CAP 06 -
Agosto, 1916
POV EDWARD.
Entrei em casa e subi diretamente para meu quarto. Isabella ainda estava recolhida em sua casa em luto. Me perguntei quem tinha morrido para merecer tanto tempo do seu lamento. Um simples amigo da família não levaria três semanas de luto, não? Andei pelo meu quarto enquanto lembrei do seu olhar quando a senhora Cullen mencionou que o noivo da irmã de Isabella, Alice, estava na guerra, foi um olhar preocupado e sofrido.
Naquele dia eu tinha confundido a preocupação como sendo para com sua irmã, para o que ocorreria se ela perdesse o noivo no outro lado do oceano. Mas parecia ser algo maior do que isso. E se o tal amigo da família era um pretendente que a pedira para esperar? E se ela o amava mais do que apenas um amigo? Era por ele que ela chorou naquela noite? Parei de andar quando vi meu pai parado na minha porta.
"Eu bati, mas você não pareceu ouvir." pai disse e entrou no quarto fechando a porta atrás dele. "Quer explicar porque ignorou quando falei com você lá embaixo?" perguntou, eu não sabia o que responder, eu nem tinha ouvido ele falar comigo. "Sente-se, Edward." ele ordenou e eu me sentei em minha cama olhando minhas mãos, passeis os dedos pelo cabelo, eu estava frustrado.
Antes que ele sequer começou a falar eu derramei o que estava sentindo. Minhas dúvidas e preocupações e a confusão que fiquei depois que Isabella Cullen me olhou nos olhos com aquelas orbes de chocolate dela. Falei inclusive da minha mais nova obsessão. Andar perto da casa dela para apenas ter um vislumbre dela por alguma janela. Meu pai olhou por cima do meu ombro e eu vire para ver minha mãe ouvindo parada na porta. Então em uma comunicação silenciosa, ela acenou para meu pai e saiu sem uma palavra.
"Esme Cullen, me informou que Isabella está bem melhor do seu abalo." minha mãe comentou, parei o corte da minha carne na metade e ergui meus olhos. "Talvez elas irão ao centro comercial na semana que vêm."
"Você não queria um novo vestido para o jantar do nosso aniversário querida?" meu pai perguntou não tão casualmente, eu o olhei, "O que acha de irmos na semana que vêm? Podemos, quem sabe, cruzar com eles em algum lugar."
"Sim, talvez."
Em todos os meus dezesseis anos eu nunca vi minha mãe ser tão... Sorrateira. Se antes eu estava distraído com Isabella recolhida em casa, agora eu estava ansioso. Meus tutores para as aulas de verão, estavam impacientes. Finalmente o passeio de compras chegou, mas eu ainda estava nervoso. O centro comercial era enorme, como iríamos encontrar os Cullen?
Mas aparentemente minha mãe e senhora Cullen estavam unidas em uma frente única com o objetivo de empurrar Isabella e eu juntos, surpreendentemente eu não estava tão contrário a idéia como era antes. Observei com cuidado quando minha mãe declarou seus sentimentos pela perda do amigo. Isabella desviou os olhos para o chão e agradeceu com a voz cautelosa, como se ela tivesse medo de falar mais do que deveria, também notei o olhar traído que ela lançou em direção do quando este aceitou o convite para o baile dos meus pais.
"Ela parece ser cautelosa com pretendentes em potencial." Meu pai disse quando estávamos no carro indo para nossa casa.
"Sim, eu notei isso também." Minha mãe disse, eu podia sentir o olhar dela sobre mim.
"O suposto amigo que morreu poderia ser alguém mais significativo para ela, não?" Falei sentindo meu peito queimar com dor.
"Agir com ciúmes de alguém morto não conquista uma dama, Edward." mãe me repreendeu suavemente e eu me movi em meu lugar.
"Mostre seu interesse para ela, não demora muito e outros rapazes tentarão chamar sua atenção." meu pai disse. Minhas mãos se fecharam automaticamente em punhos cerrados.
Meu pai deixou minha mãe em casa e me levou com ele para o escritório. Eu estava perto de terminar meus estudos e desde o ano anterior, parte dos meus verões eram gastos no escritório. Era o fim da tarde quando mandei um dos empregados do meu pai entregar um buquê de flores para Isabella Cullen.
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Agosto, 1916.
POV BELLA
As compras com Alice sempre me deixavam exaustas, mas eu tinha que aguentar firme. Minha irmã foi uma pilha de nervos desde que 'sumi para o meu tempo' e que nosso padrinho veio e Jasper não estava com ele. Espero que ele venha logo. Nossas 'primas' chamavam a atenção por onde passavam e internamente agradeci aos céus por isso. A presença delas me deixava mais resguardada da atenção masculina local.
Carlisle pairava ao lado de Esme, muitas vezes eu e Alice apostamos em quando ele ia realmente perder a calma e rosnar para algum humano que olhava para nossa mãe. Absorver o dom de Alice foi muito útil, nós praticamente não precisávamos falar para conversar, nós iríamos prever nossas conversas e argumentos. Era estranho de ver, segundo Esme. Era mais como um curto jogo de não piscar do que qualquer outra coisa.
Olhei para a moça que tirava as medidas de Irina. estava perto dela também tendo suas medidas anotadas. Foi uma surpresa para mim quando antes de nos mudarmos para Chicago, meu pai vampiro chegou com minha babá preferida. Sra. Keller tinha ficado recentemente viúva e perdido seus dois filhos na guerra, suas noras eram duas harpias que a despejaram da casa e tentaram tomar suas posses, felizmente os advogados da família cuidaram de tudo e alertaram Carlisle sobre o corrido, por isso ela agora estava conosco, agindo mais como uma avó substituta do que como empregada.
