos leitores silenciosos também, mas gostaria muito da opinião de vocês.

Abraços afetuosos!

Sion Neblina

Postado em 24/11/2010