Chegamos em casa no fim da tarde, todas fomos guardar nossas coisas. E transferir o que não queríamos mais para as cestas de doações e o que queríamos preservar para os baús do tempo como Alice os chamava. Meus baús do tempo tinham principalmente fotografias do meu crescimento. Carlisle tinha se revelado um pai coruja, tendo comprado máquinas fotográficas e tirando toneladas de fotos. Ele também tinha guardado muitas das minhas roupas de criança e brinquedos.
Dizer que Esme amou, era o eufemismo do século. Todo ano quando Cármem e Eleazar vinham, eles levavam um ou dois baús meus, mais os do restante da família. Como eles nunca saíram e nem pretendiam sair de Denali, lá era a melhor opção para proteger nossas posses. Coloquei um vestido de baile que eu particularmente amei usar no começo do ano e fechei a tampa. Olhei em volta e me perguntei o que mais eu queria guardar.
Uma batida na porta me tirou dos pensamentos.
"Entre", autorizei. Sra. Keller vinha com um lindo buquê de acácias amarelas. Pisquei aturdida.
"Alguém tem um amor secreto por você, irmãzinha." Alice me provocou entrando logo atrás da nossa 'babá'.
"Eu?" perguntei em um fio de voz.
"Um amor não tão secreto." Sra. Keller disse e eu aceitei o buquê em meu braços.
"Como nem tão secreto?" gemi vendo o restante das mulheres da família seguir para dentro do meu quarto.
"O menino Masen está quase todo dia passando pelo portão, ao menos uma vez pela manhã ou a tarde." nossa governanta disse antes de sair do meu quarto, senti meu rosto queimar com o riso das outras mulheres.
"Não há como dizer se foi ele", murmurei, "Não há nenhum cartão dizendo quem mandou."
"Como se não fosse óbvio." Kate revirou os olhos, Tanya e Irina sorriram maliciosas.
"Talvez tenhamos que começar a ensinar Isabella." A líder do clã Denali disse e eu engasguei. "Ou talvez termos Eleazar e Carlisle tendo uma conversa séria com o menino."
"Ninguém vai fazer tal coisa!" exclamei balançando a cabeça, elas apenas riram mais duro.
"Sério, Bella, o cheiro dele está no buquê." Kate disse cheirando o ar. "É fraco por causa do perfume das flores e porque já saiu das mãos dele há algum tempo, mas ainda é o cheiro de Edward."
"Eu não devo encorajar." murmurei com um suspiro. "Ele absolutamente vai escolher morrer do que se transformar em um vampiro. Ele odiava ser um." disse dando as flores para minha prima.
"Talvez se você contar pra ele." Esme ponderou sentando na minha cama e segurando minhas mãos. Eu senti um bolo se formar na minha garganta. "Oh, querida." ela me puxou para seu abraço quando as lágrimas começaram a cair.
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Forks, Dezembro de 2005
POV ALICE
Olhei enquanto minha irmã dormia em seu coma no leito de hospital. Meu cabelo havia crescido literalmente da noite para o dia quando as lembranças começaram, assim como eu tinha ganho mais alguns centímetro. Foi confuso e assustador. As lembranças que agora corriam pela mente de nossa família, tudo mudando em um ritmo quase alarmante. As pessoas em Forks tinham suas lembranças sendo mudadas segundo a segundo, mas ninguém notava. Exceto se você tinha veneno ao invés de sangue nas veias.
A única coisa que não consigo entender é como nós saímos de perto de Bella sabendo que ela seria sequestrada. Edward tinha sido arrastado no começo do dia por Emmett e Jasper para um caçada e para que pudesse fingir que estava descansando em casa. Chefe Swan tinha acabado de sair de volta para o trabalho, as pessoas ainda estavam tentando chegar aos sequestradores, tendo por base a região de onde Bella foi encontrada.
Não que eles iriam achar algo. Nossa família, com excessão de Edward, e os lobos tinham ido ao local dois dias depois de Bella entrar no hospital e localizado o bunker. Os números deles estavam severamente reduzidos devido um combate interno que houve justamente devido a fuga das meninas. A maioria tinha sido localizada e levada de volta para o local, aparentemente só Bella e outra menina conseguiram fugir com sucesso.
Descobrimos que durante a briga interna todas as vampiras grávidas, mestiços e vampiros puros, como eram chamados os filhos das vampiras, foram aniquilados. Quem quer que tivesse começado tudo aquilo queria esconder as provas ou dos Volturi ou de nós, não sabemos.
Os vampiros que sobraram eram recém-nascidos de alimentações interrompidas. Todos estavam horrorizados com o que se tornaram. Por piedade, fizemos o que eles queriam, os destruímos, mas não sem antes eles nos contarem o que conseguiam se lembrar de seu tempo no cativeiro. Até mesmo os lobos não se divertiram muito naquele dia.
Com um suspiro levei minha cadeira para o lado da cama da minha irmã. Bella havia me salvado de anos presas em uma solitária no asilo em Biloxi, foi seu retorno no tempo que permitiu que nosso padrinho me resgatasse daquele lugar e eu tivesse uma verdadeira infância. Eu ainda tinha meus diário dos nossos baús do tempo, assim como todas as nossas fotos.
"Que data você está irmãzinha?" perguntei segurando sua mão, sorri lembrando da nossa visita surpresa no hospital do nosso pai.
